Para fazer valer os direitos dos professores da Uenf, Aduenf lança campanha “Nenhum direito a menos”

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Com uma atividade de colação de cartazes em todo o campus Leonel Brizola em Campos dos Goytacazes, a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf) lançou hoje a campanha “Nenhum direito a menos” cujo objetivo central é mobilizar os professores da instituição a lutarem por uma série de direitos trabalhistas que não estão sendo pagos, ocasionando graves perdas financeiras aos atingidos por uma ampla gama de descumprimentos da legislação trabalhista.

Segundo uma postagem feita na página oficial da Aduenf na rede social Facebook, os problemas envolvendo o não pagamento de direitos devidos aos professores da Uenf são os seguintes:

✔️ Não realização de perícias na UENF para concessão dos adicionais de insalubridade;
✔️ Falta de pagamento dos auxílios educação, saúde e alimentação;
✔️ Falta de pagamento correto do terço constitucional e concessão de 45 dias de férias;

✔️ Não pagamento dos enquadramentos funcionais e progressões já publicados.

Além disso, a campanha “Nenhum direito a menos” também busca garantir a aprovação imediata do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) que está paralisado na Casa Civil do governador Claúdio Castro, bem o estabelecimento de prioridade para o pagamento dos direitos  congelados na execução do orçamento da Uenf.

Mas uma coisa é certa: a situação de aparente letargia que reinava no campus Leonel Brizola por causa do isolamento social imposto pela pandemia da COVID-19 começa acabar com essa movimentação da diretoria da Aduenf. Como testemunha ocular do cotidiano da Uenf, posso adiantar que o descontentamento com a óbvia apatia (ou seria desinteresse?) da reitoria  de fazer cumprir direitos garantidos em lei é muito grande entre os professores.

O Blog do Pedlowski irá acompanhar de perto a mobilização da Aduenf e irei divulgar tudo o que ocorrer a partir dela.

Enquanto a Uenf é transformada em barriga de aluguel de reforma de solar, novo PCV fica congelado na Casa Civil

raul wladimirReitor da Uenf, Raúl Palacio, e prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, se encontram para acelerar uso de verbas entregues pela Alerj. Enquanto isso, os direitos dos servidores são congelados

Quem lê notícias veiculadas por meio da mídia corporativa campista dando conta que o reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) se transformou em uma espécie de parteiro de uma estranha passagem de recursos da Assembleia Legislativa para a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (ver imagem abaixo) reformar o solar em que está abrigado o Arquivo Público Municipal deve achar que está tudo indo de vento em popa na universidade criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

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Mas, na verdade, a coisa está muito mal parada, e a insatisfação até agora evidenciada apenas por um movimento espontâneo dos estudantes que se cansaram de estudar em condições que beira a indignidade. Entretanto, outros problemas se acumulam debaixo do tapete do reitor Raúl Palácio, a começar pela falta de pagamento de enquadramentos, progressões, triênios e adicionais. 

O fato é que não é de hoje que a Uenf é uma espécie de exemplo avançado de desrespeito aos direitos dos seus professores, pois há quem esteja a devida progressão funcional por quase uma década, com o consequente resultado de que as dividas trabalhistas se acumulem, sem que haja a previsão orçamentária para honrá-las. Na prática, a Uenf que é propalada como um lugar em que “se faz ciência” está transformada em um em que são dadas aulas magnas avançadas de desrespeito aos direitos dos servidores públicos.

O congelamento do trâmite do novo PCV é uma chaga a mais no sofrimento dos servidores

Um dos pilares sobre o qual qualquer instituição premia a dedicação dos seus servidores é o chamado Plano de Cargos e Vencimentos (PCVs) que recebe nomes diferentes dependendo da instituição, mas cujo significado é fazer avançar o salário levando em conta o tempo de trabalho, bem como a contínua qualificação e dedicação ao avanço das tarefas profissionais. 

O atual PCV da Uenf publicado em 2006 está compreensivelmente defasado e, por isso, foi realizado um longo e exaustivo debate para sua atualização que resultou na aprovação de uma nova versão no ano passado. 

O problema é que após a aprovação pelo Conselho Universitário da Uenf, o “novo” PCV está aparentemente trancado a sete chaves dentro de uma gaveta na Secretaria da Casa Civil do governador acidental Cláudio Castro.  Como estamos em um ano eleitoral, a janela para envio para a Alerj, a mesma que entregou R$ 20 milhões para a reforma do prédio do Arquivo Municipal de Campos está se esgotando.

E o que tem feito o reitor da Uenf em face dessa situação além de posar para fotos com o prefeito de Campos dos Goytacazes? Acertou quem respondeu nada. Resta saber o que farão os dirigentes da Aduenf e do Sintuperj-Uenf. Mas seja o que pretendam fazer, que seja rápido. Senão o novo PCV continuará trancafiado até, pelo menos, 2023. Com a inflação que está por aí destroçando o poder de compra dos salários, essa perspectiva não me parece boa.

Ah, sim, antes que eu me esqueça. Será que sou eu que acha esse uso da Uenf como barriga de aluguel para pagar uma obra com dinheiro da Alerj um tanto estranho?

A Uenf vive hoje sufocada pelo regime de recuperação fiscal e pela inércia da sua reitoria

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Uma das discussões não feitas no estado do Rio de Janeiro se refere aos efeitos desastrosos que o chamado “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF) tem imposto sobre as universidades estaduais, especialmente seus servidores e professores. É que apesar das universidades estaduais fluminenses terem a garantia constitucional de poderem gerir seus recursos de forma autônoma uma vez os mesmos serem aprovados pela Assembleia Legislativa, a verdade não poderia estar mais distante do que a constituição federal estabelece.

A coisa já não vinha bem antes do ex-governador Luiz Fernando Pezão aderir ao RRF em 2017, mas a coisa piorou na medida em que além de terem seus orçamentos encurtados pela Alerj, as universidades perderam (como de resto perderam todas as estruturas do estado) a autonomia de utilizar seus recursos, já que todas as operações precisam ser sancionadas por um grupo gestor instalado dentro do Ministério da Fazenda em Brasília.

Além de ser um pesadelo administrativo já que é praticamente impossível para técnicos federais trabalharem de forma ágil e coerente na gestão da segunda economia da federação, o problema é essencialmente político, pois as prioridades estão claramente no pagamento da monstruosa dívida pública que foi gerada por uma sequência interminável de megaeventos esportivos, a qual foi agudizada por casos de corrupção explícita como foi a Operação Delaware que praticamente secou os cofres do RioPrevidência.

A reitoria da Uenf: quando o simplório se encontra com a incompetência

Mas há que se dizer que as reitorias da Uerj e da Uenf têm tido estratégias diferentes para se relacionar com o torniquete imposto pelo RRF, tendo a primeira tido muito mais sucessos do que aqueles alcançados pela segunda.  A diferença parece estar na capacidade de negociar, primeiro no âmbito estadual e depois no federal, a liberação de verbas, especialmente aquelas que se referem ao pagamento de direitos trabalhistas dos servidores.

A situação é tão esdrúxula que dormitam no Diário Oficial um número incontável de casos de direitos reconhecidos pelas comissões internas da Uenf, mas que estão represados sob eterna análise, provavelmente por algum técnico em Brasília. Com isso, há professor que entrou na Uenf há quase uma década, mas que continua a receber salário de que entrar no dia de hoje, o que representa uma grosseira violação de direitos consignados pela Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) em vigência na universidade criada por Darcy Ribeiro.

No meu caso pessoal, estou com um progressão por tempo de trabalho, que me é devida desde maio de 2018, em estado de suspensão inanimada, sem que a reitoria da Uenf tenha como me dizer quando terei, pelo menos, o direito publicado no Diário Oficial do Estado. Mas meu caso não é de longe o mais grave, é preciso que se diga.

O principal aqui é notar que em meio a toda essa situação constrangedora para os seus professores, a reitoria da Uenf sequer aceita se encontrar com a Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) para dar respostas mínimas a uma quantidade crescente de dívidas que a instituição tem acumulado com aqueles que garantem a condição de excelência que os gestores tanto gostam de alardear em programas radiofônicos locais. Aliás, há quem diga (e eu concordo) que o reitor da Uenf, professor Raúl Palacio, deveria passar menos tempo dando entrevistas que ninguém ouve para se ocupar mais em resolver a grande quantidade de problemas que sua inércia administrativa vem gerando, a começar pelo fechamento do Restaurante Universitário.

Não sei quem já assistiu o filme “Muito além do jardim” estrelado por Peter Sellers, mas sempre que vejo as declarações do reitor da Uenf de que tudo é simples e está dominado (para depois descobrirmos que a verdade é justamente oposta), eu me lembro do personagem Chauncey Gardner. Até há quem ache que as coisas ditas pelo reitor da Uenf são “geniais”.

O risco da debandada nunca foi tão claro

Apesar da Uenf estar com alguns concursos abertos para ocupar vagas que estão ociosas há vários anos, o problema causado pela falta de professores está longe de ser resolvido, e ainda pode ser agravado pela realização de concursos em universidades federais que estão ocorrendo em diferentes partes do país. Esta perda de quadros poderá ocorrer justamente naqueles segmentos que estão há menos tempo na Uenf e que estão sendo mais duramente privados em seus direitos pela combinação das restrições impostas pelo RRF e a evidente incapacidade dos gestores institucionais de responder às dificuldades criadas pelo mesmo.

E quem vai poder condenar se esses quadros mais jovens decidirem tentar a sorte em outras paragens se a própria reitoria da Uenf fica de braços cruzados, enquanto deixa seus professores abandonados à mercê da própria sorte?

Rediscutir a adesão ao RRF é uma questão urgente

Tenho visto as pré-campanhas eleitorais a governador falando em uma montanha de coisas, mas não vejo ninguém (nem quem se diz de oposição a “este estado de coisas”) abordando os profundos malefícios causados pelo RRF ao estado do Rio de Janeiro, especialmente no que tange à sua capacidade de definir áreas estratégicas para investimentos públicos.

A verdade é que enquanto perdurar a adesão ao RRF, o governador e a Alerj serão uma espécie de rainhas sem trono, na medida em que todos os gastos feitos pelo Rio de Janeiro têm que ser aprovados em Brasília. Por outro lado, a dívida pública fluminense não para de crescer, impondo ainda mais arrochos que tenderão a asfixiar ainda mais as já pressionadas finanças das universidades estaduais.

 

Por que os estudantes da Uenf estão protestando?

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Estudante da Uenf protesta contra o fechamento do Restaurante Universitário que está deixando muitos estudantes com fome

A mídia campista noticiou ontem um movimento de protesto no portão principal Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que reuniu um número indeterminado de estudantes. As razões do protesto parecem prosaicas, mas não são. Afinal de contas, milhares de jovens foram retornados ao modo presencial de aulas sem que lhes tenha sido oferecido o mínimo que foi prometido para que pudessem frequentar suas aulas e atividades de pesquisa e extensão.

Visto de fora o campus Leonel Brizola impressiona, pois reúne um patrimônio arquitetônico único no interior de qualquer estado brasileiro, mas especialmente o Rio de Janeiro. Mas para além dos prédios, a Uenf acumula feitos impressionantes resultantes da atração de uma potente massa de cérebros que estão aqui transformando várias áreas de conhecimento, contribuindo assim (contra todas as ondas contrárias) para o processo de desenvolvimento regional.

Mas quem vê por fora, não imagina o que está faltando dentro, no melhor estilo “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.    É que mesmo tendo dois anos para se preparar para o fim das medidas mais estritas de isolamento social impostas pela pandemia da COVID-19, a reitoria da Uenf, como os fatos bem demonstram, dormiu em berço nada esplêndido.  Assim, foram perdidas oportunidades preciosas para estar com as coisas melhor situadas, de forma a potencializar um momento único representado pelo centenário de nosso idealizador, Darcy Ribeiro.

É que Darcy dizia que o realmente importante em uma instituição de ensino são as pessoas que estão dentro dela.  Mas, contraditoriamente, muitos estudantes da Uenf estão passando fome porque a reitoria da Uenf esqueceu de que recebê-los com o restaurante universitário funcionando era uma prioridade estratégica.  Além disso, tendo gasto mais de R$ 10 milhões em equipamentos de ponta no final de 2021, essa mesma reitoria esqueceu de fazer a troca de bebedouros ou, mais simplesmente, de filtros que já estavam vencidos mesmo antes da pandemia obrigar o fechamento das salas de aulas por dois anos.  Também se esqueceu que a volta às aulas exigiria salas com fotocopiadoras que permitissem aos estudantes reproduziram materiais e didáticos. E a prometida ventilação de salas de aulas sem janelas? Essa tampouco aconteceu. 

É preciso que se diga que os estudantes da Uenf já exercitaram grande paciência, especialmente quando se lembra que na maioria do ano as temperaturas na cidade de Campos dos Goytacazes são escaldantes. Então imaginemos o que seria assistir aula com fome em meio a condições climáticas dignas da Amazônia?

Essa situação toda, pasmemos todas, foi prevista em uma reunião do Conselho Universitária da Uenf que discutiu o nível de preparação para a volta às aulas presenciais. Nessa reunião, o reitor da Uenf, professor Raúl Palacio, garantiu que tudo estava preparado para retomar as aulas presenciais em condições aceitáveis, e forçou uma votação para obrigar o retorno no dia em que ele desejava. Agora, se vê que a garantia do reitor era vazia.

Por isso, antes que alguém critique os protestos dos estudantes, lembro que muitas vezes é mais fácil quem se movimenta para demandar direitos do que cobrar aqueles que os pisoteiam em primeiro lugar. Nesse sentido, a Uenf, ao contrário do que desejava Darcy Ribeiro, se tornou um reflexo da realidade que a circunda em vez de ser um agente ativo nos esforços para sua transformação.

 

Estudantes da Uenf protestam contra fechamento do Restaurante Universitário

Eles reivindicam ainda por melhorias nas instalações dos prédios e por água potável

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Um grupo de alunos da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, em Campos dos Goytacazes, iniciou uma manifestação na manhã desta quinta-feira (5), na entrada da instituição. Com faixas e cartazes eles protestaram contra o fechamento do Restaurante Universitário. Desde março, quando retornaram as aulas presenciais após dois anos de pandemia, o equipamento não abriu as portas. Os estudantes reclamam ainda sobre falta de água potável e insalubridade nos prédios. O grupo se dirigiu à sede da Reitoria da Uenf. A instituição informou que pretende se reunir com os centros acadêmicos sobre a pauta de reivindicações.

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Os alunos relatam que o não funcionamento do Restaurante Universitário tem prejudicado a rotina dos estudos. “Há muitas pessoas que são de outras cidades, moram em repúblicas, e o custo com alimentação ficou alto. Comer no RU ajuda a gente a economizar”, disse uma estudante do curso de Zootecnia. Segundo um grupo de estudantes do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA), tem faltado água potável para consumo. Segundo eles, há problemas de insalubridade, falta de higiene e ambiente ventilado para estudos e pesquisas. 

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 Eles pretendem obter a adesão de mais estudantes para protestar nesta quinta-feira. A reportagem do Terceira Via entrou em contato com assessoria de comunicação do reitor Raul Palácio. Ainda não havia um posicionamento oficial, mas foi adiantado que será verificado o que os alunos estão solicitando.  Há uma reunião marcada com todos os representantes de alunos para sexta feira (6), às 14h. O encontro é com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e com os representantes dos Centros Acadêmicos.


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Este texto foi inicialmente publicado pelo jornal “Terceira Via” [Aqui!].

Os efeitos dos 2 anos da pandemia da COVID-19 na Uenf

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Por Carlos Eduardo de Rezende*

A Pandemia de COVID-19 trouxe muitos desafios para todos os países e isso não foi diferente para as instituições de ensino superior no Brasil e no mundo. Os países passaram por uma reorganização de procedimentos coletivos na área de saúde para enfrentar um vírus que se espalhou com grande velocidade. Neste mesmo período surgiu um forte movimento negacionista e contra o conhecimento científico em pleno Século XXI. No Brasil, não foi nada diferente, pois à frente do país tivemos vários políticos e médicos pregando o uso de um medicamento que a ciência não aprovava, mas, por fim, a vacinação foi a única saída e a mais correta para controlar a disseminação do vírus. Aliás, cabe ressaltar que esta prática sempre foi muito comum em nosso país, e, por várias gerações, eficaz no controle de outras doenças. Ainda no Brasil, presenciamos, com muita tristeza, a drástica redução nos investimentos na área de ciência e tecnologia.

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o primeiro movimento institucional foi o anúncio do reitor informando que faria uma parceria com a prefeitura para implantar o Laboratório de Referência Regional no Hospital Geral de Guarus (HGG) para emitir diagnósticos do Coronavírus, prevendo inicialmente 56 testes por dia (abril de 2020 Aqui!). Em maio de 2020, nova nota da reitoria dava conta da inauguração do laboratório e o número de análises passava para 100 por dia (Aqui!).

No mês de junho, durante a visita de um parlamentar à UENF, o Reitor solicita recursos para o que chamou de “Povoamento da UENF através da Inclusão Digital”. Embora a matéria enalteça as atividades da reitoria, fica a pergunta, porque as cidades da região não usavam a estrutura do Laboratório de Referência Regional do HGG e outras demandas que foram apresentadas e continuam na mesma? (Aqui!). Continuamos aguardando muitas respostas e resultados por parte desta reitoria. Para nossa surpresa, em setembro a reitoria divulga uma nota sobre o Laboratório Regional de Diagnóstico da COVID-19 onde informa que em agosto as atividades foram interrompidas por falta de material, mas também informa que foram feitos atendimentos no Norte e Noroeste Fluminense.

A informação é um pouco confusa, porque segundo a nota acima, as prefeituras não estavam enviando as amostras para os exames e depois informa que foram feitos vários atendimentos (Aqui!). Eu diria que falta uma última matéria dando conta de quantos atendimentos foram feitos por cidade, quantos projetos científicos foram realizados, se houve captação de recursos financeiros e, finalmente, se o Laboratório Regional de Diagnóstico da COVID-19 continua em pleno funcionamento no Hospital Geral de Garus (HGG). Todas essas informações são importantes para a sociedade e a parte relativa aos resultados é imprescindível para quem faz pesquisa sobre o tema. Acredito que seria de grande valia para a comunidade universitária e a sociedade regional tomar conhecimento sobre o que foi realizado neste projeto de cooperação que foi anunciado inúmeras vezes pelo Reitor.

Na nossa região, precisamente em Macaé, cientistas do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NUPEM/UFRJ) durante o ano de 2020 realizaram mais de 15 mil testes. Este estudo acabou gerando um artigo no ano de 2021 na influente revista internacional Scientific Reports (Aqui!) do grupo de publicações científicas da Nature. Maiores detalhes sobre esta ação podem ser obtidos a partir desta página (Aqui!). Outro aspecto que chamou atenção foi a capacidade do grupo do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade se mobilizar junto à sociedade para viabilizar o projeto e estabelecer um mecanismo de transparência na prestação de contas dos quase 820 mil reais que foram captados através de diferentes doadores. Este procedimento, por sua vez, gera muita credibilidade pública principalmente em um momento em que as universidades têm sido duramente questionadas e atacadas de diferentes formas. Por este motivo faço questão de deixar aqui o reconhecimento público destas ações (Ver Aqui!) dentro da nossa região.

Escrevi esta introdução porque muito me preocupo com a Uenf e várias exposições públicas têm me incomodado durante este período de 2 anos com a Pandemia de COVID-19 e agora com o retorno presencial às atividades de ensino, pesquisa e extensão, e, administrativas. Primeiro o corpo docente não teve o espaço adequado, e necessário, para discutir sobre as aulas remotas quando foram implantadas e fomos surpreendidos por uma nota conjunta da Reitoria com o DCE (Aqui!). Outro ponto que preciso deixar claro é que passado todo este tempo, muitos dos direitos dos servidores permanecem não implementados (ex.: enquadramentos, progressões, insalubridade), o auxílio tecnológico foi transformado em auxílio retorno, colocando na responsabilidade do servidor a aquisição de material de proteção individual.

Os mais otimistas podem considerar que estamos no fim da pandemia, e, portanto, não seria um problema, mas o fato é que todo material de proteção é de responsabilidade da instituição. Ressalto ainda que, por mais que os indicadores, a redução nas internações e as mortes estejam caindo, a Pandemia ainda não terminou, segundo a Organização Mundial de Saúde. Assim, a instituição deveria ter sido preparada para um retorno seguro. E o que encontramos? A mesma situação de 2 anos atrás, agravada pela falta de cuidados e ajustes durante todo este período em que a instituição esteve sob regime de atividade remota.

O reitor e todos os seus assessores fazem parte de um projeto de continuidade da administração anterior, apenas mudaram suas cadeiras, conhecem, ou deveriam conhecer, os problemas que têm sido expostos sistematicamente pela comunidade universitária, principalmente pela ADUENF, inclusive em relação às salas de aula. Torno a dizer, estes problemas antecedem à Pandemia de COVID-19. Ao longo destes 2 últimos anos percebemos que o gramado da instituição estava cortado e foram instalados um sistema de iluminação com pequenos postes. Ainda neste período, foram comprados alguns equipamentos e realizados contratos de manutenção para vários equipamentos, este movimento é muito importante para nossas pesquisas, mas a instituição não funciona apenas com esses itens.

O mais precioso de uma instituição de ensino, pesquisa e extensão, são as instalações onde formamos os nossos estudantes, ou seja, as salas de aulas e estas precisam ser tratadas de forma adequada. Embora o Reitor tenha vindo a público dizer que a instituição estava totalmente preparada para o retorno, esta afirmativa carece de razoabilidade. As salas não possuem uma ventilação adequada, parte dos equipamentos está sucateada, as carteiras não possuem espaçamento de segurança devidamente marcado, o restaurante universitário ainda não funciona e várias disciplinas têm sido oferecidas em auditórios com um número excessivo de estudantes. A situação se arrastou por 2 anos sem qualquer melhoria das condições das salas aulas e se considerarmos que tivemos uma redução de custos (ex.: telefonia, água, energia, limpeza, no mínimo) com os servidores em casa, encontrar este cenário no retorno as atividades presenciais não é nada agradável e, diria mais, é uma falta de respeito com estudantes e todos os servidores técnicos e docentes.

Concluindo, sei que muitos dos colegas da Uenf não gostam que os problemas da instituição venham a público e que devemos tratar das nossas mazelas internamente, mas no momento isso me parece necessário tendo em vista o descaso e desrespeito perpetuados durante esses últimos anos.


*Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Evento para marcar o centenário de Darcy Ribeiro começa na segunda-feira

 

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Universidade, Sociedade e Projeto Nacional no Contexto da Redemocratização Brasileira

07 DE MARÇO DE 2022

Mesa De Abertura – 10:00 ÀS 12:00 H “Do projeto à realidade: o processo de formação da Uenf como uma Universidade do Terceiro Milênio

  • Dr. Carlos Eduardo Rezende (PPG-ERN): professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA), vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais; Cientista do Nosso Estado (FAPERJ) e Bolsista de Produtividade (CNPq) e ocupante de vários cargos dirigentes desde a criação da Uenf
  • Dr. Isaac Roitmann: professor emérito da Universidade Brasília (UNB), ex-diretor do CBB, pesquisador emérito do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências

Mediadora: Profa. Dra. Simonne Teixeira – PPGPS/PPGCN

LINK DA TRANSMISSÃO

Mesa 2 – 14:00 ÀS 16:30 H “Experiências e trajetórias no processo de construção de um centro de ciências humanas na Uenf”

  • Dr. Sérgio Arruda de Moura (PPGCL/LEEL): professor associado do Laboratório de Estudos da Educação e da Linguagem (LEEL)
  • Dra. Sônia Martins de Almeida Nogueira (PPGPS/LEEL): professora aposentada do LEEL e do PPGPS, e ex-diretora do CCH
  • Dra. Paula Mousinho Martins, professora associada do Laboratório de Cognição e Linguagem, (PPGPS/LCL)

Mediador: Victor Rizo Schiavo (Doutorando – PPGPS)

LINK DA TRANSMISSÃO

08 DE MARÇO DE 2022

Mesa 3 – 10:00 ÀS 12:00 H “ A concepção de universidade em Darcy  Ribeiro e os desafios encontrados no momento da criação da Uenf”

  • Dr. Glauber Rabelo Matias (UFRRJ): professor adjunto do Departamento de Ciências Sociais; pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas Urbanas e Regionais; o Núcleo de Pesquisa em Ativismos, Resistências e Conflitos e Núcleo de Estudos em Transculturação, Identidade, Reconhecimento.
  • Roberto Henriques: Historiador, gestor público e dirigente partidário

Mediador: Prof. Dr. Giovane do Nascimento (PPGPS/PPGCL/LEEL)

LINK DA TRANSMISSÃO

Mesa 4 – 14:00 ÀS 16:30 H “O projeto educacional em Darcy Ribeiro e os desafios na consolidação da proposta de universidade”

  • Profa. Dra. Libânia Nacif Xavier (UFRJ): professora titular da UFRJ, membro do Programa de Pós-Graduação em Educação e sócia fundadora da Sociedade Brasileira de História da Educação
  • Prof. Dr. Wanderley de Souza (UFRJ): Primeiro reitor da Uenf, ex-secretário estadual de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, membro da Academia Brasileira de Ciências.

Mediador: Prof. Dr. Marcos A. Pedlowski (PPGPS/PGERN/LEEA)

LINK DA TRANSMISSÃO

Programa de Políticas Sociais da Uenf celebra Centenário de Darcy Ribeiro com jornada sobre “Universidade, Sociedade e Projeto Nacional no Contexto da Redemocratização Brasileira”

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Para marcar o Centenário do nascimento de Darcy Ribeiro, o Programa de Pós Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) irá realizar uma jornada para não celebrar a efeméride, mas principalmente refletir sobre o contínuo impacto do pensamento de uma das mentes mais inquietas do Brasil contemporâneo.

Esta jornada que marcará a retomada das aulas presenciais no âmbito do Programa de Políticas Sociais no após dois anos de atividades remotas também fará um esforço para refletir sobre os impactos de Darcy Ribeiro na constituição de um novo modelo institucional para instalar a Uenf na região Norte Fluminense.

Para levar estes objetivos a cabo, a Coordenação do Programa de Políticas Sociais definiu a realização de quatro mesas de debate cujos objetivos é refletir sobre a influência de Darcy Ribeiro sobre a criação não apenas da Uenf, mas da luta pela democratização do acesso à educação para todos os brasileiros, mas principalmente para aqueles segmentos que estiveram historicamente impedidos de acessar as escolas e, principalmente, universidades.

Abaixo a programação completa desta jornada que reúne diferentes personagens da luta pela consolidação da Uenf desde o momento em que a população de Campos dos Goytacazes se mobilizou para obter a criação de uma universidade pública e gratuita que garantisse que a juventude do Norte Fluminense pudesse ter acesso a um ensino universitário de alta qualidade.

Universidade, Sociedade e Projeto Nacional no Contexto da Redemocratização Brasileira

07 DE MARÇO DE 2022

Mesa De Abertura – 10:00 ÀS 12:00 H “Do projeto à realidade: o processo de formação da Uenf como uma Universidade do Terceiro Milênio

  • Dr. Carlos Eduardo Rezende (PPG-ERN): professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA), vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais; Cientista do Nosso Estado (FAPERJ) e Bolsista de Produtividade (CNPq) e ocupante de vários cargos dirigentes desde a criação da Uenf
  • Dr. Isaac Roitmann: professor emérito da Universidade Brasília (UNB), ex-diretor do CBB, pesquisador emérito do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências

Mediadora: Profa. Dra. Simonne Teixeira – PPGPS/PPGCN

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Mesa 2 – 14:00 ÀS 16:30 H “Experiências e trajetórias no processo de construção de um centro de ciências humanas na Uenf”

  • Dr. Sérgio Arruda de Moura (PPGCL/LEEL): professor associado do Laboratório de Estudos da Educação e da Linguagem (LEEL)
  • Dra. Sônia Martins de Almeida Nogueira (PPGPS/LEEL): professora aposentada do LEEL e do PPGPS, e ex-diretora do CCH
  • Dra. Paula Mousinho Martins, professora associada do Laboratório de Cognição e Linguagem, (PPGPS/LCL)

Mediador: Victor Rizo Schiavo (Doutorando – PPGPS)

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08 DE MARÇO DE 2022

Mesa 3 – 10:00 ÀS 12:00 H “ A concepção de universidade em Darcy  Ribeiro e os desafios encontrados no momento da criação da Uenf”

  • Dr. Glauber Rabelo Matias (UFRRJ): professor adjunto do Departamento de Ciências Sociais; pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas Urbanas e Regionais; o Núcleo de Pesquisa em Ativismos, Resistências e Conflitos e Núcleo de Estudos em Transculturação, Identidade, Reconhecimento.
  • Roberto Henriques: Historiador, gestor público e dirigente partidário

Mediador: Prof. Dr. Giovane do Nascimento (PPGPS/PPGCL/LEEL)

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Mesa 4 – 14:00 ÀS 16:30 H “O projeto educacional em Darcy Ribeiro e os desafios na consolidação da proposta de universidade”

  • Profa. Dra. Libânia Nacif Xavier (UFRJ): professora titular da UFRJ, membro do Programa de Pós-Graduação em Educação e sócia fundadora da Sociedade Brasileira de História da Educação
  • Prof. Dr. Wanderley de Souza (UFRJ): Primeiro reitor da Uenf, ex-secretário estadual de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, membro da Academia Brasileira de Ciências.

Mediador: Prof. Dr. Marcos A. Pedlowski (PPGPS/PGERN/LEEA)

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A internet, os idiotas da aldeia e o debate sobre as condições mínimas necessárias para a volta das aulas presenciais na Uenf

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Ao receber o título de doutor honoris causa em Comunicação e Cultura, na Universidade de Turim, o escritor e filólogo italiano Umberto Eco vaticinou que o “drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. Antes, os idiotas da aldeia tinham direito à palavra em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade“.  Morto em 2016, Eco nem chegou a ver a ascensão ao poder de figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro que bem representam o resultado político da internet sobre o sistema político e, pior, sobre a vida política cotidiana em um sistema capitalista cada vez mais anti-democrático e injusto.

A lembrança a Umberto Eco me veio à cabeça assim que li alguns comentários postados em redes sociais sobre um assunto que virou matéria jornalística na cidade de Campos dos Goytacazes a partir das ações da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf) para denunciar a falta de condições para um retorno seguro às atividades presenciais (incluindo aulas) naquela que Darcy Ribeiro gostava de chamar de “Universidade do Terceiro Milênio”.

O aparecimento do assunto na forma de matéria jornalística foi o que bastou para uma pequena legião de “idiotas da aldeia” se pusesse em movimento para atacar os professores da Uenf com adjetivos pouco lisonjeiros, a começar por “vagabundos”.   E o pior que alguns desses que se deram ao trabalho de dirigir esses ataques foram ou ainda são estudantes da instituição, o que evidencia que não estamos fazendo o nosso trabalho de criar os profissionais com consciência cidadã que Darcy Ribeiro tanto desejou que a universidade do Terceiro Milênio formasse.

A questão é que se esses “idiotas da aldeia” se dessem ao trabalho de minimamente se informar sobre o que aconteceu dentro da Uenf desde o início da pandemia da COVID-19, eles saberiam que ao contrário do que eles andaram escrevendo, os professores da Uenf ralaram muito para manter a instituição funcionando remotamente.  A quantidade de aulas dadas, o número de reuniões de realizadas, as bancas de mestrado e doutorado realizadas? Nada disso interessa aos “idiotas da aldeia”, pois nada disso lhes interessa, pois o que vale mesmo é descarregar sua ira para os que são percebidos como “vagabundos”.

Entretanto, não culpa os “idiotas da aldeia” por serem tão assim, digamos, idiotas. Na verdade, a culpa é dos professores da Uenf que bancaram com seus salários corroídos pela inflação os custos de energia elétrica e serviços de internet que, ressalte-se, são inexistentes dentro da Uenf. É que dentro do campus Leonel Brizola, o que continua existindo é uma rede interna que não passa de uma “lesma lerda” quando comparada com aquelas que os professores contrataram a custo pessoal para seguirem pesquisando, orientando e dando aulas desde as suas casas. Tivessem eles se recusando a bancar os custos de trabalhar em suas casas, o mais provável é que os idiotas da aldeia os rotulassem da mesma forma que estão agora. 

Finalmente, não me preocupam os ataques dos idiotas da aldeia, pois estes refletem o ambiente de hostilidade política criada pelos que comandam o Brasil neste momento, e que se revezam em ataques cotidianos a tudo que lhes parece diferente. O que me preocupa é que passados dois anos de pandemia, e com muito trabalho duro realizado, os professores da Uenf não tenham conseguido expor tudo o que foi feito para que a instituição possa voltar a ter aulas presenciais como se nada tivesse feito para evitar a descontinuidade de nossas atividades essenciais.

 

O centenário de Leonel Brizola passou em meio a um curioso silêncio no campus da Uenf

MVC-066FLeonel Brizola visitou o campus da Uenf em junho de 2001 para prestar solidariedade à luta da autonomia universitária da universidade que havia criado em 1993

Por Carlos Eduardo de Rezende*

O ano de 2022 carrega uma responsabilidade sobre a história de criação para a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, a Uenf, ou Universidade do Terceiro Milênio como seu idealizador, o professor Darcy Ribeiro, sempre a tratou. Exatamente neste ano, dois dos principais responsáveis pela criação da UENF completariam 100 anos. Em 22 de janeiro, Leonel Brizola, e, em 26 de outubro, Darcy Ribeiro. Estes dois grandes personagens da História Política Brasileira, sempre lideraram grandes projetos educacionais e entre eles a criação da Uenf, em Campos e em Macaé. Hoje, a UENF está presente em vários municípios do Estado do Rio de Janeiro através do Consórcio CEDERJ e nossos alunos precisam conhecer a trajetória institucional com exatidão, por isso, a importância dos registros históricos.

Esperei até o dia 31 de janeiro de 2022 para escrever alguma coisa pela celebração dos 100 anos do Leonel de Moura Brizola por entender que a Uenf deveria se manifestar através da sua reitoria (Reitor, Vice-Reitora, Pró-Reitores ou Chefe de Gabinete). A história de uma instituição, no meu entendimento, tem muita importância para o seu futuro e o silêncio do grupo que compõe esta Reitoria, diante de uma data que considero relevante para nossa instituição, me causou tremendo desconforto.

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Leonel Brizola assiste ao lado de Oscar Niemeyer a uma explanação de Darcy Ribeiro sobre o projeto da Uenf

A Uenf necessita realmente que registros fidedignos sejam estabelecidos, pois ao longo destes 28 anos, percebo tentativas equivocadas de escrever passagens sobre a criação da UENF.  A celebração dos 25 anos de existência da UENF não foi publicada até hoje e considerando a possibilidade de publicações de documentos na forma de E-Book não existe razão para que este material ainda não esteja disponível.

Retomando o início da Uenf, a mobilização da sociedade regional pela criação de uma universidade foi um sucesso e foi incluída na constituição estadual onde dizia que “O estado criará a Universidade Estadual do Norte Fluminense, com sede em Campos dos Goytacazes, no prazo máximo de três anos a partir da promulgação da Constituição”. A Constituição foi promulgada em 1989 e o prazo para criação da Uenf seria até 1992, mas apenas em agosto de 1993 iniciamos as atividades na instituição. Abaixo selecionei algumas passagens na trajetória inicial da Uenf e Leonel Brizola, pois são muitos e não seria possível em uma curta nota abordar a todas.

– Em um primeiro momento e através do Decreto 16.357/91 criou o estatuto inicial da  Uenf que previa a incorporação das instituições de ensino superior vinculadas à Fundação Cultural de Campos e à Fundação Benedito Pereira Nunes;

– Leonel Brizola coloca Darcy Ribeiro à frente do Programa dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) e também da criação da Uenf. Neste momento, tudo começou a mudar com Darcy Ribeiro liderando o projeto da Uenf. Brizola sempre foi considerado um centralizador, mas a Darcy e Niemeyer ele sempre depositou total confiança e liberdade para todas as ações. Este trio foi o alicerce fundamental para a materialização da Uenf, mas a área de educação sempre obteve um tratamento muito especial por parte do Brizola sendo iniciada no Rio Grande do Sul passando por inúmeros cargos políticos até a chegada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. 

– O uso dos CIEPS foi um fator determinante assim como a liberação de recursos do governo estadual para a construção da Uenf, em tempo recorde, foi uma das experiências mais incríveis que pude presenciar. A cada visita que fazíamos a Campos, tínhamos uma evolução da construção e o pátio de obras funcionava 24h por dia.

– Leonel Brizola através da Faperj liberava recursos financeiros para grupos de pesquisa e todos vinham com pacotes para compra de equipamentos e todas as condições necessárias para realizar pesquisas. Esta política pública atraiu inúmeros pesquisadores estrangeiros e brasileiros, inclusive vários membros a Academia Brasileira de Ciências. A vinda destes profissionais propiciou que a UENF iniciasse os cursos de graduação e pós-graduação simultaneamente.

– O prestígio e confiabilidade política de Brizola, assim como algumas lideranças acadêmicas que estava a frente do projeto Uenf, foram fundamentais para a atrair cientistas, jovens e sêniores, assim como sua credibilidade política na região. Em uma das vindas a Campos paramos em Macaé para o almoço e na comitiva estava o Prof. Carlos Alberto Dias que escolheu a cidade de Macaé para instalar o Laboratório de Engenharia e Produção de Petróleo e o primeiro curso de graduação de Engenharia e Produção de Petróleo do Brasil.

– As boas relações políticas de Leonel Brizola em Campos proporcionaram que a UENF iniciasse suas atividades, em 1992, na Fundação Norte Fluminense de Desenvolvimento Regional (FUNDENOR) que nos abrigou por muitos anos, inclusive possibilitando o início do Curso de Medicina Veterinária e experimentos com animais de biotério. Nossas relações institucionais permanecem e devem continuar sendo fortalecidas.  

– Em 1992, a cidade do Rio de Janeiro abrigou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92) e foi exatamente nesta reunião que Leonel Brizola assinou acordos comerciais com a Alemanha liderada pelo Chanceler Helmut Kohl. A partir deste acordo vários equipamentos alemães foram adquiridos possibilitando vários grupos iniciarem suas pesquisas com o que havia de melhor, por exemplo, na área de microscopia convencional e eletrônica.

Existem muitas passagens de Leonel Brizola na UENF, mas teríamos que transformar uma nota muito maior, mas sua importância não pode jamais ser negligenciada e por isso me chamou atenção a falta de uma manifestação formal por parte da administração da instituição para toda comunidade universitário assim como para a regional.

Concluindo, deixo registrado o texto que marca a entrada da UENF: O Governador Leonel Brizola fez erguer esta Universidade Estadual do Norte Fluminense, para que no Brasil floresça uma civilização mais bela, uma sociedade mais livre e mais justa, onde viva um povo mais feliz.

Salve Leonel Brizola!!!

*Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) da Uenf e esteve entre o grupo de profissionais que deram inicio ao funcionamento da instituição em 1993.