Deltan Dallagnol e sua procuradoria da prosperidade

dallagnolO procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato, em palestra no 6º Congresso Internacional de Compliance – Jorge Araújo – 9.mai.2018/Folhapress

A mais recente reportagem da série lançada pelo site “The Intercept” lança luz sobre as tratativas do procurador chefe da “Lava Jato” para lucrar  (isto mesmo, lucrar) com a notoriedade obtida com a operação que terminou tendo com grande “prêmio”  a prisão do ex-presidente Lula.

Como Dallagnol é um membro assíduo da Igreja Batista do Bacacheri em Curitiba, ele pode até pensando em adotar preceitos da chamada “Teologia da Prosperidade” para tocar seus negócios. O estranho é que para isso a reportagem indica que Dallagnol chegou a sugerir colocar a própria a esposa na condição de proprietária da empresa que promoveria os evento com que ele e outros procuradores pensavam obter a prosperidade individual à base da notoriedade obtida com a Lava Jato.

Sem querer adiantar julgamento, mesmo porque está ficando cada vez mais claro que Deltan Dallagnol cedo ou tarde terá que se explicar para seus superiores sobre o teor dessas conversas nada compatíveis com seus próprios discursos  de probidade. Entretanto, este nível de apropriação privada de informações públicas torna toda a situação em torno da Lava Jato para lá de nebulosa.

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Deltan Dallagnol era apresentado como um faz tudo, desde surfista até liderança religiosa. Agora se descobre que também cultivava aspirações de ser empresário motivacional.

Como paranaense posso dizer que nunca me emocionei muito com toda a aura de justiceiros que foi criada pela mídia corporativa em torno dos jovens oriundos da elite paranaense que se apresentavam como os salvadores da pátria. Agora, que o verniz está sendo removido com eficiência pelo “The Intercept”,  cada vez mais gente vai se deixar de emocionar com os procuradores e o ex-juiz lavajateiros,  o que certamente aumentará o nível de escrutínio a que eles serão submetidos. Típica situação do caçador virando caça.

The Intercept lança “Parte 8” e mostra que nem os procuradores da Lava Jato confiam em Sérgio Moro

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O sistema de gotejamento adotado pelos editors do site “The Intercept” para revelar os bastidores da chamada “Operação Lava Jato” chegou a levantar a falsa expectativa, difundida por órgãos da mídia corporativa e também da alternativa, que as balas contra o ex-juiz federal e atual ministro da (in) Justiça, Sérgio Moro, tinham acabado. 

Essa falsa expectativa foi enterrada pelo “The Intercept” com a publicação da “Parte 8” das reportagens, a qual traz uma série de revelações onde os procuradores federais da Lava Jato criticam não apenas o que eles veem como ambição política equivocada de Sérgio Moro, mas também sobre os próprios procedimentos judiciais do ex-juiz.  Em uma das conversas publicadas isto fica mais do que evidente em uma conversa entre dois procuradores que não apenas expressam desconfiança pessoal, mas também reservas às formas de operar de Sérgio Moro (ver imagens abaixo).

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A reportagem do “The Intercept” tem o dom de revelar que nos bastidores da Lava Jato reinou (e provavelmente reina) uma verdadeira rede de intrigas, onde o hoje ministro da (in) Justiça é o pivô central de um processo que está longe de conter o tipo de isenção e probidade que tanto se alardeou para se justificar a leniência com que Sérgio Moro foi tratado pelos escalões superiores da justiça brasileira.

Ao revelar que as relações entre Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato não era o mar de rosas que se apregoava e, pior, que havia entre eles uma relação de colaboração direta, ainda que tensa de tempos em tempos.

Se estivéssemos em tempos normais,  apenas a “Parte 8” serviria para anular todos os processos em que Sérgio Moro esteve envolvido na Lava Jato, além de render pesadas punições para os procuradores federais, a começar por Deltan Dallagnol. Mas se há algo que os tempos não possuem é o caráter da normalidade.  Por isso, é bem provável que nada aconteça por enquanto, e que Sérgio Moro e Deltan Dallagnol continuem nos postos em que se encontram.

Entretanto, como a quantidade de material já publicado é apenas uma pequena fração do total segundo asseguram os editores do “The Intercept”, o mais provável que o processo de fritura de Sérgio Moro saia de fogo baixo para alto daqui a algum tempo. É que dependendo das intimidades que ainda forem reveladas e de quem forem as estrelas das próximas “partes” da série, Moro  e seus colegas da Lava Jato serão neutralizados pelas mesmas forças que lhes deram tanto poder. A ver!

Acuado, Sérgio Moro parte para a ironia

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Com as novas revelações dos subterrâneos da Operação Lava Jato, o enredo se adensa para Sérgio Moro. 

O ex-juiz federal e atual ministro da (in) Justiça Sérgio Moro perdeu o argumento que sustentava a sua defesa até aqui em relação às revelações trazidas à luz pelo site “The Intercept” e autenticadas hoje pelo jornal Folha de São Paulo sobre as relações indevidas que ele manteve com procuradores federais da Lava Jato. Segundo Moro, vinha dizendo até agora, a coisa toda seria obra de um “hacker” que captou e alterou suas conversas com Deltan Dallagnol.

Agora que o jornal Folha de São Paulo retirou de Sérgio Moro o tênue e insustentável argumento do “hacker”,  ele resolveu partiu para a arma que lhe restou: a ironia. É que Sérgio Moro publicou hoje em sua página oficial na rede social Twitter uma declaração irônica de que a montanha (i.e., The Intercept) pariu um rato (o escândalo da #VazaJato) (ver imagem abaixo).

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O problema para Sérgio Moro é que a estas alturas do campeonato, a ironia não irá salvar a sua imagem, e ele está definitivamente encrencado.

Resta saber o que ainda ele terá para tirar da cartola com o seguimento das séries de reportagens que está começando a ser disseminadas por diferentes órgãos de imprensa. É que ao contrário do que Sérgio Moro sugeriu em seu tweet irônico, a montanha, quando muito, está em início de gestação e ainda longe de parir. E quando ela parir, dificilmente parirá um rato.

Por último, estou curioso para saber como reagirão os jovens líderes do “Movimento Brasil Livre” (MBL) agora que sabem o que o seu ídolo pensa deles, qual seja, que não passam de uns tontos.

Der Spiegel expõe Moro e a Lava Jato com matéria contundente: “o juiz e seu presidente”

A “Der Spiegel“, principal revista da Alemanha, publicou neste domingo um artigo em que aborda de forma contundente o escândalo iniciado por matérias publicadas pelo site “The Intercept” acerca das relações que a publicação  alemã classifica como sendo de “alegre compadrio”.

der spiegel moro bolsonaro

Mas a “Der Spiegel” vai além ao colocar já na manchete da matéria “O juiz e seu presidente”, as relações igualmente complicadas entre Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, já que o julgamento e prisão em ritmo acelerado do ex-presidente Lula teria atendido segundo ao autor da matéria, o jornalista Jens Glüsing, a interesses específicos para os dois personagens citados.

Nesse sentido, a “Der Spiegel” aponta que Bolsonaro deve a Moro indiretamente a presidência, porque, contra Lula, o candidato de direita teria poucas chances de vencer, mostrou a pesquisa. Nesse sentido, a “Der Spiegel”  coloca em dúvida a indicação de Sérgio Moro a ministro da Justiça: “ela deveria ser entendida como um agradecimento por  Moro ter tirado Lula do caminho ou era possivelmente um preço que Bolsonaro havia negociado com Moro muito antes das eleições?

Em relação à dimensa política das ações de Sérgio Moro, a “Der Spiegel” é direta e dura: Sérgio Moro causou sérios danos à democracia brasileira e ao seu sistema legal, pois enquanto juiz de primeira instância criou fatos com seus truques, e esses truques  mudaram dramaticamente a história do Brasil.   Em função disso, a publicação alemã aponta que, pelo menos legalmente, o escândalo deveria ter consequências: o julgamento de Lula teria que ser cancelado e reaberto.

Essa matéria da “Der Spiegel” , em combinação com a série de entrevistas que o jornal “Folha de São Paulo” começou a publicar neste domingo, jogam por terra os esforços de conter via processo de criminalização o impacto das revelações trazidas pelas matérias iniciadas do “The Intercept”. O fato é que o gato foi tirado do saco e está ficando impossível colocá-lo para dentro. 

 

 

Folha de São Paulo autentica material do “The Intercept” com série de reportagens

moro-bolso-continenciaFolha de São Paulo autentica material do ‘The Intercept” e inicia série de reportagens que poderá abalar de vez Sérgio Moro e levar de arrastão o governo do presidente Jair Bolsonaro.

A Folha de São Paulo inicia neste domingo a publicação de uma série de reportagens baseadas no material originalmente divulgado pelo site “The Intercept”. Esse não é um movimento qualquer, pois quebra a espinha dorsal dos argumentos usados até aqui pelo ex-juiz federal Sérgio Moro e pelos procuradores da Lava Jato de que o material teria sido adulterado. É que a Folha de São Paulo informa que verificou e confirmou a integridade do material (que inclui vídeos e áudios) antes de iniciar sua própria série de reportagens.

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Li a primeira reportagem da série e notei que a mesma não traz revelações que se possam ser chamadas de bombásticas. Para mim o principal elemento da primeira reportagem obedece a um objetivo mais estratégico que é o de assentar o caminho para o resto da série, na medida em que estabelece a legitimidade do material.

A continuidade da série é que deverá trazer aqueles elementos que demonstrem com mais clareza (como se fosse preciso a estas alturas do campeonato) as ações realizadas pelo atual ministro (ou seria ainda?) da (in) Justiça do governo Bolsonaro e seus aliados na equipe da “Lava Jato”.

O estrago político que a parceria entre a Folha de São Paulo e o “the Intercept” deverá ser enorme, na medida em que o veículo paulistano possui braços de disseminação de conteúdo que tornarão impossível a negação dos conteúdos e, pior, tornará o conhecimento sobre os mesmos de fácil acesso até para segmentos da população que até agora estavam imunes ao escândalo da #VazaJato.

O que tudo isso implicará para Sérgio Moro e Deltan Dallagnol (chefe da equipe de procuradores federais sediados em Curitiba) ainda não se sabe. Mas uma coisa é certa: o futuro político e profissional deles amanheceu mais problemático neste domingo. E junto com o deles, o do governo Bolsonaro que trouxe para dentro de si uma espécie de Cavalo de Troia na figura de um ministro da (in) Justiça que deveria ser um dos garantidores do “noveau régime“, e que agora mostra-se uma perigosa fonte de instabilidade. E, pior, em um momento politicamente chave que é o da aprovação da reforma da previdência.

Os arquivos da Lava Jato e os riscos da tentação autoritária

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Após as revelações feitas pelo site “The Intercept” sobre o subterrâneos da chamada “Operação Lava Jato” já existem sinais de que existe a possibilidade de que haja uma investida para punir supostos “hackers” que estariam por detrás dos vazamentos. Nesse sentido, a revista “Isto é” já está circulando uma matéria dando conta de que apurações realizadas pela Polícia Federal já teriam encontrado o rastro de um grupo que supostamente acessou ilegalmente os telefones do ex-juiz e atual ministro da (in) Justiça Sérgio Moro e dos procuradores federais da Lava Jato.

Se isto for verdade, é provável que estejamos diante da antessala de uma investida contra jornalistas e veículos de mídia, o que afrontaria o direito de informar e de ser informado, o que representaria grave atentado à liberdade de imprensa.

Mas se essa investida contra a liberdade de imprensa se confirmar, o principal perdedor será o próprio ministro Sérgio Moro, pois ficaria ainda mais consolidada a imagem de que de justiceiro independente ele pouco ou nada tem.

O pior é que se o caso de Edward Snowden servir para algum paralelo prático para o caso  atual é de que quando os órgãos de inteligência decidirem fazer algum movimento, o mega pacote de documentos sobre as estrepolias de Sérgio Moro e dos procuradores federais da Lava Jato que estão nas mãos dos editores do “The Intercept” já terão sido guardados em diversas partes do mundo e com veículos ávidos para continuar sua publicação.

Em outras palavras, a estas alturas do campeonato não há mais como parar a marcha das revelações. A única dúvida real seria sobre a língua em que as matérias continuariam a ser publicadas no evento de um assacada autoritária contra o “The Intercept”. Simples assim!

 

Sérgio Moro teme eficiência do seu método “conta gotas” e pede que Intercept libere tudo de uma vez

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As olheiras de Sérgio Moro são indicadoras de que o método “conta gotas” do “The Intercept” está afetando o seu sono.

A audiência a que o ex-juiz e atual ministro da (In) Justiça, Sérgio Moro, no dia de ontem no Senado Federal foi quase um jogo de compadres, salvo as manifetações de uns poucos senadores que resolveram dizer a ele como as coisas devem funcionar para que as ações de um juiz não resultem na anulação de processos. Cito aqui a fala do senador capixaba    Fabiano Contarato (Rede) que do alto de sua condição de ex-delegado da Polícia Federal lembrou a Moro de alguns procedimentos básicos para manter a devida separação entre as partes durante o transcorrer de um processo (ver vídeo abaixo).

Mas os problemas de Sérgio Moro, e por extensão do governo Bolsonaro, estavam longe do ambiente confortável das dependências do Senado Federal onde a audiência ocorreu. A verdade é que, como o próprio Moro sinalizou, a raiz dos problemas que hoje abalam a antes impoluta imagem de justiceiro que o juiz de Maringá arrumou para si graças a contínuos vazamentos de informações que deveriam nos autos dos processos que ele julgava, é o volumoso arquivo de mensagens, documentos, vídeos e áudios que o site “The Intercept” diz ter nas mãos.

Mas mais do que o volumoso arquivo, o que parece estar realmente incomodando é a estratégia de liberação “conta gotas” das partes selecionadas para publicação pelos editores do “The Intercept”.  É que Moro sabe bem que este é um método bastante eficiente para destruir imagens e para empurrar a maioria da opinião pública para um determinado lado da equação. E ele bem disso porque foi exatamente esse o método que ele usou enquanto esteve à frente da 13a. Vara Federal de Curitiba.

E é esse reconhecimento de que está sendo ferido com o próprio veneno que deve estar tirando o sono de Moro, a ponta de ele dizer que “se quiserem publicar tudo, publiquem“. Na verdade, diferente de parecer um desafio racional aos editores do “The Intercept”, Moro parece implorar para que soltem tudo de uma vez para que ele mesmo pare de sentir as dores impostas por um método de sua própria lavra e que, repito, é altamente eficiente.

A questão é que Glenn Greenwald é um jornalista altamente capacitado e que já passou por situações em que  a mesma combinação entre jornalismo investigativo e jogos de guerra estava envolvida. E Greenwald parece determinado a não cair em tentações ou, tampouco, a atender a súplicas de Sérgio Moro. Daí que deveremos continuar a ver a liberação metódica e segmentada das matérias que estão desmontando o mito que foi construído em torno de Sérgio Moro. Assim se trata de esperar e ler os próximos capítulos, quer dizer, as próximas matérias.

Capas de revistas semanais expõe inferno astral de Sérgio Moro e da Lava Jato

Palestra Democracia, Corrupção e Justiça, no UniCEUB

O ministro Sérgio Moro e o procurador federal Deltan Dallagnol em uma palestra sobre corrupção podem estar passando da condição de caçadores para a de caça.

As capas das principais revistas semanais brasileiras trazem uma mensagem comum para o ex-juiz e atual ministro da (in) Justiça Sérgio Moro e seus companheiros procurdores da “Operação Lava Jato” e  ela parece sinalizar que não há mais flores, talvez só tenham ficado os espinhos, depois do início das revelações trazidas pelo site “The Intercept” sobre comportamentos, digamos, duvidosos em relação às apurações, julgamento e prisão do ex-presidente Lula (ver mosaico abaixo).

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A coisa fica mais complicada quando se verifica que apenas a “Carta Capital” fez oposição aos métodos de Sérgio Moro e da Lava Jato ao longo dos últimos anos, enquanto as demais ficaram mais na posição de caixas de ressonância das operações do que verdadeiros veículos jornalísticos.

O interessante é que a aparente desgraça que está se abatendo sobre Sérgio Moro e seus companheiros de jornada não se deve à ação diligente do PT, alvo preferencial das ações, pois o partido ficou por muito tempo como espectador da própria desgraça, como se estivesse realmente acreditando no sentido republicano do que a “Operação Lava Jato” dizia ter.  

Se estamos tendo agora a oportunidade de olhar as ações da Lava Jato e de Sérgio Moro a partir das palavras e interações dos próprios personagens é porque, muito provavelmente, algum agente interno resolveu mostrar as entranhas do processo todo, e jornalistas com “J” maiúsculo resolveram apurar o caso.  Esse é, aliás, um desdobramento novo na história política do Brasil, pois ao contrário dos EUA que já tiveram a queda de Richard Nixon por causa da ação de jornalistas determinados a apurar informações, o nosso jornalismo e, principalmente, os donos dos veículos da mídia corporativa nunca foram muito inclinados a apurações que comprometessem o status quo político.

Como está mais do que indicado de que vem mais coisa por aí em termos das matérias do “The Intercept”, as próximas capas poderão ser ainda mais negativas para Sérgio Moro e para os procuradores da Lava Jato. Resta saber o tamanho do dano e de como isso será traduzido em manchetes.

 

Revista Veja joga Sérgio Moro ao mar

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Sérgio Moro, em um esforço de sobrevivência, veste a camisado Flamengo durante partida realizada no estádio Mané Garrincha pelo Campeonato Brasileiro de 2019. 

A capa da nova edição da revista “Veja” deve acabar com todas as dúvidas que ainda existiam na cabeça do ex-juiz federal e atual ministro da (in)Justiça do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, quanto ao nível de degradação da sua antes impenetrável aurea política (ver imagem abaixo).

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Esta capa é uma sinalização objetiva de que parte das elites brasileiras decidiu jogar Sérgio Moro ao mar onde tubarões sequiosos por sua pele e sangue o aguardam ansiosamente.

Esta minha avaliação não foi feita apenas com base na esfinge desmoronando que ornamenta a capa da edição, mas pelo uso da definição “claras transgressões” para o que o site “The Intercept” divulgou até agora, e que seus editores dizem ser uma parte desprezível do documento que lhes foi entregue.

As recentes declarações de Sérgio Moro de atacar as revelações do “The Intercept” como sendo sensacionalistas e politicamente motivadas me lembram o caso daquele paciente que sabe que está nos últimos minutos de sua vida e resolve levantar do leito de morte para dar uma bananeira na ânsia de mostrar que sua situação não é tão desesperadora quanto parece.

Algumas questões intrigantes permanecem no ar, a começar por quem de dentro da própria “Operação Lava Jato” resolveu acumular toneladas de informações indiscretas e depois repassá-las ao “The Intercept”, e termina em quem poderá ser o próximo (ou seria próxima?) ministro da (in) Justiça do governo Bolsonaro. 

As próximas dias ou semanas (a depender do ritmo de revelações do “The Intercept”) vão nos mostrar isso. Enquanto, a mídia corporativa vai tentar continuar com seu jogo de espelhos e fumaça para tentar nos convencer que os culpados são os russos. Apesar do fato de que o único “russo”  nesse imbróglio é o ainda ministro Sérgio Moro que tem tinha esse estranho apelido no grupo de procuradores da “Lava Jato”.

O ocaso da Lava Jato e a minha conversa com um jornalista alemão em 2015

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Deltan Dallagnol (nascido em Pato Branco) e Sérgio Moro (nascido em Maringá): as estrelas paranaenses de um show jurídico e midiático que se encaminha para um triste ocaso.

Em algum momento de 2015 tive a oportunidade de conversar com um jornalista de um importante veículo de imprensa da Alemanha, que visitava a cidade de Campos dos Goytacazes para realizar uma matéria sobre o Porto do Açu e as possibilidades que a sua interligação com a cadeia do petróleo e gás poderia ter para o desenvolvimento regional.

Lá pelas tantas, o jornalista alemão me perguntou sobre o que eu achava da “Operação Lava Jato” e as chances de que a mesma trazia para o fim da corrupção no Brasil.  Eu respondi de maneira educada que não via nenhuma chance da corrupção acabar no nosso país, pois o problema aqui era que a mesma fazia parte de uma estrutura social de acumulação de riqueza que já estava valendo desde que Pedro Álvares Cabral aportou nas costas da Bahia.  Disse ainda que estava intrigado com o fato de que as “asas” do pessoal da Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro não tinham ainda sido “cortadas”. É que aquele grupo de jovens oriundos das elites paranaenses simplesmente não tinha carcaça para enfrentar o sistema político e os interesses dos grandes grupos que controlam a economia brasileira.

Passados mais de 4 anos daquela conversa, vemos se desdobrar diante dos nossos olhos algo que parece ser o ocaso da Lava Jato e da figura política do ex-juiz Sérgio Moro. Em minha opinião, além dos danos econômicos e sociais que as estrepolias jurídicas que agora estão sendo divulgadas pelo site “The Intercept“, os quais não são pequenos de forma alguma, a derrocada da Lava Jato representará a consolidação de algo óbvio: não se resolverão os problemas do Brasil pelas mãos que são parte intrínseca do problema. E, pior, com o que se fez de errado para se atingir fins supostamente corretos, arriscamos a ver a desmoralização por algum tempo de qualquer tentativa séria de diminuir o nível de corrupção dentro do nosso sistema político e empresarial.

Ah, lembro ainda que o jornalista alemão me deu um olhar estupefato quando dei minha resposta sobre as chances da Lava Jato acabar com a corrupção no Brasil. Eu imagino o que ele diria, se lesse este texto e lembrasse da nossa conversa, sobre a minha resposta se pudesse voltar àquela noite de 2015.