O futuro da Uenf está sob a égide de um pacto pela mediocridade

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Quando comecei a trabalhar na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) em 1998, a instituição vivia todas as dificuldades que cercam instituições que se encontram pouco além do seu nascedouro. Mas a instituição também pulsava com grande energia, ainda que com contradições, muito em parte à adoção de um ciclo básico comum (o famoso CBC), em que os estudantes, independentes de sua futura opção profissional, eram submetidos a uma formação de claro caráter humanista.

Passados 22 anos, a Uenf hoje está afundada em uma situação inaudita, parcialmente por causa da pandemia da COVID-19, em que os espaços para o pensamento crítico e criativo foram substituídos por uma mentalidade que mistura paternalismo e populismo, o que contribui para fossilizar o processo pedagógico, ainda que sob a cobertura do uso de ferramentas digitais, que deveriam representar justamente o contrário.

A verdade é que ao abraçar a visão de que oferecer qualquer coisa é melhor do que nada, a reitoria da Uenf criou uma modalidade de ensino remoto (à revelia dos colegiados responsáveis por definir os elementos pedagógicos que devem ser seguidos na instituição) em que os estudantes não poderão ter notas ou frequência assinaladas, podendo a desistência de participar de uma Atividade Acadêmica Remota Emergencial (AARE) se dar a qualquer momento, sem que isso implique em qualquer ônus para quem opte por assim proceder. Mas apesar disso, um dado estudante poderá requisitar a convalidação de créditos para as disciplinas presenciais a que uma dada AARE esteja relacionada.  Em outras palavras, está se abrindo as portas para que até disciplinas do chamado ciclo profissional possam ser validadas, sem que necessariamente haja como comprovar que isso ocorreu dentro dos necessários padrões de avaliação de performance. Afinal, que estudante irá se preocupar em dar o máximo de si em uma condição de tamanha flacidez de requisitos? Provavelmente aqueles que iriam ter os melhores desempenhos e, por isso, serão os mais prejudicados pela inexistência de avaliações com notas.

Tamanha falta de aderência às práticas reinantes em outras instituições públicas de ensino (na Uerj, por exemplo, as disciplinas oferecidas remotamente serão passíveis de anotação de nota e frequência) é uma concessão à precariedade reinante em função do não cumprimento da Constituição Estadual que determina que o orçamento da Uenf que foi aprovado pela Assembleia Legislativa seja repassado na forma de duodécimos.

sim card uerjAo contrário do que está ocorrendo na Uenf, a Uerj distribuiu SIM CARDs para garantir o acesso dos seus estudantes carentes a um sistema de aulas virtuais

Em função da penúria financeira, não há como sequer garantir que todos os estudantes possam frequentar regularmente as AAREs oferecidas pela Uenf. Mas mais do que isso, os custos desse oferecimento recaem totalmente sobre docentes que estão há mais de 6 anos com salários congelados e que permanecerão nessa condição, pelo menos, até o final de dezembro de 2021.

Mas o curioso é que, em vez de exigir que os mesmos padrões de acessão digital garantidos pela reitoria da Uerj sejam oferecidos aos estudantes da Uenf, o Diretório Central dos Estudantes (em clara combinação com a reitoria da instituição) apenas se mobilizou para instruir o alunado a informar dos docentes que estejam “infringindo” a determinação de que não sejam aferidas notas ou frequências nas chamadas AAREs (ver imagem abaixo).

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Em vez de cobrar da reitoria da Uenf a entrega de SIM CARDs como fez a da Uerj, o DCE UENF resolveu que seria melhor instruir os estudantes a monitorarem o comportamento dos professores

Essa postura no tocante às AAREs é reveladora da existência de um pacto pela mediocridade, em que, por um lado, a reitoria não garante o acesso universal a um sistema de disciplinas remotas que possam efetivamente ser utilizadas para cumprir os requisitos acadêmicos vigentes na instituição e, por outro lado, o sindicato dos estudantes não cumpre o seu papel de exigir que as condições mínimas de qualidade acadêmica sejam garantidas para todo o corpo discente.

O problema desse pacto poderá, no caso dos estudantes, aparecer na hora em que tiverem de solicitar seu registro em algum tipo de conselho profissional onde o cumprimento das grades curriculares é avaliado criteriosamente antes que um profissional recém-formado seja aceito. Já no tocante à instituição, a vigência desse pacto pela mediocridade poderá efeitos deletérios duradouros, pois estabelecidos critérios rebaixados para a formação de seus estudantes se cria uma grande dificuldade para o retorno a outros que tenham natureza mais exigente. 

Por isso é importante que aqueles que esperam sempre mais da Uenf saibam que a instituição criada por Darcy Ribeiro para cumprir os mais altos desígnios em prol do desenvolvimento do Norte Fluminense se encontra fortemente ameaçada naquilo que lhe deveria ser mais caro: oferecer ensino público, gratuito e de alta qualidade.

ADUENF lança nota contra os ataques à liberdade de cátedra na UENF

 Nota da Aduenf contra os ataques à liberdade de cátedra dos docentes da Uenf

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A ADUENF, por sua Diretoria, repudia veementemente o ataque gratuito e covarde feito pela Diretoria do DCE à autonomia didático-pedagógica dos/as docentes desta Universidade.

A postagem feita em 18/09/2020 na rede social Twitter, de tom intimidatório e ameaçador, incita os/as estudantes contra os/as docentes que voluntariamente aderiram às Atividades Acadêmicas Remotas Emergenciais (AAREs), arcando, com recursos próprios, com todo o ônus de oferecê-las para manter o vínculo com os/as discentes.

A Diretoria do DCE, aliada desde o processo eleitoral ao então candidato Raul Palacio, comparecendo inclusive a atos políticos ostentando adesivos de sua campanha, une-se às forças conservadoras em uma conjuntura política de ataque à categoria docente e aos serviços públicos ao somar esforços ao denuncismo macarthista do Escola Sem Partido e do ex-ministro fugitivo Abraham Weintraub. Reivindica a empatia pelos estudantes, mas deixa vários de seus/suas companheiros/as para trás em uma universidade que tem entre seus discentes 49% de estudantes cotistas.

A ADUENF não se calará e reafirmará sua defesa da autonomia didático-pedagógica dos docentes. A Universidade precisa se pautar pelo ensino de qualidade e não pelo populismo demagógico da aprovação automática!

Nesse contexto lamentável de insegurança jurídica criado pelo processo improvisado e atabalhoado que produziu a Resolução CONSUNI No. 06/2020 e a Resolução COLAC No. 01/2020, a ADUENF dará pleno apoio tanto aos docentes que optaram por oferecer as AAREs quanto àqueles que se decidiram por não oferecê-las ou mesmo que se arrependeram e decidiram por cancelá-las diante dos problemas que se revelaram na prática.

Reforçamos, ainda, que muitos desses problemas foram previamente debatidos pela ADUENF em uma série de lives e nos documentos que produziu, como a Nota Conjunta assinada com a ADUFF, ASDUERJ, ADUNIRIO e ADESFAETEC, em que apontamos o caráter excludente das atividades remotas, que penaliza especialmente os estudantes pobres e as mulheres docentes, que no período de isolamento social precisam conjugar o trabalho remoto com o cuidado, às atividades domésticas e a supervisão escolar dos/as filhos/as.

Pela democracia interna na Uenf! Todos unidos pela liberdade de cátedra e condições de trabalho dignas!

ADUENF-SESDUENF
Gestão Avançar na Luta!  2019/2021

Após prometer 100 testes diários, Reitor da Uenf lança vaquinha para reabrir laboratório da COVID-19 fechado desde o início de agosto

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Após vários anúncios de que estava em curso uma parceria com a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes para o estabelecimento de um laboratório de referência para a análise da contaminação por coronavírus, a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) informou na página oficial da instituição que a unidade começaria finalmente a funcionar, proporcionando um aceleração na entrega de resultados para todos os que comparecessem para realizar o teste.

Este anúncio que ocorreu no dia 22 de maio, com pompa e circunstância, reuniu o reitor da Uenf  e o prefeito de Campos dos Goytacazes que anunciaram que em torno de 100 testes diários seriam realizados. O reitor Raul Palacio, com justo júbilo, anunciou que o início do funcionamento do laboratório dentro do Hospital Geral de Guarus (HGG) seria uma “muito importante”, pois possibilitaria ao estado ” estabelecer políticas públicas importantes no combate ao coronavírus e auxilia na obtenção de dados reais sobre o desenvolvimento da doença em seu território, permitindo estabelecer um controle adequado no avanço da doença“. 

reitor prefeitoO reitor da Uenf, Raul Palacio, e o prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz, anunciam o início do “laboratório de referência” para testes da COVID-19 no HGG

Por sua vez, o prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz, afirmou que “através da parceria com a Uenf, o laboratório do HGG passa ser referência regional, não apenas para Campos, mas também para toda nossa região. Até hoje todos os exames realizados em Campos eram enviados para o Laboratório Central (LACEN), no Rio de Janeiro, e a entrega dos resultados levava até 15 dias. Com o laboratório do HGG em funcionamento, podemos fazer até 100 análises por dia e entregar o resultado em até 24 horas”.

Passados quase quatro meses do anúncio do estabelecimento dessa unidade que seria referência na identificação de pessoas contaminadas por coronavírus em Campos dos Goytacazes, eis que o reitor da Uenf declara em uma entrevista à afiliada local da TV Globo que, por falta de recursos federais, a instituição teria decidido lançar de uma vaquinha eletrônica para retomar o funcionamento do “laboratório de referência” que estaria com seu funcionamento paralisado desde o início do mês de agosto (o que, entre outras coisas, cidadãos acorrendo à unidades municipais de saúde têm sido orientados a pagar em torno de R$ 400,00 por testes em um dos laboratórios privados operando em Campos dos Goytacazes (ver vídeo abaixo) (ver vídeo abaixo).

A simples ideia da reitoria de uma universidade pública estar lançando mão de uma “vaquinha eletrônica” (como se dizia antigamente, passando o chapéu) junto à população afetada pela pandemia e pela crise econômica que a acompanha para adquirir os insumos necessários para os testes já é um tanto grotesca.  Afinal,  o orçamento da secretaria municipal de saúde de Campos é um dos maiores do Brasil, o que já torna curioso que não haja dinheiro “local” para financiar um laboratório cujo funcionamento o próprio prefeito declarou ser de suma importância.

Mas o problema não para aí. É que os servidores municipais e estaduais de todo o Brasil (os da Uenf e os da PMCG inclusos) tiveram seus salários e direitos trabalhistas congelados até dezembro de 2021 por meio do PLP 39/2020 em troca do desembolso de socorro financeiro a estados e municípios para o combate à COVID-19. No caso de Campos dos Goytacazes, o montante alocado foi de R$ 47.225.433,15, enquanto que o montante direcionado para o estado do Rio de Janeiro teria sido de R$ 247.360.000,00.

E o que seria um item mais justificável para ser adquirido pela prefeitura e pelo governo do estado com essa bolada que no seu nascedouro pune os servidores públicos? Em outras palavras, não há como justificar essa “vaquinha eletrônica” que o reitor da Uenf está promovendo quando se considera os milhões entregues pelo governo federal para o combate à COVID-19 no Rio de Janeiro. Aliás, quem sabendo do que está sendo informado acima, vai tirar de onde não se tem para custear exames que já foram motivo de entrega de recursos do governo federal?

Nisso tudo fica ainda a estranheza de que seja o reitor da Uenf que esteja saindo a campo atrás do dinheiro necessário para fazer funcionar um laboratório localizado em um hospital municipal? Por onde anda o prefeito nessas horas? Tomou o doril que a população não encontra nos hospitais municipais e sumiu? Esse ação com tintas de puro voluntarismo desafia, entre outras coisas, o senso comum. É que no contexto de dura crise econômica e social em um município que tem mais desempregados do que empregados, pedir que a população pague os custos de um laboratório que deveria ser gratuito não faz o menor sentido.

Com a palavra a Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes a quem cabe fiscalizar os atos do prefeito da capital do açúcar e do chuvisco. 

Convite para participação em pesquisa sobre efeitos da elevação do nível do mar no Rio de Janeiro

sambodromo_1O sambódromo do Rio de Janeiro seria um dos pontos inundados, caso se confirmem cenário de elevação do nível do mar

Uma pesquisa que está sendo liderada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende e William Vásquez da Fairfield University, que ainda tem a minha participação e dos professores Thomas J. Murray, da Fairfield University, e Laura Beaudin da Bryant University está investigando os impactos da elevação do nível do mar na região costeira do estado do Rio de Janeiro.

Site mostra como ficará o Cristo Redentor depois que o nível do mar subir (Foto: reprodução/Edivaldo Brito)

A realização desta pesquisa será importante para que possamos colaborar com a geração de políticas públicas voltadas para a prevenção e mitigação dos impactos da elevação do nível do mar no estado do Rio de Janeiro.

Para fazer a aquisição de dados, elaboramos um questionário que levará aproximadamente 15 minutos para ser respondido pelos participantes. Ressaltamos que a participação de toda população do estado do Rio de Janeiro é extremamente importante e voluntária.

Por último, informamos que qualquer dúvida sobre este estudo poderá ser enviada para os seguintes pesquisadores, a saber: Carlos Eduardo de Rezende crezende@uenf.br;  Marcos A. Pedlowski pedlowma@uenf.br, e William Vásquez wvasquez@fairfield.edu

Quem desejar participar desta importante pesquisa, basta clicar [Aqui!].

Darcy Ribeiro: a Universidade do Terceiro Milênio

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Por Isaac Roitman*

Em 1995 fui convocado pelo então reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Wanderley de Souza, e por Darcy Ribeiro para colaborar na implantação dessa Universidade. O isolamento provocado pela COVID-19 me estimulou a revisitar minha passagem por Campos dos Goytacazes.

Leonel Brizola, em 1991, delegou a Darcy Ribeiro a tarefa de conceber o modelo e coordenar a sua implantação. Darcy fora o criador e o primeiro reitor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de projetos de instauração ou reforma de universidades na Costa Rica, Argélia, Uruguai, Venezuela e Peru. Ao receber a missão de fundar a Uenf, Darcy se impôs o desafio de fazer da nova universidade o seu melhor projeto.

Concebeu um modelo inovador, onde os departamentos – que, na UnB, já tinham representado um avanço ao substituir as cátedras – dariam lugar a laboratórios temáticos e multidisciplinares como célula da vida acadêmica.

Cercou-se de pensadores e pesquisadores renomados para elaborar o projeto da Uenf e apresentou-a como a “Universidade do Terceiro Milênio”. Previu a presença da Uenf em Macaé (RJ), onde viriam a ser implantados os Laboratórios de Engenharia e Exploração do Petróleo (Lenep) e de Meteorologia (Lamet). Ela foi inaugurada em 1993.

As marcas da originalidade e da ousadia que Darcy imprimiu a seu último grande projeto de universidade se tornaram visíveis. A Uenf foi a primeira universidade brasileira onde todos os professores têm doutorado. A ênfase na pesquisa e na pós-graduação, sem paralelo na história da universidade brasileira, faz da Uenf uma universidade para formar cientistas. A essência do projeto era dotar o Rio de Janeiro de uma universidade moderna, que atualizasse o Brasil nos principais campos do saber, onde os laboratórios seriam a célula da vida acadêmica, e os centros de pesquisas pudessem praticar, ensinar e aplicar as tecnologias mais avançadas.

Por ter obtido o maior percentual de ex-alunos participantes da Iniciação Científica concluindo cursos de mestrado e doutorado, a Uenf ganhou, em 2003, o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica, conferido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Em 2009 recebeu novamente esse Prêmio.

Em 2008, a Uenf foi reconhecida pelo MEC como uma das 15 melhores universidades brasileiras, ficando em 12º lugar no ranking nacional baseado no IGC (Índice Geral de Cursos da Instituição). Também em 2008, a Uenf recebeu o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos, categoria Extensão Universitária, concedido pela Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Em 2007, 2008, 2009 e 2010, a Uenf foi apontada pelo Ministério da Educação (MEC) como uma das 15 melhores universidades do Brasil, com base no Índice Geral de Cursos (IGC).

A missão da Uenf é a de criar e disseminar o conhecimento científico, tecnológico e artístico em todos os campos do saber e formar profissionais capazes de inovar e buscar soluções aos desafios da sociedade contemporânea com vistas ao exercício pleno da cidadania.

Os princípios que a Uenf segue para cumprir sua missão são: 1. Compromisso estrito com a excelência; 2. Gratuidade e qualidade; 3. Autonomia didática, científica e administrativa; 4. Legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e eficiência; 5. Garantia ao pluralismo de ideias e concepções pedagógicas; 6. Inserção social e apoio efetivo ao desenvolvimento regional; 7. Valorização do ser humano; e 8. Respeito à diversidade.

Nesses 27 anos de existência, a Uenf, assim como outras Universidades estaduais do Rio de Janeiro, sofreu crises de natureza econômica. É fundamental que sua comunidade universitária, o governo e a sociedade blindem crises futuras para que os sonhos de nosso querido Darcy Ribeiro sejam realidade para todo o sempre. A sociedade do Rio de Janeiro e do Brasil serão os beneficiados. Vida longa para a Universidade do Terceiro Milênio.

Isaac Roitman é  Professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022-2030 O Brasil e o Mundo que queremos.

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Este texto foi inicialmente pelo Monitor Mercantil [Aqui!].

 

Uerj institui auxílio para financiar inclusão digital e aquisição de material didático dos estudantes de graduação. E a Uenf?

uenf estuAo contrário dos seus colegas da Uerj, os estudantes da Uenf ainda não tem garantia de que receberão auxílio financeiro para se adaptar ao ensino remoto

A Reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) deu um passo importante para possibilitar um mínimo de inclusão digital a todos os seus estudantes com a promulgação a criação de um auxílio emergencial R$ 600,00 a ser pago em cota única (ver imagens abaixo).

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O curioso é que, até onde eu saiba, na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), cuja reitoria embarcou em um esforço para o oferecimento de aulas remotas, tal auxílio ainda não foi oficializada. E isto em que pese o fato do corpo discente da Uenf ser formado por estudantes que, em grande parte, são originários das estamentos mais pobres da população brasileira.

Não custa lembrar que o atual reitor da Uenf, Raul Palacio, foi eleito com apoio do movimento estudantil, que viu nele um garantidor de seus interesses.  Vamos ver até quando os estudantes de graduação da instituição criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola vão ter de esperar por este tipo de auxílio. 

Baseado em denúncia falsa, MP/RJ aciona a Uenf por plano de retomada de aulas presenciais

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Baseado em denúncia falsa, MP/RJ cobra plano de retomada das aulas presenciais na Uenf

A partir de uma denúncia que claramente não condiz com a realidade dos fatos (que teria sido apresentada na 1. Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo de Campos, dando conta que “os professores das disciplinas presenciais da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) teriam se recusado a utilizar da modalidade à distância, em que pese deter milhares de alunos matriculados na modalidade EAD através do convênio que mantém com o CEDERJ)”.

Em função dessa reclamação é que aparentemente o Ministério Público do Rio de Janeiro resolveu acionar o governador Wilson Witzel, o secretário estadual de Ciência e Tecnologia Leonardo Rodrigues, e o reitor da Uenf no sentido de cobrar uma série de providências para que seja formulado um “plano ação para retomada das atividades acadêmicas presenciais dos seus cursos de graduação, mestrado e doutorado, com diretrizes para a estruturação do calendário para o ano letivo de 2020“.

Para tanto, a Uenf e seus colegiados terão que oferecer uma série de informações sobre as garantias que deverão existir para que a retomada das aulas possa se dar para “impedir o contágio dos alunos e profissionais da educação pelo COVID-19“.

Para isso, o Ministério Público do Rio de Janeiro orienta ainda que, entre outras medidas, seja publicado um plano preliminar de retomada, no prazo de até 48 horas após a sua elaboração e conclusão e com antecedência mínima de 5 dias úteis para o início de sua  implementação, nos sítios eletrônicos da SECTI e da Uenf, bem como disponibiliza-lo para consulta, em documento impresso, na sede da  universidade com a finalidade de garantir amplo conhecimento pela sociedade, transparência e previsibilidade.  

As autoridades que foram arroladas no documento do MP/RJ foram ainda  “advertidos” de que a “recomendação” a eles enviada para a retomada das aulas presenciais na Uenf “constitui elemento probatório em sede de ações cíveis ou criminais“.

Sem me intrometer nas respostas que certamente serão oferecidas ao MP/RJ pela Procuradoria Geral do Estado e pela Assessoria Jurídica da Uenf,  considero curioso que uma recomendação desse porte não tenha sido produzido sem antes ouvir a reitoria da Uenf.  É que se isso tivesse ocorrido, o promotor que assina a “Consideração 05/2020” já teria sido previamente informado que os colegiados da Uenf já estão discutindo formas alternativas de retomar as atividades de ensino, já que as outras continuam ocorrendo seguindo os protocolos de segurança impostos durante a vigência a pandemia da COVID-19. Além disso, já se saberia que em nenhum momento houve qualquer recusa por parte dos professores a utilizar modalidades à distância para oferecer aulas. A denúncia, portanto, restaria vazia já que é mentirosa.

Por outro lado, eu gostaria que o MP/RJ tivesse sido tão proativo em 2017 quando os servidores da Uenf ficaram meses sem salários (e muitos deles passando graves necessárias financeiras) enquanto diversos dependências da universidade sofreram seguidos atos de vandalismo após o abandono da empresa terceirizada de segurança privada que realiza as atividades de proteção patrimonial. Lamentavelmente, durante todo aquele período ficamos à mercê da própria sorte e sobrevivendo sabe-se lá como.

Finalmente, acho curioso que se cobre um calendário de retomada das atividades presenciais ou o oferecimento de aulas na modalidade à distância em meio à alta persistente da pandemia da COVID-19 no estado do Rio de Janeiro, sem que se cobre também o cumprimento da Constituição Estadual no sentido do integral cumprimento do orçamento da Uenf na forma de duodécimos. É que sem isso, a coisa mais responsável que a reitoria poderá fazer é informar ao MP/RJ que não possui as condições financeiras para oferecer a devida estrutura para a retomada das aulas, sejam eles presenciais ou remotas.

Para quem desejar ler a íntegra da Recomendação 05/2020 do MP/RJ datada de 09 de julho , basta clicar Aqui!

Carlos Eduardo de Rezende é convidado para comitê assessor do CNPq

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Um dos principais expoentes da ciência brasileira na área dos estudos ambientais, o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acaba de ser convidado para compor o  estratégico Comitê de Assessoramento de Engenharia e Ciências Ambientais (CA-CA) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Um dos fundadores da Uenf e autor mais de 170 artigos em revistas científicas, entre elas a prestigiosa Scientific Reports que é publicada pelo mesmo grupo que publica a revista Nature.  Além disso, ao longo de sua carreira acadêmica, Carlos Eduardo de Rezende tem se revelado um ardoroso defensor da ciência nacional e do papel central das universidades públicas no desenvolvimento científico do Brasil.

Entre as contribuições mais impactantes dos trabalhos de natureza científica transversal que o professor Carlos Eduardo Rezende está o que foi publicado pela Science Advances onde foi revelada a existência de um até então desconhecido grande sistema de recifes no delta do Rio Amazonas, uma pesquisa que alterou os fundamentos do conhecimento sobre este tipo de ecossistema na literatura científica mundial.

Atuando na Uenf desde o processo de planejamento de criação por Darcy Ribeiro, Carlos Eduardo de Rezende continua acumulando uma série de conquistas acadêmicas que continuam colocando o Norte Fluminense no mapa da ciência mundial.   Como um apaixonado que é pela Uenf,  Carlos Eduardo de Rezende certamente continuará relacionando essas conquistas à sua contínua luta pela construção da universidade que foi idealizada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

Com salários e direitos congelados, docentes da Uenf defrontam-se com a imposição do ensino remoto por causa da COVID-19

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Com salários precarizados e direitos congelados, docentes da Uenf agora estão sendo empurrados para outra forma de precarização em meio à pandemia, as “as aulas remotas”

Os docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense estão em uma das únicas, senão a única, categorias profissionais do serviço público estadual que trabalham sob o regime de Dedicação Exclusiva. Este regime lhes impõe a impossibilidade de possuir outras fontes de renda, sob pena de demissão. Apesar disso, eles amargam mais de 5 anos de salários congelados, além de não estar tendo honrado ao longo desse período os direitos garantidos pelo Plano de Cargos de Vencimentos (PCV), especificamente no tocante aos enquadramentos e progressões em função de mérito e tempo de serviço.

Agora, em meio à pandemia da COVID-19, os docentes da Uenf tiveram suspensos os pagamentos de adicionais de insalubridade e periculosidade em função da alegação de que não estavam sendo expostos aos riscos que garantem o pagamento desses adicionais. Curiosamente, os docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que também tiveram esses adicionais suspensos, acabam de ter o pagamento dos mesmos retomado, e de forma retroativa. Tal fato consiste em um flagrante tratamento diferenciado, e vem gerando forte descontentamento entre os que tiveram seus salários reduzidos, sem que a reitoria da Uenf  que disponha a oferecer qualquer explicação sobre o tratamento diferenciado que foi dado à Uerj.

Mas seguindo o que diz a Lei de Murphy que atesta que “não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar”, os docentes da Uenf se vêem diante da obrigação de oferecer uma modalidade não prevista na instituição em meio à pandemia da COVID-19,  o chamado “ensino remoto”.  

Um dos problemas para que o ensino remoto seja oferecido na Uenf é que a universidade possui uma rede de internet que mal comporta o envio e recebimento de e-mails, que dirá o tráfego intenso que a oferta de disciplinas via remota irá demandar.  Desta forma, o que está implícito em uma eventual oferta dessa modalidade de “educação remota” é que os custos adicionais que isso demandará deverão sair dos bolsos dos docentes, os mesmos que estão com salários congelados e sem o pagamento de direitos garantidos pelo PCV da Uenf. 

Outro aspecto que deveria estar merecendo atenção, mas aparentemente está também sendo deixado para que os docentes se virem como puderem, é que já se sabe que nem todos os estudantes, tanto de graduação como de pós-graduação, possuem acesso a serviços de internet que lhes garantam atender as aulas remotas. Em levantamentos já feitos na Uenf, já até se sabe que uma parcela significativa daqueles que possuem acesso à internet apenas via telefones celulares. Tal dado indica que haverá um número significativo de estudantes que simplesmente não terão como acessar a educação remota que será oferecida no lugar do ensino presencial no qual esses mesmos estudantes estão matriculados, mas temporariamente impedidos de frequentar por causa da pandemia da COVID-19.

Não fossem esses detalhes suficientes, os docentes receberam recentemente um convite para participarem de um vídeo aula cujo título é “Videoaula: A experiência docente e o potencial das aulas remotas” . Uma dessas curiosidades desse convite é que a realização caberá do evento caberá à Empresa Municipal de MultiMeios da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (a MultRio) (ver imagem abaixo).

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A curiosidade fica por conta do fato de que as universidades estaduais e federais cujos docentes estão sendo convidadas para este evento realizado por uma empresa pertencente ao município do Rio de Janeiro, sendo que essas mesmas instituições de ensino superior participam do “Consórcio Centro de Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro” (Cederj) que há duas décadas oferece a modalidade de ensino à distância (EAD) por meio de pólos regionais existentes em todas as regiões do estado do Rio de Janeiro.

A única conclusão possível é que a MultRio tem algum tipo de conhecimento sobre treinamento de docentes para educação remota que o Cederj nunca foi capaz de desenvolver, apesar de sua longa experiência na modalidade EAD. Ou é isso, ou eu não sei.

De toda forma, os docentes da Uenf terão, em meio à pandemia, de se defrontar com questões bastante sérias sobre a qualidade do ensino que poderão oferecer na forma remota. E, de quebra, com um inevitável aumento das despesas que aparentemente decorrerão da oferta de uma modalidade que sequer existe formalmente na Uenf, sem que existam sequer regras claras para como isso deverá ocorrer. E durma-se com toda essa precarização.

Sociólogo formado pela Uenf é o novo secretário provincial da Educação, Ciência e Tecnologia de Cabinda, Angola

O sociólogo e mestre em Políticas Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Miguel Raúl Mazissa Zinga, foi empossado no dia 29 de maio no cargo de secretário provincial da Educação, Ciência e Tecnologia do Governo da Província (o equivalente a um estado no Brasil) de Cabinda, Angola.

wp-1591053510607.jpgO sociólogo e mestre em Políticas Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Miguel Raúl Mazissa Zinga, assinando seu termo de posse no cargo de secretário provincial da Educação, Ciência e  Tecnologia de Cabinda, Angola.

No discurso que deu posse ao novo secretário da , o vice-governador Joaquim Dumba Malichi, felicitou os novos secretários provinciais e recomendou aos mesmos a pautarem pelo rigor, criatividade, comunicação, transparência e apresentação regular dos relatórios de atividades.

Como tive a oportunidade de ser o orientador do agora secretário provincial da Educação, Ciência e  Tecnologia de Cabinda entre os anos de 1998 e 2004, tenho certeza que ele saberá usar o seu treinamento acadêmico nos termos esperados pelo vice-governador Malichi.  Além disso, o Miguel Zinga, como nós o chamávamos no nosso grupo pesquisa, possui o nível de disciplina e ética que este tipo de cargo requer dos seus ocupantes. 

wp-1590965069059.jpgO secretário provincial da Educação, Ciência e Tecnologia de Cabinda, Miguel  Raúl Mazissa Zinga fala à imprensa após sua posse.

Como ex-orientador do agora secretário provincial da Educação, Ciência e Tecnologia de Cabinda,  sinto especial gratificação em ver que um cidadão angolano que esteve na Uenf pode voltar ao seu país para transmitir o que de melhor pudemos lhe entregar em termos de formação acadêmica.

Em tempo: o secretário provincial Miguel Zinga possui ainda um título de doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso demonstra ainda mais explicitamente o papel que a universidade pública brasileira possui na formação de quadros de excelência.