Praia do Açu: morador indignado pergunta para quê serve o monitoramento que a Prumo diz fazer

 

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Continuo recebendo pelo endereço eletrônico do blog uma série de mensagens de moradores da localidade da Barra do Açu sobre o avanço do processo erosivo na praia que até recentemente dava sustento à comunidade na forma de área de lazer ou mesmo de pesca artesanal.

Um mensagem específica me chamou a atenção, pois o morador que disse ter estado presente na audiência pública realizada na Câmara de São João da Barra no dia 01 de outubro de 2014 (Aqui!), o representante da Prumo Logística, o Sr. Vicente Habib, teria afirmado que a empresa realiza um monitoramento contínuo da área costeira em torno do Porto do Açu. Lembrando dessa afirmação, o morador me inquiriu sobre a serventia de tal monitoramento.

Bom, a minha reação a essa mensagem é a seguinte: boa pergunta! E  explico: é que se tal monitoramento é efetivamente feito, eu não entendo porque ainda não se apresentou publicamente seus resultados.

Mas com certeza oportunidade para isto não faltará. por exemplo, a Prumo Logística está se preparando para realizar duas audiências públicas nos dias 09 e 10 de Setembro (a primeira em São João da Barra e a segunda em Campos dos Goytacazes) visando obter as licenças ambientais para a implantação de uma termelétrica no Porto do Açu. Quem sabe ai alguém possa inquirir sobre o andamento do monitoramento costeiro que a empresa estaria realizando. A ver!

Praia do Açu: o lema agora é salvem-se os paralelepípedos, e que se dane o praia e seus moradores?

Estive esta tarde no que ainda resta da Avenida Atlântica, via pela qual se transitava na maior parte da Praia do Açu. A visita foi marcada pela busca espontânea de moradores que se declaravam ultrajados com o descaso com que esse problema tem sido tratado pelos gestores públicos e privados que deveriam estar vindo a público assumir suas responsabilidades.

Uma moradora de mais de 20 anos da Praia do Açu estava particularmente revoltada com a única medida tomada pela Prefeitura Municipal de São João da Barra em face do avanço inclemente das ondas, qual seja, a retirada dos paralelepípedos que serviam como cobertura asfáltica ao trecho que ainda restava da Avenida Atlântica (ver imagens abaixo). Para ela, algo além desse paliativo deveria estar feito, visto que depois da avenida cair, a próxima coisa a desabar será sua residência.

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Uma coisa que sempre me vem à mente quando tenho esses encontros dramáticos com os afetados pelo Porto do Açu é de como as autoridades de São João da Barra podem permanecer aparentemente inertes ao drama que está se desenrolando não apenas na Praia do Açu, mas em outras partes do V Distrito. E olha que na Barra do Açu vivem o prefeito Neco e o vereador Franquis Arêas! 

Mas, convenhamos, que as responsabilidades sobre o que está acontecendo vão além de prefeito e vereadores, visto que a ocorrência deste fenômeno estava prevista no EIA/RIMA a partir dos quais foram emitidas licenças ambientais pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para a construção da Unidade de Construção Naval e do Canal de Navegação do Porto do Açu conforme solicitação da OS(X)..

De toda forma, há que se salientar que existem alternativas técnicas para conter o problema, e não há porque aceitar que a única medida adotada seja salvar um punhado de paralelepípedos. Afinal de contas, à população da Barra do Açu não pode ser dito que sua única saída é vigiar o avanço do mar. Simples assim!

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Painel da NASA indica que nível dos oceanos está se elevando mais rápido do que previsto

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O jornal Inglês “The Guardian” publicou ontem (27/08) um artigo produzido pela Agência Reuters mostrando que segundo estudos recentes de um painel de pesquisadores ligados à NASA (National Air Space Agency dos EUA), o ritmo de elevação dos oceanos está se dando de forma mais rápida do que antes previsto, e que a situação poderá piorar ainda mais (Aqui!).

Deixando de lado aqueles céticos irredutíveis, o que a divulgação desses resultados mostra é que a maioria do mundo está atrasada em relação ao desenvolvimento de respostas a um problema que deverá atingir uma porção significativa da população mundial que vive nas regiões costeiras da Terra. E segundo os cálculos que foram feitos, determinadas partes do mundo vão sentir os efeitos dessa mudança nos próximos 20 anos.

Além disso, um dos detalhes apontados na matéria assinada pela Reuters é de que essa aceleração da elevação dos oceanos deverá implicar no uso das informações científicas disponíveis para, por exemplo, se estabelecer novas estruturas nas regiões costeiras (portos, por exemplo).

Para quem aquele que quiserem saber mais sobre o assunto, sugiro que assistam ao vídeo postado (Aqui!).

Problemas no paraíso da ciência: estudo encontra baixa reprodutibilidade em estudos sobre psicologia humana

REPRODUTIBILIDADE

O artigo abaixo de autoria do jornalista Gabriel Alves foi publicado na Folha de São Paulo e trata de um problema que assombra todo bom pesquisador, qual seja, a possibilidade de replicação de seus experimentos. E o “mutirão” científico liderado pelo professor Brian Nosek, da Universidade da Vírgínia, mostra que no caso da Psicologia os resultados relativos à reprodutibilidade são baixos. Dado que a reprodutibilidade é uma das formas de se medir rigor científico, o problema enfrentado pela comunidade científica não é insignificante.

Como os trabalhos analisados não foram estudos publicados em revistas especializadas em “trash science” (aliás justamente o contrário!), o que parece ficar demonstrado é que os problemas enfrentados na ciência contemporânea são mais agudos do que se pode imaginar inicialmente. É a pressão para se produzir “novidades” impactando negativamente a robustez dos estudos que são realizados.

No caso do Brasil, eu fico imaginando qual porcentagem dos estudos publicados em revistas brasileiras passariam num teste semelhante. Como professor de Metodologia da Pesquisa por quase duas décadas, a minha suspeita é de que os resultados não sejam muito melhores dos que foram encontrados por Brian Nosek e seus colaboradores.

Aos interessados em ler o artigo publicado publicado na revista Science, basta clicar (Aqui!)

Na área da psicologia, 61% dos estudos científicos são frágeis

GABRIEL ALVES, DE SÃO PAULO

Um grupo formado por 270 cientistas da área de psicologia se dedicou à tarefa hercúlea de refazer cem experimentos que já haviam sido anteriormente publicados nas melhores revistas da área.

A surpresa: menos da metade dos estudos replicadores chegou aos mesmos resultados dos originais, segundo um artigo publicado na última edição da “Science”.

Uma possível explicação para tão desanimadora descoberta é que, em biologia, psicologia e medicina, o número de variáveis a serem controladas é muito grande.

No caso de uma pesquisa com camundongos, pelo menos dá para ter a certeza de que eles tem o mesmo background genético e que viveram toda a vida em um ambiente parecido.

Quando humanos são estudados, porém, o número de possíveis variáveis candidatas a trazerem ruído para as medidas é enorme. Em psicologia, não há como fugir disso.

De todo modo, com a cifra de só 39% de “acertos” das replicações, não é exagero para os cientistas envolvidos de que se deve ligar o sinal amarelo na área.

O “mutirão científico” foi encabeçado por Brian Nosek, psicólogo e professor da Universidade da Virgínia.

O “argumento de autoridade”, defende Nosek, não vale: a credibilidade de um estudo depende, ao menos em parte, da reprodutibilidade da evidência em que se baseia.

Infográfico: Clique no infográfico: Pesquisas não comprovadas

Enquanto 97% dos estudos originais selecionados conseguiam obter resultados significantes (que não poderiam ser atribuídos ao acaso a não ser com uma pequena probabilidade, em geral 5%), apenas 36% dos estudos de replicação conseguiram resultados que apontassem na mesma direção.

Além disso, 83% das replicações que deram certo eram “menos intensas” do que os estudos originais.

Entre os resultados estudados estão achados que foram bastante comentados na época em que saíram, como o que a descrença no livre arbítrio aumenta a chance de traição e o que mulheres comprometidas se sentem mais atraídas por homens solteiros quando estão no período fértil.

EXPLICAÇÕES

O valor reduzido de “acertos” não necessariamente significa picaretagem.

Existem três explicações possíveis para as discordâncias: a primeira é a de que o resultado original tenha sido um falso positivo –quando o erro é detectar uma diferença ou identificar um fenômeno que na verdade não existe.

A segunda é a de que os estudos que tentaram replicar sejam falsos negativos –o erro seria de não detectar o fenômeno mostrado no estudo original, que existiria, de fato.

A terceira, por fim –bastante comum também em outras áreas das ciências da saúde–, poderia ser atribuída a pequenas diferenças metodológicas em relação ao estudo original, como participantes de diferentes etnias ou idades, condições diferentes de avaliação, ou sazonalidade de um fenômeno.

Incorrer nessa última armadilha foi uma preocupação do “mutirão”. Os autores dos estudos originais foram contatados e convidados a auxiliar na adaptação da metodologia do estudo-réplica.

Tanto que Alan Kraut, diretor-executivo da Associação Americana de Psicologia, que publica a revista “Psychological Science”, disse que a questão da replicabilidade é um dos desafios a serem superados pela publicação.

Os cientistas dizem que a cultura de uma competição agressiva na ciência favorece a publicação de resultados que se mostrem mais novos e, de certa forma, mais “sensuais” que os demais, em detrimento de atividades importantes porém menos reconhecidas como as de replicar outros estudos já publicados.

A psicóloga e professora do Instituto de Psicologia da USP, Paula Debert, crê que mais estudos de revisão são úteis à ciência. “Com a publicação das réplicas em boas revistas é que é possível ter certeza da qualidade dos estudos”.

No caso do mutirão, os 270 cientistas estabeleceram critérios de transparência e de revisão a fim de garantir a qualidade dos novos resultados.

Nem sempre uma divergência de resultados quer dizer algo ruim, defende Paula: “Às vezes o mais interessante é pesquisar a razão das diferenças. Pode ser um detalhe que passou batido”.

Um exemplo disso, exemplifica, poderia ser uma sala com nível de ruído diferente daquela usada no estudo original, ou mesmo algum detalhe a respeito dos participantes da pesquisa.

Márcia McNutt, editora da “Science”, disse que esse tipo de estudo realizado pelo “mutirão” trouxe informações importantes e que ele ajudará a estabelecer um tipo de controle melhor sobre a reprodutibilidade de estudos no futuro.

FONTE: http://app.folha.uol.com.br/#noticia/587880

 

Mas que merda! Esgoto vaza na pista da Avenida de Setembro… todos os dias!

Em 2012 eu e toda a vizinhança no trecho que vai desde a esquina da Avenida Sete de Setembro com Rua Riachuelo até a esquina com a Rua dos Goytacazes vivemos a experiência de uma longa e aparentemente interminável obra de ampliação da rede de esgotos e galerias pluviais. Aguentamos inúmeras pertubações diárias com galhardia, visto que a expectativa era de que a obra era importante para toda a cidade, e não apenas para nós.

Eis que pouco menos de três anos da inauguração da obra, agora nos defrontamos com o vazamento de esgoto in natura quase todos os dias e aproximadamente no mesmo horário noturno. Como já falei sobre esse problema aqui neste blog por diversas vezes, eu fico imaginando qual é o problema… já que não é falta de alguém apontar o problema de forma pública.

E ai eu é que pergunto: cadê a PMCG, a Águas do Paraíba, o INEA, o Ministério Público, etc, etc, etc…….

Como ando me deliciando com o mais recente álbum do roqueiro canadense Neil Young, o polêmico “The Monsanto Years“, aproveitei a trilha sonora oferecida pela canção “People want to hear about love” para gravar o vídeo que vai abaixo. E apesar de não ser o Emerson Sheik do Flamengo, eu só posso dizer: mas que merda!

Praia do Açu: vídeo mostra avanço do mar

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Acabo de receber um vídeo que foi produzido faz poucos minutos na Praia do Açu onde é possível verificar o avanço da língua erosiva ao longo desta 4a. feira (comparar foto acima com os segundos iniciais do vídeo!).

Agora, vamos ver se alguém resolve se sensibilizar com o problema. Alô INEA, Prumo Logística e Prefeitura de São João da Barra!

E um lembrete: em breve teremos maré de lua cheia!

Praia do Açu: mais um dia de tensão em face do avanço do mar

Ontem publiquei neste blog uma nova postagem sobre o processo erosivo que está literalmente levando embora parte da faixa de areia da Praia do Açu que até poucos anos atrás era uma das áreas favoritas para o veraneio dos moradores do V Distrito de São João da Barra.  A relação deste processo erosivo com as obras de instalação do Porto do Açu já foi demonstrada em diversos momentos, mas até agora ninguém parece querer se responsabilizar pela tomada de medidas corretivas que impeçam a sua continuidade.

Afora a ausência de mecanismos de controle social das responsabilidades legais que ainda cercam o estabelecimento de empreendimentos com capacidade de alterar a dinâmica dos sistemas naturais no Brasil, o que me parece explicar a letargia que cerca a inexistência de respostas por parte dos órgãos ambientais e dos gestores do Porto do Açu é que processos de alteração da costa ocorrem de forma descontínua, acarretando um falso senso de que o “perigo” já passou. Mas quem acompanha minimamente esse tipo de dinâmica que esse senso é, acima de tudo, falso. 

O que muitas vezes ocorre é a combinação de episódios de alta intensidade (quando o assunto vira “notícia”) com outros de equilíbrio (quando todos parecem querer acreditar que o perigo passou). 

Agora, comparemos imagens de um mesmo trecho da Praia do Açu num intervalo de menos de 24 horas para ver se o senso reinante seja de urgência e não de falsa expectativa!

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Imagem da Praia do Açu no início da tarde do dia 26/08

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Imagem do mesmo ponto da Praia do Açu no início da tarde de hoje (27/08).

Mas se evidências visuais podem ajudar no entendimento da gravidade do problema, aproveito para repostar uma imagem da mesma seção da Praia do Açu que eu mesmo fotografei no início de 2014!

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Diante desse avanço inexorável da erosão na Praia do Açu, uma questão que me parece óbvia, e que já foi apontada aqui neste blog por diversas vezes, e ela tem a ver com os custos futuros para o erário público e para os gestores do Porto do Açu. É que no ritmo  médio em que está se dando, a erosão vai alcançar terrenos e residências na Barra do Açu. Como o problema já foi relatado e documentado, me parece mais do que óbvio que os moradores que perderem suas propriedades vão acionar a justiça para serem ressarcidos.

Diante dessa alta probabilidade de disputas judiciais, eu realmente não entendo porque não se alguma coisa para controlar o problema. Uma coisa que me vem à mente é certeza absoluta de impunidade. Só pode ser!