A crise da UENF e o silêncio obsequioso dos seus principais colegiados

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Muito tem sido questionado sobre a validade da greve que professores e servidores técnico-administrativos estão realizando na Universidade Estadual do Norte Fluminense para cobrar seus direitos trabalhistas e o fim da asfixia financeira que o (des) governo Pezão vem impondo à instituição.

Entretanto, pouco ou nada se fala sobre a inoperância política dos principais órgãos colegiados que regem a vida da Uenf, especialmente o Conselho Universitário (Consuni) que vem a ser o seu órgão máximo de deliberação.

Para mostrar o contraste entre crises anteriores e o comportamento do Consuni frente ao que está acontecendo agora, posto abaixo uma declaração pública que foi publicada em Outubro de 1999 quando houve uma sinalização de que o então governador Anthony Garotinho iria acabar com a Secretaria Estadual da Ciência e da Tecnologia (SECTEC).

consuni

Após a mobilização das universidades estaduais, o plano de fechamento não foi levado à frente e o processo de financiamento da ciência e tecnologia continuou fluminense passando por dentro da SECTEC.

Esse contraste entre comportamentos passados e presentes precisa ser imediatamente diminuído, mesmo porque a crise atual que foi causada pelo (des) governo Pezão e ameaça a sobrevivência das universidades estaduais e até da FAPERJ é muito mais grave do que qualquer outra que vivemos no passado.

A questão que se coloca é até quando os chamados “colegiados superiores” da Uenf vão continuar em seu silêncio obsequioso e paralisia política frente aos ataques do (des) governo Pezão. A ver!

Notícias da Aduenf: Professores mantém greve para continuar luta de defesa da UENF

Greve dos professores continua na UENF

Em assembleia realizada na tarde desta 5a. feira (21/09), os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) avaliaram a situação causada pela falta do pagamento dos salários de Agosto e da inexistência de soluções para a questão  da asfixia financeira causada na universidade pelo governo Pezão.

Após quase duas horas de discussões, a decisão da maioria dos presentes foi pela manutenção da greve e a realização de ações políticas para informar a população e pressionar o governo Pezão. O placar final nesta votação foi de 64 a favor, 24 contrários e 4 abstenções.

assembleia aduenf
Uma das atividades aprovadas foi a participação no Festival Doces Palavras que está ocorrendo no Jardim do Liceu de Humanidades até o próximo dia 24/9.

Além disso,  a assembleia também aprovou moções de solidariedade ao povo Mexicano e às populações de países localizados no Mar do Caribe que estão sofrendo com as consequências de terremotos e furações que causaram perdas de vidas humanas e de infraestrutura.

O Comando de Greve se reunirá nesta 6a. feira a partir das 10:00 horas para organizar as próximas atividades do movimento dos professores.

Finalmente, uma nova assembleia será realizada no dia 27/9 para avaliar entre outras coisas a pertinência do movimento de greve.

FONTE: http://aduenf.blogspot.com.br/2017/09/greve-dos-professores-continua-na-uenf.html?spref=fb

Na caçada a Anthony Garotinho, surge o estranho caso da oferta de suborno envolvendo o advogado Luiz Felipe Klem de Mattos

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Quando a gente pensa que já viu de tudo no que se tornou uma verdadeira caçada ao escalpo do ex-governador Anthony Garotinho, novos fatos aparecem para mostrar que as esquisitices parecem não ter fim. Agora, surge o indiciamento do ex-procurador da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, o  advogado Luiz Felipe Klem de Mattos.  Nesse novo desdobramento, o  Luiz Felipe Klem de Mattos é apontado como o portador de uma oferta não concretizada de suborno ao juiz Glaucenir de Oliveira supostamente para evitar a prisão de Anthony Garotinho.

Como o advogado Luiz Felippe Klem de Mattos ainda não foi encontrado para dar a sua versão dos fatos narrados por dois empresários que seriam amigos do juiz Glaucenir de Oliveira sobre esta tentativa de suborno, resta-nos esperar para que ele apareça para depor.

Agora numa dessas curiosidades que cercam a vida numa cidade do interior, eu posso dizer que conheço razoavelmente bem o ex-procurador da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes porque ele foi meu orientando no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf. E por julgar que o quase 2 anos em que interagimos de forma mais próxima na relação orientador-orientando, posso afirmar que estranhei muito essa notícia de que ele seria o porta-voz de uma oferta de suborno, ainda por cima para um juiz. 

Sem querer me alongar demais, posso adiantar que não vejo no ex-procurador da Câmara de Vereadores, o perfil de alguém que deseje afrontar um juiz com uma oferta de suborno para impedir uma prisão. Uma das razões para isso é que o advogado  Luiz Felippe Klem de Mattos tem aspirações profissionais que seriam abatidas sem apelação caso essa denúncia fosse comprovada. E por ele prezar o seu escritório de advocacia e seus sócios é que acho essa história meio rocambolesca.

Aliás, no último período da duração da nossa relação orientador/orientando, o advogado Luiz Felippe Klem de Mattos estava tão assoberbado com o processo de intervenção na empresa Pátio Norte que me parece meio esquisito que ele ainda arrumasse tempo para se envolver numa empreitada tão esquisita como a que está sendo atribuída a ele.

Por último, há que se mencionar que essa tentativa de suborno atribuída a Anthony Garotinho sequer bate com seu perfil que é de entrar em choque primeiro para depois ver se há espaço para negociar.

Enfim, agora vamos esperar para ver que novidades surgem nesse caso. E como diriam William Shakespeare… “and the plot thickens“.

Encruzilhadas da Uenf: Reitor poeta encontra deputado condenado para pedir emenda parlamentar

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Inicialmente quero deixar claro que não me oponho de forma irracional a que se busque apoie no parlamento para a obtenção de verbas para o funcionamento das universidades públicas que vivenciam hoje cortes profundos em seus orçamentos.   Mas, por outro lado, há que se ter algum tipo de critério mais abrangente de quem são os parlamentares a quem se deve procurar para pedir apoio para que não se fique dando palanque para quem rotineiramente contribui para aprofundar o projeto de destruição dessas mesmas universidades.

Digo isso para adiantar minha quase perplexidade em relação à divulgação de um compromisso obtido pelo reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) junto ao deputado federal Paulo Feijó (PR) para que o mesmo proponha uma emenda parlamentar que garanta a aquisição de painéis fotovoltaicos  a serem colocados nos telhados dos prédios para a geração de energia elétrica [1].

deputado reitor

A primeira observação sobre Paulo Feijó é que em todos os quase 20 anos em que estou na Uenf, o deputado jamais teve a preocupação de sequer visitar o campus Leonel Brizola para saber das contribuições que a universidade poderia oferecer para um projeto estratégico de desenvolvimento para o Norte e Noroeste Fluminense, regiões de onde ele tem sua base eleitoral.

Em segundo lugar, Paulo Feijó é um daqueles casos peculiares de parlamentares que continuam cumprindo seus mandatos em que pesem condenações na justiça. No caso em particular de Feijó, a acusação pela qual foi condenado pelo Superior Tribunal Federal (STF) se refere ao escândalo conhecido como “máfia dos sanguessugas”, revelado em 2006., onde foi verificado que dezenas de parlamentares destinavam verbas do orçamento federal para compra de ambulâncias e equipamentos médicos superfaturados, levando propina desviada por prefeituras [2]. Aliás, há que se frisar que além de condená-lo a uma  pena de 12 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, o STF ainda decretou a perda do seu mandato.  

Disso decorre que é no mínimo questionável que o reitor de uma universidade pública como a Uenf aparentemente não veja nenhum problema em apresentar um pedido de emenda parlamentar a um deputado que sequer se sabe estará no cumprimento do mandato em 2018, e sabe-se bem por quais motivos.

Depois ainda tem gente que não entende porque é tão difícil incutir em nossa população que devemos primar nossas ações por parâmetros claramente éticos quando se trata de manejar os bens públicos. Mas esperar o que de um reitor que, como já vaticinou Romário pensando em Pelé, calado é um poeta.


[1] http://www.uenf.br/dic/ascom/2017/09/18/informativo-da-uenf-18-09-17/

][2] https://g1.globo.com/politica/noticia/stf-condena-deputado-paulo-feijo-e-decreta-perda-de-mandato-cabe-recurso.ghtml

Folha de São Paulo publica matéria sobre situação catastrófica das universidades estaduais do RJ

Com a assinatura da jornalista Sabine Righetti, a Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria contundente sobre a catastrófica situação em que se encontram as universidades estaduais.

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Além de mostrar o drama pessoal de servidores que tiveram que se endividar por causa dos atrasos salariais, a matéria aborda ainda a condição crítica das instalações onde faltam verbas até para a compra de lâmpadas e recolhimento do lixo.

Em uma definição que considero bastante apropriada, as universidades estaduais do Rio de Janeiro a um navio em cruzeiro que, mesmo sem combustível novo, segue em movimento por inércia.  Para mim é exatamente isso que está acontecendo, e o pior é que de uma hora para outra navios que se encontram nessa condição acabam afundando.

Por isso que considero que a greve em curso na Universidade Estadual do Norte Fluminense tão necessária quanto justa. É que se não houver o devido processo de insurgência contra a política de destruição do (des) governo Pezão, 

Quem desejar acessar e ler a matéria escrita por Sabine Brighetti, basta clicar [Aqui!].

O reitor da Uenf e o vaticínio de Romário sobre Pelé

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Acabo de ler declarações dadas pelo reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf),  professor Luís Passoni, ao jornal Folha da Manhã que me fazem lembrar o Romário que disse um dia que o Pelé calado era um poeta.

Por quê? Vejamos a frase que mais me chamou atenção nas falas do reitor da Uenf contidas na matéria intitulada com o sugestivo título de “Quando acabará a greve na Uenf? [1]:

__”Diante desse cenário, a greve como instrumento, embora seja legítima e tenha funcionado bem em outros momentos, nesse momento, fragiliza a universidade”. 

De quebra, o reitor que foi eleito com a promessa de respeitar e ser transparente ainda tascou a seguinte pérola:

___”Então, nesse momento, a gente faria melhor se estivesse buscando manter as atividades acadêmicas e aproveitando esse espaço para discutir também a questão dos rumos que o país está tomando”.

Vamos por partes:

Em minha modesta opinião, o que mais fragiliza a Uenf neste momento é a incapacidade que a reitoria vem demonstrando de apresentar soluções estratégicas para a asfixia  financeira que vem sendo imposta pelo (des) governo Pezão. Por isso, utilizar o espaço dado pela Folha da Manhã e não mencionar o nome do Pezão uma vez sequer aponta uma clara capitulação política e a aceitação das políticas neoliberais que o reitor diz querer combater com uma volta às aulas em condições extremamente precárias.

 Aliás, a reitoria da Uenf não tem conseguido resolver questões básicas como a da segurança e a iluminação do campus no período noturno, por exemplo.  É que as prometidas condições mínimas que o reitor fez em ofício até hoje não se materializaram, e os assaltos e furtos se avolumando no perímetro externo do campus.  Como somos sortudos, ninguém ainda foi morto do lado de fora da Uenf.

 Fico sinceramente intrigado com insistência de se manter as atividades acadêmicas e aproveitando esse espaço para discutir também os rumos que o país está tomando. Se o reitor tivesse se dado ao trabalho de comparecer às rodas de conversa ou ao seminário “Autonomia universitária e o futuro da Educação Fluminense” que a Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) realizou na última 5ª. feira, ele saberia que o movimento docente já está fazendo isso, agregando um grande número de professores em discussões de grande profundidade.  Em outras palavras, o reitor da Uenf já perdeu o bonde e ainda não se apercebeu. Mas querem saber, problema dele e não meu.

seminário

Por outro lado, essa insistência toda em terminar com a greve dos professores me parece merecer uma análise mais profunda sobre a que interesses realmente serve. E certamente não são os interesses estratégicos da Uenf. Passamos o semestre passado dando aulas em condições sofríveis de segurança e limpeza, e não vi a reitoria aproveitando o funcionamento normal para qualquer discussão qualificada. Aliás, afinal o que discutem os colegiados desta universidade? Para que tem servido o Conselho Universitário que nem uma mísera nota soltou após quase 2 anos sem verbas de custeio?

Aliás, o que reitor da Uenf deveria mesmo é praticar o lema da campanha que o elegeu e começar a ser transparente e respeitoso, coisa que não tem sido. Se começasse por aí, já teríamos uma grande evolução. Mas querem saber, já não deposito muita expectativas de que teremos o cumprimento de um compromisso que considero básico de uma campanha pela qual trabalhei.

Tenho a dizer que o processo político que foi deflagrado pela decretação da nossa atual greve não tem como ser retrocedido, mesmo que a reitoria consiga o número de votos para encerrar o movimento em nossa próxima assembleia. É que muita gente já acordou para o fato de que só fazendo discussões densas e mais qualificadas conseguiremos sair deste labirinto em que fomos colocados pelo (des) governo Pezão. E isso a  Aduenf vem fazendo com grande sucesso.  

E é por acreditar na capacidade de elaboração que está sendo possibilitada a partir das ações elaboradas pela diretoria e pelo comando de greve da Aduenf,  dos quais tenho a honra de ser membro, no interior do processo de greve que tenho certeza que vamos vencer a batalha e impedir a privatização da Uenf pelo (des) governo Pezão.

Finalmente,  é por isso que eu digo, lembrando de Romário, que o reitor da Uenf calado é um poeta.


[1http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/09/geral/1224822-quando-acabara-a-greve-na-uenf.html

Para entender de vez os danos que estão sendo impostos pela asfixia financeira da UENF. O caso do radar meteorológico

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A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf) está produzindo uma série de vídeos para mostrar os graves prejuízos que estão sendo causados pelo (des) governo Pezão na capacidade da universidade de gerar conhecimento científico com forte impacto social e econômico.

Pois bem, posto abaixo o último destes depoimentos que é o oferecido pela chefe do Laboratório de Meteorologia (Lamet) da Uenf, profa. Maria Gertrudes Justi. Nesse vídeo a professora Justi fala da inviabilização objetiva da rede de radares meteorológicos que foi montado para prever com a qualidade e com a antecedência suficiente a ocorrência de eventos climáticos intensos como aquele que destruiu da parte da região Serrana em 2011.

O importante deste depoimento é que ele nos mostra que ao desfinanciar a Uenf e outros órgãos públicos como o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o que o (des) governo Pezão está fazendo é impedir que soluções para questões urgentes sejam geradas.

E que se lembre o fato de que neste momento o Rio de Janeiro está sendo desprovido de ferramentas fundamentais para a previsão de futuras crises, inclusive climáticas, ao se sucatear as universidades estaduais.