Um conselho grátis: Pague os salários dos servidores, Wladimir

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Mesmo distante de Campos dos Goytacazes neste momento, venho acompanhando o drama dos servidores públicos municipais que estão sem o pagamento de seus devidos salários. Como passei por este problema ao longo de 2017, nem preciso imaginar a situação dramática em que milhares de servidores cumpridores de seus deveres se encontram neste momento.

Assim, em que pese o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) não ter sido eleito para fazer mágica, eu ofereço um conselho grátis para ele e sua equipe: paguem os salários dos servidores!

É que como já disse antes, conquistar as mentes e corações dos servidores será um elemento chave na realização de uma administração que faça o município de Campos dos Goytacazes começar a sair da crise aguda em que se encontra. Mas ninguém conquista mentes e corações de quem está com a barriga roncando.

Desde já hipoteco a minha completa solidariedade aos servidores públicos municipais de Campos dos Goytacazes.

Oráculo: o que esperar da partida de Rafael e seus menudos, e a chegada de Wladimir e seus secretários “experientes”?

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Good-bye Rafael, welcome Wladimir: saem os menudos e entram os experientes

A primeira coisa que quero dizer que se 2021 já me garantiu uma alegria essa se dá na certeza de que não terei mais de escrever sobre as políticas equivocadas do agora ex-jovem prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais. É que, confesso, esse blog não foi criado para acompanhar em micro-escala as idas e vindas da ação governamental no Brasil. Eu tenho pretensões de outra natureza para a utilidade deste espaço, e fazer o trabalho que deveria estar sendo feito pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Contas, e por uma sociedade civil que deveria ser organizada nunca esteve nos meus planos. Foi o estelionato eleitoral de Rafael Diniz que me obrigou a dedicar atenção aos muitos equívocos que ele e seus menudos neoliberais cometeram ao longo de longuíssimos quatro anos (especialmente longos para quem é pobre e dependente da existência de empregos para não afundar na miséria extrema).

Ouvi com atenção o discurso de posse do novo prefeito Wladimir Garotinho, e avalio que ele acertou mais do que errou nas direções que sinalizou para a sua gestão. Se ele vai cumprir a promessa de governar olhando para frente e pensando na maioria da população só o tempo dirá.

Tenho a impressão de que ele terá um governo bem mais monitorado do que o de Rafael Diniz foi. Avalio que muito provavelmente teremos a volta de uma ação mais diligente do Ministério Público Estadual que andou estranhamente silencioso desde janeiro de 2017. Também não estranharei se ocorrer uma reativação da blogosfera campista que tinha dezenas de blogs funcionando para micro-monitorar o governo de Rosinha Garotinho, mas que entraram em um peculiar estado de letargia, com muitos dos blogueiros tendo suas verves críticas acomodadas em cargos de confiança no governo municipal. Com o fim, digamos, dessas oportunidades de colaborar com a gestão municipal, é quase certo que os blogueiros voltem a ser blogueiros, e Wladimir Garotinho se torne rapidamente alvo daquelas postagens apimentadas com as quais Rafael Diniz não teve de conviver. Por último, avalio que teremos a emergência de mecanismos de observação autônomos em relação a forças políticas tradicionais, mas que se ocuparão de fazer o básico que é ler o diário oficial do município de Campos dos Goytacazes para verificar como estará sendo gasto o ainda bilionário orçamento municipal.

Somando tudo isso, é quase certo que o escrutínio sobre o governo de Wladimir Garotinho será intenso, e ele terá que se ocupar da tarefa de garantir que seu governo, como a mulher de César, não seja apenas honesto, mas pareça honesto. Além disso, o novo prefeito terá de cumprir algumas metas básicas, mas estratégicas, para evitar que seu governo nasça sob a égide do descrédito, a começar pela reabertura do restaurante popular, a retomada de um sistema público de transporte minimamente operacional e, obviamente, por um uso mais eficiente dos recursos aplicados em saúde e educação.  E acima de tudo, que haja um esforço concentrado para deter o avanço da pandemia da COVID-19, garantindo inclusive a compra de vacinas com dinheiro próprio sem ter que esperar pelos hoje inviáveis suprimentos vindos do governo federal.

De minha parte, espero ter que me dedicar pouco neste blog no acompanhamento das ações do governo municipal, pois, como disse, avalio que teremos uma plêiade de candidatos a fazer isso, liberando este blog para outras searas. Agora, como vivo e respiro o ar que os mais de 500 mil campistas respiram, isso não quer dizer que serei omisso. Mas desejo ao novo prefeito toda a sorte do mundo, pois ele vai precisar dela. Por último, também desejo que ele realmente dê a necessária liberdade para seus secretários agirem tecnicamente na hora de decidir sobre os rumos que devem ser tomados para resolver os muitos problemas herdados. Agora, na hora que o calo apertar, que ele não se furte a ouvir a voz da experiência de um dos políticos mais astutos e de raciocínio ágil que existem no Brasil. Felizmente para o novo prefeito, se fizer isso, nem terá de ir muito longe, e ainda poderá conversar comendo um panetone caseiro.

Ao adiar o lockdown inevitável, novo governo municipal garante colapso da saúde e o aumento de corpos esperando enterro

valasValas coletivas são abertas em Manaus para dar vazão à demandas de enterros dos mortos pela COVID-19

Não é preciso ser nenhum infectologista famoso para se saber que a fragilização das medidas de isolamento social e o atraso no processo de vacinação acarretarão um aumento exponencial no número de infectados e de óbitos pela COVID-19. É que largada à mercê da própria sorte, a maioria da população resolveu ligar o famoso “fod….-se” e se colocou de peito aberto (e sem máscara) para o coronavírus. O resultado dessa combinação de inépcia governamental e falta de auto cuidado por parte da população será visto já no mês de janeiro, com as expectativas sendo as mais sombrias.

Por causa do cenário traçado acima, considero que o novo governo municipal de Campos dos Goytacazes comete um erro gravíssimo ao adiar um lockdown que será inevitável dada o espalhamento exponencial do SARS-Cov-2 em meio aos festejos de final de ano.

Além disso, me parece emblemático que o anúncio da postergação de uma medida que será inevitável em poucas semanas tenha se dado na sede da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic). É que os comerciantes de Campos dos Goytacazes têm sido de uma insensibilidade social atroz ao pressionar pela retomada de uma normalidade que se sabe impossível, na medida em que o governo liderado por Jair Bolsonaro sabota todos as possibilidades de conter a expansão da pandemia.

Melhor faria o prefeito Wladimir Garotinho se ouvisse seu próprio secretário de Saúde, Geraldo Venâncio, que teve a rara coragem de defender o aperto nas medidas de isolamento social para conter a pandemia. É que dada a situação de catástrofe em que receberá as contas municipais, coragem teria de ser a principal do governo que se inicia. E não há nada menos corajoso neste momento até a Acic para anunciar que o inevitável terá que esperar sabe-se lá até quando. Provavelmente até que os cemitérios de Campos dos Goytacazes tenham fila de espera para se enterrar os mortos da pandemia ou que as várias lojas funerárias fiquem sem estoque, como já voltou a ocorrer em Manaus (ver vídeo abaixo).

Mas voltando ao futuro secretário municipal de Saúde, Geraldo Venâncio, eu só posso imaginar a saia curta em que ele se encontra neste momento: aplicar os critérios científicos que demandam a imposição imediato do lockdown ou seguir a vontade dos membros da Acic e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).  Dr. Geraldo Venâncio, fique com a ciência, pois o julgamento da História será terrível para quem ignorar o que os cientistas já demonstraram serem os melhores caminhos neste pandemia letal.

Finalmente, aos leitores deste blog, peço encarecidamente que todos adotem suas medidas de isolamento social e utilizem as medidas de profilaxia básica que envolvem o uso de máscaras faciais e de asseio pessoal. Na falta do Estado que sobre a conscientização coletiva.

Habemus prefeito eleito, que comece a transição de governo

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Em um resultado que eu julgava previsível, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deferiu a candidatura do empresário Frederico Paes (MDB) e, por consequência, a chapa na qual ele concorreu na companhia do deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

TSE julga chapa de Wladimir Garotinho e Frederico Paes, mais votados no 2º turno em Campos dos Goytacazes — Foto: Reprodução/YouTube

Aliás, esse julgamento só ocorreu por causa do estranho entendimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que revogou o deferimento dado em primeira instância e fora do prazo legal para que Frederico Paes fosse substituído por outro nome.

A minha avaliação é que a posição do TRE interferiu diretamente no andamento das eleições municipais ao dar munição para outros candidatos que rapidamente se mobilizaram para realizar um esforço de judicialização. É possível que sem a interferência do TRE, Wladimir Garotinho já tivesse sido eleito em primeiro turno, uma demonstração de que a interferência judicial não necessariamente conduz ao fortalecimento da democracia.

Essa decisão unânime do plenário do TSE também mostra que não há nada pior do que maus perdedores que, em vez de reconhecer a derrota clara, se põe a realizar reuniões de agitação de apoiadores, e isso tudo em meio a uma pandemia letal como é a da COVID-19.  Falo aqui do candidato Caio Vianna (PDT) que agora, passado o julgamento do TSE, deveria vir a público reconhecer o prefeito eleito.

O resultado do julgamento do TSE também deixa, digamos, de calças na mão o jovem prefeito Rafael Diniz que atrasou o processo de transição sob a alegação espúria de que a eleição da chapa formada Wladimir Garotinho/ Frederico Paes estaria sob judice.  O que todos devemos cobrar agora é que o processo de transição seja iniciado o mais rapidamente, de modo a não prejudicar um início de governo que já  promete ser caótico, em parte por causa da gestão desastrosa que Rafael Diniz e seus menudos neoliberais realizaram.

Por último, devo dizer que não tenho grandes expectativas em relação ao futuro governo de Wladimir Garotinho. Mas não há como se julgar algo que não se iniciou e, por isso, vou aguardar os atos do novo governo para eventualmente emitir opiniões.  Aliás, eu gostaria de ter podido ter podido exercitar esse distanciamento crítico em relação ao governo comandado pelos menudos neoliberais que Rafael Diniz colocou dentro da sua gestão. Mas ao exterminar as políticas sociais herdadas de outros governos, Rafael Diniz me privou disso.

Do futuro prefeito, espero algo muito simples no início do seu governo: a reabertura do restaurante popular. É que quem tem fome, tem pressa. Simples assim!

Bye Bye Rafael, e que venha logo Wladimir

bye byeUma das alegrias que terei ao final de 2020 será ver o encerramento do governo do jovem prefeito Rafael Diniz (Cidadania) e seus menudos neoliberais. Esse experimento de aplicação impiedosa de políticas ultraneoliberais serviu apenas para aprofundar a miséria extrema em Campos dos Goytacazes, enquanto deixou sem nenhuma herança que servisse para fazer avançar a necessária democratização da gestão pública municipal. Até aqui nenhuma surpresa, pois neoliberalismo não rima com democracia, mas sim com ditadura.

Há que se notar que o ainda prefeito Rafael Diniz tem se negado a iniciar o necessário processo de transição sob a alegação de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não chancelou a inquestionável vitória nas urnas de Wladimir Garotinho (PSD). Tivesse Rafael mantido o mesmo zelo com suas próprias promessas, o mais provável é que tivesse sido reeleito em vez de estar saindo pelas portas do fundo do  Centro Administrativo José Alves de Azevedo (Cajaa), sede da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Aliás, eu suspeito que, apesar de ser evangélico, o melhor que Wladimir Garotinho faria para si mesmo seria trocar a cadeira onde Rafael sentou ou chamar um experiente pai de santo para uma boa sessão de descarrego.

Por outro lado, a demora de Rafael Diniz em compartilhar informações deve ter assim outros motivos que não o alegado para impedir que a equipe de transição do prefeito eleito comece o seu necessário trabalho de se preparar para governar. Essa é com certeza uma daquelas vinganças que os perdedores praticam contra os verdadeiros, mas que só causam perdas aos que não têm nada a ver com o negócio, no caso a população de Campos dos Goytacazes.

Há que frisar que tudo indica que o próximo prefeito assumirá a chefia do executivo municipal em meio a um agravamento da pandemia da COVID-19, muito em função da falta de ações mais decisivas por parte de Rafael Diniz para impedir a disseminação do coronavírus.  Uma medida que se mostra urgente é a retomada imediata de medidas mais fortes para garantir o isolamento social. Mas sem forças ou vontade política para fazer isso, Rafael Diniz deixará uma bomba relógio que poderá explodir no colo do próximo prefeito.

E aqui um parêntese necessário.  O TSE marcou o julgamento da chapa formada por Wladimir Garotinho e Frederico Paes para a próxima semana. Eu sinceramente espero que a decisão do TSE seja em prol de homologar a vitória da dupla. É que sem isso, começaremos o ano de 2021 em uma condição de ampliação da crise sanitária e ainda tendo que realizar uma nova eleição para prefeito. E o pior é que o resultado do segundo turno já mostrou que nem todo o anti-Garotismo do mundo vai causar a derrota de Wladimir Garotinho, caso se mantenha Caio Vianna como seu principal oponente.  Aliás, há quem diga que Caio Vianna já voltou para sua vida “mais do que difícil” que mistura corridas e consumo de dieta balanceada na zona sul do Rio de Janeiro, enquanto sonha com uma vitória no tapetão.

Aliás, há que se dizer que a gestão pavorosa de Rafael Diniz e dos seus menudos neoliberais dá um tremendo fôlego político para que Wladimir Garotinho possa iniciar seu governo com alguma tranquilidade. É que qualquer coisa que ele faça que se assemelhe a uma melhoria já será muito mais do que Rafael Diniz conseguiu fazer. Além disso, como as expectativas em torno do potencial transformador que Wladimir Garotinho poderá ter, o habilita a operar de forma a atender as expectativas tanto dos seus eleitores como de seus detratores. Aí se tratará de Wladimir apenas fazer o “feijão com arroz” para não começar o seu governo de forma equivocada.  De minha parte, vou aguardar o cumprimento da promessa de reabrir imediatamente o restaurante popular. Se isso acontecer, poderei esperar com um pouco mais paciência o desenrolar inicial do novo governo municipal. 

Em suma, estou no ritmo de “bye bye Rafael e que venha logo Wladimir”. 

Na Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Campos-Wladimir-Caio-e-Bruno-scaledEm Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Após um segundo turno mais apertado do que eu mesmo previa, temos na manhã da segunda-feira duas situações opostas. Enquanto, o vencedor do segundo turno, Wladimir Garotinho se manifestou em prol da unidade das forças políticas do município para trabalharem para a construção de saídas para a grave crise em que nos encontramos, o perdedor, Caio Vianna, deu uma de Donald Trump dos trópicos, e não só se recusou o cumprimentar o vencedor, como também acenou seus lenços molhados pelas lágrimas da derrota em direção ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como não sou eleitor nem do vencedor nem do perdedor, posso tecer a consideração de que havendo novas eleições o resultado final será o mesmo. É que Caio Vianna, mesmo tendo usado de todas as táticas possíveis para agitar o espectro do anti-garotismo, acabou derrotado. O que faria ele para mudar seu destino trágico? Passaria a repentinamente a se concentrar em apresentar apenas projetos de governo como forma de convencer os eleitores que não votaram nele nesse segundo turno? Aparentemente não, pois se fosse para fazer isso, já teria feito agora.

Muito melhor fez o médico Bruno Calil que, em vez de pedir outra chance imediata para derrotar Wladimir Garotinho, se manifestou no sentido de desejar ao vencedor um bom governo, além de colocar seus projetos à disposição para os esforços que serão necessários para começar os esforços para nos tirar do buraco em que estamos.

Em síntese, nessas eleições vimos na prática quem se sabe se comportar dignamente como vencedor e como perdedor. De minha parte, espero o TSE chancele o resultado das urnas e nos poupe de mais um ciclo eleitoral, e que tenhamos a devida oportunidade para realizar uma transição que permita ao futuro prefeito começar a tirar seus projetos do papel.  Meus que a primeira coisa a ser feita seja a reabertura do restaurante popular, pois quem tem fome, tem pressa. 

Graças ao governo desastroso de Rafael Diniz, a família Garotinho retoma no voto a prefeitura de Campos dos Goytacazes

De virada, Wladimir Garotinho vence eleição e é o novo prefeito de Campos

Em setembro de 2017 (ou seja com menos um de governo) indiquei que as ações do jovem prefeito Rafael Diniz iriam servir para que o grupo político do ex-governador, tal como um Fênix, pudesse ressurgir das cinzas no cenário municipal. Hoje, pouco mais de 3 anos após aquela postagem, eis que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) venceu Caio Vianna (PDT) por uma margem até mais apertada do que esperava (ver abaixo o gráfico com a margem da apuração).

resultado segundo turno

Agora resta esperar o que vai acontecer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto à chancela da candidatura a vice-prefeito de Frederico Paes (MDB) e de que possíveis efeitos isso poderá ter sobre a homologação da vitória de Wladimir Garotinho.

A lição que parece ficar é que a influência de Anthony Garotinho e seu grupo na política municipal ainda vai perdurar por muito tempo, e que não serão derrotas eventuais que vão mudar isso.  A questão é que enquanto perdurarem as profundas desigualdades sociais que existem em Campos dos Goytacazes sempre haverá apelo para aqueles que se disponham a manter, ainda que precariamente, os pobres no orçamento municipal. 

O ex-governador Anthony Garotinho saúda populares que se aglomeram em frente da sua casa para festejar a eleição de seu filho Wladimir para ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes

E diga o que se disser de Anthony Garotinho, ele claramente inocolou em pelo menos dois dos seus filhos o gosto pela disputa política. Assim, mesmo que ele esteja alijado das disputas como participante direta, isso não significante que não será influente.

Quanto ao ainda prefeito Rafael Diniz, quem desejar culpá-lo pela volta da família Garotinho à chefia do executivo municipal o fará com toda razão. Afinal, com um governo desastroso como o dele, a volta da família Garotinho à prefeitura de Campos dos Goytacazes se tornou praticamente uma certeza.

Final de campanha é marcado pela judicialização e pelas acusações mútuas. E os projetos de governo?

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Os últimos dias do majoritariamente apático segundo turno das eleições municipais ganharam muita emoção com a volta à cena de segmentos da justiça que, para surpresa de poucos, resolveu sair à caça de eventuais crimes cometidos pela chapa liderada por Wladimir Garotinho (PSD), e também pelos resultados espetaculares de institutos de pesquisa não tão espetaculares assim que projetaram uma corrida muito apertada para definir quem será o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes.

Algo notável que não aconteceu foi o altamente antecipado julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da situação do candidato a vice-prefeito de Wladimir Garotinho, o empresário Frederico Paes (MDB). Essa não votação da situação em torno de Frederico Paes era uma espécie de aposta daqueles que desejam derrotar no tapetão a chapa que está difícil de derrubar no voto.

Aos eleitores campistas sobrou ainda um final de campanha pouco lustroso para a democracia municipal, pois houve a repetição de táticas que pouco servem para consolidar opções baseadas em projetos de governo, com a insistência de acusações inter-familiares que, convenhamos, irão influenciar muito pouco a opção de voto de cada um.

No meio do caminho ainda houve o esquisito vazamento de um áudio atribuído ao vereador José Carlos (Cidadania) em que se fazia o reconhecimento de algo que até a mais ingênua das corujas buraqueiras que habitam o campus da Uenf já sabem de cór e salteado. É que nesse áudio a voz atribuída a José Carlos admite algo óbvio, qual seja, que membros do governo Rafael Diniz atuaram e continuam atuando em prol da candidatura de Caio Vianna (PDT). Ora bolas, o que as pessoas esperavam? Que o ainda prefeito Rafael Diniz em um gesto de repentina graciosidade tivesse liberado os membros do seu partido para apoiar a candidatura de Wladimir Garotinho? Certamente, ainda que rejeitado publicamente, o apoio de Rafael Diniz deve ter sido bem vindo por Caio Vianna, pois aquele que se alia com o PSL não vai rejeitar qualquer tipo de apoio, diria Carlos Lupi.

A única questão que realmente parece importar é sobre os critérios que farão os eleitores decidirem por este ou aquele candidato. A minha expectativa é que não seja por causa desta ou daquela denúncia requentada, mas por causa dos projetos apresentados por cada um dos que chegaram ao segundo turno. É que, do contrário, não haverá como cobrar o cumprimento das promessas de campanha. Afinal, quem vota medindo a quantidade de lama que colou na parede, acaba abrindo mão do poder de fiscalizar quem foi eleito. 

O caso Frederico Paes expõe nova barriga da mídia corporativa campista

1_waldiriirir-20491755Parecer de vice-procurador-geral eleitoral reconhece jurisprudência favorável a Frederico Paes, que é o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Wladimir Garotinho, mas decide manter indeferimento de candidatura. 

A mídia corporativa campista vem divulgando com pompa e circunstância o parecer exarado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Renato Brill de Goés, reafirmando o indeferimento da candidatura do sr. Frederico Paes (MDB) a vice-prefeito na chapa de Wladimir Garotinho (PSD).

Uma coisa que estranhei nas notícias que circularam o parecer de Renato Brill de Goés foi a ausência da íntegra da Manifestação no 4.331/20-GABVPGE na qual o vice-procurador-geral eleitoral expõe as suas razões para manter o indeferimento da candidatura de Frederico Paes. 

Como quem tem amigo não morre pagão, recebi o arquivo contendo a íntegra da Manifestação no 4.331/20-GABVPGE,  e fiquei surpreso com a capacidade de síntese de Brill de Goés que conseguiu expor seus motivos em míseras 9 páginas. Quem já leu outras peças oriundas da justiça eleitoral sabe que esse foi um parecer para lá de, digamos, parcimonioso. 

Mas mais surpreso ainda fiquei ao ler a posição claramente dúbia de Brill de Goés quanto à suposta ilegalidade do registro da candidatura de Frederico Paes por suposto descumprimento da legislação eleitoral no tocante à desincompatibilização de cargos (ver imagem abaixo).

parecer PGE caso Frederico Paes

Trocando em miúdos, Prill de Goés reconhece que o Tribunal Superior Eleitoral possui decisão reconhecendo que pessoas que estejam na mesma condição de Frederico Paes não estão sujeitas à desincompatibilização prevista no art 1o., parágrafo II, a,9 da Lei Complementar 64 de 1990 que determina os casos de inelegibilidade e os prazos de cessação.

Mas como então Prill de Goés conseguiu chegar a uma decisão contrária à da jurisprudência vigente? Muito simples, ele apelou para a decisões que aparentemente já estão superadas, mas que, notem a bola curva, já vigiram em décadas passadas (que, convenientemente, foram omitidas por Prill de Goés na Manifestação no 4.331/20-GABVPGE).  Isso se assemelha a dizer algo como “não gosto da atual da atual jurisprudência, pois no caso em tela ela não me serve”. 

Como não sou advogado e nem pertenço ao grupo que produz a campanha da chapa Wladimir Garotinho e Frederico Paes, nem vou me alongar sobre esta óbvia incongruência no parecer do vice-procurador-geral eleitoral. O que eu quero mesmo é notar mais uma vez como chamada a produzir informação jornalística, a mídia corporativa campista optou por produzir uma nova barriga jornalística que mais parece uma peça de propaganda em prol da candidatura oponente. 

E aí é que eu pergunto, repetindo Olívio Henrique da Silva Fortes, o célebre Lilico, é bonito isso?

 

Mídia local embarca com a cara e coragem na previsão eleitoral do Paraná Pesquisas: jornalismo ou fake news?

parana pesquisas

A mídia corporativa local embarcou com fervor na “pesquisa” eleitoral que o “Paraná Pesquisas” realizou para o segundo turno que irá determinar o futuro prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes. Houve quem enfatizasse a “respeitabilidade” da empresa de pesquisas eleitorais que ascendeu para a glória nas eleições presidenciais de 2018.

Pois bem, e o que disse a pesquisa que foi curiosamente bancada pelo próprio “Paraná Pesquisas” e que boa parte da mídia campista saudou efusivamente? A incrível virada do candidato Caio Vianna (PDT) que derrotaria Wladimir Garotinho (PSD), impondo uma espetacular mudança de disposição do eleitorado que há tempos não é vista em Campos dos Goytacazes.

Não vou nem alongar na pesquisa em si, pois nada melhor que o resultado das urnas para se verificar se a previsão feita por uma dessas muitas empresas que vivem de gerar pesquisas eleitorais chegou perto ou não.

O que eu quero indicar aqui é a minha surpresa com a completa falta de apuração jornalística sobre como o “Paraná Pesquisas” chegou a resultados tão bombásticos. É que todos sabem que no primeiro turno, Wladimir Garotinho alcançou 42,94% e Caio Vianna 27,71%.  Com isso, para que os números encontrados pela apuração feita por conta própria fossem críveis, haveria que praticamente todos os votos válidos dados a todos os demais nove candidatos tivessem migrado para Caio Vianna, sobrando apenas uma migração residual para Wladimir Garotinho. E isso me parece o que os gringos chamam “wishful thinking” (ou seja, pensamento fantasioso).

Eu que não sou proprietário de veículo de imprensa mandaria apurar como o Paraná Pesquisas chegou a esses resultados antes de sair disseminando números que parecem ser mais propaganda do que notícia. Mas vá lá, cada um dos com seus motivos.  Mas que ninguém depois reclame se forem, mais uma vez, expostos ao vexame de terem seu produto descoberto como “fake news” e não como aquilo que dizem entregar que seria jornalismo de qualidade.