Scientific Reports publica estudo que mostra alterações ambientais causadas no Rio Paraopeba pelo incidente da Vale em Brumadinho (MG)

A ruptura da barragem de rejeitos de mineração de Brumadinho no Brasil é considerada um dos maiores desastres de mineração do mundo, tendo em pelo menos 244 mortes e causado o desaparecimento de 26 pessoas, além das conseqüências ambientais (ver abaixo vídeo do momento da ruptura do reservatório da Vale na mina Córrego do Feijão).

Agora, um estudo produzido em colaboração por pesquisadores da Uenf, UFRJ e UFES, e que acaba de ser publicado pela Scientific Reports (que pertence ao mesmo grupo que publica a revista Nature),  avalia as concentrações de múltiplos elementos e os efeitos biológicos na água e nos sedimentos do rio Paraopeba após a ruptura da barragem de Brumadinho.  É importante notar que os rejeitos que escaparam da barragem da mineradora Vale eram formados por material particulado fino com grandes quantidades de Fe, Al, Mn, Ti, metais de terras raras e metais tóxicos.

mapa brumadinhoMapa dos locais de amostragem com a trajetória dos rejeitos de mineração ao longo do rio Paraopeba.  Fonte de dados: IBGE, 2019

A pesquisa determinou que os teores de Fe, Al, Mn, Zn, Cu, Pb, Cd e U foram superiores aos permitidos pela legislação brasileira na água do Rio Paraopeba.  Já nos sedimentos, os níveis de Cr, Ni, Cu e Cd foram superiores às diretrizes de qualidade de sedimentos estabelecidas (TEL-NOAA).

ER BrumadinhoFatores de enriquecimento (FEs) dos rejeitos e sedimentos dos locais de amostragem ao longo do rio Paraopeba. Os tons de marrom indicam o seguinte: 1 indica nenhum enriquecimento; ❤ é enriquecimento menor; 3-5 é um enriquecimento moderado; 5–10 é enriquecimento moderadamente grave; 10-25 é um enriquecimento severo; 25–50 é um enriquecimento muito grave; e> 50 é um enriquecimento extremamente grave

Os autores do estudo indicam que as diferenças nas concentrações de metais na água e nos sedimentos entre os lados a montante e a jusante da barragem ilustram o efeito dos rejeitos no rio Paraopeba.  Além disso, testes toxicológicos que foram realizados como parte da pesquisa demonstraram que a água e os sedimentos eram tóxicos para diferentes níveis tróficos, de algas a microcrustáceos e peixes. Além disso, os peixes expostos à água e sedimentos contendo minério também acumularam metais no tecido muscular.

Uma observação importante do estudo é que a avaliação dos resultados obtidos aponta para a necessidade de monitoramento de longo prazo na área afetada, de forma a avaliar os impactos de longo prazo que a Tsunami de Brumadinho provocou no Rio Paraopebas.

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ANM aumenta alerta para risco de rompimento da barragem Sul Superior em Barão de Cocais (MG)

sul superior

A barragem Sul Superior da Vale, na mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), está em risco iminente de rompimento, segundo informou ontem a Agência Nacional de Mineração (ANM). Na mesma situação aparecem as estruturas de Forquilha I e III, entre Ouro Preto e Itabirito, e B3/B4, no distrito de São Sebastião das Águas Claras (Macacos), em Nova Lima, todas da Vale.

Técnicos da ANM fizeram uma inspeção nessas barragens e encontraram novas “anomalias”. Além disso, o que também contribuiu para a possibilidade de rompimento das estruturas foram as constantes chuvas nessas cidades em janeiro. Para piorar a situação, as quatro barragens já estavam no nível máximo de risco de rompimento.

No início deste mês, a agência, por conta do excesso de chuvas no estado, já havia determinado a empresas que possuem barragens de mineração que permanecessem em estado de alerta.

As equipes de segurança de barragens deveriam se manter em alerta com monitoramento diário das condições das estruturas – sobretudo para o estado de conservação –, além de dar atenção especial às tomadas d’água dos vertedouros, para garantir a capacidade vertente de acordo com o projeto.

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Este material jornalístico foi inicialmente publicado pelo Diário de Barão de Cocais [Aqui!].

Relatório de grande empresa de consultoria disseca situação das barragens da mina Mar Azul

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O nível de (ou falta de) segurança das estruturas de barragens relacionadas ao funcionamento da Mina Mar Azul, operada pela mineradora Vale, no município de Nova Lima (MG) vem sendo motivo de grande atenção desde fevereiro de 2019 quando os primeiros alarmes foram soados na sua região de entorno.

No dia de hoje este blog teve acesso a um relatório emitido no dia 27 de janeiro de 2020  por uma empresa de consultoria sediada no Canadá, a SLR Consulting (Canada) Ltd,  a pedido da Vale dando conta das condições prevalecentes em quatro barragens da Mar Azul.

Ainda que em sua síntese geral, o parecer dos analistas da SLR considere que as intensas chuvas ocorridas entre os dias de 23 e 25 de janeiro não alteraram significativamente as condições pré-existentes nas barragens da Mar Azul, eles notaram alguns aspectos que até onde sei não são de conhecimento público.

A partir de observações feitas e dados fornecidos pelas equipes da Vale operando na Mar Azul, os analistas da SLR apontaram alguns elementos peculiares das estruturas consideradas, que são as seguintes:

B3/B4

  • Nenhum dano ou erosão na barragem ou vertedouro foi observado. Uma inspeção mais próxima da barragem e do seu vertedouro será conduzida quando o tempo permitir o uso de drones.
  • Durante o evento de chuva, ocorreu um deslizamento de terra na borda da bacia e bloqueou o perímetro canal de desvio. A Vale liberou a maior parte do bloqueio para permitir o fluxo através do canal. A Vale realizará uma limpeza manual para remover o solo restante do canal. A SLR também observou a ocorrência de processos de infiltração e erosão dentro da lagoa de sedimentos no final do canal de perímetro no pilar direito. A Vale está sifonando e bombeando a água da lagoa de sedimentos para reduzir o seu nível.
  • Em um memorando separado do MPMG, a SLR avaliou os requisitos de bombeamento para a lagoa  do reservatório B3/B4 e concluiu que é necessário aumentar a capacidade de bombeamento e melhorar os procedimentos operacionais.
  • As tendências nos níveis piezométricos aumentam durante a estação chuvosa e devem ser estreitamente monitorados.

Taquaras

  • Não foram observados danos ou erosão da barragem ou vertedouro.
  • Todos os instrumentos têm leituras normais imediatamente após o evento de chuva. O fator calculado de segurança com o nível máximo de água observado atende aos requisitos mínimos.
  • Detritos e madeira acumulados em frente à estrutura de entrada do vertedouro. Esses detritos devem ser limpos quando os níveis de segurança estiveram em níveis aceitáveis.

 B6

  • Nenhum dano ou erosão na barragem.
  • O fluxo do vertedouro corroeu a base do canal de saída e solapou o pátio de concreto da estrutura à jusante do peitoril.  A Vale iniciou o reparo de a estrutura. A SLR recomenda que a Vale considere melhorias no vertedouro para evitar danos no futuro.

B7

  • Nenhum problema observado.
  • Apesar do volume da lagoa ter aumentado 12 m, todos os instrumentos da barragem permaneceram secos.

Apesar de não ser nem de perto um especialistas em barragens, a síntese que faço dos itens elencados pelos analistas da SLR é de que, apesar de não existir um risco eminente de rompimento, a situação de 3 dos 4 barragens requer continua atenção por parte da Vale dados os elementos detectados serem potencialmente capazes de resultar em problemas estruturais.

A questão toda é que o passado recente da Vale não é muito animador, vide os casos de Mariana e Brumadinho.

Quem desejar ler o relatório da SLR Consulting (Canada) Ltd na íntegra, basta clicar [Aqui!].

Vítimas de Brumadinho são homenageadas e relembradas em ato na Avenida Paulista

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Há exato 1 ano se rompia a Barragem da Mina do Feijão, que deixou 272 mortos em Brumadinho. E para relembrar e homenagear as vítimas da tragédia, houve hoje, 25 de janeiro, um ato em que a sirene que não tocou em 2019, soou por 60 segundos na Avenida Paulista, às 12h28, horário que a barragem se rompeu. Em seguida, os participantes sentaram na calçada e fizeram 1 minuto de silêncio.

A ação foi realizada pelos voluntários do Instituto Camila e Luiz Taliberti, criado pelos amigos e parentes das vítimas da tragédia. Após a performance, Larissa Carrara, voluntária do Instituto e amiga de Camila, realizou um discurso forte que reforçou o propósito de todos que estavam ali: abraçar as causas que Camila e Luiz tanto lutavam, mas foram interrompidos pela lama. “Geramos o Instituto na contramão de toda essa ganância e indiferença, como voluntários em defesa e proteção dos direitos humanos, grupos vulneráveis e meio ambiente. Camila, Luiz. Fernanda. Lorenzo: é por justiça, é por amor. É por vocês e todos outros 268 atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho, que agora seremos nós que não sossegaremos mais. Eles tentaram nos enterrar. Não sabiam que éramos sementes!”, reforçou Larissa.

Como continuidade da série de ações que acontecerá nesse final de semana, às 18h30 os voluntários do Instituto, amigos e a família de Camila e Luiz Taliberti, farão uma caminhada até a Rua da Consolação, finalizando o dia com uma projeção sobre o tema no prédio onde funcionava o CREMESP, em frente ao Mackenzie.

26 de janeiro

Amanhã, 26, no mesmo local, Av. Paulista com a Rua Pamplona, acontece o segundo dia do evento com apresentações musicais e uma tenda com fotos de todas as vítimas. Também haverá a presença de uma serigrafista, que utilizará seus equipamentos para estampar camisetas dos participantes com o tema da ação.

Serviço

Evento em homenagem às vítimas de Brumadinho

Programação 26 de janeiro

Local: Esquina da Av. Paulista com a Rua Pamplona

10h: Início do evento

11h: Homenagem organizada pelos familiares

11h40: Apresentação musical

12h28: Toca a sirene — 1 minuto de silêncio

13h às 17h: Diversas apresentações musicais

17h45: Encerramento do evento

Sobre o Instituto Camila e Luiz Taliberti

O Instituto é uma iniciativa coletiva de amigos e familiares de Camila e Luiz Taliberti, vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. O Instituto tem como missão atuar em temas socioambientais, a defesa dos direitos humanos, o empoderamento de grupos vulneráveis, especialmente mulheres, e a proteção do meio ambiente contra ações danosas.

INFORMAÇÕES PARA IMPRENSA

Empresa: Instituto Camila e Luiz Taliberti

Trama Comunicação: (11) 3388-3040 – www.tramaweb.com.br

Atendimento à imprensa

Lori Moscatelli – lori@tramaweb.com.br (11) 3388-3057 / (11) 98869-6141

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Um ano de Brumadinho e os efeitos de Kurumi: quando as corporações reinam, a Natureza padece e os pobres sofrem

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Hoje se completa um ano do rompimento da barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho que causou a morte de cerca de 300 pessoas, algumas das quais continuam com seus corpos soterrados na lama oriunda das operações de mineração da Vale.  Mas se lembrar do crime cometido em função da ganância corporativa não fosse suficiente para azedar o dia, ouve-se e lê-se os informes dos efeitos devastadores das chuvas causadas pelo ciclone Kurumi em parte de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Alguém bem intencionado poderá perguntar qual é o nexo, se algum, entre os dois fatos apontados acima.  Eu diria que o nexo é pleno, na medida em que vivemos em uma sociedade dominada pelos interesses das grandes corporações que fazem da exploração da Natureza sua via fundamental de concentração de riqueza, ainda que impondo enormes custos ambientais e humanos.  Na prática, quando mineradoras como a Vale entulham rios e retiram suas águas para seus processos rudimentares, as consequências devastadoras dessa forma de apropriação da Natureza acabam sendo sentidas cedo ou tarde. 

As cenas de devastação que as chuvas estão criando em dezenas de municípios não decorrem apenas da manifestação das mudanças climáticas, mas de um modelo de sociedade que ignora as questões ambientais para maximizar a concentração da renda. Nesse caso, os pobres são relegados aos locais mais indesejados de cidades cada vez mais impactadas pelo  modelo de sociedade segregada em que vivemos. Por isso, as cenas de devastação raramente são mostradas a partir de mansões, mas normalmente de casas humildes onde os residentes acabam de perder tudo o que possuíam, mesmo antes de se recuperarem de perdas anteriores. 

Esse é o ciclo da nossa miséria socioambiental: as corporações abusam da Natureza, causam o colapso de delicados balanços naturais, criam cidades segregadas onde aos pobres é reservado os custos pesados de um modelo de sociedade que não se sustenta sem causar muita dor e sofrimento.

1 ano

Mas em meio a cenas de destruição e desespero também há gente que se movimenta para denunciar o modelo vigente e buscar formas de superar a estrada sem saída em que estamos metidos.  Por exemplo, centenas de pessoas marcham hoje  sob a liderança do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) em direção à Mina do Córrego do Feijão para denunciar o crime cometido pela mineradora Vale e sua consequente omissão frente às responsabilidades com os atingidos e o meio ambiente.

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Esses que marcham que marcham em Brumadinho estão lançando sementes para que possamos superar esse modelo de sociedade em que alguns vivem no luxo absoluto às custas da desgraça alheia.  Aos que marcham, o meu agradecimento.

A Vale garante que rompimento de Gongo Soco não atingiria Santa Bárbara: quem vai acreditar nisso?

GONGO SOCO AMEAÇA

Ao longo de 2019 publiquei vários posts sobre a situação crítica em que se encontra a barragem de rejeitos da mina de Gongo Soco que está localizada no município de Barão de Cocais cujo rompimento poderia ter efeitos piores do que aqueles resultantes dos Tsulamas ocorridos em Mariana e Brumadinho.

Em um desses posts foi apresentada uma análise integrada produzida pelo arquiteto Frederico Lopes Freire que mostrou que além de Barão de Cocais, os rejeitos eventualmente escapados de Gongo Soco deveriam também  atingir os municípios de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo (ver imagem abaixo).

Congo Soco - caminho da lama

Pois bem, a edição de hoje do “Diário de Santa Bárbara”  publicou uma matéria de capa indicando que a mineradora Vale teria comunicado que em caso de rompimento “um “megamuro” que foi construído na região de Socorro será suficiente para conter a lama, evitando que as cidades sejam atingidas” (ver imagem abaixo).

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O problema é que, depois de Mariana e Brumadinho, quem em sã consciência vai se acalmar com um comunicado da Vale?

Estudo recém-publicado mostra impactos severos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho sobre o Rio Paraopeba

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Um estudo realizado por pesquisadores ligados a diversas instituições de pesquisa no Brasil sobre os impactos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) acaba de ser publicado pela revista “Science of the Total Environment“. 

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Segundo um dos lideres da pesquisa, o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Eduardo de Rezende, a pesquisa que resultou a publicação deste artigo foi realizada para  avaliar os impactos ambientais da ruptura da barragem de Brumadinho a curto prazo.  Segundo Carlos Eduardo de Rezende,  análises biogeoquímicas, microbiológicas e ecotoxicológicas foram realizada em amostras coletadas ao longo de 464 km do Rio Paraopeba na semana seguinte ao desastre (1 de fevereiro de 2019), sendo o processo de amostragem repetido quatro meses depois (27–29 Maio de 2019).

Segundo Rezende, imediatamente após o desastre, a turbidez da água foi de 3000 NTU, 30 vezes maior que o padrão recomendado pela Resolução Brasileira de Qualidade da Água (CONAMA 357),tendo sido observado um aumento de até 60 vezes nas unidades formadoras de colônias microbianas tolerantes ao ferro até 115 km a jusante da falha da barragem em maio de 2019 (em comparação com fevereiro de 2019), sugerindo alterações nos perfis metabólicos microbianos.

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Para Carlos Eduardo de Rezende, os resultados do estudo sugerem que será necessário a implementação de programas de monitoramento independentes para quantificar a extensão dos possíveis impactos causados ​​pelo uso antropogênico do rio e promover a recuperação da área impactada.

Finalmente, o professor Rezende  afirmou que, apesar das dificuldades criadas pela falta de financiamento, a equipe de pesquidadores está comprometida com a realização de novas amostragens para avaliar o comportamento longitudinal das alterações biogeoquímicas e do perfil metagenômico do Rio Paraopeba.

Quem desejar baixar o publicado na “Science of the Total Environment“, basta clicar [Aqui!].