O secretário dentista e o que sua presença à frente da SECTI diz dos rumos da ciência fluminense sob o (des) governo Pezão

Grassa na internet uma acalorada discussão sobre a qualidade da dissertação de mestrado do novo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I)  do Rio de Janeiro,   o deputado estadual e cirurgião dentista Pedro Fernandes, o qual foi aprovada na Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas (EBAPE) da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro  É que  segundo se diz nas redes sociais, das 205 páginas do trabalho, 10 são de elementos pré-textuais e mais de 150 páginas de anexos.  

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Curioso com o que estaria inserido na dissertação ,e principalmente nas 40 páginas que compõe o corpo principal da dissertação, acessei o arquivo disponibilizado pela “Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas” (Aqui!), e confirmei o que estava sendo disseminado. Em outras palavras, não era um caso de  “Fake News”.

Além disso, apliquei ao trabalho o mesmo tipo de rigor que aplico como professor nas bancas que venho participando em diferentes instituições que possuem mestrados acadêmicos. Obviamente o trabalho em si não atenderia critérios mínimos para ser aprovado em um mestrado acadêmico. Mas também é preciso notar que o secretário Pedro Fernandes cursou o que se denomina normalmente de “Mestrado Profissional” , e na nomenclatura adotada pela EBAPE/FGV seria um “Mestrado Executivo”. Em outras palavras, a  régua nesses casos é colocada mais para baixo. O que eu não esperava é que fosse tão para baixo. Um detalhe que pode ser encontrado na página da EBAPE/FGV é o custo desse “mestrado executivo” é que o seu custo para a turma de 2017 é de salgados R$ 77.983,34! (Aqui!)

Ultrapassada a questão da qualidade da dissertação, também consultei o CV Lattes do secretário Pedro Fernandes (Aqui!) e me deparei com uma produção que efetivamente não se mostra minimamente adequada para alguém que tem a obrigação de governar uma secretária que é responsável por cuidar para que o Rio de Janeiro continue sendo um dos principais lócus da produção científica nacional.  Aliás, sequer para receber uma bolsa de Iniciação Científica da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).  Interessante ainda notar que o secretário Pedro Fernandes sequer se deu ao trabalho de atualizar o seu CV Lattes, já que a versão atualmente depositada na base de curricula do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) data do dia 24/02/2016, onde o “endereço profissional” apontado é o da Assemblria Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

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Em outras palavras, como no caso recente do bispo da Igreja Universal, Marcos Pereira, que iria ser o ministro da Ciência e Tecnologia, o secretário Pedro Fernandes é outro que não possui a envergadura intelectual para dirigir a pasta que ocupa. E aí vem a questão básica: por que então ocupa? No caso do  (des) governo Pezão, essa presença evidencia o total descaso com os destinos da ciência fluminense, especialmente porque o secretário anterior, Gustavo Tutuca, também não possuía o capital acadêmico minimamente necessário para estar à frente da SECTI.

Uma das explicações para a ida de Pedro Fernandes para a SECTI foi facilitar os arranjos necessários para a aprovação do chamado “Pacote de Maldades” do (des) governo Pezão que já alcançou a primeira vitória que foi a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) pela Alerj . Mas devem existir outras, visto que Pedro Fernandes vem tentando demonstrar um desenvoltura na aplicação de medidas de arrocho nas universidades estaduais e demais órgãos ligados à sua secretária, coisa que Gustavo Tutuca nunca efetivamente demonstrou.

Mas sejam quais forem as razões para o cirurgião e deputado Pedro Fernandes estar à frente de uma secretaria que deveria ser estratégica e não é tratada enquanto tal,  o fato é que este fato reflete o completo descaso do (des) governador Pezão com o sistema fluminense de ciência e tecnologia.  Simples assim!

Finalmente, há que se conceder o fato de que o secretário Pedro Fernandes é uma pessoa transparente.  É que na última segunda-feira (20/02), mesmo dia em que seus colegas da Alerj aprovaram a privatização da CEDAE, ele postou na rede social Facebook um “selfie” dentro de um avião informando que estava viajando para a França por uma semana para completar o seu doutorado na Universidade de Rennes, sabe-se lá em qual campo disciplinar (ver abaixo) . Alias, curiosamente não há qualquer menção a esse aventado doutorado no CV Lattes do secretário Pedro Fernandes.

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E isso no meio de uma situação que as universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo) e as escolas da rede Faetec estão enfrentando graves dificuldades para retomar seus semestres acadêmicos, e os servidores da pasta estão amargurando salários atrasados e parcelados. Em sua defesa, o secretário Pedro Fernandes respondeu a um comentário que se seguiu à postagem dizendo que mesmo da França continuará acompanhando o cotidiano da SECTI. Os pais e os estudantes das universidades e escolas técnicas estaduais devem estar se sentido bem reconfortados com essa informação do secretário… Ou não!

Entrevista no Programa Faixa Livre sobre o ano letivo na Uenf e a situação do RJ

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Ontem concedi uma entrevista no Programa “Faixa Livre” que é produzido pela Associação de Engenheiros da  Petrobras (Aepet) levado ao ar na BAND AM 1360 do Rio Janeiro com a apresentação do jornalista Paulo Passarinho  (Aqui!). Nessa entrevista conversamos sobre as dificuldades existentes para o reinício das aulas na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e  também sobre a situação política no estado do Rio de Janeiro. 

Para quem quiser ouvir a entrevista na íntegra, basta clicar  

Entrevista na Diário FM sobre a situação da Uenf e o caos no (des) governo Pezão

Atendendo a um gentil  convite do radialista Paulo André Netto Barbosa participei hoje de uma entrevista na Rádio Diário FM dentro do programa matinal que ele comanda, o “Diário Notícias”. Nessa entrevista pudemos conversar sobre a situação política e financeira do estado do Rio de Janeiro, e dos problemas que têm sido causados pelo (des) governo Pezão na Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Também conversamos sobre a “Feira de Ciências” que será realizada no dia 11 de Março no período de 10 às 17 no campus Leonel Brizola, e da importância da participação da população nesse evento.

Abaixo seguem um vídeo com a maior parte do que foi abordado nessa entrevista.

Feira de Ciências para ampliar a resistência em defesa da Uenf

No dia 11 de Março uma feira de ciências será realizada no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense como processo do calendário de atividades de resistência  contra a tentativa de desmanche que está sendo imposto pelo (des) governo Pezão.

O objetivo desta atividade é possibilitar que a população de Campos dos Goytacazes e municípios vizinhos para que conheçam as múltiplas atividades que a Uenf realiza em prol do desenvolvimento regional, e que hoje estão sob grave risco de interrupção por causa da falta de custeio por parte do (des) governo comandado por Luiz Fernando Pezão.

Abaixo o cartaz que foi criado para difundir esta atividade.  Ajude a divulgar e venha a Uenf participar de sua defesa!

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Uenf lança nota sobre roubo na unidade experimental no Colégio Agrícola Antonio Sarlo

Área da UENF no Colégio Agrícola é vítima de vandalismo e roubos

Sem contar com serviço de segurança desde novembro de 2016, a área utilizada pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf ) no Colégio Agrícola Antônio Sarlo foi vítima de vandalismo e diversos roubos na última noite. Ainda não foi possível avaliar a extensão total dos prejuízos, que foram muitos. Além dos danos materiais, um aluno que estava no local foi amarrado pelos ladrões.
A empresa que fazia o serviço de segurança da Uenf suspendeu os trabalhos em novembro de 2016 devido à falta de pagamento pelo Governo do Estado. Apesar de a Uenf ter cobertura orçamentária, o efetivo pagamento compete à Secretaria de Fazenda, que desde outubro de 2015 não realiza os repasses. O local ainda deveria contar com apoio do PROEIS, que também não está funcionando por falta de pagamentos aos policiais. No final do ano passado, foi feita uma tentativa de contratação emergencial de uma empresa de vigilância, mas não houve interessados em prestar esse serviço.
O Prefeito da Uenf, Rogério Castro, informou que acionou a Polícia assim que soube da ação dos ladrões. Segundo ele, tudo indica que a ação foi planejada. 
– Eles pegaram um trator e, com a ajuda de uma tesoura de vergalhão, foram arrombando as portas dos diversos setores e laboratórios e roubando tudo o que viam pela frente, como aparelhos de ar condicionado, roçadeiras, motores, bujões de gás etc. Tudo era colocado no reboque do trator, que foi encontrado abandonado em frente a Furnas – disse.
O reitor informou que vem tentando, junto ao Governo do Estado e Prefeitura Municipal de Campos, uma solução para o problema da falta de segurança na Uenf.  No início do ano, o campus da Uenf também foi alvo de vandalismo, mas não houve roubo.

Novo roubo em unidade experimental mostra quão elusiva e impossível é a vida dentro da Uenf sob ataque do (des) governo Pezão

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Há hoje nas universidades estaduais do Rio de Janeiro um debate sobre a realização de um esforço para que se alcance um mínimo de normalidade para que estas instituições estratégicas possam continuar funcionando. 

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) tem ocorrido um esforço descomunal para que se garantir a confecção de um calendário acadêmico que mais parece um Frankstein de datas de maneira a que os estudantes possam voltar ao campus Leonel Brizola em Campos dos Goytacazes e ao campus avançado de Macaé.

Lamentavelmente esse esforço não recebe nenhuma contrapartida real do (des) governo Pezão que continua se fazendo de morto em face de suas responsabilidades, enquanto o pau continua literalmente cantando dentro das universidades, colocando em risco inclusive a vida dos que teimam em continuar fazendo essas instituições cumprirem suas obrigações com a sociedade.

Um exemplo disso foi um roubo que ocorreu na madrugada desta 5a, feira no interior das unidades experimentais que a Uenf têm no interior das dependências do Colégio Agrícola Antonio Sarlo quando um grupo de assaltantes invadiu a área, imobilizou e manteve em cativeiro um estudante de doutorado do Programa de  Pós Graduação Produção Animal que dormia num alojamento existente no local, para depois roubarem animais usados em pesquisas, balanças digitais, computadores,  e aparelhos de ar condicionado. 

E o pior é que dada a greve em curso na Polícia Civil do Rio de Janeiro não está sendo possível sequer a confecção de um Boletim de Ocorrência, quiça a apuração do caso que já causou sérios prejuízos financeiros cujas estimas iniciais são de um prejuízo de quase R$ 100.000,00, mas que comprometerá a continuação de pesquisas com custos ainda incalculáveis para a Uenf e a ciência fluminense.

Esse caso expressa bem o quadro de abandono de nossas instituições de ensino superior e o completo descompromisso do (des) governo Pezão com a coisa pública. A questão que se coloca é a seguinte: por quanto tempo mais estamos dispostos a aturar tanto desmando por parte do (des) governo Pezão?