Vladimir Palmeira e sua entrevista à Globonews: tristes memórias incompletas

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Quando militava no PT no início da década de 1980 sempre via as aparições de Vladimir Palmeira e seus companheiros nas plenárias partidárias com um misto de admiração e descrença. É que, apesar apesar daquela  coisa de andar do Vladimir andar sempre com um grupo que mais parecia torcida de time de futebol recém saído da série B, reconhecia que ali estava o homem que um dia foi uma das principais vozes da resistência à ditadura militar. O problema é que, já naquele tempo, da boca de Vladimir Palmeira só saiam coisas atrasadas demais para serem úteis para a luta da transformação social que o Brasil tanto precisa. Em suma, eu e muitos petistas o respeitavam pelo passado, mas não pelo que efetivamente fazia pela construção do PT no Rio de Janeiro. 

De lá para cá, e já se vão quase 4 décadas, o ato mais notável de Vladimir Palmeira foi, para mim, acertar na loteria esportiva, prêmio esse que teria dividido com um grupo de amigos. E foi só isso, pois ele foi lentamente se retirando para uma obscuridade lamentável.

Em 2013, Vladimir Palmeira conseguiu a proeza de trocar o PT pelo PSB, sob o argumento de que havia perdido a luta contra a corrupção, num gesto que equivaleu denunciar as condições de uma casa cheia de cupins e se mudar de mala e cuia para outra infestada por ratos. 

Mas por que falo de Vladimir Palmeira nesta postagem? É que ontem assisti uma entrevista que ele deu à GloboNews onde ele levou até os últimos limites o exercício de uma revisão histórica que desonra todos os que morrem lutando contra a ditadura, incluindo aqueles que garantiram sua liberdade.

Para mim o pior dessa entrevista foi o tipo de crítica aos limites do socialismo real imposto na URSS pelo regime de Josef Stálin sem que se falasse nas condições histórica em que isso se deu, bem como o papel exercido pelas potências imperialistas no esforço que foi feito para impulsionar a transformação que brotava em território russo. Com o tipo de análise que Vladimir Palmeira esboçou sobre o passado, não me surpreende que ela diga que a esquerda brasileira ainda está no Século XIX. Resta saber, apenas, em que século que ele mesmo acha que está.