Meu nome é Wladimir, mas pode me chamar de Rafael

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Se for feita uma retrospectiva dos primeiros cinco meses do governo Wladimir Garotinho (PSD) à frente do executivo municipal de Campos dos Goytacazes, a primeira sensação é de um tremendo “dejà vu” (literalmente o que já foi visto) em relação ao governo de Rafael Diniz. É que Wladimir vem repetindo a mesma fórmula que mistura derrama fiscal e ataques aos servidores públicos, além de uma estranha propensão a contratar empresas cujo CNPJ foi obtido fora dos limites municipais, o que configura uma sinistra tendência a desconstituir o que resta da economia municipal.

A verdade é que entre um aumento de imposto e outro, incluindo ainda uma estranhíssima lei que implica na expropriação de terras privadas, Wladimir Garotinho demonstra a mesma ojeriza demonstrada por Rafael Diniz em relação aos servidores públicos municipais. A diferença é que Wladimir está associando a cassação de direitos e  benefícios a um projeto explícito de privatização de setores essenciais, a começar pelos serviços municipais de saúde.

Há que se considerar ainda que Wladimir não possui um séquito de menudos neoliberais como o que seguiu Rafael Diniz até os últimos dias de seu infeliz governo. No lugar dos jovens bem barbeados e de cabelos tratados, Wladimir retornou parte da velha guarda que serviu seu pai e  sua mãe, o que, convenhamos, não muda a natureza neoliberal desse início de governo.

Em comum com o grupo de Rafael Diniz, e talvez em tons mais fortes, Wladimir volta a apresentar as mesmas certezas de destino manifesto que o coloque em um suposto padrão de alta moral que o habilita a desqualificar as críticas como se todos os seus críticos fossem piromaníacos institucionais que não querem o melhor para a cidade de Campos dos Goytacazes. Nós que já vivemos o governo dos pais sabemos que esse é um tipo de selo de qualidade do Garotismo, mas é desapontador ver que Wladimir continua com o mesmo tipo de pensamento, apesar de ser reconhecidamente um sujeito afável e com tintas de boa praça. O problema é que na hora de governar traços pessoais não são suficientes para imprimir uma marca própria na forma de governar.

Finalmente, na obra “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, Karl Marx disse que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.”.  No caso envolvendo os governos de Rafael Diniz e Wladimir Garotinho, entretanto, fica difícil saber se estamos diante da farsa ou da tragédia, mas está claro que estamos diante, infelizmente, da repetição de uma forma de governar que não resolve nada, e piora tudo.

Com ataque aos direitos dos servidores, Wladimir coloca Campos na vanguarda do atraso

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Ainda que não se saiba perfeitamente o que a Câmara de Vereadores aprovou do chamado “Pacote de Maldades” enviado em ritmo de urgência urgentíssima pelo jovem prefeito Wladimir Garotinho (PSD), uma coisa parece certa: a tunga nos direitos dos servidores foi alcançada como queria o grupo político que o sustenta e é por ele sustentado. Segundo fontes da imprensa local, dentre os direitos retirados estão o “pagamento de complementação aos servidores cedidos pelo Estado; fim do abono de permanência, que é destinado aos profissionais que já tem idade para se aposentar, mas continuam nos cargos públicos; revogação do auxílio-alimentação, de R$ 200, para servidores que tiver o salário bruto acima de R$ 3.409,37“. 

Com essa retirada de direitos, além de encolher vencimentos, o prefeito certamente aumentará o número de servidores que irão solicitar aposentadoria nos próximos meses e também solicitarão o retorno aos seus órgãos de origem. Essas são consequências óbvias que já devem ter sido antecipadas por quem preparou esse ataque aos servidores. Quem ainda não foi avisado que os serviços públicos municipais irão piorar é a população que mais depende deles.

Há que se ressaltar que todos os cálculos que vi em termos da economia que será alcançada por essas medidas apontam no sentido de que ela será mínima, se alguma.  E, pior, sem que haja qualquer alteração na pressão que determinados custos impõe aos cofres públicos, inclusive no pagamento da folha de pessoal, onde os cargos nomeados representam um custo normalmente mais significativo do que os direitos e incentivos que estão subtraídos dos servidores.

É interessante notar que ao se adiantar à reforma administrativa que começou a tramitar no congresso nacional, Wladimir Garotinho se coloca na dianteira de mais uma onda de ataque aos direitos dos servidores públicos. Nesse sentido, ele se coloca na vanguarda do atraso já que se sabe que a precarização da condição salarial dos servidores só beneficia mesmo corporações privadas que se beneficiam da privatização do Estado, normalmente com contratos extremamente salgados que não garantem a qualidade dos serviços públicos, aliás, muito pelo contrário.

Assim, um governo que começou com a cara de um pequeno museu de velhas novidades agora migra para a condição de ser a vanguarda do atraso. E isso tudo em pouco menos de cinco meses de duração. Isso me faz pensar que os próximos 43 meses têm tudo para serem parecidos com os longos e dolorosos 48 meses do governo de outro jovem que chegou à Prefeitura de Campos prometendo respeitar e valorizar os servidores municipais. 

Finalmente, há que se dizer que com esse ataque aos servidores municipais fica evidente que o “Garotismo” se tornou uma espécie de braço auxiliar do “Bolsonarismo” no estado do Rio de Janeiro, principalmente no município de Campos dos Goytacazes. Resta saber apenas como isso se refletirá nas próximas eleições que ocorrerão em 2022. Eu não me surpreenderia nem um pouco se virmos o pai do prefeito, Anthony Garotinho, subindo ou oferecendo o palanque para a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. Afinal, vanguarda do atraso por vanguarda do atraso, fica difícil ver quem é mais atrasado.