UENF: O que está em jogo?

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Por Douglas Barreto da Mata

Quem observa a universidade de um ângulo externo, e quem tem um pouco de apreço pelo que olha (eu tenho), não pode deixar de admitir que, qualquer que seja a escolha eleitoral da comunidade de lá, o que está em jogo é a própria sobrevivência da universidade… Não falo de sua estrutura formal, institucional, porque isso vai continuar, de um jeito ou de outro, como veio até aqui aos trancos e barrancos, como diria Darcy Ribeiro, em um título de um de seus saborosos livros…

Porém a  Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) não é um mero depósito de burocracias, trejeitos administrativos, e egos inflados e outros tantos frustrados…

A UENF nasceu para ser um farol civilizatório, um presente, por assim dizer, no meio da planície de uma das terras mais planas do Brasil, geográfica e intelectualmente falando, e depositária de um conservadorismo violento, tosco e arrogante, como poucos.

Não é demais lembrar que aqui a escravidão sobreviveu por anos após a abolição, e persiste até hoje, miseravelmente na mesma atividade econômica: a monocultura de cana…

Aqui, a luz elétrica que primeiro chegou iluminou pouquíssima gente…

Na terra chata, as usinas incineravam presos políticos, enquanto seus proprietários circulavam na cafonice indigente chamada de “colunismo social” (ou colonismo social), um tipo de subjornalismo de costumes que alcançou relevância no Brasil.

Enfim, nessa terra de bárbaros, economicamente decadente, que torrou 30 bilhões de reais sem que houvesse qualquer alteração estrutural na desigualdade social que a coloca ao lado de países africanos, a eleição da UENF é um momento de suma importância…

Quem olha hoje não pode dizer que a UENF se encontra em boas mãos…

A UENF hoje é só um amontoado de ressentimentos, futricas administrativas e produção intelectual e científica abaixo da média…

Se Cuba queria se vingar pelo péssimo tratamento dado aos seus médicos pela elite caipira brasileira, conseguiu, pelo menos, na tribo dos sociopatas de SW4.

Não posso afirmar que o professor Carlão será um reitor como eu espero…conheço alguns de seus posicionamentos políticos, e comungo com parte deles, ao mesmo tempo que compartilho com ele um grande amigo, Marcos Pedlowski.

Só o tempo dirá se ele é capaz de liderar a universidade em tamanha tarefa…

Por outro lado, sei que a manutenção do atual grupo na reitoria NÃO É OPÇÃO, a não ser que se opte pela eutanásia da universidade…

Eu tenho certeza, no entanto, que Carlão vai tornar a UENF aquilo que ela nasceu para ser:

Insubmissa, porque afinal, fazer ciência não é achar respostas (isso qualquer algoritmo já faz), mas saber fazer as perguntas certas…


*Douglas Barreto da Mata é Inspetor da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

No momento decisivo das eleições da reitoria da UENF, Flávio Serafini declara seu apoio à chapa Carlão e Daniela

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Em uma campanha marcada por seguidas tentativas de desqualificar a trajetória acadêmica e política dos professores Carlos Rezende e Daniela Barros, a verdade é que eles têm conseguido demonstrar que possuem a devida capacidade para reinserir a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) dentro dos circuitos científicos e políticos. 

Uma demonstração disso é a declaração de apoio do professor e deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) que coloca com clareza vários aspectos importantes da ação política desenvolvida por Carlos Rezende em prol dos segmentos que compõe a comunidade universitária da Uenf, a começar pelas demandas estudantis (ver vídeo abaixo).

Como bem explica Serafini, Carlos Rezende tem sido um parceiro importante na formulação de projetos de lei que buscam ampliar a base de sustentação para que seja possível manter estudantes pobres dentro de uma universidade pública. 

Com esse tipo de testemunho fica evidente que os componentes da chapa 30 possuem uma trajetória que os torna capazes de impulsionar a Uenf para tempos melhores do que temos vivido nos últimos 8 anos.

Esgoto jorrando ao lado do Restaurante Universitário explicita necessidade de mudança na Uenf

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Há alguns dias li em um perfil no Instagram que os estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) estavam reclamando do odor de esgoto ao acessarem o Restaurante Universitário para fazer as suas refeições diárias.  Como trabalho em frente, dei uma rápida passada pelas laterais do RU e confirmei que realmente ali havia um leve cheiro de esgoto.

Mas hoje quase cai para trás quando retornava de uma visita ao posto do Bradesco que existe dentro do campus Leonel Brizola e verifiquei que parte do bosque de ipês que existem no caminho estava inundada com algo que parecia esgoto. Alguns passos após, me defrontei com uma dessas cenas que não se esperava ver em um campus universitário e logo ao lado do local onde a comunidade universitária faz suas refeições diárias (ver vídeo abaixo).

O mais problemático é que estando o campus Leonel Brizola localizado praticamente às margens do Rio Paraíba do Sul, todo esse esgoto que transbordava das estruturas de coleta certamente achará seu caminho para a calha fluvial, lançando ali sabe-se que tipo de rejeitos (não necessariamente apenas orgânicos).

Esta situação vai totalmente de encontro à narrativa da chapa apoiada pela reitoria da Uenf nas eleições que irão ocorrer nos dias 16 e 19 de setembro próximos. Quem ouve os candidatos da chamada chapa 10 falando pode ficar com a impressão que a Uenf efetivamente chegou ao Terceiro Milênio da forma que Darcy Ribeiro almejava.

A verdade é que o esgoto que jorra de forma descontrolada no vídeo acima é um testemunho perfeito da condição caótica em que a atual administração liderada pelos professores Raul Palacio e Rosana Rodrigues colocaram a Uenf.  O fato inescapável é que a propaganda eleitoral da chapa 10 não corresponde à realidade cotidiana.

E tampem seus narizes aqueles que forem se alimentar no Restaurante Universitário da Uenf.

A partir das redes sociais, onda de fake news assombra as eleições para a reitoria da Uenf

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Abre o pano… Para quem acha que o uso das redes sociais para espalhar mentiras e falsidades sobre candidatos é coisa de eleições paritidárias, pense de novo. É que a tática das “fake news” está sendo usada a todo vapor para tentar colocar a chapa de oposição à atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) como uma espécie de bicho papão cuja eleição resultaria em uma série de retrocessos em uma série de melhorias que foram obtidas a partir de um longo processo de lutas.

Entre as coisas que seriam afetadas estão as bolsas acadêmicas e o restaurante universitário, as quais, segundo as “fake news”, seriam encerradas pelo professor Carlos Eduardo de Rezende, candidato a reitor pela chapa de oposição, caso ele seja eleito.

O interessante é que, ao longo dos seus 30 anos de trabalho dentro da Uenf, Carlos Rezende se notabilizou por participar de esforços na obtenção e garantia desses benefícios. Bastaria olhar para documentos e imagens de mobilizações passadas para verificar que o professor Rezende sempre esteve ao lado de quem lutava pelas melhorias que os propagadores de fake news dizem que ele irá acabar, caso seja eleito. Para fazer esses boatos caírem por terra, bastaria verificar documentos e discursos públicos para verificar que os mesmos não passam de mentiras cabeludas.

A situação chegou a tal ponto que o professor Rezende teve que produzir uma série de vídeos para explicar que não pretende fazer o que as “fake news” dizem que ele está pretendendo fazer, caso seja eleito. Mas a força das “fake news” é justamente essa. Fala-se coisas na surdina dentro das redes sociais e elas ganham aspecto de legitimidade, e passam a ser consideradas como verdade por quem é contaminado pelas mentiras espalhadas. E o pior é que “fake news” são como papel picado jogado do teto de um arranha-céu em dia de ventania. Pode-se até pegar parte dele de volta, mas sempre sobrará algum circulando.

Alguém poderia dizer que é surpreendente que em uma universidade pública, isto possa ocorrer. Eu diria que, como as eleições dentro da Uenf não ocorrem fora das disputas políticas existentes fora de suas cercas, não há absolutamente nada de surpreendente nisso.  Aliás, o contrário é que seria surpreendente, já que faz tempo que a reitoria da instituição age como se fosse uma espécie de partido político, agindo por fora dos colegiados superiores da instituição como isso fosse a coisa mais natural do mundo (o caso da reforma do prédio que abriga Arquivo Público Municipal é um belo exemplo disso).. 

Agora, como já foi demonstrado em eleições partidárias, não é difícil se chegar à fonte (ou fontes) de “fake news”. Assim, uma contribuição que a chapa de oposição encabeçada por Carlos Rezende e Daniela Barros seria identificar essa fonte (ou fontes) para que a comunidade universitária da Uenf possa ser informado sobre quem está produzindo essas mentiras. Do contrário, teremos não apenas uma inevitável mácula no processo eleitoral, mas como também estará se legitimando ainda mais o uso de “fake news” como instrumento de disputa eleitoral. É que se na universidade criada por Darcy Ribeiro esse método pode ser usado de forma impune, o que dizer das eleições para cargos públicos?

Uma curiosidade final: não há notícia de ações semelhantes de difusão de “fake news” em relação à chapa que tem o apoio público da reitoria da Uenf. Fecha o pano…

Uenf abre Concurso Público na área de Matemática

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Na região do Rio de Janeiro, a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF – RJ) informa sobre a abertura das inscrições para um novo Concurso Público, com o intuito de contratar professores associados em Campos dos Goytacazes.

De acordo com o edital em questão, estão disponíveis duas vagas para docentes nas seguintes áreas: Matemática Pura, Matemática Aplicada, Estatística ou Educação Matemática (1 vaga); Educação Matemática (1 vaga).

Para ser um candidato, é necessário possuir formação completa em nível superior, além de mestrado ou doutorado nas áreas específicas mencionadas.

Os profissionais selecionados receberão uma remuneração inicial de R$ 10.253,69, correspondente a uma jornada de trabalho semanal de 40 horas para a realização das atividades designadas.

O período de inscrições teve início em 12 de julho e permanecerá aberto até 9 de setembro de 2023. As inscrições podem ser realizadas pessoalmente, por procuração ou via postal no Protocolo da Reitoria da UENF, localizada na Av. Alberto Lamego nº 2.000, Prédio E-1, Térreo, Parque Califórnia, Campos dos Goytacazes, no horário das 13h às 15h. A participação requer o pagamento de uma taxa no valor de R$ 120,00, que deve ser efetuado no Banco do Bradesco.

A avaliação dos candidatos ocorrerá em três fases distintas: prova escrita, prova didática e análise de títulos. Essas etapas estão programadas para serem conduzidas na Sala 107 do prédio CCT, localizado na Av. Alberto Lamego nº 2.000, Parque Califórnia, Campos dos Goytacazes.

Este Concurso Público terá uma vigência de dois anos, com a possibilidade de prorrogação por um único período de igual duração, a partir da data de homologação.


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Este texto foi originalmente publicado pela Concursos SC [Aqui!].

No aniversário da Uenf, Agenda Social lança nova edição

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A revista científica “Agenda Social” que é impulsionada pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da UENF (PGPS) acaba de lançar uma nova edição aproveitando o período de celebração dos 30 anos de funcionamento da universidade.

Essa edição traz um interessante artigo de um egresso do PGPS que é atualmente docente do Departamento de Serviço Social da UFF-Campos, o professor Carlos Antonio de Souza Moraes. Esse artigo é basicamente um guia para que futuras pesquisas no campo das políticas sociais que ainda se recupere do virtual processo de desmantelamento que foi realizado desde o golpe parlamentar de 2016 pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Outros artigos da edição versam sobre a questão do acesso à informação no âmbito do parlamento usando o caso da Assembleia Legislativa do Ceará e as contribuições e limites das ideias de Jessé Souza para que se entenda as relações sociais no Brasil.  Finalmente, há uma interessante resenha sobre um livro de Paulo, o “Conscientização: teoria e prática da libertação, uma introdução ao pensamento de Paulo Freire” que foi escrito enquanto o educador ainda estava no exílio que foi lhe imposto pelo regime militar de 1964.

Quem tiver interesse interesse em baixar esta edição da Agenda Social, basta clicar [Aqui!].

O Arquivo e a Universidade em ruínas…

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Por Douglas Barreto da Mata*

O que a decrepitude física e institucional do Arquivo Público Municipal e a atual situação da UENF têm em comum?

Tudo…

Podemos dizer que todo o marasmo intelectual, toda indigência de gestão e de política institucional da UENF pode ser reificada nas ruínas do Arquivo Público…

Não é um acaso…é consequência…

Sempre acompanhei a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) com um misto de admiração e ressalvas…

Sim, ressalvas que tenho a todo centro de produção de conhecimento que extrapola o poder inerente a ele (conhecimento) e cria hierarquias e cânones para, ao invés de democratizar os saberes, aprisioná-los para desfrute de poucos…

Darcy e Brizola sabiam desse perigo, intuíam isso…e criaram um modelo de Universidade que enfrentava a inclinação histórica das universidades à elitização…

Darcy já o fizera (ou ajudara a fazer) na UnB…

Por certo, eu sei que toda sociedade que conhecemos, falo das capitalistas, tende a criar elites econômicas e culturais, certamente…

Não dá para ter uma sociedade só de médicos, engenheiros, ou físicos nucleares…

No entanto, algumas sociedades nos ensinam que é possível dotar pessoas de diferentes graus de instrução, sem tornar essa diferença um abismo social instransponível, e/ou culturalmente hierárquico…

Bem, se você não concordar que existam tais sociedades no mundo, eu vos digo: há, pelo menos nos meus sonhos…

Esse foi o sonho de Darcy e de Brizola, e de tantos outros professores que compartilhavam e compartilham essa visão de mundo, que alguns insistem em chamar de antiquada…

É certo que talvez o sonho deles dois não coubesse no mundo de hoje, mas eu insisto…

O papel de uma universidade não é apenas de formar elites acadêmicas, mas fazer essas elites servirem à tarefa de propor novas formas de sociedade, e não se acomodar dentro delas…

Talvez por esse motivo eu tenha alguma esperança quando veja a candidatura do Professor Dr. Carlos Eduardo de Rezende, mais conhecido como Carlão, a Reitor da Uenf…

Posso falar um pouco da transição da Uenf, quando se libertou da tutela da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte), porque lá estive, na Fenorte, no breve governo Benedita da Silva…

A orientação era clara: livrar a Uenf das amarras, e consolidar um processo de autonomia, que seria ratificado logo em seguida…

Porém, ouso dizer que as distorções criadas pela famigerada fundação deixaram sequelas profundas…

Estas sequelas repercutem hoje, na forma subserviente como cada Reitor se comportou desde então a cada ocupante dos governos estaduais e locais…

Eu sei, eu sei que as questões orçamentárias impõem jogos e acordos políticos, truques e salamaleques…

Porém, a escolha desse caminho como o único, ou seja, do pires nas mãos, do chapéu, ou da latinha de moedas é uma lástima…

A Uenf mendiga porque esqueceu de se tornar relevante ao povo que a cerca…perdeu, digamos, a conexão…

Não falo de populismo, festinhas, convescotes…ou outros aspectos amenos de sociabilidade…

Falo de sintonia política com a sociedade e suas demandas, que às vezes existem, e nem a própria (sociedade) as conhece…

Sem ser arrogante, a Uenf tem que fazer as perguntas que ninguém quer fazer, propor caminhos que ninguém quer tomar, deixar de ser apenas uma entidade burocrática de titulação, ou de produção de conhecimento-umbigo-ambíguo…

Podemos dizer hoje que a Uenf está em situação pior que o Arquivo Público Municipal…

A Uenf, como idealizada por Darcy e Brizola, morreu…

Esse ciclo de poder que revezou lideranças medíocres e ambiente acadêmico tóxico, disputas mesquinhas e corporativas matou a Uenf…

A Uenf é hoje uma universidade que poderia ter João Dória ou Bolsonaro como reitor, ninguém sentira a diferença…

Que venha a nova Uenf com Carlão…

*Douglas Barreto da Mata é Inspetor da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Em seus 30 anos, a Uenf se defronta com imensos desafios e oportunidades

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Em junho de 2001, Leonel Brizola visitou o campus da Uenf para apoiar a luta pela nossa autonomia frente à hoje extinta Fenorte

Hoje teremos os festejos na data que foi escolhida para marcar o início formal das atividades da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  O aniversário de hoje é o trigésimo, e a efeméride será marcada com pompa e circunstância. Como alguém que chegou na Uenf em 1998, penso que essa jovem instituição se encontra, apesar da festa, em um momento crucial da sua existência, na medida em que atravessamos um longo inverno que tem sido marcado por um retração nas ambições intelectuais que foram impressas por Darcy Ribeiro no modelo institucional revolucionário que ele criou,

Mas também vejo uma enorme possibilidade que exatamente no ano em que completamos 30 anos, a Uenf possa ter um dos seus fundadores assumindo o cargo de reitor. A questão aqui é que precisamos retomar rumos que foram sendo paulatinamente abandonados, muitas vezes sob o silêncio de quem sabe que os rumos estão errados.  E para isso, ninguém melhor do que um dos que chegou em Campos dos Goytacazes para fincar raízes e transformar em realidade aquilo que Darcy idealizou.

Apesar dos dissabores e contratempos, sou daqueles que acha que a Uenf pode sim estar à altura do que foi sonhado por Darcy Ribeiro.  E o que Darcy sonhou não era e nunca será simples, pois ele delegou à Uenf um papel de transformação radical da realidade social e econômica vigente no Norte e no Noroeste Fluminense.  Essa transformação passava inclusive pela formação de profissionais que não seriam apenas excelentes tecnicamente, mas que também precisariam entender a necessidade de se ter uma consciência cidadã.  Mas que fique claro: Darcy com sua mente inquieta queria uma universidade que se desse como tarefa principal intervir nas abjetas condições sociais e econômicas em que a maioria do nosso povo vive.

Tenho plena consciência de que atravessamos uma transformação geracional na forma de produzir e assimilar conhecimento, onde as novas gerações estão expostas a tecnologias que eu só via nos filmes e desenhos de ficção enquanto ainda engatinhava nos meus primeiros anos de graduação na UFRJ. Esse contato é uma espécie de benção e maldição, já que acesso a essas tecnologias exige também foco para que a imensa potencialidade que elas trazem não se percam. Lamentavelmente, a Uenf não está hoje preparada para ampliar essa benção.

Entretanto, para vencer fazer a Uenf avançar no terreno em que Darcy Ribeiro preparou, vamos precisar mais do que fazer nossos estudantes se tornarem mais aptos a usar as potencialidades que as novas tecnologias fornecem.  É que dois dos piores obstáculos que qualquer instituição universitária vivencia atualmente  é a preguiça intelectual e a inaptência para novos desafios. Nesses quesitos é que a próxima reitoria vai ter que defrontar de forma efetiva ou será engolida pela mesmice que hoje reina de forma abundante. A verdade é que passada a festa de hoje, nos restará superar a imensa ressaca intelectual que se abateu sobre a Uenf, muito em um função de uma liderança que sequer entende a magnitude dos desafios que temos que continuar enfrentando para estarmos minimamente preparados as transformações que se avizinham, a começar por vivermos em um mundo assombrado pelas mudanças climáticas.

Quero dizer que realidade em que estamos é muito complexa, mas se olharmos com um mínimo de atenção o que os fundadores da Uenf deixaram como testamento intelectual, tenho confiança de que poderemos ser a instituição que eles idealizaram.

Longa vida à Uenf de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola!

Começa a campanha eleitoral na Uenf e, desde já, declaro meu apoio para a chapa “Carlos Rezende e Daniela Barros”

Na manhã desta 6a. feira (11/8), o Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) homologou a inscrição de duas chapas para as eleições que ocorrerão em primeiro turno no mês de setembro.  Prontamente, estou declarando meu apoio integral à chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende, professor do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) e Daniela Barros, professora associada do Laboratório de Tecnologia de Alimentos do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA).

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Os motivos da minha decisão são muitos, mas o principal é que no momento em que a instituição completa 30 anos, estamos necessitando de um novo rumo após quase 8 anos “sob mesma direção”. E o problema não é apenas mudar por mudar, mas sim porque precisamos recolocar a Uenf dentro de princípios que acredita foram completamente abandonados, a começar pela desvalorização do processo de produção de conhecimento científico, incluindo a formação de nossos alunos de graduação.

Além disso, a forma com que a atual reitoria da Uenf tratou seus colegiados superiores que passaram a ser meros apêndices de decisões já tomadas, em vez de serem os centros de formulação de ações estratégicas para aprofundar a inserção e a contribuição da instituição no processo de desenvolvimento regional. 

O fato é que além de ser um cientista de nível internacional, o professor Carlos Eduardo de Rezende possui uma longa trajetória institucional, a começar por sua participação nos grupos de trabalho liderados por Darcy Ribeiro nos quais se formulou o projeto institucional revolucionário que permitiu à Uenf crescer tanto e tão rápido, e pautada por altíssimos padrões de excelência acadêmica.  Mas como alguém que sempre demonstrou estar pronto para aprender algo novo,  o professor Carlos Eduardo Rezende também contribuiu para a consolidação da associação de docentes da Uenf (Aduenf) onde participou em diferentes cargos, sempre com uma predisposição para o diálogo franco e direto.

Quero ainda dizer que a companheira de chapa, a professora Daniela Barros, é uma docente que se caracteriza não apenas por estar presente no ensino e na pesquisa, mas também se revelou ao longo do tempo uma liderança institucional que é capaz de dialogar e escutar, algo que efetivamente tem faltado aos que dirigiram a Uenf nos últimos ciclos administrativos (2016-2023).

Informo que ao longo da campanha eleitoral, estarei divulgando informações no sentido de demonstrar a correção e a urgência de eleger Carlos Rezende e Daniela Barros para liderarem a Uenf no ciclo 2024-2027.  É que estando na instituição desde janeiro de 1998, me preocupa muito a condição em que nos encontramos neste momento, o que reforça a necessidade de novos rumos na nossa reitoria. Como conheço o professor Carlos Rezende há mais de quatro décadas, e assisti à sua impressionante trajetória pessoal e científica, é com ele e a professora Daniela que penso estaremos melhor servidos para enfrentarmos os duros desafios que estão diante de nós.

Reforma do Arquivo Municipal, será que agora vai?

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Esta segunda-feira (07/8) ficará marcada em Campos dos Goytacazes pela publicação no Diário Oficial do estado do Rio de Janeiro do despacho do reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que contrata, com dispensa de licitação, a empresa Technische Engenharia e Consultoria por “módicos” R$ 349.500,00 para, entre outras coisas, elaborar o projeto técnico da reforma do prédio do Arquivo Municipal (ver imagem abaixo).

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Mesmo para os mais cínicos e desconfiados, a publicação deste despacho deverá ser servir para algum alívio em face da extensa demora de se chegar a este primeiro, mas importante, passo para se impedir que o telhado do prédio histórico que abriga o Arquivo Municipal venha abaixo no futuro.

Para ampliar o otimismo, há que se ntoar que Technische Engenharia e Consultoria está localizada a poucos metros do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o que pode até por contemplação servir como inspiração aos seus profissionais para elaborar um projeto técnico que responda aos desafios postos no Solar do Colégio.

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As questões que permanecem são basicamente três: será que as obras começam antes das próximas chuvas de verão?, e b) o setor de engenharia da própria Uenf teve algum tipo de participação na elaboração do projeto que resultou na contratação da Technische Engenharia e Consultoria? E a última e fundamental questão: se era para fazer com dispensa de licitação, por que só se fez agora?