A preocupação seletiva do prefeito coloca em risco o patrimônio histórico de Campos dos Goytacazes

Recentemente a mídia corporativa local deu espaço para o prefeito Wladimir Garotinho tecer ameaças nada veladas ao reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense por supostamente fazer corpo mole na liberação de R$ 20 milhões enviados pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para a realização de reformas no Solar do Colégio onde fica localizado o Arquivo Municipal.  O imbróglio envolvendo os R$ 20 milhões foi aparentemente resolvido após uma audiência pública realizada na Alerj onde se acordou o chamado óbvio ululante que é a realização de licitações para a contratação das empresas envolvidas na reforma do Solar do Colégio.

Mas tudo indica que o prefeito de Campos dos Goytacazes é um sujeito dotado de uma preocupação seletiva com a preservação de prédios históricos. É que as chuvas torrenciais que caem sobre a cidade estão servindo para escancarar a situação de completo abandono de outro prédio que pertence ao patrimônio arquitetônico municipal e que, pasmemos todos, também está de posse da Prefeitura Municipal. Além disso, diferente do Solar do Colégio, o prédio em questão está localizado em uma área de grande trânsito de carros e de pessoas, pois está localizado na esquina das ruas Marechal Deodoro (antiga rua do Príncipe)  e Saldanha Marinho (ver imagem abaixo).

casarão histórico

A questão é que este prédio não está nessa condição lamentável por falta de dinheiro nos cofres municipais como, aliás, não está o prédio que abriga o Arquivo Municipal.  Por outro lado, uma pergunta que se coloca é o porquê do silêncio sepulcral do Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal (COPPAM) que não toma qualquer medida para obrigar o prefeito Wladimir Garotinho a iniciar as urgentes reformas que vários prédios históricos de propriedade do município se encontram neste momento. Estão esperando exatamente o quê? Um incêndio que consuma o prédio e que obrigue a sua demolição?

Já o prefeito precisa explicar a razão (ou razões) da dualidade de comportamento que ele mostra em relação à preservação do rico acervo arquitetônico que existe na cidade que ele governa.

A ponte sobre o Rio Ururaí é uma grave ameaça ao futuro do Assentamento Antônio de Farias

ponte rio ururai

Por Hermes Cipriano Oliveira

Há poucos dias o Prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, anunciou a construção de uma ponte sobre o rio Ururaí “ligando os dois lados da Lagoa de Cima”. O que o prefeito não comentou e, portanto, se pressupõe que ele não está levando em consideração, é que existem três comunidades à jusante da ponte que serão diretamente afetadas pela sua construção. A ponte servirá de ligação da Br 101, a partir do Km 84 – na comunidade de Ibitioca, Décimo Distrito de Campos, passando pela comunidade de Pernambuca e pelo Projeto de Assentamento (PA) Antônio de Farias – até à RJ 158, que faz a ligação entre Campos e São Fidelis. A construção dessa ponte irá intensificar o tráfego de veículos nas vias que cortam essas respectivas comunidades. No entanto, o Prefeito não discutiu o assunto com os moradores das mesmas, não anunciou nenhuma obra de melhoramento das vias que serão diretamente impactadas ou consulta pública, ou estudo de impactos sociais e ambientais.

Os moradores do Antônio de Farias realizaram uma reunião no último dia 6 de novembro e querem participar da discussão sobre essa possível obra, através de uma Audiência Pública, e sugerem que todos os possíveis afetados sejam convidados, para discutir os prós e os contras, os benefícios e os malefícios dessa ponte.

Malefícios potenciais: pode se transformar em uma via de acesso sem policiamento para quem não quer passar pela fiscalização da BR, aumentar o fluxo de carros nas respectivas comunidades, provocando acidentes com pessoas e animais de criação, onde existe uma cultura de baixo fluxo de automóveis e de pessoas conhecidas.

Benefícios potenciais: via alternativa para chegar ao lado sul da Lagoa de Cima

Não vemos outros benefícios e isso discutimos na nossa reunião da comunidade a ser afetada, onde discutimos também a ausência do Poder Público Municipal no cumprimento dos compromissos com o do projeto de assentamento. O PA Antônio de Farias é resultado da ocupação realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no dia 02/12/2000.

Após a ocupação e dadas as condições irregulares da fazenda Sta. Rita do Pau Funcho, que estava com impostos atrasados, em condições de improdutividade, a mesma foi desapropriada pelo INCRA-Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, e foi realizado um convênio/parceria entre os entes federativos, onde cada um ficou com algumas atribuições: a União, através do INCRA, ficou com a atribuição de disponibilizar o crédito de implantação do PA, o crédito de instalação, documentação e fiscalização; o Estado, através do ITERJ-Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro, ficou com a atribuição de construção das casas, instalação de um sistema de irrigação e prestação de assistência técnica e incentivo à produção; e para o município ficou a atribuição de construção e manutenção das estradas internas, construção e funcionamento do Posto de Saúde e da Escola no interior do assentamento, em uma área que está reservada para isso.

Passados quase 22 anos da criação do PA Antônio de Farias, o assentamento e a região vivem de demandas não cumpridas por parte principalmente do Poder Público Municipal. Na via de acesso ao assentamento, apesar de ser asfaltada, falta manutenção e tem esgoto correndo a céu aberto; a estrada interna do assentamento carece de manutenção, e a construção da Escola é um tabu por parte do município, apesar de na região não ter escola com capacidade de atender à demanda local e de o assentamento ter disponibilizada uma área específica para este fim.

*Hermes Cipriano é  Agricultor e Geógrafo, sendo assentado no PA Antônio de Farias  

As cenas do Parque Saraiva como oráculo do que virá até as eleições de outubro. E adianto que nada será “normal”

Imagino que a maioria dos habitantes de Campos dos Goytacazes não tem muito conhecimento da localização do Parque Saraiva, um bairro que está localizado no II Distrito do município, Goitacazes. Assim, se nem os campistas sabem da existência desse pequeno bairro, composto por nove ruas perpendiculares à RJ-216, quiçá o resto dos brasileiros que se distribuem em país de dimensões continentais (ver mapa abaixo mostrando a localização do bairro).

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Mas apesar da desproporção escalar, o Parque Saraiva se transformou ontem (15/06) em uma espécie de antessala do que deverá acontecer nas eleições gerais que ocorrerão no Brasil (ou pelo menos se espera que ocorra) no mês de Outubro.  É que num ponto empoeirado daquele pequeno bairro, se aglomeraram apoiadores dos grupos políticos familiares que hoje se degladiam para dominar a política municipal, sob as vistas preocupadas do governador acidental do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.  Diante de uma plateia numerosa, o que se testemunhou foram as mais puras formas de agressão verbal que se pode manusear para tornar direitos emmeros objetos de pura barganha política (ver vídeo abaixo).

A despeito do que possa parecer, o que ocorreu no Parque Saraiva é um retrato fiel de como a dominação ideológica de setores que se valem do estado para se manter em posições privilegiadas, enquanto a maioria da população pobre se vê cotidianamente privada de direitos constitucionais básicos, como, por exemplo, o direito à moradia digna.

O mais interessante é que no frigir dos ovos, o palanque que se tornou palco de trocas de farpas pontiagudas reunia apenas aliados do governador acidental Cláudio Castro, essa é a verdade inescapável.  Assim, se as agressões verbais, que ameaçaram deflagrar uma batalha campal de fins imprevisíveis, foram tão evidentes entre aliados (ainda que de ocasião), imaginemos o que poderá acontecer quando os encontros se derem entre adversários de direita e esquerda.

Como alguém já disse, esqueçam a ilusão de que haverá algum nível de normalidade cívica nos eleições de outubro. A poeira levantada nas proximidades do palanque montado para celebrar (no melhor estilo de campanha antecipada) um projeto de mirrados R$ 32 milhões é apenas o prenúncio do que virá até que cheguemos (se chegarmos) nas salas eleitorais.

Após polêmica com ponte, pesquisador da Uenf disponibiliza livro com diagnóstico da Lagoa de Cima

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O pr4ofessor Carlos Eduardo de Rezende coordenou a realização em 2006 de um diagnóstico socioambiental da Lagoa de Cima, um importante lacustre localizado na região Norte Fluminense

Após ler o texto publicado neste blog sobre a construção de uma ponte sobre a Lagoa de Cima que foi anunciada pelo prefeito Wladimir Garotinho, o professor Carlos Eduardo de Rezende, que atua no âmbito do Laboratório de Ciências Ambientais enviou uma versão digital do livro “Diagnóstico ambiental da área de proteção ambiental da Lagoa de Cima” que foi por mim mencionado.

O professor Carlos Eduardo de Rezende também considera que a obra continua atual e merecedora da devida atenção pelos interessados em conhecer melhor o rico ecossistema lacustre da Lagoa de Cima e, por isso, resolver disponibilizá-la via o “Blog do Pedlowski”.

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Quem desejar baixar a obra produzida por uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense, basta clicar [Aqui!].

Wladimir Garotinho e sua bizarra ideia de construir uma ponte sobre a Lagoa de Cima

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Li com alguma incredulidade a informação de que o prefeito Wladimir Garotinho em sua recente à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) teria anunciado a construção de uma ponte sobre o espelho da Lagoa de Cima, uma unidade de conservação ambiental criada via a Lei Municipal No. 5.394 de 24 de Dezembro de 1992 nos estertores do primeiro mandato de prefeito de Anthony Garotinho, que vem ser o pai mais famoso do jovem alcaide campista (ver imagem abaixo).

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A ideia de construir uma ponte sobre um ambiente lacustre que já se encontra sob forte pressão me faz pensar que, ao contrário do pai que mostrou em 1992 estar antenado com as preocupações ambientais emanadas naquele ano do interior da  Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro naquele mesmo ano, Wladimir está mais alinhado com as posturas de outro prefeito notório, Zezé Barbosa, que resolveu dividir outra famosa lagoa campista, a do Vigário,  para a construção de uma avenida sobre seu leito. 

A volta ao passado já tinha sinalizada por Wladimir Garotinho quando ele decidiu extinguir a secretaria municipal de Meio Ambiente, mas agora com a proposta de construção de uma ponte (que poderia ser chamada de Ponte Zezé Barbosa) sobre a Lagoa de Cima, a regressão está clara e escancarada.  E desde já sinalizo que essa proposta indecorosa não poderá ser tolerada, seja por quem se beneficia dos serviços ambientais propiciados por aquele importante ecossistema lacustre, mas também pelas autoridades judiciais.

É que não se for tolerada a construção dessa ponte sobre a Lagoa de Cima as consequências ambientais, bem como os prejuízos econômicos e culturais, serão inevitáveis.  O curioso é que no já distante ano de 2006, sob o comando científico do professor Carlos Eduardo de Rezende, dois laboratórios da Universidade Estadual do Norte Fluminense (o de Ciências Ambientais (LCA) e o de Estudos do Espaço Antrópico (LEEA), produziram um estudo detalhado sobre a Lagoa de Cima que foi transformado no livro intitulado “Diagnóstico ambiental da área de proteção ambiental da Lagoa de Cima” (ver imagem abaixo).

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Essa obra trouxe não apenas informações sobre as características ambientais da Lagoa de Cima, mas uma série de informações importantes para a sua gestão sustentável. Lamentavelmente todas as informações contidas na obra, ainda que entregues em cerimônia pública a gestores municipais e posteriormente ao Ministério Público Estadual, na figura do falecido promotor de justiça Marcelo Lessa, nunca foram devidamente aproveitadas. No entanto, me atrevo a dizer que tanto o diagnóstico como as linhas mestras para o ordenamento e uso sustentável da APA da Lagoa de Cima continuam atuais.

Em função disso tudo é que será necessária uma mobilização urgente para impedir que a ponte Zezé Barbosa jamais saia dos planos mirabolantes de Wladimir Garotinho. Afinal de contas, não é possível que em pleno século XXI ainda se tolere ações que já estão para lá de ultrapassados. Essa ponte para o passado proposta por Wladimir não pode ser tolerada. Simples assim.

E antes que eu me esqueça, uma humilde sugestão ao prefeito: seja mais como seu pai foi, e menos Zezé Barbosa.  A natureza certamente vai agradecer!  Para quem tiver dúvida disso, sugiro que assista o vídeo abaixo que é bem ilustrativo das belezas da Lagoa de Cima.

Enquanto a Uenf é transformada em barriga de aluguel de reforma de solar, novo PCV fica congelado na Casa Civil

raul wladimirReitor da Uenf, Raúl Palacio, e prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, se encontram para acelerar uso de verbas entregues pela Alerj. Enquanto isso, os direitos dos servidores são congelados

Quem lê notícias veiculadas por meio da mídia corporativa campista dando conta que o reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) se transformou em uma espécie de parteiro de uma estranha passagem de recursos da Assembleia Legislativa para a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (ver imagem abaixo) reformar o solar em que está abrigado o Arquivo Público Municipal deve achar que está tudo indo de vento em popa na universidade criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

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Mas, na verdade, a coisa está muito mal parada, e a insatisfação até agora evidenciada apenas por um movimento espontâneo dos estudantes que se cansaram de estudar em condições que beira a indignidade. Entretanto, outros problemas se acumulam debaixo do tapete do reitor Raúl Palácio, a começar pela falta de pagamento de enquadramentos, progressões, triênios e adicionais. 

O fato é que não é de hoje que a Uenf é uma espécie de exemplo avançado de desrespeito aos direitos dos seus professores, pois há quem esteja a devida progressão funcional por quase uma década, com o consequente resultado de que as dividas trabalhistas se acumulem, sem que haja a previsão orçamentária para honrá-las. Na prática, a Uenf que é propalada como um lugar em que “se faz ciência” está transformada em um em que são dadas aulas magnas avançadas de desrespeito aos direitos dos servidores públicos.

O congelamento do trâmite do novo PCV é uma chaga a mais no sofrimento dos servidores

Um dos pilares sobre o qual qualquer instituição premia a dedicação dos seus servidores é o chamado Plano de Cargos e Vencimentos (PCVs) que recebe nomes diferentes dependendo da instituição, mas cujo significado é fazer avançar o salário levando em conta o tempo de trabalho, bem como a contínua qualificação e dedicação ao avanço das tarefas profissionais. 

O atual PCV da Uenf publicado em 2006 está compreensivelmente defasado e, por isso, foi realizado um longo e exaustivo debate para sua atualização que resultou na aprovação de uma nova versão no ano passado. 

O problema é que após a aprovação pelo Conselho Universitário da Uenf, o “novo” PCV está aparentemente trancado a sete chaves dentro de uma gaveta na Secretaria da Casa Civil do governador acidental Cláudio Castro.  Como estamos em um ano eleitoral, a janela para envio para a Alerj, a mesma que entregou R$ 20 milhões para a reforma do prédio do Arquivo Municipal de Campos está se esgotando.

E o que tem feito o reitor da Uenf em face dessa situação além de posar para fotos com o prefeito de Campos dos Goytacazes? Acertou quem respondeu nada. Resta saber o que farão os dirigentes da Aduenf e do Sintuperj-Uenf. Mas seja o que pretendam fazer, que seja rápido. Senão o novo PCV continuará trancafiado até, pelo menos, 2023. Com a inflação que está por aí destroçando o poder de compra dos salários, essa perspectiva não me parece boa.

Ah, sim, antes que eu me esqueça. Será que sou eu que acha esse uso da Uenf como barriga de aluguel para pagar uma obra com dinheiro da Alerj um tanto estranho?

Na educação municipal de Campos é assim: trabalhe hoje, mas sem saber quando o salário será pago

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Em Campos dos Goytacazes, professores contratados via processo seletivo simplificado trabalham sem saber quando vão receber

Os servidores municipais de Campos dos Goytacazes estão anunciando uma greve geral a partir de 3a .feira (17/05) para demandar a reposição de perdas salariais que a rica Prefeitura Municipal diz não ter como realizar, apesar de estar c om os cofres cheios. Apesar de achar a demanda dos servidores mais do que justa, eu fico pensando se a pauta de greve não deveria ser estendida para algo mais simplório e urgente: o pagamento dos salários dos servidores com contratos precários, especialmente aqueles servem à causa da educação.

É que ontem tive a oportunidade de conversar com um professor contratado via o famigerado “Processo Seletivo Simplificado” que nada mais que é um forma de precarizar o trabalho docente e, pior, que deixa os profissionais em condições desesperadoras. É que este profissional me informou que apesar de estar trabalhando, não possui a menor ideia de quando será pago.  Segundo ele, informes dados por colegas em situação semelhante dão conta que deverá esperar de 3 a 4 meses para ver dinheiro que lhe é devido por exercer funções docentes em condição precária.

Mais um detalhe aumenta a condição de indignidade dos educadores contratados em condições precárias pela Secretaria Municipal de Educação, comandada pelo professor Marcelo se refere ao montante legal de 20% para atividades de planejamento, as quais estão sendo reduzidas para 10%, o que é feito para aumentar a carga em sala de aula. Então, vejamos, trabalha-se mais em sala de aula para ficar sem sequer se saber quando o salário devido será pago.

Diante desse quadro é que anúncios de que, por exemplo, a subutilizada Cidade da Criança (que custou uma fortuna aos cofres públicos municipais) será transformada em um centro de referência em Educação Inclusiva me parecem surreais, como alardeado pelo prefeito Wladimir Garotinho em sua página na rede social Facebook (ver imagem abaixo).

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O problema é que sequer se paga os salários em dia, como esperar que os servidores precários tenham condições de realizar atividades como as que se espera seriam realizadas neste centro de referência? 

Como já bem disse a mãe do prefeito, Rosangela Matheus, Wladimir parece achar que está no cargo por causa dos seus olhos verdes e, em vez de observar como os que tocam o barco estão sendo tratados, prefere ficar exibindo seus supostos feitos nas redes sociais.  Um bom sinal de que se entende a importância do cargo ocupado seria evitar situações vexatórias como as que foram arroladas nesta postagem. Vamos lá prefeito, arregace as mangas e pague os salários dos professores contratos precários. Eles certamente vão agradecer.

 

 

Wladimir versus Rafael: não tem nem como comparar

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Quem lê o que escrevo sobre a gestão do prefeito Wladimir Garotinho (Ex-PSD, atualmente sem partido) já deve ter notado que sou um crítico de parte significativa de suas práticas e projetos, pois as considero aquém do que a cidade de Campos dos Goytacazes precisa e, mais ainda, merece.  Um dos problemas que vejo em particular é o uso exagerado das redes sociais pelo jovem prefeito campista, pois existem momentos em que um grau de recolhimento lhe cairia melhor do que a super exposição que as mesmas proporcionam.

Por outro lado, a ação desastrada de realizar uma eleição para a mesa diretora da Câmara de Vereadores vem proporcionando uma alavancagem a seus opositores (alguns deles com menos qualidades do que as já demonstradas por Wladimir).  Não sei quem teve a infeliz ideia de realizar essa eleição intempestiva, mas o tiro claramente saiu pela culatra, e rende uma dor-de-cabeça claramente desnecessária ao prefeito de Campos já que ele precisa perder tempo precioso com ações que não são aquelas pedidas pela maioria da população.

Mas se olharmos a dita oposição na Câmara de Vereadores, a maioria dos vereadores e partidos que oposição ao governo municipal passaram quatro anos sentados confortavelmente na condição de bancada governista do governo de Rafael Diniz, certamente o pior (e olha que tivemos governos bem ruins desde que cheguei na cidade em 1997) de que tenho memória.  O cinismo é tão grande que até figuras de proa do governo de Rafael Diniz tem colocado a cabeça de fora dos buracos de onde se esconderam para criticar as ações de um governo que faz a maioria da população ter uma amnésia gostosa em relação ao desastre que o governo de Rafael Diniz representou para a cidade.

Eu também chamaria a atenção para aqueles opositores dentro da chamada “sociedade civil organizada” que, como os vereadores, passaram os anos de Rafael Diniz firmemente presos nas tetas dos cofres municipais, sem que houvesse qualquer retorno palpável para qualquer setor que fosse (a não ser aquele em que eles estão inseridos). Agora que as torneiras aparentemente foram parcialmente fechadas, vê-se o retorno da crítica aos feitos do prefeito dos mesmos que em um passado recente ficaram calados.

Em outras palavras, em minha opinião Wladimir Garotinho realmente comete erros facilmente evitáveis e também exagera na autopromoção que resvala em uma arrogância contraproducente, mas está longe de representar o desastre e o estelionato eleitoral que Rafael Diniz foi. Aliás, se olharmos a distância entre promessas e ações de forma minimamente justa, chegaremos à conclusão de que a distância entre os dois prefeitos é estelar, já que Rafael Diniz foi o próprio estelionato eleitoral, tendo punido os mais pobres com medidas draconianas, a começar pelo fechamento do Restaurante Popular, que contradisseram totalmente a sua propaganda eleitoral.

Alguém poderá se perguntar o porquê de eu estar escrevendo uma postagem que aparentemente defende Wladimir Garotinho. Esclareço que não tenho porque defender o atual prefeito já que não estou nem próximo de pertencer ao grupo político dele, nem me alinho com sua linha ideológica de governar. A questão aqui é só lembrar que o governo anterior era infinitamente pior e que alguns dos detratores do atual governo eram parte orgânica dele. É preciso lembrar isso, pois “Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.”

Finalmente, e falando em Rafael Diniz, por onde anda mesmo o jovem ex-prefeito (agora não tão jovem) depois que a população o retirou da cadeira na qual nunca deveria ter estar? Provavelmente pensando que nas próximas eleições municipais seus malfeitos já terão sido esquecidos, permitindo então a ele poder voltar a tentar a sorte em algum cargo eletivo. Quem viver, verá.

Asfalto sonrisal como dádiva de governo? Menos, prefeito Wladimir, menos…..

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Acabo de ler um artigo no site “Tribuna NF” sobre o aparecimento de buracos precoces no recapeamento realizado na rua Saldanha Marinha, o que configuraria o uso do chamado “alsfalto sonrisal, o que colocaria em xeque a longevidade da fina camada asfáltica que foi colocada para dar uma espécie de “lifting” nas faces esburacadas da maioria das ruas da região central da cidade de Campos dos Goytacazes.

Eu estaria faltando com a verdade se e que estou surpreso com essa revelação, pois tenho sido um observador privilegiado da forma caótica com que os trabalhos realizados pela empresa (ou empresas) contratada pela administração de Wladimir Garotinho têm sido realizados.  A forma aparentemente descoordenada com os serviços, entretanto, me parecem ser apenas a ponta de um iceberg, pois há algo mais importante que está ausente, qual seja, a predominância de um padrão de completa incivilidade na condução diária do trânsito, pois está muito difícil dirigir de forma segura e civilizada pelas ruas da cidade, na medida em que inexiste uma política municipal de trânsito e, pior, fica evidente que a Guarda Civil Municipal não possui o efetivo necessário para disciplinar os indisciplinados. Em outras palavras, há algo mais frágil em nossas ruas do que o asfalto sonrisal denunciado pela Tribuna NF.

Diante disso tudo, o que faz o prefeito Wladimir Garotinho? Vai para as redes sociais para mostrar a recuperação (capenga) das ruas centrais como alguma espécie de demonstração de dádiva divina. A isso eu respondo: menos, prefeito, menos.

Múltiplos casos de COVID-19 em crianças forçam suspensão de aulas presenciais em escola campista

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No dia 21 de março escrevi uma postagem em que comentei a decisão do prefeito Wladimir Garotinho decretou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes abertos e fechados em Campos dos Goytacazes. Considerei aquela decisão equivocada, pois pesquisadores com conhecimento da situação da pandemia da COVID-19 no Brasil consideram que ainda não é a hora de se decretar o fim de uma pandemia que ainda possui potencial para causar graves danos à saúde dos brasileiros.

Pois bem, 16 dias depois da decisão do prefeito de Campos dos Goytacazes, fui informado que pelo menos uma escola particular foi obrigada a voltar ao ensino online por causa do adoecimento de diversos alunos de uma mesma turma, e que pode ter gerado uma onda de contaminações para crianças de outras turmas.

Para complicar, pais que procura socorro médico para seus filhos na rede privada de saúde encontraram uma situação caótica, pois aos casos de COVID-19 estão se somando casos de gripe, o que está causando um verdadeiro pandemônio nas áreas de emergência.

Daí é que eu digo: em vez de seguir as pressões de grupos que não colocam a saúde da população em primeiro lugar, Wladimir Garotinho deveria se informar com aqueles que sabem a real situação da pandemia da COVID-19, no caso pesquisadores  como a doutora Margareth Dalcomo da Fiocruz.

Finalmente, eu não vou me surpreender se mais escolas campistas tiverem que suspender temporariamente as aulas presenciais. É que o vírus continua circulando, agora mais livremente por causa da decisão intempestiva do prefeito Wladimir Garotinho.