A Uenf pós eleições e seus analistas inacurados

Estou fora do Brasil desde a última quarta-feira (09/10) em função de um compromisso acadêmico na cidade de Shenzhen, segunda maior cidade  chinesa. Em função dos controles estritos existentes na China sobre a internet, acabei não tendo como atualizar o blog durante essa última semana.

20191013_083330.jpgCom o professor Carlos Eduardo de Rezende na abertura do “International Symposium on Green Development and Integrated Risk Governance” que ocorreu entre os dias 13 e 14 de outubro em Shenzhen, China.

Entretanto, pude ler alguns materiais produzidos sobre a situação política dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) após as eleições realizadas para a sua reitoria e direções de centro. Não sei se por desconhecimento ou má fé (ou uma mistura das duas coisas), há quem esteja propalando uma suposta cristalização de posições em grupos formados pelos ganhadores e perdedores de uma das eleições menos concorridas e mais mornas que tivemos desde 1999, quando começaram os processos de escolha direta para os principais cargos dirigentes da instituição.

A verdade é que não existe cristalização alguma entre os ditos vencedores e os supostos perdedores das eleições recentemente encerradas.  Pessoalmente acho que as últimas eleições foram bastante úteis para clarificar os horizontes que existem dentro da Uenf em torno do destino da instituição.  E só por isso, acredito que há quem tenha “perdido”, mas que provavelmente agora se sente aliviado por não ter vencido.

Mas confesso que, dado especialmente o resultado de quem ocupa a reitoria entre 2020 e 2023, particularmente esperarei com curiosidade o que será feito para aumentar a produção científica dentro da Uenf, já que este é o elemento basilar para financiar programas de pós-graduação, a coluna vertebral sobre o qual se sustenta a produção e difusão de conhecimento nas áreas de graduação e extensão. Falo isso porque a opção política feita desprezou o critério da capacidade científica para quem deve ocupar o cargo máximo da instituição. Assim, cobranças de mais atuação daqueles que “carregam o piano da produção científica” soarão., no mínimo, estranhas. 

Mas qualquer coisa que se escreva sobre o rumo que a Uenf adotará a partir de 2020 será precoce, pois ainda temos pelo menos 2 meses e meio para chegarmos ao final de 2019.  Assim, o melhor mesmo será esperar o fim de uma gestão que se mostrou melancólica para ver como se dará a sua continuação.

Finalmente, há quem queira definir quem são as “boas cabeças” da Uenf como se tivessem uma espécie de varinha de condão nas mãos para escolher quem representa intelectualmente a instituição. Esse tipo de pretensão beira o risível, pois quem frequenta a Uenf diariamente sabe que alguns dos escolhidos como intelectualmente dignos não são vistos dessa forma por quem vive e constrói a instituição todos os dias. Esse tipo de aposta em cavalo paraguaio é uma clara demonstração de que há gente se ocupando do quintal alheio, enquanto sua própria casa arde em chamas. Melhor chamar os bombeiros!

 

Um estande abandonado e a pergunta que não quer calar: mais ou menos Uenf?

A imagem abaixo mostra o estado de abandono em que se encontra o estande da Universidade Estadual do Norte Fluminense na Feira de Oportunidades que está ocorrendo no campus do Instituto Federal Fluminense ontem e hoje (26 e 27 de setembro).

feira de oportunidades uenf

Este abandono de uma atividade de divulgação das atividades e serviços prestados por instituições públicas e privadas de ensino em Campos dos Goytavazes é mostra de que nem sempre vencer eleições é bom para a animação dos vencedores .

Afinal,  a partir do que deixou de ser feito nessa feira, fica a dúvida do que teremos pela frente nos próximos quatro anos na reitoria da Uenf. Será mais ou menos Uenf? A ver!

Portal Viu! entrevista pesquisador da UENF sobre ciência e sociedade

roberto carlãoO jornalista Roberto Barbosa, diretor-executivo do Portal Viu!, entrevista o pesquisador Carlos Eduardo de Rezende

O Portal Viu!, uma plataforma digital de notícias cuja abrange o Norte e Norte Fluminense e a região dos Lagos, acabou de marcar um golaço com a veiculação de uma entrevista com o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Eduardo de Rezende, sobre vários tópicos relevantes, a começar pela participação em publicações científicas qualificadas, a começar pela série que versa sobre a descoberta de um antes desconhecido sistema recifal no delta do Rio Amazonas.

Um dos aspectos relevantes dessa entrevista é mostrar o envolvimento da Uenf, incluindo docentes e estudantes de graduação e pós-graduação, em pesquisas de relevância internacional. Como o próprio Carlos Rezende enfatizou, esse tipo de entrevista é particularmente importante em um contexto histórico onde os investimentos públicos em ciência e tecnologia estão sendo atacados, colocando em risco a existência de um sistema nacional que possa contribuir nos esforços de desenvolvimento e integração econômica de uma forma menos dependente daquela que historicamente marcou as relações do Brasil com os países desenvolvidos.

Abaixo a entrevista do professor Carlos Eduardo Rezende que foi entrevistado pelo jornalista Roberto Barbosa,  diretor-executivo do Viu!

Cientista da Uenf é co-autor de novo artigo sobre os corais da Amazônia

CarlãoProfessor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende é um dos co-autores de novo artigo sobre os recifes de corais da Amazônia

Os recifes de corais na foz do Rio Amazônia cuja existência modificou os paradigmas científicos acerca deste tipo de formação resultaram em mais uma importante publicação na prestigiosa revista “Scientific Reports”, que é produzida pelo grupo “Nature”, sob o título “Insights on the evolution of the living Great Amazon Reef System,equatorial West Atlantic“.

nature 1

Na equipe de cientistas que realizou as pesquisas que resultaram em uma importante contribuição ao processo evolutivo dos recifes de corais do “Grande sistema de corais de recife da Amazônia” (ou simplesmente GARS em sua nomenclatura inglesa) está o professor Carlos Eduardo de Rezende do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  Carlos Rezende foi um dos coordenadores dos estudos que resultaram na descoberta dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas e continua ativamente envolvido nas pesquisas do GARS.

Segundo Rezende, o artigo  “amplia o conhecimento sobre aspectos evolutivos do GARS usando informações primárias e secundárias sobre datação por radiocarbono a partir de amostras de carbonato“.  Para o pesquisador da Uenf,  os resultados obtidos demonstram que o recife está vivo e em crescimento, com organismos vivos habitando o sistema em sua totalidade.  

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Um dos impactos práticos dessa pesquisa que continua transformando a ciência dos recifes de corais será a dificuldade de exploração das reservas de petróleo e gás que porventura existam em uma região que se mostra extensa e ocupada por um sistema altamente complexo e de marcante biodiversidade.

Finalmente, os resultados desta pesquisa reafirmam a importância da Uenf enquanto centro de formação de jovens pesquisadores, visto que, sob a orientação de Carlos Eduardo de Rezende, dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação participaram do processo de investigação científica que resultou na descoberta do GARS.

 

 

 

 

Alunos da Uenf nunca receberam auxílio moradia, garantido desde 2015 pelo Conselho Universitário

Informação foi divulgada durante reunião das comissões de Ciência e Tecnologia, Educação e Especial da Juventude da Alerj

olneyPró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UENF, Professor Olney Vieira da Motta presente na audiência. Por Júlia Passos

Por ASCOM/ALERJ

Alunos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) jamais receberam auxílio moradia, benefício que passou a ser garantido na instituição a partir de 2015 por meio de decisão do conselho universitário. A bolsa, calculada em R$ 500, deveria ser paga para cerca de 650 alunos, preferencialmente cotistas e regularmente matriculados. No entanto, a instituição não teve recursos para realizar os pagamentos. A informação foi divulgada pelo pró-reitor de extensão e assuntos comunitários da Uenf, Olney Vieira da Motta, durante reunião das comissões de Ciência e Tecnologia, Educação e Especial da Juventude, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (11).

“A nossa universidade não tem um prédio para alojar os estudantes, algo que as instituições mais antigas têm. Com isso, vimos a necessidade da implementação de um auxílio moradia para a permanência dos estudantes cotistas no campus. Porém, na Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada pela Alerj, esse benefício não tem vindo especificado e, por isso, não conseguimos aplicá-lo para esse fim, mas esperamos que na LOA deste ano isso já seja revisto”, pontuou Olney.

A audiência marcada pelas três comissões tinha como objetivo identificar os problemas de assistência estudantil enfrentados pelas instituições de ensino no estado. Além da Uenf, representantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também compareceram ao encontro. Eles relataram dificuldade em manter os alunos de baixa renda nas instituições. Segundo o coordenador geral do DCE Uerj, Luan Luiz, a verba que os alunos cotistas recebem – cerca de R$ 400 por mês – não é suficiente para arcar com o transporte, alimentação, moradia e material escolar do aluno.

“Eu não sou cotista pois minha família tem uma renda que ultrapassa R$ 50 do valor do salário mínimo, calculado em R$ 998 atualmente, mas ainda assim venho de uma família da periferia que não tem condição de arcar com os meus estudos. Moro em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e estudo no campus da Uerj, localizado em São Gonçalo, Região Metropolitana, só de passagem gasto R$ 40 por dia para chegar à sala de aula, um valor muito maior do que o disponibilizado pela bolsa, então, mesmo que eu fosse bolsista, não conseguiria pagar esse custo com transporte que poderia ser arcado pelo Estado”, argumentou Luiz.

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Esta postagem foi produzida originalmente pela Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Ri ode Janeiro [ Aqui!].

As eleições para a reitoria da Uenf: a chance de eleger um líder institucional está posta

carlão juraci

Ainda que possa surpreender aos que esperam mais de ambientes acadêmicos, atual campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) parece saída da mesma cartilha que foi usada para elevar Jair Bolsonaro à condição de presidente do Brasil.

É que premidos pela avassaladora densidade acadêmica do professor Carlos Eduardo de Rezende, os oponentes da sua candidatura começaram a apresentar essa capacidade como se fosse uma espécie de fragilidade em face de uma suposta necessidade de saber “negociar” com políticos as questões mais prementes para manter a Uenf funcionando. De quebra apontaram nele também a suposta falta de experiência administrativa, imputando ainda a ele o “defeito” de ser essencialmente um pesquisador altamente capacitado, mas “apenas” isso.

MVC-069FCarlos Eduardo Rezende junto ao ex-governador Leonel Brizola e a deputada Cidinha Campos durante visita realizada ao campus da Uenf durante a greve pela autonomia em relação à Fenorte.

Essas duas supostas fragilidades são apenas isso, supostas. Não apenas o professor Rezende esteve no grupo que instalou a Uenf, mas como também já ocupou diversos cargos dentro da instituição, desde chefe de laboratório, passando por diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), pró-reitor de graduação e vice-reitor.  Coube a ele ainda estar à frente do processo de criação das licenciaturas e também do Ensino à Distância (EAD). Aliás, poucos sabem que estou na Uenf porque ainda no início do meu doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University recebi em 1992 uma visita do já professor Carlos Rezende que foi até o norte do estado da Virginia para me convencer a participar da construção da “Universidade do Terceiro Milênio” como a instituição era denominada por Darcy Ribeiro.

Mas no tocante ao desenvolvimento institucional da Uenf, Carlos Rezende também ocupou um papel fundamental no processo de separação da nossa então mantenedora e hoje extinta Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) como membro da comissão paritária formada pelo governador Anthony Garotinho para levar a cabo a criação da universidade enquanto personalidade jurídica autônoma. Esse processo que levou quase um ano teve em Carlos Rezende um incansável elaborador de documentos e hábil negociador nas intermináveis reuniões que foram feitas com membros do governo Garotinho. Como eu sei disso? Era um dos outros dois membros na mesma comissão e pude ser testemunha ocular da forma aguerrida que Carlos Rezende defendia a Uenf.

O interessante é que ao longo do seu processo de formação como cientista e liderança institucional, o professor Carlos Eduardo Rezende também teve uma atuação destacada na criação da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Aduenf) onde foi o seu primeiro vice-presidente e onde ocupou por duas vezes a estratégica posição de Tesoureiro.  Na posição de membro da diretoria da Aduenf, Carlos Eduardo Rezende também participou de discussões estratégicas com diferentes gestões do governo estadual, mas também da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Sou testemunha ocular das muitas negociações ocorridas tanto com o governo estadual como na Alerj, em que a voz do professor Carlos Eduardo Rezende foi ouvida preferencialmente por causa do seu evidente e relevante papel como cientista e membro do grupo que fundou a Uenf.

Fossem estes tempos e uma campanha eleitoral normais, eu diria que nem precisaria oferecer esse testemunho acerca das qualidades e incontáveis realizações do professor Carlos Eduardo Rezende. Mas nem vivemos tempos normais ou, tampouco, essa campanha eleitoral tem sido normal. É que por cima de todos os “esquecimentos” acerca das contribuições que o professor Carlos Eduardo Rezende ofereceu na consolidação da Uenf, ele tem sido alvo de inúmeras calúnias e tentativas de assassinato de caráter. Em um grupo de Whatsapp que reúne servidores da Uenf,  Carlos  Rezende chegou a ser acusado de ter rotulado a categoria como “lixo”. Como conheço o professor Carlos Rezende há quase quatro décadas já o vi ir além do que muitos vão para apoiar os servidores técnicos da Uenf, especialmente naquelas horas dolorosas onde poucos se comovem a sair de suas casas para prestar a devida solidariedade.

Por essas e outras, é que não tenho dúvida alguma de que com todos as suas qualidades e eventuais defeitos, Carlos Eduardo de Rezende é a pessoa mais capacitada a dirigir a Uenf em um momento tão tumultuado da história do Rio de Janeiro e do Brasil. 

Práticas autoritárias surgem na reta final da campanha eleitoral para a reitoria da UENF

A campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte (Uenf) que vinha transcorrendo em clima relativamente ameno, mas a proximidade do pleito que começa amanhã nos pólos de Ensino de Educação à Distância (EAD) e na próxima 3a. feira nos campi de Campos dos Goytacazes e Macaé para ter esquentado no final. 

Lamentavelmente esse aquecimento se deu da pior maneira com a destruição de uma faixa da chapa AVANÇA UENF (a que leva o número 11) que é composta pelos professores Carlão e Juraci (ver abaixo).

vandalismo 1vandalismo 2

Considero o ato de destruição dessa faixa altamente lamentável, pois explicita um  grau inesperado de intolerância em uma campanha que, sendo realizada em uma universidade pública, deveria transcorrer de forma civil e democrática desde o início até o final. Mas aparentemente o germe da intolerância que varre o Brasil neste momento aparentemente já inoculou pelo menos um membro da comunidade universitária da UENF.

Como há uma comissão eleitoral responsável pela realização dessas eleições dentro da Uenf, a minha expectativa que haja uma efetiva apuração do responsável ou responsáveis por esse ato autoritário, e que haja a devida punição de quem for eventualmente identificado como tendo atentado contra a democracia universitária. Afinal, se há uma coisa que não podemos tolerar é a supressão dos direitos democráticos em uma universidade que foi criada por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para garantir o livre e democrático exercício de ideias.