Campos dos Goytacazes: a COVID-19 se espalha como fogo em canavial seco, mas nem parece

 

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Eu venho tentando me abster de oferecer maiores opiniões sobre o cenário municipal, pois tenho preferido me concentrar em questões mais gerais, com a qual prefiro me concentrar. Mas talvez provocado por duas instigantes no blog agora batizado de “Peido News“, impulsionado pelo sempre inquieto Douglas da Mata, resolvi abrir uma exceção e abordar o que os números da COVID-19 mostram para Campos dos Goytacazes, em que pese a retomada quase absoluta da “normalidade” do comércio local.

Comecemos pelo gráfico disponibilizado ontem pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes em sua página oficial na rede social Facebook:

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Os números não deixam que não queira ser, seja enganado. Chegamos ao absurdo número de  1.044 óbitos confirmados, o que representa 0,2 da população campista, um pouco acima do valor de 0,18 que abarca o total de mortos em relação à população brasileira.  Pensar que uma doença que poderia ter sido relativamente controlada se houve vacinação no tempo correto esteja causando este estrago deveria revirar os estômagos e as mentes de todos nós. Mas outro número é igualmente avassalador, a taxa de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que é de astronômicos 96,5%.  Esse número só não é maior porque a taxa de mortos está alta, criando uma situação em que os pacientes dão baixa, em vez de receber alta.

Para complicar ainda mais a situação, a campanha de vacinação contra a COVID-19 caminha a passos de uma tartaruga que teve suas quatro patas quebradas, fato que amplia não apenas a chance de termos ainda mais pessoas infectadas, como também o surgimento de variantes ainda mais contagiosas e letais do que aquelas que já estão circulando na cidade. Em cima dessa lentidão, ainda temos a continuação de filas que favorecem ainda mais a ocorrência de casos de transmissão do Sars-Cov-2.

Enquanto isso, quem circula pelas ruas dos dois centros que a cidade possui atualmente (Hiistórico e Pelinca) vai ter que se beliscar para ter certeza que não está vivendo uma cena do filme “Matrix”, pois em Campos dos Goytacazes parece não haver mais necessidade de se impor medidas restritivas para conter o avanço da pandemia. Para alegria dos necrocomerciantes que não se importam sequer com o aumento de mortes entre suas próprias fileiras, tudo em nome do nada santo direito de levantar as portas para deixar lojas às moscas.

E o prefeito Wladimir Garotinho nessa barafunda toda? Parece mais um personagem de um daqueles épicos que destacam a desnecessidade de alguém, seja o famoso “A volta dos que não foram” ou “Apertem os cintos que o piloto sumiu”.  No caso de mais um jovem prefeito que parece não saber o rumo a tomar enquanto o navio afunda, não tenho como deixar de ser acometido pelos sentimentos de tristeza e desolação. Mas vá lá, pelo menos o comércio segue aberto, em que pese o fato de que o vento sopra forte no canavial em chamas…..

100 dias de governo Wladimir Garotinho: um pequeno museu de velhas novidades

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Wladimir Garotinho, cercado pela população, no momento da vitória eleitoral em 2020

Antes de iniciar minha análise dos primeiros 100 dias do governo liderado por Wladimir Garotinho (PSD) em Campos dos Goytacazes, quero recomendar aos leitores do blog que leiam a que foi feita pelo Douglas da Matta no “Diário da Pandemia” dois dias atrás.  É que sendo o Douglas uma das mentes mais astutas e argutas a observar a nossa realidade provinciana, a leitura do texto A volta na planície em 98 dias é obrigatória.

Há que se reconhecer que não se pode avaliar completamente um governo que deverá durar 1.400 dias, apenas pelo que se fez nas primeiras 100 rotações completas da Terra em torno do nosso sol, mas isso não impede que tenhamos pistas do que ainda virá. E até aqui, não temo em dizer que estamos presenciando a execução de uma pequeno museu de velhas novidades.  Pode-se até minimizar a falta de inovação em função da persistência da pandemia da COVID-19, mas não há minimização que explique algumas situações que estão se pondo diante dos olhos de quem quer enxergar.

O Restaurante Popular continua fechado e a fome continua correndo solta nas ruas da cidade

Uma das promessas que eu considero mais simples de serem cumpridas seria a reabertura do Restaurante Popular Romilton Bárbara. Em uma corrida de cavalos, essa seria uma barbada.  É que além do custo financeiro ser baixo e o retorno social ser altíssimo, inexplicavelmente esse processo vem se arrastando como uma tartaruga que está com as quatro patas quebradas. Primeiro se arvorou uma parceria com o “parça” Bruno Dauaire que ocupa silenciosamente a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos que fez parecer que a reabertura seria coisa de dias. Depois veio um estranho programa de parceria com a iniciativa privada envolvendo a concessionária Águas do Paraíba e a rede de supermercados Super Bom.  Como o envolvimento da Águas do Paraíba só resulta em alguma coisa prática quando envolve o aumento dos já fabulosos lucros da empresa subsidiária do grupo “Águas do Brasil”, de prático só vi o anúncio da parceria.

Enquanto isso, a fome continua campeando as ruas de uma cidade que possui um dos maiores orçamentos públicos da América do Sul.

A ausência de uma política municipal de renda mínima, enquanto se nomeia centenas de cargos em comissão na prefeitura e na Câmara de Vereadores

Cidades com orçamentos tão ou mais comprometidos que os de Campos dos Goytacazes criaram, ainda que tímidos, programas de renda mínima. Na situação em que centenas de milhares de famílias desta cidade se encontram, o reestabelecimento de um programa de renda mínima teria tido um efeito energizador não apenas para quem poderia ter algo na mesa para comer, mas também porque dinamizaria o comércio local e geraria empregos que andam escassos neste momento, em um verdadeiro ciclo virtuoso.   Mas até agora, não houve sequer a sinalização de que se pretende fazer isso.

Por outro lado, um observador astuto do Diário Oficial do Município, me informou que nestes primeiros 100 dias de governo a gestão de Wladimir Garotinho realizou 960 nomeações em cargos de confiança, enquanto a Câmara de Vereadores teria feito outras 168. O custo conjunto dessas nomeações? A bagatela de R$ 50 milhões por ano, deixando óbvia a questão de que um programa de renda mínima iria custar menos do que isso.

A desastrosa opção de se majorar o pagamento do IPTU e de outros impostos municipais

Uma das facetas do governo do ex-prefeito Rafael Diniz foi realizar uma pequena derrama fiscal, principalmente no chamado Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e na famigerada Taxa de Iluminação, acrescentando-se aí os generosos aumentos nas contas de água e esgoto.  Ao assumir a prefeitura, o que fez Wladimir Garotinho? Não só manteve as maldades do governo anterior, mas também diminuiu o desconto para aqueles que decidissem pagar de uma só vez o IPTU, implicando na prática em um aumento no valor do imposto. 

Com isso, o que temos notícia é que a arrecadação inicial com o pagamento do IPTU ficou aquém do esperado, para surpresa dos “jênios” que decidiram por essa opção de oneração dos contribuintes municipais que já se encontram à beira da asfixia financeira por causa dos efeitos prolongados da pandemia da COVID-19.

A falta de uma política de recuperação das vias municipais

Outra faceta marcante do governo anterior foi o completo abandono das vias municipais que se transformam em um paraíso para os donos de oficina de automóveis e lojas de vendas de pneus. E o que fez o governo de Wladimir Garotinho nos seus primeiros 100 dias para reverter essa situação calamitosa.  Essa é fácil…. nada.  Com isso, a maioria das ruas na malha urbana principal estão transformadas em uma espécie de área de treinamento para o Rally Paris-Dacar.  

A mesma coisa pode ser dita para o sistema de sinalização que possui incontáveis semáforos operando, quando operam, em condições lamentáveis.

E mais uma vez, a ação para reparar essa situação não seria tão cara para a cidade, caso houvesse uma efetiva mordernização na forma de gerir os próprios municipais.

A insistência na aposta com a monocultura da cana de açúcar

Por relações umbilicais com o setor canavieiro, o governo Wladimir Garotinho embarcou, ainda que timidamente, em um suposto projeto de ressurreição que está sendo embalado pelos grandes proprietários rurais do município. É preciso que se tenha claro que não existe qualquer possibilidade de que os investimentos públicos ou privados para esse fim venham a ocorrer.  

E isso se dá por um motivo simples e inescapável: a fronteira do açúcar e do álcool se moveu para fora das regiões tradicionais e o que há de mais moderno e capitalizado no setor está no Centro Oeste e em São Paulo e Minas Gerais. Por que grupos monopolistas voltariam a se fixar no Norte Fluminense se estão se dando muito melhor em outras paragens? 

A única saída  viável para a agricultura em Campos dos Goytacazes está na produção de alimentos, e que ocorre de forma mais produtiva em pequenas propriedades, como aquelas geradas pela reforma agrária.

A hesitação frente às pressões para conter o avanço da pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes

Uma das áreas críticas em qualquer município brasileiro é o da gestão e controle da pandemia da COVID-19.  Nessa área, apesar de Campos dos Goytacazes estar chegando a 1.000 mortos oficiais (temos que levar em conta a subnotificação que está objetivamente ocorrendo) com um ritmo de infecção que ultrapassa os 100 casos diárias. o que faz com o estoque de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estejam em 100% de ocupação.

Mas até aqui não apenas os esforços de educar a população são praticamente inexistentes, mas como se mostra uma incrível hesitação em se impor medidas restritivas mais fortes. E mesmo diante dentro cenário, ainda se conjectura fragilizar um sistema já raquítico de controle de circulação de pessoas porque um punhado de necrocormerciantes se pôs a protestar. Se essa fragilização se confirmar, o que teremos, com certeza, será a prosperidade de um único setor do comércio, o das funerárias.

O pequeno museu de velhas novidades

Por todas essas questões que selecionei para abordar é que não há como deixar de apontar que nos primeiros 100 dias dp governo de Wladimir Garotinho, o que temos é um pequeno museu de velhas novidades. E pior velhas novidades deixadas por um governo anterior que foi fragorosamente derrotado nas urnas. 

Há que se reconhecer que, diferente de Rafael Diniz, Wladimir Garotinho tem se colocado a cara na rua e ido até onde as coisas estão acontecendo.  Além disso, salvo alguns momentos de contrariedade, Wladimir tem tido uma postura de “fair play” com os críticos. Mas isso não o desobriga de procurar formas ágeis de resolver problemas que custariam pouco enquanto criaram uma dinâmica positiva na população, fator esse que será fundamental para qualquer esforço de retomada na ainda distante pós-pandemia.

Agora, se continuar insistindo em velhas estratégias de acomodação com grupos que sempre se beneficiaram da máquina pública, o mais provável é que Wladimir fique preso em uma teia mortal que sufocará suas chances de ser o gestor moderno que ele anuncia querer ser.

Com 900 mortos pela COVID-19, necrocomerciantes pressionam pela reabertura do comércio em Campos dos Goytacazes

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Em meio ao recrudescimento dos casos de COVID-19,  a Prefeitura de Campos dos Goytacazes e o Ministério Público Estadual agiram para adotar formas mínimas de restrição da circulação de pessoas na cidade, especialmente na região do centro histórico. Essas medidas, ainda que tímidas em função do aprofundamento do colapso hospitalar, resultou na ida às ruas de representantes de sindicatos e associações patronais da área do comércio que pressionam pelo fim imediato desse esforço tímido de contenção da pandemia.

Essa ação dos que eu caracterizo de “necrocomerciantes” (em homanagem ao filosófo camaronês Achilles Mbembe que cunho o termo “necropolítica”) reflete as mesmas ações emanadas de dentro do governo Bolsonaro que procuram intimidar governadores e prefeitos que tentam ensejar medidas que visam conter a expansão da pandemia e, portanto, do número de mortos.

Para justificar sua aliança com o Sars-Cov-2, os representantes desse setor exibem números de empregos que deverão ser destruídos caso as ações restritivas não sejam suspensas. Como sempre os números relativos a empregos são fabulosos e grandiloquentes, mas dificilmente expressam a verdade. É que todos sabemos que a crise do comércio campista, especialmente no seu centro histórico, é algo que antecede a pandemia da COVID-19, e que, frise-se, não se encerrará quando o Sars-Cov-2 finalmente for domado.

Quem conhece minimamente a situação do comércio local sabe que a concorrência de grandes empresas de atacado que chegaram ao município nos últimos anos, e o comércio via sites da internet estão na raiz da crise agônica que o comércio local enfrenta. Desta forma, a insistência em permanecer abertos em meio ao colapso hospitalar em curso na cidade de Campos dos Goytacazes é mais ideológica do que lógica, visto que as lojas reabertas continuarão literalmente às moscas, pois quem ainda pode comprar alguma coisa vai sempre usar formas que minimizem a exposição ao um vírus que está se mostrando cada vez mais letal.

O prefeito Wladimir Garotinho precisa lembrar que a imensa maioria dos votos que o elegeram não vieram dos necrocomerciantes, mas sim daqueles que compõe a maioria dos infectados e dos mortos. São os segmentos mais pobres não apenas que garantiram a eleição de Wladimir, mas também aqueles que estão passando por enormes dificuldades financeiras e sofrendo o maior peso da pandemia. Assim, até para ser justo com seus eleitores, o prefeito deveria se ocupar mais da execução de medidas que ampliem a cobertura social aos mais pobres e se concentrar nos esforços para acelerar o processo de vacinação contra a COVID-19. Simples assim!

Prefeito Wladimir, um lockdown “bem meia boca” não resolverá o problema

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Em face do avanço desenfreado dos casos de COVID-19 no município de Campos dos Goytacazes, o prefeito Wladimir Garotinho promulgou o Decreto 090/2021, onde notadamente está ausente qualquer menção à palavra “lockdown” ou palavra equivalente na língua portuguesa. As razões para isso aparentemente são múltiplas, indo desde a preocupação com os comerciantes locais até algum tipo de estranhamento com o governador em exercício do estado do Rio de Janeiro, o Sr. Cláudio Castro, e seu padrinho político, o senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ).

Mas ao ler o conteúdo do Decreto Municipal 090/2021 acabei concordando que a ausência do termo “lockdown” é até coerente, pois o que está expresso nos 12 artigos em que o mesmo se compõe não chega nem perto de ser o tipo de isolamento social que a situação requer.  Há até a incrível autorização para a continuação das reuniões em templos religiosos, ainda que restritos a 30% da frequência possível, o que, convenhamos, dificilmente vai ser monitorado.

O problema é que com a manutenção dos cultos religiosos, outros setores que estão mais atingidos pelo Decreto 090/2021 vão se sentir propensos a ignorá-lo, mesmo que funcionem com portas baixadas, já que sabem que quem baixa uma legislação como essa, dificilmente vai se colocar em campo para fazê-la cumprir. É aquela coisa do “me engana que eu gosto”.

A tragédia disso tudo é que sem um lockdown real que estabeleça medidas realmente duras para controlar o movimento de pessoas, a COVID-19 continuará seu passo mortal em nossa cidade. Se o prefeito Wladimir Garotinho estivesse mesmo afim de controlar o avanço da pandemia, o exemplo que seguiria seria o do prefeito de Araraquara, Edinho Silva, que adotou regras estritas de confinamento social e, com isso, conseguiu zerar a fila de espera para pacientes em sua cidade.

O momento que estamos atravessando requer medidas corajosas e que coloquem a saúde da população acima de todos os outros interesses, a começar os do “necrocomerciantes” que acham que são empresários, mas que não passam de empregados que exploram outros empregados.

A hora em que estamos metidos, muito em parte por causa da sabotagem contra as medidas de confinamento social lideradas pelo presidente Jair Bolsonaro, não tolera “lockdowns bem meia boca”.  O que precisamos, e não estamos tendo, é que realmente somente as atividades essenciais sejam autorizadas, e em horários muito mais restritos do que estão sendo permitidos por meio do Decreto 090/2021.

Bamburrando com água: gasto da Prefeitura de Campos aumenta em 40%, mesmo em período de pandemia

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Se há algo que não causa espanto é a capacidade aparentemente miraculosa da empresa “Águas do Paraíba” de continuar navegando em mar de almirante, enquanto a maioria de nós pega mar revolto.  Mas a matéria abaixo publicada pelo site jornalístico local, o ClickCampos, me faz pensar que sempre há lugar para novidade.

É que como os leitores do Blog do Pedlowski, em plena pandemia e com a maioria das repartições públicas sendo ocupadas por um número restrito de servidores, a conta da água da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes deu um salto de 40%,, muito acima dos7,14% concedidos pelo ex-prefeito Rafael Diniz e mantidos pelo atual, Wladimir Garotinho.

Como diz a nota do “ClickCampos”, desse jeito a Águas do Paraíba, usando a linguagem dos garimpeiros, vai “bamburrar” , mas não será por acaso, mas sim pela contínua gentileza (usemos essa palavra na falta de uma melhor) dos governantes.

Repasse da Prefeitura para Águas do Paraíba aumenta em quase 40% no governo Wladimir

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Por Fabrício Nascimento para o site ClickCampos

As primeiras atualizações da Prefeitura de Campos no Portal da Transparência trazem dados que acendem o alerta para o contribuinte. Além de não revogar o aumento concedido para a empresa Águas do Paraíba de 7,14%, o Prefeito Wladimir Garotinho já pagou R$ 817.722 para a empresa de água e saneamento do município.

O valor é cerca de 38% mais alto do que o repasse feito pelo ex-prefeito Rafael Diniz no mesmo período em 2020, que foi de R$ 597.366. Cabe destacar que diversos órgãos da Prefeitura de Campos tiveram o seu funcionamento comprometidos em virtude da pandemia do novo coronavírus, o que deveria diminuir o consumo nos primeiros meses do ano.

No mesmo período, misteriosamente a empresa teve uma CPI que a investigaria sendo ‘engavetada’ na Câmara de Campos de maneira inexplicável.

Pelo visto, a empresa que apenas em 2019 teve lucro bruto de R$ 155 milhões na cidade de Campos, deve alcançar resultados ainda melhores em 2021.

Confira abaixo o extrato do pagamento publicado no Portal da Transparência:

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Este texto foi inicialmente publicado pelo site jornalístico ClickCampos [Aqui!  ].

Governo Wladimir Garotinho coloca profissionais da educação na linha de fogo da COVID-19

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Uma rápida leitura da matéria postada no portal oficial da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes sobre a iminente adoção de um modelo “híbrido” para garantir o retorno às aulas presenciais na rede municipal de educação (pública e privada) já nos fornece o principal elemento de contradição do que está sendo imposto a milhares de servidores municipais da educação que serão obrigados efetivamente a voltar ao trabalho presencial. É que a reunião que decidiu o destino desses trabalhadores não foi presencial, mas na segurança da tela de computador (ver imagens abaixo).

Em termos da proposta que será implementada pela Secretaria Municipal de Educação, uma coisa salta aos olhos: afora as declarações protocolares de que cada escola criará uma tal “Comissão Pró-Saúde” para “monitorar o cumprimento dos protocolos estabelecidos, nada de concreto é indicado para garantir a chance zero de contaminação por parte de profissionais da educação e das crianças que frequentarão “hibridamente” as escolas públicas e privadas.

E isso em um momento que se sabe que pelo menos duas variantes com maior capacidade de contágio já estão presentes de forma comunitária no Rio de Janeiro (as originada no Reino Unido e em Manaus), e de que uma síndrome particularmente letal está se manifestando em crianças e adolescentes contaminadas pelo SARS-Cov-2 no Brasil e nos EUA.

Como sabemos que as condições de trabalho experimentados na rede pública são precárias para se dizer o mínimo, e inexistindo uma campanha de vacinação em massa orientada para os profissionais de educação, o que está se fazendo de maneira prática é colocar milhares de servidores, muitos deles com mais de uma comorbidade, na linha de frente de uma guerra onde o coronavírus está com a faca e o queijo na mão para vencer, causando ainda mais casos de contaminação e mortes.

Caberá ao SEPE-Campos dos Goytacazes defender a integridade e o direito à vida dos servidores da educação, pois não vejo a mínima disposição de qualquer outro ator para fazer essa defesa.  Aos profissionais da educação está sendo reservada uma sorte madrasta, da qual eles só escaparão caso estejam organizados e prontos para documentar e difundir informações sobre casos de contaminação e morte que certamente advirão de uma volta intempestiva ao trabalho presencial.

E há que se diga que repousará sobre os gestores que estão impondo essa volta fora de hora ao ensino presencial todas as responsabilidades sobre o que inevitavelmente virá nas próximas semanas e meses nas escolas de Campos dos Goytacazes. Depois que o caos emergir que ninguém se faça de inocente.

Em Campos dos Goytacazes, o servidor municipal está diante de uma escolha macabra: morrer de COVID-19 ou de fome

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Eu venho tentando não escrever muito sobre os caminhos percorridos pelo prefeito Wladimir Garotinho, já que eu lhe dei 100 dias de tolerância, mas existem ações “tão sem pé, nem cabeça” que não período de graça que resista. Esse é o caso do Decreto Municipal No. 059/2021 que determina a volta ao trabalho presencial de “servidores ou empregados públicos” maiores de 60 anos, conforme foi divulgado na página oficial do Sindicato dos Profissionais dos servidores Públicos de Campos (Siprosep) (ver imagem abaixo).

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A primeira questão que salta aos olhos é a determinação de servidores considerados como sendo parte dos grupos mais sob mais risco pela COVID-19 ao trabalho presencial, sem que haja qualquer garantia de que os ambientes de trabalho estarão devidamente higienizados. Além disso, há que se considerar que inexistindo o regime de Dedicação Exclusiva na Prefeitura de Campos dos Goytacazes, a proibição de que o servidor cumpra quaisquer “outras atividades laborativas presenciais, seja em locais públicos ou privados” beira a ilegalidade. É isto, lembremos, em um contexto em que existem milhares de servidores a quem a mesma prefeitura deve salários.

Também considero curioso que embora não tendo como garantir ambientes laborais completamente imunes à contaminação a um grupo servidores em grupo de alto risco e a quem deve salários, o prefeito Wladimir Garotinho ainda resolve se valer da ameaça de “deflagração de sindicância ou do processo administrativo disciplinar”, e ainda com ameaças de penalidades. aliás, alguém há que lembrar ao prefeitoladimir Garotinho que só é possível abrir processo administrativo disciplinar após a realização e conclusão de um processo de sindicância. Ou é isso, ou já se está antecipando a aplicação dos efeitos mais perniciosos da reforma administrativa que recentemente começou a tramitar no congresso nacional.  Aliás, fica parecendo que no governo de Wladimir Garotinho a reforma administrativa do governo Bolsonaro já entrou em vigência de forma antecipada.

Noto ainda que há uma estipulação de que o servidor que “não aceitar ser vacinado deverá retornar imediatamente ao trabalho” que, na inexistência objetiva de vacinas para serem aplicados em todos os servidores que assim desejarem, não passa de uma ameaça vazia e que se auto desmoraliza. E, pior, uma ameaça que só serve para acirrar ânimos e para criar um ambiente hostil para uma administração que precisaria ter os servidores fervorosamente comprometidos com o seu sucesso.

Quero aproveitar o tom do texto usado pelo Siprosep para divulgar uma medida que pode colocar em risco a vida de muitos de seus representados. Não noto nesse texto nem um tipo de crítica ao decreto, aliás, parece até que o sindicato é uma espécie de estafeta do prefeito quando oferece explicação em vez de crítica.

Finalmente, a minha dúvida é sobre o que se pretende dos servidores municipais, especialmente aqueles acima de 60 anos, quando se impõe um decreto como esse: querem que morram de COVID-19 ou de fome?

Derrama fiscal como ponte entre passado e presente em Campos dos Goytacazes

Image result for wladimir rafaelEm Campos dos Goytacazes, a ponte entre presente (Wladimir Garotinho) e passado (Rafael Diniz) está sendo construída com uma nova derrama 

Ainda me recordo dos primeiros dias do governo de Rafael Diniz (Cidadania) quando muitos de seus eleitores se sentiram enganados ao presenciarem o lançamento de uma verdadeira derrama que elevou os valores de diversos tributos municipais, a começar pelo IPTU e pela famigerada “Taxa de Iluminação Pública”, que enquanto vereador ele prometia extinguir. O que se viu após esse início que salgou as contas foi um governo que se preocupou em extinguir políticas sociais destinadas a proteger os mais pobres, enquanto as ruas ficavam esburacadas e sujas. O resultado desse processo foi uma fragorosa derrota eleitoral na qual o agora ex-prefeito quase perdeu para uma candidata que não possuía qualquer ligação com as oligarquias que historicamente dominam a vida política do município, a professora Natália Soares do PSOL.

Enquanto isso, a tônica da campanha eleitoral  de 2020 foi a necessidade de “gerar dinheiro novo” para retirar as finanças municipais da condição crítica em que se encontra.  Ali o candidato e prefeito eleito, Wladimir Garotinho (PSD), prometia que iria buscar dinheiro em Brasília e na capital fluminense, de modo a criar novas fontes de recursos para viabilizar a retomada do processo de desenvolvimento econômico. Aparentemente, o que o novo prefeito esqueceu foi de informar que entre as novas fontes de dinheiro novo viria da manjada aplicação de majoração de tributos municipais. Esquecimento compreensivo para candidatos, mas que se torna estelionato eleitoral quando aplicado.

Senão vejamos o que já fez o novo prefeito em termos de retomar a derrama como estratégia de geração de receita. Primeiro, ele manteve o curioso aumento de 7,14% das contas de água e esgoto, ganhando em troca a promessa de “caiar” as paredes do Canal Campos-Macaé. Depois disso, veio a elevação de 3% da contribuição dos servidores municipais ao seu fundo de previdência, o Previcampos, inclusive em um momento em que os aposentados estão com salários atrasados.

Agora, o contribuinte campista está se dando conta que pagará um aumento de 4,22% e com uma diminuição do desconto por pagamento em taxa única de 15% para 7%.  Neste caso, noto que não parece ser uma medida inteligente diminuir o bônus pelo pagamento “cheio”, pois isto não só diminuirá a quantidade de contribuintes dispostos a liquidar de uma só vez o imposto, mas como provavelmente aumentará a inadimplência, o que representará perda e não ganho de caixa.

Mas o essencial aqui é que todos esses aumentos ocorrem em um momento de agravamento da pandemia onde há um aumento sensível do número de famílias sem renda. Assim, as medidas de derrama fiscal adotadas não só não fazem sentido financeiro, como tendem a punir aqueles segmentos da população que já estão sem dinheiro sequer para comprar comida, que dirá pagar tributos municipais.

Eu havia entendido, por exemplo, que haveria um ganho de receita ao se diminuir os chamados cargos de DAS, mas observadores atentos das publicações do Diário Oficial do Município vem notando e anotando a nomeação de centenas de pessoas para ocupar posições na nova gestão municipal, o que contradiz frontalmente as promessas de campanha, ampliando a sensação de estelionato eleitoral antes que se chegue a 40 dias de uma gestão que promete ser difícil para uma liderança emergente como é Wladimir Garotinho.

O fato que está explícito é que em vez de se ver a vinda de dinheiro de fora (coisa que já se sabia era difícil pelo contexto de fortes restrições no estado e na federação), o que está se fazendo é onerar o contribuinte municipal, sem que haja qualquer garantia que isso vá melhorar as condições de funcionamento das unidades de saúde municipal e das nossas escolas. Se isso se confirmar, eu diria que a desilusão que já grassa forte em segmentos do funcionalismo municipal vai se estender rapidamente para os setores populares que elegeram Wladimir Garotinho para fazer um governo realmente diferente daquele realizado por Rafael Diniz. Mas com a ponte entre o passado e o presente sendo feita por meio de uma derrama fiscal, isto vai ficar cada vez mais difícil de ser cumprido. A ver!

Servidores municipais e o governo Wladimir: uma lua de mel fugaz

5 maneiras de superar o término do namoro - VIX

Esta postagem pode parecer uma continuidade da minha última sobre os servidores municipais sendo tratados como “Geni” no governo Garotinho, e realmente é. Mas tendo acabado de ouvir uma gravação que circula em grupos de Whatsapp, centrada na forma pela qual o vice-prefeito Frederico Paes é retratado pela sua forma de trato com os servidores, penso que a lua de mel entre o governo de Wladimir Garotinho e boa parte dos servidores foi tão fugaz quanto o casamento do cantor Fábio Junior com a atriz Patrícia de Sabrit.

Pesam para que a lua de mel esteja tendo um fim fugaz a impressão que já grassa entre um número considerável de servidores de que o vice-prefeito acha que está no comando de uma das usinas da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro Ltda (Coagro), e que os servidores estatutários da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes são cortadores de cana. Como há muito servidor municipal que teve gerações inteiras de suas famílias que padeceram com a catana da mão nos canaviais de onde os barões do açúcar retiraram suas fortunas enquanto deixavam para trás dívidas trabalhistas colossais, essa associação não é nada positiva não apenas para Frederico Paes, mas, e principalmente, para Wladimir Garotinho.

As próximas semanas, ainda que com um Carnaval pelo caminho, deverão ditar se a lua de mel fugaz não será transformada em um divórcio conturbado. Mas pelo que eu ouvi na gravação que me foi enviada, a coisa pode azedar bastante e bastante rapidamente.

Para evitar isso, duas coisas terão de acontecer: a primeira é que seja cessada a avidez que aparentemente está tomando conta do governo municipal de retirar direitos dos servidores que, afinal, carregam o piano nas costas. A outra seria, como já indicou Chico Buarque em relação a ministros, constituir um “secretário do Vai dar Merda”. Talvez assim, e somente talvez, o divórcio conturbado não se materializará. A ver!

O servidor municipal será feito de “Geni” no governo Wladimir Garotinho?

Não se deve jogar pedra na Geni | Opinião | Valor Econômico

Conversando com um amigo que considero uma das mentes mais astutas da cidade de Campos dos Goytacazes, ele me informou que eu talvez tenha de encurtar o prazo de cem dias que dei ao honorável prefeito Wladimir Garotinho (PSD). Prontamente perguntei a este interlocutor a razão da previsão, e ele me adiantou que depois de salgou em mais 3% a contribuição dos servidores municipais, o prefeito ainda em início de gestão estaria planejando um pacote de maldades direcionado especificamente para os servidores da área da saúde.

Meio pasmo perguntei se isso aconteceria ainda em meio ao alastramento da pandemia da COVID-19 que segundo previsões do ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, tem tudo para virar uma tsunami por causa da variante amazonense do SARS-COV-2. A resposta foi tão direta quanto rápida: sim. A lógica que estaria guiando esse próximo ataque seria de executar um “pacote de maldades” nos primeiros seis meses de governo, para gerar dinheiro extra que então seria apresentado como “dinheiro novo”.

Pois bem, estará errando gravemente o prefeito Wladimir Garotinho se começar a tratar os servidores municipais, independente do setor em que atuam, como uma espécie de “Geni” (lembrando a famosa canção de Chico Buarque) onde todas as pedras são jogadas, enquanto os verdadeiros sugadores das receitas municipais continuam intocados.

A verdade é que são os servidores municipais que têm evitado que uma situação ainda pior tivesse se estabelecido no município de Campos dos Goytacazes.  O caminho a ser trilhado deveria ser o do fortalecimento da qualidade de trabalho e o respeito aos direitos que não estão sendo cumpridos.  

Aos servidores municipais, resta o caminho da organização e da pressão para que seus representantes sindicais atuem para defender direitos e impedir que ocorra uma regressão ainda maior na qualidade de vida de milhares de trabalhadores.