EAD: depois da porta arrombada, a tramela

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Enquanto assiste às ações no congresso nacional de piorar o já horroroso “Novo Ensino Médio”, o governo Lula decidiu colocar “uma tramela” na situação dos chamados curso de “Ensino à Distância” (EAD) que proliferaram tal qual cogumelos em pastagens após chuvas intensas.  A primeira medida foi suspender o credenciamento de uma lista de cursos por um período de 90 dias, de modo a permitir elaboração de proposta de regulamentação de oferta de cursos de graduação na modalidade EAD.

A coisa estava tão fora de controle que se estava permitindo até a promulgação da Portaria 2.041 o credenciamento de cursos de Enfermagem, Psicologia e Medicina na forma de 100% EAD. Com isso, o risco de formação de profissionais com baixíssima competência prática para áreas em que qualquer erro pode resultar em graves consequências para os indivíduos por eles assistidos.

Mas a luz vermelha que acendeu no governo Lula também se estende aos cursos de licenciatura já que a proliferação de cursos EAD tem possibilitado a entrada de professores sem qualquer experiência em sala de aula e formados dentro de critérios extremamente baixos de qualidade. O que parece ter aumentado o senso de urgência de mudanças drásticas nas regras de autorização de cursos de licenciatura EAD foram os resultados obtidos pelo Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2022 que mostrou que menos de 50% dos alunos brasileiros sabem o básico em matemática e ciências.

Agora, o Ministério da Educação, segundo o próprio ministro Camilo Santana, estuda não permitir mais cursos 100% EAD, e a dúvida seria se o percentual de ensino presencial será de 50%, 30% [da carga horária total].

Camilo Santana comenta impactos dos ensinos EAD na formação e qualidade de  professores - YouTube

Mudanças deverão ter forte impacto na Uenf

Se concretizadas, estas possíveis mudanças na oferta de cursos EAD deverão ser uma fonte de dor de cabeça garantida para todas as instituições de ensino superior que participar do Consórcio Cederj. É que apesar dos cursos EAD deste consórcio serem apresentados como semipresenciais, na prática a coisa é diferente. Assim, se efetivamente a oferta de conteúdos tiver que passar a ser 30% ou 50% na forma presencial, o aumento da carga de trabalho será inevitável, principalmente para os professores.

No caso da Uenf, o problema poderá tomar proporções ainda mais graves, na medida em que atualmente o estoque total de estudantes de três cursos  de licenciatura na modalidade EAD  (Ciências Biológicas, Pedagogia e Química) já supera o existente para os 17 cursos na modalidade presencial.

O maior problema será garantir não apenas o espaço de sala de aula e de laboratórios de ensino, mas também o de professores doutores que atuem em regime de dedicação exclusiva.

Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da UENF realiza sua X Jornada

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Com a temática Transversalidades em Políticas Sociais: Ciência, Cultura e Meio Ambiente , nossa jornada deste ano falará sobre as articulações publico-privadas na ciência e na cultura, trará propostas e debates sobre o conceito de desenvolvimento, falará sobre questões étnico raciais e suas relações com o meio ambiente, além de levantar questionamentos acerca da participação. 

Recomenda-se que seja feita inscrição prévia via link, contudo as inscrições para ouvintes poderão ser realizadas no dia, exceto quem for apresentar trabalho artístico e/ou acadêmico que terá obrigatoriamente que se inscrever previamente. Teremos emissão de certificados de apresentação e como ouvintes no evento.

Inscrições gratuitas podem ser feitas [Aqui!].

As armadilhas do empreendedorismo e seus ativos mais preciosos

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Por Luciane Soares da Silva 

Em junho de 1994 uma colega de faculdade muito popular venho até mim com uma pergunta inusitada: qual era o meu maior sonho. Tinha uns 22 anos naquela época, estava cursando uma faculdade, era bolsista de iniciação científica, tinha uma banda e uma cidade inteira para andar com pranchetas e questionários. Creio que não nutria um sonho muito específico. Após ouvir isto, ela passou a me explicar as vantagens de um mundo no qual eu poderia realizar “todos os meus sonhos”. Todos?

Durante aquele ano, fui abordada por pessoas muito diferentes, em posições sociais e de bairros muito diferentes de Porto Alegre. Com a mesma pergunta. Naquela onda de realização, no final da década neoliberal, minha madrinha, fisgada pelo discurso da realização de “todos os seus sonhos” entrou para o que viria a ser minha experiência mais próxima de observação sobre o funcionamento de um grande esquema de pirâmide. Em uma reunião no famoso clube Farrapos, vídeos reproduziam uma vida de luxo longe do mundo de trabalho fordista e de qualquer obrigação. O único compromisso era vender mercadorias de limpeza importadas dos Estados Unidos pelo meio de venda direta, um setor em alto crescimento particularmente para mulheres com filhos pequenos que não poderiam cumprir uma jornada de oito horas diárias. Mas estas mulheres estariam no topo desta pirâmide com suas revistas de compra direta?

A vida de minha madrinha era bastante sólida como uma trabalhadora da área de saúde e em uma família de pessoas com ensino superior. Meu tio era advogado ligado a prefeitura e minha tia assistente social. Então, de onde viria aquele ávido desejo por riqueza? No meio do curso de ciências sociais não foi difícil perceber o que significavam os textos sobre fim da história, uma sociedade em pleno processo de liquefação e uma promessa de mudanças com base em vendas diretas em todas as áreas. Cosméticos, alimentos, utensílios de cozinha, tudo dentro de um grupo com uma  ideologia que exigia alta performance em diálogos, contatos sociais, capacidade de convencimento. Como seria possível este novo mundo para pessoas que saíam de uma longa jornada como assalariadas? Que não possuíam uma rede capaz de suportar os valores praticados por aquele grupo de consumo de bens importados? Pessoas que não possuíam os capitais de circulação necessários para estar no topo.

Parecia óbvia a diferença entre uma mulher de 40 anos, divorciada e com três filhos e um casal de engenheiros que trocou a “vida monótona” por um esquema de pirâmide no qual aparecia em vídeos exibindo carros e fotos de viagens. A base de “recrutamento” era semelhante a uma seita, tornando seus adeptos agressivos quando confrontados com qualquer crítica. Foram dois anos de perdas até que ela aceitasse que aquele negócio “não era tão bom assim”. Dois anos de aplicação do seu salário para cafés da tarde, viagens à São Paulo, compra de material que supostamente seria facilmente vendido. Mas não foi. Porque seu grupo de convivência era de outros assalariados. O que para mim serve como exemplo prático de uma pessoa alienada sobre sua posição social.

O documentário Betting on Zero de 2016, dirigido por  Ted Braun, registra como latinos aderiram à ideia do dinheiro fácil e viveram a tragédia de perder o ganho de uma vida inteira de trabalho. Perderam caminhão, casa, economias. Perderam a dignidade ao perceber o engano de vender um shake. Que estocado, tornava-se um pesadelo de proporções trágicas.

Recentemente o filme Crypto Boy dirigido por Shady El Hamus me fez lembrar do livro “A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo” de Richard Sennet publicado em 1999. Já faz algum tempo que observo o tema da aposentadoria. Não apenas por experiências familiares mas por ter vivido uma crise do funcionalismo público fluminense em 2017, que fez com que aposentados passassem a vender amendoins no centro do Rio de Janeiro para não perder as próprias casas. Muitos tiveram de entregar os apartamentos. Algo que vimos após a bolha de 2008 nos Estados Unidos. Crises em curso, crises radioativas se expandindo no tempo e no espaço. A corrosão da qual fala Sennet mostra diferentes gerações enfrentando as mudanças no mundo do trabalho. Do modelo fordista, da vida planejada, das economias que possibilitaram um sentido à experiência para o futuro dos filhos, passamos a viver os anos de risco. Risco pessoal, riscos afetivos, velocidades em todas as transações, uso tóxico de redes sociais vendendo estilos de vida de bilionários saídos do nada.

Transações afetivas, laborais ou religiosas vividas como um ativo na bolsa de valores. Mas com algo em comum: todas estas transações contam com a potência do indivíduo, vendendo aquele mesmo sonho no qual minha madrinha embarcou na década de 90, no Brasil. Um sonho importado dos Estados Unidos expandido  no governo de Fernando Collor de Mello como o caminho de modernização nacional. Privatizar e tornar o Estado mais leve eram lemas repetidos pelos empregados da Companhia Rio Grandense de Telecomunicações. Que viraram donos de towners de cachorro-quente após demissões voluntárias. Negócios que faliram em menos de um ano. Todos desempregados e com dívidas.

O mesmo ocorre com os discursos das criptmoedas. A falência do mundo do trabalho como o conhecemos até a década de 1970, produziu uma geração inflada por experiências rápidas. Não mais Wall Street (não apenas). Não mais as bolsas de valores ou os bancos. Nada visível, nada com fronteiras, nenhum limite. Propagam a morte das amarras e valorizam relações baseadas em esquemas de pirâmides. Só que agora, com a confiança em jovens milionários de 30 anos. Descolados. Que frequentemente “somem” na  Índia ou algum outro país distante com o dinheiro de seus “associados”. Esta é a geração que olha o trabalho realizado por seus pais e grita “fracassados”. Exibem um tipo de consumo ostentatório e o rompimento com projetos de longa duração.

No entanto e apesar desta bruma de positividade baseada em puro discurso de elixir mágico,  segue existindo uma gigantesca diferença não percebida pela minha madrinha: aqueles que têm uma rede de proteção e podem falir e a massa que sustenta esta possibilidade, a base da pirâmide que defende os ricos. A Betina, que nascendo rica, apresenta-se como alguém que “fez” um milhão antes do 30 anos. Mas se não me engano, este pessoal anda demitindo muita gente. Ela seria o tipo ideal de gente que pretende ganhar dinheiro sem fazer nada relevante no mundo a não ser ganhar dinheiro sem fazer nada. Parece que tornou-se um mantra poderoso. Produzir espertezas de como burlar o sistema. Mas a casa nunca perde.  É o que sempre dizem em cassinos. E ainda assim, eles atraem milhares de sonhadores a cada ano.

O mesmo ocorre com um tipo de empreendedorismo cujas as palavras de ordem são “cuidar do planeta”, “fazer as pessoas mais felizes”, “preservar as culturas”. Algumas das empresas mais rentáveis no Brasil atualmente, utilizam a floresta e seus povos como ativos de propaganda do que foi exposto acima.

É trágico observar como esta lógica se assemelha a uma pequena infiltração que se alastra pela casa. Expande-se por todas as esferas até que não exista mais uma contra-hegemonia. Até mesmo em espaço nos quais nosso principal ativo deveria ser o conhecimento, ocorre um rebaixamento das expectativas. Não há possibilidade de manutenção de instituições do Estado como as universidades quando estas passam a instrumento da mesma lógica dos projetos individuais, da meritocracia e da possibilidade de lucrar com a marca. Mas neste caso, no Brasil, a “marca” é pública, então a operação torna-se um pouco estranha.  Não faz muito sentido fazer pesquisa pública se nivelamos nossa ação pelo mercado travestido de investimento social em pessoas. Sempre vivemos ondas salvacionistas no Brasil.

Os índios, as crianças de rua, os pobres, os pescadores, os favelados, as mães solteiras. São o foco do terceiro setor, frequentemente atuando com uma mão no mercado e os pés na universidade que chancela suas intenções e assina os projetos. A verdade é que esta operação complexa transforma as pessoas naquilo que elas pensam vender. Trocando em miúdos, o que importa, o que é mais raro, é o indivíduo na ação crédula de que algum grande empreendedor vai torná-lo rico, viável, socialmente incluído, diplomado e pertencente à nova ordem mundial. 

O elemento trágico é que esta ação é mediada por grupos que submetem estas minorias à formas de dominação das quais elas raramente se libertam. Todos ganham dinheiro. Menos os contemplados desta política que não sendo pública, é um meio de caminho entre a publicidade e a futura frustração. Garantem minimamente um pequeno conforto incerto mas com alto custo: o trabalho duro de gerações anteriores.

Esta ausência de crítica produz ao fim do processo uma frustração de caráter difuso que precisa ser constantemente alimentada por consumo, sensualismo manifesto nas redes sociais, redes de ódio e dívidas. Muitas dívidas como herança às gerações futuras. Nada pior que fazer para outros este trabalho de graça não é mesmo? E literalmente usar uma camisa que ao fim do dia ainda tem de ser devolvida lavada e passada para o próximo. Que a universidade possa viver livre deste empreendedorismo que rouba o verdadeiro propósito da instituição: a formação crítica e a capacidade para pensar de forma autônoma que caracteriza nosso compromisso com a ciência.


Luciane Soares da Silva é professora do Laboratório de Estudos sobre Sociedade Civil e do Estado (Lesce) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf)

Findadas as eleições na Uenf, como ficou o imbróglio da reforma do Solar do Colégio?

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Em algum lugar do passado, Bruno Dauaire, Raúl Palacio e Wladimir Garotinho seguram a planta do Solar do Colégio, sede do Arquivo Público Municipal

Ao longo de 2023 uma das muitas causas de vergonha interna em quem ainda alguma restante dentro da comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) foi o imbróglio relativo à reforma do Solar do Colégio que abriga o Arquivo Municipal de Campos dos Goytacazes. Foram dezenas de matérias jornalísticas e ameaças por parte do prefeito Wladimir Garotinho por causa do ritmo de tartaruga de pata quebrada com que o ainda reitor da Uenf, prof. Raúl Palacio, tratou o uso de R$ 20 milhões destinados pela Alerj para a realização da obra.

O batom na cueca foi tão grande que durante as eleições para a reitoria da Uenf, a atual reitora em exercício e futura reitora, profa Rosana Rodrigues, finalmente deu o ar da graça nas carcomidas instalações do Arquivo Municipal para prometer que com ela as coisas seriam diferentes.

Agora, passadas e vencidas as eleições, o ainda reitor Raúl Palacio resolveu fazer uma espécie de tour de despedida às custas da viúva com visitas em universidades no Chile e Colômbia, deixando a administração nas mãos de Rosana Rodrigues.

Pois bem, e sobre as obras que deveriam ocorrer antes das próximas chuvas de verão? Ninguém fala, ninguém viu. O problema é que ninguém mais fala no assunto, incluindo aí o prefeito Wladimir Garotinho, o seu grande amigo Bruno Dauaire, e os próceres do prefeito na mídia corporativa local.

A única conclusão que posso chegar é que tudo foi resolvido e só nos esqueceram de nos avisar. O problema é que fazer e não avisar não tem sido a prática da reitoria da Uenf nos últimos anos. Dai que….

Obras de “acessibilidade” na UENF impedem acesso, contaminam ambiente e ameaçam integridade de equipamentos científicos

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Que o atual reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Prof. Raúl Palacio, não primou em sua gestão por cuidar do andamento de obras, isso já era sabido desde a desastrosa troca do telhado do prédio que abriga o seu gabinete na reitoria. Há quem atribua esse descuido com a falta de uma pegada acadêmica por parte do ainda reitor da Uenf, na medida em que ele possui um portifólio bastante reduzido de publicações científicas.

Mas há que se lembrar que ele foi eleito por causa de sua suposta capacidade de gestão, algo que seus apoiadores apontavam como suficiente para compensar outros aspectos menos proeminentes do seu currículo acadêmico, digamos assim. 

Agora, o que não se pode aceitar é o que está ocorrendo neste momento dentro do campus Leonel Brizola com a realização de obras para assegurar a acessibilidade aos prédios e instalações. O exemplo mais crasso está ocorrendo no segundo andar do edifício P-5 que aloja equipamentos de altíssima precisão que deveriam estar imunes a qualquer tipo de contaminação, inclusive a da atmosfera. É que apenas na reforma dos banheiros todos os protocolos que deveriam ter sido considerados para minimizar a contaminação ambiental foram solenemente ignorados e estão tendo resultados  para lá de impactantes (ver vídeo abaixo).

Eu fico imaginando uma situação dessas acontecendo em uma universidade estrangeira que abrigue os mesmos tipos de equipamentos que existem no segundo andar do P-5. No mínimo, alguém já teria chamado a polícia para impedir o andamento de tamanho descalabro. Mas como é no Brasil, e na Uenf, a coisa segue de forma tranquila e pacífica.

Agora, como é que vão descontaminar todos os ambientes afetados por essa grossa camada de poeira, de forma a garantir que os equipamentos possam voltar a medir com algum nível de precisão e acurácia no nível, por exemplo, da parte por trilhão?

O mais curioso é que a reitora em exercício e futura reitora está em pleno exercício do cargo, enquanto essa situação inaceitável ocorre. Alguém me disse ontem que, independente da troca de guarda em janeiro, tudo continuará como dantes no Quartel de Abrantes uenfiano. Estou começando a achar que essa pessoa está sendo visionária.

Finalmente, há que se lembrar que a Uenf está neste momento em período letivo regular, mas agora, com essas obras, professores, estudantes e servidores estão tendo que realizar suas atividades fora do campus universitário Leonel Brizola. É muita capacidade de gestão, para não dizer o contrário.

Após as eleições, Uenfspotted dá voz aos que reclamam das mazelas na Uenf

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Comentei ao longo deste ano o papel que determinados perfis nas redes sociais nas eleições para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Um dos que se destacou em jogar o papel de “Trojan Horse” (literalmente Cavalo de Tróia) foi o perfil de proprietário ignorado, o Uenfspotted.

Agora, eis que passadas as eleições, o proprietário (ou seriam proprietários?) do Uenfspotted estão dando voz a estudantes que reclamam das condições climáticas dentro das salas de aula que estão localizadas no mesmo prédio que abriga a reitoria da Uenf (ver imagem abaixo).

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Abrir espaço para os que reclamam de condições insalubres de trabalho e de aula é algo correto, mas como dizem os estadunidenses “a little too late“. É que durante o período eleitoral, o que o Uenfspotted fez foi dar vazão a uma campanha de fake news contra a chapa Carlão e Daniela, na qual os estudantes embarcaram com força, visto os resultados eleitorais.

Mas o interessante é que o ainda reitor, professor Raul Palacio, não será quem receberá eventuais reclamações sobre as condições climáticas inapropriadas para o correto aprendizado dos estudantes da Uenf. É que na última 6a. feira, ele solicitou e obteve a autorização do Conselho Universitário para realizar uma espécie de tour de despedido por diferentes países da América Latina.

O bom disso é que os estudantes que reclamam do calor poderão cobrar diretamente da atual vice-reitora e futura reitora da Uenf, Profa. Rosana Rodrigues.  Pelo menos, falarão com quem tem e terá a capacidade de resolver o problema de salas insalubres.

Um fato é certo: o estudante que usou o Uenfspotted para reclamar do calor não deve ser do Centro de Ciências do Homem. É que lá, aproveitando a existência de novos aparelhos de ar condicionado que estavam estocados há mais de 3 anos, eu utilizei de verba própria do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico para climatizar todas as salas de aula usados pelos estudantes de graduação. Ao menos no caso do CCH, a vice-reitora e futura reitora não terá que se preocupar com os clamores dos estudantes de graduação que foram um dos principais pilares para a sua eleição.

Na UENF, obras de R$ 25 milhões suscitam a pergunta: tá caro, não?

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Vivencio as agruras e felicidades do campus Leonel Brizola que abriga os centros de pesquisa da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) desde que cheguei por aqui no início de 1998 e já vi muitas obras ocorrendo, a preços nem sempre modestos. Mas quem circula hoje pelo campus criado pela genialidade de Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer pode até pensar que vivendo um novo boom de construções de prédios novos, pois basta somar valores que constam de apenas 3 placas que se chega ao valor salgado de R$ 25.114.939,10 (ver imagem abaixo).

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Ainda que seja notório que obras públicas sempre recebem um salzinho extra por causa das idiossincrasias do Estado na hora de pagar seus contratos, esse gasto mereceria a devida transparência por parte da reitoria da Uenf, na medida em que existem hoje nos dois campi da instituição (o outro é o campus Carlos Alberto Dias em Macaé) necessidades de reparos básicos para dar certa tranquilidade aos membros da comunidade universitária, a começar pela iluminação noturna que continua deficiente.

A questão é que o chamado “Portal da Transparência” que a Uenf mantém em sua página oficial é tudo menos transparente, o que dificulta o acesso dos interessados às informações que possam clarificar porque está se pagando tão alto por obras que não implicam, por exemplo, na construção de prédios novos como a muito esperada Biblioteca Central ou um novo pavilhão de aulas. Do jeito que a coisa aparece nessas placas, se um dia essas unidades forem construídas, o custo para o erário será ainda mais fabuloso.

Programa de Políticas Sociais da UENF lança edital de seleção de Mestrado e Doutorado (2024-1)

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O Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais (PGPS) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) acaba de tornar público o seu edital de selação para as modalidade de Mestrado e Doutorado para o primeiro semestre de 2024.

O PGPS é um programa que existe desde 1999 e vem contribuindo de forma exitosa para a formação de recursos humanos principalmente para as regiões Norte e Noroeste Fluminense, mas também no sul do Espírito Santo.

Este programa é conhecido por ser caráter multidisciplinar, acolhendo profissionais de diferentes áreas de conhecimento, e que realizem estudos sobre um amplo conjunto de temas que exploram os impactos das reformas neoliberais sobre a capacidade do Estado de oferecer soluções para uma série de problemas que atingem os segmentos mais desfavorecidos da sociedade brasileira.

Como docente do PGPS desde o seu primeiro ano de funcionamento, sou testemunha das grandes transformações operadas nas vidas e trajetórias profissionais de um grande número de profissionais que hoje estão trabalhando em diferentes segmentos, mas levando a marca de excelência do que aprenderam em seus estudos na UENF.

Quem desejar acessar este edital de seleção, basta clicar [Aqui!].

Darcy Ribeiro, o papel nefasto das corporações nas universidades, e as eleições na Uenf

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Quando cheguei na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) no início de 1998 me deparei com uma indisposição para a conexão da nossa associação de docentes à estrutura sindical existente.  Perguntando o porquê daquilo, me foi respondido que essa era mais um dos elementos pensados por Darcy Ribeiro para evitar o que ele considerava o papel nefasto das corporações dentro do meio universitário brasileiro.

Passados exatos 30 anos, eu diria que Darcy Ribeiro estaria se olhando no espelho e lamentando estar mais certo do que esperaria estar. É que olhando o que aconteceu nas eleições para a reitoria da Uenf, veremos ali todos os traços das coisas que levariam o fundador do nosso modelo de gestão a querer não ter estado tão correto em suas análises.

A verdade é que tivemos um uso inédito da estrutura sindical interna para beneficiar a candidatura do continuísmo.  Com isso, houve não um debate democrático das ideias como alguns querem alardear, mas uma disputa desigual para impedir que isso oocorresse. O resultado é que onde o debate houve, a chapa de oposição venceu. Entretanto, com o uso da máquina sindical e fortes pitadas de instrumentos típicos de cyber war, tivemos que assistir ao que eu previ mesmo antes de se saber quem era os candidatos, que foi o emprego de táticas tomadas dos manuais do pensador de extrema-direita estadunidense, Steve Bannon.

Além disso, houve ainda a clara interferência de figuras ligadas aos quadros municipais do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo o mais notável o reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF), o proto candidato a prefeito, Jefferson Manhães. Ao se alinhar explicitamente à chapa do continuísmo, Manhães fez algo que seria muito criticado se o oposto ocorrer nas próximas eleições de sua própria instituição. Mas com certeza, o reitor do IFF fez o que fez para tentar angariar apoio para uma candidatura que tem tantas chances de derrotar Wladimir Garotinho em 2024 quanto a de se ter um dia frio no inferno.

Além do reitor do IFF, outras figuras menos importantes, mas igualmente ligadas ao PT Campos, transitaram dentro das eleições de forma bem atuante mesmo que sem ter qualquer vínculo com a Uenf, o que apenas reforça a interferência ilegítima de um partido que no plano municipal tem contribuição irrisória para a luta dos trabalhadores e da juventude, mas que encontrou na Uenf um nicho para angariar quadros e outras coisas mais.

O que essa situação toda me diz é que a reitora eleita vai ter que se debruçar sobre um dilema óbvio após a sua posse que será a convivência com aqueles que tornaram sua eleição possível. Alguns professores que votaram na chapa de oposição acreditam que o currículo acadêmico da reitora acabará gerando conflitos de interesse e dissenções tanto com os sindicatos internos quanto com os aliados dentro do PT Campos.  De meu lado, não nutro essa ilusão, pois se fosse para ser assim, a reitora eleita já teria aberto deste tipo de apoio, mas não fez porque sabia que as alianças feitas foram quem viabilizaram suas eleições.

Por último, que ninguém se surpreenda com vários candidatos se identificando como “Fulano da Uenf” ou “Beltrano da Uenf”.  É que não é só o reitor do IFF que atuou nas eleições da Uenf pensando em 2024.

Depois de completada a tarefa, Uenfspotted tenta dar uma de “isentão”

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Após idas e vindas de uma eleição na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) que terminou com a vitória da chapa que marca o continuísmo das gestões desastrosas de Luís Passoni e Raul Palacio, os operadores do perfil “Uenfspotted” postaram um material sobre a suspeitíssima “enquete de boca de urna” que teria sido realizado para medir o pulso eleitoral entre os estudantes.

Como eu antecipei aqui, o resultado na suposta enquete foi acachapante, mas o curioso é que depois de interferirem diretamente na decisão dos votos, o pessoal do “Uenfspotted” agora tentam dar uma de isentões (ver figuras abaixo).

A verdade é que essas porcentagens estão próximas do que ocorreu dentro dos alunos presenciais da Uenf, mas ficou 14% acima do que foi observado quando se considera os votos dos alunos de Educação à Distância.  É que ao ser considerados os votos do EAD, a proporção final foi algo em torno de 65% para a chapa 1 e 35% para a chapa 30. Em outras palavras, se o “Uenfspotted” fosse um instituto de pesquisa, os seus financiadores o demitiriam sumariamente por um erro tão grosseiro de previsão.

Mas, convenhamos, o “business” do “Uenfspotted” não é realmente enquete eleitoral. O empreendimento comercial deste perfil é outro, se valendo de uma boa marca como a Uenf para fazer suas operações. Eu suspeito, inclusive, que se um dia se chegar ao dono desse perfil e seus associados, vamos encontrar figuras muito conhecidas dentro da instituição.

Agora, há que se notar que o “Uenfspotted” foi apenas um dos pontos de disseminação da propaganda do continuísmo vencedor das eleições.  Com um mínimo de busca foi possível identificar uma rede de grupos de Whatspp e de outros perfis que agiram tanto de forma explícita como subterrânea, seguindo a cartilha de Steve Bannon.   A influência dessa malta de perfis e grupos de Whatspp nos resultados das eleições é mais do que óbvia, dada a eficiência demonstrada. Eu diria que se algum pesquisador da área dos estudos de cyberware se interessasse pelo caso das eleições da Uenf, o mais provável é que até rendesse um bom livro.