Mesa de abertura da VIII Jornada de Políticas Sociais da UENF aponta para os grandes desafios que estão diante dos brasileiros

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Começou em grande estilo a VIII Jornada de Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que teve como participantes a professora Eblin Joseph Farage (UFF), ex-presidente do ANDES-N, e pelo professor Ildeu de Castro Moreira (UFRJ), ex-presidente da SBPC, e que teve a mediação da professora Ana Lúcia Sousa (UFRR) (ver vídeo completo abaixo).

A importância dessa mesa foi que seus componentes se esmeraram em apresentar uma visão crítica acerca da realidade em que estamos envolvidos neste momento, sem que isso significasse a perda da perspectiva de que existem caminhos para superar os efeitos dramáticos trazidos pela vigência de um governo, no caso o de Jair Bolsonaro, que se esmera em destruir um sistema mínima de proteção aos brasileiros mais afetados pela longa crise econômica em que estamos mergulhados, a qual foi aprofundada pela vigência da pandemia da COVID-19 e a forma desastrosa pela qual este mesmo governo vem tratando.

Como docente do Programa de Políticas Sociais da Uenf, tenho que enfatizar que gerar debates embasados e críticos sobre a realidade brasileira é uma das contribuições que a universidade pública pode dar para que consigamos superar um contexto tão difícil como o que enfrentamos neste momento.

Uma palavra específica de agradecimento ao professor Ildeu Castro Moreira que gentilmente atendeu um convite para estar nesta mesa, já que ele é uma pessoas particularmente atarefada, mas que nunca se furta dar a sua contribuição para a construção do processo de construção de uma nova sociedade.

A VIII Jornada de Políticas Sociais da Uenf continua até amanhã via o canal oficial do PGPS/Uenf no Youtube.

Wladimir Garotinho e a miragem da “faculdade pública” na Baixada Campista

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Li com um misto de curiosidade e incredulidade uma notícia bem documentada do site “Campos 24 horas na qual o prefeito Wladimir Garotinho e o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, o ilustre desconhecido “Doutor” Serginho (PSL), na qual é anunciada a criação de uma tal “faculdade pública” (na verdade um “Centro de Inovação Tecnológica”),  nas dependências  de uma fábrica de macarrão, que foi construída pela empresa Duvenêto Indústria de Alimentos Ltda com  recursos do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), e que fechou as portas deixando uma dívida de R$ 95 milhões para os cofres públicos municipais (ver vídeo abaixo).

Ainda que as intenções propaladas pelo prefeito de Campos dos Goytacazes façam sentido, alguém precisa informar a ele duas coisas básicas. A primeira é que asfixiada pelo administração estadual da qual o Dr. Serginho faz parte, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) mal consegue pagar suas contas com as obrigações que já tem, o que só não é mais grave porque boa parte dos custos com energia, água e internet foram internalizadas pelos servidores que estão trabalhando em casa.  Essa crise financeira ficará explícita em breve, pois a reitoria da Uenf está impondo uma volta ao trabalho presencial sem a garantia do oferecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) aos servidores e professores da instituição.

A segunda é que adiantar a participação da Uenf em uma empreitada obscura como a criação dessa “faculdade pública” sem consulta prévia é o caminho mais rápido para isso não dar em nada. É que a a reitoria da Uenf pode até aparecer em fotos promocionais com os tradicionais apertos de mão (o atual reitor, aliás, se mostrou um expert nesse tipo de ação promocional), mas vai ficar nisso mesmo, pois objetivamente quem decide se haverá participação são servidores que acumulam perdas salariais de quase 50% só nos últimos sete anos, e que estão para ter tolhidos uma série de direitos graças ao pacote de maldades enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALerj) pelo governo acidental Cláudio Castro. Daí que trabalhar mais sob essas condições só na base do chicote. Como o governo Bolsonaro, do qual a família Garotinho é aliada, ainda não conseguiu abolir a Lei Áurea, eu diria que anunciar a participação da Uenf dá alguma legitimidade ao anúncio, mas não garantirá absolutamente nada.

Há que se dizer que a necessidade de se oferecer formação profissional para jovens campistas, especialmente os que vivem na Baixada Campista, é fundamental para melhorar a situação dos quase 190 mil campistas que vivem em condições de pobreza ou extrema pobreza, segundo dados do governo federal. Mas não será oferecendo miragens que isso será feito. E da forma que está posto, esse anúncio de uma “faculdade pública” não passa disso, uma miragem que a realidade irá rapidamente desmanchar.

Finalmente, uma dica positiva para o prefeito Wladimir Garotinho. A Uenf,  após razoável negociação na Alerj, assimilou em 2019 a Escola Técnica Estadual Agrícola Antônio Sarlo (ETEAAS), instituição de trajetória fundamental na cidade de Campos dos Goytacazes. Entretanto, a prometida parceria com a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes nunca saiu do papel, o que já era esperado já que o ex-prefeito Rafael Diniz não era muito amigo da educação pública.  A dica é a seguinte: que tal apoiar o projeto de recuperação da Antonio Sarlo? Seria bem menos miragem e mais realidade ancorada na história da educação campista.

Vem aí a VIII Jornada do Programa de Políticas Sociais da UENF: 20 e 21 de setembro!

A ascensão do Neoconsevadorismo a impõe desafios à diversas esferas da realidade brasileira. Seja no âmbito sociopolítico, cultural ou cientifico, a matriz ideológica neoconservadora se insere de forma incisiva colocando em cheque o presente e o futuro das Políticas Sociais no Brasil.

Em função dessa conjuntura, a 8º Jornada de Politicas Sociais do Programa de Políticas Sociais (PPGPS) da Universidade Estadual do Norte Fluminense discutirá os impactos e alternativas frente à agenda conservadora e neoliberal. O evento, que ocorrerá de forma online viao canal oficial do PGPS no Youtube, e contará com a participação de  pesquisadores e representantes de associações da sociedade civil.

Veja a programação abaixo!

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Para maiores informações siga o perfil do PPGPS no Instagram que é o seguinte: @pgpoliticassociais_uenf

Para celebrar seus 22 anos, Programa de Políticas Sociais da Uenf realiza jornada de debates

Em meio a uma crescente crise social e econômico, com consequências desastrosas para a maioria da população brasileira, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) irá celebrar seus 22 anos com a realização de sua 8a. jornada nos dias 20 e 21 de setembro (ver cartaz abaixo).

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A existência de um programa cujas linhas de pesquisa estão centradas no objetivo de analisar o papel das políticas sociais enquanto ações de governo que, em tese, visam amenizar as consequências de uma profunda desigualdade na distribuição das riquezas que marca a formação da sociedade brasileira. 

Em consonância com o papel regional da Uenf, os professores e discentes do PGPS têm realizado uma série de estudos importantes sobre a situação das políticas sociais na região Norte Fluminense, em especial no município de Campos dos Goytacazes.

No entanto, a presente edição da já tradicional “Jornada em Políticas Sociais” procura analisar a situação das políticas sociais sob a égide dos últimos governos ultraneoliberais, em especial do governo Bolsonaro. 

O acesso ao evento será gratuito e o link para acompanhar o evento será divulgado em breve pela coordenação do PGPS na página do programa.

O saco (cheio) de maldades que Cláudio Castro esqueceu de mencionar em seu showmício na Uenf

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Um número nada desprezível dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro parece inebriado com um fato que deveria ser a coisa mais banal do mundo, que é o pagamento de seus salários relativamente em dia. É que muitos ainda estão afogados em intermináveis “consignados” que resultaram do atraso crônico de salários ao longo de 2017.
Com essa postura, agravada pelo afastamento social causado pela pandemia da COVID-19, muitos servidores não estão cientes do verdadeiro saco de maldades que o governador “por acaso” Cláudio Castro lhes reserva para um futuro não muito distante a partir do modelo de renovação do tenebroso “Regime de Recuperação Fiscal” que acaba de ser renovado com o governo federal.
Os ataques inseridos no “RRF” assinado por Cláudio Castro são uma espécie de aperitivo do que será imposto a todos os servidores públicos brasileiros, caso a chamada “Reforma Administrativa” seja aprovada. Abaixo posto 3 slides de uma análise mais ampla preparada pelo pessoal da “Auditoria Cidadã da Dívida” sobre os impactos do RRF sobre os servidores estaduais do Rio de Janeiro, onde fica explícito que os ataques que virão serão duríssimos, indo da continuidade do congelamento dos salários até a imposição de um modelo completamente privatista de aposentadoria, no melhor molde da previdência privada imposta pelo regime de Augusto Pinochet aos trabalhadores chilenos.

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No caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), onde ontem Cláudio Castro aportou sua versão eleitoral da “Caravana Rolidei”, os impactos serão muito duros e que ameaçarão a própria sobrevivência da universidade idealizada por Darcy Ribeiro e implantada por Leonel Brizola. É que já sob forte pressão por falta de concursos e com um orçamento continuamente congelada, a Uenf ainda convive com salários corroídos por mais de 7 anos de inflação. Mas com a adesão feita por Cláudio Castro ao RRF, nenhum desses problemas poderá ser reparado enquanto o acordo com o governo federal continuar em vigência.
Lamentavelmente, a Uenf está hoje sob o comando de um reitor que está claramente aquém das tarefas que se impõe sobre a instituição em uma difícil conjuntura histórica. Aliás, se entendesse o papel que deve cumprir enquanto reitor, o atual ocupante do cargo não teria se colocado como plateia no show gospel que Cláudio Castro ontem no Centro de Convenções que curiosamente leva o nome do arquiteto comunista e ateu Oscar Niemeyer.
Por isso, o melhor que os servidores públicos estaduais podem fazer é parar de se deixar engabelar pelo pagamento de salários corroídos por uma inflação que hoje se encontra galopante para planejar a necessária reação aos planos de desmanche que Cláudio Castro pretende implantar, pois como dizia meu falecido pai “jacaré parado vira bolsa”.

Em ritmo de campanha, governador do Rio de Janeiro lota Centro de Convenções da Uenf e faz dueto com Rosinha Garotinho

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Em ritmo de pré- campanha eleitoral, governador Claúdio Castro (PSC) faz dueto com a ex-prefeita e ex-governadora Rosinha Garotinho no Centro de Convenções da Uenf e entoa o “hit gospel” do Padre Marcelo Rossi, o “Noites Traiçoeiras”

Não sei quantos leitores deste blog ainda se recordam da linha dura adotada nas eleições de 2018 pela Justiça Eleitoral contra as instituições universitárias em Campos dos Goytacazes, que incluiu até a realização de rumorosas “batidas” pelos fiscais eleitorais.  

Pois bem, passados menos de três anos daquele conjunto de ações repressivas, ontem o governador “por acaso” do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), usou as dependências do Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para a realização de um auto-denominado “Fórum de Prefeitos” que teve todos os ares de uma campanha eleitoral antecipada, segundo testemunhas do evento que teve “casa cheia”, e com muitos dos presentes sem portar as ainda requeridas máscaras cirúrgicas (ver imagens abaixo).

A coisa andou tão animada que o governador “por acaso”, que também é dublê de cantor, aproveitou para fazer um dueto com a ex-prefeita e ex-governadora Rosinha Garotinho para entoar o “hit gospel” do Padre Marcelo Rossi, “Noites Traiçoeiras”, que mereceu aplausos entusiasmados até do reitor da Uenf, Professor Raul Palacio (ver vídeo abaixo).

Fonte: Juliana Rocha

Mas o que o teria marcado o caráter de pré-campanha eleitoral de um evento realizado em um espaço público como o é o Centro de Convenções da Uenf foi a manifestação sistemática dos prefeitos presentes em apoio à reeleição de Cláudio Castro em 2022.

Diante do que ocorreu ontem na Uenf, eu diria que os potenciais candidatos a governador nas eleições de 2022 deveria colocar suas barbas de molho, pois, ao que parece, a disposição e a energia de Cláudio Castro para continuar governando o Rio de Janeiro estão altas.

Já quanto à justiça eleitoral, diante da abundante quantidade de imagens e vídeos circulando nas redes sociais no dia de hoje, o que se espera é algum tipo de ação que coiba a repetição de simulacros de “fóruns” que servem apenas para promover a candidatura de um governador em exercício. 

Flavio Serafini visita a Uenf e se reúne com representantes dos sindicatos

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O deputado estadual Flavio Serafini (PSOL/RJ), presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, esteve ontem na cidade de Campos dos Goytacazes cumprindo uma agenda de visitas, incluindo uma à Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Um dos encontros realizados no campus Leonel Brizola ocorreu na sede da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf), quando Flavio Serafini  se encontrou com representantes de todos os sindicatos da Uenf (ADUENF, SINTUPERJ, DCE, APG).

 Durante a reunião, a diretoria da ADUENF entregou a Flávio Serafini um documento onde foram arroladas as inúmeras e continuadas dificuldades afetando os docentes da Uenf no tocante à implementação das progressões, enquadramentos, pagamento dos adicionais e de periculosidade e insalubridade, e do adicional de férias.

A diretoria da Aduenf ressaltou que não se entende o porquê da diferença de tratamento dado pelo governo do Rio de Janeiro às três universidades estaduais, já que a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) publica regularmente todos seus enquadramentos e progressões. Nesse contexto, é que foi colocada a questão do esvaziamento do quadro de servidores  da Uenf, um fator que está causando uma forte instabilidade na continuidade das atividades dentro da instituição.

Os representantes da Aduenf e da delegacia do Sintuperj-UENF pediram a Flávio Serafini que seja dada especial atenção e apoio para o novo Plano de Cargos e Salários que foi recentemente aprovado pelo Conselho Universitário da Uenf, pois a precarização dos salários tem sido um motivo de frustração, desânimo e sucateamento das vidas dos servidores técnicos e docentes da instituição.

Em resposta, Flavio Serafini se comprometeu a verificar porque esta diferença de tratamento por parte do governo do estado está ocorrendo, visto que as três universidades estaduais são importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico do estado do Rio de Janeiro. Além disso, informou estar à disposição para novas reuniões até que os problemas afligindo a Uenf sejam resolvidos a contento.

Pesquisadores da UENF lançam obra sobre a vegetação das praças de Campos dos Goytacazes

Como resultado de uma série de pesquisas lideradas pela professora Janie Mendes Jasmim, do Laboratório de Fitotecnia da Universidade Estadual do Norte Fluminense, a cidade de Campos dos Goytacazes agora tem uma espécie de radiografia da situação da arborização em suas praças.   É que acaba de ser lançado o E-book “Guia de Vegetação de Praças de Campos dos Goytacazes”, no qual estão disponíveis informações detalhadas acerca da composição da vegetação existentes nas praças campistas.

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A obra faz parte de um projeto mais amplo que envolve atividades de pesquisa e extensão que ocorrem sob a supervisão da professora Janie Jasmim.  O E-book traz os resultados da pesquisa de iniciação científica da graduanda  Mariana Elene Costa Pereira, em que foi feita a identificação, quantificação e georreferenciamento das espécies existentes em 17 praças da região central de Campos dos Goytacazes,

Este trabalho está tendo uma sequência na forma de um inventário das árvores das principais ruas e avenidas também da região central. Os resultados preliminares dessa fase da pesquisa acabam de ser apresentados no XIII Congresso Fluminense de Iniciação Científica (CONFICT).

O grupo de pesquisa liderado pela professora Janie Jasmim também já realizou um diagnóstico participativo das áreas verdes campistas, no qual foram entrevistadas 1700 pessoas (100 por praça). Atualmente, a pesquisa está em outra etapa,  onde os pesquisadores envolvidos estarão conduzindo outro diagnóstico, agora sobre a arborização de ruas e avenidas por meio de Google forms (pretendemos fazer de forma presencial, logo que possível).

Para os interessados em conhecer mais essas atividades de pesquisa e extensão, grupo de pesquisa da professora Janie Jasmim criou dois perfis no Instagram: @arborizaçaourbanauenf; @verdeurbanocamposdosgoytacazes.

O E-book “Guia de Vegetação de Praças de Campos dos Goytacazes” pode ser baixado [Aqui!].

Artigo sobre incidente ambiental em Brumadinho está entre os mais baixados e acessados na Nature/Scientific Reports

Apesar da asfixia financeira, Uenf continua produzindo ciência de alta qualidade internacional

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Há muita asfixiada pela falta de recursos financeiros por parte do governo do estado do Rio de Janeiro, e que é agravada pelo sucateamento imposto pelo governo Bolsonaro  às agências federais de fomento (i.e.; Cnpq e Capes), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continua tendo pesquisas que ganham o reconhecimento internacional pela sua excelência.

O mais recente deste reconhecimento foi dado pela revista Nature/Scientific Reports a um artigo que teve a participação do professor Carlos Eduardo Rezende, professor titular do Laboratório de Ciências e líder do Grupo de  “Biogeoquímica de ambientes aquáticos”.  Este blog informou em primeira mão a publicação do artigo intitulado “Metal concentrations and biological effects from one of the largest mining disasters in the world (Brumadinho, Minas Gerais, Brazil)“, quando de sua publicação em abril de 2020.

Eis que agora os editores da Scientific Reports acabam de enviar uma correspondência ao Prof. Carlos Rezende, informando que o artigo está entre os 100 mais acessados e baixados na Nature/Scientific Reports, dentro de um total de 820 publicados na mesma área disciplinas (ver figura abaixo).

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Ainda que essa posição de destaque não seja nada surpreendente na exitosa trajetória do Prof. Carlos Rezende e do seu grupo de pesquisa, o fato é que esse tipo de reconhecimento da qualidade científica do trabalho produzido pela equipe liderada por ele é algo que evidencia as possibilidades existentes para a realização de pesquisa científica de altíssima qualidade, mesmo em uma universidade pública que não esteja localizada nos principais centros metropolitanos brasileiros.

Assim, essa vitória científica do Prof. Carlos Rezende e de sua equipe de pesquisa acaba dando ânimo aos que dentro da Uenf e em outras universidades públicas brasileira estão tentando produzir ciência de alta qualidade, mesmo com todas as dificuldades econômicas e sanitárias que o atual contexto histórico nos impõe.

Precarização e desumanização do trabalho docente durante a pandemia, o caso da UENF

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 Ilustração por César Berje

Por Luciane Soares da Silva*

Neste texto vou adotar um olhar mais distanciado e trabalhar em uma escala que parte do governo federal e chega até a administração das Universidades, em especial a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Este método é possível ao observarmos discursos cotidianos sobre alinhamentos em diferentes esferas do poder quanto as suas formas de atuação. Devemos começar pelo óbvio: a constatação do custo de milhares de vidas pela incompetência do governo federal, pelo negacionismo científico e principalmente, pela perseguição aos cientistas. Seguem tentando interferir na autonomia das Universidades Federais, desqualificam o trabalho de institutos sérios, contingenciam verbas para pesquisas. O caso do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nos servirá como exemplo. O constrangimento de Ricardo Galvão, a frente do INPE, é parte das arbitrariedades constantes de um governo sem qualquer plano eficaz para o Brasil no combate ao desmatamento na Amazônia. Mas também sem qualquer eficácia nas ações de combate a pandemia de COVID 19. Se foram desenvolvidos respiradores na Paraíba e em São Paulo, se as Universidades, Fundações e Institutos trabalharam constantemente em pesquisas na tentativa de conhecer e desenvolver formas de combate ao Coronavírus, tudo isto foi feito na contramão das ações do governo federal.

Descendo na escala, chegamos em março de 2021 testemunhando governos estaduais e municipais pressionando professores e comunidade pela volta às aulas presenciais. Sabemos que as crianças podem transmitir o vírus para familiares e mesmo aos educadores com este retorno, mesmo que a escola tente assegurar as condições ideais de imunização, o risco é alto e os resultados já são públicos:

  • “Professora da rede estadual é a primeira vítima da COVID-19 na volta às aulas em São Paulo”
  • “Professores denunciam 209 casos de COVID-19 na volta às aulas. Doria fecha sete escolas”
  • “ Com nove professores do IFAM mortos pela COVID, docentes querem aula só após a vacina”
  • “ Após 12 dias internado, professor morre em decorrência da COVID-19”.
  • “Vocês vão mandar suas crianças de volta para as aulas?”
  • “No Amazonas 64 professores morreram de COVID-19 desde janeiro, diz Sinteam”.

No caso de São Paulo, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), responsabiliza a gestão de Doria e o secretário de Educação pela morte da professora Maria Tereza Miguel de 32 anos. Mesmo com denúncia de salas pouco ventiladas, álcool gel vencido e outras irregularidades, as aulas foram iniciadas. Observação importante: a presença dos alunos não é obrigatória. Mas a obrigatoriedade está posta para os professores.

Chegamos ao terceiro momento deste texto. Nas palavras do ex secretário municipal da educação de São Paulo, Alexandre Schneider, “é preciso haver diálogo entre os governantes e quem está no chão da escola”. Esta recomendação poderia ser útil para a definição dos calendários acadêmicos em cada instituição de ensino superior no país, observando singularidades e recursos. A maioria delas adotou o ensino remoto, com disciplinas e equipamentos. Mesmo existindo um consenso sobre as dificuldades de acesso, avaliação e questões pedagógicas específicas desta modalidade remota, também existem muitas críticas. Dentre elas, as condições de trabalho docente.

Temos visto docentes adoecendo pelo excesso de trabalho, pelas reuniões de planejamento, pelas pressões para seguir produzindo durante a pandemia. No caso da Uenf, vivemos um caso exemplar das formas de precarização e desumanização que atingem a Ciência e Educação no Rio de Janeiro. Depois de um ano experimental, docentes decidiram em seus colegiados, adotar medidas já em vigor nas demais Universidades. Avaliação por nota e frequência. O que poderia ser um tema de exercício de diálogo e fortalecimento dos laços internos, se transformou em uma arena de “cancelamentos” e insultos públicos. O resultado disto é uma exposição lamentável da Universidade nas redes sociais como se a tragédia envolvendo uma pandemia não fosse o suficiente.

Observamos em vários momento que o descumprimento dos ritos internos de autonomia dos colegiados (a não nomeação de reitores é só um exemplo), fere de morte a democracia interna das Universidades. O discurso populista que nega o que todos já sabem, torna-se uma forma perigosa de construção da realidade pois o voto perde qualquer efeito jurídico real. Nós já vimos isto na história. Nós sabemos como inicia. E sem dúvida a tragédia consiste nesta repetição meias verdades ad nauseam em redes sociais. É uma forma de rebaixamento de toda comunidade acadêmica. O placar só tem perdedores. O ideal de uma formação crítica e de excelência fica em um horizonte distante.

Um cotidiano exageradamente atribulado

 Docentes nas redes públicas e privadas de ensino tem vivido infortúnios simultâneos: a busca das condições para o domínio de uma modalidade de ensino para a qual não foram preparados, a perda de colegas e familiares, um cansaço constante que gera quadros de ansiedade e depressão e por fim, a total desumanização de seu ofício. No caso da Uenf, a animosidade exposta nas redes sociais como se estivéssemos em uma “vendeta”, explicita os resultados cognitivos acumulados após as jornadas de junho de 2013 e do golpe de 2016. Temos uma geração (ou uma boa parte dela) tomada pelo imediatismo, fascinada por uma forma de comunicação pelas redes e que abre mão das formas de construção participativa (as Assembleias). O mais grave é pensar neste processo de desumanização do docente como parte das formas de administração em voga nos governos Federais (intervenção e destruição da ciência), Estaduais (cortes de salários e ataque aos docentes, lembremos da Bahia) municipais (pressão pela volta presencial das aulas).

Mas que debate deveríamos fazer?

 Para aqueles que sonhavam com a Petrobras no Norte Fluminense ou mesmo com a carreira docente, o debate deveria ser outro. Defender o servidor público é, em minha avaliação como docente com uma década de trabalho na Uenf, a única saída realmente vitoriosa neste momento. Vejam aí os efeitos da propaganda em uma era pós verdade. O que realmente deveria importar é exatamente o que está sob ataque daqueles que são o foco da política pública de educação.

Estas formas de ataque, de insulto, feitas aos docentes seguem a lógica em vigência na era Bolsonaro. A da declaração de Paulo Guedes “o hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita”. Fomos chamados de algo parecido recentemente. Mas o que esperam nossos alunos em um futuro próximo?

Aprofundando esta análise, e concluindo, é o próprio ideal de Ciência que sai ferido de morte quando seus instrumentos são destruídos. Nós, no ensino Fundamental, Médio e Superior vivemos a sala de aula. Trabalhamos utilizando nossos recursos, recebemos alunos que precisam de cestas básicas, acesso a tratamentos diversos, atenção e acolhimento. Em que momento fomos demonizados e em que bases este processo de demonização se sustenta?

Em meio a tantas mortes diárias, projetos contínuos de privatização (como o da Eletrobras), volta do país ao mapa da fome, violência contínua contra as mulheres, desmatamento da Amazônia e morte de indígenas, as instituições de ensino poderiam ter como vitória a construção do Brasil que queremos. No caso da Uenf, fundada por Darcy Ribeiro, não é uma opção, é uma obrigação. Do contrário, o que vemos são apenas pequenas vitórias na derrota. Nós professores, já vimos tempos piores e melhores. E por isto, a despeito das tentativas de destruição da nossa categoria, seguimos fortes. E lutaremos pela manutenção de vidas, aguardando a derrota do projeto destes governos em todas as suas escalas. Todas.

Dedico este texto ao professor de Geografia Celso Roth, 40 anos, vítima da COVID-19, professor da Escola Municipal Camilo Alves, Esteio, Rio Grande do Sul. Assim como ele, professores que não possuíam comorbidades, pressionados ao retorno para sala de aula, vieram à óbito nestas semanas.

*Luciane Soares da Silva é é docente da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Uenf), onde atua como chefe do Laboratório de Estudo da Sociedade Civil e do Estado (Lesce), e também participa da diretoria da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf).