Gestão Neco: no ritmo da lebre para aprovar o Plano Diretor, e da tartaruga para tratar das mazelas causadas pelo Porto do Açu

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Acabo de ler no blog do Prof. Roberto Moraes que o projeto de lei que estabelece o novo ordenamento territorial do município de São João da Barra será levado a voto na próxima, aparentemente para atender os interesses da Prumo Logística Global, atual controladora  do Porto do Açu (Aqui!). Essa é a versão “lebre” da gestão comandada pelo Prefeito Neco, de São João da Barra.

Pena que essa velocidade toda não seja vista quando se trata de cuidar do drama vivido por centenas de famílias de agricultores pobres que tiveram suas terras tomadas pelo (des) governo Sérgio Cabral para serem entregues ao ex-bilionário Eike Batista, e que caíram de graça no portfólio de ativos da Prumo Logística. Tampouco se vê a mesma velocidade para cuidar dos problemas causados pela erosão costeira que hoje devora a Praia do Açu, ou do processo de salinização de águas e solos que já causou prejuízos milionários a inúmeros agricultores, os quais esperam até hoje em vão pela ação “lebre” da Prefeitura de São João da Barra. É que em todos esses casos,  o que aparece é a versão “tartaruga”, e aviso que não são aquelas lindas tartaruguinhas que o projeto Tamar tenta proteger no litoral sanjoanense que estou falando.

O lastimável é que o prefeito Neco entrega a sua versão tartaruga para quem mereceria a lebre, e vice-versa. Depois que ele não reclame se em 2016 for democraticamente ejetado do assento que hoje ocupa. É que, em determinados casos, ainda vale o velho ditado “do aqui se faz, aqui se paga”. E normalmente na velocidade da lebre. A ver!

Stand up comedy no Apitão da UENF. Pode isso, Arnaldo?

Como um dos professores da UENF que preferia ter visto os vultosos investimentos feitos na construção do Centro de Convenções (conhecido carinhosamente na universidade como Apitão) aplicados nas atividades essenciais da instituição (a construção de novos pavilhões de aulas), me sinto à vontade para não estranhar alguns dos usos que têm sido feitos daquela estrutura ao longo dos anos. 

Entretanto, as imagens abaixo mostram um uso para lá de heterodoxo de um espaço que foi construído para alavancar as atividades acadêmicas e culturais não apenas em Campos dos Goytacazes, mas em todos os municípios sob influência da UENF.

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Não os olhos dos leitores deste blog, não se enganaram: o Apitão vai ser o “point” de um show de stand up comedy! É lá que vai se apresentar o comediante Murilo Couto, cujo maiores méritos parece ser o fato dele ter sido ator no seriado global “Malhação” e de ser atualmente do elenco do “The Noite” do também comediante Danilo Gentili, que é mais conhecido pelo antipetismo militante do que pela qualidade de suas piadas. 

Um detalhe curioso no perfil apresentado no site oficial de Murilo é de que ele se caracteriza, apesar de ser branco, como “um cara negro de Belém” (Aqui!).

Afora esse aparente “pequeno” desvio de função, há um elemento a mais nesse uso do Centro de Convenções da UENF que mereceria a devida atenção. É que para a maioria das atividades promovidas dentro do Apitão é cobrada uma taxa, cujo valor e destino do que é recolhido na sua cobrança são um verdadeiro mistério. E no presente caso, como é um show privado, há que se saber quanto está sendo cobrado dos que vão ao evento, visto que estarão, na prática e para todos os fins, dentro de uma estrutura construída com o dinheiro dos impostos recolhidos do povo fluminense.

Plano Diretor de São João da Barra: qual é a razão da pressa? Roberto Moraes levanta questões para lá de pertinentes

SJB - Novo PD - Zoneamento -questão

A postagem abaixo vem do blog do Professor Roberto Moraes, e trata de um assunto que vem me preocupando desde o final de 2014 quando o prefeito Neco de São João da Barra começou a exibir sinais de que tentaria modificar o atual Plano Diretor de São João da Barra a toque de caixa. Passadas as festividades natalinas, eis que o assunto voltou à baila num inexplicável, e agora sabemos indevido sob o ponto de vista legal, regime de urgência.

Eu digo sem sombra de dúvidas que eu assino embaixo das questões levantadas pelo Prof. Roberto Moraes. E da Câmara Municipal de São João da Barra, espero que o assunto seja tratado de acordo com os interesses da população e dos interesses privados que tão bem foram apontados na postagem abaixo.

Aliás, eu gostaria de ver da parte do prefeito Neco e de seus secretários um verdadeiro espírito de regime de urgência no tratamento das várias mazelas ambientais e sociais que assolam hoje o V Distrito de São João da Barra, a começar pela qualidade da água que se encontra, até na rua onde o alcaide fixou residência, em níveis de condutividade elétrica bastante elevados.

 A pressão para aprovar o novo Plano Diretor de SJB: quais os motivos?

 Além de pressionar o Legislativo diretamente, o prefeito de São João da Barra ingressou na Justiça, na semana passada, com pedido de liminar, num mandado de segurança, solicitando que a Câmara de Vereadores do município fosse obrigada a votar os projetos 008/15, 009/15 e 010/15 em regime de urgência.

O prefeito que já foi presidente do legislativo sanjoanense entendia que a aprovação se tratava de uma lei ordinária. Porém, como a lei que aprova um novo Plano Diretor para o município é considerada uma lei complementar, a sua tramitação não entraria no regime de urgência, conforme solicitou o Prefeito Neco, portanto, não se tem obrigatoriedade de ser votada no prazo de 30 dias. Assim, o juiz indeferiu o pedido do Executivo. (Veja aqui informação do Portal OZK)
 
A Câmara de Vereadores de São João da Barra havia solicitado um prazo maior, porque entende que é preciso esclarecer melhor os pontos prioritários, assim como o que foi discutido nas audiências públicas, que a princípio não estaria contemplado na nova versão da proposta do Executivo.
 
O Legislativo alega ainda que o Executivo ficou mais de dois anos com a proposta e que agora é tempo de ouvir as partes interessadas sobre a lei que dirigirá o desenvolvimento do município.

Com a decisão do juízo, a Câmara agora trabalha com o prazo limite de 27 de junho de 2015, para analisar e votar o novo Plano Diretor. A proposta do Plano Diretor foi esboçada pela empresa Prumo, a partir de estudos da equipe do Jaime Lerner.

Nela está proposta o desenvolvimento do município em três eixos: urbano e turístico, de interesse imobiliário e mais próximo ao litoral desde a sede junto ao Rio Paraíba do Sul até os limites da área do Porto do Açu.

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Mapa de Macrozoneamento da versão 2013 da proposta do Plano Diretor de SJB

Um segundo eixo para o desenvolvimento industrial-portuário que engloba a área do porto e todo o seu entorno, no qual a empresa passou a ser proprietária segundo a própria afirma de 130.000 hectares (130 Km²).
 
O terceiro eixo, bem espremido entre a área industrial portuária e o limite físico do município já próximo a Barcelos como área de uso rural.

A decisão sobre o zoneamento e o parcelamento do solo é um dos pontos cruciais de interesse da empresa, inclusive para tentar dar legalidade ao Distrito Industrial e ao parcelamento dos lotes destes, feitos de forma precária, porque a Codin que o desapropriou não possuía os registros dos imóveis para solicitar este parcelamento.

A suspensão desse parcelamento por parte do legislativo poderá ensejar a suspensão das desapropriações e a criação do Distrito Industrial, porque os motivos que ensejaram sua criação, como a criação de duas siderúrgicas e duas termelétricas não mais existem.

Outro fato que poderá ser questionado é que as benfeitorias do distrito não foram até hoje feitas, além da área do mesmo ter sido apropriada por uma única empresa, sem gestão, seja do município que teria uma parte da área do mesmo, e nem mesmo da Codin, tendo se transformando como tal, numa propriedade particular, mesmo que com a maioria dos registros precários até hoje.

O legislativo sanjoanense, com certeza não pretende avalizar esse encaminhamento, considerando que um Plano Diretor que dirige o crescimento de um município, precisa arbitrar os diversos interesses nesse processo, em especial os da população.
 
Um município que venha a possuir um terço de sua área para uso exclusivo de uma única empresa, que aluga e arrenda a mesma, poderá ensejar no futuro a criação de um outro município, como já aconteceu em outras regiões do país.

Há outros pontos da nova proposta do Plano Diretor que precisam sem rediscutidos e seus interesses esclarecidos publicamente, antes que o projeto seja votado e o mesmo entre em vigor.

FONTE: http://www.robertomoraes.com.br/2015/04/a-pressao-para-aprovar-o-novo-plano.html

Desmate na Amazônia sobe 195% em março, diz ONG

Estadão Conteúdo

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O desmatamento da Amazônia Legal foi de 58 km² em março de 2015

O desmatamento da Amazônia Legal foi de 58 km² em março de 2015, um aumento de 195% em relação ao mesmo mês no ano anterior, quando foram derrubados 20 km² de florestas. Os dados são do monitoramento não oficial produzido pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Os dados do SAD revelaram tendência de aumento da devastação em todos os meses de 2015. Foram registradas taxas de desmatamento de 288 km² em janeiro e de 42 km² em fevereiro – o que representa um aumento de 169% e 282%, respectivamente, em comparação com os mesmos meses de 2014.

Os Estados que mais sofreram com o desmatamento em março de 2015, segundo o SAD, foram Mato Grosso (76%) e Amazonas (13%), seguidos por Rondônia (8%),Tocantins (2%) e Pará (1%).

Em março, 86% do desmatamento aconteceu em áreas privadas, 9% em assentamentos de reforma agrária e 5% em unidades de conservação. Os municípios mais desmatados foram Feliz Natal e Itaúba, ambos em Mato Grosso.

A devastação acumulada nos oito primeiros meses do calendário oficial de medição do desmatamento – de agosto de 2014 a março de 2015 – chegou a 1.761 km². O aumento foi de 214% em relação aos 560 km² desmatados no período anterior. De agosto de 2014 a março de 2015, Mato Grosso liderou o ranking do desmate, com 639 km² – aumento de 640%.

O Imazon também publicou dados sobre a degradação florestal – as áreas em que as árvores não sofreram corte raso, mas onde a floresta foi excessivamente explorada ou atingida por queimadas.

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 15 km² em março, aumento de 200% em relação a março de 2014, quando foram registrados 5 km² de degradação.

O boletim adverte que a extensão do desmatamento e a degradação da floresta registrada em março de 2015 podem estar subestimadas, já que 53% da área florestal amazônica estava coberta por nuvens e, portanto, fora do alcance dos satélites. Em março de 2014, as nuvens cobriam 58% da floresta.

Sistema alternativo

O SAD usa imagens do mesmo sensor e do mesmo satélite empregados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece ao governo federal as informações sobre novas áreas de desmatamento na Amazônia, auxiliando nas operações de repressão à devastação ilegal. No entanto, as metodologias usadas pelo Inpe e pelo Imazon são distintas.

O Inpe ainda não divulgou os dados do Deter para março de 2015. Mas, em março de 2014, o sistema registrou 53 km² de áreas com alterações florestais, que sofreram corte raso e degradação.

Os últimos dados do Deter, divulgados no dia 2 de março, cobriam o período entre novembro de 2014 e janeiro de 2015. Naquele trimestre, as áreas com alterações florestais chegaram a 291 km² – um aumento de 5% em relação ao mesmo período de um ano antes.

Já os dados do SAD do Imazon para o trimestre entre novembro de 2014 e janeiro de 2015 indicavam que as alterações florestais teriam chegado a 1.163 km², com um aumento de 326% em relação ao mesmo período do ano anterior. “As informações são do jornal O Estado de S.Paulo”.

FONTE: http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,desmate-na-amazonia-sobe-195-em-marco-diz-ong,1673196

Do Blog do Maurício Tuffani: Desmatamento na Amazônia mantém tendência de dobrar,

Por MAURÍCIO TUFFANI 

A estimativa da devastação florestal na Amazônia em março feita pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) não afastou a perspectiva de dobrar a taxa anual do desmatamento na região, que deverá ser divulgada no segundo semestre pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os dados mais recentes do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon, apontaram um aumento de 214% no corte raso na floresta Amazônica brasileira de agosto do ano passado a março deste ano em comparação com o mesmo período de oito meses de 2013 a 2014, como mostra o gráfico a seguir, extraído do boletim divulgado na semana passada pela ONG.

Desmatamento por corte raso até março

Gráfico comparativo dos registros de desmatamentos na Amazônia Legal nos períodos de agosto de 2013 e julho de 2014 (barras azuis) e de agosto de 2014 a março de 2015 (barras vermelhas) pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

Esses dados mostram a manutenção da tendência que vem sendo apontada pelo Imazon, que no mês passado apontou o aumento de 215% no corte raso de agosto do ano passado a fevereiro deste ano em comparação com o período equivalente de sete meses de 2013 a 2014, com mostrou a figura a seguir, que já havíamos apresentado neste blog no post A volta da pátria desmatadora (22.mar).

Desmatamento por corte raso até fevereiro

Gráfico comparativo dos registros de desmatamentos na Amazônia Legal nos períodos de 2013-2014 e 2014-205 pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

A redução de um ponto percentual nessa comparação, estendida com o acréscimo dos dados de março, não atenua a tendência de a devastação dobrar na parte brasileira da floresta Amazônica. O corte raso, que havia sido reduzido com sucesso de 2005 a 2012,  já havia voltado a crescer no período 2012-2013.

Degradação

No corte raso foi registrado o total de 1.761 km2 de áreas de floresta derrubada nesses oito meses, em comparação com os 560 km2 no mesmo período entre 2013 e 2014, segundo o SAD. Os três maiores desmatadores continuaram sendo os mesmos: Mato Grosso (639 km2), Pará (434 km2) e Rondônia (347 km2).

Além do dobro do corte raso, o SAD registrou também que cresceu mais de sete vezes a degradação sem derrubada total da floresta agravada por secas e queimadas e induzida por extração seletiva e outras formas de exploração, como mostram as barras cor de laranja na figura a seguir.

Degradação da floresta sem corte raso até março

Degradação florestal sem corte raso até março: gráfico comparativo dos registros de áreas degradadas de floresta sem derrubada total na Amazônia Legal nos períodos de agosto de 2013 a julho de 2014 (barras pretas) e de agosto de 2014 a março de 2015 (barras cor de laranja) pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia). Imagem: SAD/Imazon/Divulgação

Os boletins do SAD são mensais. Para o mês de fevereiro, apesar de mais da metade (59%) da área florestal da Amazônia Legal ter sido coberta por nuvens, esse sistema detectou 42 km2 de desmatamentos. Esse dado corresponde a quase o triplo (282%) dos 11 km2 registrados em fevereiro de 2014, quando a cobertura de nuvens foi maior (69%).

Mata Atlântica

Como já havia assinalado este blog, o aumento da devastação florestal com queda na economia é ainda mais preocupante. Até alguns anos atrás os períodos de desaquecimento da atividade econômica sempre dificultaram os desmatamentos, chegando até a reduzi-los.

Antes da fase de reduções das taxas anuais de desmatamento da Amazônia por meio de programas de fiscalização do governo federal, a partir de 2007, o índice mais baixo havia sido o de 1991, ano posterior ao início do governo de Fernando Collor (1990-1992), que congelou investimentos, inclusive cadernetas de poupança.

Entre outros fatores, não há como desvincular esse retrocesso do esquartejamento do Código Florestal que foi alterado por uma lei aprovada em 2012, desprovida da sistematização normativa de preceitos ambientais e fundamentos científicos. Algumas pesquisas já deixaram clara essa conexão, como uma publicada pela revista Science em maio do ano passado.

Até julho de 2014 foram desmatados 764.061 km2 da floresta Amazônica, uma área pouco maior que a da metade do Amazonas ou do triplo do Estado de São Paulo —ou do triplo do Reino Unido, se for preferível uma comparação internacional. E​ssa extensão corresponde a 19,1% da extensão original da floresta Amazônica, que era de aproximadamente 3,99 milhões de quilômetros quadrados.

PS – Desde o dia 13 assumi a função de editor-chefe da revista “Scientific American Brasil”. Desse modo, não estou mais colaborando com reportagens diárias para a Folha, mas continuo com a satisfação de manter o blog. Aproveito para agradecer aos leitores por toda a atenção dispensada e também pela participação com sugestões, críticas e comentários.

FONTE: http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2015/04/21/desmatamento-na-amazonia-mantem-tendencia-de-dobrar/

UOL e a infindável desgraça de Eike Batista

Era para ser um hotel 5 estrelas de Eike; virou ocupação de sem-teto no Rio

Gustavo Maia, Do UOL, no Rio

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A piscina, no térreo, está vazia há anos. A pintura das paredes, descascada. Muitas das janelas e portas estão quebradas. A fachada exibe pichações. O abandono evidente contrasta com a beleza arquitetônica do edifício Hilton Gonçalves dos Santos, localizado no Flamengo, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro.

Inaugurado em 1953 para ser sede do Clube de Regatas do Flamengo, o prédio de 24 andares e 148 apartamentos foi arrendado em 2012 pelo clube à Rex Hotel, imobiliária do grupo EBX, do empresário Eike Batista. O plano era transformá-lo num moderno hotel de cinco estrelas com 454 quartos, em um investimento de R$ 100 milhões. Com a crise que desfigurou o império do empresário, o projeto nunca saiu do papel.

Na madrugada da última terça-feira (7), a história do edifício ganhou um novo capítulo com a chegada de cerca de 100 sem-teto, que ocuparam o local. O cenário dos dois primeiros andares se transformou radicalmente. Nos amplos corredores e salões do prédio, os novos moradores se instalaram em colchões encontrados nos apartamentos vagos e degradados dos andares superiores. Adultos e crianças, veteranos de ocupações, estão mobilizados para se adaptar ao novo e temporário lar.

A estada do grupo no prédio, situado no número 170 da avenida Rui Barbosa, vai durar pouco. Na última quinta (9), a Justiça do Rio determinou a reintegração de posse do edifício, que pode acontecer a qualquer momento. Ontem pela manhã, um oficial de Justiça foi até o local e informou os invasores sobre a decisão. A Polícia Militar, que auxiliará na ação, informou, à noite, que não divulgaria a data e a hora da reintegração.

A ocupação é feita majoritariamente por removidos em 26 de março de um terreno da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) na zona portuária. Entre a última remoção e a nova ocupação, muitos dormiram na rua, inclusive mães com bebês. De acordo com os ocupantes, cerca de 250 pessoas se revezam no edifício desde a terça. Alguns deles moraram, no ano passado, no antigo prédio da Oi, no Engenho Novo, na zona norte do Rio. A desocupação do imóvel completa um ano neste sábado (11).

Um dos representantes do grupo, Alexandre Silva, 37, criticou a decisão judicial e disse esperar que os defensores públicos que os representam revertam as liminares. “A decisão saiu em menos de um dia, o que é isso?”, questionou. “O prédio estava abandonado há muito tempo. Sempre ouvia isso e pensava: vou trazer o povo para cá”, conta Silva, que disse estar engajado na luta por moradia há 15 anos.

Ex-ocupante do edifício da Oi, Elizabeth da Silva, 37, se espantou com o tamanho do prédio e lamentou: “como é que pode? Um lugar tão grande desses, com tanta coisa se estragando, e tanta gente precisando de lar”.

Faxina, apreensão e fome

Viver em uma ocupação, em comunidade, exige disciplina. É o que ensina Cassiane Serafim, 42, que fez parte do grupo expulso do terreno da Cedae. “A gente lava e arruma tudo direitinho. Nos revezamos para lavar banheiro, varrer o chão. Agora estamos morando na frente do mar, né?”, comenta a mulher, que, desempregada, vivia de aluguel na Mangueira, zona norte, quando se integrou à ocupação na zona portuária.

“Quando a gente chegou aqui, só tinha entulho. A gente ajeitou tudo”, conta Alessandra de Souza, 45. Além da limpeza, os atuais moradores do edifício Hilton Santos têm que se preocupar diariamente com o que vão comer. “Estamos sobrevivendo de doações”, diz a mulher, enquanto cozinha macarrão instantâneo. “As crianças são prioridades. A gente às vezes passa fome o dia todo”.

Na tarde desta sexta, a reportagem presenciou o momento em que uma mulher parou o carro e entregou um saco com comida. Segundo os moradores, foi a segunda doação do dia. Água também está sempre no topo da lista de necessidades.

A presença de pelo menos uma viatura da PM na frente do prédio e de um segurança contratado pela Rex Hotel dentro do edifício durante todo o dia às vezes atrapalha a entrada de mantimentos e o trânsito dos ocupantes. Alguns deles disseram se sentir presos, já que podem ser impedidos de voltar caso deixem o imóvel. Um guarda ouvido sob anonimato pela reportagem, no entanto, disse que “dança conforme a música”.

Por serem os únicos com energia elétrica disponível, apenas os dois primeiros andares do prédio estão ocupados. Os ocupantes utilizam quatro banheiros no espaço e tomam banho de balde, com a água “amarelada” da cisterna do local.

“Distrair a mente”

Enquanto espera a definição da situação do grupo, José Ricardo, 31, tenta distrair a mente como pode. Nesta sexta, ele desenhou um tabuleiro de damas no verso de um quadro achado em meio ao entulho, recolheu tampas de garrafas para usar como peças e começou a jogar com a cunhada.

Na área externa do prédio, um grupo jogava bola. Quatro televisões, de variados tamanhos e estados de conservação, ficam ligadas durante a maior parte do dia. Mães e pais tentam entreter as crianças, muitas delas de colo.

O menino Carlos Silva, que tem um ano e dois meses de idade, corria pela piscina vazia atrás da mãe. “Ele está adorando brincar aqui”, disse a mulher.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/11/era-para-ser-um-hotel-5-estrelas-de-eike-virou-ocupacao-de-sem-teto-no-rio.htm

Prumo gasta fortunas em dragagem, mas faz investimento zero na mitigação da erosão ocorrendo na Praia do Açu

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Ainda em relação à postagem onde o Professor Roberto Moraes fez uma minuciosa análise dos gastos feitos pela Prumo Logística em 2014, um dado em particular me chamou a atenção: os  R$ 180,3 milhões referentes à dragagem do Canal de Navegação (CN) (Aqui!). Esse valor milionário contrasta com os investimentos feitos pela Prumo Logística para conter a erosão que está ocorrendo na Praia do Açu, em área situada dentro da Área de Influência Direta do Porto, que foi de um zero real bem redondo.

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Aliás, o único investimento que a Prumo Logística parece ter feito na questão da erosão em curso no litoral próximo ao Porto do Açu foi com a contratação do doutor, e professor do Programa de Engenharia Oceânica da COPPE/UFRJ, Paulo César Rosman que, surpresa das surpresas!, produziu um relatório isentando o empreendimento de qualquer responsabilidade no problema que hoje tira o sono de centenas de famílias que moram na Barra do Açu (Aqui! e Aqui!.

Há que se lembrar que o processo de erosão que está hoje consumindo a passos largos (ou seria a ondas rápidas?) a porção central da Praia do Açu estava previsto no Relatório de Impacto Ambiental apresentado pela OS(X) para a construção do mesmo CN onde a Prumo Logística gasta centenas de milhões para dragar! É muita contradição ou não? Eu acho que é totalmente contraditório, especialmente para uma empresa cujo representante, Vicente Habib, proclamou em audiência pública na Câmara de Vereadores de São João da Barra que “não viraria as costas para a população de São João da Barra” (Aqui!). 

Uma questão que também me parece passível de análise é o fato de que a dragagem do CN é uma operação que equivale a enxugar gelo no verão sob o sol de meio dia no centro velho de Manaus, capital do Amazonas. Eu digo isso porque os processos de erosão e deposição de sedimentos que agiam na área do CN em 2014, continuam agindo em 2015. Mas importante mesmo é saber quanto do R$ 1 bilhão que a Prumo Logística prevê gastar na sua atual etapa de investimento será alocado na dragagem do CN, e quanto será investido na mitigação do processo erosivo que está ocorrendo na Praia do Açu. É que diante desses números se poderá verificar se a Prumo está virando ou não as costas para a população da Barra do Açu. Simples assim!