Observatório dos Agrotóxicos: governo Lula libera registro de mais 27 agrotóxicos

Em mais uma rodada de liberação de venenos agrícolas, o governo Lula fez publicar hoje (02/10) o ATO Nº 46, DE 29 DE SETEMBRO DE 2025 em que são concedidos os registros de 27 agrotóxicos do tipo “Produto Técnico” (PT).   Na prática, PTs são a forma concentrada das quais são comercializados os chamados “produtos formulados” que são aqueels que acabam sendo utilizados em suas diversas formas, seja nas áreas rurais ou nas urbanas.

Na prática, ao analisar de forma geral os produtos liberados é possível verificar o que sempre ocorre na publicação desses atos pelo Ministério da Agricultura: predominância de empresas chinesas (23 dos 27 agrotóxicos liberados são oriundos da China) e de agrotóxicos já existentes no mercado brasileira.

Como sempre aponto nas postagens feitas para marcar a liberação de novos/velhos agrotóxicos no mercado brasileiro é que se mantém firme a marcha do veneno, enquanto programas de monitoramento de alimentos e águas consumidos pelos brasileiros estão, para fins práticos, congelados pelo governo Lula.  Com isso, há um descompasso claro entre o aumento da exposição (direta e indireta) a substâncias altamente tóxicas e o controle dos seus efeitos sobre o ambiente e a saúde humana. Contraditoriamente, isso ocorre em um contexto em que a disponibilidade a serviços de saúde públcia está sendo dificultada pelos cortes orçamentários feitos pelo governo Lula.

Não é difícil entender quem é que ganha e quem perde com essa enxurrrada de venenos agrícolas. De um lado as empresas fabricantes e latifundiários e, de outro, os trabalhadores brasileiros.

Observatório dos Agrotóxicos: governo Lula libera mais 42 agrotóxicos e mantém marcha do envenenamento

Nesta segunda-feira (08/9), o governo Lula liberou o registro de mais 42 agrotóxicos por meio do Ato No. 41 de 05 de setembro de 2025, mantendo firme a marcha do veneno como ferramenta de primeira hora para a manutenção de um modelo de agricultora fortemente dependente de venenos agrícolas. Todos esses produtos na condição de produto técnico que são a forma concentrada que depois é transformada em produtos formulados que são os que são aplicados nos campos agrícolas.

Como já tem sido acompanhado desde janeiro de 2019, este ato mantém as características de liberar registros de produtos pertencentes a empresas chinesas, confirmando a China como principal fornecedora de agrotóxicos para o Brasil. Essa não é um característica que ocorre ao acaso, na medida em que a China é hoje a principal compradora dos principais produtos da agricultura de exportação brasileira. Além disso, fica patente o padrão de troca desigual entre os produtos brasileiros e chineses, já que os preços das commodities brasileiras estão sujeitas a momentos de queda, enquanto os preços dos agrotóxicos possuem perfil de alta constante.

Por outro lado, está confirmada a opção por agrotóxicos genéricos, muitos proibidos nos países cujas empresas possuem as patentes dos produtos originais. Com isso, aumenta a exposição ambiental e humana a produtos conhecidos por serem causadores de danos sobre a cadeia biótica, alcançando os seres humanos. Um destaque negativo é a aprovação de registros do herbicida Diquat, desenvolvido originalmente pela sino-chinesa Syngenta, que tem sido associado a problemas neurológicos por ser neurotóxico.

Mais essa rodada de aprovações de registros apenas confirmam que o governo Lula não tem feito o esforço necessário para diminuir o uso de agrotóxicos pela agricultura brasileira, o que representa um abandono das promessas eleitorais em prol de um modelo de agricultura menos dependente de venenos.

O veneno está em nossa mesa: Governo Lula libera mais 44 agrotóxicos e liberações chegam a 103 em 2023

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Como já venho indicando há algum tempo, a questão dos agrotóxicos é uma daquelas que ameaça colocar por água abaixo todos os compromissos assumidos pelo presidente Lula com a transformação da agricultura brasileira para um modelo menos devastador e mais ajustado às necessidades de alimentos saudáveis e ecossistemas naturais protegidos.

Pois bem, nesta 5a. feira (13/04), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou o Ato No. 16 de 06 Abril de 2023 que libera a utilização de mais 44 agrotóxicos em território nacional, o que eleva o total de venenos agrícolas liberados durante a gestão do ministro Carlos Fávaro (PSD/MT) chegar a 103.

Como Fávaro é historicamente ligado ao setor da monocultura da soja, a continuidade da liberação de agrotóxicos não é nenhuma novidade. O problema é que não se detecta nenhuma mudança na forma de classificação do risco ambiental e para a saúde humana desses produtos, o que faz com que agrotóxicos banidos em outras partes do mundo continuem sendo liberados no Brasil.

Um exame inicial da lista de agrotóxicos liberados pelo Ato No. 16 mostra a liberação de agrotóxicos conhecidos por causarem câncer (os herbicidas S-Metolacloro e Glifosato, e o inseticida Acefato), bem como um conhecido exterminador de abelhas, o inseticidade neonicotinóide Imidacloprido.

protesto abelhas

O pior dessa situação é que não se vê uma reorientação das práticas adotadas pelo governo Bolsonaro que escantearam os ministérios da Saúde e do Meio Ambiente em prol de uma primazia dos interesses do MAPA que continua sob a liderança de um político com fortes laços com latifúndio agro-exportador.

Há ainda que se notar a persistência dos fabricantes chineses e europeus no fornecimento de agrotóxicos que foram banidos em outras partes do mundo para atender as demandas da agricultura de exportação. Com isso, o Brasil fica mantida na condição de uma espécie de uma latrina tóxica para onde são enviados produtos que já se mostraram altamente nocivos, seja porque causam a contaminação de recursos hídricos, por exemplo, ou porque já foram identificados como prejudiciais à saúde humana.

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Por essas e outras é que qualquer expectativa de que a questão da liberação de agrotóxicos será alterada pelo governo Lula sem uma intensa mobilização social é enganosa. Como a  atual viagem o presidente Lula à China deverá ser centrada em acordos comerciais centrados na pauta agrícola, o problema poderá se tornar ainda mais grave.

Liberação de venenos agrícolas no Brasil durante a gestão Bolsonaro

Mas Bolsonaro gostava de se alimentar de forma orgânica e livre de agrotóxicos

venenos

Venenos agrícolas

Por Christian Russau para a Kooperation Brasilien

O professor universitário brasileiro Marcos Pedlowski, da Universidade estadual de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, manteve registros meticulosos nos últimos anos sobre os venenos agrícolas recém-aprovados pelo governo federal em Brasília. Em 31 de dezembro de 2022 , Pedlowski informou sobre dois atos jurídicos recém-publicados pelo Ministério da Agricultura, nos quais mais 98 venenos agrícolas foram liberados de Brasília. Pedlowski somou tudo e apresentou 2.030 venenos agrícolas aprovados durante o mandato de quatro anos de Jair Bolsonaro (1º de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2022).

Segundo levantamentos da professora da USP Larissa Bombardi, uma pessoa morre a cada dois dias por intoxicação por agrotóxicos no Brasil, e um quinto das vítimas são crianças e jovens de até 19 anos. O enorme uso de agrotóxicos no Brasil traz riscos à saúde da população local (muitas vezes indígenas e outras comunidades tradicionais) que estão diretamente expostos ao uso de agrotóxicos em áreas rurais por meio de pulverização aérea ou contaminação de lençóis freáticos e solo, bem como de todo o população devido a alimentos cada vez mais contaminados e altos níveis de poluentes na água potável, possibilitados por controles oficiais reduzidos e por limites legais relativamente frouxos. Ex-Relator Especial da ONU sobre Direitos Humanos e Substâncias Tóxicas, Baskut Tuncak (2014-2020),O país caminha para um “futuro cada vez mais tóxico” .

Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional (mais conservador-reacionário do que nunca) tramita em Brasília o projeto de lei chamado Pacote do Veneno”, ou seja, o projeto de lei 1459/2022 , que estabelece as disposições básicas para a produção, o armazenamento, o uso e o descarte de agroquímicos no Brasil devem ser redefinidos, ou seja, flexibilizados e liberados o máximo possível de agrotóxicos. Os projetos legislativos no Brasil costumam demorar muitos anos para passar por todas as instâncias, mas algumas instâncias já foram aprovadas com o pacote do veneno – primeiro como PLS 526/99 do então senador e (ainda rei da soja) Blairo Maggi, depois como PL 6299/2002 na Câmara dos Deputados e agora no Senado como o mencionado PL 1459/2022. O relatório da comissão do Senado foi aprovado em dezembro, os bastidores fervilham em Brasília (não só sobre o assunto), mas a briga pelo “pacote de veneno” ainda não está decidida. Essa briga também está sendo acompanhada de perto lá fora , ambos os membros do Parlamento da UE , bem como 21 deputados alemães , enviaram uma carta interpartidária aos presidentes do Senado e a vários presidentes de comissões em Brasília para expressar suas preocupações sobre o “pacote de veneno”.

Por outro lado, a Comissão Européia está (não apenas) comprometida com a ratificação do acordo de livre comércio UE-MERCOSUL, que (além de muitas outras coisas, como mais desmatamento da floresta tropical e mais SUVs, menos tarifas e mais conflitos de terra) leva a mais exportações de agrotóxicos da Europa para o MERCOSUL e, portanto, também para o país que já detém o título de campeão mundial na área de agroquímicos: o Brasil. Ao mesmo tempo, esses pesticidas voltarão ainda mais para a Europa – nos produtos agrícolas que a Europa mais importa É duvidoso que a proibição das exportações de pesticidas não aprovados na Alemanha, almejada pela coalizão do semáforo, seja suficientemente robusta, mas é um primeiro passo. Se essa proibição de exportação também se aplicasse a ingredientes ativos (e não apenas a fórmulas de pesticidas acabados) e também estivesse firmemente ancorada na Lei de Proteção de Plantas, estaríamos um passo adiante.

Os jornalistas investigativos do De Olho nos Ruralistas já haviam apresentado sua pesquisa de fundo sobre o lobby político das agroempresas em Brasília durante o governo Bolsonaro em agosto do ano passado , revelando o envolvimento de empresas multinacionais no financiamento aninhado do think tank do agronegócio denominado Instituto Pensar Agro, incluindo empresas como Bayer, Basf, Syngenta, JBS, Cargill e Nestlé, segundo a análise, e realizaram um total de 278 reuniões com o governo Bolsonaro.

Este último bateu recordes nas questões da liberalização e flexibilização dos agrotóxicos no Brasil, ao mesmo tempo em que aparentemente se esforçou ao máximo para alimentar a si e a sua família que alimentos biologicamente orgânicos eram servidos como pratos no palácio do Planalto. Com o cartão de crédito presidencial de Bolsonaro (quem paga o contribuinte) foram feitas 158 compras no mercado de orgânicos nos últimos quatro anos.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pela Kooperation Brasilien [Aqui!].

Relatório técnico documento processo de contaminação por agrotóxicos nas águas do Pantanal

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O estado de Mato Grosso registrou o uso de 142.738,855 kg de princípios ativos de agrotóxicos e é o estado brasileiro que mais utiliza substâncias tóxicas na agropecuária. Os municípios de Poconé, Cáceres e Mirassol D’Oeste foram afetados com importante quantidade de substâncias que contaminam o solo e principalmente os recursos hídricos levando assim doença e destruição dos bens comuns.

Essas e outras conclusões alarmantes estão reunidas no Relatório Técnico: “Agrotóxicos no Pantanal”, realizado pela educadora da FASE, mestre em Saúde Pública, Fran Paula; com a colaboração da professora Marcia Montanari, do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT; Naiara Andreoli Bittencourt, advogada da Terra de Direitos e Lucinéia Freitas do MST e com revisão de Maria Emília Pacheco, assessora do Grupo Nacional da FASE.

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Para baixar a íntegra do relatório, basta clicar [Aqui!]

Observatório dos Agrotóxicos: uso e custos estão aumentando em velocidade maior do que a produção agrícola brasileira

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Dados disponibilizados pelo  Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) na última 5a. feira (12/05) mostram que entre 2017 e 2021 a área que recebeu a aplicação de agrotóxicos aumentou 36,6% (o equivalente a adicionais 505 milhões de hectares) em função do aumento da presença de pragas, doenças e ervas daninhas de difícil controle (ver figura abaixo)

.O resultado financeiro desse aumento foi que o valor de mercado dos agrotóxicos utilizados pelos agricultores aumentou 17,4%, em 2021, passando de US$ 12,485 bilhões (2020) para US$ 14,655 bilhões (2021).  Dentre as culturas que precisaram do uso de agrotóxicos, o Sindiveg afirmou que a soja representou 53% do valor total, com US$ 7,779 bilhões, enquanto o milho participou com 13% e a cana, com 9%. Em outras palavras, estas três culturas de exportação representaram juntas 75% de todos os agrotóxicos utilizados no Brasil no ano passado, confirmando uma tendência de que esse tipo de monocultura está fortemente apegada ao uso intensivo de venenos agrícolas.

Além disso, há que se notar que no tocante ao volume de agrotóxicos utilizados, houve um crescimento anual de 9,4%, passando de 1,081 milhão de toneladas para 1,183 milhão t. Se levarmos em conta que pelo menos 30% dos agrotóxicos usados no Brasil estão banidos pela União Europeia em função dos seus danos à saúde humana e ao meio ambiente, é possível afirmar que as razões para preocupação com os efeitos devastadores desses venenos agrícolas também aumentaram consideravelmente.

Perda de safra considerável, apesar do uso intenso de venenos agrícolas

Um dado apresentado de forma mais ligeira pelo Sindiveg se refere ao fato de que apesar de todo o crescimento na área aspergida com agrotóxicos, “os problemas fitossanitários podem representar quebra de até 40% na produção agrícola brasileira, que equivale a cerca de 100 milhões de toneladas por ano“. Em outras palavras, apesar dos seus altos custos e dos fortes que causam sobre seres humanos e ecossistemas naturais, os agrotóxicos não evitam fortes perdas em termos de produção, as quais se somam em forma de custos aos elevados desembolsos associados à aquisição destes venenos agrícolas.

Como o Sindiveg também informou que os fabricantes de agrotóxicos também enfrentaram “sérios problemas relacionados a aumento do câmbio, desabastecimento de algumas matérias-primas vindas da China, atraso nas entregas, elevação dos custos dos fretes marítimos”, fatores estes que estão se agravando em 2022, algo que deve ser esperado é um aumento ainda maior nos custos relacionados à compra de agroquímicos. Tal fato reforça as evidências de que os custos com a manutenção de monocultivos de larga extensão vão muito além do que os eventuais ganhos com a produção obtida.  A verdade é que estamos todos pagando de forma subliminar o direta para que os operadores do latifúndio agro-exportador possam manter suas margens de lucros.

Observatório dos Agrotóxicos: a tsunami de agrotóxicos do governo Bolsonaro não para e mais 25 produtos foram liberados hoje

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A tsunami de agrotóxicos do governo Bolsonaro não para. No dia de hoje, por meio do Ato No. 14 de 7 de março de 2022 foram liberados mais 25 agrotóxicos. Agora o “grand total” do governo Bolsonaro chegou a 1.634 agrotóxicos liberados desde janeiro de 2019.

Como sempre ocorre na publicação de novas liberações de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, nos próximos dias irei postar a planilha individual do Ato No. 14 de 07 de março e a outra com todos os 1.634 agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro desde janeiro de 2019.

Mais uma coisa é certa: a sede por venenos agrotóxicos do latifúndio agro-exportador nacional não tem mesmo fim.

Entrevista na TV GGN sobre os impactos agrotóxicos sobre o ambiente e a saúde no Brasil

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Na noite de ontem (09/03) começou a ser veiculada uma entrevista que foi dada ao professor Ruben Rosenthal, do blog Chacoalhando, na TV GGN. Nessa entrevista eu e Rosenthal conversamos de forma ampla sobre a problemática representada pelo amplo uso de venenos agrícolas na agricultura brasileira, e dos problemas que isso vem acarretando para a população brasileira.

Dentre os muitos pontos abordados, um que procurei destacar é que as ações em prol de uma agricultura que não seja dependente de venenos agrícolas banidos em outras partes do mundo são fundamentais para que se assegure o direito dos brasileiros a não serem diariamente envenenados quando realizam os atos de se alimentar e ingerir água, como é o caso dos dias atuais em que crescem as evidências que estão sendo submetidos a níveis inaceitavelmente altos de resíduos de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo por sua alta periculosidade.

Abaixo vai o vídeo com a íntegra da entrevista concedida a Ruben Rosenthal.

Governo Bolsonaro libera mais de um agrotóxico por dia

Em 1.158 dias de governo, foram liberados 1.629 agrotóxicos, a maioria altamente perigosa. Entre os autorizados mais recentemente estão produtos com nomes sugestivos como Sniper, Patrol e Forasteiro

trator-agrotóxicoAs liberações desenfreadas preocupam o Ministério Público do Trabalho. O sistema de saúde muitas vezes não relaciona as enfermidades com a exposição a esses produtos

Por Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – O governo do presidente Jair Bolsonaro vai entrar para a história do país como o que liberou mais de um agrotóxico por dia. Uma média de 1,4 por dia, muitos deles altamente perigosos à saúde e ao meio ambiente e por isso proibidos em muitos países. No último dia 25 de fevereiro, quando foram completados 1.158 dias da atual gestão, a Coordenação de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou o Ato 11, autorizando mais 26 destes produtos usados pelo agronegócio. Com esta mais recente leva, com produtos com nomes sugestivos como Sniper, Patrol e Forasteiro, que lembram armas e mortes em filmes sempre violentos, o governo Bolsonaro chegou à triste marca de 1.629 agrotóxicos liberados até o momento.

Para o procurador do Ministério Público do Trabalho Leomar Daroncho, o “liberou geral” destas substâncias é um grande problema. Afinal, muitas delas têm formulações banidas em países da União Europeia. E justamente em defesa da saúde e da vida. “Não há nada que justifique esse ritmo alucinante de liberação de novos produtos. Esses produtos químicos tóxicos, quando são banidos nos países do primeiro mundo, onde há preocupação com a saúde e com o meio ambiente, não são banidos por acaso”, disse à RBA.

“São produtos nocivos à saúde, ao meio ambiente e alguns deles têm inclusive impacto que só vai se mostrar ao longo dos anos, afetando gestações, crianças. Há fartura de dados na academia, entre os pesquisadores, sobre esse impacto. Há uma preocupação muito grande com esse ritmo frenético de liberação de agrotóxicos com alto potencial de comprometimento da vida e da saúde humana, além do meio ambiente em geral”, completou.

Sede de agrotóxicos no governo Bolsonaro

O tema está no centro das atenções do Ministério Público do Trabalho (MPT), segundo Daroncho. Isso porque esses produtos são manuseados ou despejados sobre populações sem condições de avaliar a gravidade da exposição.

“Boa parte desses trabalhadores que têm contato com esses produtos tem um nível de instrução muito rudimentar; é alto ainda o analfabetismo funcional nos rincões agrícolas, nas fronteiras agrícolas. Nem sequer há condição de atendimento adequado para os contaminados”, lembrou.

O procurador chama a atenção para o fato de que algumas doenças crônicas são causadas pela exposição aos venenos agrícolas. E o sistema de saúde do interior não tem muitas vezes condições nem de fazer o nexo de que essas enfermidades estão relacionadas com a exposição.

Outra preocupação é com a aprovação na Câmara, em fevereiro, do Pacote do Veneno, agora sob análise do Senado. “Se aprovado, abre a perspectiva de liberação de mais veneno do que a gente já tem, inclusive com mecanismos que admitem a liberação por decurso de prazo caso o agente de análise do governo não conclua a avaliação em um determinado prazo. Preocupa também que tenham sido retirados dos papeis de protagonistas as entidades do governo que cuidam da saúde (Anvisa) e do meio ambiente (Ibama), concentrando o poder apenas nas mãos do Ministério da Agricultura.”

“Um cenário bastante preocupante. Nos faz pensar sobre a necessidade de estabelecer um corredor humanitário para essas populações sujeitas à exposição de grande volume de veneno banido nos países que são rigorosos nesse controle”, disse, comparando com a alternativa pleiteada para saída segura de civis da Ucrânia. “Aos poucos vamos no tornando uma espécie de lixeira do mundo. Aquilo que ninguém mais aceita, continua e segue sendo liberado aqui.”

Ouça o procurador:

Observatório dos agrotóxicos

Em seu observatório dos agrotóxicos, o professor e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Marcos Pedlowski avalia o Ato Nº 11, das mais recentes liberações. Para ele, é a repetição de características persistentes; a presença de substâncias proibidas na União Europeia em torno de 30% do total liberado, a presença de empresas como Basf, Syngenta e Adama, e ainda a hegemonia de produtos fabricados no exterior.

“E, por último, a inclusão das culturas de exportação como principais usuárias de venenos agrícolas que, por sua periculosidade para o meio ambiente e a saúde humana, estão banidos nos países em que são fabricados, o que revela um duplo padrão de comportamento por essas corporações que pregam sustentabilidade em casa, e enviam produtos banidos para o chamado Sul Global onde serão usados de forma abundante e sem maiores controles.”

Pedlowski disponibiliza planilhas com informações sobre todos os produtos já liberados no governo Bolsonaro, que podem ser acessados por pesquisadores, ativistas sociais e todos os interessados no tema que ele chama de “verdadeira tsunami de aprovações de venenos agrícolas que tem caracterizado as ações do governo Bolsonaro em prol do latifúndio agro-exportador e das grandes corporações químicas que os fabricam”.

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Este texto foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Jornada de Lutas mobiliza ações de denúncia contra os agrotóxicos em todo o Brasil

Entre os dias 27 de novembro e 11 de dezembro, será realizado um festival cultural, seminários, lançamentos de livros e ações de agitação. As ações marcam o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos, 3 de dezembro. 

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Por Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Está chegando o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos, 3 de dezembro, que neste ano será marcado por uma Jornada de Lutas de 27 de novembro a 11 dezembro, em todo o Brasil. Com um festival, seminários, lançamentos de livros e ações de agitação, a iniciativa da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida quer ampliar a denúncia sobre o aumento do uso de venenos no país. 

A mobilização dá continuidade às mobilizações contra o símbolo do agronegócio, e pretende atingir diferentes públicos, desde quem produz agroecologia, passando pela diversidade de organizações que formam a Campanha Permanente, até segmentos ainda não familiarizados com a luta contra os agrotóxicos. 

A Jornada marca o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos, que tem como origem o crime ocorrido em Bhopal, na Índia, em 1984, quando 27 toneladas do gás isocianato de metila vazaram de uma fábrica de agrotóxicos da empresa estadunidense Union Carbide. Cerca de 2,2 mil pessoas morreram na hora e quase 600 mil foram afetadas ao longo dos anos, segundo a Campanha Internacional por Justiça em Bhopal. 

Os agrotóxicos seguem fazendo vítimas em todo o mundo, e no Brasil ganharam ainda mais espaço durante o governo Bolsonaro. Foram 1456 novos agrotóxicos liberados desde o início da gestão, em 2018. O Projeto de Lei 6299/2002, conhecido como “Pacote do Veneno”, foi parcialmente imposto pelo Decreto Presidencial 10888/2021, e o governo segue “passando a boiada” sob à biodiversidade, os bens naturais e à saúde humana. 

Confira abaixo as 5 propostas de ações nacionais de formação, agitação, divulgação e denúncia contra os agrotóxicos: 

  • Placas “Aqui não usamos veneno” 

Convidamos comunidades, cooperativas, escolas, roçados comunitários, coletivos e hortas urbanas a inaugurarem placas “Aqui não usamos veneno” em seus espaços de produção. Esta ação tem o objetivo de envolver diretamente camponeses/as e produtores/as agroecológicos e orgânicos, do campo e da cidade. A proposta é de que sejam inauguradas entre os dias da Jornada, 27 de novembro e 11 de dezembro. 

> Como participar: 

– A Campanha Permanente confeccionará uma remessa de placas, que serão enviadas pelos Correios, conforme os pedidos feitos através da nossa secretaria via correio eletrônico secretaria@contraosagrotoxicos.org e/ou pelo contato de whatsapp 41 99676 5239. É preciso que os pedidos cheguem o quanto antes, para haver tempo de envio. Caso haja demanda maior, cada região/estado/organização tem autonomia para confeccionar mais placas, inspiradas no modelo enviado em anexo. 

– Divulgação: envie para a Campanha Contra os Agrotóxicos os seguintes materiais de registro: 

  1. pelo menos 5 fotos, na vertical e na horizontal; 
  2. um vídeo na vertical do momento de fixação da placa e do coletivo da sua comunidade, escola, família, em torno dela, com simbologia do movimento ou coletivo do qual faz parte; 
  3. pelo menos cinco linhas com as informações gerais sobre a comunidade/ação: nome da comunidade/escola/coletivo; cidade; estado; o que produzem; se faz parte de algum movimento / povo tradicional.
  • Seminários das Grandes Regiões

Serão encontros virtuais de fortalecimento das articulações regionais da Campanha Contra os Agrotóxicos, que ganharam força ao longo deste ano na luta contra o Pacote do Veneno. Cada grande região definirá o tema específico e a programação, conforme as realidades locais. 

Os seminários também serão espaços para mobilizar para ações práticas presenciais durante a Jornada de Luta Contra os Agrotóxicos, em cidades e comunidades de cada estado. 

O público principal destes encontros serão as próprias organizações, movimentos e militantes da Campanha Permanente, pesquisadores e estudantes, parlamentares e representantes dos Poderes Públicos.  

> Calendário de seminários regionais (todos acontecerão via plataforma zoom, com transmissão pelo youtube e facebook da Campanha e organizações realizadoras). 

Centro-oeste – 29 de novembro
Sul – 1 de dezembro
Nordeste – 6 de dezembro
Sudeste – a confirmar
Norte  – a confirmar

  • Festival Nacional contra os Agrotóxicos

Será realizado no Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos, 3 de dezembro, com caráter de agitação  e cultural, e em formato online. O objetivo é trazer a denúncia, mas por meio da música, da poesia, do grafite e a diversidade de expressões artísticas, como enfrentamento à narrativa hegemônica, com participação de artistas nacionais, regionais e locais, apoiadores da luta contra os agrotóxicos e em favor da agroecologia. Também apresentaremos receitas, intervenções locais e regionais, e vídeo com mensagens de artistas e figuras públicas apoiadoras da luta contra os agrotóxicos e pela vida. 

Com esta ação, pretendemos atingir um público mais amplo, de setores progressistas ainda não vinculados à Campanha Permanente, ativistas urbanos, classe artística, coletivos, movimentos urbanos ligados à pauta da alimentação saudável, do cicloativismo, ambientalistas, etc. 

  • Intervenções artísticas e de agitação presenciais 

Propomos a meta de pelo menos uma intervenção artística ou de agitação por grande região, por meio do grafite, teatro, ações diretas, interagindo com o Festival Nacional do dia 3 de dezembro. Estas ações serão protagonizadas por coletivos de juventude e de agitação e propaganda. A viabilidade da ação deve ser construída com apoio das organizações locais integrantes da Campanha Permanente. 

  • Lançamentos do Dossíê contra o Pacote do Veneno

Em continuidade à divulgação do Dossiê Contra o Pacote do Veneno, seguimos realizando lançamentos em conjunto com a campanha Semeando Saberes e Sabores em Armazéns do Campo de todo o Brasil, também como parte da Jornada de Lutas. 

Para participar, escreva para as redes da Campanha Permanente: 

https://www.instagram.com/contraosagrotoxicos/ 

https://www.facebook.com/contraosagrotoxicos 

ou para o email: secretaria@contraosagrotoxicos.org