Fundação SOS Mata Atlântica divulga resultados de seu estudo sobre a condição da água do Rio Doce

Há alguns dias alguns pesos pesados da blogosfera nacional andaram reclamando que as ONGs ambientalistas estariam se omitindo na cobertura da tragédia ambiental iniciada pelo TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton). Bom, pelo jeito,  esses megablogueiros agora vão ter que começar a rever os seus conceitos, já que a Fundação SOS Mata Atlântica acaba de divulgar os resultados de sua própria expedição científica ao Rio Doce, mostrando alguns resultados preocupantes em termos da condição da água para consumo humano.

Como a SOS Mata Atlãntica está divulgando os resultados em 3 formas para conhecimento e análise dos interessados, creio que agora poderemos comparar alguns resultados que já foram divulgados antes, inclusive pelas próprias mineradoras.

Uma coisa é certa: a ressurreição anunciada para Abril está cada vez se mostrando bastante improvável!

Laudo técnico revela que água do Rio Doce está imprópria para consumo

A Fundação SOS Mata Atlântica divulgou laudo técnico com resultados obtidos em Expedição pela bacia do rio Doce. Dos 18 pontos analisados em campo, 16 apresentaram o IQA (Índice de Qualidade da Água) péssimo, e 2, regular. Relatório aponta que a água está imprópria para o consumo em todo o trecho analisado.

A equipe da Fundação SOS Mata Atlântica realizou de 6 a 12 de dezembro de 2015 uma expedição pelos municípios afetados pelo rompimento da barragem na cidade de Mariana (MG), com o objetivo de coletar sedimentos para análises laboratoriais e monitorar a qualidade da água do rio Doce e afluentes impactados pela lama e rejeitos de minérios. Ao todo, foram analisados 18 pontos em campo, percorridos 29 municípios e coletados 29 amostras de lama e água para análise em laboratório. Desses 18 pontos, 16 apresentaram o IQA (Índice de Qualidade da Água) péssimo e 2 obtiveram índice regular.analise rio doce mariana vegetacao

Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, afirma que a expedição constatou que condição ambiental do rio Doce é péssima em 650 km de rios. “Em todo o trecho percorrido e analisado por nossa equipe a água está imprópria para o consumo humano e de animais”, observa.

O estudo aponta que a turbidez e o total de sólidos em suspensão estão em concentrações muito acima do que estabelece a legislação. Ela variou de 5.150 NTU (Nephelometric Turbidity Unit, unidade matemática utilizada na medição da turbidez) na região de Bento Rodrigues e Barra Longa, à 1.220 NTU em Ipatinga (MG), aumentando gradativamente na região da foz, em Regência (ES). “O máximo aceitável deveria ser de 40 NTU”, diz Malu.

Segundo ela, os dados reforçam a gravidade do dano ambiental. “Infelizmente, as chuvas acabam por arrastar mais lama para o leito do rio e a situação tende a ficar ainda mais complicada. A lama e os metais pesados não mascararam ou diminuíram as concentrações de poluentes provenientes de esgoto sem tratamento e de insumos agrícolas”, afirma.

A coordenadora ressalta, ainda, que o rio Doce já apresentava uma condição precária antes do rompimento da barragem de rejeito de minério. “Agora, com base no monitoramento que vem sendo realizado de forma independente pela sociedade e por autoridades, esperamos que seja possível planejar ações de recuperação de médio e longo prazo para a bacia”, conclui.

trajeto rio doce

Trajeto percorrido pela expedição. Imagem: SOS Mata Atlântica/ INPE.

A expedição foi realizada com o apoio da Ypê – Química Amparo, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), da ProMinent Brasil e de outros grupos de especialistas voluntários, como o GIAIA (Grupo Independente de Avaliação de Impacto Ambiental). Contou também com a participação do eco esportista Dan Robson, que navegou trechos com um caiaque especialmente equipado para realizar análises da qualidade da água e da profundidade do leito dos rios e dos reservatórios ao longo do percurso. Além disso, parte dos testes foi realizada em campo com equipamentos especiais para a medição de metais, sondas de medição e espectrofotômetro.

A análise da água foi realizada com base nos parâmetros de referência estabelecidos na legislação vigente no país, a Resolução Conama 357/5, que estabelece a classificação das águas e aponta o IQA. A equipe da Fundação SOS Mata Atlântica utilizou um kit desenvolvido pelo programa Rede das Águas, empregado no projeto Observando os Rios, que reúne voluntários de diversos Estados do país, localizados em áreas de Mata Atlântica, para o monitoramento de qualidade da água em rios, córregos e lagos. O kit segue metodologia para avaliação do IQA a partir de um total de 16 parâmetros, que incluem níveis de oxigênio, demanda bioquímica de oxigênio, nitrato, coliformes, fosfato, pH, temperatura, turbidez, odor cor e presença de peixes, larvas brancas e vermelhas. A classificação da qualidade das águas é feita em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos).

Metais pesados e bactérias

De acordo com as coletas e análises físico-químicas realizadas, que obedeceram às normas estabelecidas pelo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, todos os pontos avaliados estão em desacordo com o que é preconizado na legislação vigente.

Confira na tabela abaixo a descrição dos metais pesados encontrados nas amostras:

metais pesados tabela rio doce

Os gráficos abaixo indicam os níveis de turbidez, alumínio, magnésio e manganês identificados em cada ponto de coleta:

Rio Doce Grafico Turbidez Rio Doce Grafico Aluminio Rio Doce Grafico Magnesio Rio Doce Grafico Manganes

Já para bactérias, os resultados obtidos das análises físico-químicas são:

bacterias tabela rio doce

FONTE: https://www.sosma.org.br/104435/laudo-revela-que-agua-rio-doce-permanece-impropria-para-consumo/#sthash.l3u23lxM.dpuf

 

Brasil, paraíso dos poluidores

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A capa de hoje  do jornal  “A Gazeta” que circula na cidade de Vitória e em outros municípios capixabas é daquelas que também não se pode deixar passar sem ser notada, tão rica que é de informações preciosas sobre o imbróglio que envolve a Vale (sempre ela) e a ArcelorMittal na questão da poluição atmosférica e do mar a partir das operações que essas duas corporações poluidoras realizam no  Porto de Tubarão. vale poluidora

A primeira informação preciosa está logo na manchete, pois descobrimos que a Vale (e é claro também a ArcelorMittal) vai poder voltar a operar nos seus terminais do Porto de Tubarão, em que pese a comprovação de que suas atividades estão causando forte poluição.  Pesou para essa decisão camarada de um juiz substituto o argumento de que a Vale estava tendo prejuízos milionários com a interdição que visava proteger a população humana e ecossistemas naturais.  Até aqui nada surpreendente, pois o argumento econômico sempre prevalece num país que despreza formas mais sustentáveis de produção.

Mas logo abaixo da manchete, temos outra informação que beira o ultraje. É que ficamos sabendo que apesar da Vale ter recebido DEZENOVE multas por violações da legislação ambiental nos últimos 15 anos, não teve que pagar um mísero real pelos danos ambientais que causou.  Isso mesmo, zero reais!

Entretanto, a capa da “A Gazeta” ainda nos traz uma reveladora imagem de um morador de uma praia na área de influência das atividades poluidoras da Vale que informa que voltará a fechar as janelas de seu apartamento por não ter nenhuma garantia de que as medidas restritivas da justiça para coibir a continuidade da poluição serão cumpridas. 

Tudo isso somado não deixa dúvidas: o Brasil é o paraíso dos poluidores. A Vale e a ArceloMittal agradecem e acumulam lucros às custas da saúde coletiva.

TsuLama da Samarco: governo Dilma fecha acordo da “raposa tomando conta do galinheiro” com mineradoras

A imagem abaixo reproduz a reportagem que acaba de ser colocada no site do jornal  VALOR ECONÔMICO dando conta que, surpresa das surpresas, as mineradoras Vale e BHP Billiton e mais a sua joint venture, a Samarco, concordaram com a proposta do governo Dilma de criação de um fundo de R$ 20 bilhões para reparar os prejuízos causados pelo TsuLama que irrompeu em Mariana no dia 05/11/2015 (Aqui!).

conluio

Este “acordo”, convenhamos, era irrecusável, pois objetivamente coloca as raposas (Vale, BHP Billiton e Samarco) para tomar conta do galinheiro (o Rio Doce). É que para gerir esse fundo de R$ 20 bilhões será criada uma fundação que será controlada, pasmemos todos nós, pelas mineradoras!

Em outras palavras, o estabelecimento de metas e orçamentos para reparar os gravíssimos danos sociais e ambientais que foram causados pelo TsuLama vai ficar a cargo, sim, das próprias mineradoras que causaram esse desastre gravíssimo, que lembremos é considerado o maior desastre da mineração nos últimos 100 anos em todo o planeta!

Eu particularmente não me surpreendo com o modelo engendrado nas tratativas realizadas pelo governo Dilma e as mineradoras. É que dadas as relações de financiamento de campanhas, o governo Dilma e os de Fernando Pimentel (MG) e Paulo Hartung (ES) são, digamos, amigos de carteirinha da Vale e da BHP Billiton. Mas, convenhamos, esse acordo é vergonhoso porque certamente implicará na mais completa impunidade como, aliás, é a tradição no Brasil.

Agora vamos esperar que haja a devida reação da sociedade civil organizada e da população afetada primeiro pelo TsuLama da Samarco, e agora por este acordo vergonhoso cujo objetivo explícito é deixar as mineradoras totalmente impunes.

 

Contaminação do Rio Doce pode se estender por muitos anos

Por Jovem Pan

fonte: Fred Loureiro /Secom ES

A água do Rio foi coletada em 18 pontos e, em somente dois, o índice de qualidade foi considerado regular.

 Sem um plano de recuperação, a contaminação do Rio Doce pode se estender por muitos anos, após o acidente na barragem de Mariana. Essa conclusão faz parte de um relatório da Fundação SOS Mata Atlântica, obtido com exclusividade pela Rádio Jovem Pan.

A água do Rio foi coletada em 18 pontos e, em somente dois, o índice de qualidade foi considerado regular. Em todos os outros a avaliação foi péssima. Entre os metais pesados encontrados acima dos níveis permitidos estão magnésio, chumbo, cobre, alumínio, ferro e manganês.

Os níveis de turbidez da água ficaram entre 5.150 e 1.220 UTNs, a unidade de valor usada para fazer a medição, sendo que o máximo aceitável é de 40 UTNs.

A coordenadora da rede de águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, diz a Anderson Costa que a chuva contribui para o aumento da contaminação do rio: “Cada vez que chove, ao contrário do que foi dito, divulgado por algumas autoridades e pela própria empresa, não vai haver uma diluição, uma dispersão desses minérios. Eles não estão segmentando e, quanto mais chuva, mais lama é depositada”. Malu Ribeiro acrescenta que em todo o percurso de 650 km do Rio Doce há contaminação, desde o local do acidente até o litoral capixaba.

O prefeito de Colatina e presidente do Comitê da Bacia do Rio Doce, Leonardo Deptulski, afirma que não há como saber o tempo que a lama vai ficar suspensa: “Tem uma característica que uma parte dessas partículas são muito pequenas, não decantam, ficam suspensas na água. Então dá a impressão que a água continua com o mesmo grau de quantidade de partículas, de turbidez”.

O governo negocia um acordo com a mineradora Samarco para revitalizar o Rio Doce, com 19 medidas socioeconômicas e 19 socioambientais. Em entrevista ao repórter Danillo Oliveira, o prefeito de Mariana, Duarte Junior, defende a inclusão do saneamento de esgoto pela empresa nas medidas: “Esperamos que a Samarco assuma isso, porque o fundo de R$ 1 bilhão que foi determinado pelo Ministério Público vai ser direcionado para medidas compensatórias. A gente quer muito tratar a nossa rede de esgoto, porque a gente polui o nosso Ribeirão do Carmo, jogando a nossa rede de esgoto no rio. Seria um bem ao nosso meio ambiente, então estamos trabalhando dessa forma”.

Em Minas Gerais, o mar de lama também poluiu, além do Rio Doce, os rios do Carmo e Gualaxo do Sul, na região de Mariana. Para a recuperação da bacia, também está em discussão a criação de um fundo de R$ 20 bilhões.

FONTE: http://jovempan.uol.com.br/programas/jornal-da-manha/contaminacao-do-rio-doce-pode-se-estender-por-muitos-anos.html

Lama ou rejeito: as denúncias sobre o TsuLama da Samarco não param de aparecer

samarco rejeito

AMIGOS AMBIENTALISTAS E PROTETORES DOS ANIMAIS:

O que impulsiona este trabalho é a avalanche de mentiras que a Samarco divulga e que o governo brasileiro parece engolir como se fosse verdade.

A microscopia do rejeito mostra que há muito minério de ferro incrustado nas partículas de sílica que hoje revestem todo o leito do Rio Doce. O minério nada mas é que ferrugem ou óxido de ferro que é altamente friável (farelento), e lentamente se dissolve e entra em suspensão nas águas, funcionando como um corante vermelho. O Rio Doce não está barrento e sim contaminado com altos teores totais de óxidos de ferro o que aumenta sua turbidez ou opacidade.

A luz não consegue penetrar nas águas o que impede a fotossíntese do fitoplâncton no rio e no mar e a absorção dos raios aquecem as águas pois o Sol fornece a impressionante potência de 1400 W por metro quadrado.

A água doce menos densa e agora mais quente flutua no mar de uma forma como nunca antes o fez criando um tapete bloqueador para a fotossíntese das algas marinhas e do fitoplanctôn.

O problema vai além de onde as autoridades do Governo Federal tentam mascarar com relatórios incompletos feitos pelo CPRM e o IBAMA que passam as águas por um filtro de 0,45 micrômetros e apresentam apenas parte do ferro poluente do Rio Doce.

Os animais não possuem filtros e estão ingerindo o total teor de poluentes presentes nestas partículas da rocha britada e moída da jazida da Samarco. Temos além do ferro o alumínio, o manganês e o cromo nessa rocha e a Samarco sempre conheceu sua composição granuloquímica e deliberadamente escondeu da população tentando minimizar seu prejuízo financeiro com ações indenizatórias.

A “AMINA” tóxica usada na separação do minério da sílica também estava presente no rejeito e foi omitido das populações e autoridades de forma irresponsável e criminosa. As éter-aminas são corrosivas a pele, olhos e altamente tóxicas aos peixes.

Apenas para concluir e ser simplista, experimentem esquecer uma palha de aço molhada sobre uma pia de cozinha e entenderão o que estas incrustações nas partículas dispersas no Rio Doce farão nas décadas vindouras.

Está na hora da Samarco “fazer o que deve ser feito” que é dizer a verdade, porque se não o fizer, faço eu aqui na rede social.

Eng. Alexandre G. Valente

Fonte:

MICROSCOPIA:
Dissertação de Mestrado – Produção de um pellet feed a partir da concentração do rejeito da flotação mecânica da SAMARCO – Autor: Marcos Gomes Vieira.
(Vieira 2008) – Vide Pág 51
http://www.ppgem.eng.ufmg.br/defesas/936M.PDF

TOXIDADE DAS ÉTER AMINAS:

Ficha de segurança Éter Diamina – (Não é sabido ser ou não fornecedor Samarco)
ALTAMENTE TÓXICO AOS PEIXES – Solubilizável em água e alcool:
http://201.57.253.136/…/FI…/FISPQs/F/flotigam%202835%202.pdf

Ficha de segurança Éter Monoamina – (Não é sabido ser ou não fornecedor Samarco) Insolúvel em água.
http://201.57.253.136/…/FI…/F

FONTE: https://www.facebook.com/alexandre.galvaninivalente

Após o TsuLama, governo Dilma e mineradoras partem para o escárnio

escárnio

ESCÁRNIO: PARA RECUPERAR O RIO DOCE, GOV. FEDERAL PROPÕE FUNDAÇÃO GERIDA PELA SAMARCO, VALE E BHP

#NãoFoiAcidente #Ecocídio #SamarcoAssasina#ValeAssassina

Por Mães de Maio

Sim, vocês entenderam bem a chamada desta postagem. O jornal Folha de S.Paulo noticia hoje, na sua versão impressa, que o Governo Federal “criará uma fundação”, financiada pelas mineradoras envolvidas no desastre, a qual será “a responsável pela recuperação do Rio Doce”.

A decisão teria sido tomada ontem após reunião entre a Advogacia Geral da União (AGU) e representantes das três mineradoras responsáveis pela devastação: Samarco, Vale e BHP. Acordaram criar uma fundação (público-privada? privada?) com um orçamento inicial estimado em R$ 20 Bilhões – os quais, na verdade, deveriam compor a multa (mínima) das 3 mineradoras por tudo o que cometeram em toda a região – e os incalculáveis prejuízos sócio-ambientais de curto a longo prazo.

AGORA A INFORMAÇÃO AINDA MAIS GRAVE, contida na mesma matéria (e confirmada por outras pessoas que estão acompanhando o caso de perto): Além de decidir o mecanismo pelo qual sua multa à sociedade será gerida, “Nas negociações, as mineradoras conseguiram que os [futuros] gestores da Fundação fossem indicados pelas [próprias] empresas, restando ao Poder Público [apenas] fiscalizar as ações”…

É isto mesmo: após um dos maiores crimes ambientais da história deste país, o Governo Federal – em conluio com as 3 mineradoras responsáveis pelo ecocídio – está viabilizando um meio jurídico-administrativo para que elas próprias sigam gerindo a multa (mínima) devida por elas, frente aos incalculáveis efeitos de sua exploração mineradora. Um fundo bilionário de, no mínimo, R$ 20 Bilhões que elas deveriam pagar à sociedade, mas que agora será fonte de um novo negócio “social, ambiental, sustentável” que elas vão gerir lado-a-lado com os interesses da sua atividade mineradora predatória, que seguirá.

Um verdadeiro escárnio com toda população dilacerada da região (cidades, ribeirinhos, indígenas, pescadores etc), e com todos nós que acompanhamos apreensivos os desdobramentos da calamidade. Os gestores ainda tiveram a desfaçatez de declararem, na mesma matéria, que “representantes da sociedade civil [muito provavelmente pessoas como o fotógrafo Sebastião Salgado e companhia já patrocinada pela Vale] e especialistas vão compor o conselho CONSULTIVO”. Aquele tipo de “consulta” e aqueles “conselhões” que, sabemos, são totalmente levados em conta pelos gestores estatais ou privados de turno… Teria sido minimamente mais honesto se propusessem a criação direta de um departamento interno, nas próprias mineradoras ecocidas, aqueles bem de fachada, totalmente subordinado aos interesses empresariais, com um nome de marketing pomposo do tipo “responsabilidade ambiental, social, sustentabilidade”, ou qualquer outra mentira que Vale…

Enquanto isso, quanto Vale todo um Rio? Quanto Vale a Vida de centenas de milhares de pessoas que dependem, direta ou indiretamente, desta brincadeira (ecocida e assassina) de mal gosto?!

Leiam abaixo com seus próprios olhos as matérias, e tiremos as nossas conclusões individuais, e consequências coletivas.

A matéria completa da Folha está aqui: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/01/1732152-governo-criara-fundacao-para-recuperar-do-rio-doce.shtml

E aqui na versão mais oficiosa da EBC: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-01/governo-vai-criar-fundacao-financiada-por-mineradoras-para-recuperar-rio-doce

FONTE: https://www.facebook.com/maes.demaio/photos/a.174007019401673.38528.173936532742055/730779910391045/?type=3&theater

Justiça paralisa exportações de ferro da Vale por Tubarão.

Embarque de minério de ferro no Porto de Tubarão

Embarque de minério de ferro no Porto de Tubarão: cerca de 35% dos embarques de minério de ferro da Vale em 2015 até novembro foram feitos pelo porto de Tubarão

Da REUTERS

 

Rio de Janeiro – A brasileira Vale, maior exportadora global de minério de ferro, paralisou na manhã desta quinta-feira a operação do porto de Tubarão, no Espírito Santo, responsável pelos embarques de mais de 30 por cento da produção da companhia, cumprindo uma decisão judicial motivada por questões ambientais.

A Vale disse em nota que “irá adotar todas as medidas judiciais cabíveis para garantir o reestabelecimento das suas atividades na Ponta de Tubarão”. O terminal fica localizado na parte continental do município de Vitória.

Segundo a Justiça Federal, a suspensão de atividades em dois píeres ocorreu para evitar a emissão de poeira de carvão no ar e de pó de minério no mar.

A Justiça determinou a suspensão temporária das duas companhias no Píer II (minério de ferro) e no Píer de Carvão (Praia Mole).

Até o terceiro trimestre de 2015, a Vale embarcou 82,5 milhões de toneladas de minério de ferro pelo Porto de Tubarão, segundo dados da mineradora. O montante é equivalente a 34 por cento da produção acumulada da empresa nos nove meses encerrados em setembro, de 248,038 milhões de toneladas.

A decisão judicial também atingiu as atividades da ArcelorMital Brasil no complexo portuário.

“Tal medida paralisa as atividades de exportação e importação da Vale no Espírito Santo, provocando grande impacto na economia do Estado, com reflexos em Minas Gerais”, afirmou a Vale em nota, por meio de sua assessoria de imprensa.

A ArcelorMital não comentou imediatamente o assunto.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/justica-paralisa-exportacoes-de-ferro-da-vale-por-tubarao

Caos no Rio Doce: primeiro o TsuLama, agora a inundação

rio doce

A situação ambiental na bacia do Rio Doce já não era boa antes do rompimento da barragem do Fundão da Mineradora Samarco (Vale+BHP Billiton), mas piorou consideravelmente após o início do TsuLama. É que somado aos problemas da erosão de encostas e lançamento de rejeitos urbanos e industriais, há agora a carga física dos rejeitos entulhando trechos inteiros da calha principal do Rio Doce, e que causa reverberações no fluxo hídrico de seus tributários.

Se somarmos a situação do rio à ocorrência de chuvas torrenciais, como está ocorrendo nas últimas semanas, a possibilidade é que as cidades situadas à beira do Rio Doce comecem a sofrer com inundações que, por tabela, trarão para o interior delas parte dos rejeitos que escaparam em Bento Rodrigues.

Pois bem, observando jornais mineiros e capixabas já posso dizer que passamos do campo da possibilidade para o da realidade.  Informações divulgadas pela CPRM e pelas redes sociais dão conta de uma abrupta elevação da cota, e de episódios de inundação em várias cidades, incluindo Governador Valadares (MG) e Colatina (ES).

Logo no início do surgimento do TsuLama comentei aqui no blog e em entrevistas a jornalistas que uma das possíveis consequências do aumento da carga de sedimentos na calha dos rios atingidos direta ou indiretamente pelo problema seria justamente a propensão ao aumento de inundações. Para dizer isso me baseei numa monografia que orientei sobre os efeitos do derrame de bauxita em Miraí (MG) e que atingiu o Rio Muriaé, e que teve como consequência direta o aumento de inundações.

O problema das inundações é apenas mais um que decorre do TsuLama, mas é um particularmente importante porque tenderá a ter efeitos de multiplicação no tempo e no espaço. É que parte significativa do material acumulado na calha do Rio Doce irá demorar muito tempo para chegar ao oceano, o que provavelmente causará a repetição de inundações anuais, mesmo em anos em que o montante de chuvas não justifique a ocorrência.

Por essa e outras é que o recente acordo entre o governo federal e os de Minas Gerais e Espírito Santo com a Vale e a BHP Billiton se torna completamente esquisito. É que em vez de oferecer leniência e o controle efetivo da situação às corporações, o caminho que deveria estar sendo adotado deveria ser justamente o oposto, ou seja, a adoção de punições exemplares e o fortalecimento dos órgãos ambientais.

Agora, aos habitantes das cidades próximas do Rio Doce e de seus tributários o caminho é cobrar a responsabilização de quem causou o TsuLama. Do contrário, o tango da impunidade vai continuar, mas quem vai realmente dançar serão os próprios atingidos.

MPF questiona termos de acordo da AGU com Samarco

Ministério Público Federal cobra explicações sobre negociação para adiar depósito de R$ 2 bi, previsto para esta quarta-feira. Ofício foi enviado à Advocacia-Geral da União e a representantes de Minas e Espírito Santo.

Por Paulo Henrique Lobato

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(foto: Jair Amaral/ EM/D.A Press)

O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofício à Advocacia-Geral da União (AGU) e aos côngeneres do órgão em Minas Gerais e Espírito Santo cobrando explicações sobre o pedido da Samarco para que os três órgãos concordem em prorrogar em 15 dias o depósito de R$ 2 bilhões que a mineradora precisa efetuar numa conta judicial. O prazo nesta quarta-feira.

O MPF enviou 19 questionamentos à AGU e aos dois estados. “Nossos questionamentos envolvem aspectos que precisam ser melhor esclarecidos, pois esse acordo deve atender primordialmente aos interesses da sociedade e do meio ambiente. A pressa, imprimida pela velocidade política e econômica, não pode atropelar os direitos das comunidades atingidas e a efetiva reparação ambiental”, afirmou o procurador José Adércio Leite Sampaio.

O depósito de R$ 2 bilhões foi determinado pela 12ª vara da Justiça Federal em Minas, em dezembro passado, em atendimento a uma ação civil pública ajuziada pela AGU e os dois estados. A ação visa garantir uma espécie de fundo para financiar a revitalização do meio ambiente.

Ontem, num encontro em BH, o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, solicitou a prorrogação do prazo. A AGU consultou vários órgãos federais e estaduais, que não colocaram dificuldades em atender o pedido. Porém, a resposta oficial da AGU ainda não foi divulgada, o que deverá ocorrer até o fim da tarde.

O MPF quer saber todos os detalhes da proposta apresentada pela mineradora. “Até agora nos pareceu uma proposta demasiadamente genérica, pondo em dúvida se haverá efetiva proteção dos interesses fundamentais das pessoas direta e indiretamente atingidas pelo rompimento da barragem, assim como a tutela integral do meio ambiente degradado”, disse o procurador.

Um dos 19 questionamentos feitos pelo MPF trata do valor da ação civil pública ajuizada pela AGU, Minas e o Espírito Santo. A Justiça Federal determinou o depósito de R$ 2 bilhões, mas o total ainda poderá chegar a R$ 20 bilhões, pois há uma estimativa de que o meio ambiente seja recuperado em 10 anos.

“Como será solucionada a questão se os valores necessários superarem o total de R$ 20 bilhões ou se for necessário o aporte de mais de R$ 2 bilhões em determinados anos?”, indaga o procurador.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/01/20/interna_gerais,726852/mpf-questiona-termos-de-acordo-da-agu-com-samarco.shtml

Estudo revela potencial ruptura de novas barragens em Mariana

Digital Globe/Global Geo/Reprodução

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Um estudo feito pela mineradora Samarco a pedido da Justiça considera a possibilidade de rompimento das barragens de Santarém e Germano, as únicas que ficaram de pé em Mariana (MG), após a tragédia em 5 de novembro que aniquilou o distrito de Bento Rodrigues. Segundo o jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira, o levantamento estima que seriam liberados 105 bilhões de litros de rejeitos em caso de novos rompimentos.

Quando a barragem de Fundão se rompeu, avalia-se que 40 bilhões de litros de rejeitos de minério foram despejados da estrutura. O volume foi suficiente para riscar do mapa Bento Rodrigues e devastar a fauna e a flora da Bacia do Rio Doce – a quinta maior bacia hidrográfica brasileira. O “mar de lama”chegou ao Oceano Atlântico, ameaçando ainda o recife de corais de Abrolhos, que possui a maior biodiversidade do Brasil.

As estruturas de Germano e Santarém foram danificadas após o rompimento da barragem de Fundão, mas a mineradora afirma que os reservatórios remanescentes estão “estáveis”. A empresa diz ainda que trabalha para reforçá-los até o fim de fevereiro.

No documento obtido pela Folha, cinco possibilidades foram avaliadas, mas todas levam em conta que a barragem de Santarém, que armazena água para a produção mineral e fica mais próxima de Bento Rodrigues, transborde ou se rompa. O pior cenário supõe que isso aconteceria após a ruptura da barragem de Germano, que fica atrás de Santarém.

Também são exibidos cenários que chagariam, ao menos, até a hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga), a 109 quilômetros das barragens. Além do assoreamento e da mudança do curso de rios, foram levados em consideração também a destruição de áreas de preservação ambiental, o que acabaria com a vida animal, interromperia os fornecimentos de água e luz e inundaria propriedades urbanas e rurais.

As previsões indicam que a lama chegaria em dez minutos ao local onde antes morava o povoado de Bento Rodrigues, que hoje está completamente submerso pela lama de Fundão. O município de Barra Longa, a 77 quilômetros de distância, seria atingido após 11 horas, intervalo próximo ao do dia da tragédia.

A consultoria Pimenta de Ávila, que fez o estudo, pede que a Samarco cadastre as habitações que podem ser atingidas, a fim de facilitar a evacuação. Ela pede também que a mineradora elabore um novo plano de emergência para as barragens. O Ministério Público de Minas Gerais vai solicitar que a Justiça determine as medidas. Conforme a mineradora informou ao jornal, o plano já está em “fase de elaboração de escopo para a contratação de empresa especializada”.

FONTE: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/estudo-revela-potencial-ruptura-de-novas-barragens-em-mariana-mg