O cúmulo do desespero tem nome: tentar barrar Wladinho

wladinho

Acabo de ler uma notícia em relação à tentativa fracassada da coligação “Campos pode mais” de barrar o uso do alter ego de pelúcia do prefeito Wladimir Garotinho, o boneco Wladinho, nas veiculações eleitorais da chapa situacionista.

O juíz responsável pelo processo, o honorável Márcio Roberto da Costa, indeferiu o pedido de barrar Wladinho porque o uso do mesmo não fere a legislação eleitoral vigente.

E aí eu fico pensando: quem foi o gênio da campanha da coligação “Campos pode mais” que teve a ideia de barrar o uso de um boneco por uma campanha adversária? Isso parece, e é, um famoso tiro no pé e de bazuca. É que, primeiro, alguém deveria ter analisado se havia alguma ilegalidade no uso do boneco. Segundo, e mais importante, se a sua campanha não consegue fazer frente ao alter ego de pelúcia, isso mostra que a disputa com o prefeito está mais para lá de perdida.

Wladimir e Wladinho devem ter esfalfado com mais essa bizarrice da campanha da “Campos pode mais”, que poderá terminar mais para “pode menos”.

Particularmente, acho a ideia do uso de Wladinho “fofa”, mas também um tanto despolitizante. Coisa que seria melhor deixada para lá.   Agora, convenhamos Wladinho ficou e o estrago que ele vai causar só aumentou.

Faça o que eu falo, mas não o que eu faço. Ou como a oposição foi o maior aliada de Wladimir Garotinho

falo faço

Por Douglas Barreto da Mata

Este texto não procura diminuir as qualidades eleitorais e da gestão municipal, apesar de eu achar que há muita coisa a ser feita.  Nada disso.  No entanto, não é possível ignorar a capacidade de articulação política do atual prefeito, a forma como entendeu a carência deixada pelo seu antecessor, Rafael Diniz, O Incapaz, e mais, como dominou a comunicação de si mesmo, e do seu governo.

Não posso afirmar se Getúlio (Vargas) criou a obrigação de colocar o quadro do mandatário (no caso dele, presidente) nas repartições públicas, mas ficou para a História o jingle da sua campanha de 1950:  (bota o retrato de Velho outra vez/Bota no mesmo lugar/O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar, letra de Francisco Alves). 

Essa musiquinha dava contorno à concepção da onipresença, como se a imagem conferisse um olhar do líder sobre seus subordinados, compelindo-os a executar suas tarefas.  Ou seja, o líder cuida de todos, mas a todos observa.  Em tempos de rede social, a tarefa de se fazer presente se torna um pouco mais fácil. 

Nos tempos do pai do atual prefeito, o ex-Governador Garotinho, essa maneira de agir se manifestava em presença física em obras, escolas, etc, e justiça seja feita, o filho Wladimir ainda guarda essa rotina, para além da presença virtual nas redes sociais.

Zezé Barbosa, avô de Rafael Diniz, preferia madrugar no “triturador”, instalação usada para moer ossos em um antigo matadouro, convertida como instalação da prefeitura, ao lado do cemitério do Caju, de onde o então prefeito despachava desde muito cedo.

Essa conjugação de fatores (presença, marketing pessoal de rede e fracasso do antecessor) porém, não deve ser a única explicação, eu presumo, para tanta vantagem de Wladimir sobre os oponentes.

Como o título já entrega, a fragilidade, ou pior dizendo, a indigência intelectual dos opositores ajudou, e muito!  Vejam o caso do PT.  Primeiro, sob as ordens do grupo político que tem no presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) seu comandante, manteve a tese de que a deputada Carla Machado poderia ser candidata, ainda que até as pedras do Cais da Lapa soubessem que não.

A justificativa?  Mesmo na impossibilidade, a projeção do nome dela faria com que houvesse um capital político acumulado, que poderia ser herdado por quem ocupasse a vaga de dublê da deputada.

Bem, se foi isso, alguém tem que reclamar com o roteirista desse filme, que neste caso, dizem foi o pessoal do “Sou Feijó, mas Voto PT”, personificado em ninguém menos que Luciano D’  Angelo, considerado um dos alquimistas da político local, mas que, ao que tudo indica, perdeu um pouco a mão na dose de antigarotismo.

Além do constrangimento ao candidato, Jefferson, que sempre foi visto, e sempre se sentiu como um estepe, o tal capital político desejado (votos de Carla Machado) migrou sim, mas para o centro (Wladimir) e para a extrema direita (delegada), por um motivo simples: esse é o perfil do eleitor de Carla, a direita, conservadora, que enxerga nela um tipo de matriarca de São João da Barra.]

Pois bem, os tropeços e vergonhas se acumularam, com Jefferson debatendo dados do IDEB, mesmo com todas as evidências em seu desfavor, tingindo a campanha do PT de um negacionismo só visto nos piores tipos da extrema-direita, pois atacou, alucinadamente, dados de uma medição promovida pelo governo federal, que sabemos, hoje é liderado pelo PT.

Se já não fosse suficiente, Jefferson ainda teve que encarar o constrangimento de ter seu trágico desempenho nos índices de avaliação (ENEM-ENAD) trazidos ao público, já que em sua gestão a colocação do IFF Norte Fluminense despencou. 

O outro vexame se deu pelo fato de o PT funcionou como cavalo de aluguel da candidatura da extrema-direita, e essa certeza veio quando Jefferson tentou, de forma criminosa, criminalizar a campanha de Wladimir, inferindo que o prefeito tivesse vínculo com as supostas condutas ilícitas, atribuídas a um vereador, candidato à reeleição.  Logo o PT, querendo atacar e “lawfare”sendo o PT uma das grandes vítimas da ditadura das togas(Faça o que eu falo, não faça o que faço.)  Não ficaram só para o PT as trapalhadas.

O pessoal da candidata delegada também se esmerou. Primeiro a abordagem raivosa, quase bélica, contra um prefeito bem avaliado, com fama de bonachão e gente boa.  O episódio de um deputado estrangeiro ofendendo a primeira-dama foi o clássico tiro no pé, ainda mais para alguém que tem no seu único ítem no currículo a passagem pela DEAM. 

(Faça o que falo, não o que faço).

Ao invés de trazer debates necessários, a campanha da delegada preferiu o caminho do desgaste da imagem do atual prefeito, sem considerar o óbvio: na atual conjuntura, lendo as mesmas pesquisas qualitativas que, por certo, todos os grupos políticos têm acesso (ou deveriam), já deveria estar claro que essa tática não levaria a lugar algum.

O eleitor de Wladimir não identifica os erros como sua responsabilidade por dois motivos:  Wladimir conseguiu fazer com que parte dos erros sejam entendidos como resultado da gestão passada (o que é correto), mas principalmente, porque ele mesmo, Wladimir, tomou da oposição a narrativa desses erros, quando admite as suas existências, e diz que só ele poderá acertar no próximo mandato.

Isso só foi possível, como já dissemos, porque ele construiu uma relação bem sucedida com o eleitor, atributo pessoal dele, e que supera qualquer argumentação em contrário.

Restava à oposição falar daquilo que não se fala, mas aí faltou, do lado petista a coragem, e talvez também houvesse o impedimento pela estranha aliança com a extrema-direita, que interditou, por exemplo, uma discussão sobre tributos, questões fundiárias urbanas e rurais, ambiente, etc.

Já no caso da extrema-direita, esta agenda nunca seria trazida ao centro do debate, por questões óbvias.  Assim, o prefeito “cercou por todos os lados”, como se dizia na contravenção, antigamente. 

Claro que tudo isso foi salpicado com passagens grotescas, porém bem-humoradas, ao contrário do triste episódio do deputado alienígena ofendendo a primeira-dama, ao lado de uma sorridente delegada da DEAM.

Teve também, por exemplo, a piada que foi a representação pela censura de um boneco, o Wladinho.  Ao morderem a isca e passarem ao ataque a uma referência, os opositores mostraram o quanto perdidos estão.  Sim, a metalinguagem transferida ao boneco é um truque antigo, mas ainda hoje, como vemos, é super eficiente.

Para responder a uma metáfora, só outra.

Não se responde a um boneco com fala de gente, formal, séria…você responde a um boneco com a mesma linguagem, no mesmo campo do humor e da jocosidade.  Atributos que não se encaixam no raivoso figurino da extrema-direita, e como também já falamos, foi a escolha desde o começo.

Já no campo dos debates, assistimos a um vídeo cansativo da deputada Carla Machado, deitando longos minutos de falação, enquanto suas mãos repousavam sobre um tipo de diploma ou título, como se a conferir respeitabilidade à interlocutora, um tipo de chancela.

Aquilo que ela prega aqui, para Campos dos Goytacazes, a candidata dela em SJB não pratica, ou seja, lá em São João da Barra, Carla Caputi, favorita à reeleição e apoiada por Carla Machado, não vai fazer debate com o opositor.

(Faça o que falo, não o que faço).

Como ato de “grand finale”, a deputada Carla Machado deu a facada final na moribunda campanha de Jefferson do PT, ao declarar apoio à delegada candidata.  Matou duas campanhas com uma paulada só. Talvez nem se ela desejasse tal consequência, ela teria tanto êxito, a deputada.

Ao aderir à delegada, talvez tenha tirado qualquer chance de que ela (a delegada) fizesse um pouco mais de votos, e assim se revelasse como um quadro político relevante para o futuro próximo.

Eleitores de direita e de extrema-direita da delegada, provavelmente, não engoliram essa união, e se não migraram para o campo dos brancos e nulos, ainda podem fazer o pior, e votar em Wladimir.

Quanto ao Professsor Jefferson, eu nem sei ao certo, talvez essa “facada” fosse a deixa para ele retirar a campanha, e se poupar um pouco da extrema vergonha que se fez passar, em um auto flagelo poucas vezes visto na História.

Quem sabe faltou ensaio, e ele não seguiu o roteiro?  Por último, e não menos importante, nestes últimos dias, a oposição se superou.  É claro que é leviano dizer que o time da delegada tenha censurado a publicação dos resultados da pesquisa Paraná/O Dia.

Não acho que um veículo com a dimensão do O Dia aceite fazer um papel tão rasteiro.  Porém, as más línguas (sempre elas) juram que essa censura pode ser verdade, pois a situação é ainda mais grave.

O resultado não seria apenas uma confirmação do quadro anterior, mas traria notícias ainda piores, ou seja, confirmava a tendência de queda já observada.

Alguns se perguntam, atônitos:  Uai, se eles dizem que pesquisas não importam, e que o resultado que importa é o dos urnas (e é verdade), por que tanto trabalho para esconder os resultados (negativos) da pesquisa?

(Faça o que falo, não o que faço). 

Outros ainda mais maldosos dizem que a debandada de eleitores da delegada levou o comando da campanha a gestos desesperados, como a contratação de milhares de pessoas para empunhar bandeiras pelas ruas, para dar ideia de volume (e vitória). O evento pode ser chamado de Invasão dos Bandeirantes.

Mesmo assim, o efeito parece ser o contrário, e há a nítida impressão de que os bandeirantes aceitem a remuneração, mas votem no atual prefeito, o que não seria inédito na história e anedotário eleitoral.

Como a última pesquisa foi, de fato, censurada, o que fica é a especulação, a quiromancia estatística.

Eu lembro do sincericídio de Rubens Ricúpero, chanceler do Itamaraty nos tempos de FHC, falando das estratégias de marketing do Plano Real, que foi capturado antes da entrevista, mas vazado, para desespero dele:  “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.

 
 
 
 

Wladimir surfa no espectro de Rafael Diniz, mas esconde que também tem o seu

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Wladimir Garotinho e seus espectros: um que alavanca e o outro que poderia derrubar suas chances eleitorais

Há um acordo quase geral que boa parte da aprovação que impulsiona as chances de que Wladimir Garotinho se reeleja já no primeiro turno que ocorrerá no dia 6 de outubro tem muito a ver com a triste memória deixada por seu antecessor, Rafael Diniz.

Wladimir, como político sagaz que já demonstrou ser, soube estabelecer uma diferença marcante em relação a Rafael, a começar pela reabertura do restaurante popular cujo fechamento foi um dos maiores tiros no pé que eu já vi um político cometer em início de mandato.  Como se sabe, o funcionamento daquela unidade não é tão oneroso e seu fechamento privou de alimentos o setor mais frágil da população. Em suma, foi uma maldade pura.

Quem acompanhou o governo de Rafael e seus menudos neoliberais sabe que o fechamento do restaurante popular na alvorada de um governo que seguiu fazendo maldades contra os mais pobres foi apenas o primeiro passo na desconstrução da rede de políticas sociais municipais que mantinham os pobres com um mínimo de acesso a serviços públicos básicos.

Mas o que me surpreende em relação aos núcleos duros das campanhas que querem derrotar Wladimir e que o veem usando o espectro de Wladimir para convencer a população que é melhor não trocar novamente o certo pelo incerto se refere ao fato de que o prefeito também tem um espectro que poderia ser mortífero para suas chances eleitorais.

Não falo aqui do fato de Wladimir ser filho de Anthony e Rosângela, fato inescapável do qual ele conseguiu se descolar com maestria ao adotar um estilo próprio de governar, ainda que algumas das tinturas herdadas de seus pais.

Falo sim do fato que Wladimir Garotinho deverá deixar a cadeira de prefeito para concorrer ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro em 2026. Com isso, a cidade de Campos dos Goytacazes passará a ser governada por Frederico Paes, um dublê de usineiro e empresário da saúde privada. Quem conhece Wladimir e Frederico, como eu conheço, sabe que essa aliança poderia ser justificada em 2020, mas não faz muito sentido na atual corrida eleitoral.  É que, convenhamos, Frederico Paes acrescentou quase nada ou muito pouco à gestão de Wladimir, e também não é alguém próximo políticamente ao grupo Garotinho.

No entanto, a verdade é que temos diante de nós o espectro de Frederico Paes ser o prefeito na segunda metade do mandato que se iniciará em janeiro de 2025. Por que ninguém falou disso até agora? Eu me arrisco a dizer, parafraseando Bob Dylan, que “the answer is blowing in the wind”. E nosso caso, sudeste.

Errar é humano, persistir no erro é uma prova de baixa inteligência. Se for em período eleitoral, pior ainda

abraço dos afogados 1

Por Douglas Barreto da Mata

Hoje cedo dei uma passeada, muito à contragosto, pelas redes sociais.  Parece que, no campo da delegada Madeleine, o desespero se aproxima.

Pelo que li, as críticas sobre o fato da deputada Carla Machado ter trazido o “bode para a sala”, defendendo o ex-prefeito Rafael Diniz e seu “governo” (que esteve mais para desgoverno) calaram fundo nos apoiadores da delegada, e principalmente, porque essa fala se deu por uma parlamentar do PT, o que é inimaginável para aqueles que disputam a primazia de serem a extrema-direita campista.

Pois bem, o argumento fajuto deles é que o atual prefeito trouxe para seu lado pessoas que estiveram no “governo” Rafael Diniz.  Ora, pelotas!  Em uma cidade onde os grupos políticos que se revezaram no poder, ou estiveram ao lado da família Garotinho, ou contra eles, e vice-versa, muito pouca gente pode escapar de ter, um hora ou outra, participado deste ou daquele governo.

A questão não é essa, embora os fundamentalistas da delegada desejem rebaixar a conversa para o aspecto pessoal, e diga-se, como forma de fazer justiça, tais abordagens pessoais nunca foram proferidas (em público) por Rafael ou por Wladimir, conhecidos por suas fidalguias.

Porém, afastadas essas circunstâncias menores, há um campo para debater o recrutamento pelo atual prefeito de vários quadros, inclusive alguns da gestão Rafael Diniz.

Ninguém nunca disse que o governo Rafael Diniz deu errado por causa das pessoas, ao contrário, havia ali quadros tidos como muito capacitados, como foi o caso de Brand Arenari, ex-secretário de Educação, do ex- Procurador Geral do Município, tido como um jurista novo, mas talentoso.

Há outros exemplos de pessoas inteligentes, mas que não deram certo sob o comando de Rafael.  Parece óbvio que não deu certo foi  o governo, a reunião desses quadros em torno de uma ideia ruim. Um governo com princípios ruins só poderia dar errado.

Rafael Diniz preferiu usar todo o capital político que tinha, conferido por uma surpresa alucinante nas urnas, que o levou a derrotar a família Garotinho, na empreitada de apagar da memória da cidade o legado desse grupo político.

Era possível? Sim, era, mas para tanto, ele precisava governar, dialogar, articular, e não apenas repetir jargões da mídia e da campanha. Era preciso fazer mais e melhor, ainda que com menos dinheiro.  Lamentar e chorar pela perda de receita não adianta, os problemas da população não entendem essa choradeira.

No fim, sobrou para Rafael e seus seguidores apenas o ressentimento. Ressentimento, sabemos, não é um bom adubo para semear carreiras políticas.

O que a oposição a Wladimir, que hoje se reúne em torno de Rafael Diniz, não entende, quando parte para esse desagravo tardio e burro, trazendo ele de volta ao cenário, para a alegria do prefeito Wladimir Garotinho, é que o atual prefeito conjugou a fórmula que era necessária: usou o antecessor desastroso como referência sim, mas articulou, conseguiu recursos externos, fez o dever de casa no quesito fiscal, criou obras de impacto, e principalmente, estabeleceu uma interlocução diária e cotidiana com o povo, através de todos os meios que soube utilizar magistralmente, as mídias e redes sociais, mesmo quando aparecia em desvantagem.

Rafael Diniz, eleito à base da onda digital, nunca pareceu entender o que havia lhe beneficiado, ao contrário, deu a entender que estava ali de passageiro e não de motorista do seu próprio destino.

Desmontou uma rede de proteção social, que embora não fosse perfeita, conseguiria deter os efeitos do que estava por vir, e veio, com a diminuição das rendas do petróleo, e depois, com a pandemia, já no governo atual.

Rafael Diniz quando se deparou com verbas menores, tirou os recursos dos programas que atendiam quem mais seria vulnerável a essa carência orçamentária.  Cortou os programas de renda mínima municipais.  Implodiu um sistema de transporte público que já era precário, é verdade, mas não colocou nada no lugar.  Deixou a cidade sem avaliação junto ao MEC, zerando a nota do IDEB.

Enfim, todo mundo se lembra da sua gestão como a pior de todas.

A presença dos quadros políticos de Rafael Diniz, que foram reaproveitados no atual governo, de Wladimir Garotinho, e que contribuíram para uma avaliação positiva de 76% da população, mostra que faltava liderança, faltava prefeito.

Quando os apoiadores da delegada mostram fotos desses quadros ao lado de Rafael Diniz, e hoje, ao lado de Wladimir, eles afundam ainda mais no desgoverno de Rafael, porque se estes quadros funcionam bem na atualidade, com Wladimir, por quê não deram certo antes?

Sim, o problema era o comandante. Justamente aquele com quem o PT, a delegada, e a deputada Carla Machado querem abraçar. Abraço de afogados?  As urnas dirão.

A planejada cadeirada da InTerTV no eleitorado campista é daquelas que nem o Datena daria

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Por Douglas Barreto da Mata

Antes de tudo, e mais nada, é bom que se diga:  Não me cabe discutir as táticas eleitorais deste ou daquele candidato.  Se o Prefeito Wladimir Garotinho deseja não comparecer ao debate, é uma escolha dele e, de certa forma, os manuais de marketing eleitorais dizem que o franco favorito não ganha nada indo a debates, ao contrário, eles se expõem a ambientes não controlados.  Quem deve avaliar a conduta, grosso modo, é o eleitor.

A julgar pelos fatos recentes, apesar do pessoal da GloboNews dizer que detesta o que aconteceu no debate da TV Cultura, quando o “influencer” Pablo Marçal levou uma cadeirada do jornalista e apresentador José Luiz Datena, protagonista maior do blood news  made in Brazil (blood é sangue, em inglês), antigamente chamado jornalismo “escorre sangue”, tudo indica que a mídia comercial tenta correr atrás do prejuízo, e tirar sua casquinha desse circo de horrores que virou a disputa eleitoral de São Paulo.

É só assistir aos programas do canal fechado do grupo Globo, que não se move em outra direção, a não ser repercutir aquilo que ela diz detestar repercutir.  Engraçado, não? Não, não é engraçado, é trágico.

Em Campos dos Goytacazes, outra “cadeirada” está em preparação.  Hoje ouvimos o candidato Wladimir declinar da sua participação, exceto se todos os candidatos participarem, o que foi negado “pelas regras” da seção local da Rede Globo.  Novamente, não questiono os motivos, eles existem, mas não tornam os argumentos que os sustentam falhos. 

Vamos a eles:  Se a TV diz que o debate é crucial para esclarecer e ajudar o processo eleitoral, como imaginar que ela, a TV, exclua do debate um ou outro candidato, tendo como linha de corte a não representação parlamentar no Congresso?

Ora, é o mesmo argumento de quem exige experiência do jovem para dar o primeiro emprego…Como ter experiência, se te negam o acesso a ela?  Como aumentar seu capital político, se a TV lhe negou acesso ao público?  Pois bem, esse foi o primeiro.

Eis o segundo:  Ora, TV é concessão, e eleição é certame público, de natureza especial, é verdade, mas em sua essência, uma concorrência pública, um tipo de concurso público.  Como uma concessão concorre para dificultar ao eleitor (o contratante, lato sensu) escolher a melhor proposta?  Aliás, é a eleição a única oportunidade que o eleitor escolhe em um certame a melhor proposta!  Isso, além de politicamente inexplicável, pode ser considerado crime contra licitação.

Há um problema ainda maior.  Um passarinho me contou que a regra draconiana da Inter TV diz (não sei se eles vão manter) que essa regra de exclusão é “de cima”, ou seja, de todo grupo Globo.  Como punição, o candidato ausente terá um púlpito vazio, com sua identificação, e mais, os candidatos poderão perguntar, e logo depois, usar o tempo para responder a si mesmos, atacando permanentemente o ausente.  Meu Deus!

Se nem em delegacias, onde acusados de crimes podem ser questionados depois que se manifestam pelo silêncio, se suas ausências nos atos de Inquéritos Policiais podem ser tomadas como presunção de culpa para indiciamentos, sob pena de responsabilização dos delegados por abuso de autoridade, como imaginar que um canal de TV permita um ausente ter sua imagem atacada, em afronta ao que dizem os princípios constitucionais e as leis acolhidas por tais princípios?

Eis o Artigo 15 da Lei 13689 (Abuso de Autoridade):

“(…)

Art. 15.  Constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo:

Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 

Parágrafo único.  Incorre na mesma pena quem prossegue com o interrogatório: 

I – de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; ou

(…)”.

Em suma, a lei nos diz que se a pessoa fica em silêncio (o STF já decidiu que esse silêncio também se expressa pela ausência ao ato inquisitorial) ela não pode ser punida ou ter seu interrogatório continuado.

Em detalhes:  O silêncio e a ausência a uma convocação policial não podem ser consideradas como elementos de assunção de culpa, ou servirem como indício em prejuízo dos investigados!  Então, quem não pode mais, não pode menos (princípio comezinho do Direito).  Uma vez que é vedada a um delegado(a) de polícia, ou agente a mando dele(a) punir um acusado por não querer falar, como é que uma concessionária pública de canal de TV (aberto) reivindica um poder (neste caso, abuso de) que sequer o sistema criminal permite?

Se eu fosse a assessoria do candidato Wladimir entraria com uma representação contra esse absurdo, prevenindo que aconteça.  A memória do país é curta, mas é bom lembrar a edição do debate em 1989, onde Lula foi garfado por Armando Nogueira, editando o debate a favor de Fernando Collor.

Os mais antigos lembrarão da fraude do Proderj (autarquia estadual que contabilizava os votos em 1982), denunciada por Brizola, que acabou eleito.  Não é demais dizer que o compadrio da TV com juízes levou a lava jato, um capítulo sombrio de nossa História. 

Mais uma vez, muito me estranha que o PT, sua coordenação e seu candidato tenham ficado silentes frente a este abuso.  Que a extrema-direita dê pauladas na Democracia eu entendo. O que me espanta é o PT, juntando-se com a mídia para dar uma cadeirada no eleitor campista.

Socorro Brecht:

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”

Em Campos dos Goytacazes, a eleição para prefeito deverá ser por W.O. Mas e depois?

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Por Douglas Barreto da Mata

Há algum tempo, escrevi que a eleição de Campos dos Goytacazes seria decidida não pelo embate governo e oposição, mas por completa ausência desse último segmento, como você pode relembrar aqui.  Hoje, li o texto do Professor Marcos Pedlowski, tecendo considerações sobre o governo Wladimir Garotinho e suas respectivas a falhas.

Pois bem, é preciso fazer um pouco de justiça, a partir de algumas constatações.  É fato que encontrar a cidade após a desastrosa administração de Rafael Diniz já seria algo difícil de reconstruir.  Agora imagine essa condição, acrescentada pela pandemia da COVID-19.  O que se viu, literalmente, foi terra arrasada.  Boa parte do tempo da administração foi dedicado à reversão desse quadro. 

Aquilo que o neto do oligarca Zezé Barbosa disse que seria impossível, a repactuação da cessão de direitos dos royalties, foi costurada pelo atual governo com certa rapidez, assim como uma intensa negociação com o Governo do Estado, que alocou uma gama considerável de recursos na cidade, e deu alívio de caixa ao município.  Também na esfera federal, a atual administração circulou com boa capacidade de interlocução, e conseguiu recursos para melhora da frota urbana de ônibus e outras verbas.

Tudo isso deu chance à recuperação da pontualidade dos pagamentos dos servidores, para posterior recomposição parcial de perdas salariais, restituição dos programas sociais interrompidos, como o Cartão Goytacá, Restaurante Popular, e outros programas menores.

A rede municipal de educação e saúde pareciam uma zona pós guerra, tanto do ponto de vista físico desses equipamentos, quanto do funcionalismo.  Uma grande parte foi reconstruída, e a parte gerencial é prometida como próxima etapa. 

Com a entrada de recursos públicos, a economia gerou empregos, e aqui uma outra observação: sempre creditam o fracasso ou estagnação da economia local, um tipo de Doença Holandesa, a hiper dependência dos royalties.  30 bilhões em royalties, dizem.

Sim, é verdade, o que não dizem é outra coisa.  Apesar de concordar com a tese do desperdício, boa parte desse dinheiro foi destinado ao pagamento de inúmeros serviços públicos, além da indução da economia local, seja com obras públicas, seja com pagamento de servidores. Se não fosse esse gasto, quem geraria empregos? A iniciativa privada?  Onde?

Com saldo positivo de geração de empregos nestes quatro últimos anos, nenhum empreendimento gerador de emprego foi iniciado nesta cidade.  Nada. Os parasitas continuam onde sempre estiveram, esperando vagar uma teta no orçamento público.  Então, temos que rever alguns conceitos sobre esses valores, diante de uma elite tão preguiçosa e mau caráter como a nossa, legatária do tempo da escravidão, e que ainda não entrou no Século XX.

Assim, o Professor Pedlowski sabe muito mais que eu, que por tudo isso, o que foi realizado teve lugar dentro de um ambiente hostil, da maioria da mídia e dos chamados setores “intelectuais”, ao contrário do silêncio cúmplice na administração de Rafael Diniz.

E se governar também é disputar espaço dia-a-dia, uma parte do esforço deste governo foi empenhada na tarefa de construção, senão de um consenso, pelo menos de alguma boa vontade destes, digamos, leões contra a família Garotinho, e gatinhos quando se trata de outros grupos políticos.

Pois bem, há, ainda, grandes problemas?  Certamente.  Mas como os governos se orientam em um processo democrático?  Sem uma oposição forte, com capacidade de debate propositivo, estruturado em dados, os governos tendem a perder a referência de si mesmos.

Quando menciono oposição relevante, não falo apenas do aspecto do incômodo, como fez o grupo local de vereadores, que tentou barrar a votação da lei orçamentária, deixando a cidade em suspenso até o início deste ano.

Querem um exemplo?  Eu me recordo que no início do governo Wladimir Garotinho, diante da possibilidade de restrições orçamentárias, o prefeito enviou à Câmara Municipal um projeto de reforma tributária, bem tímido, diga-se, exortando os mais ricos a pagarem na proporção de suas riquezas, a conta do funcionamento da cidade.

Foi o caos, e pior, raro caso de unanimidade dos edis, governistas e oposicionistas, e de todos os setores da cidade, inclusive da esquerda.  Aquilo que seria o início de uma importante discussão para reconfiguração da estrutura urbana, e que reside na assertiva de que paga mais quem pode mais, e por tal razão, têm os melhores serviços da cidade, foi abortada no útero legislativo.

Outro estranho consenso?  Águas do Parahyba, uma das chagas da vergonha da cidade, uma concessão que age quase na ilegalidade.  Como o prefeito enfrentará essa corporação sem uma base sólida de apoio de todos os vereadores, ou ao menos, a maioria deles? 

O caminho da justiça, tentado pela Procuradoria do Município trouxe alguns ganhos, mas que são poucos, diante do que precisa ser feito como regulação dessa concessão nefasta.  Eu acho que o compromisso das pessoas que desejam uma Campos dos Goytacazes melhor, em todos seus aspectos, é estabelecer uma disputa política concreta e honesta, trazendo para a pauta aquilo que realmente importa:  a cidade e seus serviços devem atender aos que mais precisam, e quem deve custear tudo isso são aqueles que têm mais grana.

É preciso dar aos bairros mais periféricos o mesmo conforto, limpeza, mobilidade, e segurança dos bairros mais ricos. 

É preciso diminuir a quantidade de carros nas ruas, as cidades devem respirar, e a gente andando é que faz a cidade respirar.

É preciso disciplinar, fiscalizar, multar e diminuir a velocidade dos veículos, dizer aos motoristas que eles não são os senhores da vida e da morte.

É preciso praças arborizadas, nos bairros, equipamentos públicos de convivência, mas também com grandes parques, como o Parque Ecológico em construção.

É preciso levar as instalações da administração para as áreas degradadas (centro e etc), fazendo com que funcionários vejam e sejam vistos pela gente que eles servem.

É preciso interromper o ciclo de apropriação da cidade por uma minoria, e devolvê-la à maioria.

Esta tarefa não é só do prefeito, é da comunidade, que deve cobrá-lo, permanentemente.

É preciso, terminada a eleição, sentarem todas estas partes envolvidas, governo, vereadores eleitos, os setores menos delirantes da oposição, e construírem um pacto pela governança da cidade.

Não com nostalgias de um passado horroroso e escravocrata, uma suposta opulência excludente e provinciana, que alguns bobocas de classe média, lacaios de uma elite arcaica, verbalizam por aí, com ares de academicismo. 

Uma cidade plural, viva e pulsante.  Uma cidade cidadã.

Em Campos, Wladimir ser melhor do que Rafael Diniz é muito pouco ou quase nada

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Rafael Diniz com Frederico Paes e Wladimir Garotinho no processo de transição de um governo que faz o atual parecer muito melhor do que realmente é

Passadas as primeiras semanas da propaganda eleitoral para as eleições municipais de outubro, tenho visto um deserto de ideias aflorando nas ondas de rádio e nas telas de TV.  É como se a maioria dos candidatos a prefeito e vereador não vivessem na mesma Campos dos Goytacazes que eu vivo, tamanha é a superficialidade das propostas. No plano das candidaturas a prefeito, o que se vê é um arremedo de programas misturado com ataques e contra-ataques. No geral, o que se vê é apenas o esquentamento de velhas temáticas sem que se reflita sobre o que aconteceu desde a posse do atual prefeito que, convenhamos, faz um governo muito melhor do que seu antecessor cujo mandato é visto como um excelente exemplo de desencontro entre a propaganda eleitoral e aquilo que nos entregue o que for eventualmente eleito.

O prefeito Wladimir Garotinho com toda esperteza surfa na péssima memória do seu antecessor, o hoje pouco notável Rafael Diniz, e colhe os saldos de ter seu governo visto como melhor do que o anterior. Mas para começo de conversa, o que significa ter um governo melhor do que o de Rafael Diniz? Convenhamos que é muito pouco ou quase nada.

Como alguém que vive a cidade o ano todo e converso com muitos pelas ruas, cada vez mais sujas e abandonadas, me preocupa muito verificar que a administração municipal continua, apesar de um verniz modernizador, mantendo práticas que nos mantém na mesma toada daquela que eu encontrei em 1997 quando transportei meus poucos pertences para cá.  E é preciso notar que nesse período os royalties do petróleo fizeram aportar muitos bilhões de reais nos cofres públicos, sem que houvesse melhoria perceptível em áreas estratégicas para o bem estar da população.

As áreas de educação e saúde continuam sem possibilitar o acesso digno a milhares de cidadãos e seus filhos, essa é a verdade. Quando se conversa com cidadãos pobres que precisam acessar escolas e unidades de saúde municipais, o que se ouve é um show de horrores.  Alguém poderá aparecer com o argumento de que a nota do IDEB foi histórica. Mas e daí? Quem já conversou com algum professor da rede municipal certamente ouviu histórias de horror sobre a condição das salas de aula, e de como a maioria dos que labutam no chão das escolas não é concursada, dependendo de contratos precários que não garantem nem renda digna ou tranquilidade para enfrentar a tarefa dura de educar crianças que muitas vezes só comparecem na escola para se alimentar. E obviamente da devida obediência e alinhamento ao que demanda o governo municipal.

No caso da saúde, posso narrar uma experiência pessoal com mulheres trabalhadoras que compartilham a característica de estarem hipertensas. Uma delas me confidenciou que tendo recebido apenas um determinado medicamento, desconfiava que o mesmo era pouco apropriado para sua condição, mas que o médico que a havia atendido teria informado que era o que se tinha para entregar. A partir da minha própria condição de saúde e de um medicamento que uso diariamente, pude logo notar que realmente o remédio entregue é daqueles que não se receitam mais para quem pode pagar pelo que há de mais recente no mercado. Como os pobres não tem como comprar remédios mais modernos ou sequer pagar por consultas particulares, resta-lhes continuar vivendo cada dia como se não houvesse amanhã. 

Mas não é só educação e saúde que sofrem, apesar de orçamentos milionários. Vejamos a condição do transporte público que continua indigno do nome. A população hoje padece de uma estrutura que torna os menores deslocamentos penosos, com um custo relativamente alto para os mais pobres. Com isso, viagens que deveriam durar 20 minutos se transformam em epopeias no interior de veículos velhos e perigosos.  Aliás, se o IMTT resolvesse sair da condição de hibernação eterna em que se encontra, quantos dos ônibus e vans que sacolejam com campistas assustados por diferentes partes do município não teriam de ser recolhidos? Sugiro aos mais céticos que tentem uma viagem desde a rodoviária velha até, por exemplo, Morro do Coco.  Se não se desejarem ir tão longe, uma viagem até Guandu já daria conta da experiência. 

Para compor esse cenário de dificuldade, temos ainda ruas inteiras que receberam melhoras cosméticas sem a devida sinalização. Com isso, transitar pelas ruas de noite é quase um exercício de coragem. Essa coragem tem de ser maior porque vivemos em uma cidade média cujo sistema de monitoramento e controle de cumprimento das regras de um trânsito que parece congelado na Vila de São Salvador. Com isso, se estabelece um clima do salve-se quem puder e o resultado são acidentes diários com feridos e mortos. Tudo isso sob os olhares lânguidos das autoridades municipais, a começar pelos dirigentes do IMTT.

E a situação do contrato com as concessionárias de serviços públicos, o da Águas do Paraíba para começar? Nem o prefeito ou vereadores se dão ao trabalho de explicar à população como se pode gastar tanto e ter em troca serviços de tão baixa qualidade.  A questão do abastecimento de água e do tratamento de esgotos já deveria ter tido por parte de Wladimir Garotinho algo a mais do que a encenação de se vetar aumentos anuais que serão garantidos pela concessionária no Tribunal de Justiça, como se tudo fosse apenas um jogo combinado para manter as aparências. Enquanto isso, os aditivos continuam, como continua a baixa qualidade dos serviços prestados.

Algo que cobro desde o início do governo Wladimir Garotinho é o restabelecimento de uma secretaria municipal de Meio Ambiente e um plano mínimo de adaptação climática para Campos dos Goytacazes. Como pode ser possível que em uma cidade tão pressionada por fatores climáticos, estejamos sem uma secretária específica?  A recente crise da proliferação de cianobactérias no Rio Paraíba do Sul já deveria ter acendido um alerta gigante por causas dos riscos existentes para a saúde da população, mas tudo continuou literalmente como dantes no quartel de Wladimir.  Enquanto isso, as queimadas dos campos de cana afundam a cidade em espessas camadas de fumaça que trazem de volta compostos mercuriais presos nos solos desde os anos de 1970, os quais representam grave ameaça à saúde. Qual a reação do governo municipal a isso? Nenhuma, pois sendo o vice-prefeito um dos que seguram a caixa de fósforo até seria ingenuidade esperar o contrário. E tome gente (a maioria crianças e idosos) correndo atrás de farmácias e postos de saúde atrás de tratamentos.

Há ainda que se lembrar que não vivemos em um município desprovido de orçamento. Com as idas e vindas dos últimos anos, temos consistentemente orçamentos bilionários os quais são devidamente gastos sem que veja onde e com o quê exatamente. E não se trata de falta de dinheiro, mas de disposição para democratizar o acesso ao orçamento. Em outras palavras, trata-se de uma opção política no sentido de quem ganha e de quem perde na alocação dos recursos públicos. 

Finalmente, não pretendo ter exaurido todas as áreas em que vejo problemas na administração de Wladimir Garotinho, pois escolhi apenas as mais salientes.  Aqui é preciso que se diga que Wladimir segue uma cartilha que é puro suco de neoliberalismo, e isso explica porque seu governo tem os contornos que tem, com os pobres segurando a parte podre da corda.  O problema é que os seus concorrentes na atual rodada eleitoral parecem não ter problema algum com a cartilha em si, apenas com o fato de querem ser aqueles que a aplicam. Com isso, não chega a ser surpresa que as chances de Wladimir se reeleger em primeiro turno estejam tão altas. É que pelo menos com sua aplicação da cartilha, uma parte mínima do orçamento municipal ainda chega aos pobres na forma de políticas sociais pontuais.  Essa, aliás, me parece ser a principal razão por suas expectativas de voto estarem tão altas, apesar do sofrimento todo que os pobres experimentam em seus bairros. Os pobres sabem que o atual governo é ruim, mas que a coisa sempre piorar, como bem mostrou o governo que prometeu mudanças e removeu impiedosamente os pobres do orçamento.

Agora, se reeleito, Wladimir vai ter que lembrar que não será mais comprado com Rafael Diniz, mas com ele próprio. E aí poderão começar os problemas para claramente sonha em concorrer com o Palácio Guanabara em 2026.

O Professor Jefferson, a raposa, e as uvas

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Por Douglas Barreto da Mata

Quase todo mundo conhece ou já ouviu falar dessa fábula. A raposa desejosa das uvas que não conseguia alcançar, desdenhava dizendo-as verdes.  É a fábula do recalque.

A primeira vez que ouvi falar de Jefferson Azevedo foi através da minha filha, aluna do segundo grau do IFF, onde o professor concorria ao cargo de reitor.  Ela veio me cobrar, porque conhecia minha militância, e imaginava no candidato ao reitor uma coerência à esquerda, sobre a qual pairava a dúvida dela: “Pai, o candidato Jefferson foi na sala, e prometeu, caso ganhasse, pizza no bandeijão”.

Eu sou amante da comida italiana, brinquei, opa, vou me matricular.  Brincadeiras à parte, ali se revelava, pela surpresa de minha filha, e minha também, um certo trejeito do então candidato, que ali se expressava como fisiologismo.

Hoje, continuo a me assustar com o moço.  Não que ele não possa utilizar armas de outros para alavancar seus projetos eleitorais. O que me assombra é a falta de sofisticação.

Prometer pizza? Certo! Mas e os laboratórios, condições da escola, garantia de professores em sala (o que na época foi difícil).

De certa forma, toda eleição é um pacto fisiológico mesmo, com um candidato prometendo atender demandas dos eleitores. Se elas são de curto, médio ou longo prazo, aí é outra coisa, e não me cabe aqui entrar nesse jogo de valoração.

O fato é que o professor Jefferson acabou seu ciclo, melancolicamente, no IFF, sem fazer sucessor, e logo no reinício do governo Lula.

Como me disse um interlocutor muito mais sábio que eu, com quem tive o prazer de conversar na última segunda: “o problema foi o candidato”. Discordo, mas, polidamente, retruquei, pois acho que, nesse caso, tanto o padrinho como o afilhado eram os problemas.

Pois bem, hoje, me deparei com a fala do Jefferson em sua rede social, descendo a mamona na nota do IDEB da PMCG.

Eu já me posicionei sobre o que eu achava factível para o PT nessas eleições, como você pode ler  [Aqui! ].

É complicado, e até vergonhoso, assistir ao papel assumido pelo professor, de linha auxiliar da extrema-direita na cidade.  Não, o governo Wladimir não é um sonho, óbvio. Mas eu não consigo entender a resistência em entender em que ajuda ao PT agudizar as críticas a um governo, que se esforça para ir para o centro, justamente onde todos que lutam contra o fascismo recente gostariam que ele se deslocasse.

Sobre a nota do IDEB? O professor usou o mesmo argumento chulo das redes sociais da extrema-direita local, a tal aprovação “automática”. Esconderam, claro, que a aprovação não é o único vetor que direciona o índice (IDEB), e que dentre eles está o SAEB, a avaliação bienal dos alunos.

Há outros quesitos.  Pois bem, o professor fez revirar no túmulo o cadáver de Paulo Freire ao colocar toda a pedagogia, e os métodos de avaliação de sucesso dos ciclos pedagógicos, resumidos na questão de ser ou não aprovado “automaticamente” (os especialistas não usam mais essa expressão).

Sabe o professor que não é esse o problema, e mais, não mencionou que foi o governo federal que recomendou esse método para esse ciclo do IDEB (2021/2023), para aplacar os efeitos da pandemia.

Ou seja, sim, a aprovação “automática” é uma ferramenta sim, e como todas ferramentas não são um fim em si, nem para o bem, nem para o mal, como quis reduzir o professor. Assim como pizzas.

Outra questão surrupiada pelo professor foi o fato de que Campos dos Goytacazes foi na contramão do Estado do Rio, esse sim, um desastre que arrastou para baixo os índices do Sudeste.

Talvez para não desagradar a deputada estadual, e “embaixatriz” do governo estadual dentro do PT Campos. Ah, e falando nela, São João da Barra, feudo onde ela é monarca soberana, ficou abaixo de Campos dos Goytacazes, mesmo tendo três vezes mais orçamento per capita para investimentos.

E antes que eu me esqueça: o governo federal deu zero de aumento para os professores universitários esse ano.

Dizem que os aumentos estão presos para sempre no calabouço fiscal do Paulo Guedes de boas maneiras, o ministro Fernando Haddad.

A Uenf e a certeza: dois ouvidos e uma boca nos mandam ouvir mais e falar menos

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Por Douglas Barreto da Mata

Nos processos eleitorais e nas disputas políticas cotidianas há, para as pessoas que detêm cargos de representação institucional, certos protocolos, que visam separar as posições individuais (e legítimas) dessas pessoas das funções públicas que exercem. A mistura desses canais é indesejável, e em alguns casos, configuram atos ilícitos ou infrações administrativas, no caso de ocupantes de alguns cargos públicos.

A ex-reitora da  Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) deu um péssimo exemplo de como não fazer distinção entre as suas preferências individuais e a liturgia exigida da posição que ocupava. (sim, ex, porque, em minha opinião ela se despediu do cargo antes de começar)

Além do total despreparo nos cuidados procedimentais para apuração de eventos sensíveis, sobre supostas infrações de servidores, veiculando disse-me-disse em meios de comunicação, como uma espécie de Sônia Abrão com doutorado, a moça resolveu atacar de “analista eleitoral”.

Desastre.

Não pela análise incompreensível da moça, o que já seria um péssimo cartão de visitas para uma universidade, justamente quando os imbecis da extrema-direita se dedicam ao exercício diuturno do questionamento da ciência e da legitimidade acadêmica.

A questão central, como bem observou meu amigo palmeirense de luto, Marcos Pedlowski, não foram apenas essas questões, o que você poderá ler aqui.

A inexplicável tragédia promovida pela ex-reitora foi entrar em rota de colisão com o mandatário da cidade, emitindo opiniões mal disfarçadas sobre questões, sobre as quais ela deveria evitar deitar falação. É certo que a ex-reitora não estava em um evento partidário, ou eleitoral, ou em casa com amigos. Ela ocupou um espaço público para falar em nome da universidade.

Fazer previsões, questionar pesquisas, enfim, mal disfarçar suas preferências eleitorais, para além das falas padrão para esse tipo de situação, como: “seja lá quem ganhe, a esperança é que o relacionamento institucional com a Uenf seja marcado pela colaboração e respeito mútuos”, deixou claro que a moça está deslumbrada pela aura da representação. É comum, ainda mais com pessoas alçadas às posições de liderança, quando eram pessoas tipo chuchu,  insossas. 

Por certo, o Prefeito Wladimir Garotinho não descerá do alto de sua popularidade para polemizar com a moça, e nem irá recuar nos seus compromissos acordados.

Não deixa de ser estranho, porém, que a ex-reitora fale de eficiência, de compromisso, disso e daquilo, e se esqueça, seletivamente, da vergonha da gestão anterior, a qual lhe apoiou, e a qual ela é a continuidade, ter ficado com 20 milhões entalados, durante anos, enquanto o Arquivo Público era destruído pela ação, menos do tempo, mais pela incompetência.

Certo é que o ditado popular diz que: quem fala demais, dá bom dia a cavalo.

Wladimir, a crise hídrica, e o silêncio que pode contaminar as chances de reeleição

rps verde

Estavando tendo uma conversa doméstica sobre a crise hídrica que paira ameaçadoramente sobre a cidade de Campos dos Goytacazes, quando uma voz me perguntou: e o prefeito no meio dessa confusão toda? Respondi rapidamente com um seco “boa pergunta!”.

A verdade é que se o prefeito Wladimir Garotinho não quiser sair chamuscado da situação que floresce nas águas do Rio Paraíba do Sul, ele terá que romper rapidamente o silêncio obsequioso em que se encontra.

É que se houver a necessidade de suspender a coleta de água que abastece a cidade de Campos dos Goytacazes, muito mais vozes começarão a perguntar “cadê o prefeito?”.  É que o cansaço popuar com a concessionária “Águas do Paraíba” já tinha grande potencial para se introjetar na campanha eleitoral antes mesmo das águas ficarem com um tom esverdeardo. Agora que a crise hídrica está explícita, o silêncio do hoje prefeito vai inevitvavelmente a contaminar a campanha eleitoral.

Assim, se houver um secretário com a capacidade de falar coisas desagradáveis para Wladimir, a hora dele agir é agora. Se demorar pode ficar ruim, muito ruim. É que o povo campista pode aturar muita coisa calado, mas dificilmente vai aceitar ficar desinformado e desapoioado em contexto que já se mostra capaz de movimentar multidões.

E para não dizer que eu não falei de flores para Wladimir: notificar a Águas do Paraíba não vai dar conta do recado. A população quer explicações sobre o que de fato está acontecendo com o abastecimento de águ na cidade, e para ontem.