No aniversário da Uenf, Agenda Social lança nova edição

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A revista científica “Agenda Social” que é impulsionada pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da UENF (PGPS) acaba de lançar uma nova edição aproveitando o período de celebração dos 30 anos de funcionamento da universidade.

Essa edição traz um interessante artigo de um egresso do PGPS que é atualmente docente do Departamento de Serviço Social da UFF-Campos, o professor Carlos Antonio de Souza Moraes. Esse artigo é basicamente um guia para que futuras pesquisas no campo das políticas sociais que ainda se recupere do virtual processo de desmantelamento que foi realizado desde o golpe parlamentar de 2016 pelos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Outros artigos da edição versam sobre a questão do acesso à informação no âmbito do parlamento usando o caso da Assembleia Legislativa do Ceará e as contribuições e limites das ideias de Jessé Souza para que se entenda as relações sociais no Brasil.  Finalmente, há uma interessante resenha sobre um livro de Paulo, o “Conscientização: teoria e prática da libertação, uma introdução ao pensamento de Paulo Freire” que foi escrito enquanto o educador ainda estava no exílio que foi lhe imposto pelo regime militar de 1964.

Quem tiver interesse interesse em baixar esta edição da Agenda Social, basta clicar [Aqui!].

O Arquivo e a Universidade em ruínas…

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Por Douglas Barreto da Mata*

O que a decrepitude física e institucional do Arquivo Público Municipal e a atual situação da UENF têm em comum?

Tudo…

Podemos dizer que todo o marasmo intelectual, toda indigência de gestão e de política institucional da UENF pode ser reificada nas ruínas do Arquivo Público…

Não é um acaso…é consequência…

Sempre acompanhei a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) com um misto de admiração e ressalvas…

Sim, ressalvas que tenho a todo centro de produção de conhecimento que extrapola o poder inerente a ele (conhecimento) e cria hierarquias e cânones para, ao invés de democratizar os saberes, aprisioná-los para desfrute de poucos…

Darcy e Brizola sabiam desse perigo, intuíam isso…e criaram um modelo de Universidade que enfrentava a inclinação histórica das universidades à elitização…

Darcy já o fizera (ou ajudara a fazer) na UnB…

Por certo, eu sei que toda sociedade que conhecemos, falo das capitalistas, tende a criar elites econômicas e culturais, certamente…

Não dá para ter uma sociedade só de médicos, engenheiros, ou físicos nucleares…

No entanto, algumas sociedades nos ensinam que é possível dotar pessoas de diferentes graus de instrução, sem tornar essa diferença um abismo social instransponível, e/ou culturalmente hierárquico…

Bem, se você não concordar que existam tais sociedades no mundo, eu vos digo: há, pelo menos nos meus sonhos…

Esse foi o sonho de Darcy e de Brizola, e de tantos outros professores que compartilhavam e compartilham essa visão de mundo, que alguns insistem em chamar de antiquada…

É certo que talvez o sonho deles dois não coubesse no mundo de hoje, mas eu insisto…

O papel de uma universidade não é apenas de formar elites acadêmicas, mas fazer essas elites servirem à tarefa de propor novas formas de sociedade, e não se acomodar dentro delas…

Talvez por esse motivo eu tenha alguma esperança quando veja a candidatura do Professor Dr. Carlos Eduardo de Rezende, mais conhecido como Carlão, a Reitor da Uenf…

Posso falar um pouco da transição da Uenf, quando se libertou da tutela da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte), porque lá estive, na Fenorte, no breve governo Benedita da Silva…

A orientação era clara: livrar a Uenf das amarras, e consolidar um processo de autonomia, que seria ratificado logo em seguida…

Porém, ouso dizer que as distorções criadas pela famigerada fundação deixaram sequelas profundas…

Estas sequelas repercutem hoje, na forma subserviente como cada Reitor se comportou desde então a cada ocupante dos governos estaduais e locais…

Eu sei, eu sei que as questões orçamentárias impõem jogos e acordos políticos, truques e salamaleques…

Porém, a escolha desse caminho como o único, ou seja, do pires nas mãos, do chapéu, ou da latinha de moedas é uma lástima…

A Uenf mendiga porque esqueceu de se tornar relevante ao povo que a cerca…perdeu, digamos, a conexão…

Não falo de populismo, festinhas, convescotes…ou outros aspectos amenos de sociabilidade…

Falo de sintonia política com a sociedade e suas demandas, que às vezes existem, e nem a própria (sociedade) as conhece…

Sem ser arrogante, a Uenf tem que fazer as perguntas que ninguém quer fazer, propor caminhos que ninguém quer tomar, deixar de ser apenas uma entidade burocrática de titulação, ou de produção de conhecimento-umbigo-ambíguo…

Podemos dizer hoje que a Uenf está em situação pior que o Arquivo Público Municipal…

A Uenf, como idealizada por Darcy e Brizola, morreu…

Esse ciclo de poder que revezou lideranças medíocres e ambiente acadêmico tóxico, disputas mesquinhas e corporativas matou a Uenf…

A Uenf é hoje uma universidade que poderia ter João Dória ou Bolsonaro como reitor, ninguém sentira a diferença…

Que venha a nova Uenf com Carlão…

*Douglas Barreto da Mata é Inspetor da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Em seus 30 anos, a Uenf se defronta com imensos desafios e oportunidades

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Em junho de 2001, Leonel Brizola visitou o campus da Uenf para apoiar a luta pela nossa autonomia frente à hoje extinta Fenorte

Hoje teremos os festejos na data que foi escolhida para marcar o início formal das atividades da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  O aniversário de hoje é o trigésimo, e a efeméride será marcada com pompa e circunstância. Como alguém que chegou na Uenf em 1998, penso que essa jovem instituição se encontra, apesar da festa, em um momento crucial da sua existência, na medida em que atravessamos um longo inverno que tem sido marcado por um retração nas ambições intelectuais que foram impressas por Darcy Ribeiro no modelo institucional revolucionário que ele criou,

Mas também vejo uma enorme possibilidade que exatamente no ano em que completamos 30 anos, a Uenf possa ter um dos seus fundadores assumindo o cargo de reitor. A questão aqui é que precisamos retomar rumos que foram sendo paulatinamente abandonados, muitas vezes sob o silêncio de quem sabe que os rumos estão errados.  E para isso, ninguém melhor do que um dos que chegou em Campos dos Goytacazes para fincar raízes e transformar em realidade aquilo que Darcy idealizou.

Apesar dos dissabores e contratempos, sou daqueles que acha que a Uenf pode sim estar à altura do que foi sonhado por Darcy Ribeiro.  E o que Darcy sonhou não era e nunca será simples, pois ele delegou à Uenf um papel de transformação radical da realidade social e econômica vigente no Norte e no Noroeste Fluminense.  Essa transformação passava inclusive pela formação de profissionais que não seriam apenas excelentes tecnicamente, mas que também precisariam entender a necessidade de se ter uma consciência cidadã.  Mas que fique claro: Darcy com sua mente inquieta queria uma universidade que se desse como tarefa principal intervir nas abjetas condições sociais e econômicas em que a maioria do nosso povo vive.

Tenho plena consciência de que atravessamos uma transformação geracional na forma de produzir e assimilar conhecimento, onde as novas gerações estão expostas a tecnologias que eu só via nos filmes e desenhos de ficção enquanto ainda engatinhava nos meus primeiros anos de graduação na UFRJ. Esse contato é uma espécie de benção e maldição, já que acesso a essas tecnologias exige também foco para que a imensa potencialidade que elas trazem não se percam. Lamentavelmente, a Uenf não está hoje preparada para ampliar essa benção.

Entretanto, para vencer fazer a Uenf avançar no terreno em que Darcy Ribeiro preparou, vamos precisar mais do que fazer nossos estudantes se tornarem mais aptos a usar as potencialidades que as novas tecnologias fornecem.  É que dois dos piores obstáculos que qualquer instituição universitária vivencia atualmente  é a preguiça intelectual e a inaptência para novos desafios. Nesses quesitos é que a próxima reitoria vai ter que defrontar de forma efetiva ou será engolida pela mesmice que hoje reina de forma abundante. A verdade é que passada a festa de hoje, nos restará superar a imensa ressaca intelectual que se abateu sobre a Uenf, muito em um função de uma liderança que sequer entende a magnitude dos desafios que temos que continuar enfrentando para estarmos minimamente preparados as transformações que se avizinham, a começar por vivermos em um mundo assombrado pelas mudanças climáticas.

Quero dizer que realidade em que estamos é muito complexa, mas se olharmos com um mínimo de atenção o que os fundadores da Uenf deixaram como testamento intelectual, tenho confiança de que poderemos ser a instituição que eles idealizaram.

Longa vida à Uenf de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola!

Começa a campanha eleitoral na Uenf e, desde já, declaro meu apoio para a chapa “Carlos Rezende e Daniela Barros”

Na manhã desta 6a. feira (11/8), o Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) homologou a inscrição de duas chapas para as eleições que ocorrerão em primeiro turno no mês de setembro.  Prontamente, estou declarando meu apoio integral à chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende, professor do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) e Daniela Barros, professora associada do Laboratório de Tecnologia de Alimentos do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA).

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Os motivos da minha decisão são muitos, mas o principal é que no momento em que a instituição completa 30 anos, estamos necessitando de um novo rumo após quase 8 anos “sob mesma direção”. E o problema não é apenas mudar por mudar, mas sim porque precisamos recolocar a Uenf dentro de princípios que acredita foram completamente abandonados, a começar pela desvalorização do processo de produção de conhecimento científico, incluindo a formação de nossos alunos de graduação.

Além disso, a forma com que a atual reitoria da Uenf tratou seus colegiados superiores que passaram a ser meros apêndices de decisões já tomadas, em vez de serem os centros de formulação de ações estratégicas para aprofundar a inserção e a contribuição da instituição no processo de desenvolvimento regional. 

O fato é que além de ser um cientista de nível internacional, o professor Carlos Eduardo de Rezende possui uma longa trajetória institucional, a começar por sua participação nos grupos de trabalho liderados por Darcy Ribeiro nos quais se formulou o projeto institucional revolucionário que permitiu à Uenf crescer tanto e tão rápido, e pautada por altíssimos padrões de excelência acadêmica.  Mas como alguém que sempre demonstrou estar pronto para aprender algo novo,  o professor Carlos Eduardo Rezende também contribuiu para a consolidação da associação de docentes da Uenf (Aduenf) onde participou em diferentes cargos, sempre com uma predisposição para o diálogo franco e direto.

Quero ainda dizer que a companheira de chapa, a professora Daniela Barros, é uma docente que se caracteriza não apenas por estar presente no ensino e na pesquisa, mas também se revelou ao longo do tempo uma liderança institucional que é capaz de dialogar e escutar, algo que efetivamente tem faltado aos que dirigiram a Uenf nos últimos ciclos administrativos (2016-2023).

Informo que ao longo da campanha eleitoral, estarei divulgando informações no sentido de demonstrar a correção e a urgência de eleger Carlos Rezende e Daniela Barros para liderarem a Uenf no ciclo 2024-2027.  É que estando na instituição desde janeiro de 1998, me preocupa muito a condição em que nos encontramos neste momento, o que reforça a necessidade de novos rumos na nossa reitoria. Como conheço o professor Carlos Rezende há mais de quatro décadas, e assisti à sua impressionante trajetória pessoal e científica, é com ele e a professora Daniela que penso estaremos melhor servidos para enfrentarmos os duros desafios que estão diante de nós.

Reforma do Arquivo Municipal, será que agora vai?

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Esta segunda-feira (07/8) ficará marcada em Campos dos Goytacazes pela publicação no Diário Oficial do estado do Rio de Janeiro do despacho do reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que contrata, com dispensa de licitação, a empresa Technische Engenharia e Consultoria por “módicos” R$ 349.500,00 para, entre outras coisas, elaborar o projeto técnico da reforma do prédio do Arquivo Municipal (ver imagem abaixo).

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Mesmo para os mais cínicos e desconfiados, a publicação deste despacho deverá ser servir para algum alívio em face da extensa demora de se chegar a este primeiro, mas importante, passo para se impedir que o telhado do prédio histórico que abriga o Arquivo Municipal venha abaixo no futuro.

Para ampliar o otimismo, há que se ntoar que Technische Engenharia e Consultoria está localizada a poucos metros do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o que pode até por contemplação servir como inspiração aos seus profissionais para elaborar um projeto técnico que responda aos desafios postos no Solar do Colégio.

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As questões que permanecem são basicamente três: será que as obras começam antes das próximas chuvas de verão?, e b) o setor de engenharia da própria Uenf teve algum tipo de participação na elaboração do projeto que resultou na contratação da Technische Engenharia e Consultoria? E a última e fundamental questão: se era para fazer com dispensa de licitação, por que só se fez agora?

Ainda sobre o imbróglio dos R$ 20 milhões para a reforma do prédio do Arquivo Municipal

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Acabo der ler um longo arrazoado emitido pelo blogueiro Edmundo Siqueira sobre o imbróglio envolvendo a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes envolvendo o (não) uso de R$ 20 milhões disponibilizados pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para realizar obras de recuperação no prédio do Arquivo Municipal de Campos dos Goytacazes.

Já abordei esse assunto diversas vezes aqui neste espaço quando instei ao reitor da Uenf, Raúl Palácio, a devolver essa fortuna para a Alerj e também ao prefeito Wladimir Garotinho para que solicitasse o retorno do dinheiro para os cofres do legislativo estadual.  Até onde ouvi, ambos ignoraram minha sugestão, sabe-se lá por quais razões.

Agora que noto o contínuo e justificado interesse de Edmundo Siqueira nessa querela interminável, aproveito para sugerir o mesmo a ele. É que, meu caro Edmundo, como já disse antes, desse mato não sai coelho.  Se tivesse que ter saído, já teria. E não vai ser agora que o reitor da Uenf vai estar ocupado com a tentativa de manter seu grupo político dirigindo a universidade entre 2024 e 2027 que ele vai gastar tempo com algo que já deveria ter sido resolvido há muito tempo.

Que esse dinheiro volte para a Alerj e que se ache outra via para fazer esses milhões chegarem para pagar a reforma do prédio do Arquivo Municipal. A comunidade universitária da Uenf agradecerá imensamente já que nunca foi ouvida sobre esse espinhoso assunto.

Mensagem ao prefeito Wladimir: desista do reitor da Uenf, desse mato não sai coelho!

raul wladimir

Venho divulgando neste blog a interminável saga dos R$ 20 milhões que foram enviados pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) para a realização de reformas estruturais no prédio histórico que abriga o Arquivo Municipal de Campos dos Goytacazes, o Solar do Colégio.

Ao longo desse tempo aconselhei o reitor da Uenf, professor Raul Palacio, a devolver essa fortuna para quem a enviou, a fim de cessar as humilhantes cobranças públicas feitas pelo prefeito Wladimir Garotinho para a liberação dos recursos, em que pese a ausência de um projeto técnico.  Mas em que pesem as minhas boas intenções, o reitor da Uenf resolveu ignorar meu conselho sincero, e continuou sentado em cima da grana, o que compreensivelmente tem enervado o prefeito de Campos dos Goytacazes.

O prefeito Wladimir anda tão nervoso que acabou de usar uma reunião pública para enviar a enésima cobrança ao reitor da Uenf para que libere as obras, antes do início das chuvas. Soubesse o prefeito que na Uenf o próprio prédio que abriga a reitoria ficou vários meses sendo inundado por água de chuva por causa de uma obra desastrada no telhado, talvez ele já tivesse desistido de cobrar a ação do reitor da Uenf. Aliás, na última semana voltou a entrar água dentro de uma sala de aula no E-1 (o prédio que abriga a reitoria), mesmo após as informações de que isto não mais ocorreria. O fato é que se não cuidou do telhado do prédio onde trabalho, por que iria o reitor da Uenf ter a reforma do telhado do Arquivo Municipal?

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Então, também com a melhor disposição do mundo, aproveita deste texto para me dirigir ao prefeito Wladimir Garotinho para solicitar que ele se dirija ao presidente da Alerj, o seu mais novo amigo Rodrigo Bacellar, para que este peça o retorno dos R$ 20 milhões e entrega a grana diretamente nos cofres da Prefeitura de Campos dos Goytacazes.

É que, prefeito, o reitor da Uenf tem outras preocupações mais urgentes neste momento, a começar pelo esforço de emplacar o seu sucessor ou sucessora na direção central da universidade a partir de janeiro de 2024. Portanto, convença-se prefeito Wladimir, deste mato não sai coelho. Se agir rápido, quem sabe as sonhadas obras do Arquivo Municipal comecem antes das chuvas do próximo verão. Tic tac tic tac!

LEEA 25 anos, uma trajetória coletiva de construção do conhecimento dentro da UENF

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Este ano se completam 25 anos da minha chegada na Universidade Estadual do Norte Fluminense, o que combina com a criação do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico (LEEA) no Centro de Ciências do Homem (CCH).  Esses períodos se combinam porque logo na minha chegada recebi a permissão do então diretor do CCH, o renomado antropólogo peruano Luís Guillermo Lumbreras, para dar os primeiros passos na instalação de um laboratório de pesquisas que nascia com a tarefa de realizar tarefas que transcenderiam ao escopo de uma única disciplina.

Com isso em mente, como primeiro chefe do LEEA, consegui atrair pesquisadores que vinham de áreas distintas como História, Estudos Urbanos, Sociologia e Planejamento. Com base nas primeiras chegadas de professores, o LEEA pode rapidamente se constituir como um espaço diverso e pronto para atacar algumas questões candentes da realidade regional.

Uma das características singulares do LEEA é que seus pesquisadores sempre estiveram envolvidos no tripé ensino-pesquisa-extensão, dando um fôlego renovado não apenas para a consolidação do laboratório, mas do próprio centro em que está alojado. Com isso, pudemos instalar uma forma de construção que sem medo de imodéstia ajudou o CCH a sair da condição de isolamento em que se encontrava dentro da UENF, possibilitando um crescimento consistente e relativamente livre de disputas mais acirradas.

A trajetória atual do LEEA é de seguir na trilha que foi iniciada em 1998, sendo que a minha expectativa é que possamos continuar atuando naquilo que a região de entorno mais precisa que é de formação de recursos humanos com capacidade não apenas de refletir sobre a realidade, mas também de propor mudanças naquilo que se entende precisa ser mudado.

Como toda pessoa que já envolveu na construção de qualquer projeto, vejo hoje que minha presença dentro dele está em vias de se esgotar, já que a minha aposentadoria já se encontra (salvo alguma nova mudanças nas regras) ao alcance do olho. Isso, longe de me desanimar, serve como estímulo para que os próximos anos sejam tão instigantes como foram os 25 anos anteriores.

Longa vida ao LEEA, ao CCH e à UENF enquanto universidade pública, gratuita e de qualidade!

As eleições da Reitoria da Uenf sob risco de ser marcada por uma intensa campanha de fake news

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Normalmente não ocupa o espaço deste blog com muitos assuntos internos ao cotidiano da Universidade Estadual do Norte Fluminense por uma decisão editorial de não torná-lo muito restrito ao interior da instituição, o que iria de encontro ao próprio propósito de tê-lo criado.

Mas decidi abrir uma exceção e colocar novamente luz sobre um comentário feito pelo estudante de Ciência da Computação Jhonatan Cossetti, que fui informado é membro da atual diretoria do Diretório Central de Estudantes da Uenf (DCE/Uenf), na já comentada postagem feita no perfil “Uenfspotted” na rede social Instagram que foi motivo de outro texto meu na manhã deste sábado (ver imagem abaixo).

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O comentário do diretor do DCE/UENF joga uma camada a mais de ilações na postagem do Uenfspotted ao afirmar que “e se eu disser que tem futuro candidato que pensa exatamente isso? Cortar bolsas porque estudante não é prioridade”.

Como corretamente observado por três comentadores, as afirmações de Jhonatan Cossetti soam como uma espécie de fofoca pela metade, pois conta o milagre, mas não diz o nome do santo. Além disso, como observado pelo terceiro comentador, o diretor do DCE não informa como sabe quem são os futuros candidatos, nem como chegou à informação de que um deles é favorável ao corte de bolsas estudantis porque os estudantes não seriam prioridade.

Como até agora sequer foi criada a Comissão Eleitoral que organizará a consulta pública sobre o futuro reitor, é impossível saber quem são os candidatos, ainda  que o reitor da Uenf, Professor Raúl Palácio, já tenha dito publicamente quem seria a candidata à sua sucessão. Mas até que se forme a Comissão Eleitoral, qualquer indicação de quem serão os candidatos é, no mínimo, precoce.

Formalidades à parte, fico curioso em saber como o diretor do DCE sabe o que pensa um candidato que não sabemos se existirá. Conversou diretamente com o candidato ou apenas ouviu falar que o candidato defende isso? O problema é que ao ocupar um cargo dirigente, especialmente de um sindicato estudantil, haveria que se tomar mais cuidado com o que se escreve em redes sociais, pois há um peso político  inquestionável nesse tipo de posicionamento dada a condição de dirigente estudantil que o referido estudante possui.

Entretanto, o que me parece mais problemático é que ao se espalhar este tipo de ilação, o diretor do DCE contribui para que a campanha eleitoral da reitoria da Uenf seja marcada por uma indesejável disseminação de fake news. Como vivenciamos os efeitos deste tipo de influência nas últimas duas eleições presidenciais, já sabemos como isto pode agravar uma disputa que deveria estar imune a determinadas táticas de campanha.

Uenfspotted: indo um pouco além da cantada

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Para quem não vive o cotidiano da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) é pouco divulgado que neste ano a instituição elegerá seu novo reitor ou nova reitora. As eleições ainda não possuem calendário estipulado, mas as movimentações eleitorais são perceptíveis entre os apoiadores (e no próprio) atual reitor, professor Raúl Palácio.

Um elemento que esteve pouco presente em todas as eleições anteriores, mas que deverá estar de forma marcante na de 2023, será a disputa dentro das redes sociais, ao menos no tocante aos estudantes que as utilizam para quase tudo, desde acessar material escolar até paquerar.

O sinal de que as redes sociais serão usadas de forma extensa ao longo do calendário eleitoral e antes dele é uma pequena nota publicada em um perfil denominado “Uenfspotted” que existe na rede social Instagram para supostamente ser veículo onde estudantes podem “mandar cantada” ou “expor algo algo que está acontecente na universidade”.

Eis a publicação do “Uenfspotted”:

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Algumas observações sobre o conteúdo que mereceriam algum esclarecimento subsequente:

  1. Que professor, de que curso, em qual sala de aula, afirmou que a atual gestão “comprou” os alunos com muitas bolsas e esqueceu dos docentes? Sem essas informações, temos aqui algo que transita entre a fofoca e a “fake news”,
  2. A assistência estudantil da Uenf é uma das melhores do Brasil sob quais critérios e em comparação a quais outras universidades brasileiras? Ainda que se entenda essa pitada de ufanismo, que é uma das marcas das coisas que acontecem dentro da universidade, essa informação careceria de elementos mais sólidos para que pudesse ser posta em público.  Para uma universidade em que não existe sequer um espaço para produção de fotocópias, causando um encarecimento no acesso a materiais de leitura, essa afirmação é, no mínimo, questionável. Mas, apenas como exemplo, temos universidades que oferecem moradia estudantil, e não auxílios financeiros para uma fração dos seus estudantes, Nesse quesito, a assistência estudantil da Uenf é melhor ou pior do que, por exemplo, a Universidade Federal de Minas Gerais?
  3. A nota insinua ainda que exista quem, entre os professores, apoie o corte das bolsas para que se aumenta os salários dos professores. Pois bem, como são verbas que partem de fontes completamente distintas, é óbvio que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, o desejável é que as duas coisas sejam corrigidas pela inflação anualmente. Portanto, a que e a quem serve esta ilação? Aparentemente para contrapor os direitos dos estudantes aos dos professores e, aparentemente, gerar uma indisposição entre os dois segmentos.
  4. Por último, a menção aos salários dos professores onde “R$ 12 mil deve estar ruim demais mesmo“.  A ruindade ou não dos salários, deveria ser exame de uma análise minimamente criteriosa, pois como será que andam os salários de professores em outras universidades públicas?  E esses R$ 12 mil são brutos ou líquidos? Quem entre professores recebe um salário inicial de R$ 12 mil? Vale lembrar que o salário bruto inicial de um professor na Uenf é de R$ 10.252,69, valor que após os descontes de RioPrevidência e Imposto de Renda cai para algo em torno de R$ 8 mil líquidos. E isto é pouco ou muito? Em relação aos salários médios pagos no Brasil (que são miseráveis) é muito. Mas e para a categorias de professores universitários? Como o governo do Rio de Janeiro acaba de romper o acordo de repor até a inflação acumulada, me parece que é  pouco.

As questões acima são apenas para mostrar que, sob a alegação de responder a um professor que questionou a relação entre os estudantes da Uenf e a atual administração, o Uenfspotted apontou para uma série de questões que não podem ficar sem a devida resposta, seja pela atual administração ou por quem desejar substituir o atual grupo que controla há quase 8 anos os rumos da Uenf. É que elas apontam para uma clivagem indesejável para quem precisa que a Uenf esteja efetivamente à altura do que foi idealizado por Darcy Ribeiro.