Em 2016, especialista alertou para situação de grave risco em 144 grandes reservatórios de rejeitos no Brasil

brumadinho

Momento da ruptura do reservatório de rejeitos da Vale em Brumadinho.

Em uma análise publicada em 01 de Outubro de 2016, uma estudiosa da segurança de reservatórios de rejeitos de mineração Lindsay Newland Bowker publicou em seu blog uma dura análise sobre o estado da segurança de grandes reservatórios de rejeitos de mineração no Brasil até aquele momento.

As análises abrangem vários aspectos do que representaria um imenso risco em que estariam colocados 144 grandes reservatórios de rejeitos, muitos deles de propriedade da mineradora Vale. Além de oferecer uma análise dos reservatórios, Newland Bowker também abordou as insuficiências técnicas e a falta de capacidade de supervisão das agências governamentais que deveriam zelar pela segurança dessas estruturas.

Mas Newland Bowker também apontou para uma série de medidas que deveriam ser tomadas para evitar a repetição da ruptura ocorrida em Bento Rodrigues, a começar pela instalação de um comitê multidisciplinar independente que pudesse analisar em profundidade a situação que ela desvelou com suas análises.

Lamentavelmente, as análises e sugestões de Lindsay Newland Bowker foram ignoradas e agora tivemos o Tsulama da Vale de Brumadinho.  Talvez agora a mensagem de Newland Bowker sejam levadas com  seriedade que merecem.

Abaixo publico a postagem de Lindsay Newland Bowker em sua íntegra.

Todos os 144 grandes reservatórios de rejeitos do Brasil devem ser considerados sob risco de ruptura e precisam ser indepentemente avaliados por um Painel Multidisciplinar de Peritos Complemente Independentes

De acordo com um relatório de 2014 da Agência Nacional de Águas (ANA), o Brasil possui 633 barragens de rejeitos, a esmagadora maioria construída após a promulgação de uma nova lei federal promulgada em 2010 ( Lei nº 12.334/2010).  Desse total,144 são grandes o suficiente para causar uma perda catastrófica social, ambiental, econômica e de responsabilidade pública em caso de ruptura. Neste relatório, o Brasil classifica apenas 32 das 633 instalações como de alto risco por seus procedimentos de análise de risco. Esses procedimentos, no entanto, são mais semelhantes à classificação de risco padrão, que fala de forma simplista e restrita sobre a questão de quanto dano um determinado fluxo de saída poderia causar. Eles não reconhecem se do que é construído e operacional pode ser razoavelmente esperado que atinja os padrões ambientais. Por exemplo, não se reconhece a propensão diferente para falha para uma determinada altura e configuração de capacidade baseada em ARD, taxa de aumento ou projeto de barragem, sistema de drenagem, capacidade de separar o lodo das areias, proporção de finos, secura através da pilha e outras características específicas de rejeitos não compartilhadas por barragens de água.

ana-capa

Todos lembram que o relatório de inspeção de julho de 2015 elaborado pela VOG BR deu uma nota satisfatória ao reservatório do Fundão em Bento Rodrigues. Como o VOGBR explicou em uma carta brevemente publicada que é analisada extensivamente em nossa página, o relatório era um relatório obrigatório de conformidade anual cuja forma e conteúdo é ditado pelos regulamentos e pela lei.

A VOG BR escreveu que a Mineradora Samarco não permitiu que se fizessem medições independentes ou visitassem o local do reservatório. A Samarco, disseram, forneceu os dados e especificou contratualmente a análise a ser usada. Este mesmo nível de “inspeção anual de segurança” de acordo com a lei presumivelmente foi usado na supervisão de todas as grandes represas do Brasil.

vale-tailings-dams-map

Fonte: Valeaguamais.wordpress.com

Adotando uma visão mais abrangente e forense do risco e avaliando o arcabouço legal brasileiro, e seu nível obviamente baixo de competência técnica em mineração, acreditamos que todas as 144 grandes instalações de rejeitos no Brasil devem ser consideradas com risco significativo de falha e um programa de avaliação de risco disciplinar deve ser realizada para todos estes reservatórios. Todas as represas a montante acima de 50 metros devem receber atenção prioritária. A prioridade imediata deve estar nas 15 mega barragens de altura e tamanho extremos em relação às barragens de rejeitos do mundo. A megabarragem da Vale no Complexo de Itapira, já excedendo a capacidade permitida e em processo de expansão adicional, e já evidenciando rachaduras e outros sinais de tensão, tem sido amplamente identificada como particularmente preocupante.   Nossas razões para considerar todas as 144 grandes barragens de rejeitos em risco são: 

(1)  A Lei nº 12.334/2010  não abordou nenhuma das causas profundas de falhas catastrófica, concentrando-se na estrutura da responsabilidade criminal e civil. Segundo essa lei, as falhas fatais no Fundão não foram detectadas ou resolvidas até que a pior falha na história mundial registrada realmente ocorresse. 

(2) A Vale controla 114 de um total de 633 instalações de TSFs (Instalações de Armazenamento de Rejeitos) existentes no Brasil, e representa uma parte muito significativa de toda a produção de minério de ferro do Brasil, gerando 200 milhões de toneladas de minério por ano, mais de 40% daquela em rejeitos e resíduos apenas na área do Quadrilátero Ferrífero. A Vale pretende aumentar a produção no quadrilátero 19 em 50% até 2030. Uma autoavaliação de 2013 sobre alternativa mais segura de espessamento de pasta e pilha seca concluiu que a maioria de seus rejeitos gerados atualmente não atendia aos critérios técnicos para as alternativas seguras de espessamento de pasta. e pilha seca. Apenas 4 dos seus 114 TSFs em todo o Brasil (4%), preenchiam os critérios para espessamento de pilha seca ou pasta. A Vale conseguiu fazer com que o governo brasileiro recuasse das reformas pós-ruptura de Fundão, que teriam colocado o controle sobre a altura e a taxa de crescimento (por melhores práticas reconhecidas mundialmente) e proibiram a construção de grandes barragens. (Eisenhammer). A Vale, proprietária de 50% da Samarco, examinou a grande expansão e o procedimento correto, embora seu consultor tenha sinalizado a ausência de capacidade adequada na fundação e a ausência de qualquer plano ou espaço no local para fornecer capacidade. O inventário de TSFs da Vale inclui muitas, se não a maioria, dessas grandes barragens de rejeitos.

(3) não há competência em mineração em nenhuma das entidades emissoras de licenças federais ou estaduais do Brasil. Portanto, mesmo que a estrutura legal tenha como objetivo causar falhas catastróficas, não há capacidade técnica dentro do governo para determinar se os padrões ambientais e de conservação são realmente atingíveis. Praticamente todas as 144 grandes barragens de rejeitos e as barragens de 15 megabarragens foram permitidas sem competência técnica por parte dos órgãos responsáveis pela sua supervisão. 

(4) O estado de Minas Gerais, um importante centro de mineração no Brasil, parece inepto e uma vítima de captura regulatória completa (como foi e é o caso na Colúmbia Britânica). O reservatório de Rio Pomba teve dois eventos sérios anteriores (2003 e 2006) antes do último erro grave em 2007. Minas Gerais é responsável por 3 das 18 falhas muito graves do mundo (1/1 / 1996-12 / 31/2015, 17%) e 3 dos 20 fracassos graves em todo o mundo pós 1996, 15%. Não precisamos de detalhes sobre o volume total de minério de Minas Gerais para sabermos que esse padrão de rupturas está fora de escala com a classificação de Minas Gerais na produção global de minério. 

Nas imagens à cima, a direita mostra o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Rio Pomba Cataguazes e na esquerda os impactos ocorridos na área urbana da cidade de Miraí, 2007.

(5) Brasil, desde que a aprovação de seu estatuto de 2010 deu início a uma expansão maciçamente regulamentada da produção de metais lançando as sementes por falha catastrófica (http://www.ibram.org.br/sites/1400/1457/00000294.pdf ). Assim, enquanto havia apenas 241 barragens de rejeitos no Brasil em 2011, o número cresceu para 641 até 2012. (ver Figura 9 do relatório citado)

ana-figura-9

herculao-dam-failure_Represa do Rejeito Herculano Minas Gerais

Para o crédito do Brasil e de acordo com a reforma estatutária de 2010, o Brasil aqui pelo menos fez algumas considerações sobre suas TSFs e divulgou algumas estatísticas úteis publicamente disponíveis. Todas as nações devem divulgar e monitorar publicamente as condições de todas as grandes barragens de TSF permitidas, como este relatório do Brasil faz.  Uma grande falha, no entanto, é que ela se concentra em um conjunto comum de medidas entre todos os tipos de barragens e negligencia em não abordar os principais elementos de risco e função que são específicos do uso. Por exemplo, nenhuma discussão sobre a construção a montante e a taxa de aumento nas barragens de rejeitos.  

Como deve ser de conhecimento geral, o Comitê Internacional de Grandes Barragens (ICECOLD) não monitora as barragens de rejeitos por temer que seu terrível registro de segurança reflita adversamente sobre a percepção pública da segurança da barragem de água (Kiernan 2016) O Brasil aqui pelo menos conta e fornece estatísticas básicas barragens de rejeitos. Como isso, nós podemos, por causa de nossa profunda imersão na ciência forense das catástrofes de mineração do mundo, inferirmos desses dados sobre a provável responsabilidade pública já formada nesses 144 grandes TSFs.  

A nossa postulação é que as barragens de rejeitos exigem seus próprios critérios de avaliação de risco e suas próprias estatísticas relevantes e estrutura legal. Nossa defesa é que todo distrito licenciado deve ter um Conselho de Revisão de Mina de caráter multidisciplinar independente, nomeado e mandatado separadamente, semelhante aos Departamentos de Edifícios e ao processo de Inspeção para a construção de grandes edifícios. Estes conselhos deveriam ter o poder de agir contra ou em vez de permitir distritos que não estejam aplicando a autoridade existente, uma realidade que é, em si mesma, a causa raiz das rupturas das barragens (Relatório de 2016 da BC Auditor Generals)  

Este relatório aplica as mesmas categorias de tamanho às barragens de rejeitos do que a outras barragens usando as definições do ICOLD, em que uma barragem grande é definida como uma altura maior que 15m ou uma capacidade superior a 3 milhões de metros cúbicos.  Neste caso, os critérios que definem uma grande barragem de água e aqueles que definem uma grande barragem de são razoáveis e adequados à análise forense da ruptura da barragem de rejeitos. Barragens de rejeitos de 3 milhões de metros cúbicos são capazes de causar uma falha catastrófica que o Dr. Chambers e eu definimos como uma liberação superior a 1 milhão de metros cúbicos (Bowker e Chambers 2015, Bowker e Chambers 2016) Em uma falha total entre 30% -50% do conteúdo é liberado (Rico 2010 e forense).

Em geral, como analistas de risco,  desestimulo as comparações entre as barragens de água (finalidade construída até a conclusão para uma faixa conhecida de fluxo com materiais que atendem rigidamente a especificações específicas, retendo apenas água) com reservatórios de rejeitos que são construídos com materiais que estejam disponíveis à mão e retendo vários tipos de materiais tóxicos e com variabilidade na sua integridade estrutural. Obviamente esses dois tipos de reservatórios não são comparáveis. 

Temos que reiterar que as estatísticas fabricadas sem sentido de que as barragens de rejeitos falham a uma taxa de 10 vezes maior que as barragens de água devem ser permanentemente retiradas e nunca mais citadas por qualquer pesquisador responsável, jornalista ou porta-voz. 

Cada tipo de barragem de retenção deve ser avaliado quanto a riscos inerentes de engenharia e de falha, baseados nos conteúdos e métodos de meios e materiais de construção. 

Para desencorajar comparações com barragens de água, seria melhor se as barragens de água fossem relatadas separadamente e monitoradas em padrões adequados para elas e os rejeitos de minas (e outros tipos de resíduos e barragens de resíduos, por exemplo, aqueles que retêm soluções de lixiviação grávidas) fossem reportados e monitorados em seus próprios termos para riscos específicos para o tipo de barragem.) 

Ignorando as comparações por tipo de barragem neste relatório (e resistindo a qualquer necessidade de citá-las em uma base de comparação), abaixo estão algumas estatísticas do Relatório da ANA de 2014.

Por exemplo na Figura 4: 

ana-figura-4

podemos verificar que 519 das 663 barragens de rejeitos brasileiras não são “grandes barragens” por definição e, portanto, também não são capazes de falhas catastróficas, conforme definido nas câmaras Bowker e Chambers 2015; Bowker e Chambers 2016.  Mas 144 das 663 são grandes represas, e destas 15 têm uma capacidade de barragem superior a 75 M metros cúbicos (7 destes 200 M de capacidade métrica cúbica (ver também a Figura 10) 

A distribuição das barragens de rejeitos do Brasil por altura é mostrada na Figura 12 na página 29 do Relatório da ANA.

A represa do Fundão tinha 74 m de altura no momento de sua ruptura e tinha capacidade de 62 milhões de metros cúbicos. Mount Polley tinha 40 m de altura no momento da ruptura  e tinha uma capacidade de 75 milhões de metros cúbicos (Chambers Bowker Failure Data Base 2015, revisado em 2016)

Como aprendemos recentemente, a BHP nem sequer tinha um geofísico na equipe antes do homem ter falhado catastroficamente no Fundão, e não tinha uma política de gerenciamento de risco informada sobre as muitas TSFs em suas minas em todo o mundo. A Samarco tinha um Painel de Revisão de Rejeitos independente, mas o efeito disso na prevenção e controle de perdas é aparente. Não é exagero considerar todas as 144 grandes barragens no Brasil estão em risco. 

O Dr. Chambers e eu sabemos de nosso profundo mergulho na perícia de todas as catástrofes catastróficas do histórico de falhas da TSF (Bowker e Chambers, 2015; Bowker e Chambers 2016) que o volume expandido de produção de minério precisava atingir uma unidade de metal acabado à medida que os graus caem precipitadamente em todo o mundo é acomodada principalmente ao empurrar as TSFs existentes para além da sua capacidade de projeto em altura, volume, anos de vida útil e impressão de pé. Chuquicamata, por exemplo, ainda planejava usar sua mesma TSF de SqKM em 1985 para sua atual expansão subterrânea em massa. Na Samarco, era sabido que a represa do Fundão não tinha capacidade para a expansão planejada. A Vale que controla 144 barragens de rejeitos do Brasil (ver Quadro 4 p 51) concordou com isso. Todos sabiam que a Fundão nunca teve seus dois principais requisitos de engenharia para uma operação segura desde o início. Todos sabiam que não havia um plano de verificação identificado para expandir a capacidade local para adequar e gerenciar de maneira sólida o volume e a taxa de deposição de rejeitos que a expansão exigiria. Isso acontece em todo lugar. Raramente vemos uma revisão focada específica da capacidade de rejeitos para essas grandes expansões de taxa de transferência e para os investidores, antes de Fundão nunca ter pensado em fazer essas perguntas. 

O Dr. Chambers e eu temos dito há dois anos que os registros nos dizem que a primeira e mais urgente atenção regulatória e pública deve ser direcionada para a falha catastrófica já acumulada, mas ainda não manifesta, nas instalações operacionais permitidas existentes (Bowker e Chambers 2015; Chambers e Bowker, 2016) 

É claro que isso não pode ser uma autoavaliação e é claro que Minas Gerais e a maioria dos distritos licenciadores não têm competência para supervisionar ou conduzir essas reavaliações. 

Essas reavaliações devem ir muito além da causa de falha imediata de rotina. O recorde mundial de fracasso agora está perfeitamente claro que as causas profundas da falha catastrófica que está por trás dessas escolhas de engenharia incompetentes ou erradas são citadas como “causa imediata” (Bowker e Chambers 2016). 

A classificação de risco do Brasil e sua revisão da lei de mineração não identificam as causas-raiz da falha catastrófica (Bowker e Chambers 2016). 

Referências

 Blight, Geoffrey (2010). “Management & Operational Background to Three Tailings Dams Failures in South Africa.” Chapter 42, Slope Stability in Surface Mining, ed. Hustrulid, W.A., McCarter, Kim, Van Zyl, Dirk, Society for Mining Metallurgy and Exploration, e-book, 2010.

 Blight, G.E. and A.B. Fourie (2004). “A Review of Catastrophic Flow Failures of Deposits of Mine Waste and Municipal Refuse.” Proceedings International Workshop, “Occurrence and Mechanisms of Flow-like Landslides in Natural Slopes and Earthfills.” Sorrento, 19-36, Picarello (ed), Patron, Bologna

 Bowker, L.N. and Chambers, D.M. (2016).” Root Causes of Tailings Dam Overtopping: The Economics of Risk & Consequence”  Proceedings of “Solutions 16”, (September 2016 ) ( presently in compilation by Solutions16  meanwhile pre publication copy available from the authors) 

 Bowker, L.N. and Chambers, D.M. (2015). “The Risk, Public Liability, & Economics of Tailings Storage Facility Failures.” July 21, 2015, http://www.csp2.org/technical-reports, (June 14, 2016).

Chambers D.M. and Bowker L.N.(2016)  Tailings Dam Failures 1915-2015 (excel Free publicly downladadble) www.csp2.org

Chambers, D.M. (2014). “Options For Defining Environmental “GO/NO-GO” Zones For Mines.”January2, 2014 http://www.csp2.org/technical-reports, (June 14, 2016).

Commissioned Directed By Bowker Associates) http://www.csp2.org/files/reports/Go-NoGo%20Zones%20-%20Chambers%202Jan14.pdf

Eisenhammer, S and Nogueira, M (2016). “Brazil Mining Dam Reforms Unsettle Companies, Do Little for Safety.” Reuters, May 11, 2016

 Kiernan, Paul (2016b). “Engineers Say Brazilian Disaster Shows World-Wide Danger from Hoover Dam-Size Earthen Structures Holding ‘Tailings’ Waste.” Wall Street Journal (WSJ), April 5, 2016

 Mt Polley Expert Panel (2015). “Report on Mount Polley Tailings Storage Facility Breach.” Independent Expert Engineering Investigation and Review Panel, Province of British Columbia, January 30, 2015.

Informações adicionais sobre a mineração no Brasil

http://www.e-mj.com/features/850-brazil-mining.html?showall=1#.WAUkSWYzUjU  Excelente artigo sobre mineração, políticas econômicas e economia e história política da mineração no Brasil (em inglês).

Esta tese que também combina análises de reservatórios de água e de rejeitos possui um texto excelente e fotogragias de todos os que romperam no Brasil: http://www.smarh.eng.ufmg.br/defesas/656M.PDF

 

Mining.Com’s 2013 profile of 10 largest foreign investments in Brazil Mines..No details on tailings..just thumbnail sketches  Anglo America is prominent on the list http://www.mining-technology.com/features/featurethe-10-biggest-foreign-owned-mines-in-brazil-4415407/2

Vale’s History In Its own words http://www.vale.com/Documents/valehistorybook10.pdf

Vale’s Self Assessment of  Possibility of Using Safer  Sounder Tailings  Storagehttp://www.paste2013.com/wp-content/uploads/2013/07/Mendes-et-al-Geotechnical-parameters-of-iron-ore-tailings-from-the-Quadrilatero-Ferrifero-after-different-treatments-and-ore-processing.pdf

Lindsay Newland Bowker, CPCU, ARM Environmental Risk Manager

Bowker Associates

Science & Research In The Public Interest

15 Cove Meadow Rd.

Stonington, Maine 04681

207 367 5145


Este texto foi publicado originalmente em inglês  no blog lindsaynewlandbowker.

 

 

Minas Gerais sob o espectro do Tsulama: agora a ameaça de rompimento é em Nova Lima

WhatsApp Image 2019-02-16 at 20.44.05

Barragens B3/B4 da Vale que ameaçam romper em Nova Lima estocam pelo menos 3 milhões de metros cúbicos de rejeitos e poderiam inundar a cidade completamente.

O rompimento do sistema de represas da Vale em Brumadinho no dia 25 de janeiro parece ter iniciado um tenebroso período onde diversas barragens da mega mineradora privatizada por Fernando Henrique Cardoso (todas a montante de áreas habitadas) ameaçam romper. 

Para quem não está conseguindo acompanhar todas essas ameaças de novos Tsulamas por causa da forma da Vale gerenciar seus depósitos de rejeitos, depois do caso de Brumadinho, seguiu-se o de Barão de Cocais no dia 08 de fevereiro, o que causou a remoção imediata de pelo menos 500 pessoas.

Neste sábado (16/02) as sirenes foram acionadas para alertar os moradores de um distrito do município de Nova Lima por causa de uma nova ameaça de rompimento, agora de duas barragens no sistema da mina Mar Azul, também da Vale, localizadas a 25 km de Belo Horizonte.

As evidências apontam que há uma espécie de espectro rondando todo o estado de Minas Gerais em função de décadas de negligência das mineradoras e cumplicidade de diferentes gestões do governo de Minas Gerais. Agora, com muitos reservatórios chegando a um ponto de rompimento, as consequências sociais, econômicas e ambientais poderão ser colossais.

Um colaborador deste blog que entende do riscado quando a coisa se trata de barragens, já analiou as imagens de satélite relacionadas ao sistema de barragens em Nova Lima e verificou que ali ocorrem problemas de erosão e infiltração pelo menos de 2010. Ainda que essa análise seja ainda superficial dado o período exíguo que se teve para analisar as imagens, os padrões identificados são semelhantes aos que apareceram em sequência nos casos de Mariana e Brumadinho, e estão dando todos os indícios de que podem se repetir em Barão de Cocais e Nova Lima. 

No caso de Nova Lima, o rompimento teria consequências drásticas para a cidade de Belo Horizonte e sua área metropolitana cujo abastecimento já foi atingido pela contaminação do Rio Paraopeba e poderia ser ainda mais afetado se houver o rompimento na mina do Mar Azul porque isto afetaria o Rio das Velhas, que representa incríveis da captação do Sistema Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RNBH) e 74% de Belo Horizonte.

Agora, a pergunta que fica é a seguinte: será que o autolicenciamento que está sendo preparado pelo governo Bolsonaro para ser executado pelas próprias mineradoras vai dar jeito nas várias bombas de tempo que está prontas para se autodetonar em Minas Gerais e outros estados brasileiros?

 

Investidores “com consciência socioambinetal” e não governos são o pior pesadelo das mineradoras

brumadinho 1

Uma matéria assinada pelos jornalistas Henry Sanderson e Neil Hume e publicada pelo Financial Times sinaliza que as grandes mineradoras estão tendo que se defrontar com uma situação inédita e que as pressiona para que saiam do seu histórico padrão “sujo” de atividades para um que seja mais sustentável e menos agressivo ao ambiente e aos povos que estejam tradicionalmente nos territórios onde a mineração ocorre.

ft

Essa novidade é que não são governos que repentinamente tenham decidido afrontar as mineradoras em vez de lavar as mãos em relação às consequências negativas que a mineração traz.  O que a matéria de  Sanderson e Hume traz de novidade é que a pressão sobre as mineradoras está vindo de grupos de investidores que priorizam empresas com melhor gestão ambiental para investir.  Assim, quanto pior for o passivo socioambiental das empresas, menor será a atratibilidade que terão para este tipo de investidor.

A matéria aponta ainda que o Tsulama da Vale em Brumadinho acabou piorando ainda o ambiente para a operação da empresa nas bolsas mundiais. Segundo Anderson e Hume, após o colapso das barragens no Córrego do Feijão, a Vale foi imediatamente rebaixada pela Sustainalytics, uma influente agência de classificação focada em métricas de ESG e removida de um importante índice de sustentabilidade no Brasil. Com isso, mais de US $ 13 bilhões foram eliminados pelo valor de mercado da Vale desde o desastre.

Na figura abaixo, o gráfico da extrema esquerda mostra um particularmente revelador do “padrão Vale” de fazer negócios (que é mostrado abaixo) é muito pior em termos de emissões, efluentes e rejeitos do que os praticados pela Anglo American e pela Glencore.

poluir lucra

Esse padrão “sujo” até agora compensava, mas com o crescimento exponencial no número de fundos socialmente conscientes está colocando em risco a performance das ações.

A matéria traz uma série de declarações de investidores que refletem as péssimas consequências que os Tsulamas de Mariana e Brumadinho tiveram sobre a imagem da Vale junto a este tipo de investidores. Segundo um deles “eu não me importo com o quão barato isso fica, a Vale agora é ininvestível, “o fato de haver prédios de escritórios e uma cantina de funcionários nas proximidades da represa é simplesmente imperdoável. É como se nada tivesse sido aprendido com o desastre anterior “.

Como se vê, a Vale como reincidente de Tsulamas agora terá de repensar suas práticas não por causa da “autoregulação” que o governo Bolsonaro quer adotar, mas por causa de uma mudança no perfil de uma parcela diferenciada dos que se interessam por investir em ações.  Por isso, qualquer propensão a apoiar a liberação total da poluição no Brasil acabará tendo consequências bem diferentes das pretendidas.

Quem desejar ler a matéria do Financial Times na íntegra, basta clicar [Aqui!].

Brumadinho Pós-Mariana: Lições Não Aprendidas: vídeo completo do evento

 

Bombeiros-resgate-Brumadinho-868x644

Bombeiros atuam no resgate de vítimas no Tsulama da Vale em Brumadinho (MG).

O vídeo do evento “Brumadinho Pós-Mariana: Lições Não Aprendidas”, realizado pelo grupo de pesquisa Meio Ambiente e Sociedade (IEA/USP) em 14 de fevereiro já está disponível. O evento contou com a participação do Prof. Dr. Bruno Milanez (PoEMAS/UFJF).

Fonte: PoEMAS [Aqui!]

Virando a Vale do Avesso

Como eu já observei em várias ocasiões neste blog, a atual situação do Brasil demanda que haja um processo de organização política de sindicatos, organizações direitos humanos e do movimento ambientalista para fazer frente ao desmanche das estruturas do Estado brasileiro que foram criadas para dar um mínimo de equilíbrio a muitos aspectos que atingem a todos os brasileiros.

O exemplo recente do Tsulama da Vale em Brumadinho, que é uma repetição daquilo que já havia ocorrido em Mariana, está servindo como um ponto de apoio para iniciativas que não só debatem a tragédia, mas como estão voltadas para criar mecanismos de organização social para impedir que novos casos se repitam.

É nessa via do debate pró-ativo que se insere o “debate ação” que ocorrerá na sede do Sindicato dos Engenheiros do Rio de Janeiro no dia 14 de fevereiro no período de 18 a 21 horas (ver cartaz abaixo).

IMG-20190210-WA0036.jpg

Quem puder participar deste evento certamente sairá de lá somente com uma boa ideia do tamanho dos desafios colocados, mas também de como desenvolver os necessários mecanismos de superação dos mesmos.

O mapa do medo: 13 cidades mineiras vizinhas a represas de rejeitos

Apreensão que tomou conta de quase 400 pessoas retiradas de casa em Itatiaiuçu e Barão de Cocais, na madrugada de ontem, tira o sono de milhares de mineiros

Por Bertha Maakaroun, Guilherme Paranaíba, João Henrique do Vale, João Vitor Marques e Luiz Ribeiro para o “Estado de Minas”

Itatiaiuçu, Barão de Cocais e Brumadinho – O terror vivido com a destruição e o rastro de centenas de mortos que assombrou o Brasil após o estouro da barragem da Vale em Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, espalha o medo entre comunidades vizinhas de diversos empreendimentos minerários estado afora. Nessa sexta-feira, em duas cidades, o temor de que outros reservatórios não estivessem 100% seguros retirou de suas casas quase 400 pessoas, removidas às pressas em operações de emergência coordenadas que envolveram a Defesa Civil e forças de defesa social em Barão de Cocais, na Região Central, e Itatiaiuçu, na Grande BH.

Mas o sentimento de insegurança é muito mais amplo e se espalha por várias regiões de um estado marcado pela mineração, onde milhares de pessoas vivem abaixo de represas nem sempre seguras, de rejeitos ou de água. O Estado de Minas mapeou em mais de 10 cidades empreendimentos que vêm tirando o sono de seus vizinhos, especialmente desde a última catástrofe. Algumas delas somam mais de 20 depósitos de restos de mineração em seus limites. Clique na imagem para ampliar o mapa:

barragens mg 1

(foto: Onde o tormento tira o sono dos vizinhos de barragens em Minas )

Foi esse temor que se tornou transtorno concreto em Itatiaiuçu, outra cidade que tem a mineração como ponto forte da economia, na Grande BH, onde a madrugada de mais de 50 famílias foi marcada pelo pânico. Moradores da comunidade de Pinheiros receberam a notícia de que precisavam deixar suas casas às pressas, sob o argumento de que um desastre como o que arrasou Córrego do Feijão poderia se repetir. A maioria saiu apenas com a roupa do corpo, temendo que a barragem da Mina Serra Azul, desativada desde 2012, mas armazenando 5,8 milhões de metros cúbicos de rejeitos, pudesse despejar um novo tsunami de lama sobre suas casas

De manhã, quando um posto de comando foi montado pela Defesa Civil de Minas Gerais para coordenar as ações de evacuação das famílias, o clima era de desinformação, até que as notícias começaram a chegar com mais clareza. A ArcelorMittal Mineração Brasil informou que a tragédia de Brumadinho gerou uma mudança nas referências do projeto geotécnico da barragem da Mina Serra Azul, e nova avaliação com uma consultoria internacional contratada pela própria empresa apontou mudança de estágio de segurança, de 1 para 2, o que exigia a saída das famílias da mancha de inundação da barragem.

“Estou tendo até febre. A cabeça está doendo, estou tonta, o estômago embrulhando, vontade de ir embora”, contou a dona de casa Joice Maia Ferreira, de 31 anos. “Tem 12 anos que moro aqui e tem 12 anos que vivo com medo. Agora, esse medo aumentou ainda mais. Como vou lidar com isso?”, questionou, antes de saber que sua casa, na verdade, estava fora da área de risco e que ela poderia retornar. “Meus vizinhos do lado tiveram que sair. Mas e o medo de ir com meu menino e acontecer uma tragédia?”, perguntava, insegura.

Mais tarde, o presidente da ArcelorMittal Mineração Brasil, Sebastião Costa Filho, chegou a Itatiaiuçu e garantiu que a saída das pessoas de suas casas era necessária. “As alterações vieram por meio de auditorias externas, que levaram em consideração determinadas circunstâncias que foram aprendidas após o último rompimento, que até então não fazia parte desse contexto. Eles puseram fatos novos para avaliar a segurança de uma barragem de rejeitos”, explicou o executivo.

Essa situação fez com que 54 famílias fossem obrigadas a sair às pressas de seus imóveis em Pinheiros, totalizando cerca de 150 pessoas. “Daqui para a frente, estamos trabalhando com novos parâmetros. Vamos executar uma série de testes na barragem e assim que tivermos a garantia de que ela está 100% segura, de que não existe nenhum risco para a comunidade, retornaremos com as pessoas para suas residências”, disse Costa Filho.

O executivo também enfatizou que todas as preferências da comunidade serão estudadas e garantiu que quem quiser novas casas fora da área de risco será atendido pela Arcelor. “Vamos oferecer toda possibilidade de mudança. O que o residente quer? ‘Eu quero vender meu imóvel. Eu quero trocar meu imóvel, eu quero morar na residência, eu quero ir para outro local…’, essas possibilidades vão ser estudadas. A empresa assume o compromisso de tratar essas pessoas com a dignidade que merecem”, completou.

Prevenção

Os 239 moradores  retirados das imediações da Mina Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, e os 150 habitantes de Itatiaiuçu removidos das imediações da barragem da ArcelorMittal, na madrugada de ontem, só poderão retornar às suas casas após a constatação técnica de que as estruturas vizinhas não representam risco. A informação foi dada pelo tenente-coronel Flávio Godinho da Defesa Civil. “Não houve rompimento nessas duas cidades. A medida foi para preservar vidas que ali estão, para que não acontecesse nova tragédia como a de Brumadinho”, afirmou.

Numa escala crescente de 1 a 3 de risco, a barragem da Vale subiu do nível 1 para o nível 2. Segundo Godinho, ao mesmo tempo em que empresa contratada pela mineradora não quis atestar a estabilidade da barragem, técnicos da Agência Nacional de Mineração (ANM) que estiveram em Barão de Cocais se pronunciaram pela evacuação imediata, determinando que se adotasse o nível 2 de atenção. 

Já no caso de Itatiaiuçu, a própria ArcelorMittal se antecipou e solicitou a evacuação dos moradores nas imediações da barragem, como forma de prevenção. Não houve, como no caso da Vale, recusa de técnicos de atestarem a estabilidade da barragem da Mina Serra Azul em Itatiaiuçu.

Resgate em Brumadinho

Na sexta-feira, 15º dia de buscas em Brumadinho, foi o primeiro desde a tragédia em que os bombeiros não conseguiram localizar nenhuma vítima. Com o passar do tempo, as condições do ambiente tornam a tarefa mais difícil, como já havia antecipado o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros. Balanço divulgado pela Defesa Civil no início da noite indicou o mesmo número de óbitos – 157, com 151 identificados – e 165 desaparecidos, dos quais 42 funcionários da Vale e 123 terceirizados e moradores da comunidade.


Esta reportagem foi originalmente publicada pelo jornal “Estado de Minas” [Aqui!]

O que é mais dispendioso, cumprir condicionantes ou remediar catástrofes?

barrage,

“A lama de rejeito é, resumidamente, uma composição de resto de solo com todo o material químico utilizado para segregar o produto final.” / Maria Júlia Andrade – MAM

Por Marcela Rodrigues para o jornal Brasil de Fato

Para acompanhar o desastre ocorrido em Brumadinho, primeiro é preciso entender o básico do processo de uma atividade de mineração. A obtenção do minério compreende as etapas de lavra – que é o processo de retirada do minério da jazida – e beneficiamento, que consiste no tratamento para preparar, concentrar ou purificar minérios, visando extrair o material de interesse econômico, ou seja, o produto final da atividade mineradora. 

A lama de rejeito é, resumidamente, uma composição de resto de solo com todo o material químico utilizado para segregar o produto final, portanto, tóxica, tanto pela sua composição quanto pela concentração e volume dos compostos químicos presentes. 

Em segundo lugar, há de se diferenciar a barragem de rejeitos de uma barragem hidráulica. As barragens constituídas com rejeitos se comportam basicamente como aterros hidráulicos (aterro de material fluido) e não para reter cursos d’água. 

O objetivo final da barragem de rejeitos é sedimentar, compactar ou simplesmente endurecer o fluido dentro de um espaço impermeável para que não haja infiltração e contaminação do solo e dos corpos hídricos (subterrâneos ou superficiais), tornando aquele pedaço de chão inócuo porém seguramente isolado. É exatamente o inverso disso que ocorre com o rompimento da barragem. Essa sedimentação passará a ocorrer no leito do rio, afinal, o rejeito é mais denso e pesado do que a água, que não poderá simplesmente dissolvê-lo. 

Existem vários tipos de Barragens de Rejeito. A maioria delas no Brasil são as que utilizam o método de alteamento para montante do dique de lançamento, que são mais suscetíveis a rompimentos do que à jusante. O rompimento pode ser por danos no dique, quebra de talude, ou simplesmente por piping (estouro dos canos de drenagem). 

Todos os rompimentos anteriores foram em estrutura desse tipo. Assim, após a tragédia em Mariana, o Estado de Minas Gerais, através do Decreto Nº 46.993 de 2016, determinou a suspensão de licenciamento ambiental de novas ou ampliação de antigas barragens de contenção de rejeitos nas quais se pretenda utilizar o método de alteamento para montante; exceto os trâmites que existiam antes do decreto mediante a realização de Auditoria Técnica Extraordinária de Segurança de Barragem.

Questionamentos surgem diante de situações trágicas como as que estamos vivendo. Diante do encerramento do depósito de rejeitos e instalação do reuso de material depositado, a Auditoria Técnica foi realizada na barragem que se rompeu em Brumadinho? Se sim, como as causas da ruptura não foram identificadas? O Licenciamento Ambiental é o grande inimigo do desenvolvimento econômico nacional? Se tivesse sido cumprido à risca, ao menos o alarme teria soado e salvado centenas de vidas? O que é mais dispendioso, cumprir condicionantes ou remediar catástrofes? 

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, desde a campanha eleitoral, preconizou o Licenciamento Ambiental como um problema a ser resolvido de forma equivocada e perigosa. 

O novo governo já propõe revogar vários decretos que tratam do tema, assim como retirou a atribuição do licenciamento do Ministério do Meio Ambiente. O novo ministro fala em redução de prazos, mas não menciona o fim do arrocho e cortes na área, novas contratações e melhoria de equipamentos e infraestrutura. 

Infelizmente, o discurso nacionalista pouco se vê implementado nessa área. Em vez de tratar nossas barragens hidrelétricas e de rejeitos como questão de segurança nacional, criminalizar servidores, os taxando de ideológicos e ineficientes e afrouxar regulamentações para destravar licenças parecem ser o caminho que o governo escolheu. 

Sistemas à jusante são de mais fácil operação e mais seguros, porém levam mais tempo para serem construídos por motivos técnicos que não vem ao caso. Para uma operação de extração mineral que dura séculos, tempo não é bem um fator limitante. Mas existe um fator de vantagem da montante em relação à jusante, alinhada com a política ambiental do novo governo: menos investimentos, ou vulgarmente conhecido como mais lucro imediato.

*Marcela Rodrigues é Engenheira Ambiental e mestranda em Ciências Mecânicas pela UnB.

Edição: Daniela Stefano

Artigo originalmente publicado pelo jornal Brasil de Fato [Aqui!]