Cheia do Paraíba do Sul de 2022: por que o dilema “abrir” ou “fechar” comportas é falso?

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Cheia de 2022 do Rio Paraíba do Sul expõe situação de completo abandono do sistema de diques e canais no Norte Fluminense
A enorme cheia de 2022 do Rio Paraíba do Sul está levantando um debate até interessante sobre o papel que o sistema de comportas criado pelo antigo DNOS para regular a direção e a intensidade do fluxo da água na Baixada Campista (no tocante a isso sugiro a leitura da obra de Arthur Soffiati “As lagoas do Norte Fluminense: contribuição à história de uma luta” de 2013). É que diante da urgência da situação houve quem sugerisse a abertura das comportas para baixar um pouco o nível do Paraíba do Sul, apenas para se ouvir a palavra de “especialistas” no sentido de que tal ação acabaria causando inundações em determinados bairros.
Eu não vou entrar nesse dilema, pois o acho falso e explico a razão. É que há décadas esse complexo sistema de comportas está em sua maioria relegado ao completo abandono. Por isso, tenho dúvidas sobre se seria possível abrir e fechar as comportas da forma organizada, de modo a contribuir para diminuir o problema, e não aumentá-lo.
Assim, de que vale a visita do governador acidental Cláudio Castro e sua teatral entrada nas águas vazando do Rio Paraíba do Sul para prometer minguados R$ 20 milhões para o Instituto Estadual do Ambiental (Inea) minimizar os impactos do rompimento do dique de São Bento em São João da Barra. Como bem falou a prefeita de São João da Barra, Carla Machado, “são 25 km de malha de canais e diques sem conservação há décadas“, acrescentando que existem outros diques que estão sob risco de romper. O interessante é que estando como prefeita por mais de 3 gestões, a própria Carla Machado não tenha desenvolvido um projeto que garantisse uma gestão mais moderno dessa mesma malha de canais e diques. E olhe que, ao contrário de Campos dos Goytacazes, São João da Barra possui uma secretaria municipal de meio ambiente.

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Cheia de 2022 do Rio Paraíba ameaça a região central da cidade de Campos dos Goytacazes
A questão é que a fatura do abandono do vasto complexo sistema de diques e canais que foram construídos na baixada campista chegou mais claramente na cheia de 2022, mostrando a fragilidade não apenas de áreas rurais frente a eventos meteorológicos extremos, mas também as áreas urbanas de Campos dos Goytacazes e São João da Barra. Assim, se me permitem os prefeitos Wladimir Garotinho e Carla Machado, sugiro que parem de esperar por soluções providenciadas pelo sobrenatural e comecem a investir e demandar investimentos na modernização do sistema de comportas, de forma a permitir que as futuras cheias (e elas virão cada vez mais frequentemente) sejam enfrentadas de forma organizada.
Ah sim, não custa lembrar que um dos primeiros atos do prefeito Wladimir Garotinho foi extinguir a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), reforçando o que a dissertação do mestre em Políticas Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), André Moraes Barcellos Martins Vasconcellos, já havia diagnosticado de forma precisa, qual seja, o desprezo pela pauta ambiental no plano de governo do jovem alcaide campista. O que se espera, pelo menos eu espero, é que diante da gravidade do cenário, Wladimir reveja sua postura equivocada e recrie a Sema, e com o orçamento necessário para que se proceda a um amplo diagnóstico dos problemas existentes no sistema de diques e canais do município. Mas se desprezar essa humilde sugestão, que depois não vai adiantar pedir pela intervenção divina.

Brasil recebe curso avançado sobre mudanças climáticas no início de 2022

betimEm tempos de mudanças climáticas: depois da Bahia, o estado de Minas Gerais está com centenas de cidades sofrendo com inundações no início de 2022

As cenas de destruição causadas pelas chuvas em diferentes regiões do Brasil podem ser entendidas como uma espécie de curso avançado sobre os efeitos devastadores que irão acompanhar o processo de mudanças climáticas. No nosso caso, o que se vê é uma combinação nefasta de vetores dentro de uma sociedade profundamente desigual, o que gera um componente específico desse curso que é a exposição dos segmentos mais pobres aos piores impactos das chuvas torrenciais, visto que a maioria vive em áreas ecologicamente frágeis que são normalmente relegadas para a ocupação dos que não podem pagar por terrenos em áreas selecionadas pelos incorporadores imobiliários para serem habitadas pelos ricos.

No estado de Minas Gerais, talvez mais do que na Bahia, o atual ciclo de chuvas extremas cria uma módulo especial desse curso, já que há o potencial para a ocorrência de graves incidentes ambientais em função da presença de centenas de barragens de mineração que já se encontram em condição precária em função da opção das mineradoras de priorizar o lucro sobre a segurança das cidades que rodeiam seus empreendimentos minerários.  Aliás, mesmo que as barragens em piores condições suportem o atual ciclo de chuvas, a condição de bombas relógio permanecerá. Como da parte das mineradoras não há qualquer disposição para tratar a situação de risco de suas barragens de forma séria, e em Minas Gerais o aparelho de estado não mostra qualquer disposição para obrigar um comportamento diferentes por parte das empresas. A combinação do descaso de mineradoras e do estado com a ocorrência de novos ciclos de chuvas extremas é uma receita para graves problemas sociais e ambientais.

Um fato que salta aos olhos é que enquanto a ciência brasileira já produziu incontáveis estudos sobre o impacto das mudanças climáticas sobre o comportamento de eventos meteorológicos, o estado brasileiro não tem agido para estabelecer propostas concretas de mitigação para o quadro climático que está posto.  E não falo apenas do governo federal comandado pelo negacionista Jair Bolsonaro e seu dublê de ministro da ciência e astronauta aposentado, Marcos Pontes. No caso do despreparo para enfrentar as mudanças climáticas a situação atinge todos os níveis de governo, incluindo estados e municípios. Nesse caso temos uma espécie de módulo avançado sobre os efeitos políticos e econômicos do negacionismo científico por parte dos governantes cujos compromissos reais estão com os donos do capital ou, ainda, com a sua prosperidade privada.

Mas como escapar desse cenário tão pessimista e com tintas apocalípticas? A saída é ampliar a organização política, especialmente entre os mais pobres. Do contrário, o que teremos de prática será uma sucessão de tragédias que geram situações momentâneas de alarde que são imediatamente sucedida por um modus operandi caracterizado pelo “business as usual” coletivo, onde todos fingem que a vida pode ter um ritmo que possa ser chamado de normal.

Um elemento final deste texto se destina aos leitores que moram no município de Campos dos Goytacazes que hoje acordam esperando pelo quase inevitável transbordamento do Rio Paraíba do Sul. A questão aqui é sobre o papel dos rios como integradores de processos que ocorrem ao longo da sua bacia, incluindo a chegada de água na sua calha.  Como a cidade está posicionada no final do percurso do maior rio da região sudeste do Brasil (e que ainda tem próximo a Campos dos Goytacazes o acréscimo das águas do rio Muriaé), um fato inescapável é que estejamos sobre o impacto direto das grandes chuvas que ocorrem em pontos relativamente distantes dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Esse é um fato mais do que conhecido, mas que continua sendo ignorado por seguidas administrações municipais que há décadas, apesar dos bilhões aportados pelos royalties do petróleo, que optaram por não fazer qualquer tipo de reparo, e menos ainda obras de reforço estrutural, nos diques que protegem a malha urbana campista. 

No caso da atual administração municipal, ainda tivemos a extinção da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, fato esse que demonstra a baixa prioridade que os problemas ambientais ocorrendo no Paraíba do Sul tem para o governo de Wladimir Garotinho (que hoje postou uma “selfie” no cais da Lapa para demonstrar uma preocupação tardia com algo que deveria ter prioridade máxima e efetivamente não tem). Aliás, em vez de postar selfies na beira do Rio Paraíba que ameaça transbordar, sugiro ao prefeito de Campos dos Goytacazes a leitura da dissertação do mestre em Políticas Sociais, André Moraes Barcellos Martins Vasconcellos, cujo título é “O Desafio da Gestão Urbana em Campos Dos Goytacazes no Contexto das Mudanças Climáticas: Entre a Construção da Resiliência e a Persistência de Fórmulas Tradicionais de Governar. Quem sabe assim tenhamos uma mudança de direção nas prioridades do governo.

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O prefeito Wladimir Garotinho extinguiu a secretaria municipal de Meio Ambiente, e agora posa na beira do Rio Paraíba do Sul que ameaça transbordar e inundar partes da cidade de Campos dos Goytacazes

Finalmente, a minha expectativa é que, pelo menos no âmbito dos leitores deste blog, a questão da urgência de uma mudança de atitude coletiva sobre o fenômeno das mudanças climáticas ganhe prioridade. As chuvas que hoje causam destruição em uma escala que é apenas preâmbulo do que poderá vir se nada for feito para nos preparar para realizar as mudanças necessárias. O fato, meus caros, é que as mudanças climáticas são reais e estamos vendo a ponta de um longo e gigantesco iceberg.

Wladimir Garotinho, mais um político vestindo “as cores” do Porto do Açu

De tempos em tempos, algum político da região Norte Fluminense (ou até fora dela) é atraído pela atual controladora do Porto do Açu, a Prumo Logística Global, a dar um passeio no interior do empreendimento, convenientemente uniformizado com colete e capacete. O mais recente foi o prefeito do município de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho (ver imagens abaixo pelo fotógrafo César Ferreira) que recebeu dar o ar da graça no Porto do Açu, supostamente em troca de parcerias com os controladores do empreendimento.

Segundo informado pelo fotógrafo César Ferreira em sua página na rede Linkedin, Wladimir Garotinho teria aproveitado a visita para apresentar “projetos da Prefeitura ao CEO do Porto do Açu Operações, José Firmo (Jose Firmo) ao diretor de Administração Portuária, Vinícius Patel (Vinicius Patel) ; e ao gerente de Relações Institucionais, Caio Cunha ( Caio Cunha ); em busca de novas parcerias. Entre os projetos, o da criação de um Centro de Queimados no Hospital Ferreira Machado (HFM), para o qual a empresa já vem prestando apoio, e da Rota Litorânea, que prevê melhorias para a estrutura rodoviária da região.”

Se eu bem me lembro, antes de alçar voos na política, Wladimir Garotinho atuou empresarialmente no interior do Porto do Açu na área de revenda de quentinhas para os trabalhadores envolvidos na construção do empreendimento.  Assim, se a minha memória não estiver falhando, o certo é que o jovem prefeito campista já sabe que (usando uma citação bíblica que cai bem aos modos da atual gestão municipal) é “mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha” (Mateus 19:24)”,  do que o Porto do Açu investir em parcerias em que tenham que desembolsar um mísero centavo na melhoria das áreas fora do seu enclave portuário. Aliás, se fosse para investir que fosse na mudança na rota dos mega caminhões que hoje atravessam áreas residências campistas como se estivessem em uma pista de alta velocidade!

Por último, eu só lembraria ao prefeito de Campos dos Goytacazes que a maioria dos políticos que passaram pelo Porto do Açu e vestiram colete e capacete acabaram vendo suas carreiras afundarem. Assim, melhor seria se depois dessa visita, Wladimir encomendasse uma boa reza e uma sessão de descarrego. Afinal, é melhor prevenir do que remediar.

Wladimir Garotinho brinca de roleta russa com a COVID-19. Toma a música DJ que os donos das funerárias agradecem!

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O Decreto Municipal No. 372 de 13 de outubro de 2021 que liberou a realização de eventos de massa para até 2.000 pessoas é um dos muitos exemplos de como a ciência e o conhecimento científico já gerado acerca das formas de difusão do SARS-COV-2 estão sendo ignorados solenemente pela administração do prefeito Wladimir Garotinho.  É que esta passaporte para a contaminação em massa pelo novo coronavírus passa ao largo de qualquer preocupação real com a saúde pública municipal, ainda que o referido instrumento legal traga as costumeiras menções a medidas de controle sanitário que são literalmente para inglês ver.

Tendo visto uma matéria televisiva onde o meu colega da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o pesquisador e imunologista Milton Kanashiro,  afirmou que esta flexibilização não está levando em conta os dados do comportamento da pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes, eu fico apenas imaginando qual será a explicação que será dado caso a espiral de casos venha a assumir as piores proporções. O mais provável é que os culpados sejam os frequentadores dos eventos e seus organizadores, pois está evidente que o governo municipal está desde já lavando as mãos com uma situação que não tem de tranquila, a começar pelo total da população adulta que já completou o ciclo vacinal (ver figura abaixo os dados de vacinados com segunda dose!).

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Mas esperar o quê de um governo que está claramente alinhado com o negacionismo científico instalado no governo federal? Nada de muito diferente do que está se vendo. Em função disso, é certo que o setor do empresariado campista que vai continuar “bombando” é o dos donos de agências funerárias. Toca a música DJ!

 

Nos 100 anos de Paulo Freire, Wladimir Garotinho lança programa de aprendizagem que não pagará salários

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Como a maioria dos leitores deste blog já deve ter lido, o último domingo marcou o centenário do nascimento do educador Paulo Freire, que tinha entre um dos seus motes preferidos a assertiva de que o ato de educar é essencialmente um ato político.   Eis que no centenário de Paulo Freire, a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes acaba de lançar umedital processo seletivo simplificadopara pessoas interessadas em atuarem como “assistentes de alfabetização” na rede pública municipal de Campos dos Goytacazes (ver imagem abaixo).

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O problema é que a leitura do edital referente a esse processo revela imediatamente qual é a natureza desse processo de contratação: primeiro ele é precário, pois garante a atuação profissional por apenas 8 meses. Mas o segundo elemento é que revela algo ainda mais aviltante: os que tiverem a sorte (ou seria azar?) de serem selecionados, não receberão salários, mas ajudas de custos que deverão variar de R$ 150 a R$ 300 mensais, dependendo do tipo de escola em que o “contratado” for alocado.

Outro detalhe igualmente revelador é o fato de que os recursos para custear as ajudas de custos serão fornecidos não pelos cofres municipais, mas com recursos entregues pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Em outras palavras, a Prefeitura de Campos dos Goytacazes está criando posições precárias para as quais não prevê dispêndios próprios. O problema é que se houver algum atraso na entrega dos recursos pelo governo federal, os “sortudos” terão que ir cumprir uma miríade de funções pedagógicas pagando para ir trabalhar e se alimentar.

Assim, não deixa de ser irônico notar que o lema da atual gestão da Secretaria Municipal de Educação é de que “Educação ilumina vidas”.  Eu tenho cá comigo que ter vidas iluminada com trabalho gratuito não é bem (ou não deveria ser) a meta de quem se dispõe a cumprir o papel nobre de educar.

Finalmente, fico me perguntando sobre o que diria Paulo Freire se ainda estivesse entre nós e tomasse conhecimento deste edital.  Eu imagino que Freire diria aos educadores que não basta ensinar alguém a ler que ‘Eva viu a uva’, mas que seria preciso primeiro elevar a compreensão sobre qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho. E Freire certamente ainda conclamaria aos educadores precarizados para que procurassem saber quem lucrará com seu trabalho gratuito.

Wladimir Garotinho e a miragem da “faculdade pública” na Baixada Campista

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Li com um misto de curiosidade e incredulidade uma notícia bem documentada do site “Campos 24 horas na qual o prefeito Wladimir Garotinho e o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, o ilustre desconhecido “Doutor” Serginho (PSL), na qual é anunciada a criação de uma tal “faculdade pública” (na verdade um “Centro de Inovação Tecnológica”),  nas dependências  de uma fábrica de macarrão, que foi construída pela empresa Duvenêto Indústria de Alimentos Ltda com  recursos do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), e que fechou as portas deixando uma dívida de R$ 95 milhões para os cofres públicos municipais (ver vídeo abaixo).

Ainda que as intenções propaladas pelo prefeito de Campos dos Goytacazes façam sentido, alguém precisa informar a ele duas coisas básicas. A primeira é que asfixiada pelo administração estadual da qual o Dr. Serginho faz parte, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) mal consegue pagar suas contas com as obrigações que já tem, o que só não é mais grave porque boa parte dos custos com energia, água e internet foram internalizadas pelos servidores que estão trabalhando em casa.  Essa crise financeira ficará explícita em breve, pois a reitoria da Uenf está impondo uma volta ao trabalho presencial sem a garantia do oferecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) aos servidores e professores da instituição.

A segunda é que adiantar a participação da Uenf em uma empreitada obscura como a criação dessa “faculdade pública” sem consulta prévia é o caminho mais rápido para isso não dar em nada. É que a a reitoria da Uenf pode até aparecer em fotos promocionais com os tradicionais apertos de mão (o atual reitor, aliás, se mostrou um expert nesse tipo de ação promocional), mas vai ficar nisso mesmo, pois objetivamente quem decide se haverá participação são servidores que acumulam perdas salariais de quase 50% só nos últimos sete anos, e que estão para ter tolhidos uma série de direitos graças ao pacote de maldades enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALerj) pelo governo acidental Cláudio Castro. Daí que trabalhar mais sob essas condições só na base do chicote. Como o governo Bolsonaro, do qual a família Garotinho é aliada, ainda não conseguiu abolir a Lei Áurea, eu diria que anunciar a participação da Uenf dá alguma legitimidade ao anúncio, mas não garantirá absolutamente nada.

Há que se dizer que a necessidade de se oferecer formação profissional para jovens campistas, especialmente os que vivem na Baixada Campista, é fundamental para melhorar a situação dos quase 190 mil campistas que vivem em condições de pobreza ou extrema pobreza, segundo dados do governo federal. Mas não será oferecendo miragens que isso será feito. E da forma que está posto, esse anúncio de uma “faculdade pública” não passa disso, uma miragem que a realidade irá rapidamente desmanchar.

Finalmente, uma dica positiva para o prefeito Wladimir Garotinho. A Uenf,  após razoável negociação na Alerj, assimilou em 2019 a Escola Técnica Estadual Agrícola Antônio Sarlo (ETEAAS), instituição de trajetória fundamental na cidade de Campos dos Goytacazes. Entretanto, a prometida parceria com a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes nunca saiu do papel, o que já era esperado já que o ex-prefeito Rafael Diniz não era muito amigo da educação pública.  A dica é a seguinte: que tal apoiar o projeto de recuperação da Antonio Sarlo? Seria bem menos miragem e mais realidade ancorada na história da educação campista.

Enquanto 35 municípios fecham escolas por piora na pandemia, governador Cláudio Castro aglomera em Campos dos Goytacazes

claudio castro 1(In) devidamente sem máscara, o governador Cláudio Castro (PSC) faz pose de congraçamento com o prefeito Wladimir Garotinho em reunião política realizada na sede da Cãmara de Dirigentes Lojistas (CDL) em Campos dos Goytacazes. Fonte: página do prefeito Wladimir Garotinho no Facebook

O Brasil e o Rio de Janeiro não são mesmo para principiantes. É que hoje o jornal “O Globo” informou que, por causa da piora nos níveis de contaminação do coronavírus, 35 municípios fluminenses , a começar pela capital, o governo estadual suspendeu aulas presenciais para evitar a piora da situação.

Quem lê uma notícia dessas  imagina que diante dessa situação, o governador “por acaso” Cláudio Castro (PSC) estaria no Palácio Guanabara realizando uma reunião de seu gabinete de crise para examinar de perto a situação, visto a chegada com força no território fluminense da temível variante Delta. 

Mas imaginou isso, se enganou. E que neste 06 de agosto, Cláudio Castro estava em uma espécie de “grand tour”  na cidade de Campos dos Goytacazes, onde promoveu aglomerações e ainda teve tempo para animadas selfies com os participantes dos diferentes eventos em que esteve (ver imagem abaixo).

claudio castro posandoAo lado do prefeito Wladimir Garotinho  (PSD), o governador do Rio de Janeiro posa para animada selfie em uma das muitas aglomerações em que causou em seu “grand tour” na região Norte Fluminense. Fonte: página do prefeito Wladimir Garotinho no Facebook

O problema é que se olharmos a lista de 35 municípios com aulas presenciais suspensas por causa da piora da pandemia da COVID-19, vamos identificar vários municípios do Norte Fluminense. Este fato reforça a incoerência que é ter um governador causando aglomerações em inaugurações e encontros políticos. 

E que ninguém se surpreenda se o Rio de Janeiro voltar a se colocar em uma situação crítica por causa da capacidade alta de contágio que a variante Delta possui. É que aqueles que deveriam mostrar o devido cuidado com a catástrofe sanitária em que nos encontramos, como cobrar posturas responsáveis do cidadão comum?

Prefeito Wladimir anuncia reforma de posto de saúde em área urbana, mas unidades rurais continuam fechadas

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O Prefeito Wladimir Garotinho (PSD) efusivamente postou informação em sua página pessoal da rede social Facebook, de que brevemente será feita a reabertura do Posto de Saúde Jamil Ábido, localizado no bairro da Pecuária.  Essa com certeza é uma boa notícia, e espero que por dentro das paredes caiadas e reluzentes estejam profissionais concursados e estoques de remédios que possam servir aos segmentos mais pobre da nossa população.

Por outro lado, alguém precisa informar ao prefeito Wladimir que as unidades de saúde localizadas em áreas rurais estão precisando do mesmo bom tratamento,  sendo que muitas se encontram completamente abandonadas e fechadas. Um exemplo é a localizada no Núcleo IV do Assentamento Zumbi dos Palmares que se encontra fechada desde o governo anterior, e que hoje só tem mesmo mato crescendo no seu entorno.  Cabe lembrar que a referida unidade atendia assentados de todo o assentamento Zumbi dos Palmares, e não apenas das famílias de agricultores que vivem na agrovila do Núcleo V localizada na localidade de Campelo.

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Como já vivenciei tempos em que a unidade de saúde de Campelo estava aberta e bem cuidada, presenciando ali a oferta de um atendimento básico, mas de alta importância para as famílias assentadas, creio que o Prefeito Wladimir poderia estender seus esforços de recuperação para lá. Afinal, quem conhece o Zumbi dos Palmares sabe que ali se produzi muito alimento, e nada mais justo que os agricultores assentados recebem um tratamento de saúde minimamente digno, o que não é a situação atual.

Vamos lá Prefeito Wladimir, recupere a unidade de saúde de Campelo!

Em plena expansão da variante Delta, crianças campistas serão enviadas para “covidários” presenciais

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Em plena disseminação da perigosíssima variante “Delta” no Brasil, eis que como pai estou sendo praticamente forçado a recolocar o meu filho em aulas presenciais que estão sendo impostas pela rede particular de ensino de Campos dos Goytacazes, sob os auspícios da gestão do prefeito Wladimir Garotinho (PSD).

Essa predisposição de jogar roleta russa com a saúde de de milhares de crianças vem acompanhada de um “termo de responsabilidade” que coloca sob os pais toda a carga em caso de algum filho adoecer com COVID-19.  Esse termo de responsabilidade recaindo sobre as costas dos pais é um atestado de incapacidade das escolas cujos proprietários sabem que não têm como garantir a perfeita higienização dos ambientes escolares ou, tampouco, impedir que crianças sejam crianças e passem a ter a interação física que as faz crianças.

O interessante é que a maioria das  escolas certamente está reinserindo os seus estudantes/clientes dentro das escolas sem que os profissionais de educação estejam pelo menos com a primeira dose da vacina.  Essa seria uma obrigação mínima para a retomada da presença das crianças nas escolas, mas nem isso a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes  cuidou de colocar como obrigação dos proprietários como condição para a retomada das aulas presenciais. E friso novamente: em plena disseminação da variante Delta!

A consequência disso que narrei é que as crianças campistas não estão sendo retornadas para escolas, mas para covidários.  Quero apenas ver como ficarão os proprietários e os gestores públicos que estão permitindo que isso venha a ocorrer quando os primeiros surtos ocorrerem.  Adianto que de minha parte não haverá sossego para os que estão operando essa transformação.

E eu pergunto para que está se fazendo isso? Pela preocupação com a aprendizagem das crianças ou para a retomada das receitas geradas quando as crianças estão presencialmente nas escolas (agora transformadas em covidários)?

Campos dos Goytacazes entra em uma incrível “Fase verde” com 1.400 mortos por COVID-19

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Com o município de Campos dos Goytacazes contabilizando 1.400 mortes oficiais por COVID-19, o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) anunciou que entramos na chamada “Fase Verde” do chamado “Plano de Retomada das Atividades Econômicas e Sociais”. As razões para isso seria, entre outras coisas, o fato de que o município chegou a 160 mil pessoas vacinadas com a primeira dose, o que significa 31% da população, e segunda dose com quase 70 mil vacinados”, ou o equivalente a 14% da população.

Quem se pergunta sobre qual seria o limiar de segurança para uma abertura mínima de atividades comerciais não essenciais, tenho a dizer que 14% de imunização total é um valor irrisório em face da presença de variantes altamente contagiosas como a “Delta” que surgiu inicialmente na Índia, mas que já está instalada por aqui.

Em outras palavras, permitir a abertura quase total de atividades não essenciais é irresponsável do ponto de vista do controle da pandemia, pois o que deveria estar vigindo por aqui é a Fase Vermelha, dada o andamento em ritmo de tartaruga de pata quebrada do processo de vacinação. Para quem ainda não sabe, no dia de hoje estão vacinadas mulheres na idade 49 anos, o que indica a lerdeza em que a vacinação está ocorrendo.

Eu só posso concluir que o prefeito Wladimir Garotinho está tentando uma forma de “make up kisss” com o tal setor produtivo que se levantou contra ele por causa da derrama fiscal que ele pretendia aprofundar, seguindo aí sim os passos lépidos de Rafael Diniz.

A informação que eu disponho é que no interior do município os casos de COVID-19 estão em fase explosiva, com famílias inteiras sendo gravemente contaminadas. Eu mesmo tive hoje a triste informação de que perdi mais um conhecido por causa da COVID-19. Mas como ele era um trabalhador pobre, a sua morte não deve ter sido incluída nos cálculos políticos que nos colocaram na “Fase Verde”.

O curioso é que na manhã desta 3a. feira (22/06), a agência do Banco Santander localizado no Boulevard Francisco de Paula Carneiro amanheceu fechada, sem qualquer surpresa para mim, porque um surto de COVID-19 se instalou entre os bancários que ali trabalham (ver imagem abaixo).

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