Petição pede boicote de supermercados alemães ao Brasil por desmatamento da Amazônia

A iniciativa visa pressionar três das maiores redes de supermercados da Alemanha a não comprarem mais do Brasil, principalmente produtos agrícolas. Se obtiver adesão, o boicote pode resultar no fechamento de 70% do mercado varejista alemão às mercadorias brasileiras.

bolso neroIlustração da petição online da ONG alemã Campact, que conseguiu mais de 300 mil assinaturas. A iniciativa exorta três das maiores redes de supermercado da Alemanha a não venderem mais produtos brasileiros devido ao desmatamento da Amazônia. © Campact

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

Um abaixo-assinado que colheu mais de 300 mil assinaturas em menos de uma semana exorta três das maiores redes de supermercado da Alemanha a não venderem mais produtos brasileiros por causa do desmatamento da Amazônia.

A ação, lançada na terça-feira (09/06) pela Campact, ONG sediada em Berlim, critica a polêmica Medida Provisória 910/19, substituída pelo Projeto de Lei 2633/20, sobre regularização fundiária. O projeto é conhecido por seus críticos como “PL da Grilagem”, por apresentar risco de promover mais devastação florestal. 

A organização alemã cita uma ameaça de boicote formulada em maio pelas principais redes de supermercados do Reino Unido e pede que três grandes redes alemãs sigam o exemplo. O apelo é dirigido às companhias Lidl, Edeka e Aldi Nord, que figuram entre as cinco maiores varejistas da Europa em volume de faturamento.  

A Campact afirma que duas grandes redes alemãs, Aldi Süd e Rewe, já aderiram à iniciativa das redes britânicas, que ameaçaram no mês passado, em carta aberta ao Congresso Nacional, boicotar produtos brasileiros em caso de aprovação da proposta de regularização fundiária.

"Salvem a floresta: parem Bolsonaro!", diz mensagem veiculada na petição ONG alemã Campact.“Salvem a floresta: parem Bolsonaro!”, diz mensagem veiculada na petição ONG alemã Campact. © Campact

Bloqueio de 70% mercado varejista alemão ao Brasil

O sucesso da petição da Campact, com a adesão dos três supermercados, fecharia, segundo a ONG, 70% mercado varejista alemão aos produtos brasileiros. O objetivo da ONG alemã é aumentar a pressão para que o texto seja não só retirado da pauta do Congresso, mas descartado por completo.

A proposta de lei ameaça a população indígena, a biodiversidade e o clima. Normalmente, recorreríamos diretamente aos políticos. Mas no caso do radical de direita Bolsonaro, a diplomacia é impossível. Por isso, visamos seu lado mais sensível: o sucesso econômico. Bolsonaro depende do apoio do lobby do agronegócio”, diz o texto da petição online, que também foi enviado a 2,3 milhões de assinantes do boletim informativo da entidade. 

“Queremos que as redes de supermercado alemãs se juntem aos supermercados britânicos no boicote a produtos brasileiros, principalmente à carne bovina, para pressionar economicamente o governo Bolsonaro”, afirma o grupo.

O texto da petição dá destaque à afirmação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião ministerial do governo, em que ele fala em aproveitar o “momento de tranquilidade na aspecto da cobertura de imprensa” durante a crise de Covid-19 no Brasil para “passar a boiada”: mudar regras e simplificar normas ambientais.

“Em vez de punir o desmatamento ilegal, Bolsonaro permite a destruição da floresta. Essa lei é como um convite para destruir a Floresta Amazônica – isso pouco antes da temporada de queimadas”, disse em entrevista exclusiva à RFI Friederike Gravenhorst, integrante da Campact. “O pulmão verde da Terra está em perigo.” 

Incentivo à destruição de novas áreas da floresta

O PL 2633/20 foi apresentado após a perda de validade em maio, por falta de acordo entre os parlamentares, da controversa Medida Provisória 910/19, editada em dezembro pelo presidente Jair Bolsonaro. O projeto prevê a regularização fundiária de imóveis da União, incluindo assentamentos, sem vistoria prévia, em áreas com até seis módulos fiscais e ocupadas até julho de 2008 – o texto da MP 910 incluía zonas ocupadas até 2014 e de até 15 módulos fiscais. 

O módulo fiscal é uma unidade cujo tamanho varia de acordo com o município, podendo ir de 5 a 110 hectares.

Defensores da iniciativa alegam que ela desburocratiza a concessão de títulos a agricultores, que poderiam produzir mais, com mais acesso a crédito. Críticos argumentam que a lei premiaria quem invadiu e derrubou florestas ilegalmente em áreas públicas e, ao possibilitar que desmatadores se tornem proprietários de áreas ocupadas ilegalmente, seria um incentivo à destruição de novas áreas de floresta.

_______________

Esta matéria foi originalmente publicada pela Rede França Internacional [Aqui!].

Convite para participação em pesquisa científica sobre uso de sacolas de supermercado

sacolas

Uma pesquisa envolvendo pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e da Fairfield University (localizada no estado de Connecticut) está convidando interessadas para uma pesquisa acerca do uso de sacolas de supermercado (de plástico ou ecológicas).

A descrição completa do projeto segue abaixo, e os interessados podem acessar a pesquisa [Aqui!]

sacolas plásticas

Supermercados britânicos ameaçam boicotar o Brasil por causa do projeto de lei da grilagem de terras

desmatamento amazoniaVista aérea de uma área desmatada perto de Porto Velho, estado de Rondônia, Brasil, 17 de setembro de 2019. REUTERS / Bruno Kelly / File Photo

Por Matt Green e Jake Spring  para a agência Reuters

LONDRES / BRASÍLIA (Reuters) – Os supermercados britânicos alertaram o  Brasil para que eles talvez precisem boicotar os produtos brasileiros se os congressistas brasileiros aprovarem um projeto de lei que permitiria a destruição mais rápida da floresta amazônica.

A Sainsbury’s, Tesco, Morrisons e Marks & Spencer estão entre as mais de 40 empresas que assinaram uma carta aberta pedindo ao congresso brasileiro que rejeite o projeto de lei, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A carta diz  que a lei incentivaria “mais apropriação de terras e desmatamento generalizado”, o que colocaria em risco a sobrevivência da Amazônia, os objetivos do Acordo de Paris de 2015 sobre as mudanças climáticas, e os direitos das comunidades indígenas.

“Acreditamos que isso também colocaria em risco a capacidade de organizações como a nossa de continuar comprando no Brasil no futuro”, afirmou a carta.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse anteriormente que iria apresentar o projeto no plenário do Congresso na quarta-feira para uma possível votação.

Os colonizadores da Amazônia brasileira reivindicam há décadas terras públicas sem sanção oficial do governo, geralmente derrubando florestas para cultivar culturas de exportação como soja ou criar gado.

A proposta perante o Congresso – conhecida como “regularização fundiária” pelo lobby da agricultura e “lei de especulação fundiária” pelos ambientalistas – facilitará àqueles que se estabeleceram em terras públicas para obterem obras em suas propriedades, sob certas circunstâncias.

Os defensores do projeto dizem que a titulação legal da terra é um passo essencial para forçar os proprietários a cumprir as leis ambientais para limitar o desmatamento na Amazônia.

Ambientalistas dizem que a lei recompensaria efetivamente os especuladores de terras pelo desmatamento ilegal maciço realizado no passado, enquanto abria as comportas para mais desmatamentos e assentamentos de terras públicas da floresta.

O Instituto de Pesquisa da Amazônia (Imazon) estima que o projeto acelerará o desmatamento de 11.000 a 16.000 km2.

Após intenso debate no Brasil, o projeto foi substancialmente diluído em relação ao original, incluindo a remoção de uma provisão para permitir que propriedades ocupadas mais recentemente solicitem ações. No entanto, os signatários da carta, que incluem empresas de agronegócios e investidores, como o fundo de pensão sueco AP7 e a seguradora norueguesa Storebrand, disseram que estavam “profundamente preocupados” com a proposta de lei. “Instamos o governo brasileiro a reconsiderar sua posição e esperamos continuar trabalhando com parceiros no Brasil para demonstrar que o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental não são mutuamente exclusivos”, dizia a carta.

Reportagem de Matt Green em Londres e Jake Spring em Brasília; Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello; Edição por Leslie Adler

_________________

Este artigo foi publicado originalmente em inglês pela agência Reuters [Aqui!] .

Pesquisadores finlandeses produzem modelo de dispersão do COVID-19 em supermercados

koronaOs pesquisadores modelaram uma situação em que uma pessoa tosse por um corredor restrito a prateleiras, típico de supermercados. Foto: Petteri Peltonen / Universidade de Aalto

Uma equipe de pesquisadores finlandeses  ligados à Universidade de Aalto, ao Instituto Meteorológico Finlandês (FMI),  e ao Centro Técnico e de Inovação VTT e da Universidade de Helsinque sobre a difusão  do coronavírus e de partículas transportados em atmosferas interiores acaba de divulgar seus primeiros resultados.

Os pesquisadores modelaram um cenário em que uma pessoa tosse em um corredor entre prateleiras, como as encontradas em supermercados; e levando em consideração a ventilação (ver vídeo abaixo).

Na situação modelada pelos pesquisadores finlandeses, a nuvem de aerossol se espalha para fora da vizinhança imediata da pessoa que tosse e se dilui no processo. No entanto, isso pode levar alguns minutos. A modelagem mostra ainda que alguém infectado pelo COVID-19, pode tossir e se afastar, mas depois deixa para trás partículas extremamente pequenas de aerossol carregando o coronavírus. Essas partículas podem acabar no trato respiratório de outras pessoas próximas ‘, explica o professor assistente da Universidade de Aalto, Ville Vuorinen.

‘Os resultados preliminares obtidos pelo consórcio destacam a importância de nossas recomendações. O Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar recomenda que você fique em casa se não estiver bem e mantenha distância física com todos. As instruções também incluem tossir a manga ou um lenço de papel e cuidar de uma boa higiene das mãos ”, diz Jussi Sane, especialista chefe do Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar.

Supercomputador usado para modelagem

O projeto envolve cerca de 30 pesquisadores, cujas especializações incluem dinâmica de fluidos, física de aerossóis, redes sociais, ventilação, virologia e engenharia biomédica. A pesquisa está sendo realizada em conjunto com a Essote (a autoridade municipal conjunta para serviços sociais e de saúde em South Savo), que propôs o projeto de pesquisa, bem como especialistas em doenças infecciosas do Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar.

O transporte aéreo e a preservação das gotículas que saem do trato respiratório foram simulados usando um supercomputador e, em seguida, foi realizada a visualização 3D dos resultados. O CSC – Finlandês IT Center for Science Ltd. disponibilizou seu supercomputador aos pesquisadores em um prazo muito curto. Graças à alta capacidade computacional e à cooperação multidisciplinar, os primeiros resultados foram produzidos em cerca de uma semana.

A física dos fenômenos que estão sendo modelados agora é muito familiar em pesquisas anteriores. O consórcio visa usar a visualização para criar uma melhor compreensão do comportamento das partículas de aerossol. Os pesquisadores continuarão trabalhando na modelagem e aprimorando-a ainda mais. Especialistas em doenças infecciosas e virologia examinarão os resultados e sua importância em relação às informações coletadas sobre infecções por coronavírus e coronavírus. O envolvimento de duas universidades suecas fortaleceu ainda mais o consórcio.

A CSC está priorizando o fornecimento de capacidade computacional e assistência especializada para pesquisas destinadas a combater a pandemia do COVID-19. Se você estiver trabalhando diretamente em um projeto de pesquisa sobre pandemia, entre em contato com servicedesk@csc.fi.

Pesquisadores disponíveis para esclarecimentos

Professor Assistente Ville Vuorinen
Universidade de Aalto
tel. +358 (0) 50 361 1471
ville.vuorinen@aalto.fi

Pesquisador Sênior Antti Hellsten
Instituto Meteorológico Finlandês
tel. +358 (0) 29 539 5566
antti.hellsten@fmi.fi

Pesquisador Sênior Aku Karvinen
Centro de Pesquisa Técnica VTT da Finlândia
tel. +358 (0) 40550 2142
aku.karvinen@vtt.fi

Professora Assistente Tarja Sironen
Universidade de Helsinque
tel. +358 (0) 50447 1588
tarja.sironen@helsinki.fi

Peter Råback
CSC – Centro de TI finlandês para a ciência Ltd
tel. +358 (0) 9457 2080
peter.råback@csc.fi

O exemplo de Ponta Grossa (PR) na regulação do funcionamento de supermercados

Coronavírus: Ponta Grossa restringe circulação de pessoas em supermercados

Durante transmissão ao vivo em rede social, prefeito Marcelo Rangel (PSDB) anunciou ainda que vai normalizar horários do transporte coletivo. Cidade tem cinco casos da Covid-19.

supermercados

A Prefeitura de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, publicou neste domingo (5) um decreto que restringe a circulação de pessoas em supermercados por causa do novo coronavírus. Fiscais da prefeitura estarão nos estabelecimentos a partir desta segunda-feira (6).

Segundo a prefeito, Ponta Grossa tem cinco casos confirmados da Covid-19, sendo quatro recuperados. No estado, a Secretaria Estadual de Saúde já confirmou 445 casos e 10 mortes.

Com o decreto, a circulação nos supermercados deverão seguir as seguintes regras:

  • Alocar funcionários para fornecer a higienização com álcool em gel aos clientes na entrada do estabelecimento;
  • Demarcar espaços com 1,5 metro em locais em que possa haver filas e aglomerações;
  • Disponibilizar a todos os empregados máscaras, luvas e álcool em gel
  • Manter higienização do local

Durante a transmissão, o prefeito Marcelo Rangel (PSDB) disse que a medida foi tomada após movimento “abusivo” de pessoas nos estabelecimentos durante o fim de semana.]

Supermercados que descumprirem com a medida poderão ser fechados e multados, conforme o decreto. O supermercado será imediatamente fechado em caso de descumprimento de alguma regra e uma multa poderá ser aplicada. O valor da sanção é de 5.000 Valores de Referência, de R$ 81,11, o que dá R$ 405.550.

______________________

Postagem escrita com textos obtidos dos sites UOL e G1 [Aqui!] e [Aqui!].

Alô Postura Municipal: é preciso disciplinar funcionamento de supermercados e atacadões para diminuir risco da pandemia da COVID-19

supermercados

Apesar de ter reduzido bastante a minha ida a supermercados em geral, as poucas vezes em que fui na última semana notei um cenário desolador em termos de prevenção para a difusão da COVID-19 nos estabelecimentos visitados.

Entre outros problemas notei

  • a falta de distanciamento correto entre clientes e trabalhadores;
  • inexistência de medidas de proteção para o pessoal que trabalha na área dos caixas;
  • ausência de marcações de chão para que se respeite a distância mínima entre as filas nas filas;
  • falta de material de higienização da área em que as mercadorias são depositadas para serem pagas. e
  • inexistência de pias na porta de entrada com o oferecimento de detergentes líquidos para os clientes realizarem o asseio pré-entrada no estabelecimento.

Aqui a situação é simples: ou a postura municipal age para corrigir esses problemas em todos os estabelecimentos de médio e grande porte ou veremos esses locais sendo transformados em pontos de disseminação da pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes.

Antes que alguém diga que essas medidas são inviáveis de serem aplicadas ao mesmo tempo, sugiro uma visita ao “Big” (sucessor do Wall Mart) onde todas as medidas assinaladas estavam sendo adotadas no dia em que visitei o estabelecimento.

E antes que me esqueça, o Mercado Municipal (sob responsabilidade primária da PMCG) não é exceção. Aliás, muito pelo contrário.

Com a palavra, o governo do jovem prefeito Rafael Diniz. Afinal, quem foi tão hábil para coibir em passado recente as atividades de camelôs e pequenos comerciantes não terá dificuldade de agir em grandes estabelecimentos, não é?

Em seis meses, cerca de um bilhão de sacolas plásticas deixam de ser distribuídas por supermercados no Estado do Rio de Janeiro

Dado divulgado pela Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro, ASSERJ, releva redução de cerca de 50% na entrega de sacolas pelo setor supermercadista fluminense

sacolas
A partir de 15 de janeiro de 2020 a distribuição gratuita das primeiras duas sacolas deverá ser encerrada pelos estabelecimentos comerciais

Em seis meses de adequação da Lei que proíbe a distribuição das sacolas plásticas convencionais (produzidas com 100% de petróleo) no Rio de Janeiro, a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ) identificou a redução de cerca de 50% na distribuição de sacolas plásticas pelas redes associadas. De acordo com a ASSERJ, desde que a Lei entrou em vigor, em 26 de junho de 2019, cerca de um bilhão de sacolas plásticas deixaram de ser distribuídas no Estado.

A Lei ainda estabelece que supermercados de pequeno porte (com faturamento de até R﹩ 3,6 milhões/ano) terão até o dia 26 de dezembro de 2019, quando a Lei completa seis meses, para retirar as sacolas convencionais das lojas. “Muitos estabelecimentos menores, antes mesmo do dia 26, já se adequaram à lei e estão distribuindo apenas as sacolas com 51% de materiais renováveis. Essa é uma primeira medida em prol do meio ambiente. Nós, da ASSERJ, sempre acreditamos que o setor conseguiria mostrar sua preocupação com o meio ambiente. A campanha é apenas o reflexo de que podemos ir muito além e contribuir ainda mais para o Rio de Janeiro. Temos a certeza de que podemos evoluir bastante nesse sentido. O primeiro passo já foi dado e impacto gera resultados expressivos”, revela Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ.

O levantamento foi feito pela ASSERJ junto aos estabelecimentos que estão cobrando o preço de custo pelas sacolas retornáveis e aderiram ao movimento “Desplastifique Já!”, lançado no dia 25 junho de 2019. A partir de 15 de janeiro de 2020 a distribuição gratuita das primeiras duas sacolas deverá ser encerrada pelos estabelecimentos comerciais.

Antes da Lei, estima-se que, por ano, cerca de 4 bilhões de sacolas plásticas eram distribuídas no Rio de Janeiro. Com base nisso, mais de 300 milhões de sacolas plásticas eram entregues por mês no Estado. Com a aplicação da Lei, esse número caiu para pouco menos de 200 milhões de sacolas/mês.

Pioneirismo – O Rio de Janeiro foi o primeiro Estado do país a banir a distribuição das sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais. Em 2011, a cidade de Belo Horizonte implementou uma lei municipal com a proibição das sacolas também. A cidade de São Paulo já tinha a lei municipal nº 15.374/2011, que entrou em vigor em 2015.

Entenda a Lei
Desde 26/06/2019 os supermercados de grande porte disponibilizam apenas as novas sacolas, produzidas com mais de 51% de fontes renováveis, a preço de custo, não havendo lucro para os lojistas. Já a Lei 8.472, publicada no dia 15/7/2019, determina que os estabelecimentos comerciais do Estado do Rio de Janeiro deverão reduzir, progressivamente, o número de sacolas plásticas disponibilizadas ao consumidor, sendo: na proporção de 40% no primeiro ano de vigência da Lei e 10% nos anos subsequentes até o 4º ano. A norma revoga também a Lei 1.299, de 28 de abril de 1988, que determinava a entrega de embalagens para acondicionamento de produtos adquiridos pelos consumidores, nas compras acima de 03 kg (três quilos).

O não cumprimento de qualquer das regras impostas na nova Lei das sacolas plásticas sujeitará ao infrator as penalidades previstas na Lei de Política Estadual de Educação Ambiental, bem como na aplicação de multa pecuniária em valor a ser estimado de 100 à 10.0000 UFIR’S (correspondente para o exercício de 2019: de R﹩ 342,11 à 34.211,00).

A Argentina é o Brasil amanhã?

saques

Até bem pouco tempo atrás as medidas ultraneoliberais inciadas em 2016 pelo governo do bilionário Maurício Macri  eram saudadas no Brasil como o exemplo a ser seguido em termos de ajuste econômico, venda de estatais e imposição de tarifas salgadas para saciar a forma de lucro das corporações multinacionais.

Pois bem, os últimos meses têm sido de completa derrubada das cânones ultraneoliberais na Argentina, e o país começa a se defrontar com a possibilidade cada vez maior de calote nas sua imensa dívida pública, o que fez com que o peso argentino se desvalorizasse de maneira rápida e impiedosa.

Com isso, estão voltando à cena argentina, os saques de supermercados como o mostrado abaixo que ocorreu em uma filial da rede Átomo na cidade de Mendonza,  que é capital da província de Mendoza na Argentina.

Como temos até banqueiro concorrendo às eleições presidenciais no Brasil, vamos ver que rumo vamos tomar.  Mas que ninguém se surpreenda se cenas semelhantes voltarem a acontecer no nosso país, caso insistam no receituário imposto pelo governo “de facto” de Michel Temer.

Rafael Diniz e sua “visão mundial” de ataque aos direitos dos trabalhadores

Não bastasse ter exterminado as políticas sociais que protegiam os cidadãos mais pobres da cidade de Campos dos Goytacazes, criando um vácuo social e político que a cada dia empurra um dos municípios mais ricos do Brasil para o caos e o descontrole. Também não bastou colocar na Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes todo um conjunto de menudos neoliberais para tentar dar uma ar de modernidade às suas políticas regressivas.

Não, o jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) quer ir mais longe, muito mais longe, na sua política de ataque aos trabalhadores, especialmente os mais humildes e mais mal pagos. Essa é a única conclusão possível da intromissão que o Rafael Diniz está realizando num raro acordo entre patrões e empregados, no qual o direito dos últimos não é pisoteado.

Falo aqui da notícia de que Rafael Diniz está enviando um projeto de lei para especificamente (palavras do próprio) para regulamentar o funcionamento dos supermercardos aos domingos, segundo ele para que não se retroceda e Campos dos Goytacazes assuma a realidade vigente no mundo [1].

supermercados

A visão de que supermercados funcionando aos domingos é uma realidade mundial só pode vir daqueles que restringem sua vivência internacional a Orlando ou Miami ou, quando muito,  Fort Lauderdale. 

É que se o jovem prefeito Rafael Diniz tivesse consultado o seu (des) secretário de Educação, o sociólogo Brand Arenari, saberia que na Alemanha, país onde Arenari cursou seu doutorado, os supermercados são fechados aos domingos. Aliás, supermercados não abrem em boa parte da Europa Continental, incluindo para começo de conversa países como França, Portugal e Espanha. Aliás, dos países europeus que visitei, apenas me lembro de ver mercadinhos abertos na Inglaterra. No resto dos países, os supermercados fecham e sem o tipo de reclamação que setores de classe média campista ecoam contra o direito de descanso dos trabalhadores.

Pois é disso que se trata. O fechamento dos supermercados aos domingos representa uma oportunidade dos trabalhadores passaram o dia com sua família e não empurrando mercadorias que podem ser perfeitamente adquiridas em outros dias da semana. Tanto isto é verdade que na maioria dos estabelecimentos que abriam aos domingos antes do acordo entre patrões e empregados, tudo ficava abandonado às moscas, sendo esta uma das razões para o dito acordo!

O fato é que Rafael Diniz deveria estar se ocupando de coisas mais básicas como a limpeza das ruas, a manutenção de escolas e hospitais e, por que não, a reabertura do restaurante popular.  É que graças às suas políticas neoliberais extremadas, a cidade de Campos dos Goytacazes tem cada vez mais gente que não tem como ir ao supermercado seja qual for o dia da semana. Mas com estes, ele e seu grupo de menudos neoliberais não parecem se importar. 

Finalmente, essa intromissão do jovem prefeito Rafael Diniz é um belo exemplo de como as classes mais abastadas se relacionam com países europeus e com o Brasil. Lá fora, adoram a “civilização” que permite aos trabalhadores desfrutem mais da riqueza que ajudam a criar. Quando voltam para o Brasil, a “civilização” é rejeitada e reaparece o apego à senzala. Típico comportamento de oligarcas que não querem que sequer cheguemos ao Século XX.


[1] https://www.portalviu.com.br/cidades/campos-rj-supermercados-poderao-reabrir-aos-domingos/

Marketing verde deixa consumidor no ‘vermelho’

Estudo da Feagri demonstra que supermercados cobram mais do que deveriam por produtos orgânicos

Por ISABEL GARDENAL, Fotos: Divulgação & Antonio Scarpinetti, Edição de Imagens: Diana Melo

Os alimentos orgânicos são cada vez mais encontrados nos supermercados. Apresentam características de nichos de mercado e atendem a um segmento seleto de consumidores que têm disposição de pagar um preço bem mais alto, em média com 200% de aumento em relação aos mesmos produtos provindos da agricultura convencional. A compra de produtos como o tomate, a cebola e a batata, em alguns casos, pode até sair com mais de 600% de aumento.

Um estudo de mestrado do administrador de empresas Edimar Paulo Santos, desenvolvido na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) sob a orientação da docente Maria Ângela Fagnani, comprovou isso em análise feita em dez supermercados das cidades que integram o Polo Bandeirantes, um importante circuito de comercialização de produtos entre São Paulo e Campinas.

Santos observou que o canal supermercado do jeito que está hoje acaba prestando um desserviço à causa do movimento orgânico, que poderia ser muito mais bem-aceita pela população e que, em razão do preço, acaba afastando-a de uma iniciativa que certamente seria benéfica.

O produto orgânico se diferencia do produto da agricultura convencional, que emprega altas concentrações de inseticidas, fungicidas, herbicidas. Apesar do alto preço dos orgânicos, sua demanda continua crescendo, embora confinada a um pequeno estrato de maior poder aquisitivo, altamente valorizado pelos supermercados.

Além do produto convencional e do orgânico, existe ainda o hidropônico (que cresce sem solo), que também tem um apelo de não uso de agrotóxicos, pois, como ele está em ambiente protegido, evita-se a sua exposição a insetos. Outra categoria ainda é a higienizada – dá-se um banho e diminui-se a química da casca do produto.

Na opinião do mestrando, a escolha dos orgânicos é, em grande medida, pautada em modismo. “E o discurso ambiental é evocado como estratégia para induzir o consumo”, nota Edimar, embora exista, de fato, uma preocupação dos produtores em preservar o local onde os alimentos são cultivados, as nascentes de água, as áreas que são produto de reflorestamento e a não produção de queimadas.

As técnicas usadas para obter o produto orgânico, menciona, incluem compostagem, adubação verde, manejo orgânico do solo e da diversidade de culturas, que fornecem alta qualidade biológica aos alimentos.

Em face dessa qualidade, o trabalho de Edimar procurou avaliar como o produto orgânico estava se comportando nos canais longos de comercialização, no caso os supermercados, sendo que dificilmente ele chega à classe média e quem dirá à baixa.

Ele explica que as redes longas envolvem uma cadeia com consumidor e grandes varejistas que vão trabalhar com grandes propriedades agrícolas. Há muitas pessoas incluídas nesse processo, como o agricultor e uma rede internacional que obtém esses produtos diretamente dos trabalhadores e os levam aos supermercados.

O mestrando aposta que as redes investem pesado em estratégias de comercialização – o marketing verde –, atraindo uma classe privilegiada que tem disposição de pagar mais caro por produtos 100% limpos e livres de agrotóxicos.

O ideal, acredita ele, seria que todas as pessoas tivessem acesso a um alimento mais saboroso, mais saudável, mais ético, que respeitasse o meio ambiente e as pessoas. E o produto orgânico tem justamente essa proposta.

Possui uma legislação bem-definida e clara sobre como ele deve ser plantado, levando-se em conta os princípios da produção, ou seja, não pode ser monocultura, tem que ter rotação de cultura, tem que ser um produto cadastrado no Ministério da Agricultura, tem que ter certificação, entre outras exigências.

A primeira etapa de um produto orgânico, descreve o autor do estudo, inclui o cuidado com a terra, que vai ser trabalhada sem aditivo químico, a fim de fazer fertilização. Do contrário, acontece a contaminação do solo e do lençol freático. Quanto à sua produção, ela não é tão alta nos primeiros quatro a cinco anos de cultivo, até o solo recuperar a sua fertilidade.

Os orgânicos começaram a ganhar força a partir da década de 1980. Mas, em um dado momento da história, o governo passou a privilegiar a agricultura convencional, por ser mais acessível, através do programa chamado Revolução Verde. “Ocorre que os produtos orgânicos possuem mais ocupação de mão de obra familiar trabalhando com a terra. Deste modo, as pessoas envolvidas nessa atividade se mantêm mais na zona rural e quebram um pouco do êxodo rural”, ressalta.

 Estudos

Edimar sondou a história do produto orgânico, como ele foi se comportando ao longo do tempo. Depois viu qual era a sua filosofia, qual era a sua causa e por que levantar essa bandeira. Simultaneamente, buscou ver onde esses produtos eram divulgados.

De acordo com o pesquisador, ele escolheu os supermercados e passou a avaliar como se comporta o produto orgânico nas grandes redes varejistas. Na literatura, descobriu que os orgânicos já eram empregados livres de agrotóxico pelos povos indígenas. Todavia, perdeu força com a Revolução Verde, um programa para ampliar a produção agrícola no mundo mediante o melhoramento genético de sementes, uso intensivo de insumos industriais, mecanização etc.

Tal revolução priorizou o tipo de agricultura de monocultura e as grandes plantações, entre as décadas de 1960 e de 1970. A ideia era acabar com a fome do planeta, por meio de pacotes tecnológicos criados pelo governo estimulando determinados tipos de agricultura. Na década de 1970, isso não trouxe os benefícios esperados. “As pessoas ainda tinham fome e o problema da alimentação não tinha sido resolvido”, repara.

Com os impactos pela contaminação de trabalhadores e de pessoas pelos venenos amplamente difundidos pela Revolução Verde, veio à tona novamente a agricultura orgânica, que teve como marcos principais os eventos da Eco 92 e da Rio +20.

Os orgânicos cresceram mais, sobretudo nas classes A e B, pela apreciação do sabor, pela qualidade de vida e pelo tipo de alimento que estava sendo levado. O tempo passou e hoje 80% da produção nacional é da agricultura familiar e, desses 80%, grande parte produz organicamente. “Creio que haja muito mais produção orgânica no país do que aquilo que é divulgado”, imagina.

 Expectativa

Olhando o produto orgânico e o tradicional disponíveis no mercado, Edimar percebeu que o tratamento dado a eles não era o mesmo. No caso dos orgânicos, havia sempre um funcionário do supermercado zelando da disposição deste produto nas prateleiras, cuidando para receber maior luminosidade, placas de localização, de 100% orgânico e de incentivo ao consumo. Uma delas dizia: “você está levando vida para a sua casa.”  

Edimar verifica que isso chama a atenção do consumidor pois, em oposição, ninguém quer levar a morte para a casa. Além disso, a palavra “sustentabilidade” aparecia constantemente na área destinada aos orgânicos. Um cartaz propagava as “dez razões para se consumir os produtos orgânicos”. Havia um grande apelo de marketing em todos os estabelecimentos visitados.

O discurso ambiental era sempre usado para induzir o consumo dos orgânicos, e muitas pesquisas tratam do seu perfil em todo o mundo, destacando a saúde como um dos principais fatores que levam o consumidor urbano a buscar esses alimentos.

O próximo passo de Edimar é resgatar no doutorado o marketing que vem do modelo capitalista. “Será que ele serve para essa pegada ecológica, ambiental e responde às expectativas da divulgação?”, questiona.

A seu ver, faltam políticas públicas para que o produto orgânico chegue à mesa do consumidor indistintamente da classe social. Outra coisa a ser considerada é o fator dinheiro. Para quem ele fica?

Se é repassado ao produtor, ótimo, porque vai trazer mais interessados para o negócio, em fazer uma agricultura mais sensível com a ecologia. Mas, quando não tem esse repasse? Acaba havendo um desestímulo e usa-se negativamente um canal que poderia ser bem utilizado, se respeitasse o produtor.

Nesse trâmite ainda, quando tem um intermediário que pega o produto do agricultor e o leva diretamente ao supermercado, o agricultor ganha menos ainda. Em alguns casos, recebe o mesmo valor que receberia com um produto convencional, sendo que tem em suas mãos um produto realmente diferenciado.

“Então vimos que o produtor perde bastante no supermercado. Em algumas empresas, existem agricultores que são produtores orgânicos e que deixaram de trabalhar com supermercados por esse motivo, porque perdiam muito”, conta.

O supermercado ganha principalmente com o marketing do verde, do sustentável, que tem uma preocupação com o meio ambiente. Ele acaba atraindo mais pessoas que querem comprar num lugar que tenha essa visão ambiental.

“Meu estudo faz uma crítica sobre como se comporta o produto orgânico nessas grandes redes varejistas e serve para traçar parâmetros para ver se vale a pena divulgar e comercializar os orgânicos no supermercado”, expõe. “Para o consumidor, está claro que na feira livre ele paga menos. E, para o pequeno agricultor, também é melhor levar esse produto para a feira. Ele vai ganhar muito mais”, garante.

FONTE: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/594/marketing-verde-deixa-consumidor-no-vermelho