Estudo francês documenta transmissão placentária de COVID-19 em criança recém-nascida

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Um estudo que ainda está em processo de revisão por pares pela revista Nature, mas que já está disponível na forma de “preprint“,  demonstra pela primeira vez a transmissão transplacentária do novo coronavírus (o SARS-CoV-2) em um recém-nascido nascido de mãe infectada pelo coronavírus.

Os pesquisadores do Hospital da Universidade de Paris-Saclay, liderados pelo professor Daniele de Luca, afirmam que a transmissão foi confirmada por um abrangente estudo virológico, onde a transmissão do SARS-CoV-2  ocorreu via placenta da mãe que havia foi contaminada durante a fase final da gestação. Além disso, o estudo aponta que a criança recém-nascida apresentou manifestação neurológica, consistente com as descritas em pacientes adultos para a COVID-19 (ver figura abaixo).

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RM cerebral realizada aos 11 dias de vida. Os painéis A-B e C-D representam T1 e difusão ponderada seqüências, respectivamente. As imagens são tiradas em dois níveis diferentes e mostram hiperintensidades do substância branca frontal ou parietal periventricular e subcortical (setas).

O estudo conclui que a transmissão vertical da infecção da COVID-19 é possível pela via placentária durante as últimas semanas de gravidez. Além disso, a transmissão transplacentária pode causar inflamação placentária; viremia neonatal e manifestações neurológicas também são possíveis.

Uma preocupação expressa pelo professor e pesquisador do Laboratório de Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (LBT/Uenf), Enrique Medina-Acosta,  é que “dada a elevada proporção de infectados assintomáticos, e assim não incluídos em um processo de triagem universal para o novo Coronavirus, parece possível que os efeitos adversos neurológicos em neonatos não testados só venham ser observados no primeiros anos de vida“.

Como se vê, a COVID-19 definitivamente não é uma “gripezinha” ou, tampouco, um “resfriadozinho” como chegou a afirmar o presidente Jair Bolsonaro