Berenice Seara em dois tempos

A jornalista Berenice Seara deu hoje duas notas que refletem aspectos que eu já mostrei hoje no meu blog ( ver reproduções abaixo).

A primeira se refere ao pânico que estaria grassando nos deputados da base governista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com a prisão do ex (des) secretário Wilson Carlos, o homem por onde tudo passava nos dois mandatos do agora aprisionado Sérgio Cabral. Já a segunda nota se refere à menção feita pelo juiz que decidiu pela prisão do (des) governador Sérgio Cabral sobre uma suposta lacuna fiscalizatória que existiu nos últimos 10 anos em relação aos atos realizados pelo (des) governo do Rio de Janeiro.

Em relação a Wilson Carlos, o pânico é mais do que compreensível, pois está demonstrado por fatos repetido que no mundo pós-Lava Jato, os delatores cumprem seus processos de expiação de forma relativamente indolor. E Wilson Carlos certamente já sabe disso. No tocante ao puxão de orelhas dado no Ministério Público Estadual, ainda que possa ser compreensível, eu diria que não é todo justo. É que muitos dos supostos malfeitos de Sérgio Cabral estavam também na esfera federal, e tampouco assistimos uma ação rápida e direta sobre os fatos que brotavam como cogumelos surgem em pastagens nos dias de chuva. Em outras palavras, pode ser o roto falando do esfarrapado, e o sujo do mal lavado.

Sérgio Cabral foi finalmente preso. Demorou tanto por que?

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A mídia corporativa brasileira anuncia hoje, sem a alegria incontida que caracterizou as ações contra os políticos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), a prisão do ex (des) governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabtal (PMDB)  por meio da chamada Operação Calicute (ver manchetes abaixo).

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Aliás, Sérgio Cabral não foi preso sozinho, há que se salientar. Junto com ele foram presos dois ex-poderosos ex(des) secretários, os senhores Wilson Carlos e Hudson Braga (este considerado um homem de confiança do atual (des) governador Luiz Fernando Pezão).  De Wilson Carlos, eu me lembro bem, pois todo e qualquer contato com Sérgio Cabral passava por suas mãos. Não foram raras as vezes que sindicalistas foram deixados para mofar na sala de entrada do Palácio Guanabara, enquanto representantes das corporações entravam e saiam com a facilidade que só grandes aliados possuem.

A acusação pela qual Sérgio Cabral e seus aliados foram presos parece um grão de areia numa imensa praia. Afinal, depois de todos os negócios que ocorreram no Rio de Janeiro na última década, uma propina de R$ 224 milhões parece uma ninharia. Basta ver as conexões que Sérgio Cabral teceu com todo tipo de empresa que foi envolvida nas megaobras que ocorreram no Rio de Janeiro em seus anos no Palácio Guanabara.

Mas o essencial nesta prisão não é o fato em si, mas por que o mesmo demorou tanto tempo a ocorrer. É que as denúncias de práticas pouco republicanas pipocaram ao longo dos anos, sempre com Cabral sendo olimpicamente protegido pela mídia corporativa. O fato é que nunca houve uma disposição mínima de se apurar todas as denúncias que apareciam. Aliás, muito pelo contrário. Sérgio Cabral et caterva sempre mereceram o melhor dos mundos, não apenas por parte da mídia corporativa, mas também dos órgãos de fiscalização, começando pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), passando pelo Ministério Público (MP), e chegando no Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A verdade é que nenhum dos órgãos que deveriam fiscalizar Sérgio Cabral cumpriu sua missão de forma efetiva.

Uma vítima colateral desta prisão é o atual (des) governador Luiz Fernando Pezão que não foi apenas vice (des) governador, mas também (tal qual Hudson Braga), secretário de Obras, durante os dois mandatos de Sérgio Cabral (além de ter sido imposto como candidato e eventualmente chefe do executivo fluminense). É que não há como desatar os destinos de Cabral e Pezão, por mais que o atual (des) governador queira se fingir de morto. As acusações de propina contra Sérgio Cabral atingem o núcleo duro do seu grupo político, do qual Pezão se tornou peça essencial.  Esse fato deverá criar não apenas novas dificuldades para a aprovação do pacote de maldades que está na Alerj, mas também deverá empurrar o (des) governo Pezão para uma crise ainda mais profunda.

Mas voltando ao título desta postagem, por que essa prisão demorou tanto? Provavelmente por causa do suporte estrutural que o PMDB do Rio de Janeiro deu nos governos de Lula e Dilma e agora oferece no governo do presidente “de facto” Michel Temer.  De quebra, temos a política de irrigar a propaganda oficial que empurrou alguns bilhões de reais para os cofres da mídia corporativa nacional, regional e local.  Aliás, não apenas para a mída, mas também para as corporações privadas por meio da fatídica prática da farra fiscal que drenou quase R$ 200 bilhões dos cofres estaduais.

Lamentavelmente, graças à essa demora toda, o Rio de Janeiro foi colocado na situação dramática em que se encontra. Nesse sentido, quando os sinais dobrarem pelo Rio de Janeiro, não nos esqueçamos de lembrar de todos os que contribuíram para que chegássemos ao ponto em que chegamos.

Lauro Jardim anuncia que Carioca Engenharia entregou provas de pagamento de propinas a Sérgio Cabral e Wilson Carlos

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Sérgio Cabral e Wilson Carlos em tempos mais felizes na cidade de Paris onde ficaram famosas as festanças da chamada “Turma dos Guardanapos”.

O jornalista Lauro Jardim informou na manhã deste domingo que a Carioca Engenharia provas que incriminam o ex (des) governador Sérgio Cabral e seu “jack of all trades”, o ex-secretário de governo Wilson Carlos, como recebedores de propinas (Aqui!) (ver reprodução abaixo).

Lauro Jardim Carioca

Com mais essa delação de uma grande empreiteira sobre pagamento de propinas a ele e seus associados no (des) governo do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral se tornou uma espécie de recordista em termos de denúncias sobre o recebimento de vantagens ilícitas enquanto ocupante do principal cargo do executivo fluminense.

O que mais me impressiona nessa coisa toda não é que Sérgio Cabral ainda esteja solto até o presente momento. O que realmente salta aos olhos é o fato de que ele ainda mantém um grau importante de podet dentro da política fluminense. Ou alguém acha que seu filho, Marco Antonio, é secretário estadual de Esportes no período extremamente lucrativo dos Jogos Olímpicos por sua plena capacidade profissional?

E ainda tem gente que tem a cara de pau de vir a público para dizer que os servidores públicos e aposentados são os responsáveis pela crise financeira (seletiva) que se abate neste momento sobre o estado do Rio de Janeiro!

Aliados do governador Sérgio Cabral teriam recebido propina, diz revista

Jornal do Brasil

Durante a Operação Castelo de Areia, a Polícia Federal apreendeu documentos que indicariam que o secretário de Governo do Rio, Wilson Carlos Carvalho, e Carlos Emanuel Miranda, sócio do governador Sérgio Cabral (PMDB), teriam recebido propina da empreiteira Camargo Corrêa após o Estado renovar concessão do metrô. A denúncia está em reportagem da revista Época.

De acordo com a publicação, a propina teria sido paga depois que a Opportrans, controladora da Metrô Rio até 2008, quitou dívida do governo do Rio junto à empreiteira. Ambos teriam recebido, segundo a Época, valores que correspondiam a 5% do negócio, de cerca de R$ 40 milhões. Em 2010, a Camargo Corrêa foi a principal doadora na reeleição de Cabral, com R$ 1 milhão. O governo antecipou em dez anos a renovação do contrato da Opportrans e ainda a estendeu por mais 20 anos, até 2038.

Reportagem traz denúncias contra aliados de Sérgio Cabral
Reportagem traz denúncias contra aliados de Sérgio Cabral

Veja trechos da reportagem:

“O contrato assinado entre o governo do Estado, Opportrans e Camargo Corrêa estipulou a dívida com a construtora em R$ 40 milhões. Segundo o contrato, ela deveria ser paga em 12 parcelas mensais, a partir de 27 de janeiro de 2008. As duas primeiras parcelas seriam de R$ 3,35 milhões, e as demais dez de R$ 3,33 milhões. Do sétimo mês em diante, o valor sofreria correção monetária. A correspondência é impressionante com tabelas e e-mails apreendidos nos escritórios e residências do ex-vice-presidente e então consultor da Camargo Corrêa, Pietro Bianchi – apontado pela PF como o principal operador do esquema –, e do doleiro Kurt Pickel, acusado de enviar o dinheiro dos beneficiários ao exterior. Ambos foram presos na operação.

Nos e-mails e manuscritos de Bianchi, aparecem menções a percentagens destinadas a nomes em código e abreviaturas. Segundo a PF, Wilson Carlos era identificado nas anotações como “Secret. Gov Wilson”, “Secret. Wil”, “Secret. C.C. Wilson”, “Wilson” e “Wils”. Bianchi costumava usar nomes de animais para se referir a alguns destinatários do dinheiro. Miranda, o ex-sócio de Cabral, aparece uma vez como “Carlos Miranda” e outras três vezes, segundo a PF, como “avestruz”.

As anotações referentes aos dois sempre vinham relacionadas à “dívida do Metrô RJ” e a um valor em reais, seguido de um cálculo de 5% desse valor. Os 5% aparecem com um código. Por exemplo: “R$ 3,35 milhões, 5% – R$ 167.500 – Secret.Gov.Wilson”. De acordo com a PF, esses 5% eram o quinhão devido a Wilson Carlos ou a Carlos Miranda. Na época da apreensão, a PF desconhecia o acordo para o pagamento da dívida do metrô, apesar de ele ter sido publicado no Diário Oficial. Por isso, não pôde estabelecer no inquérito uma relação entre essas anotações e os pagamentos feitos pela Opportrans à Camargo Corrêa.”

>> Veja aqui a íntegra da reportagem

A assessoria de imprensa da Camargo Corrêa, afirmou que o acordo triangular com o Estado e o Metrô Rio “foi homologado pela Justiça”.

Já o governo do Rio afirmou que o secretário Wilson Carlos “jamais recebeu dinheiro desse ou de qualquer outro acordo que envolva o Estado e nunca teve conta no exterior”. Além disso, disse que Carlos Miranda foi sócio de Cabral “em uma empresa que deixou de operar há mais de sete anos e já foi extinta”.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/03/01/aliados-do-governador-sergio-cabral-teriam-recebido-propina-diz-revista/