‘Minhas forças estão acabando’: a dura rotina na colheita do café colombiano

Com informalidade que chega a 80%, segundo a OIT, setor cafeeiro da Colômbia não garante aposentadoria aos trabalhadores ou assistência em caso de acidentes 

Por Poliana Dallabrida/ Fotos Fernando Martinho/ Edição Bruna Borges para a Repórter Brasil

DE ANTIOQUIA E HUÍLA (COLÔMBIA) –O colhedor de café Ricardo Solano Carillo, de 40 anos, revela nunca ter tido um contrato formal de trabalho ou contribuído com o sistema previdenciário de seu país. Ele trabalhava na colheita em janeiro deste ano, quando a Repórter Brasil esteve na região, e admitiu: “Minhas forças estão acabando”. Ao refletir sobre os colegas idosos ainda em atividade – uma cena comum nos cafezais colombianos –, desabafou: “Peço muito a Deus para me levar antes disso”.

“É uma informalidade absoluta”, destaca Robinzon Piñeros Lizarazo, professor de ciências sociais da Universidade SurColombiana, no estado de Huíla, e pesquisador das relações de trabalho no campo na Colômbia, país frequentemente citado entre os produtores dos melhores cafés do mundo. “Essa informalidade é determinada pela relação de contrato que fazem. É um contrato verbal”. 

Especialistas afirmam que são raros os contratos formais de trabalho para os recolectores, como são chamados os trabalhadores da colheita do café colombiano. Sem registro, também não há garantia de acesso a direitos como aposentadoria, proteção em caso de doenças e acidentes, licença maternidade e paternidade. Segundo um estudo de 2022 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a informalidade na colheita de café da Colômbia pode superar os 80%.

Repórter Brasil ouviu pesquisadores e entrevistou dezenas de trabalhadores e cafeicultores durante a colheita do famoso grão de café colombiano. Os detalhes desta investigação podem ser lidos no relatório: Melhor do mundo? Alojamentos precários, longas jornadas e informalidade na colheita de café da Colômbia (disponível em português, inglês e espanhol). 

Além dos trabalhadores informais, não raro também atuam na colheita os proprietários de pequenos cafezais. É o caso de Lucas Quintero Vargas, de 62 anos, dono dos seis hectares da Finca La Siberia, localizada em Palermo, no estado de Huíla. Na safra, ele colhe o grão e contrata informalmente 15 trabalhadores temporários para a colheita. 

Pela sua idade, Vargas já poderia pensar na aposentadoria. Questionado sobre o quanto ganharia, ele ri, envergonhado. “Eu nunca contribuí com nada disso. Nunca paguei aposentadoria, seguro”, afirma. “É tudo muito caro”. Se Vargas, que é um pequeno produtor, não conseguiu contribuir para a própria aposentadoria, trabalhadores informais que não possuem terra para cultivar possuem dificuldades ainda maiores.

Grão selecionado em terreno íngreme

Na colheita manual brasileira convencional, todos os grãos de café que crescem nos galhos são arrancados de uma vez. Eles caem sob uma lona no chão e depois são recolhidos e ensacados. Na Colômbia, para colher apenas os grãos maduros, os trabalhadores precisam colher grão por grão. Isso garante a qualidade do sabor da bebida.

O trabalho para colher o famoso grão colombiano é árduo. As plantações ficam em morros empinados, onde a mecanização é impossível. Os trabalhadores precisam se agarrar nas árvores para não cair montanha abaixo. Alguns locais são tão íngremes que a queda pode ser fatal. 

Os trabalhadores também são responsáveis por carregar os sacos cheios de café que pesam, em média, 60 kg até o ponto de conferência e pesagem. 

“O trabalhador que vai colher nessas áreas sabe que vai trabalhar em um terreno inclinado, em sulcos onde se pode deslizar”, explica Lizarazo. “Então, pode haver acidentes como quedas, se machucam os pés, os braços. Além disso, ao estar em zonas mais altas, a chuva é maior. E então vem problemas pulmonares, gripes e demais [doenças]”.

Longas jornadas

Além da informalidade e da falta de acesso ao sistema de proteção social da Colômbia, os trabalhadores que atuam na colheita trabalham em longas jornadas. 

“São jornadas longas. Os trabalhadores me dizem: ‘eu me mato nesses dois meses, e com isso economizo e volto [para o lugar de origem]”, complementa Lizarazo. “Isso tudo é consequência do salário por produção”.

Assim como em outras fazendas de café no país, certificadas ou não, as jornadas de trabalho podem ultrapassar as 8 horas diárias e 48 horas semanais – limite máximo permitido na Colômbia quando este relatório é publicado. A partir de julho de 2025, a jornada semanal máxima no país será de 42 horas semanais

Em geral, os trabalhadores começam a colher o grão às 6h30 e param às 16h, quando o sol começa a baixar, mas eles ficam nos cafezais até que seus sacos de café sejam pesados e seus ganhos contabilizados, relataram os trabalhadores. “Em teoria, deveria ser aplicado [o limite máximo de jornada], mas na realidade isso não acontece”, explica Fabio González, diretor do Ministério do Trabalho no estado de Antioquia. 

Essa dinâmica de longas jornadas também pode ocorrer com cafeicultores que atuam na colheita. Vargas, dono da Finca La Sibéria, afirma chegar a trabalhar até 19 horas por dia no período mais intenso de colheita, com pausas apenas para rápidas refeições. “Há dias em que eu me levanto às 4h, 4h30 da manhã e trabalho até às 22h, 23h da noite”, explica. 

Os trabalhadores ouvidos pela reportagem afirmaram que recebem seus pagamentos de acordo com a quantidade de grão colhido. As longas jornadas ocorrem para tentar aumentar os rendimentos durante a safra. Na Colômbia, o salário mínimo nacional é de 1,4 milhões de pesos (R$ 1,8 mil), mas ganhos acima desse valor não são garantidos aos recolectores de café. Pode ser grande a variação dos rendimentos dos trabalhadores do campo, pois eles podem colher menos café se há, por exemplo, dias seguidos de chuva ou se adoecem.

*A investigação da Repórter Brasil foi acompanhada por integrantes da Voces por El Trabajo, organização que realiza pesquisas sobre condições de trabalho em diversos setores da economia colombiana, e apoiada pela Coffee Watch.


Fonte: Repórter Brasil

Novo relatório One-Earth Fashion traz propostas para uma modificação profunda no sistema produtivo da moda

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O sistema da moda claramente precisa de uma revisão radical. Têxteis, roupas, couro e calçados estão entre as indústrias mais poluentes e injustas, construídas sobre a exploração generalizada de mão de obra barata e dos recursos do planeta. O Public Eye vem relatando isso há anos. Com este importante relatório, pretendemos dar uma olhada no que o futuro pode ser e avançar o debate internacional sobre a transformação socioecológica, propondo 33 metas concretas para um sistema de moda justo.

O relatório visa abrir uma discussão global que também será conduzida online em uma série especial de discussões “Moda da Terra Única: como chegaremos lá?”, de janeiro a abril de 2025.

A moda precisa mudar seu sistema operacional. 

Menos uso de recursos e energia, produção e consumo mais lentos, trabalho decente com propósito e distribuição mais justa do valor econômico devem se tornar as novas tendências da moda para um clima habitável e um futuro justo na Terra. Não se trata apenas de alguns ajustes aqui e ali – trata-se de fazer uma transição para um novo sistema operacional justo para uma moda que respeite os limites planetários.

Embora pareça haver um amplo consenso sobre as direções gerais nas quais a indústria deveria idealmente se mover (menos emissora de GEE, mais circular, mais regenerativa, mais justa, menos poluente), não há acordo sobre a escala das mudanças necessárias para alcançar um sistema de moda justo dentro dos limites planetários.

Estamos nos dirigindo a todos aqueles que acreditam que um sistema de moda melhor, mais justo e ecologicamente correto é possível: ativistas e militantes sociais, trabalhadores organizados e sindicatos, consumidores exigentes e formuladores de políticas íntegros, empreendedores e líderes empresariais responsáveis, designers e pesquisadores com senso de propósito e muitos outros que já estão tecendo os fios dessa transformação ou que querem contribuir para essa reformulação.

Este relatório “One Earth fashion” fornece alimento para reflexão e ação. Ao longo do relatório, os leitores encontrarão notas com ideias concretas para regulamentação eficaz e os primeiros passos que as empresas podem e devem tomar. Ele apresenta uma visão positiva para uma transição para um sistema de moda que respeite os limites planetários.


Estrutura do relatório

Ela define 33 metas concretas de transformação para 2030 em 12 áreas-chave. Para cada área, primeiro delineamos um objetivo geral de transformação: uma visão de como um sistema de moda justa – dentro dos limites planetários – deve ser em cada área prioritária. As metas propostas são marcos específicos e com prazo determinado, destinados a viabilizar a visão. Elas definem referências para a escala de mudança que prevemos para 2030. 

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Relatório de moda One Earth

O relatório «One Earth fashion : Transformation targets for a just fashion system within planetary boundaries» (2024) está disponível em inglês. O resumo executivo também está disponível em francês e alemão. 


Fonte: Public Eye

Forças da natureza de graça: o caminho contrário à destruição criada pelo Capitalismo

Em seu novo livro, Wolfdietrich Schmied-Kowarzik discorre sobre a catástrofe climática e o capital com Karl Marx

protesto

Ação de protesto pela organização de proteção ambiental Mountain Wilderness Germany: destruição da natureza por ganância e por lucro. Foto: imagem aliança / dpa | Deserto da montanha
Por Gerhard Schweppenhauser para o “Neues Deutschland”

Há 165 anos, era publicado o primeiro volume da principal obra científica de Karl Marx. Seu subtítulo, “O Processo de Produção do Capital”, tem um duplo significado. O filósofo Wolfdietrich Schmied-Kowarzik aponta isso em seu livro recém-publicado Solidarity Practice in Alliance with Nature: Não se trata apenas da produção capitalista industrial de mercadorias, mas também da auto-reprodução permanente das condições de produção, e a sua formação é contraditória em si, mas resistente à mudança. Não há como escapar dela. “Os ‘indivíduos que atuam na sociedade’ são determinados em sua atividade produtiva pelo valor acumulado do trabalho objetivado, que está à disposição dos indivíduos individuais”, escreve Schmied-Kowarzik, “porque isso é o que é o capital.

Há 40 anos, o centenário da morte de Marx foi comemorado, também na Alemanha, nos meios acadêmicos e nos folhetins. O ano era 1983. A ameaça de uma guerra nuclear e a destruição da natureza eram temas de debate público. No contexto político, um jovem partido tomou conta deles. Os Verdes ainda não eram verde-oliva; No entanto, eles também tiveram suas raízes em ambientes marrom-esverdeados. Lá, pensava-se que as florestas alemãs e o solo alemão corriam o risco de “capturar capital”. E o fato de que em uma emergência o soberano alemão não deveria apertar o botão vermelho para lançar o míssil nuclear, mas apenas “o Ami” feriu o amor próprio.

Mas também havia – difícil de acreditar – esquerdistas radicais e marxistas nos Verdes. No geral, porém, o movimento alternativo cultivava “seu medo de contato com qualquer análise filosófica”; como observou Wolfdietrich Schmied-Kowarzik em 1983, ela “colocou um tabu renovado na teoria de Marx”. Marx não havia removido o homem do contexto natural porque queria completar a revolução industrial com um movimento revolucionário de trabalhadores industriais? Dominação socialista da natureza como produção industrial movida a energia nuclear em propriedade pública: Muitos falharam em ver que essa ideologia política de dominação não tem nada em comum com a crítica de Marx à economia política – na Alemanha Ocidental não é diferente da RDA.

Entretanto, aqueles esquerdistas radicais sabiam – antes de Chernobyl e antes do colapso do bloco oriental, que não era mais capaz de acompanhar o capitalismo ocidental na corrida microeletrônica e militar: dentro das relações de produção capitalistas, a exploração dos recursos naturais, ou seja, nossos meios de subsistência, pode ser interrompido tão pouco quanto a exploração do trabalho humano. Pelo contrário: ambos os métodos de expropriação devem ser constantemente intensificados para que a utilização do valor e a acumulação de capital, o chamado crescimento econômico, não pare. Um capitalismo verde ecologicamente responsável é uma quimera autocontraditória, não pode ser um objetivo razoável da prática política.

Quando “trabalho e natureza” são submetidos à “lógica de valor do capital”, diferentes padrões se aplicam, enfatiza Schmied-Kowarzik em um ensaio de 2018. Na Crítica da economia política, Marx elabora – o que […] apenas alguns teóricos marxistas reconheceram – que o capital, segundo a lógica de sua lei do valor, se comporta de maneira diferente do trabalho e da natureza.. Porque enquanto o capital extrai todo valor da força de trabalho e assim se torna a negação dos trabalhadores, ele trata a natureza como “sem valor” de três maneiras: Para a lei do valor, os bens naturais como meios de produção estão simplesmente disponíveis a custo zero, as forças naturais (energia hídrica, eólica e solar) não adicionam nenhum ›Gran Wert‹ ao processo de reciclagem capitalista e o que resta deles como lixo é devolvido descuidadamente à natureza. Na lógica de acumulação de valor do capital, a natureza não pode aparecer como uma processualidade ecológica – isso leva à negação da natureza,

Hoje, a vida social – nas condições do mercado mundial e da geopolítica – depende da auto-reprodução permanente das relações capitalistas de produção. Enquanto a lei do valor estiver em vigor em todo o mundo, não há como escapar da natureza humana e não humana das restrições específicas da lógica da exploração. A base de seu negócio é evitar crises de exploração por meio de regimes de acumulação novos e estendidos. Se algo novo nem sempre pode ser introduzido no processo de exploração, há uma ameaça de paralisação, declínio e colapso do sistema econômico. Portanto, seria hora de o movimento de protesto climático levar a sério o que o serviço de inteligência doméstico alemão está apenas reivindicando: que ele se abre amplamente para ideias políticas radicais de esquerda.

Schmied-Kowarzik não segue as leituras da teoria do valor de Marx, nas quais a estrutura crítica das relações de produção capitalistas é apresentada como uma conexão hermética e um fim só parece concebível como um colapso completo. Ele sente falta da perspectiva de ação aqui. Uma leitura puramente teórica de valor de Marx “tentaria interpretar Marx apenas com base em sua obra tardia, a Crítica da Economia Política, e […] consideraria supérfluo referir-se aos primeiros escritos filosóficos de Marx”. Ao fazê-lo, porém, “perde-se o verdadeiro ponto da crítica de Marx à economia política, a saber, mostrar, na busca da lógica do valor do capital, que esta persegue estruturalmente a negação dos trabalhadores e da natureza, embora não possa existir sem ambos. Essa argumentação ex negativa só é possível como crítica porque – como Marx trabalhou em seus primeiros escritos filosóficos […] pessoas Vendo através da negatividade da lógica econômica do valor do capital e, portanto, sendo capazes de romper juntos.« Isso faz sentido – mas seria importante para mim lembrar que sem as obras da escola de crítica de valor (Hans- Georg Backhaus, Michael Heinrich) dificilmente conseguiríamos encontrar alguém que hoje tenha um conceito adequado de crise.

Para sua perspectiva filosófica prática, Schmied-Kowarzik baseia-se em Ernst Bloch, Herbert Marcuse e Henri Lefebvre. Bloch é importante para ele, principalmente por causa da representação pouco ortodoxa de Friedrich Schelling. Desde o início dos anos 1980, Schmied-Kowarzik tem mostrado repetidamente que sua filosofia natural é erroneamente considerada como um documento do irracionalismo anticientífico do romantismo (como afirmou Georg Lukács). Sem Schelling não seria possível compreender que a atividade produtiva, a prática social, não é apenas a negação ativa da natureza, mas também permanece parte da produtividade da própria natureza, que a história como conformação do mundo pelos seres humanos ao mesmo tempo, sempre parte da história natural abrangente, que chega a uma relação consciente e produtiva consigo mesma no e através do homem como um ser genérico”. Podemos aprender coisas fundamentais sobre a natureza com Schelling: Natureza não é apenas aquilo que precede e se opõe a toda atividade humana, mas também aquilo que continua a ter um efeito vivo nela e através dela. Assim, a consciência das pessoas de que são elas que fazem a história por meio da prática social não deve ser dissociada da percepção de que elas só podem fazê-lo em harmonia com a produtividade da natureza que nelas se efetiva.«

Quem ler os ensaios deste volume terá uma ideia de como o autor vem argumentando como professor universitário em palestras e seminários e incansavelmente em congressos especializados há 50 anos. Schmied-Kowarzik mostra de forma conceitualmente clara e forte teses, com calma e despretensão, como a crítica radical às condições sociais existentes e formas de prática podem ser apresentadas e justificadas a partir da tradição filosófica. Sua obra é a prova viva do que ele enfatizou depois de Lefebvre: “O sistema capitalista pode se tornar cada vez mais estreito, mais sólido e mais opressivo, mas nunca pode absorver completamente os verdadeiros centros vivos da prática humana sem tomar o seu próprio, destruindo a base da existência.

Wolfdietrich Schmied-Kowarzik: Prática solidária em aliança com a natureza. Filosofia dialética da prática de Marx para o século XXI.
Barco a vapor da Vestfália, 205 p., nascido, € 25.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Imagens de um Primeiro de Maio de luta em diferentes partes do planeta

Apesar de todas as tentativas de mascarar as crescentes desigualdades e o aumento da exploração dos trabalho em todo o mundo, este primeiro de maio está sendo marcado, mais uma vez, em todas as partes do mundo como um dia de luta dos trabalhadores. Como faço anualmente, posto algumas imagens das manifestações em diferentes partes do mundo.

Mais do que nunca, é hora dos trabalhadores do mundo se unirem.

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1. Mai in Berlin

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Greve dos entregadores de aplicativos expõe a ultra precarização do trabalho no Brasil

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Este 1 de julho está sendo o palco da primeira greve nacional dos trabalhadores precarizados que atuam no Brasil, com a ocorrência de atos em diferentes parte do Brasil (ver vídeo abaixo diante da Assembleia Legislativa de Minas Gerais em Belo Horizonte).

Há que se notar que este movimento, que ocorre por fora das estruturas sindicais que ainda não se ajustaram ao modelo de ultra precarização associado à disseminação de aplicativos que escondem corporações multinacionais que extraem o máximo que podem do valor do trabalho dos seus supostos “colaboradores”. 

Esse é um descompasso que terá de ser superado para que a energia que está sendo mostrada no dia de hoje seja potencializada, de forma a obrigar que a jurisprudência vigente, a qual não reconhece estes trabalhadores enquanto tal, seja modificada, de forma a responsabilizar as corporações que operam remotamente essa nova forma de superexploração do trabalho, obrigando-as a melhorar os salários pagos e a garantir o oferecimento de direitos trabalhistas que hoje são negados.

Aproveitando o ensejo, sugiro a leitura do livro organizado pelo professor Ricardo Antunes intitulado “Riqueza e miséria do trabalho no Brasil IV“, um dos muitos que esse profícuo intelectual já produziu ou ajudou a produzir sobre a escalada da precarização do trabalho em tempos de plataformas digitais.

riqueza e miséria do trabalho no brasil iv

Enquanto isso, ao longo do dia de hoje, que se boicote o uso de estabelecimentos que estão rendidos à superexploração propiciada pelo uso de aplicativos. 

Alô CREA e MPT: obra na UENF com mostras explícitas de (in) segurança no trabalho.

Um leitor deste blog me enviou hoje, mostrando grande indignação, as duas imagens abaixo que foram tiradas no interior do campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), mais precisamente na lateral do prédio do Centro de Ciências do Homem (CCH) onde está sendo construído um prédio anexo com verbas da agência federal Finaciadora de Estudos e Projetos (Finep).

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Segundo o que me afirmou o leitor, que é conheço bem do assunto, a condição a que o operário mostrado nas imagens é de completo descuido com sua segurança pessoal, já que inexistem quaisquer andaimes para impedir uma queda de algo em torno de 3 metros e sobre um terreno que está repleto de materiais contundentes.

Há que se recordar que ao longo das gestões iniciadas pelo antigo reitor Almy Junior, várias obras ocorreram nos mesmos padrões de insegurança do trabalhador, e que vários acidentes ocorreram, alguns com gravidade. E a reitoria da Uenf sempre se comportou de forma a ignorar suas próprias responsabilidades em garantir a segurança desses trabalhadores, numa demonstração lamentável de descuidado com aqueles que fazem a universidade avançar.

Agora, eu pergunto ao escritório regional do CREA/RJ e ao Ministério Público do Trabalho: pode isso, senhores?