Entrevista sobre os impactos dos agrotóxicos ao projeto “Tom da Ciência”

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A convite do professor Marcelo Gantos, coordenador do projeto de extensão “Tom da Ciência” dei uma entrevista que acaba de ser veiculada nas redes sociais sobre os impactos sociais e ambientais do uso de agrotóxicos, com uma número significativo de substâncias que são classificadas como altamente tóxicas,  na agricultura familiar (ver vídeo abaixo).

Dentre os aspectos que pontuei como importantes na questão do uso de agrotóxicos por assentados da reforma agrária que venho estudando há quase duas décadas é de que os agricultores familiares são uma espécie de “canário na mina de carvão” no tocante ao uso de venenos agrícolas altamente tóxicos, e que estão sendo liberados em velocidade espantosa pelo governo Bolsonaro.

Além disso, pontuei na entrevista para aquilo que chamei de “ciclo de envenenamento” que envolve o agricultor familiar desde o momento em que manuseia a substância para aplicar em sua roça, passando pela contaminação de águas e solos, e termina no momento em que os alimentos gerados são consumidos dentro da unidade familiar.

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Noto ainda que no momento em que a entrevista foi concedida, o governo Bolsonaro havia aprovado 48 agrotóxicos em 2020, sendo que agora o total de aprovações já alcançou 163. Mas a proporção de 30% de agrotóxicos banidos pela União Europeia continua mantida.

O projeto “Tom da Ciência” é uma ferramenta de divulgação das áreas de pesquisa das três pós-graduações do Centro de Ciência do Homem (Cognição e Linguagem, Políticas Sociais, e Sociologia Política) mantidos pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). O o material que é produzido pelo “Tom da Ciência“, a partir  de entrevistas com docentes desses programas, serviu para criar um espaço comunicativo alternativo de mídia (Youtube, Facebook e Instagram) que será atualizado  constantemente para a divulgação do conhecimento científico, tecnológico e cultural.

Prevenção em tempos de COVID-19

Por Eliane S. Pedlowski*

Tenho acompanhado as notícias e orientações sobre como se prevenir contra as consequências da contaminação pelo coronavírus, mas pouco se fala em outros cuidados que não os de higiene pessoal/ambiental… Precisamos que se fale mais em melhorar a nossa saúde em geral, para melhor reagirmos às agressões ambientais…

Pensando inicialmente no conceito de saúde, palavra que vem do latim salus, literalmente um bom estado físico, mais recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs um conceito onde saúde é considerada como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não, simplesmente, a ausência de doenças ou enfermidades. É fato estabelecido pela comunidade científica que precisamos fugir da ideia de ‘fórmulas milagrosas’, sendo a saúde a soma de um conjunto de ações na vida.

Tentar seguir um estilo de vida saudável é uma das estratégias para manter o sistema natural de defesa do corpo – a chamada ‘imunidade’ – sempre forte e eficiente: recomenda-se não fumar, praticar exercícios físicos leves ou moderados de forma regular, dormir o suficiente (o quanto, depende de cada um, mas em geral de 7 a 8 horas diárias), e ter boa alimentação – sim, há necessidade que se entenda que nossa saúde está também naquilo que comemos e bebemos, e aqui há algo que também a ciência já estabeleceu: quanto menor a quantidade de substâncias químicas nós ingerirmos, melhor para a saúde de nosso sistema imune.

Quem, hoje, não ouviu falar em alimentos prebióticos e probióticos? A ‘biota’ contida nestas palavras diz respeito à microbiota intestinal, ou seja, as bactérias existentes em nosso intestino, e os cientistas há várias décadas já demonstraram que a mucosa do intestino aloja também a maior coleção de células imunes do corpo e que estas estão em atividade contínua para nos defender – tanto a microbiota quanto a formação de células imunes dependem dos ‘ingredientes’ fornecidos por nossa alimentação diária; a chamada disbiose, que são alterações na diversidade dessa microbiota, pode ser desencadeada por fatores externos e está relacionada ao desenvolvimento de doenças tão diversas como alergias, doenças autoimunes e inflamatórias crônicas, dentre outras.

Por isso tudo e muito mais, nossa proteção começa com a boa alimentação diária, que deve incluir preferencialmente alimentos in natura, pouco cozidos e minimamente processados, hoje distantes de muitos lares; a vida moderna, por diversos motivos, nos levou a privilegiar os alimentos prontos, os “fast foods“, a comida que não é comida, só parece que é comida – já viu a margarina com gosto de manteiga? Quanto custa uma fruta comparada a um pacote de salgadinho?

O Ministério da Saúde brasileiro, há tempos, se preocupa com a questão alimentação X saúde, e por isso publicou o Guia Alimentar para a População Brasileira, cuja última edição em 2014 não teve como foco único e principal a ingestão de nutrientes e porções ou o grupo alimentar, mas se preocupou principalmente em salientar como a qualidade do alimento influencia na melhoria do bem estar. Este Guia traz os dez passos para a alimentação saudável (ver figura abaixo).

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Assim, é o conjunto de atitudes que fará com que tenhamos uma saúde melhor e consigamos resistir melhor às doenças, e em alimentação, a regra de ouro é fugir dos alimentos industrializados e/ou agrotóxicos e/ou alimentos geneticamente modificados o máximo possível!

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*Eliane S. Pedlowski é Nutricionista (UFRJ) e Mestre em Políticas Sociais (UENF), e atua na Secretária Municipal de Saúde de Telêmaco Borba (PR).

Caio Vianna e seu elogio fora de lugar na Uenf

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Conheço Caio Vianna, o jovem político e potencial aspirante à cadeira de prefeito de Campos dos Goytacazes, faz bastante tempo. Durante a greve desgastante que tivemos que travar para garantir o recebimento de nossos salários em 2017, ele visitou a sede da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf) e lá gravou uma mensagem de apoio político que foi importante no contexto de extrema degradação que atravessávamos naquele momento doloroso.

Por conhecê-lo e saber que ele conhece minimamente a realidade em que a Uenf está imersa é que não entendi porque tendo a oportunidade de dar crédito a quem segurou e continua segurando o piano, que são os professores e servidores técnico-administrativos,que em 2017 ficaram 4 meses sem receber salários, Caio Vianna resolveu deitar elogios ao ex-reitor Luis Passoni e ao seu ex-chefe de gabinete e agora reitor Raul Palacio ( ver imagem abaixo).

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A verdade é que a Uenf continua de portas abertas, produzindo ciência e gerando novos quadros profissionais para o Norte Fluminense, apesar da reitoria que a dirigiu de forma omissa e submissa nos momentos mais difíceis que tivemos na história dessa jovem instituição. No caso da Uenf, a prática tem demonstrado que o coletivo é mais forte do que seus frágeis dirigentes.

De todo modo, a mim parece preocupante que alguém que quer se apresentar como alternativa ao modelo falido de administração pública da gestão de Rafael Diniz possa pensar que instituições são construídas e consolidadas por causa do trabalho deste ou daquele indivíduo.   Melhor fará Caio Vianna se assimilar algo que Darcy Ribeiro, fundador da Uenf dizia: universidades são construídas coletivamente por todos os que nelas estão inseridos, independente da função que ocupem. Se aprender essa lição deixada por Darcy,  Caio Vianna poderá evitar, caso venha a se tornar um dia prefeito de Campos dos Goytacazes,  um erro crasso que Rafael Diniz cometeu: negligenciar a importância dos que carregam o piano.

Diretoria da Aduenf repudia fake news implicando docentes da Uenf em grande apreensão de drogas

nota de repúdio

NOTA ADUENF DE REPÚDIO A FALSAS NOTÍCIAS VEICULADAS EM MÍDIA LOCAL

A ADUENF vem a público esclarecer que as últimas notícias veiculadas por mídias locais são inverídicas. A recente manchete “Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e outros 9 homens presos com 11 kg de droga em condomínio” é sensacionalista. A notícia faz referência a um indivíduo que teria se identificado como professor da UENF ao ser preso. Na verdade, trata-se de um ex-aluno da UENF. Os estragos são enormes e incalculáveis mesmo com a retificação da matéria. Sem qualquer comunicação com a Universidade para averiguar a veracidade dos fatos, a publicação compromete a imagem de uma instituição de ensino superior consolidada no Rio de Janeiro e decisiva no desenvolvimento da região norte fluminense. Nossa comunidade soma mais de 5000 alunos na graduação, 1555 alunos em pós graduação. Somos 300 docentes e aproximadamente 600 técnicos atuando em Campos dos Goytacazes, Macaé, Itaocara, São Fidelis, Itaperuna, Miracema, São Francisco, Bom Jesus de Itabapoana.

O ano de 2019 foi particularmente grave para as Universidades Públicas e para educação no Brasil. Mesmo assim, a Universidade Estadual do Norte Fluminense manteve sua excelência a observar indicadores recentes como Índice Geral de Cursos. Construir uma Universidade e manter ensino, pesquisa e extensão são desafios cotidianos a considerar as recentes crises vividas no Rio de Janeiro. As Universidades vêm enfrentando campanhas difamatórias diariamente. Sem nenhuma comprovação, somos atacados com falsas notícias cujo objetivo claro é cooperar para destruição do ensino público e de qualidade oferecido à população.

Repudiamos enquanto docentes e pesquisadores que manchetes como esta, comprometam publicamente a imagem de uma Universidade e sua comunidade, seus alunos, professores, técnicos e todos aqueles ligados a nossa instituição.

Diretoria da ADUENF

Gestão AVANÇAR NA LUTA

Campos dos Goytacazes, 14 de Dezembro de 2019

A Uenf pós eleições e seus analistas inacurados

Estou fora do Brasil desde a última quarta-feira (09/10) em função de um compromisso acadêmico na cidade de Shenzhen, segunda maior cidade  chinesa. Em função dos controles estritos existentes na China sobre a internet, acabei não tendo como atualizar o blog durante essa última semana.

20191013_083330.jpgCom o professor Carlos Eduardo de Rezende na abertura do “International Symposium on Green Development and Integrated Risk Governance” que ocorreu entre os dias 13 e 14 de outubro em Shenzhen, China.

Entretanto, pude ler alguns materiais produzidos sobre a situação política dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) após as eleições realizadas para a sua reitoria e direções de centro. Não sei se por desconhecimento ou má fé (ou uma mistura das duas coisas), há quem esteja propalando uma suposta cristalização de posições em grupos formados pelos ganhadores e perdedores de uma das eleições menos concorridas e mais mornas que tivemos desde 1999, quando começaram os processos de escolha direta para os principais cargos dirigentes da instituição.

A verdade é que não existe cristalização alguma entre os ditos vencedores e os supostos perdedores das eleições recentemente encerradas.  Pessoalmente acho que as últimas eleições foram bastante úteis para clarificar os horizontes que existem dentro da Uenf em torno do destino da instituição.  E só por isso, acredito que há quem tenha “perdido”, mas que provavelmente agora se sente aliviado por não ter vencido.

Mas confesso que, dado especialmente o resultado de quem ocupa a reitoria entre 2020 e 2023, particularmente esperarei com curiosidade o que será feito para aumentar a produção científica dentro da Uenf, já que este é o elemento basilar para financiar programas de pós-graduação, a coluna vertebral sobre o qual se sustenta a produção e difusão de conhecimento nas áreas de graduação e extensão. Falo isso porque a opção política feita desprezou o critério da capacidade científica para quem deve ocupar o cargo máximo da instituição. Assim, cobranças de mais atuação daqueles que “carregam o piano da produção científica” soarão., no mínimo, estranhas. 

Mas qualquer coisa que se escreva sobre o rumo que a Uenf adotará a partir de 2020 será precoce, pois ainda temos pelo menos 2 meses e meio para chegarmos ao final de 2019.  Assim, o melhor mesmo será esperar o fim de uma gestão que se mostrou melancólica para ver como se dará a sua continuação.

Finalmente, há quem queira definir quem são as “boas cabeças” da Uenf como se tivessem uma espécie de varinha de condão nas mãos para escolher quem representa intelectualmente a instituição. Esse tipo de pretensão beira o risível, pois quem frequenta a Uenf diariamente sabe que alguns dos escolhidos como intelectualmente dignos não são vistos dessa forma por quem vive e constrói a instituição todos os dias. Esse tipo de aposta em cavalo paraguaio é uma clara demonstração de que há gente se ocupando do quintal alheio, enquanto sua própria casa arde em chamas. Melhor chamar os bombeiros!

 

Um estande abandonado e a pergunta que não quer calar: mais ou menos Uenf?

A imagem abaixo mostra o estado de abandono em que se encontra o estande da Universidade Estadual do Norte Fluminense na Feira de Oportunidades que está ocorrendo no campus do Instituto Federal Fluminense ontem e hoje (26 e 27 de setembro).

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Este abandono de uma atividade de divulgação das atividades e serviços prestados por instituições públicas e privadas de ensino em Campos dos Goytavazes é mostra de que nem sempre vencer eleições é bom para a animação dos vencedores .

Afinal,  a partir do que deixou de ser feito nessa feira, fica a dúvida do que teremos pela frente nos próximos quatro anos na reitoria da Uenf. Será mais ou menos Uenf? A ver!

Portal Viu! entrevista pesquisador da UENF sobre ciência e sociedade

roberto carlãoO jornalista Roberto Barbosa, diretor-executivo do Portal Viu!, entrevista o pesquisador Carlos Eduardo de Rezende

O Portal Viu!, uma plataforma digital de notícias cuja abrange o Norte e Norte Fluminense e a região dos Lagos, acabou de marcar um golaço com a veiculação de uma entrevista com o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Eduardo de Rezende, sobre vários tópicos relevantes, a começar pela participação em publicações científicas qualificadas, a começar pela série que versa sobre a descoberta de um antes desconhecido sistema recifal no delta do Rio Amazonas.

Um dos aspectos relevantes dessa entrevista é mostrar o envolvimento da Uenf, incluindo docentes e estudantes de graduação e pós-graduação, em pesquisas de relevância internacional. Como o próprio Carlos Rezende enfatizou, esse tipo de entrevista é particularmente importante em um contexto histórico onde os investimentos públicos em ciência e tecnologia estão sendo atacados, colocando em risco a existência de um sistema nacional que possa contribuir nos esforços de desenvolvimento e integração econômica de uma forma menos dependente daquela que historicamente marcou as relações do Brasil com os países desenvolvidos.

Abaixo a entrevista do professor Carlos Eduardo Rezende que foi entrevistado pelo jornalista Roberto Barbosa,  diretor-executivo do Viu!

Cientista da Uenf é co-autor de novo artigo sobre os corais da Amazônia

CarlãoProfessor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende é um dos co-autores de novo artigo sobre os recifes de corais da Amazônia

Os recifes de corais na foz do Rio Amazônia cuja existência modificou os paradigmas científicos acerca deste tipo de formação resultaram em mais uma importante publicação na prestigiosa revista “Scientific Reports”, que é produzida pelo grupo “Nature”, sob o título “Insights on the evolution of the living Great Amazon Reef System,equatorial West Atlantic“.

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Na equipe de cientistas que realizou as pesquisas que resultaram em uma importante contribuição ao processo evolutivo dos recifes de corais do “Grande sistema de corais de recife da Amazônia” (ou simplesmente GARS em sua nomenclatura inglesa) está o professor Carlos Eduardo de Rezende do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  Carlos Rezende foi um dos coordenadores dos estudos que resultaram na descoberta dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas e continua ativamente envolvido nas pesquisas do GARS.

Segundo Rezende, o artigo  “amplia o conhecimento sobre aspectos evolutivos do GARS usando informações primárias e secundárias sobre datação por radiocarbono a partir de amostras de carbonato“.  Para o pesquisador da Uenf,  os resultados obtidos demonstram que o recife está vivo e em crescimento, com organismos vivos habitando o sistema em sua totalidade.  

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Um dos impactos práticos dessa pesquisa que continua transformando a ciência dos recifes de corais será a dificuldade de exploração das reservas de petróleo e gás que porventura existam em uma região que se mostra extensa e ocupada por um sistema altamente complexo e de marcante biodiversidade.

Finalmente, os resultados desta pesquisa reafirmam a importância da Uenf enquanto centro de formação de jovens pesquisadores, visto que, sob a orientação de Carlos Eduardo de Rezende, dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação participaram do processo de investigação científica que resultou na descoberta do GARS.

 

 

 

 

Alunos da Uenf nunca receberam auxílio moradia, garantido desde 2015 pelo Conselho Universitário

Informação foi divulgada durante reunião das comissões de Ciência e Tecnologia, Educação e Especial da Juventude da Alerj

olneyPró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UENF, Professor Olney Vieira da Motta presente na audiência. Por Júlia Passos

Por ASCOM/ALERJ

Alunos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) jamais receberam auxílio moradia, benefício que passou a ser garantido na instituição a partir de 2015 por meio de decisão do conselho universitário. A bolsa, calculada em R$ 500, deveria ser paga para cerca de 650 alunos, preferencialmente cotistas e regularmente matriculados. No entanto, a instituição não teve recursos para realizar os pagamentos. A informação foi divulgada pelo pró-reitor de extensão e assuntos comunitários da Uenf, Olney Vieira da Motta, durante reunião das comissões de Ciência e Tecnologia, Educação e Especial da Juventude, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (11).

“A nossa universidade não tem um prédio para alojar os estudantes, algo que as instituições mais antigas têm. Com isso, vimos a necessidade da implementação de um auxílio moradia para a permanência dos estudantes cotistas no campus. Porém, na Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada pela Alerj, esse benefício não tem vindo especificado e, por isso, não conseguimos aplicá-lo para esse fim, mas esperamos que na LOA deste ano isso já seja revisto”, pontuou Olney.

A audiência marcada pelas três comissões tinha como objetivo identificar os problemas de assistência estudantil enfrentados pelas instituições de ensino no estado. Além da Uenf, representantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também compareceram ao encontro. Eles relataram dificuldade em manter os alunos de baixa renda nas instituições. Segundo o coordenador geral do DCE Uerj, Luan Luiz, a verba que os alunos cotistas recebem – cerca de R$ 400 por mês – não é suficiente para arcar com o transporte, alimentação, moradia e material escolar do aluno.

“Eu não sou cotista pois minha família tem uma renda que ultrapassa R$ 50 do valor do salário mínimo, calculado em R$ 998 atualmente, mas ainda assim venho de uma família da periferia que não tem condição de arcar com os meus estudos. Moro em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e estudo no campus da Uerj, localizado em São Gonçalo, Região Metropolitana, só de passagem gasto R$ 40 por dia para chegar à sala de aula, um valor muito maior do que o disponibilizado pela bolsa, então, mesmo que eu fosse bolsista, não conseguiria pagar esse custo com transporte que poderia ser arcado pelo Estado”, argumentou Luiz.

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Esta postagem foi produzida originalmente pela Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Ri ode Janeiro [ Aqui!].

As eleições para a reitoria da Uenf: a chance de eleger um líder institucional está posta

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Ainda que possa surpreender aos que esperam mais de ambientes acadêmicos, atual campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) parece saída da mesma cartilha que foi usada para elevar Jair Bolsonaro à condição de presidente do Brasil.

É que premidos pela avassaladora densidade acadêmica do professor Carlos Eduardo de Rezende, os oponentes da sua candidatura começaram a apresentar essa capacidade como se fosse uma espécie de fragilidade em face de uma suposta necessidade de saber “negociar” com políticos as questões mais prementes para manter a Uenf funcionando. De quebra apontaram nele também a suposta falta de experiência administrativa, imputando ainda a ele o “defeito” de ser essencialmente um pesquisador altamente capacitado, mas “apenas” isso.

MVC-069FCarlos Eduardo Rezende junto ao ex-governador Leonel Brizola e a deputada Cidinha Campos durante visita realizada ao campus da Uenf durante a greve pela autonomia em relação à Fenorte.

Essas duas supostas fragilidades são apenas isso, supostas. Não apenas o professor Rezende esteve no grupo que instalou a Uenf, mas como também já ocupou diversos cargos dentro da instituição, desde chefe de laboratório, passando por diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), pró-reitor de graduação e vice-reitor.  Coube a ele ainda estar à frente do processo de criação das licenciaturas e também do Ensino à Distância (EAD). Aliás, poucos sabem que estou na Uenf porque ainda no início do meu doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University recebi em 1992 uma visita do já professor Carlos Rezende que foi até o norte do estado da Virginia para me convencer a participar da construção da “Universidade do Terceiro Milênio” como a instituição era denominada por Darcy Ribeiro.

Mas no tocante ao desenvolvimento institucional da Uenf, Carlos Rezende também ocupou um papel fundamental no processo de separação da nossa então mantenedora e hoje extinta Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) como membro da comissão paritária formada pelo governador Anthony Garotinho para levar a cabo a criação da universidade enquanto personalidade jurídica autônoma. Esse processo que levou quase um ano teve em Carlos Rezende um incansável elaborador de documentos e hábil negociador nas intermináveis reuniões que foram feitas com membros do governo Garotinho. Como eu sei disso? Era um dos outros dois membros na mesma comissão e pude ser testemunha ocular da forma aguerrida que Carlos Rezende defendia a Uenf.

O interessante é que ao longo do seu processo de formação como cientista e liderança institucional, o professor Carlos Eduardo Rezende também teve uma atuação destacada na criação da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Aduenf) onde foi o seu primeiro vice-presidente e onde ocupou por duas vezes a estratégica posição de Tesoureiro.  Na posição de membro da diretoria da Aduenf, Carlos Eduardo Rezende também participou de discussões estratégicas com diferentes gestões do governo estadual, mas também da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Sou testemunha ocular das muitas negociações ocorridas tanto com o governo estadual como na Alerj, em que a voz do professor Carlos Eduardo Rezende foi ouvida preferencialmente por causa do seu evidente e relevante papel como cientista e membro do grupo que fundou a Uenf.

Fossem estes tempos e uma campanha eleitoral normais, eu diria que nem precisaria oferecer esse testemunho acerca das qualidades e incontáveis realizações do professor Carlos Eduardo Rezende. Mas nem vivemos tempos normais ou, tampouco, essa campanha eleitoral tem sido normal. É que por cima de todos os “esquecimentos” acerca das contribuições que o professor Carlos Eduardo Rezende ofereceu na consolidação da Uenf, ele tem sido alvo de inúmeras calúnias e tentativas de assassinato de caráter. Em um grupo de Whatsapp que reúne servidores da Uenf,  Carlos  Rezende chegou a ser acusado de ter rotulado a categoria como “lixo”. Como conheço o professor Carlos Rezende há quase quatro décadas já o vi ir além do que muitos vão para apoiar os servidores técnicos da Uenf, especialmente naquelas horas dolorosas onde poucos se comovem a sair de suas casas para prestar a devida solidariedade.

Por essas e outras, é que não tenho dúvida alguma de que com todos as suas qualidades e eventuais defeitos, Carlos Eduardo de Rezende é a pessoa mais capacitada a dirigir a Uenf em um momento tão tumultuado da história do Rio de Janeiro e do Brasil.