Vítimas de Brumadinho são homenageadas e relembradas em ato na Avenida Paulista

Este slideshow necessita de JavaScript.

Há exato 1 ano se rompia a Barragem da Mina do Feijão, que deixou 272 mortos em Brumadinho. E para relembrar e homenagear as vítimas da tragédia, houve hoje, 25 de janeiro, um ato em que a sirene que não tocou em 2019, soou por 60 segundos na Avenida Paulista, às 12h28, horário que a barragem se rompeu. Em seguida, os participantes sentaram na calçada e fizeram 1 minuto de silêncio.

A ação foi realizada pelos voluntários do Instituto Camila e Luiz Taliberti, criado pelos amigos e parentes das vítimas da tragédia. Após a performance, Larissa Carrara, voluntária do Instituto e amiga de Camila, realizou um discurso forte que reforçou o propósito de todos que estavam ali: abraçar as causas que Camila e Luiz tanto lutavam, mas foram interrompidos pela lama. “Geramos o Instituto na contramão de toda essa ganância e indiferença, como voluntários em defesa e proteção dos direitos humanos, grupos vulneráveis e meio ambiente. Camila, Luiz. Fernanda. Lorenzo: é por justiça, é por amor. É por vocês e todos outros 268 atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho, que agora seremos nós que não sossegaremos mais. Eles tentaram nos enterrar. Não sabiam que éramos sementes!”, reforçou Larissa.

Como continuidade da série de ações que acontecerá nesse final de semana, às 18h30 os voluntários do Instituto, amigos e a família de Camila e Luiz Taliberti, farão uma caminhada até a Rua da Consolação, finalizando o dia com uma projeção sobre o tema no prédio onde funcionava o CREMESP, em frente ao Mackenzie.

26 de janeiro

Amanhã, 26, no mesmo local, Av. Paulista com a Rua Pamplona, acontece o segundo dia do evento com apresentações musicais e uma tenda com fotos de todas as vítimas. Também haverá a presença de uma serigrafista, que utilizará seus equipamentos para estampar camisetas dos participantes com o tema da ação.

Serviço

Evento em homenagem às vítimas de Brumadinho

Programação 26 de janeiro

Local: Esquina da Av. Paulista com a Rua Pamplona

10h: Início do evento

11h: Homenagem organizada pelos familiares

11h40: Apresentação musical

12h28: Toca a sirene — 1 minuto de silêncio

13h às 17h: Diversas apresentações musicais

17h45: Encerramento do evento

Sobre o Instituto Camila e Luiz Taliberti

O Instituto é uma iniciativa coletiva de amigos e familiares de Camila e Luiz Taliberti, vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. O Instituto tem como missão atuar em temas socioambientais, a defesa dos direitos humanos, o empoderamento de grupos vulneráveis, especialmente mulheres, e a proteção do meio ambiente contra ações danosas.

INFORMAÇÕES PARA IMPRENSA

Empresa: Instituto Camila e Luiz Taliberti

Trama Comunicação: (11) 3388-3040 – www.tramaweb.com.br

Atendimento à imprensa

Lori Moscatelli – lori@tramaweb.com.br (11) 3388-3057 / (11) 98869-6141

Eri Yoshiy — eri@tramaweb.com.br (11) 3181-5572 / (11) 95034-9122

Vanessa Sallas – vanessa@tramaweb.com.br (11) 3388 3049

Um ano de Brumadinho e os efeitos de Kurumi: quando as corporações reinam, a Natureza padece e os pobres sofrem

bruma1

Hoje se completa um ano do rompimento da barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho que causou a morte de cerca de 300 pessoas, algumas das quais continuam com seus corpos soterrados na lama oriunda das operações de mineração da Vale.  Mas se lembrar do crime cometido em função da ganância corporativa não fosse suficiente para azedar o dia, ouve-se e lê-se os informes dos efeitos devastadores das chuvas causadas pelo ciclone Kurumi em parte de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Alguém bem intencionado poderá perguntar qual é o nexo, se algum, entre os dois fatos apontados acima.  Eu diria que o nexo é pleno, na medida em que vivemos em uma sociedade dominada pelos interesses das grandes corporações que fazem da exploração da Natureza sua via fundamental de concentração de riqueza, ainda que impondo enormes custos ambientais e humanos.  Na prática, quando mineradoras como a Vale entulham rios e retiram suas águas para seus processos rudimentares, as consequências devastadoras dessa forma de apropriação da Natureza acabam sendo sentidas cedo ou tarde. 

As cenas de devastação que as chuvas estão criando em dezenas de municípios não decorrem apenas da manifestação das mudanças climáticas, mas de um modelo de sociedade que ignora as questões ambientais para maximizar a concentração da renda. Nesse caso, os pobres são relegados aos locais mais indesejados de cidades cada vez mais impactadas pelo  modelo de sociedade segregada em que vivemos. Por isso, as cenas de devastação raramente são mostradas a partir de mansões, mas normalmente de casas humildes onde os residentes acabam de perder tudo o que possuíam, mesmo antes de se recuperarem de perdas anteriores. 

Esse é o ciclo da nossa miséria socioambiental: as corporações abusam da Natureza, causam o colapso de delicados balanços naturais, criam cidades segregadas onde aos pobres é reservado os custos pesados de um modelo de sociedade que não se sustenta sem causar muita dor e sofrimento.

1 ano

Mas em meio a cenas de destruição e desespero também há gente que se movimenta para denunciar o modelo vigente e buscar formas de superar a estrada sem saída em que estamos metidos.  Por exemplo, centenas de pessoas marcham hoje  sob a liderança do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) em direção à Mina do Córrego do Feijão para denunciar o crime cometido pela mineradora Vale e sua consequente omissão frente às responsabilidades com os atingidos e o meio ambiente.

bruma 2

Esses que marcham que marcham em Brumadinho estão lançando sementes para que possamos superar esse modelo de sociedade em que alguns vivem no luxo absoluto às custas da desgraça alheia.  Aos que marcham, o meu agradecimento.

A Vale garante que rompimento de Gongo Soco não atingiria Santa Bárbara: quem vai acreditar nisso?

GONGO SOCO AMEAÇA

Ao longo de 2019 publiquei vários posts sobre a situação crítica em que se encontra a barragem de rejeitos da mina de Gongo Soco que está localizada no município de Barão de Cocais cujo rompimento poderia ter efeitos piores do que aqueles resultantes dos Tsulamas ocorridos em Mariana e Brumadinho.

Em um desses posts foi apresentada uma análise integrada produzida pelo arquiteto Frederico Lopes Freire que mostrou que além de Barão de Cocais, os rejeitos eventualmente escapados de Gongo Soco deveriam também  atingir os municípios de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo (ver imagem abaixo).

Congo Soco - caminho da lama

Pois bem, a edição de hoje do “Diário de Santa Bárbara”  publicou uma matéria de capa indicando que a mineradora Vale teria comunicado que em caso de rompimento “um “megamuro” que foi construído na região de Socorro será suficiente para conter a lama, evitando que as cidades sejam atingidas” (ver imagem abaixo).

diário

O problema é que, depois de Mariana e Brumadinho, quem em sã consciência vai se acalmar com um comunicado da Vale?

Estudo recém-publicado mostra impactos severos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho sobre o Rio Paraopeba

brumadinho

Um estudo realizado por pesquisadores ligados a diversas instituições de pesquisa no Brasil sobre os impactos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) acaba de ser publicado pela revista “Science of the Total Environment“. 

scoten

Segundo um dos lideres da pesquisa, o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Eduardo de Rezende, a pesquisa que resultou a publicação deste artigo foi realizada para  avaliar os impactos ambientais da ruptura da barragem de Brumadinho a curto prazo.  Segundo Carlos Eduardo de Rezende,  análises biogeoquímicas, microbiológicas e ecotoxicológicas foram realizada em amostras coletadas ao longo de 464 km do Rio Paraopeba na semana seguinte ao desastre (1 de fevereiro de 2019), sendo o processo de amostragem repetido quatro meses depois (27–29 Maio de 2019).

Segundo Rezende, imediatamente após o desastre, a turbidez da água foi de 3000 NTU, 30 vezes maior que o padrão recomendado pela Resolução Brasileira de Qualidade da Água (CONAMA 357),tendo sido observado um aumento de até 60 vezes nas unidades formadoras de colônias microbianas tolerantes ao ferro até 115 km a jusante da falha da barragem em maio de 2019 (em comparação com fevereiro de 2019), sugerindo alterações nos perfis metabólicos microbianos.

scoe

Para Carlos Eduardo de Rezende, os resultados do estudo sugerem que será necessário a implementação de programas de monitoramento independentes para quantificar a extensão dos possíveis impactos causados ​​pelo uso antropogênico do rio e promover a recuperação da área impactada.

Finalmente, o professor Rezende  afirmou que, apesar das dificuldades criadas pela falta de financiamento, a equipe de pesquidadores está comprometida com a realização de novas amostragens para avaliar o comportamento longitudinal das alterações biogeoquímicas e do perfil metagenômico do Rio Paraopeba.

Quem desejar baixar o publicado na “Science of the Total Environment“, basta clicar [Aqui!].

Trincas forçam Vale a alertar mercado sobre suspensão de uso de barragem em Barão de Cocais (MG)

laranjeiras

Ao longo de 2019 abordei diversas situações de risco envolvendo barragens de mineração da Vale no estado de Minas Gerais. Entretanto, ao longo dos últimos meses, a coisa parecia menos dramática do que no início do ano, quando várias dessas estruturas construídas para receber rejeitos da mineração de ferro da Vale no território mineiro ameaçavam ruir.

Mas eis que hoje, a Vale emitiu um novo comunicado ao mercado dando conta da suspensão dos despejos de resíduos na barragem Laranjeiras vindos da mina Brucutu, localizada nos municípios de Barão de Cocais e de São Gonçalo do Rio Abaixo (ver imagem abaixo).

vale barragem

A Vale informa que a suspensão do despejo de rejeitos na barragem de Laranjeiras está se dando para que sejam conduzidas “avaliações sobre as características geotécnicas da barragem”. Entretanto, o Diário de Barão informou em sua página oficial na rede social Facebook que a interdição de Laranjeiras se deve à constatação da existência de duas trincas (ou seja, rachaduras) nas paredes da barragem Laranjeiras.

O jornal Estado de Minas já informou que a barragem de Laranjeiras tem capacidade de 5,8 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos, e que uma eventual inundação decorrente de sua ruptura se estenderia por 183 km a jusante no Rio Piracicaba, o que inevitavelmente levaria o material até a calha principal do Rio Doce, que já foi duramente atingido pelo Tsulama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP) que eclodiu no Distrito de Bento Rodrigues em Novembro de 2015.

Há que se lembrar que a Barragem Laranjeiras havia sido paralisada pela Justiça em fevereiro  deste ano, junto com outras sete após ação civil pública movida pelo Ministério Público, processo que ainda que corre em segredo de Justiça. A mineradora havia conseguido voltar a operar, mas houve nova suspensão no dia 6 de maio, a qual foi novamente suspensa, o que permitiu despejar rejeitos em Laranjeiras até o dia de hoje.

Enquanto isso, os governos de Romeu Zema e Jair Bolsonaro assistem tudo como se não tivessem nada com os graves riscos que estão colocados sobre a população dos municípios localizados imediatamente a jusante da barragem Laranjeiras ou sobre os ecossistemas naturais da região, incluindo os do Rio Doce.

 

Tremor de terra traz de volta o alarme sobre barragem da CSN em Congonhas de Campo (MG)

Ao longo de março deste ano, publiquei uma série de postagens sobre a situação periclitante  da barragem Casa de Pedra mantida pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na cidade de Congonhas do Campo. Como quase tudo que ocorre em relação à mineração no Brasil (e especialmente em Minas Gerais), pouco ou quase nada foi informado ao longo dos últimos meses sobre ações tomadas para garantir a estabilidade de uma estrutura que, se romper, poderá causar danos catastróficos e custar centenas de vidas humanas em função da proximidade da Casa de Pedra da área urbana de Congonhas do Campo.

Barragem Casa de Pedra - Detalhe - # 2 - 02 de dezembro de 2018Situação de forte instabilidade detectada em análise visual de imagens na barragem Casa de Pedra pelo arquiteto Frederico Lopes Freire em março de 2019.

Pois bem, como os processos naturais não esperam pela resposta das corporações e dos seus apoiadores dentro do Estado, ontem a região localizada entre Ouro Preto e Congonhas do Campo foi palco de um tremor de terra de grau 3,2 na Escala Richter. ESte fato pode ter tido impactos diretos não apenas na estrutura da Casa de Pedra, mas de diversas outras barragens existentes naquela parte de Minas Gerais, as quais já foram identificadas em diferentes graus de risco ao longo desde o rompimento da barragem mantida pela mineradora Vale no município de Brumadinho (MG).

Obviamente a CSN e a Vale (que possui outra barragem em Congonhas do Campo) já se apressaram para informar que o tremor de terra não causou abalos estruturais nas barragens que possuem nas proximidades da área urbana do município.  É interessante notar que no caso do rompimento ocorrido em Mariana em 2015, o governo de Minas Gerais e a Vale apresentaram como explicação para o incidente justamente a suposta ocorrência de um tremor de terra. Agora que um tremor de terras efetivamente ocorreu, a Vale e a CSN fazem manifestações públicas no sentido contrário.

A verdade é que a situação na barragem Casa de Pedra já era preocupante antes deste tremor de terra que na Escala Richter é avaliado com sendo de pequeno impacto. O problema é que mesmo tremores de pequeno impacto ocorrendo em estruturas já frágeis podem desencadear impactos catastróficos. Por isso, o mais indicado no caso da população de Congonhas do Campo seria o estabelecimento de um conjunto medidas de alerta e monitoramento de independente das barragens que pairam perigosamente sobre a cidade.  Afinal de contas, a CSN e a Vale são de baixa ou nenhuma confiabilidade, pois já deram inúmeras mostras de que colocam o lucro acima de qualquer outra coisa.

Enquanto isso, não há muito o que esperar dos governos de Romeu Zema e Jair Bolsonaro que têm dado demonstrações inequívocas de que não estão dispostos a estabelecer medidas de proteção ambiental e humana em face das atividades de mineração.

 

Tsulama da Samarco: documentos oficiais revelam negligência e descaso

samarco-3

A empresa de consultoria Ramboll Brasil foi contratada pelo Ministério Público Federal (MPF) para realizar as atividades de monitoramento e assistência técnica das ações da Fundação Renova na região da Bacia do Rio Doce, atingida pelo incidente ambiental causado pela Mineradora Samarco  (Vale+ BH) no Distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana (MG), em Novembro de 2015.

bento-rodrigues

Como resultado do contrato com o MPF, a Ramboll produziu uma série de relatórios de monitoramento das ações de reparação que deveriam estar sendo feitas pela Fundação Renova e que agora podem ser acessados por todos os interessados.

Os documentos são oficiais e trazem bastantes informações atualizadas sobre a situação dos atingidos. Sendo assim, caso esteja com alguma pauta sobre o assunto, seguem links para download das informações.

PROGRAMA DE LEVANTAMENTO E CADASTRO DOS IMPACTADOS

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg01_folder_nov2019.pdf

INDENIZAÇÃO MEDIADA (PIM)

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg02_folder_nov2019.pdf

RECUPERAÇÃO DO RESERVATÓRIO DA USINA HIDRELÉTRICA (UHE) RISOLETA NEVES

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg09_folder_nov2019.pdf

APOIO À SAÚDE FÍSICA E MENTAL DOS ATINGIDOS

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg14_04nov2019.pdf

PROGRAMA DE RETOMADA DAS ATIVIDADES AQUÍCOLAS E PESQUEIRAS

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg16_folder_nov2019.pdf

AUXÍLIO FINANCEIRO EMERGENCIAL

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg21_folder_nov2019.pdf

PROGRAMA DE MANEJO DE REJEITOS

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg23e24_folder_nov2019.pdf

PROGRAMA DE MELHORIA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg32_folder_nov2019.pdf

 INVESTIGAÇÃO E MONITORAMENTO DA BACIA DO RIO DOCE, ÁREAS ESTUARINA, COSTEIRA E MARINHA ATINGIDAS

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg38_folder_nov2019.pdf

RECONSTRUÇÃO, RECUPERAÇÃO E REALOCAÇÃO DE BENTO RODRIGUES, PARACATU DE BAIXO E GESTEIRA

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg08_folder_nov2019

RECUPERAÇÃO DA ÁREA AMBIENTAL-1

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll/pg25_folder_nov2019

LISTA DE RELATÓRIOS RAMBOLL

http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/documentos/relatorios-ramboll

É interessante nota que dos 42 aprovados pelo Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), somente um está de fato sendo cumprido.