Pó branco, faces vermelhas: O “The New York Times” ironiza o caso do “aerococa” que embaraça mundialmente o governo Bolsonaro

O “The New York Times”, um dos mais importantes jornais do mundo, publicou ontem (26/06) um devastador artigo sobre o embaraçoso caso do sargento da Força Aérea Brasileira que foi preso na Espanha com 39 Kg de cocaina a bordo de um dos aviões que compõe a comitiva brasileira que está participando do encontro do G-20 no Japão. 

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Sob o título de “White Powder, Red Faces”, o jornalista Ernesto Londoño aborda a grave contradição que o caso cria para o presidente Jair Bolsonaro que chegou ao poder prometendo uma perseguição sem tréguas ao narcotráfico, apenas para terminar tendo que explicar com um avião presidencial pode cruzar o oceano Atlântico carregando 36 Kg de cocaina durante uma viagem oficial.

O “The New York Times” ressalta ainda que o caso representa ainda um embaraço para Jair Bolsonaro e sua defesa da superioridade moral das forças armadas.  A coisa pioraria ainda mais se o jornalista que escreveu a matéria soubesse que o Sgt. Manoel Silva Rodrigues já foi identificado por varreduras nas redes sociais como sendo um eleitor do presidente brasileiro (ver imagem abaixo).  

A verdade é que a presença de Jair Bolsonaro no encontro do G-20 já tinha tudo para ser tenso antes desse imbróglio vergonhoso.  Agora, além da grande chance que ele termine escanteado das principais reuniões, ainda é provável que parte do tempo dele e dos demais representantes brasileiros ainda seja tomado pelo oferecimento de explicações para um caso que, convenhamos, não há o que se explicar.

Apreensão de 39 Kg de cocaína em Sevilha amplifica imagem de pária internacional do Brasil

Image result for cocaina sevilha bolsonaroFlagrante de cocaína em avião presidencial piora substancialmente situação da imagem do Brasil no exterior.

A apreensão de 39 Kg de cocaína que estavam sendo transportados por um militar brasileiro que compunha a comitiva do presidente Jair Bolsonaro que participará da reunião do G-20 no Japão pode até ser minimizada pelos representantes do governo brasileiro e apresentada como um caso isolado, como já fez o ministro da (in) Justiça Sérgio Moro.

Mas não há como negar que a apreensão dessa quantidade particularmente alta para um transportador individual (também conhecida como mula do tráfico), que participou de voos internacionais onde participaram pelo menos 3 presidentes, implica um golpe devastador na imagem internacional do Brasil, que já vem caindo pelas tabelas desde o golpe parlamentar que tirou do poder a presidente Dilma Rousseff.

As matérias que estão sendo veiculadas nos principais veículos da mídia internacional estão dando uma ênfase ao fato de que esta apreensão demonstra que um militar ligada diretamente à comitiva do presidente brasileiro está envolvido no tráfico internacional de drogas.  Esse é um vexame de tamanhos incalculáveis e vem em um momento particularmente sensível para os interesses comerciais brasileiros, incluindo a tão esperada assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. 

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E não há nenhuma dúvida que o Brasil neste momento acaba de ser empurrado de vez para uma posição de pária internacional, pois depois da explosão de desmatamento e regressões em relação a direitos sociais, agora temos essa situação constrangedora em Sevilha. Consertar isso não seria tarefa fácil se os melhores diplomatas estivessem a cargo do Ministério das Relações Exteriores. Entretanto, com o cético das mudanças climáticas globais Ernesto Araújo dirigindo o ministro que foi o de Rio Branco, a coisa periga se prolongar e causar danos gravíssimos ao interesses nacionais brasileiros.

Por último, é forçoso dizer que esse caso serve para desmanchar de vez a noção de que a forma mais eficiente de combater o tráfico internacional de drogas é militarizar as favelas e a autorizar a eliminação física dos potenciais traficantes que ali estão.  Essa visão serve apenas para ocultar a verdade indiscreta de que tráfico relevante ocorre em segmentos mais abastados e, como neste caso, teoricamente responsáveis para combatê-lo.