A reitoria da UENF e as trágicas ironias do destino

Será que serei o único a achar irônico (com fortes pitadas de trágico) o fato de que, enquanto a reitoria da UENF assinou recentemente um convênio para militarizar a sua segurança interna do campus Leonel Brizola, os reitores da UERJ e da UFRJ emitam notas públicas de repúdio à prisão de manifestantes. E que, de quebra, a nota da UFRJ também repudia as violências cometidas pela PM nas manifestações que vem ocorrendo na cidade do Rio de Janeiro?

Aliás, o que acha a reitoria da UENF sobre isso tudo? Nada a declarar?

Matéria de “O DIÁRIO” confirma informação sobre grave crise financeira na UENF

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Abaixo matéria publicada no jornal O DIÁRIO para tratar da grave crise financeira que assola a UENF.
A boa notícia é que os telefones deverão ser religados ao longo desta semana, conforme informa na matéria o prefeito do campus. Agora, eu não entendi uma coisa. Na matéria o prefeito informa que a principal linha telefônica já foi religada. Que linha será essa?

Telefones na Uenf desligados há 15 dias

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) está há 15 dias com os telefones cortados e o motivo seria falta de pagamento. Em seu blog, o professor Marcos Pedlowski, que também é conselheiro da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf), chama a atenção para o fato e ressalta que a universidade enfrenta uma crise financeira. 

Segundo o professor Pedlowski, a Universidade não estaria conseguindo honrar seus compromissos e devendo a várias empresas que prestam serviços para a universidade porque o Governo do Estado não estaria liberando recursos como deveria. “Sérgio Cabral (ex-governador) e Luis Fernando Pezão adotaram uma forma diferente para liberar as verbas orçamentárias e, por isso, os valores não são repassados em sua totalidade. Para se ter uma ideia, até o mês passado, apenas 27% do orçamento da universidade havia sido executado”, afirmou Pedlowski, destacando que a falta de recursos estaria afetando não só o serviço de telefonia, mas limpeza, água e energia elétrica. “A nossa situação é realmente muito séria”, acrescentou.

O prefeito da Uenf, Gustavo Xavier, disse ontem que a principal linha telefônica da universidade já havia sido restabelecida e as demais seriam liberadas no decorrer desta semana. “Entrei em contato com a Secretaria Estadual de Fazenda que me informou que o repasse para a empresa de telefonia foi feito na quinta-feira passada”, acrescentou.

Gustavo Xavier confirmou ainda que a não liberação das verbas orçamentárias em sua totalidade tem causado dificuldade no pagamento dos serviços pela universidade. “Até o dia 30 de junho deveríamos ter recebido 40% das verbas, mas recebemos apenas 27%”.

A UENF afundada no caos financeiro. Sem surpresa, a reitoria é 15!

Em tempos de eleições para o governo do Rio de Janeiro, que ocorrem num momento em que a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) passa uma situação financeira alarmante, há que se lembrar que o atual reitor da instituição, Silvério Freitas, e seu vice, Edson Correa, escolheram o número 15 para sua chapa nas eleições de 2011.

Coincidência? Não! A adoção do “15” foi uma sinalização clara de alinhamento e submissão ao (des) governo comandado por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. Essa dobradinha foi aprofundada pela indicação do ex-reitor Almy Junior para presidir a Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE), fato que foi visto como uma vitória dessa unidade UENF-PMDB.

Agora que o (des) governo Pezão prende ativistas e a UENF afunda em grave crise financeira, me parece justo lembrar que a reitoria da UENF é “15”!

silverio e almy

Pior ou melhor nos anos de Pezão e Cabral? Na UENF? Muito, muito pior!

Li no blog do jornalista Alexandre Bastos que o (des) governador Pezão colocou na rua o seu “rolo compressor” na forma de uma publicação bancada pelo PMDB para mostrar quanto o estado do Rio de Janeiro “melhorou” durante os últimos anos nas mãos dele e do ex-(des) governador Sérgio Cabral (Aqui!). Segundo vi, o (des) governador Pezão quer comparar presente e passado para demonstrar que vivemos num verdadeiro paraíso e não sabemos.

Pois bem, eu só gostaria de dar uma pequena contribuição a esse esforço de memória proposto pelo (des) governador Pezão! É que a UENF continua com seus telefones cortados após quase 2 semanas de vigência do mutismo imposto pela falta de pagamentos das contas da universidade! E o silêncio dos telefones atinge inclusive as ligações internas, o que está comprometendo o funcionamento mínimo da principal instituição pública localizada no interior do Rio de Janeiro!

Assim, na parte que cabe à UENF, a comparação entre passado e presente não poderia ser mais clara: estamos muito piores e com chances de caminharmos para uma situação ainda mais crítica!

Recordar é viver: Reitor da UENF é alvo de nota de repúdio de delegacia sindical

Ainda no rescaldo da longa greve que paralisou as atividades da UENF por quase 90 dias, me chegou às mãos, um documento da delegacia sindical do SINTUPERJ, que representa os servidores técnicos-administrativos. Em termos práticos, a delegacia do SINTUPERJ na UENF emitiu faz algum tempo  uma nota de repúdio ao reitor Silvério de Paiva Freitas por um suposto descompromisso com as posições aprovadas em assembleias da categoria, e por não ter comunicado essa ação à categoria.

O interessante nisto tudo é que essa nota é até agora o único documento público que expõe e repudia as idas e vindas da reitoria da UENF no tratamento das questões salariais de professores e servidores. 

Fico imaginando que tipo de nota está sendo preparada agora que a reitoria da UENF roeu a corda de vez, e os servidores técnicos-administrativos acabaram amargando um reajuste de apenas 19%, e ainda por cima dividido em 2 parcelas.

NOTA DE REPÚDIO

A Delegacia Sindical Sintuperj Uenf repudia a decisão arbitrária do Magnífico Reitor da UENF, Sr. Silvério de Paiva Freitas, por reenviar ao Governo do Estado o processo E-26/050.637/11 sem a correção real e simples de 28%, de acordo com o que foi aprovado em assembleias anteriores pela categoria, e também por não ter comunicado oficialmente a este Sindicato, representante legal dos servidores técnico-administrativos desta instituição/UENF.
A Delegacia Sindical Sintuperj UENF entende que o fato acima supracitado é relatado pelo vice-reitor Sr. Edson Corrêa da Silva no dia 19/04/13 no CONSUNI.
A Delegacia Sindical entende que tal fato ocorrido viola de forma nítida e clara  os direitos trabalhistas respaldados pela Carta magna em seu artigo 5.
Delegacia Sindical SINTUPERJ UENF

Reitoria da UENF suposta onda de violência para justificar convênio com a polícia militar

Anda cada vez mais enrolada a história envolvendo o convênio assinado pela reitoria da UENF com a Secretaria de Segurança, e que versa sobre a intensificação do policiamento no entorno do campus Leonel Brizola. É que informações extra-oficiais dadas por membros do Conselho Universitário (CONSUNI) e do Colegiado Acadêmico (COLAC) dão conta que a reitoria alegou que o campus da UENF estaria sofrendo uma espiral de violência, com a ocorrência de diversos crimes, incluindo os de natureza sexual.

Como nunca fui informado, oficial ou oficiosamente, destes crimes, fico me perguntando se tanta urgência em assinar um convênio sem passar pelo crivo em tempo devido dos colegiados está mesmo ancorado nas preocupações dos gestores com a segurança dentro do campus Leonel Brizola.

É que andar pelos corredores do Centro de Ciências do Homem de noite é quase como passear pelas catacumbas de Roma, de tão escuros que são.  Essa escuridão se estende também aos banheiros. Assim, se há tanta preocupação com a segurança, por que não se faz algo básico como trocar lâmpadas queimadas?

Mas agora que a questão dessa onda de violência foi apresentada nos colegiados superiores, a reitoria está devendo uma manifestação pública e oficial sobre essa questão. E quanto antes a explicação for dada, melhor. Do contrário, a notícia vai se espalhar e naturalmente aumentar a preocupação dos que vivem o cotidiano da UENF, especialmente os que fazem isto de noite.

Ainda sobre convênio firmado pela reitoria para a PM policiar o campus da UENF

Ontem perguntaram a um jogador da seleção brasileira, acho que foi o Júlio César, sobre qual seria a explicação para o massacre. Ai ele respondeu que para coisas inexplicáveis, não haveria explicação.  É óbvio que ele estava sob forte emoção, mas é claro que o massacre têm muitas explicações.
Agora vejamos a situação do convênio que os gestores da UENF assinaram no dia 26/06 com a secretaria de segurança para utilizar policiais para policiar o entorno do campus da UENF (por favor leiam o extrato do DO que eu já coloquei no ar ontem!). 
Talvez para nos distrair de mais essa ação desastrada e autoritária dessa reitoria, estamos agora recebendo mensagens na lista privada que os professores da UENF utilizam para dialogar entre si que falam sobre insegurança, pela primeira vez o tema é abordado por essas pessoas!, e apontando para, entre outras coisas, supostos crimes, tais como: uso de entorpecentes ilegais, tentativas de crimes sexuais, perigo de assalto aos caixas automáticos existentes no campus e pessoas que andam armadas.
Pois bem, o que se esperaria de quem está tentando justificar o injustificável é que nos apresentasse DADOS! Eu estou trabalhando nesse campus desde janeiro de 1998 e não estou inocente quanto aos riscos de segurança que enfrentamos dentro e fora do campus. Mas vejamos quanto ao que se falou na lista dos professores:
1. Uso de drogas ilegais: ao longo desses quase 17 anos senti pouquíssimas vezes aquele aroma característico da CANABIS SATIVA sendo queimada. E isso sempre me intrigou, pois sendo egresso da UFRJ, o cheirinho característico sempre percorreu os corredores do alojamento, e dos blocos que eu frequentei nas minhas aulas. E olha que isso aconteceu durante a vigência do regime militar. Assim, sempre tive a impressão que aqui é uma universidade para lá de careta. Mas qual é mesmo o problema de se fumar maconha? Que é ilegal? Ora, eu esperaria mais de professores universitários do que nos dizer que não estamos no Uruguai!
2. Tentativas de crimes sexuais: A ocorrência de estupros lamentavelmente é um fato na história da UENF, e tive notícia há uns 10 anos de que duas de nossas estudantes foram levadas para a frente do campus que antes era um terreno baldio e estupradas. Esse fato deveria ter gerado uma ampla campanha de educação e proteção de nossas estudantes, mas não foi. Agora, se o problema persiste por que não fomos informados antes disso? E por que não se apresenta isso por canais formais da instituição. É que se o problema está ocorrendo e ele é verdadeiramente grave, por que fomos mantidos na escuridão?
3. Perigos de assaltos aos ATMS: Em quase 17 anos só tivemos um mísero assalto ao posto bancário do Itaú por um grupo de assaltantes altamente profissionais que entraram e saíram tranquilamente fardados como policiais militares. Isso não quer dizer que a chance de novo assalto inexiste, mas a probabilidade é significativamente baixa. E como já disse antes, esse é um problema que as duas empresas bancárias que são donas dos equipamentos têm a obrigação de tratar, e a reitoria da UENF a obrigação de cobrar delas as devidas medidas de segurança.
4. Pessoas que andam armadas no campus. Essa é uma grande novidade para mim. Aliás, como já fui ameaçado de morte por múltiplas vezes, esse é um dado que me interessa diretamente. Afinal, alguns dos que me ameaçaram mandar para a “terra dos pés juntos” com a ajuda de armas de fogo continuam dentro do campus. Então se temos DADOS, que se disponibilize, até para que eu possa tomar medidas adicionais de segurança pessoal.
Agora, tendo escrito o que eu escrevi acima, creio que qualquer justificativa para a militarização de um campus universitário como o nosso não poderá se dar de forma açodada e com justificativas tão rasteiras quanto inconsistentes. A vinda do ambiente de policiamento militar para o interior de uma instituição universitário significa, entre outras coisas, a falência completa de projetos alternativos para o estabelecimento de uma cultura de segurança que seja eficiente e democrática. E o caso é que temos dentro da UENF pesquisadores que participam até de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) cujo foco é justamente a questão da segurança pública. Por que esses pesquisadores não foram ainda chamados para trazer a sua expertise para um debate tão central para o nosso futuro? Essa desconsideração por conhecimento científico me deixa a sensação de que não se quer abrir efetivamente o debate. E ainda por cima, em se tratando de uma instituição universitário tal desprezo seria simplesmente o fim da picada.
Finalmente, ainda estou esperando uma explicação oficial para o fato de que se assinou um convênio para aderir ao PROEIS no dia 26/06/2014 e a primeira discussão no CONSUNI só ocorreu no dia 03/07/2014. Esse tipo de manobra não é apenas anti-democrática, mas viola o Estatuto da UENF! 

A reitoria da UENF quer um PM para chamar de seu?

 

No último CONSUNI, realizado dia 03 de julho de 2014, o Prefeito do Campus da UENF Gustavo de Castro Xavier apresentou, em pauta incluída naquela mesma seção, a proposta de Convênio com a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Pela proposta a UENF passaria a aderir ao PROEIS (Programa Estadual de Integração na Segurança), ao custo anual de R$59.000,00, e teria a ininterrupta ronda de 4 PMs, fardados e armados, pelo campus Leonel Brizola.

A justificativa para tal iniciativa está pautada na verificação prática do não pagamento de três meses do contrato com a empresa de segurança que vem desenvolvendo o trabalho de segurança patrimonial dos prédios da UENF. Vale ressaltar o fato de já termos tido a redução do número efetivo de seguranças no campus, que deixou os estacionamentos da UENF desprotegidos.

Segundo a fala proferida durante a apresentação do projeto o problema da segurança dentro do campus está principalmente relacionado ao estacionamento de carros e bicicletas elétricas que constituiriam alvo principal de roubo e furto. O prefeito também se reportou a casos recentes de violência física e moral contra alunos e servidores da instituição. Ainda segundo o prefeito, quando acionada via telefone 190, a PM demorou 3 horas para encaminhar viatura ao campus e prestar o serviço pelo qual ela sempre foi responsável. Diante dessa conjuntura, a proposta apresentada consiste em repassar através do convênio o valor de R$59.000,00 para ter acesso ao serviço, que em teoria, a PM deveria desenvolver em seu cotidiano de responsabilidades e serviços a ser prestados para a comunidade em geral.

Infelizmente não ficou claro se a proposta da UENF aderir ao PROEIS irá impactar na diminuição do número efetivo de seguranças patrimoniais contratados hoje de maneira precária, via empresa de terceirização de serviços. Foi dito durante o CONSUNI que o repasse de verba para o pagamento da segurança patrimonial é de R$10 milhões anual e a aderência ao PROEIS poderia vir a gerar uma economia significativa nesse montante.

Durante a seção as preocupações sobre a questão da segurança do Colégio Agrícola e da sede de Macaé foram apontadas, mas sem uma proposta de atuação da PM, o que indicaria uma margem possível para ampliação do convênio.

A universidade cumpre o papel social de ser uma instituição que promove a vigília cidadã da sociedade a partir da produção de conhecimentos científicos dentro das mais distintas áreas do saber. Apesar disso, sua atuação diante dessa mesma sociedade lança mão de processos de contratação de pessoal a partir da precarização do trabalho, por meio da terceirização dos seguranças patrimoniais e das equipes de limpeza. Para que isso aconteça usamos dois pesos e duas medidas: nós, servidores públicos, asseguramos as nossas contratações estáveis, por meio de concurso público, lutamos ávida e justificadamente pela recomposição salarial de cada categoria e, insensivelmente, nos esquecemos de que os trabalhadores terceirizados não contam com os mesmos direitos, possuem uma instabilidade latente no emprego e no nível dos salários. Como esse é um problema intangível para nós, nos contentamos a responsabilizar o governo, o sistema capitalista, e a latente falta de verba pela decisão administrativa de contratar trabalhadores via terceirização. Aceitamos assim a lógica neoliberal que conformada e silenciosamente reduz o tamanho da máquina do Estado a partir do corte dos custos em nome de uma suposta eficiência. Cabe questionar, qual eficiência? E, principalmente, eficiência para quem? Será que não podermos pensar diferente e, a partir disso, propor soluções distintas para nossos problemas? Por exemplo, a contratação de um quadro fixo, ainda que reduzido, de seguranças patrimoniais, via concurso público, não poderia ser uma solução plausível para a resolução desse problema em longo prazo? Afinal revertemos R$10 milhões anuais no pagamento de empresa de segurança e esse montante, informado no CONSUNI, não pode ser considerado desprezível em relação ao compito geral dos gastos da universidade.

Uma outra questão importante para esse cenário diz respeito à natureza das pesquisas desenvolvidas no CCH onde reconhecidos grupos de pesquisadores tem seus interlocutores oriundos de comunidades, instituições e organizações que entram diretamente em conflito com a PM. Tais conflitos acontecem em diferentes instancias da sociedade e podem ser decorrentes da luta pela ampliação de direitos ou pela má conduta e insubordinação de policiais que acabam concorrendo para a criação de grupos paralelos que fazem o uso da força para a imposição de interesses escusos e contrários à ordem jurídica vigente. Questiono se a presença da PM não constrangeria tais interlocutores e não poderia contribuir para um maior distanciamento da sociedade em geral em relação à UENF.

Lembremos também que geograficamente a UENF tem em sua vizinhança uma comunidade que sofre influencia de facção criminosa https://www.youtube.com/watch?v=6vkOM1glkCo. Diante do cenário de insegura proporcionado, em boa medida, pela ação da mídia (que pauta seus conteúdos nas ocorrências policiais que envolvem a classe média das metrópoles), pelos recentes incidentes ocorridos na UENF e pelo possível fim do contrato de segurança patrimonial por falta de pagamento, a Prefeitura do campus traz sua proposta de convênio com a PM. 

Foi sob a perspectiva do prazo final para a assinatura do convênio vencer na próxima semana que os membros do CONSUNI se viram obrigados a deliberar sobre a matéria sem a devida discussão com seus representados e sem ter conhecimento sobre os prós e contras da presença da PM no campus. A questão que fica disso tudo é, se a Prefeitura sabe a três meses da suspensão do pagamento da empresa de segurança, porque a proposta de convênio com a PM não foi apresentada aos Laboratórios, assim que o problema foi detectado, para que pudesse tramitar pelas diferentes instâncias universitárias? Esse procedimento, por si só, acaba por fragilizar e dar um ar de amadorismo à proposição do convênio ao CONSUNI.

Uma pesquisa básica sobre a presença e ação da PM em campus universitário via Google expõe alguns dilemas da matéria e corrobora a necessidade de ampla discussão dos termos e encaminhamentos do Convênio UENF – PM via PROEIS.

A Revista Carta Capital publicou artigo intitulado “O que está por traz da presença da PM na USP” http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-que-esta-por-tras-da-presenca-da-pm-na-usp onde lemos “Uma coisa é certa: no dia 18 de maio deste ano, quando morreu o estudante Felipe Ramos de Paiva, a PM já estava no campus, revistando carros de estudantes. De lá para cá, aumentou seu efetivo, mas não aumentou a segurança – a sede do centro acadêmico da ECA, por exemplo, foi recentemente invadida e furtada, sem que a presença da PM tenha servido para impedir a ação. Aumentaram, isto sim, as abordagens invasivas e provocações a estudantes. Como isso pode ajudar a prevenir assaltos, estupros e assassinatos?”. Na mesma matéria há o levantamento de ações simples que me parecem oportunas e que podem servir para a UENF refletir sobre sua segurança interna. Diz o artigo: “aspectos muito práticos do cotidiano universitário seguem sendo sumariamente ignorados pela administração da USP, tais como a iluminação, a frequência dos ônibus e circulares e uma reestruturação da Guarda Universitária. São medidas simples, aparentemente bastante banais, mas que melhorariam muito a segurança da universidade, sem a necessidade do recurso à força”.

A grande questão levantada para justificar a presença da PM em campus universitários diz respeito ao combate ao uso de drogas ilícitas. Mas, tomemos por base a ação da PM na UFSC no dia 25 de março de 2014. Segundo o site da UNE  http://www.une.org.br/2014/03/estudantes-e-professores-da-ufsc-sao-agredidos-pela-policia-militar/ dois policiais à paisana prenderam cinco estudantes pelo suposto porte de cigarros de maconha, o que gerou protestos dos demais alunos. Ainda segundo a UNE “Sob a alegação de dissuadir a manifestação que cercava a viatura, a tropa de choque foi chamada e invadiu o campus fortemente armada com bombas de gás lacrimogêneo, disparando balas de borracha em professores, estudantes e funcionários. Para o presidente da União Catarinense dos Estudantes (UCE), Yuri Becker, presente no ocorrido, a ação foi imatura e desproporcional. “Nada justifica o que aconteceu na UFSC. Eles chegaram abrindo fogo contra todos, sendo que a simples assinatura de um termo circunstanciado resolveria a questão. Temos, sim, que falar e discutir sobre a questão das drogas, mas violar os direitos humanos é uma agressão. Eles atiram primeiro pra depois tentar resolver’’, lamentou”.

Lembremos que na última greve recém findada a participação dos alunos, funcionários e professores foi constante. Alunos se mobilizaram durante os três meses da greve para reivindicar a ampliação de seus direitos, negociaram ativamente com membros da Reitoria e com deputados, participaram das mais diversas reuniões e manifestações em Campos e no Rio de Janeiro. Chamo a atenção para isso pois, assim como na USP e na UFSC, nossos alunos invadiram o espaço da Reitoria a fim de pautar a agenda da administração universitária e do governo do Estado para reivindicações antigas e não cumpridas como o Restaurante Universitário. Os alunos souberam astutamente aproveitar a oportunidade da greve para negociar o atendimento de novas demandas, como o subsídio para custear a moradia nessa cidade que assiste o aumento exorbitante do preço do aluguel em decorrência da construção do Porto do Açu.

Fica a dúvida: Como seria uma greve de alunos, professores e funcionários com a presença da PM no campus? Por fim, diante do clima de insegurança generalizado, essa é uma questão que não quer calar.

Reitoria tenta implantar o uso de contingente policial dentro do campus da UENF sem qualquer discussão prévia

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Acabo de ser informado que a reitoria da UENF reservou mais uma surpresa para a comunidade universitária na reunião do Conselho Universitário (CONSUNI) que ocorreu na manhã desta 5a. feira (03/07). Sem discussão prévia e com inclusão como ponto de pauta na abertura da reunião, os gestores da UENF quiseram impor a adesão da universidade ao “Programa Estadual de Integração da Segurança” (PROEIS).

O argumento apresentado pelos gestores da UENF foi de que essa é a única alternativa possível para evitar o caos na segurança do campus Leonel Brizola em função da atual crise financeira por que a instituição atravessa. Na prática, a partir da adesão ao PROEIS, a segurança interna da UENF seria garantida por um contingente de quatro policiais armados que realizariam patrulhas ostensivas durante 24 horas nos 7 dias da semana. Além disso, o uso do PROEIS possibilitaria a demissão de pelo menos 20 seguranças patrimoniais da empresa HOPEVIG que passaria então a guarnecer apenas o interior dos prédios, ficando a PM responsável pelas áreas de circulação externa.

Apesar da pressão feita pelos gestores, vários membros do CONSUNI apresentaram várias objeções à presença da PM no interior do campus universitário por entenderem que isto estaria implicando na militarização da vida universitária. A partir destes questionamentos é que, ao contrário do que queria a reitoria, a aprovação final da adesão da UENF ao PROEIS ficou condicionada a uma consulta a todos os laboratórios da UENF, para que na próxima reunião do CONSUNI haja uma decisão final sobre a adesão ou não ao PROEIS.

Em que pese não ter nada pessoal contra policiais militares, penso que esta proposta da reitoria da UENF é altamente problemática e poderá resultar em sérios conflitos entre a comunidade e o contingente de PMs que viria trabalhar no campus. Um exemplo vivo deste tipo de uso de forças policiais para policiar áreas internas de universidades é a USP, onde os conflitos têm sido constantes e violentos.

Como essa é uma questão que interessa a todos, é surpreendente que novamente a reitoria da UENF (como já fez no caso da quebra do regime de Dedicação Exclusiva dos docentes) apareça com essa proposta de militarização da segurança do campus Leonel Brizola, sem que tenha ocorrido uma ampla consulta prévia a todos os segmentos que compõe a comunidade universitária. Felizmente, houve a devida reação dentro do CONSUNI, e agora há que se cobrar que a discussão ocorra de forma transparente e democrática.