Circulam desde o dia 13 de maio na cidade do Rio dez ônibus com o adesivo da campanha salarial das universidades do estado. Os adesivos podem ser vistos em ônibus das linhas 158A, 176, 415, 341, 422 e 238, que cobrem, juntos, todas as regiões do município (centro, zona sul, zona norte e zona oeste).
UERJ
A crise da C&T fluminense não é só financeira, mas de falta de projeto

Os apoiadores do (des) governo Cabral/Pezão vivem alardeando que nunca se investiu tanto em ciência e tecnologia no Rio de Janeiro. Além disso não ser verdade, há que se convir que nada explica o fato de que todo o investimento feito em Ciência e Tecnologia no Rio de Janeiro seja apenas um quarto do que disponível em São Paulo, por exemplo. Afinal, apesar de não sermos tão ricos quanto nossos vizinhos, o Rio de Janeiro é a segunda economia da federação, e não se explica apenas pelo aspecto financeiro tamanha desproporção de investimentos.
Além disso, como alguém que acompanha a situação global do desempenho da C&T, vejo que parte do crescimento do orçamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) se deu à custa do encurtamento do orçamento das universidades, o que prejudicou a situação tanto das universidades como da própria fundação. É que nessa política de cobertor curto, ficamos com uma perda de autonomia financeira nas universidades e um desvirtuamento do papel da fundação. Basta notar quanto do montante investido pela FAPERJ se deu na forma de verba descentralizada para as universidades. Assim, vejo que o aparente crescimento do investimento não ocorreu de fato, pois o montante final acabou sendo basicamente o mesmo. Aliás, algo que é preciso ser ressaltado é que não temos nenhuma forma de controle sobre onde é gasto aquilo que se diz ter sido gasto em C&T. De quebra, a capacidade das Instituições de Ensino Superior estaduais de decidir de forma autônoma os seus eixos de pesquisa também se tornou praticamente nula. Além disso, tenho informações seguras de que a UENF está perdendo espaço em determinadas ações de descentralização financeira dentro da FAPERJ, dada a capacidade maior de pressão que o reitor da UERJ possui.
Por outro lado, a profusão de editais lançados pela FAPERJ à guisa de diversificar seu portfólio de áreas gerou uma prática nefasta para os pesquisadores que é de se cortar quase sempre 50% do que é solicitado, o que compromete a qualidade das pesquisas que, porventura, sejam agraciadas com financiamentos.
Outro aspecto pouco abordado é o uso da FAPERJ para apoiar instituições privadas de ensino que, a grosso modo, não possuem nenhuma tradição de pesquisa, fato que não tem impedido que recursos escassos nas instituições públicas sejam repassados para estas entes privados com um retorno para lá de duvidoso.
Quero lembrar também que nos anos de 1999-2002 (no governo de Anthony Garotinho) tivemos um afluxo impressionante de recursos na UENF via FAPERJ, o que não se repetiu em nenhum outro governo depois, ao menos no que tange nas atividades precípuas da FAPERJ, e não no que se transformou a fundação nos últimos 7 anos e cinco meses. E o interessante é que não vejo esse balanço sendo feito dentro da UENF, provavelmente porque teríamos de fazer uma auto-crítica de como todo aquele dinheiro foi empregado e quais foram resultados objetivos, tanto do ponto de vista de ciência básica como aplicada.
Voltando à minha análise sobre a falta de uma direção capaz à frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Aqui!), não me prendi ao elemento financeiro, justamente por todos os itens listados acima. Para mim, o elemento econômico não sobrepõe ou resolve a inexistência de uma verdadeiro política de desenvolvimento científico e tecnológico. E esses três secretários que eu abordei jamais se posicionaram pela formulação de uma política fluminense de C&T. Em minha modesta opinião, e principalmente no primeiro mandato de Sérgio Cabral, o que ocorreu foi a troca dessa formulação por desembolsos financeiros que aliviam mas não resolvem as lacunas existentes no fortalecimento de um sistema fluminense de C&T. E não haveria como com o quilate dos secretários que foram se sucedendo cujo conhecimento da pasta era próximo do nulo. Aliás, o enfraquecimento da SECT está na raiz das dificuldades estruturais que todas as universidades estaduais sofrem neste momento.
Unificação das universidades estaduais vai aumentar ainda mais a pressão sobre Pezão
A UENF está em greve geral desde 12 de março, mas até hoje o (des) governo estadual comandado agora por Luís Fernando Pezão está tratando o movimento com descaso e intransigência. Pois bem, o (des) governo do Rio de Janeiro demorou tanto a resolver o problema da UENF, que agora talvez tenha que enfrentar movimentos similares na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO).
A principal questão que alimenta a indignação dos professores das três universidades estaduais do Rio de Janeiro é a profunda desvalorização dos salários que os coloca como os mais mal pagos no funcionalismo estadual para os detentores de títulos de pós-graduação.
E ninguém pode dizer que os professores da UENF não avisaram! Enrolaram tanto que agora podem ter que encarar uma greve geral nas três universidades estaduais. Excelente para a campanha eleitoral da oposição, Pezão!
Sérgio Cabral não comparece a última cerimônia oficial de seu (des) governo, mas mesmo assim é vaiado

A matéria abaixo publicada pelo Jornal O GLOBO dá bem conta da situação vexaminosa em que o (des) governador Sérgio Cabral está entregando o seu (des) governo para o vice (des) governador Luis Fernando, o Pezão. Após postergar a construção do campus da Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO) por mais de 7 anos, Sérgio Cabral preparou mais um palanque eleitoral para Pezão para tudo terminar na mais pura lama.
Sagaz como sabe ser, Sérgio Cabral não compareceu ao evento que ele mesmo agendou, deixando o pepino para o ainda (des) secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca, embalar as loas num evento que ocorreu em época chuvosa. Mas mesmo na ausência, Sérgio Cabral foi “homenageado” com uma sonora vaias pelos estudantes da UEZO que, de quebra, entoaram uma adaptação nada elogiosa do clássico “Jardineira” de Orlando Silva e cantaram a plenos pulmões “Mas Cabral, por que estás tão triste? O que foi que aconteceu? Agora que saiu o campus você não apareceu“
Mas depois de tratar as três universidades estaduais com o pão que nem o diabo quis amassar, Sérgio Cabral merecia era isso mesmo.. vaia e chacota. Afinal, se as universidades podem e ainda produzem pessoas com mais preparo intelectual e que sabem perfeitamente o que seu (des) governo causou de dano ao desenvolvimento científico e tecnológico do Rio de Janeiro
Cabral não comparece ao último evento público da agenda oficial
Cerca de cem pessoas o aguardavam em meio ao lamaçal numa tenda montada às margens da Avenida Brasil, em Campo Grande
O evento no Campus da Universidade estadual da Zona Oeste, na Avenida Brasil, em Campo Grande, onde Sérgio Cabral participaria do último compromisso públicoGabriel de Paiva / Agência O GloboRIO – Era a última agenda pública de Sérgio Cabral como governador – ele vai renunciar ao cargo nesta quinta-feira. Mas ele não apareceu, nesta manhã, na inauguração das obras do campus da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), em Campo Grande.
O início da cerimônia estava marcado para as 9h. Por volta das 9h30m, ainda não havia confirmação da chegada do governador. E uma forte pancada de chuva formou um lamaçal em todo o entorno da tenda montada às margens da Avenida Brasil para o evento.
Mesmo assim, cerca de cem pessoas ainda o aguardavam. Só com mais de uma hora de atraso, pouco depois das 10h, o deputado estadual Coronel Jairo (PSC) e o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca, abriram a cerimônia, sem a presença de Cabral.
Quem enfrentou o dia cinzento e a lama não escondeu a decepção.
— Tinha a intenção de vê-lo no último dia dele, justamente aqui na Zona Oeste. Disseram que ele tinha um outro compromisso na mesma hora — afirmou a comerciante Vania Souza Ribeiro, de 55 anos, moradora de Bangu.
Ela faz parte de um grupo da terceira idade da região que foi de ônibus ao evento. Funcionários da Uezo também compareceram.
— Esperava que ele viesse. Acreditava que a presença do governador daria mais credibilidade para o início das obras, que já estão atrasadas — disse a funcionária do setor administrativo da Uezo Juliane Souza.
Enquanto isso, quem estava presente tinha que afundar o pé na lama para chegar à tenda. Até uma ambulância do Corpo de Bombeiros ficou atolada e teve que ser puxada por outro carro, com ajuda de uma corda.
No fim, um grupo de alunos da Uezo também chegou para protestar. Os manifestantes se aproximaram da tenda quando um dos participantes da cerimônia anunciava “o pesar” pelo não comparecimento do governador. Nesse momento, Cabral, mesmo longe, não escapou das vaias do estudantes e de uma paródia de uma marchinha que ironizava a ausência do governador. “Mas Cabral, por que estás tão triste? O que foi que aconteceu? Agora que saiu o campus você não apareceu”, entoavam os jovens.
De acordo com a assessoria de imprensa do governo, Cabral não foi a Campo Grande porque se estendeu numa reunião interna.
FONTE: http://oglobo.globo.com/rio/cabral-nao-comparece-ao-ultimo-evento-publico-da-agenda-oficial-12078356
Seguindo os passos da UENF, professores da UERJ se preparam para a luta pela reposição das perdas salarias
12 anos sem reajuste: Assembleia debate paralisação por recomposição dos salários
O último reajuste por perdas inflacionárias nos salários dos professores da Uerj data de julho de 2001, tendo se estendido o pagamento até meados de 2002. Naquele ano, após uma intensa greve, com direito a acampamento no Palácio Guanabara, foi conquistado um percentual de 26, 82% de reajuste salarial. Dez anos depois, em 2012, quando a recomposição dos salários era uma das principais reivindicações do movimento grevista na universidade, a defasagem já estava acumulada em 64,16% (hoje, próxima aos 80%). A greve acabou após uma promessa do líder do governo de reverter este disparate (foto).
Desde então, sem nenhuma ação governamental, apesar das inúmeras investidas da Asduerj, essas perdas só se avolumaram. A situação – gravíssima para os docentes em atividade, que têm as conquistas com a DE e com as promoções na carreira corroídas por um cenário de inflação crescente – ganha uma feição dramática para os aposentados não contemplados com os ganhos recentes.
Não se pode mais conviver passivamente com este quadro. Nesta quinta-feira, 3/4, a campanha salarial estará mais uma vez em pauta. Em assembleia, os docentes estarão convidados a buscar uma saída para a reparação de mais de uma década de perdas. Em pauta a proposta de uma paralisação que chame a atenção para esse descaso do governo com a universidade.
Estarão também em pauta a incorporação do Adicional da DE na aposentadoria e a situação dos professores substitutos. Participe!
Assembleia Docente – quinta-feira, 3/4 – 14 h –
Auditório 11 do Pavilhão João Lyra Filho, Maracanã.



