Um estande abandonado e a pergunta que não quer calar: mais ou menos Uenf?

A imagem abaixo mostra o estado de abandono em que se encontra o estande da Universidade Estadual do Norte Fluminense na Feira de Oportunidades que está ocorrendo no campus do Instituto Federal Fluminense ontem e hoje (26 e 27 de setembro).

feira de oportunidades uenf

Este abandono de uma atividade de divulgação das atividades e serviços prestados por instituições públicas e privadas de ensino em Campos dos Goytavazes é mostra de que nem sempre vencer eleições é bom para a animação dos vencedores .

Afinal,  a partir do que deixou de ser feito nessa feira, fica a dúvida do que teremos pela frente nos próximos quatro anos na reitoria da Uenf. Será mais ou menos Uenf? A ver!

Portal Viu! entrevista pesquisador da UENF sobre ciência e sociedade

roberto carlãoO jornalista Roberto Barbosa, diretor-executivo do Portal Viu!, entrevista o pesquisador Carlos Eduardo de Rezende

O Portal Viu!, uma plataforma digital de notícias cuja abrange o Norte e Norte Fluminense e a região dos Lagos, acabou de marcar um golaço com a veiculação de uma entrevista com o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Eduardo de Rezende, sobre vários tópicos relevantes, a começar pela participação em publicações científicas qualificadas, a começar pela série que versa sobre a descoberta de um antes desconhecido sistema recifal no delta do Rio Amazonas.

Um dos aspectos relevantes dessa entrevista é mostrar o envolvimento da Uenf, incluindo docentes e estudantes de graduação e pós-graduação, em pesquisas de relevância internacional. Como o próprio Carlos Rezende enfatizou, esse tipo de entrevista é particularmente importante em um contexto histórico onde os investimentos públicos em ciência e tecnologia estão sendo atacados, colocando em risco a existência de um sistema nacional que possa contribuir nos esforços de desenvolvimento e integração econômica de uma forma menos dependente daquela que historicamente marcou as relações do Brasil com os países desenvolvidos.

Abaixo a entrevista do professor Carlos Eduardo Rezende que foi entrevistado pelo jornalista Roberto Barbosa,  diretor-executivo do Viu!

Cientista da Uenf é co-autor de novo artigo sobre os corais da Amazônia

CarlãoProfessor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende é um dos co-autores de novo artigo sobre os recifes de corais da Amazônia

Os recifes de corais na foz do Rio Amazônia cuja existência modificou os paradigmas científicos acerca deste tipo de formação resultaram em mais uma importante publicação na prestigiosa revista “Scientific Reports”, que é produzida pelo grupo “Nature”, sob o título “Insights on the evolution of the living Great Amazon Reef System,equatorial West Atlantic“.

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Na equipe de cientistas que realizou as pesquisas que resultaram em uma importante contribuição ao processo evolutivo dos recifes de corais do “Grande sistema de corais de recife da Amazônia” (ou simplesmente GARS em sua nomenclatura inglesa) está o professor Carlos Eduardo de Rezende do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  Carlos Rezende foi um dos coordenadores dos estudos que resultaram na descoberta dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas e continua ativamente envolvido nas pesquisas do GARS.

Segundo Rezende, o artigo  “amplia o conhecimento sobre aspectos evolutivos do GARS usando informações primárias e secundárias sobre datação por radiocarbono a partir de amostras de carbonato“.  Para o pesquisador da Uenf,  os resultados obtidos demonstram que o recife está vivo e em crescimento, com organismos vivos habitando o sistema em sua totalidade.  

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Um dos impactos práticos dessa pesquisa que continua transformando a ciência dos recifes de corais será a dificuldade de exploração das reservas de petróleo e gás que porventura existam em uma região que se mostra extensa e ocupada por um sistema altamente complexo e de marcante biodiversidade.

Finalmente, os resultados desta pesquisa reafirmam a importância da Uenf enquanto centro de formação de jovens pesquisadores, visto que, sob a orientação de Carlos Eduardo de Rezende, dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação participaram do processo de investigação científica que resultou na descoberta do GARS.

 

 

 

 

Alunos da Uenf nunca receberam auxílio moradia, garantido desde 2015 pelo Conselho Universitário

Informação foi divulgada durante reunião das comissões de Ciência e Tecnologia, Educação e Especial da Juventude da Alerj

olneyPró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UENF, Professor Olney Vieira da Motta presente na audiência. Por Júlia Passos

Por ASCOM/ALERJ

Alunos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) jamais receberam auxílio moradia, benefício que passou a ser garantido na instituição a partir de 2015 por meio de decisão do conselho universitário. A bolsa, calculada em R$ 500, deveria ser paga para cerca de 650 alunos, preferencialmente cotistas e regularmente matriculados. No entanto, a instituição não teve recursos para realizar os pagamentos. A informação foi divulgada pelo pró-reitor de extensão e assuntos comunitários da Uenf, Olney Vieira da Motta, durante reunião das comissões de Ciência e Tecnologia, Educação e Especial da Juventude, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (11).

“A nossa universidade não tem um prédio para alojar os estudantes, algo que as instituições mais antigas têm. Com isso, vimos a necessidade da implementação de um auxílio moradia para a permanência dos estudantes cotistas no campus. Porém, na Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada pela Alerj, esse benefício não tem vindo especificado e, por isso, não conseguimos aplicá-lo para esse fim, mas esperamos que na LOA deste ano isso já seja revisto”, pontuou Olney.

A audiência marcada pelas três comissões tinha como objetivo identificar os problemas de assistência estudantil enfrentados pelas instituições de ensino no estado. Além da Uenf, representantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também compareceram ao encontro. Eles relataram dificuldade em manter os alunos de baixa renda nas instituições. Segundo o coordenador geral do DCE Uerj, Luan Luiz, a verba que os alunos cotistas recebem – cerca de R$ 400 por mês – não é suficiente para arcar com o transporte, alimentação, moradia e material escolar do aluno.

“Eu não sou cotista pois minha família tem uma renda que ultrapassa R$ 50 do valor do salário mínimo, calculado em R$ 998 atualmente, mas ainda assim venho de uma família da periferia que não tem condição de arcar com os meus estudos. Moro em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e estudo no campus da Uerj, localizado em São Gonçalo, Região Metropolitana, só de passagem gasto R$ 40 por dia para chegar à sala de aula, um valor muito maior do que o disponibilizado pela bolsa, então, mesmo que eu fosse bolsista, não conseguiria pagar esse custo com transporte que poderia ser arcado pelo Estado”, argumentou Luiz.

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Esta postagem foi produzida originalmente pela Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Ri ode Janeiro [ Aqui!].

As eleições para a reitoria da Uenf: a chance de eleger um líder institucional está posta

carlão juraci

Ainda que possa surpreender aos que esperam mais de ambientes acadêmicos, atual campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) parece saída da mesma cartilha que foi usada para elevar Jair Bolsonaro à condição de presidente do Brasil.

É que premidos pela avassaladora densidade acadêmica do professor Carlos Eduardo de Rezende, os oponentes da sua candidatura começaram a apresentar essa capacidade como se fosse uma espécie de fragilidade em face de uma suposta necessidade de saber “negociar” com políticos as questões mais prementes para manter a Uenf funcionando. De quebra apontaram nele também a suposta falta de experiência administrativa, imputando ainda a ele o “defeito” de ser essencialmente um pesquisador altamente capacitado, mas “apenas” isso.

MVC-069FCarlos Eduardo Rezende junto ao ex-governador Leonel Brizola e a deputada Cidinha Campos durante visita realizada ao campus da Uenf durante a greve pela autonomia em relação à Fenorte.

Essas duas supostas fragilidades são apenas isso, supostas. Não apenas o professor Rezende esteve no grupo que instalou a Uenf, mas como também já ocupou diversos cargos dentro da instituição, desde chefe de laboratório, passando por diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), pró-reitor de graduação e vice-reitor.  Coube a ele ainda estar à frente do processo de criação das licenciaturas e também do Ensino à Distância (EAD). Aliás, poucos sabem que estou na Uenf porque ainda no início do meu doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University recebi em 1992 uma visita do já professor Carlos Rezende que foi até o norte do estado da Virginia para me convencer a participar da construção da “Universidade do Terceiro Milênio” como a instituição era denominada por Darcy Ribeiro.

Mas no tocante ao desenvolvimento institucional da Uenf, Carlos Rezende também ocupou um papel fundamental no processo de separação da nossa então mantenedora e hoje extinta Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) como membro da comissão paritária formada pelo governador Anthony Garotinho para levar a cabo a criação da universidade enquanto personalidade jurídica autônoma. Esse processo que levou quase um ano teve em Carlos Rezende um incansável elaborador de documentos e hábil negociador nas intermináveis reuniões que foram feitas com membros do governo Garotinho. Como eu sei disso? Era um dos outros dois membros na mesma comissão e pude ser testemunha ocular da forma aguerrida que Carlos Rezende defendia a Uenf.

O interessante é que ao longo do seu processo de formação como cientista e liderança institucional, o professor Carlos Eduardo Rezende também teve uma atuação destacada na criação da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Aduenf) onde foi o seu primeiro vice-presidente e onde ocupou por duas vezes a estratégica posição de Tesoureiro.  Na posição de membro da diretoria da Aduenf, Carlos Eduardo Rezende também participou de discussões estratégicas com diferentes gestões do governo estadual, mas também da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Sou testemunha ocular das muitas negociações ocorridas tanto com o governo estadual como na Alerj, em que a voz do professor Carlos Eduardo Rezende foi ouvida preferencialmente por causa do seu evidente e relevante papel como cientista e membro do grupo que fundou a Uenf.

Fossem estes tempos e uma campanha eleitoral normais, eu diria que nem precisaria oferecer esse testemunho acerca das qualidades e incontáveis realizações do professor Carlos Eduardo Rezende. Mas nem vivemos tempos normais ou, tampouco, essa campanha eleitoral tem sido normal. É que por cima de todos os “esquecimentos” acerca das contribuições que o professor Carlos Eduardo Rezende ofereceu na consolidação da Uenf, ele tem sido alvo de inúmeras calúnias e tentativas de assassinato de caráter. Em um grupo de Whatsapp que reúne servidores da Uenf,  Carlos  Rezende chegou a ser acusado de ter rotulado a categoria como “lixo”. Como conheço o professor Carlos Rezende há quase quatro décadas já o vi ir além do que muitos vão para apoiar os servidores técnicos da Uenf, especialmente naquelas horas dolorosas onde poucos se comovem a sair de suas casas para prestar a devida solidariedade.

Por essas e outras, é que não tenho dúvida alguma de que com todos as suas qualidades e eventuais defeitos, Carlos Eduardo de Rezende é a pessoa mais capacitada a dirigir a Uenf em um momento tão tumultuado da história do Rio de Janeiro e do Brasil. 

Práticas autoritárias surgem na reta final da campanha eleitoral para a reitoria da UENF

A campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte (Uenf) que vinha transcorrendo em clima relativamente ameno, mas a proximidade do pleito que começa amanhã nos pólos de Ensino de Educação à Distância (EAD) e na próxima 3a. feira nos campi de Campos dos Goytacazes e Macaé para ter esquentado no final. 

Lamentavelmente esse aquecimento se deu da pior maneira com a destruição de uma faixa da chapa AVANÇA UENF (a que leva o número 11) que é composta pelos professores Carlão e Juraci (ver abaixo).

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Considero o ato de destruição dessa faixa altamente lamentável, pois explicita um  grau inesperado de intolerância em uma campanha que, sendo realizada em uma universidade pública, deveria transcorrer de forma civil e democrática desde o início até o final. Mas aparentemente o germe da intolerância que varre o Brasil neste momento aparentemente já inoculou pelo menos um membro da comunidade universitária da UENF.

Como há uma comissão eleitoral responsável pela realização dessas eleições dentro da Uenf, a minha expectativa que haja uma efetiva apuração do responsável ou responsáveis por esse ato autoritário, e que haja a devida punição de quem for eventualmente identificado como tendo atentado contra a democracia universitária. Afinal, se há uma coisa que não podemos tolerar é a supressão dos direitos democráticos em uma universidade que foi criada por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para garantir o livre e democrático exercício de ideias.

Programa de Políticas Sociais da UENF celebra 20 anos com realização de sua 7a. jornada

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O Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) a Universidade Estadual do Norte Fluminense que forma mestres e doutores e possui nível 5 no sistema de classificação da CAPES completa 20 anos de existência em 2019.

Para celebrar essa conquista, o PGPS/UENF realizará entre os dias 10 e 11 de Setembro a sua 7a Jornada em Políticas Sociais, reunindo pesquisadores de diferentes partes instituições brasileiras e ainda apresentará resultados de pesquisas desenvolvidas por seus próprios discentes. 

A participação nas celebrações dos 20 anos do PGPS/UENF é gratuita e a programação completa do evento é mostrada logo abaixo.

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As eleições para a reitoria da Uenf: líder institucional ou um mero síndico do governo Witzel?

NIEMEYER UENFBrizola e Niemeyer ouvem explanação de Darcy sobre uma maquete da Uenf  ainda no terreno da futura universidade

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) está em um novo ciclo eleitoral para a eleição dos diretores dos seus quatro centros e para a sua reitoria. Essa eleição se dá em um contexto particularmente difícil para as universidades públicas em geral e, particularmente, para as universidades estaduais.  A atual conjuntura é marcada por pressões extremas sobre a autonomia universitária consagrada pela Constituição Federal de 1988, especificamente no tocante à obrigação do Estado brasileiro de respeitar a liberdade científica, e, ao mesmo tempo, ser responsável pela maior parte dos recursos que fazem as universidades funcionar.

No caso das universidades estaduais do Rio de Janeiro, o ataque desferido a partir do terceiro ano do segundo mandato do hoje presidiário ex-governador Sérgio Cabral e mantido ao longo da penosa duração do mandato do também presidiário Luiz Fernando Pezão ainda gera extrema dificuldades para o funcionamento das mesmas.

No caso específico da Uenf, a instituição vem sobrevivendo de maneira altamente precária em meio à reduções brutais do seu orçamento e do desrespeito aos direitos legalmente constituídos de seus servidores e docentes que, contraditoriamente, são aqueles que com grande sacrifício mantêm a universidade criada por Darcy Ribeiro em pé.

A hora é, portanto, chave na história de 26 anos de uma jovem instituição que foi construída pelo governador Leonel Brizola para servir como um dínamo de desenvolvimento tecnológico das regiões Norte e Noroeste fluminense, e também como uma espécie de celeiro que ofereceria quadros profissionais de alta qualidade, mas também com um claro compromisso com a justiça social e a desconstrução de uma estrutura social marcada por uma disparidade de oportunidades entre os membros mais ricos e os mais pobres da sociedade regional.

Por isso tudo, as eleições que ocorrerão ao final deste mês serão de fundamental importância para o futuro da Uenf.   A comunidade universitária terá de escolher entre as candidaturas postas qual o perfil de dirigente que guiará a instituição pelos revoltos tempos em que estamos imersos no Brasil e no Rio de Janeiro. No caso da eleição de reitor, a comunidade terá que decidir se continuaremos a ter um síndico do governo do estado à frente de sua reitoria, como foi o caso dos últimos 4 anos, ou se teremos alguém que possa, mantendo o devido diálogo com o governador Wilson Witzel, efetivamente exercer a autonomia universitária que é garantida pela Constituição Federal visando possibilitar que a Uenf cumpra seu enorme potencial criativo em todas as áreas científicas que a constituem. 

Uma coisa para mim parece evidente: o modelo vigente de reitor/síndico (sem ofensa aos síndicos que trabalham duro para cumprir suas tarefas) tem causado uma paralisação da capacidade crítica e um processo de desmoralização cotidiana cujo produto final é a naturalização do desrespeito com que diferentes governadores têm tratado a Uenf e sua comunidade.

Os custos de se continuar a ter um reitor que age como síndico do governo do estado e não defensor da Uenf (independente de quem for o governador de plantão) já estão mais do que evidentes. Assim, considero que apostar na continuidade desse modelo de dirigente será não apenas contraproducente, mas como acabará levando a Uenf a um processo de pauperização intelectual que, em última instância, a se transmutar em uma sombra daquilo que de melhor Darcy Ribeiro e Leonel Brizola sonharam para que ela fosse.

Reitor sim, síndico não mais. E longa vida à Universidade do Terceiro Milênio de Darcy Ribeiro.

Entrevista especial com Carlos Eduardo Rezende, candidato a reitor da UENF

O Blog do Pedlowski está publicando uma entrevista especial realizada com o Prof. Carlos Eduardo Rezende, candidato a reitor da Universidade Estadual do Norte na chapa formada com o Prof. Juraci Aparecido Sampaio, a Avança UENF: Ciência e Sociedade.
A entrevista aborda uma série de questões, incluindo desde os planos da chapa para o que seriam 4 anos à frente da reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) em um dos momentos mais críticos da história para as universidades públicas brasileiras, mas também aspectos relacionados à críticas que têm sido veiculadas via redes sociais ao que seria um perfil partidário da chapa Avança UENF.

Abaixo as respostas oferecidas pelo Prof. Carlos Rezende às questões que lhe foram remetidas pelo Blog do Pedlowski.

Foto com Juraci

Juraci Sampaio (à esquerda) e Carlos Eduardo de Rezende (à direita) compõe a chapa Avança UENF: Ciência e Sociedade que concorrerá nas eleições à reitoria da Uenf que ocorrerão no início de Setembro.
Blog do Pedlowski (BP): O senhor é normalmente apresentado como um dos fundadores da Uenf. Poderia descrever aos leitores do blog aspectos que considera relevantes de sua trajetória dentro da universidade?
Carlos Eduardo Rezende (CER): Este é um assunto que carrega uma série de excelentes memórias na minha trajetória institucional. Eu estava, assim como muitos outros colegas da UFRJ, realizando parte do meu doutorado na Universidade de Washington (University of Washington) na Escola de Oceanografia (School of Oceanography) na cidade de Seattle em um grupo de referência internacional na área que escolhi para minha vida acadêmica. Naquele momento eu estava muito preocupado com o que faria após terminar o doutorado. Ainda em Seattle, me inscrevi para vagas de recém-doutor e ainda no exterior soube que havia sido selecionado para a vaga. No entanto, ao retornar ao país e conversando com meu orientador de doutorado, Prof. Wolfgang Christian Pfeiffer, me foi apresentada a proposta da Universidade Estadual do Norte Fluminense, que posteriormente teve o nome do seu mentor somado, isto é, Darcy Ribeiro. Obviamente escolhi participar de um projeto que me oferecia um horizonte temporal maior e aqui estou desde então e onde construí minha trajetória acadêmica passando por inúmeras experiências no plano pessoal e profissional.
Na UENF, posso afirmar, participei de todas as suas etapas, tendo o prazer de conviver de perto com pessoas de grande prestígio político (ex. Leonel Brizola e Darcy Ribeiro) e inúmeros pesquisadores renomados que vieram logo no primeiro momento para consolidar grupos nos diferentes centros de pesquisa. Inclusive, tenho o orgulho, neste exato momento, em que me candidato ao cargo de Reitor da Instituição, de obter apoio de alguns destes renomados pesquisadores e estes depoimentos estão disponíveis no canal YouTube da nossa chapa Avança UENF (https://www.youtube.com/results?search_query=avancauenf).
Nestes 26 anos da história institucional, desempenhei inúmeras funções tais como chefe de Laboratório, Diretor de Centro, Vice-Reitor e Pró-Reitor de Graduação, participei de todos os conselhos e colegiados da UENF, comissões para enquadramento funcional de servidores técnicos e docentes. Um ponto importante dentro da minha trajetória institucional é que nunca me omiti politicamente tendo participado ativamente das grandes conquistas da instituição como, por exemplo, a nossa tão desejada autonomia administrativa e recentemente na luta pelos duodécimos como membro do Conselho Universitário e Tesoureiro da Associação de Docentes, tendo inclusive divergido da atual administração em relação ao fracionamento que foi aprovado na ALERJ. Aliás, gostaria de dizer que estive entre os fundadores da ADUENF e metade do meu tempo colaborei com nossa associação sem o menor comprometimento com meu desempenho funcional no plano acadêmico e de pesquisa.
No Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) pude convidar incialmente profissionais para compor o quadro docente e técnico do laboratório que posteriormente fizeram concursos e vários permanecem até hoje. Ainda no LCA coordenei importantes projetos para o país como o Programa Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva que estabeleceu o limite de 200 milhas do nosso país, resguardando nossa soberania e riquezas naturais; membro da Comissão de Ciências do Mar do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação; participei em programas Nacionais tais como os Institutos do Milênio e Nacional de Ciência e Tecnologia; participo de iniciativas internacionais como Future Earth Coasts como coordenador para América do Sul; cooperação por aproximadamente 20 anos com a PETROBRAS e outras empresas do setor privado e Organizações Não Governamentais. Todas estas interações possibilitaram consolidar um laboratório com uma excelente central analítica que coloca o LCA com reconhecimento Nacional e Internacional. Na UENF fui o responsável por 10 anos do primeiro programa de cooperação internacional de mobilidade estudantil para alunos de graduação que envolveu alunos do Centro de Biociências e Biotecnologia e Ciências do Homem, antes do Programa Ciência sem Fronteiras. Em síntese, seriam estes alguns destaques que poderia oferecer aos leitores e dizer que me sinto muito feliz morando em Campos dos Goytacazes onde também consolidei minha família com minha esposa, duas filhas e um filho, três netos e uma neta, um genro e uma nora campistas, constituindo assim um profundo laço com a cidade e toda região Norte Fluminense.

Carlao e Brizola

Carlos Eduardo de Rezende em companhia do governador Leonel Brizola em cujo mandato foi construída a Uenf.
(BP): Por que decidir compor uma chapa para concorrer à reitoria da UENF?
CER: Por várias vezes, em eleições anteriores, meu nome foi colocado por alguns colegas, mas sempre declinei por questões familiares. No entanto, este ano fui novamente procurado, conversei em família, com algumas amigas e amigos, e a questão não foi totalmente rechaçada em um primeiro momento. Desta forma, pensei e considerei inúmeros fatores, principalmente diante da situação atual em que se encontra o país e nosso estado, e iniciei algumas conversas com potenciais pessoas para compor a chapa até chegar ao nome do professor Juraci Sampaio. O professor Juraci é bem mais jovem do que eu, tem trabalhado na UENF nos últimos 15 anos e foi o responsável por um levantamento histórico do desempenho dos nossos alunos de graduação ao longo destes 26 anos de existência da nossa instituição. Cabe ressaltar inclusive que este é um trabalho pioneiro, pois pela primeira vez temos estas informações consolidadas em um documento.
BP: Quais seriam os principais diferenciais da sua chapa em relação às outras duas que também estão participando do processo eleitoral?
CER: Nossa chapa possui uma característica muito importante, pois os dois pesquisadores possuem experiência administrativa e mérito acadêmico. Os dois são membros permanentes de programas de pós-graduação da instituição, tem realizado pesquisas e publicado em revistas com impacto nacional e internacional, e orientado alunos em nível de graduação e pós-graduação. Agora, não vou comentar sobre as características das duas chapas, pois a comunidade conhece as pessoas, as informações estão disponíveis e acredito que a comunidade terá total maturidade para escolha daqueles que representem a instituição da melhor forma possível. Não estamos tratando de um cargo político e sim de uma representação acadêmica da instituição. Nessas horas, muitas pessoas tendem a magnificar defeitos e desconhecerem, ou a desprezar, o mérito acadêmico e da história dentro da instituição.
BP: Em linhas gerais, quais são as principais propostas da sua chapa para a Uenf?
CER: O nosso programa é abrangente, mas precisamos ampliar o acesso ao restaurante universitário; recuperar a infraestrutura da instituição; modernização técnica e profissional dos cursos de graduação e pós-graduação, e a implantação do Colégio de Aplicação da UENF; programas de treinamento técnico nas áreas científica e administrativa; ampliar as atividades culturais e divulgação científica integrando a comunidade acadêmica com a sociedade local e regional, por isto a chapa de chama AvançaUENF: Ciência e Sociedade; intensificar as relações com as instituições de ensino superior que atuam nas regiões Norte, Noroeste e Lagos visando o fortalecimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Concluindo, defendemos uma UENF FORTE, de Qualidade, Inclusiva e Democrática.
BP: Em sua opinião, quais serão os principais desafios que terá de se defrontar caso seja eleito reitor?
CER: o primeiro desafio é a eleição, por este motivo acredito que devemos conduzir este processo dentro de uma liturgia acadêmica para que posteriormente a chapa escolhida pela comunidade consiga conduzir a instituição dentro de um ambiente de união, pois o principal desafio é mostrar a toda sociedade a importância da nossa instituição para o desenvolvimento regional e do país. Precisamos restabelecer os salários e o quadro de servidores, pois ao longo dos últimos anos não tivemos concursos para o quadro permanente dos técnicos e docentes; precisamos também trabalhar para melhoria das bolsas dos estudantes de graduação, pós-graduação e pós-doutorado. Como disse anteriormente, existem coisas que dependem do trâmite e implantação interna com apoio da comunidade através dos seus conselhos e colegiados, outro de um apoio do executivo e dos nossos parlamentares.
BP: Em relação a um tema bastante sensível que é o da proposta de uma eventual cobrança de mensalidades dos estudantes da Uenf, qual é a sua posição?
CER: sou um defensor da Universidade Pública, Gratuita, de Excelência e Socialmente Referenciada. Inclusive, já me pronunciei publicamente sobre este assunto onde reitero o teor, a saber: Aquelas e aqueles que estão ou estiveram na Universidade Pública, seja como servidor técnico ou docente, e também como aluno, tem a obrigação de defendê-la. Quaisquer manifestações contrárias poderiam ser encaradas como um desserviço as nossas instituições públicas, sejam estaduais ou federais.
BP: Além de estar a quase cinco anos sem qualquer reposição salarial, os servidores e professores da Uenf estão com diversos benefícios e direitos congelados. Como pretende resolver este problema junto ao governador Wilson Witzel?
CER: Acredito que temos duas perguntas nesta questão. Primeiro, temos procedimentos em tramitação no âmbito da nossa administração que sequer foram praticados (ex.: enquadramentos, insalubridade) e em seguida, os salários com data para dissídio e benefícios que precisam ser reajustados. Então, uma parte é interna e a outra dependerá de conversar com o Governador e Secretários. Na UENF sempre fui um defensor da nossa autonomia, incluindo a financeira. Há dois anos travamos uma intensa campanha, participei como membro do Conselho Universitário e Tesoureiro da ADUENF, indo para ALERJ, entregando manifesto do CONSUNI aos parlamentares e apoiando a atual reitoria neste pleito. No entanto, discordamos da forma que foi aprovada para implementação, isto é, em 3 anos seguindo os seguintes percentuais 25%, 50% e 100%, e aparentemente correto, pois até agora não se chegou a uma forma final para que este repasse orçamentário se concretize. Enfim, o modelo de autonomia financeira e o total respeito aos repasses destes recursos serão fundamentais para qualquer reitoria.
BP: O senhor tem sido acusado nas redes sociais de estar encabeçando uma chapa com perfil partidário. Como o senhor responde a esta afirmação?
CER: Infelizmente, nosso país passa por um momento muito delicado no âmbito da política partidária e algumas pessoas não conseguem pensar fora desta lógica. Óbvio que tenho minhas preferências políticas, mas na universidade, meu partido é a UENF. Ao longo de 35 anos de profissão, posso afirmar que me orgulho muito da minha trajetória profissional e estar na UENF desde a sua concepção original é uma delas. Assim, esta tentativa tosca de rotular minha candidatura com perfil partidário é absurda e tenta criar factoides para me desqualificar. Agora, deixo claro, jamais deixarei de defender qualquer ponto que considere fundamental e relevante para minha instituição ou para meu país. O que tenho visto nas universidades é uma tentativa de calar, a base da força e de intimidações, as pessoas que possuem uma visão progressista. Ao longo de muitos anos alguns professores cultuaram a postura de negar a política, passar isto para parte dos alunos como uma coisa detestável e hoje temos uma sociedade polarizada e totalmente despolitizada.
BP: Após quase 3 décadas de atuação na Uenf, quais seriam em sua opinião as principais contribuições da universidade para o desenvolvimento regional?
CER: a UENF tem formado excelentes profissionais em nível de graduação e pós-graduação, e considero que esta é a principal contribuição que podemos oferecer para o desenvolvimento da região assim como o conhecimento que geramos através das nossas pesquisas científicas. Na contribuímos ativamente para várias empresas, universidades públicas e privadas, institutos federais e para órgãos públicos como Ministério Público Federal e Estadual, órgãos ambientais e os profissionais formados pela UENF tem atuado em diferentes esferas dos setores públicos e privados. Este é um dos principais legados que nossa instituição tem oferecido para região, para o país e internacionalmente.
BP: A UENF viveu um período muito difícil em 2017 com a falta de salários, mas continuou cumprindo com suas responsabilidades. Como isso foi possível?
CER: De fato este foi um dos piores momentos que vivemos dentro da instituição, pois somados ficamos aproximadamente 6 meses sem salários. Isto realmente comprometeu as finanças e a saúde mental dos nossos servidores técnicos e docentes. Vários não se recuperaram até hoje no quesito financeiro e também da saúde. Um impacto terrível na vida das pessoas e nos vimos confrontados com uma pressão terrível. Em um primeiro momento, fomos convencidos de que a melhor forma para reverter este processo seria continuar trabalhando, mas as reservas financeiras das pessoas foram se esgotando assim como a estabilidade emocional. Afinal de contas todos possuem responsabilidades civis e familiares que em nenhum momento poderiam ser ignoradas. Assim, diante desta situação, algumas das atividades foram descontinuadas e outras até mesmo mantidas por algumas reservas técnicas individuais, mas por força dos servidores técnicos e docentes, as atividades essenciais foram mantidas mesmo diante da pressão por parte de algumas pessoas que insistiam que a situação estava totalmente normal.
BP: Há algo que eu não perguntei e o senhor gostaria de abordar?
CER: O que vem acontecendo na UENF é uma situação muito especial, talvez isto aconteça pela sua jovem história. A instituição certamente possui inúmeras lideranças no plano acadêmico, porém o mais importante é conhecer a trajetória profissional que expressa esta liderança. No nosso caso, a escala de mudança ocorre a cada 4 anos e não basta uma auto identificação, considero que perdemos um pouco estes referenciais na UENF e precisamos resgatar, pois estamos em uma instituição que prega excelência na área de formação de recursos humanos na graduação e pós-graduação, na pesquisa e extensão.
Qualquer gestão pode e deve ser julgada pelos seus resultados, mas a tentativa de se perpetuar a frente da instituição me parece um grande equívoco. A meu ver, a melhor liderança para UENF deve somar qualidades tais como caráter, mérito acadêmico, habilidade e um pouco de sorte. Não faço parte do grupo que deseja o poder a qualquer custo, que isto fique bem claro para todas e todos. A frente de uma gestão a prudência é necessária para avaliar os riscos e apontar para os melhores caminhos. Considero que a eleição representa um ponto inicial da caminhada, mas infelizmente o maior problema em um processo eleitoral é o não reconhecimento das suas qualidades e a ampliação excessiva dos defeitos assim como reinventar parte da história. Concluindo, espero que o indicado pela comunidade conte com apoio de todos os setores depois de finalizada esta etapa, pois está evidente a forma como as universidades têm sido tratadas ao longo dos últimos anos.

Comissão de Educação “Itinerante” da Alerj se reúne na UENF

Com o tema “A situação da educação no Norte Fluminense”, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realiza reunião aberta ao público em geral nesta 3a. feira no campus Leonel Brizola da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Dada a situação da educação em geral, em especial no município de Campos dos Goytacazes, esta reunião representa uma excelente oportunidade para os que se preocupam com a defesa da educação pública apresentarem suas preocupações e sugestões.

O evento corre nesta 3a. feira (18/06) a partir das 09:00 h no auditório 4 do Centro de Convenções da UENF.

convite alerj