Vale diz que irá recorrer de decisão da Justiça de MG de bloqueio de seus bens

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Estadão Conteúdo  em São Paulo

A Vale informou que irá recorrer da decisão da Justiça de Minas Gerais que determinou o bloqueio de seus bens e os da BHP Billiton. Em nota de esclarecimento, divulgada no começo da noite deste domingo (20), a mineradora disse ter tomado conhecimento da decisão do Juízo da 12ª Vara Federal de Belo Horizonte, que decretou a indisponibilidade das suas licenças para a lavra de minério, sem contudo limitar as suas atividades de produção e comercialização.

A mineradora afirmou que ainda não foi intimada para a ciência dessa decisão e nem citada para a ação na qual ela foi proferida, mas já avisou que recorrerá da ordem judicial, “demonstrando o descabimento da providência e contestará a ação no prazo legal”.

A decisão da Justiça de Minas Gerais, publicada na noite de sexta-feira (18), determina o bloqueio dos bens da Vale e da BHP Billiton, por conta dos danos gerados com o rompimento das barragens da Samarco, em Mariana, da qual são acionistas.

O bloqueio dos bens das acionistas da Samarco é necessário, conforme a decisão assinada pelo juiz federal Marcelo Aguiar Machado, pelo fato de o patrimônio da mineradora Samarco, responsável pelo acidente, ser insuficiente para arcar com os danos socioambientais estimados em mais de R$ 20,2 bilhões. A liminar atende à ação civil pública movida pela União, Ibama, Agência Nacional de Águas (ANA), Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Estado de Minas Gerais, do Espírito Santo e outros.

“A efetiva garantia financeira da reparação integral do dano ambiental causado depende de outras garantias, sendo pertinente, tendo em vista a gigantesca extensão dos danos socioambientais e socioeconômicos causados, que se aplique, com base no artigo 461, parágrafo 5º, do CPC, a medida prevista no artigo 7º da Lei 8.429/92, de indisponibilidade de bens dos réus a fim de se assegurar o integral ressarcimento do Dano”, ressalta a decisão.

Vale e BHP terão de adotar medidas “urgentes de natureza cautelar” e voltadas à contenção do dano ambiental, sob pena de multa diária no valor de R$ 150 mil, conforme a decisão.

Já a Samarco terá de fazer depósito inicial de R$ 2 bilhões em 30 dias para custear um plano de recuperação integral dos danos a ser elaborado por suas acionistas. Para que essa determinação seja eficaz, a Justiça de Minas Gerais estabeleceu ainda que a multa seja majorada para R$ 1,5 milhão por dia de atraso.

Foi decretada também a indisponibilidade das licenças e concessões para a exploração de lavras existente em favor da Samarco, Vale e BHP.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/12/21/vale-diz-que-ira-recorrer-de-decisao-da-justica-de-mg-de-bloqueio-de-seus-bens.htm

TsuLama avança no oceano

tsulama

A mídia corporativa está efetivamente tentando apagar da memória coletiva o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton). Felizmente, hoje existem as redes sociais para que a cobertura dos efeitos prolongados e compreensivos do TsuLama da Samarco não sumam no nosso inconsciente coletivo.

Abaixo segue um vídeo produzido de dentro de um navio que navegava próximo à costa do Espírito Santo, mostrando o encontro do TsuLama com as águas do Atlântico.

TsuLama da Samarco: Justiça Federal determina bloqueio de bens da Vale e BHP Billiton

Cristina Barroca – Hoje em Dia*

Fred Loureiro/AFP

DOCE

A Vale e a BHP Billiton, empresas responsáveis pela mineradora Samarco, deverão ter seus bens bloqueados após decisão da Justiça Federal. O documento foi assinado pelo juiz Marcelo Aguiar Machado, da 12ª Vara Federal de 1º grau em Minas Gerais na noite de sexta-feira (18) e tem caráter liminar. Conforme a Ação Civil Pública, proposta em conjunto entre a União e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, as duas empresas controladoras da mineradora que teve uma de suas barragens rompidas no dia 5 de novembro, levando a um dos maiores desastres ambientais do mundo, são poluidoras indiretas e devem ser punidas, principalmente, porque a Samarco não possui patrimônio para arcar com o ressarcimento do dano, estimado em mais de R$ 20 bilhões, segundo o próprio processo.

“Esse plano é fundamental para que a recuperação da área degrada possa se dar de forma eficiente e eficaz, com planejamento adequado e de curto e médio prazo, mesmo porque a cessação dos danos ainda em expansão e a recuperação in natura do meio ambiente dependem de uma visão do todo”, observa o juiz Marcelo Machado, na decisão.

Ainda segundo o documento, de 19 páginas, a mineradora terá que depositar em juízo o valor de R$ 2 bilhões, no prazo de 30 dias. Esse dinheiro será usado para colocar em prática o plano de recuperação dos danos ambientais e sociais causados pelo rompimento da barragem do Fundão. Esses planos deverão também ser apresentados pela Samarco, no prazo de 30 dias. Vale e BHP terão de adotar medidas “urgentes de natureza cautelar” e voltadas à contenção do dano ambiental e, caso a ordem judicial não seja cumprida, a empresa poderá ser multada diariamente em até R$ 150 mil.

Em reportagem publicada no mês de novembro, o Hoje em Dia conversou com advogados que apontaram a responsabilidade objetiva e direta da BHP Billiton e da Vale com a tragédia. Além das implicações jurídicas, pelo fato de ser dona de 50% da Samarco, os especialistas lembraram que a mineradora também deve responder como usuária da barragem que se rompeu. Essa responsabilidade equivale a arcar com parte nas multas, indenizações e demandas judiciais.

A empresa admitiu o depósito de rejeitos de suas operações na barragem que se rompeu. O volume, segundo a mineradora, correspondia a menos de 5% do total depositado anualmente na estrutura e a relação era regida por contrato entre as duas empresas, que definia a Samarco como responsável pela gestão, controle e operação dessa deposição.

Além disso, a Samarco está impedida, conforme o documento de distribuir dividendos, juros de capital próprio, bonificação de ações ou outra forma qualquer de remunerações de seus sócios desde 05 de novembro, quando ocorreu o dano ambiental em Mariana. Na liminar, foi estabelecido ainda que a mineradora impeça ou comprove que já está estancado em até dez dias o vazamento de volume de rejeitos que ainda se encontram na barragem rompida. Também deve contratar empresas que avaliem de imediato a contaminação de pescados por inorgânicos e o risco eventualmente causado ao consumo humano.

As empresas rés terão ainda de elaborar, em 15 dias, estudos e adotar medidas visando impedir que o volume de lama lançado no Rio Doce atinja o sistema de lagoas do Rio Doce e a proteção das fontes de água mineral mapeadas pelo DNPM. Estudos de mapeamento dos diferentes potenciais de resiliência dos 1.469 hectares diretamente atingidos também devem ser realizados em até 20 dias, dentre outras medidas destacadas na decisão.

Procuradas para comentar a decisão da Justiça de Minas Gerais, a Samarco, assim como a Vale alegaram não terem sido notificadas. “A Samarco não foi oficialmente notificada dessa decisão”, disse a empresa, em nota enviada ao Broadcast.

Coletiva com Paulo Hartung

O governador do Estado, Paulo Hartung, e o procurado Geral, Rodrigo Rabello,  concederam entrevista coletiva, neste sábado (19), explicando decisão judicial.  “Agora o processo está aberto e nos permite seguir na esfera judicial e, agora em uma situação equilibrada, sentar com a mineradora e buscar uma negociação que é a forma mais rápida para solucionar a situação”, comentou Hartung.

“O tempo está passando. Só da chegada da lama no território capixaba são mais de 30 dias, mas essa decisão é importante para a população atingidas que nós vamos continuar trabalhando e lutando para que aquilo o que for possível esse desastre seja ressarcido”, comemorou o governador.

* Com Estadão Conteúdo

FONTE: http://www.hojeemdia.com.br/horizontes/justica-federal-determina-bloqueio-de-bens-da-vale-e-bhp-billiton-1.367869

Vale e sua suposta prioridade com a segurança: o TsuLama da Samarco diz o contrário!

ViciousVale

Na entrevista realizada pelo jornalista Lucas Amorim e publicada pela Exame, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, repete seu discurso “clean” de que a segurança nas operações da sua empresa são e sempre foram a segurança. Esse discursos é muito bom para tentar livrar a própria barra totalmente suja com o TsuLama da Samarco, mas este tipo de declaração clama por uma clarificação: se segurança era e é a prioridade da Vale, por que raios tivemos sob o comando do Sr. Murilo Ferreira, o envolvimento da Vale, por meio da Samarco, do maior incidente da história da mineração mundial?

Há que se lembrar que em 2012, a Vale recebeu o infame prêmio de pior corporação do mundo num concurso, o Public Eye Award (Aqui! e Aqui!) que é também conhecido como o Prêmio Nobel da Vergonha. Essa “premiação” levou em conta o recorde de poluidora e de desrespeitadora dos direitos dos trabalhadores da Vale.

Em outras palavras,  não é de hoje que a Vale é conhecida por privilegiar o lucro em detrimento do ambiente e dos seus empregados. Assim, esse discurso de suposta responsabilidade corporativa apresentado pelo Sr. Murilo Ferreira é apenas um exercício de jogar areia nos nossos olhos.

“Minha prioridade continua sendo segurança”

 Por Lucas Amorim

VALE PRIORIDADE

Murilo Ferreira caminhava para terminar 2015 como o executivo mais poderoso do Brasil. Além de presidir a mineradora Vale, era o presidente do conselho de administração da Petrobras. De setembro para cá, três eventos mudaram radicalmente o cenário – sua saída repentina da petroleira, o acidente com as barragens da mineradora Samarco (cujo controle é dividido entre Vale e a inglesa BHP), e uma queda abrupta do preço do minério de ferro. Ferreira falou com exclusividade a EXAME sobre seus desafios – e disse que, em Minas Gerais, não teria feito nada diferente. A edição de EXAME nas bancas traz um perfil completo de Ferreira.

O senhor sempre falou em foco simplicidade. Agora, tem que enfrentar diversos desafios ao mesmo tempo – preço do minério, Samarco, conclusão de S11D. Qual a prioridade?
Minha prioridade sempre foi e continua sendo segurança. É isso o que vimos perseguindo desde que assumi a presidência. Eu não começo nenhuma conversa, quando visito as áreas operacionais, sem falar de segurança. Para mim, enquanto houver uma única pessoa machucada não temos direito nem motivo para comemorar.

O senhor tem sido criticado pela reação ao acidente na Samarco. O episódio vai ser uma a mancha em sua gestão à frente da Vale?
Antes de tudo, precisamos ter certeza sobre o que aconteceu. A partir daí, teremos, com toda certeza, um grande aprendizado. Temos que encarar esse acidente como um grande aprendizado para a indústria da mineração – e eu tenho certeza de que será assim. Ele pode e deve ser uma mola propulsora para que se revejam padrões, se aprenda com o ocorrido e se façam mudanças que não eram necessárias até o dia em que o acidente ocorreu.

É justa a cobrança que a sociedade está fazendo à Vale pelo acidente na Samarco?
Não acho a cobrança injusta. As pessoas têm o direito de cobrar por aquilo que percebem que poderia ter sido melhor, que poderia ter sido evitado. E incomoda muito também porque estávamos absolutamente convencidos de que a Samarco estava fazendo o melhor. Mas agora é hora de agir. E a contribuição da Vale será recuperar a Bacia do Rio Doce, um projeto que já tínhamos começado no ano passado. Eu mesmo visitei o rio, vi a degradação, a falta de mata ciliar, o assoreamento, as nascentes mortas. Infelizmente, o assunto só ganhou senso de urgência a partir do acidente. Mas tenho certeza de que deixaremos como legado a recuperação do Rio Doce, assim como foi feito com o Rio Tâmisa. Este é o nosso compromisso.

Teria feito alguma coisa diferente no episódio da Samarco?
Não. Estou seguro, como disse anteriormente, que fizemos o que era importante naquele momento: apoiar a Samarco, fornecer recursos, apoio, cuidar das pessoas. As pessoas são a parte mais importante num episódio como este. E nós pensamos nelas em primeiro lugar. Assim como agora é tempo de elaborar os planos de ação para médio e longo prazos.

O senhor topou presidir o conselho da Petrobras em paralelo à presidência da Vale. Acabou saindo sete meses depois. A ida para a Petrobrás foi um erro?
Não. Tenho por princípio que não adianta apontar o dedo e criticar; os cidadãos têm que colaborar. Foi o que fiz: tentei ajudar. Como percebi que não era possível, por diversas razões, deixei o Conselho. Acho que a Petrobras, mais do que nunca, precisa de harmonia, pois com harmonia, calma e serenidade ela vai achar o seu caminho. Acho que minha saída foi um facilitador para esse caminho.

FONTE: http://exame.abril.com.br/blogs/primeiro-lugar/2015/12/18/minha-prioridade-continua-sendo-seguranca/

TsuLama da Samarco: por que talvez esse caso não seja tão facilmente enterrado na memória coletiva

O TSuLama da Mineradora da Samarco (Vale+BHP Billiton) que ocorreu em Mariana (MG) é o maior acidente envolvendo a mineração em todo o planeta. Só essa dimensão de hecatombe ambiental já tornaria esse incidente difícil de ser esquecido. Mas venho acompanhando uma fantástica reação da comunidade científica, muitas vezes ecoada pelas redes sociais, em termos de produção de conhecimento sobre o que ocorreu e ainda está ocorrendo na bacia do Rio Doce e nas áreas costeiras do Espírito Santo.  Este componente é que deve estar tirando o sono dos dirigentes das mineradoras e dos ocupantes de cargos de governo.

Abaixo mais um exemplo de imagem produzida com ferramentas que misturam geoprocessamento e sensoriamento remoto que dão conta não apenas dos aspectos catastróficos do TsuLama, mas também do conhecimento que está sendo gerado. 

bento rodrigues

Disseminar e popularizar este conhecimento, de modo a instrumentalizar as comunidades afetadas pelo TsuLama em sua luta por reparação econômica e ambiental será uma tarefa longa e árdua. Mas, felizmente, as evidências apontam para o fato de que dessa vez há uma boa chance de que a lama não seja empurrada para debaixo do tapete.

Prejuízo sem fim: TsuLama da Samarco deixou terras estéreis

Relatório da Embrapa aponta que avalanche de lama da Samarco deixou solo inerte

Levantamento das condições do solo aponta que região atingida pelos rejeitos da mineração não é mais propícia à atividade agropecuária

SOLOS

Estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que o solo das áreas atingidas pela lama da barragem da mineradora Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, não apresenta condições para o desenvolvimento de atividades agropecuárias. O trabalho foi realizado a pedido do governo de Minas, em uma parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Emater-MG e Epamig. A pesquisa também mostra que não foi detectada a presença de metais pesados em níveis tóxicos nas amostras coletadas.

“O que o relatório da Embrapa aponta é deficiência de fertilidade do solo, após a avalanche de lama e rejeitos de mineração. Existem também problemas de ordem física. Surgiu uma nova camada na parte superior do solo que é praticamente inerte”, explica o presidente da Emater-MG, Amarildo Kalil. A área atingida pelos rejeitos é de 1.430 hectares e abrange os municípios de Mariana, Barra Longa e Rio Doce. Nos outros locais, os prejuízos ficaram mais concentrados na calha do Rio Doce e na vegetação ciliar.

O trabalho para o levantamento das condições do solo da região começou em 18 de novembro com a participação de técnicos da Embrapa Solos e Embrapa Milho e Sorgo. Foram feitas coletas em 10 pontos de amostragem da área atingida pela lama. As análises foram feitas nos laboratórios da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro. “Apesar de não ser tóxico, o material que está se sedimentando não apresenta condições para a germinação de sementes, nem para o desenvolvimento radiculares das plantas. Além da baixa fertilidade e dificuldade de infiltração de água, o nível de matéria orgânica necessário para a vida microbiana do solo também foi bastante prejudicado”, explica Amarildo Kalil.

O estudo aponta redução no solo dos níveis de potássio, magnésio e cálcio que são necessários para o desenvolvimento de atividades agrícolas. O pH, que mede a acidez do solo, também foi alterado. A tendência é que o solo fique bastante compactado por causa dos altos teores de silte e areia fina, com baixa presença de argila.

Outra análise que a Embrapa Solos está fazendo é do aspecto físico do solo. “A segunda etapa da análise, que ainda está em andamento, é para saber em que este material que cobriu o solo original irá se transformar. Qual será o grau de compactação. Deveremos concluir este estudo no início de fevereiro do próximo ano”, explica o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos, José Carlos Polidoro. “Infelizmente, o resultado dos estudos confirmou o estrago para a atividade agropecuária na região. Nosso desafio agora, envolvendo todas as esferas do setor público, é reduzir os problemas dos produtores e buscar alternativas econômicas para eles.

O estudo aponta redução no solo dos níveis de potássio, magnésio e cálcio que são necessários para o desenvolvimento de atividades agrícolas. O pH, que mede a acidez do solo, também foi alterado. A tendência é que o solo fique bastante compactado por causa dos altos teores de silte e areia fina, com baixa presença de argila.

O presidente da Emater-MG, Amarildo Kalil, propõe uma intensa atividade de reflorestamento, com diversas espécies nativas, na área atingida pelos rejeitos da mineração. “É um trabalho que só apresentará resultados daqui a alguns anos, mas precisa ser feito para tentar recuperar o solo”, explica. Segundo ele, a ação consiste na abertura de covas maiores onde seriam acondicionados todos os nutrientes e matéria orgânica para viabilizar o desenvolvimento das plantas.

Segundo o pesquisador da Embrapa Solos, José Carlos Polidoro, a ação imediata que precisa ser colocada em prática na região atingida pela lama é a contenção da erosão, que ainda pode levar sedimentos da área afetada para os cursos d’água, principalmente neste período de chuvas. “Este material ainda é muito instável e precisa ser contido”, afirma.

A Emater-MG também elaborou um plano de ação junto com a Epamig e prefeituras para fazer visitas aos produtores atingidos pelo rompimento da barragem. Estão sendo aplicados questionários para, principalmente, quantificar as perdas sofridas pelos agricultores.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/12/17/interna_gerais,718251/relatorio-da-embrapa-aponta-que-avalanche-de-lama-da-samarco-deixou-so.shtml

TsuLama da Samarco: cientistas acham metais pesados na água com lama do Rio Doce

Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (Giaia) mostra que foram encontrados níveis elevados de arsênio e manganês em várias das amostras

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Foto: Bernardo Coutinho Relatório mostra que lama no Rio Doce possui metais pesados

O grupo independente de pesquisadores que está avaliando os impactos ambientais do desastre de Mariana (MG) divulgou nesta terça-feira (15) os primeiros resultados das análises de amostras de água e sedimento contaminados pela lama que vazou da barragem da mineradora Samarco, em 5 de novembro. Foram encontrados níveis elevados de arsênio e manganês em várias das amostras. A contaminação, porém, também foi encontrada em áreas acima do ponto atingido pelo vazamento, o que deixa dúvidas com relação à origem dos metais — se eles faziam parte da lama ou já estavam presentes no ambiente antes do rompimento da barragem.

Foram analisadas amostras de dez pontos ao longo dos três principais cursos d’água atingidos pela lama: Rio Gualaxo do Norte, Rio do Carmo e Rio Doce; coletadas entre os dias 4 e 8 de dezembro, até Governador Valadares (MG). As análises foram realizadas no laboratório da toxicologista Vivian da Silva Santos, da Universidade de Brasília em Ceilândia, que participa do Grupo Independente de Análise de Impacto Ambiental (Giaia), uma rede de cientistas que se formou via redes sociais para responder ao desastre.

Nesse primeiro momento, foram medidas as concentrações de dez metais: alumínio dissolvido, ferro dissolvido, arsênio, manganês, selênio, cádmio, chumbo, lítio, níquel e zinco. Veja o relatório completo aqui.

Tanto o arsênio quanto o manganês já estavam presentes em concentrações acima do permitido pela lei (Resolução Conama 357) à montante (rio acima) do trecho atingido pela lama no Rio Gualaxo do Norte. No caso do arsênio, essas concentrações aumentam progressivamente no trecho impactado até o município de Barra Longa; depois disso o elemento “desaparece” das amostras (deixa de ser detectado) até Governador Valadares, onde volta a aparecer acima do permitido. Já o manganês aparece acima do limite em praticamente todas as amostras, com exceção de uma: a de um afluente do Rio Doce, que não foi atingido pela lama.

Em duas amostras também foram encontradas concentrações de chumbo levemente acima do permitido: em um ponto do Rio Gualaxo do Norte (na cidade de Paracatu de Baixo) e no ponto de encontro dele com o Rio do Carmo, na cidade de Rio Doce. Em todas as outras amostras, as concentrações de metais estavam dentro do permitido pela Resolução Conama.

Também foram detectadas concentrações elevadas de ferro total e alumínio total na água, mas não há um padrão de segurança estabelecido pela legislação para esses componentes.

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2015/12/noticias/brasil/3918025-cientistas-acham-metais-pesados-na-agua-com-lama-do-rio-doce.html

Para repor máquina de lavar, Samarco exige que idosa prove incapacidade de torcer roupa

Na madrugada do dia 6 de novembro de 2015, Teófila Siqueira e Francisco Marcelino recebiam ansiosos as notícias que vinham dos moradores do distrito de Gesteira, o mais atingido na zona rural da cidade de Barra Longa (MG). “Estava uma confusão na rua: carros buzinando, pessoas correndo, gritos. Muita gente na praça. Chiquinho já estava dormindo e eu rezando. Era mais de meia-noite quando a vizinha veio nos chamar pra dizer que a enchente tava chegando.”, conta Teófila, mais conhecida como Dona Cenita.

Chiquinho lembra que, por volta das 4 horas da madrugada, estava na beira do Rio do Carmo e achava que ele não ia subir muito. “Mas certa hora, eu peguei um pedaço de pau para afastar as folhas que vinham descendo e vi que não era água. Aí eu gritei: Cenita, isto não é água, é lama!”, conta agitado o senhor de 71 anos.

Ao perceber que o rio vinha subindo, correram, pegaram os patos, as galinhas e um cachorro que estava no quintal e levaram todos, com muita dificuldade, para embaixo da casa. “Achávamos que ali não ia chegar. Moramos aqui há quase 30 anos e a maior enchente que pegamos aqui, que foi em 1996, só chegou perto da primeira coluna da casa. Mas aí não teve jeito. A lama veio subindo, subindo, tomando tudo. Nós corremos e tudo foi embora”, conta Cenita, emocionada.

Uma lama que afoga lembranças e traz violação de direitos

Chiquinho mostra da cozinha da casa o que sobrou do quintal: lama, buracos, uma montanha de barro que sufoca o pé de manga, as ruínas do galinheiro que foi encoberto pela lama, um tanquinho estragado, muita sujeira, mau cheiro. E ele recorda:

“Ei vi minhas ferramentas tudo debaixo do barro. Perdi um plaina. Quando eu quero fazer um caixote eu tenho minha plaina pra limpar a tábua. Foi uma maquita pra serrar minhas tábuas. Tava tudo embaladinha, apodreceu tudo na água. A mesa tombou justamente no lado que ela tava, assim. E eu vendo daqui descendo. Fazer o que, né?! Desceu até caminhão no barro, a maquita não vai? Vai!!”, recordou Chiquinho.

Mas, além dos prejuízos no quintal que era fonte de renda e trabalho do casal, foi-se embora muitos utensílios básicos da família. Entre eles, tanquinho e máquina de lavar. Desde a tragédia, Dona Cenita e Chiquinho, que moram sozinhos, ou conseguem ajuda de vizinhos para lavar a roupa ou eles se revezam para torcer o que não dá para esperar. Exercendo o seu direito, eles pediram a Samarco Mineração, dona da barragem que rompeu, que reponham, pelo menos, a máquina de lavar, que é de grande utilidade, até para garantir a higiene.

Para a surpresa da senhora de 69 anos, ao fazer o pedido, uma assistente social exigiu que ela provasse que tinha realmente necessidade. “Ela me pediu que eu apresentasse um laudo médico que provasse que eu não tenho força para torcer a roupa. Eu tenho osteoporose, tomo vários remédios”, conta surpresa a idosa. Quando foi levar o marido em um neurologista na cidade de Ponte Nova, aproveitou e pediu o médico para fazer o laudo. Mas ele, igualmente surpreso, disse que não poderia fazer porque não era a sua área. Dona Cenita, então, foi em um posto de saúde de Barra Longa e pediu um laudo para uma médica clínica geral que acabou dando um relatório simples que foi entregue à assistente social.

Para Thiago Alves, membro da coordenação estadual do MAB que está morando em Barra Longa para acompanhar as famílias atingidas, este é mais uma situação que mostra o descaso da empresa com a população. “Este é um episódio absurdo, inaceitável, viola direitos básicos daqueles que são os mais vulneráveis. Temos visto muito isto nesta cidade. Por isto, temos feito um trabalho de acompanhamento por família, buscando visitar, ouvir as pessoas, ser uma presença solidária, mas, ao mesmo tempo, insistindo com todos que é preciso se organizar para garantir os direitos: se a Samarco age assim em questões básicas, imagine quando formos discutir indenização e reassentamento”, questiona Thiago.

Cenita e Chiquinho moram no bairro Morro Vermelho, que tem 20 casas desocupadas e 3 condenadas. Eles mudam ainda esta semana para uma casa alugada enquanto a deles é reformada. O casal espera que a máquina seja entregue ainda esta semana. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) cobrará explicações da empresa sobre o ocorrido, exigirá que as máquinas e outros utensílios básicos sejam entregues sem pré-condições e continuará as denúncias dos desmandos da Samarco em Barra Longa e região.

FONTE: http://www.mabnacional.org.br/noticia/para-repor-m-quina-lavar-samarco-exige-que-idosa-prove-incapacidade-torcer-roupa

A lama da Samarco e o licenciamento “Fast Food”

Abaixo vai o extrato de uma matéria publicada pela Folha de São Paulo sobre o “plano de emergência” da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) para o caso de um incidente na barragem do Fundão, aquela mesma que causou o TsuLama que invadiu o Rio Doce e a costa do Espírito Santo.

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O mais importante dessa matéria é que a Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) não previu a dispersão do TsuLama para além de Bento Rodrigues, ignorando o que a topografia da região de Mariana torna óbvio, qual seja, que o TsuLama alcançaria o Rio Doce e causaria impactos para muito além de seu epicentro.

A segunda informação que eu considero relevante para entender as relações estabelecidas no espectro do que eu chamo de licenciamento ambiental “Fast Food” é que quem previu de forma equivocada as consequências de um rompimento da barragem de rejeitos da Samarco foi uma empresa de consultoria. Tal fato evidencia, ao  menos para mim, os ônus da terceirização (quiça quarteirização) das diferentes fases do processo de licenciamento ambiental.

E tudo isso sob os narizes dos governantes tucanos que comandavam o governo de Minas Gerais!