Deputado federal Tarcísio Motta entra em campo para demandar providências na morte de trabalhador rural da Usina Nova Canabrava

Recebi nesta tarde documentos produzidos pelo gabinete do professor e deputado federal Tarcísio Motta (PSOL/RJ),  e que foram enviados para o Delegado Titular da 146ª Delegacia de Polícia Civil localizada no Distrito de Guarus e para a Coordenadora Titular da Procuradoria do Trabalho do Ministéiro Público Estadual em Campos dos Goytacazes, onde ele solicita a tomada de providências para o  esclarecimento e punição dos responsáveis pela morte do trabalhador rural Ivanildo da Silva Felizardo no último dia 09 de maio de 2025 em uma área de cana que deveria abastecer a planta industrial da Usina Nova Canabrava.

Nesses documentos, o deputado federal Tarcísio Motta destacou o histórico de graves violações dos direitos dos trabalhadores rurais no município de Campos dos Goytacazes, que ocupa a primeira posição entre os municípios fluminenses, e a quinta entre todos do país, em número de resgates de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.   

Em suas correspondências, o deputado Tarcísio Motta apontou ainda que a morte do trabalhador rural Ivanildo da Silva Felizardo não pode ser tratada como um caso isolado, mas sim como mais uma grave violação dos direitos humanos de trabalhadores rurais em Campos dos Goytacazes.

Em face da gravidade do fato envolvendo o óbito do trabalhador rural, o deputado federal Tarcísio Motta solicitou às duas autoridades contactadas,  as seguintes medidas:

1.  Que sejam tomadas as devidas providências para que outros casos como este  não ocorram novamente; e

2.  Que sejam realizadas diligências e fiscalizações nas propriedades ligadas à Usina Nova Canabrava com vistas à verificação das condições às quais os trabalhadores dos canaviais estão submetidos.

Tarcísio Motta: “adiamento da votação do relatório da CPI das Americanas é  uma vergonha” | PSOL na Câmara

Tarcísio Motta discursa no congresso nacional

Quem desejar acesso a íntegra dos dois documentos citados nesta postagem, basta clicar (Aqui! e Aqui! )

Enquanto isso nas ruas do Rio de Janeiro, sinais evidentes de que não haverá lua de mel

 

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O PSOL, sua crença no “gordinho”, e o risco da despolitização

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Tenho acompanhado a campanha eleitoral do PSOL no Rio de Janeiro com certa impaciência, pois vejo a repetição de receitas que centram no apelo identitário e contribuem para a manutenção de um discurso essencialmente despolitizado.  Para mim o maior exemplo dessa estratégia está na forma com que o candidato a governador, o professor Tarcísio Motta, está sendo reapresentado ao eleitorado fluminense em sua segunda postulação ao cargo de governador do Rio de Janeiro. 

Essa estratégia não está centrada em apresentá-lo como o candidato mais bem preparado para gerir o aparelho de estado em prol dos interesses da maioria da população (coisa que ele efetivamente é), mas sim em criar um processo de empatia a partir da figura do “gordinho” (ver exemplo de material de propaganda abaixo). 

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É como se a aproximação dos eleitores com o PSOL e seu candidato a governador dependesse da carga de  quilos em excesso que Tarcísio Motta carrega consigo, e não da plataforma eleitoral que a candidatura dele deve expressar (plataforma essa completamente ausente na chamada que selecionei, um problema que se repete em tantas outras que já vi). 

Como sabemos que a maioria dos cidadãos está mais preocupada com saídas para a crise profunda em que os anos de governo do PMDB colocaram o Rio de Janeiro, a aposta em criar mais uma camada identitária para aumentar o alcance eleitoral do PSOL , o que sinceramente é desapontador.  É que o PSOL já está inundado de propostas identitárias, e mais uma, ainda mais uma que recorre ao aspecto bonachão do “gordinho”, não serve para que sejam feitas as discussões necessárias para que o Rio de Janeiro possa sair do pântano financeiro, social e político em que Sérgio Cabral et caterva nos colocaram.

Ainda que eu não seja um especialista em campanhas eleitorais, precisamos que haja um programa eleitoral que faça a ligação entre as dificuldades diárias da população fluminense com os elementos estruturais que hoje impõe uma carga descomunal de sofrimento à maioria pobre do povo brasileiro (por ex: o tamanho da dívida pública, a estagnação da indústria fluminense). Há que se explicar a necessidade de se romper com a lógica rentista que hoje impõe a destruição dos serviços públicos, incluindo saúde e educação, e o estabelecimento de um estado de sítio contínuo para controlar a revolta diária dos que sofrem.

Ao fazer isto, haverá a necessidade de que se eleve o grau de politização da população mais pobre, pois só assim teremos condições de ampliar o necessário processo de organização política que poderá permitir o enfrentamento dos problemas estruturais que citei acima.  E não me parece que será com a opção da campanha do “gordinho boa gente” que isto será feito.

E é sempre preciso lembrar que vitórias eleitorais não são medidas apenas pelo número de votos que se consegue, mas, fundamentalmente, no tipo de educação política que as campanhas logram alcançar. Esse parece ser o principal dilema que o PSOL ainda não conseguiu resolver como partido: se quer apenas concorrer para eleger candidatos e acessar o aparelho de estado para “governar diferente”, ou se quer efetivamente se apresentar como uma alternativa aos processos de luta que estão se apresentando no horizonte do povo brasileiro, independente de quem for eleito nas próximas eleições.

Como outro portador da identidade “gordinho”, espero que Tarcísio Motta supere o limiar da propaganda proposta pelos marqueteiros do PSOL e nos leve mais adiante no processo de conscientização que precisa ser urgentemente criada para impedirmos que o Rio de Janeiro continue sendo o principal laboratório das reformas ultraneoliberais em curso no Brasil.