Articulista da Folha de São Paulo escreve texto corrosivo sobre Eike Batista e o destino inglório do Hotel Glória

Abaixo um artigo bastante corrosivo do jornalista Luiz Fernando Vianna sobre o que aconteceu ao Hotel Glória sob a égide de Eike Batista. Mas mais do que isso, o artigo de Luiz Fernando Vianna fez uma interessante análise das relações peculiares entre Eike Batista e o ex-(des) governador Sérgio Cabral, e as relações pouco republicanas que se estabeleceram entre os dois, até na questão das licenças ambientais “Fast Food” cujos efeitos vemos hoje no entorno do Porto do Açu.

Mas eu discordo de Vianna quando ele diz que o Rio mereceu Eike.  Acho que os que sentiram na pele os impactos do efêmero reinado de Eike Batista nunca caíram no seu merchandising. E foram justamente esses que mais perderam com tudo o que veio junto com Eike Batista e seus amigos no Palácio Guanabara.

O Rio Mereceu Eike

Por Luiz Fernando Vianna

RIO DE JANEIRO – Dá raiva passar em frente ao Hotel Glória. Ou ao que  era o Hotel Glória. Raiva de Eike Batista, mas não só. Raiva do Rio de Janeiro. Aqueles escombros são o reflexo do que nós, cariocas, deixamos nos tornar.

O Glória foi inaugurado em 1922 com o status de hotel mais luxuoso da América do Sul –o Copacabana Palace surgiria no ano seguinte. Primeiro prédio construído no continente em concreto armado, é um primor de beleza em estilo neoclássico. Vizinho do Palácio do Catete e do centro da cidade, foi endereço de políticos brasileiros, autoridades internacionais, artistas importantes, celebridades mundanas. Tem uma história.

Em 2008, Eike Batista comprou o Glória por R$ 80 milhões. Queria transformá-lo num hotel seis estrelas. Arrumou dinheiro no BNDES e começou a demolir tudo, preservando apenas a fachada tombada. Arrasou um teatro, os quartos, jogou fora os móveis e quase 90 anos de tradição. Falido, fechou a porta do cenário apocalíptico, repassou o terreno para um fundo suíço e foi embora ser classe média –após, pai exemplar, repassar sua fortuna aos filhos.

Eike representa o capital especulativo, corrosivo, que não tem compromisso com nada que não seja o ganho imediato, sem respeitar passado ou futuro. É a força da grana que apenas destrói coisas belas.  Recebedor de licenças ambientais e incentivos do Estado, cedia seu jatinho para o governador Sérgio Cabral passear, numa promiscuidade incrivelmente (até para os padrões brasileiros) impune.

Durante seu império efêmero, foi bajulado por toda a servil cidade, incluindo artistas –que iam a ele mendigar patrocínios– e jornalistas. Era um banqueiro de bicho janota, um agrocoronel poliglota. O cadáver do Glória indica que o Rio fez por merecer Eike.

Luiz Fernando Vianna, carioca, jornalista, foi repórter e coordenador de produção da Sucursal do Rio. É autor de livros sobre música popular brasileira , entre eles “Geografia Carioca do Samba” e “Aldir Blanc – Resposta ao Tempo”. Escreve às segundas e sextas.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfernandovianna/2014/09/1518271-o-rio-mereceu-eike.shtml

MPF alerta para falta de água no Rio de Janeiro e pede decretação de estado de calamidade pública

Nova ação é movida contra acordo celebrado entre União e os estados de SP, RJ e MG que levou à diminuição de água para o Rio

Já falta água no Rio de Janeiro. A cidade de São João da Barra é o primeiro município fluminense prejudicado pelo acordo celebrado entre a União e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que resultou na diminuição do volume de água que chega ao Rio de Janeiro. Diante da situação de calamidade, o Ministério Público Federal (MPF) em Campos dos Goytacazes (RJ) move nova ação civil pública contra a Resolução n° 1309/14 da Agência Nacional de Águas (ANA) que autorizou essa redução de vazão (volume) e pede a decretação de estado de calamidade pública na região banhada pelo rio Paraíba do Sul pelos próximos dois anos.

Clique aqui e leia a íntegra da ação civil pública.

O acordo é uma artimanha para mascarar a transposição do rio Paraíba do Sul, que já vem ocorrendo, pois com a desculpa de impacto local, São Paulo já está desviando água da bacia hidrográfica e afetando a quantidade de água que chega ao Rio de Janeiro e região metropolitana, bem como o Norte Fluminense. Na prática, com a resolução, é como se tivessem dado autorização para a transposição sem as formalidades legais e estudos técnicos. Queremos, portanto, a nulidade do acordo e que volte a vazão anterior, devolvendo a mesma quantidade de água para o Rio de Janeiro”, alerta o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, autor da ação.

Entenda o acordo

A Resolução ANA 1.309 , de 29 de agosto de 2014, é resultado de acordo costurado entre a União e os três estados do Sudeste afetados pelo problema de falta de água (SP, MG e RJ). O documento autorizou a redução temporária da vazão mínima afluente à barragem de Santa Cecília, no rio Paraíba do Sul, sob argumento de uso prioritário dos recursos hídricos para o consumo humano e a dessedentação de animais.

No entanto, ao possibilitar que São Paulo reduza a vazão do rio Jaguari, o estado do Rio de Janeiro começa a sofrer com a falta de água. A ANA determinou a redução de 5 mil litros por segundo (5m3/s), na vazão do Rio Paraíba do Sul, destinada ao Estado do Rio de Janeiro.

Além da nulidade da resolução, o MPF quer ainda que a ANA tome as medidas necessárias para assegurar o uso prioritário das águas do rio Paraíba do Sul, evitando-se o agravamento do desabastecimento de populações ao longo de sua calha fluvial. As medidas para o enfrentamento da crise hídrica atual deverão, ainda, ser divulgadas para a sociedade.

Já à União Federal e ao Ministério do Meio Ambiente, o procurador da República requer, em sua ação, a decretação do estado de calamidade hídrica nas regiões banhadas pela bacia do Paraíba do Sul pelos próximos dois anos. É pedida ainda a elaboração de novo plano de educação ambiental e de novo plano de recursos hídricos.

Aos outros envolvidos na ação – Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) -, o MPF requer que, pelos próximos 24 meses, informem a população e aos órgãos competentes as medidas que estão adotando para enfrentar a crise hídrica atual. É sugerida a aplicação de multa diária de R$ 50 mil, em caso de descumprimento.

Ação anterior contra a transposição

Em maio deste ano, o MPF/RJ moveu ação civil pública contra projeto de transposição do Rio Paraíba do Sul. Para o MPF, o projeto paulista prejudicaria o abastecimento de água no Rio de Janeiro. A ação foi movida contra a União, a ANA, o Estado de São Paulo e o Ibama. A ação, que tramitava na Justiça Federal em Campos, foi declinada para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde será distribuída para um dos onze ministros.

Entendemos que o acordo que resultou na resolução da ANA teve a finalidade justamente de esvaziar a discussão e camuflar a crise hídrica, tentando induzir o Judiciário ao erro. Temos que impedir a transposição do rio Paraíba do Sul, sob pena de afetarmos milhões de pessoas por conta da negligência dos órgãos responsáveis”, pontua o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira.

FONTE:  Assessoria de Comunicação Social, Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro

Entrevista na Rádio NF do SINDIPETRO/NF sobre a situação do Porto do Açu

No dia de hoje tive a oportunidade de conceder uma entrevista à Rádio NF que é mantida pelo SINDIPETRO/NF sobre vários aspectos envolvendo a construção e futuro funcionamento do Porto do Açu.

Minoritários acusam Eike de ‘buscar piedade’

Acionistas que perderam dinheiro querem reparação. Advogado de empresário diz que ele não ignora o caso

POR O GLOBO

Eike Batista, durante evento em 2010 – Michel Filho / O Globo/31-5-2010

RIO – Em busca de piedade. E tarde demais. Esta é a principal leitura de acionistas minoritários do grupo X sobre as primeiras declarações de Eike Batista após um ano de silêncio. O empresário afirmou ter hoje patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão e reforçou que nunca ludibriou investidores. Ele ressaltou ainda que trabalha para a recuperação das companhias.

- Em nenhum momento, depois de um ano, Eike Batista fala em garantias a credores e minoritários – diz Aurélio Valporto, do conselho da Associação Nacional de Proteção aos Acionistas Minoritários.

Para o economista, Eike pareceu estar em busca de piedade da opinião pública, ao insistir na riqueza incontestável por trás dos projetos das empresas do grupo, afirmando que a derrocada foi puxada por uma fatalidade ocorrida na OGX (hoje OGPar, em recuperação judicial), a petroleira do grupo.

- Ele insiste que o mercado de petróleo, e também o de ações, é de alto risco. Ninguém está reclamando de prejuízo no mercado, mas de roubo. Perder no mercado é parte do jogo. Ser roubado, não – afirma.

Para o advogado Márcio Lobo, minoritário da OGX, Eike Batista decidiu falar tarde demais.

- Dizer que contratou mal e que, agora, botou todo o seu patrimônio nas mãos de credores não o isenta de responsabilidade. Sofrer as consequências dos próprios erros não o isenta de ter que ressarcir as pessoas e as empresas que lesou – argumenta.

Lobo representa grupos de acionistas que preparam novas ações contra o empresário. Eles já têm outras tramitando na Justiça. O advogado defende ainda que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM, xerife do mercado financeiro) é corresponsável pela proporção da crise nos negócios do grupo X.

- Eike diz que houve crise de confiança. Mas a verdade é que foi tudo uma aventura. O mercado não identificou que ele era um sonhador.

O advogado de Eike Batista, Sérgio Bermudes, afirma que o empresário não ignora a situação de minoritários e credores. E procura reparar prejuízos.

- Ele nunca negou a importância dos investidores e não disse que vai deixar de pagar – afirmou.

Eike segue acreditando em seus projetos. Ao GLOBO, afirmou estar certo de que a gestão da OGX não poderia ter sido diferente. Fez poucas ressalvas: “Deveria ter vendido participações, fechado o capital das companhias e ficado no mercado deprivate equity. É dinheiro privado que tem mais prazo, em que você aguenta o tranco numa queda gigante e tem chance de recuperar”, disse o empresário.

Na defesa que apresenta, Eike chama atenção para o Porto do Açu, empreendimento sob o chapéu da Prumo (antiga LLX, de logística), em São João da Barra, no Norte Fluminense. Ele o classifica como o projeto com maior potencial para atrair investidores e gerar resultado para o grupo.

Outro destaque é o avanço do fundo Mubadala – um dos principais credores de Eike Batista, junto com os bancos Bradesco e Itaú – em participações em companhias do empresário. Trata-se de um processo de reestruturação do investimento do fundo nas empresas do grupo X.

O Mubadala Development Co é um fundo soberano de Abu Dhabi. Estabelecido em 2002, seus ativos financeiros somam US$ 223,8 bilhões, com uma carteira declarada de investimentos em 72 empresas dos mais diversos setores, segundo o serviço de informações financeiras da Bloomberg. Do total, 36 das companhias nas quais investiu estão baseadas nos Emirados Árabes, nove nos EUA e quatro na Rússia.

O fundo é presidido por Mohamed Bin Zayed al Nahyan, príncipe e vice-comandante supremo das Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos. O diretor executivo Khaldoon Khalifa al Mubarak é um empresário educado nos EUA, que acumula a presidência do time de futebol inglês Manchester City – comprado em 2008 pelo fundo de private equity Abu Dhabi United Group, também ligado à família real.

O mais novo ativo a chegar às mãos do parceiro árabe é a IMX. A empresa é uma joint-venture na área de esportes e entretenimento com a gigante estrangeira IMG. A IMX é sócia do Rock in Rio e do Cirque du Soleil na América do Sul, além de gerir arenas como o Maracanã.

Em outra frente de investimento, a AUX, empresa de mineração de ouro que detém direitos minerários na Colômbia, passou para o Mubadala e, este mês, foi vendida pelo fundo para um grupo de empresários do Qatar, por cerca de US$ 400 milhões, segundo Bermudes.

No início do mês passado, a MMX, mineradora do grupo, anunciou uma transferência de 10,52% de ações da empresa em nome de Eike para a Mubadala. Outra fatia do empresário na Prumo, de 10,44%, também ficará nas mãos do fundo.

O Mubadala e a trading Trafigura fizeram aporte de US$ 400 milhões no Porto do Sudeste, projeto da MMX, em Itaguaí. Com a operação, adquiriram 65% do negócio fechado em fevereiro.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/negocios/minoritarios-acusam-eike-de-buscar-piedade-13981793#ixzz3DlWdIoSM

Luciana Genro e a trajetória das esquerdas petistas

Por RUDÁ GUEDES RICCI
lucianagenro

 

Ontem, a estrela de Luciana Genro brilhou. Foi protagonista do maior ataque que se viu no Brasil num debate eleitoral televisionado (no dia de setembro, promovido pela CNBB) . Em poucos minutos, desferiu críticas e nomeou erros e escolhas do PSDB, acusando o candidato tucano, Aécio Neves, de parasita, de estar num partido que ensinou o PT a roubar, de ser fanático pela privatização a ponto de usar dinheiro público para construir aeroportos de uso particular. Escrever, neste momento, suas palavras, me causa certo constrangimento, tal a potência de sua ofensiva. Algo inédito que, obviamente, ressoa como o inesperado.

Luciana Krebs Genro não é novata em política. Nasceu em 1971. Filha de Tarso Genro, que veio do Partidão e se tornou uma das lideranças do PT gaúcho, dividindo este principado com Olívio Dutra. Neta de Adelmo Genro, militante do trabalhismo gaúcho que foi perseguido pelo regime militar. Começou a atuar politicamente com 14 anos de idade (no emblemático ano de 1985, ano da posse de Sarney como presidente da República) numa escola que leva o nome do ex-presidente do Rio Grande do Sul e formulador da Constituição Estadual deste estado em 1891, o positivista Julio de Castilhos. Na sua primeira eleição, disputando vaga na Assembleia Legislativa, em 1994, com 23 anos de idade, se torna deputada, logo depois do movimento pelo impeachment de Collor. Sua pauta mais significativa como parlamentar foi a denúncia de corrupção em órgãos de saneamento do Rio Grande do Sul. Reeleita em 1999, enfrentou a dura situação de apoiar a greve dos professores gaúchos num momento em que seu partido, o PT, governava pela primeira vez o Rio Grande do Sul. Foi punida pelo partido. Em 2002 foi eleita deputada federal, ainda pelo PT. A proposta de reforma da previdência enviada pelo presidente Lula ao Congresso Nacional foi o estopim para o confronto final que levou à sua expulsão do PT. Luciana foi uma das fundadoras do PSOL.

Reproduzi rapidamente estas passagens de seu currículo político porque se confunde, de alguma maneira, com a trajetória de várias correntes petistas à esquerda.

O PT teve várias correntes internas de inspiração marxista. A grande maioria de origem trotskista e poucas de inspiração maoísta e até mesmo origem stalinista. Várias dessas correntes se estruturaram, até o final dos anos 1980, como partidos encastelados no PT. Algo, aliás, que ocorreu com o MDB (com a “hospedagem” do PCB e PCdoB) e, depois, com o PMDB (talvez, o caso mais conhecido seja do MR-8).

As correntes trotskistas mais famosas do PT foram a Convergência Socialista (hoje, PSTU, da corrente internacional morenista), a Libelu (vinculada à corrente internacional lambertista) e a Democracia Socialista (vinculada à corrente internacional mandelista). Mantiveram uma relação de amor e ódio com Zé Dirceu (ex-Ação Libertadora Nacional/ALN e ex-Movimento de Libertação Popular/Molipo). Embora Dirceu tenha militado na frente de massas da ALN (e não na militar), foi se revelando como dirigente petista muito mais afeto à burocracia e comando central partidário que o próprio Marighela.

Havia outras correntes derivadas do Partidão ou com proximidade com a lógica soviética, como MCR ou Ala Vermelha ou até mesmo o PRC (Partido Revolucionário Comunista), que teve Ozéas Duarte, Aldo Fornazieri e José Genoíno nas suas fileiras. Mas nada que se comparasse à articulação liderada por Zé Dirceu.

O fato é que este impasse interno entre correntes marxistas criou várias histórias pouco públicas do PT. As lutas de massas, as campanhas eleitorais e pronunciamentos de lideranças nacionais formavam uma enxurrada que encobria os afluentes à esquerda da disputa intestina dessas correntes.

Assim, numa divisão didática, seria possível sugerir várias histórias paralelas que conformaram o PT: a história da construção de sua burocracia interna, a história das lutas de massas, a história da organização eleitoral e construção da governabilidade do governo do país e a história da disputa entre correntes internas, em especial, as de inspiração marxista.

A história da construção da burocracia interna se embaralhou com a da organização eleitoral e montagem do arco de alianças e de governabilidade do PT. E foi esta articulação que, a partir dos anos 1990, alijou as forças políticas envolvidas com as outras histórias paralelas do PT (a das lutas de massa e a da disputa programática entre correntes internas do partido).

O ataque de Luciana Genro a Aécio Neves no debate organizado ontem (16) pela CNBB lembrou os velhos tempos do PT, anterior à vitória de Lula em 2002. Dura e afiada, Luciana encarou o adversário como opositor de classe. Não perdoou um segundo. Típico embate dos primeiros anos da vida do Partido dos Trabalhadores e de toda tradição de esquerda marxista onde o programa está acima de tudo. Aécio revelou total desconhecimento deste terreno de disputa. Fugiu, tentou mudar de assunto, tentou desqualificar Luciana. Continuou sendo caçado pela verve metálica da candidata do PSOL como num carrossel enlouquecido.

A trajetória de Luciana Genro cruza com a de outros militantes que foram alijados do centro do processo decisório do PT.
Daí certa surpresa de muitos que acompanharam o debate de ontem. Até então, era Eduardo Jorge, outro ex-militante petista, médico sanitarista oriundo do Partidão que sempre atuou na periferia da cidade de São Paulo, que chamava a atenção pela desenvoltura e perspicácia, além de objetividade e clareza programática. Mas havia mais gente oriunda do PT no debate de ontem. E gente que nunca esteve no centro do poder do lulismo. Era o caso de Luciana Genro. Forjada no PT pré-lulismo, vimos na tela de televisão ressurgir a escola das correntes internas do PT. Uma agressividade desconcertante, foco ideológico e programático, rapidez de raciocínio e coragem.

A ausência deste PT no PT de hoje é o que cria tanta perplexidade em militantes contemporâneos do partido de Lula quando jovens saem às ruas em protesto. E é o que cria frio na barriga quando Dilma Rousseff entra no estúdio para debater com seus adversários.

A ausência, enfim, é o que está transformando o PT em Partido da Ordem.

Rudá Guedes Ricci é sociólogo. Blog: http://www.rudaricci.com.br/

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10059:submanchete180914&catid=72:imagens-rolantes

Desgraça pouca é bobagem. Juiz do caso de Eike Batista, diz que bloqueio de bens móveis e imóveis é iminente

Justiça pode bloquear bens de Eike Batista

Segundo juiz, bloqueio dos bens móveis e imóveis do empresário pela Justiça é iminente

Mariana Durão, do

Douglas Engle/Bloomberg News 

O empresário Eike Batista

Eike Batista: magistrado ironizou o fato de Eike ter declarado à imprensa que é um homem de classe média

Rio – O bloqueio dos bens móveis e imóveis do empresário Eike Batista pela Justiça é iminente.

Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o juiz titular da 3ª Vara Criminal Federal, Flávio Roberto de Souza, afirmou que a decisão ainda não foi tomada mas é “muito provável” já que o valor de ativos financeiros levantado até agora em nome do fundador do grupo X (R$ 117 milhões) está muito aquém do R$ 1,5 bilhão solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF) para garantir a indenização de danos supostamente causados ao mercado de capitais.

O magistrado ironizou o fato de Eike ter declarado à imprensa que é um homem de classe média.

“Eike disse que está deprimido porque está ficando pobre. Uma pessoa de classe média não tem milhões de reais disponíveis para pagar despesas correntes. Ele deve ter uma vida de marajá”, brincou.

No começo do ano R$ 122 milhões já haviam sido congelados em contas bancárias de Eike, que disse ter hoje um patrimônio negativo líquido de US$ 1 bilhão.

Ontem a Justiça Federal informou ter bloqueado outros R$ 117 milhões, mas os advogados do empresário dizem que o montante se refere a cotas de um fundo de investimento formado por debêntures (títulos de dívida) e não dinheiro.

Para a defesa a decisão judicial não alcança tais títulos.

“Na minha interpretação a cota de um fundo se enquadra no conceito de ativo financeiro previsto na decisão que decretou o bloqueio. É uma discussão doutrinária”, disse o juiz Flávio Roberto de Souza.

O ofício consolidado do Banco Central com o total definitivo encontrado em contas correntes do empresário em 14 bancos do País só fica pronto nesta sexta-feira, 19.

Na segunda-feira as informações detalhadas serão enviadas ao MPF que pode se manifestar, por exemplo, quanto a legitimidade das debêntures para garantir a indenização de prejuízos no caso de uma condenação de Eike.

Depois disso o juiz da 3ª Vara Criminal Federal deverá decidir sobre o sequestro de bens.

“Como o valor que foi bloqueado em princípio está abaixo do que o Ministério Público está pleiteando na cautelar é muito provável que o arresto se estenda a bens móveis e imóveis”, explicou Souza.

Se a decisão sair, a Justiça oficiará órgãos como os cartórios de registro de imóveis, o Detran e a Capitania dos Portos para que informem o que o empresário tem de fato em seu nome. Peritos vão avaliar casas, carros e barcos encontrados nesse inventário.

No início da semana o advogado Sérgio Bermudes, representante de Eike, disse acreditar que a Justiça não deveria acatar o pedido do MPF para atingir os bens de seu cliente. “A Justiça sabe que os bens, os imóveis, não fogem, não se escondem”, argumentou.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/justica-pode-bloquear-bens-de-eike-batista

Eike Batista: da Bloomberg para as páginas do The i-piauí Herald

The piauí Herald

Eike Batista entra para a Classe X

Eike Batista entra para a Classe X

“Eu odeio o Eike classe média”, desabafou Marilena Chaui

PINDAÍBA – Em coletiva de imprensa realizada numa animada roda de samba no Cacique de Ramos, Eike Batista improvisou um partido alto sobre sua atual situação financeira: “Fui no Pink Fleet, acabou a comida, acabou a bebida, acabou a canja. Sobrou pra mim, o bagaço laranja”, cantarolou, bebericando um Natu Nobilis.

Mais sereno, com um palito de dente no canto da boca, Eike enalteceu sua consciência solidária: “Fiz a minha parte pela redução da desigualdade social”, disse, enquanto fritava um gato angorá numa churrasqueira improvisada com escombros do Hotel Glória.

O ex-bilionário, no entanto, negou que tenha voltado à classe média. “Entrei para a classe X”, corrigiu. “Continuo empreendendo”, ressaltou, enquanto mostrava a foto da barraquinha de X-Tudo que montou perto da estação de trem em Austin. “Enquanto isso, contratei advogados do Fluminense em 12 prestações para voltar à elite”, concluiu.

FONTE: http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/herald/economia/eike-batista-entra-para-a-classe-x

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