A Coca-Cola é assim


“Obrigado por compartilhar a felicidade”, diz-se no último anúncio da Coca-Cola (em espanhol), mas olhando de perto parece que a Coca-Cola de felicidade compartilha bem pouco. Se pensam que não, perguntem aos trabalhadores das fábricas que a multinacional pretende fechar agora no Estado Espanhol ou aos sindicalistas perseguidos, e alguns, até sequestrados e torturados na Colômbia, na Turquia, no Paquistão, na Rússia, na Nicarágua ou às comunidades da Índia que ficaram sem água após a saída da companhia. Isso para não falar da péssima qualidade dos seus ingredientes e do impacto na nossa saúde.

Em cada segundo consomem-se 18,5 mil latas ou garrafas de Coca-Cola em todo o mundo, segundo os dados da própria empresa. O império Coca-Cola vende as suas 500 marcas em mais de 200 países. Quem garantiria isso a John S. Pemberton, quando em 1886, elaborou tão exitosa poção numa pequena farmácia de Atlanta. Hoje, pelo contrário, a multinacional já não vende apenas uma só bebida mas muito mais. Através de campanhas multimilionárias de marketing, a Coca-Cola vende-nos algo tão desejado como “a felicidade”, “a faísca da vida” ou “um sorriso”. Todavia, nem o seu Instituto de la Felicidad [ou a Fábrica da Felicidade, em português] é capaz de esconder toda a dor que a empresa provoca. O seu currículo de abusos sociais e laborais corre, tal como os seus refrigerantes, todo o planeta.

Agora, chegou a vez do Estado Espanhol. A Companhia acaba de anunciar uma reorganização que implica o encerramento de quatro das suas onze fábricas, o despedimento de 1.250 trabalhadores e a recolocação de outros 500. Uma medida que, segundo a multinacional, é tomada “por causas organizativas e produtivas”. Pelo contrário, um comunicado da central sindical CCOO desmente esta informação e assinala que a empresa tem enormes lucros de cerca de 900 milhões de euros e um faturamento de mais de 3 bilhões de euros.

As más práticas da empresa são tão globais como a sua marca. Na Colômbia, desde 1990, oito trabalhadores da Coca-Cola foram assassinados por paramilitares e outros 65 receberam ameaças de morte, segundo “El informe alternativo de Coca-Cola” da organização War on Want. O sindicato colombiano Sinaltrainal denunciou a multinacional por detrás destas ações. Em 2001, o Sinaltrainal, através da International Labor Rights Fund e da United Steel Workers Union, conseguiu interpor nos Estados Unidos um processo contra a empresa por estes casos. Em 2003, o tribunal indeferiu a petição alegando que os assassinatos ocorreram fora dos Estados Unidos. A campanha do Sinaltrainal, de qualquer maneira, tinha já conseguido numerosos apoios.

O rastro de abusos da Coca-Cola se encontra praticamente em cada canto do planeta onde ela está presente (ZooFari/Wikimedia Commons)

Encontramos o rastro de abusos da Coca-Cola praticamente em cada canto do planeta onde ela está presente. No Paquistão, em 2001, vários trabalhadores da fábrica do Punjab foram despedidos por protestar e as tentativas de sindicalização dos seus trabalhadores em Lahore, Faisal e Gujranwala se chocaram com a oposição da multinacional e da administração. Na Turquia, os seus empregados, em 2005, denunciaram a Coca-Cola por intimidação e torturas e por utilizar um setor especial da polícia para estes fins. Na Nicarágua, no mesmo ano, o Sindicato Único de Trabalhadores (Sutec) acusou a multinacional de não permitir a organização sindical e ameaçar com despedimentos. E encontramos casos semelhantes em Guatemala, Rússia, Perú, Chile, México, Brasil, Panamá. Uma das principais tentativas para coordenar uma campanha de denúncia internacional contra a Coca-Cola foi em 2002 quando sindicatos da Colômbia, da Venezuela, do Zimbábue e das Filipinas denunciaram conjuntamente a repressão sofrida pelos seus sindicalistas na Coca-Cola e as ameaças de sequestros e assassinatos que receberam.

Cabe destacar ainda que a companhia não é unicamente conhecida pelos seus abusos laborais mas também pelo impacto social e ecológico das suas práticas. Como a própria empresa reconhece: “A Coca-Cola é a empresa da hidratação. Sem água, não há negócio”. E onde se instala, ela suga a água até à última gota. De fato, para produzir um litro de Coca-Cola, são precisos três litros de água. E não só para a bebida mas também para lavar garrafas, máquinas… Água que a posteriori é descartada como água contaminada, com o consequente prejuízo do meio ambiente. Para saciar a sua sede uma engarrafadora da Coca-Cola pode chegar a consumir até um milhão de litros de água por dia, a empresa toma unilateralmente o controle de aquíferos que abastecem as comunidades locais deixando-as sem um bem essencial como a água.

Na Índia, vários Estados (Rajastán, Uttar Pradesh, Kerala, Maharastra) encontram-se em pé de guerra contra a multinacional. Vários documentos oficiais assinalam a diminuição drástica dos recursos hídricos onde a empresa está instalada, acabando com a água para o consumo, a higiene pessoal e a agricultura, sustento de muitas famílias. Em Kerala, em 2004, a fábrica de Plachimada da Coca-Cola foi obrigada a fechar depois do município ter negado a renovação da sua licença acusando a Companhia de esgotar e contaminar a sua água. Meses antes, o Tribunal Supremo de Kerala sentenciou que a extração massiva de água por parte da Coca-Cola era ilegal. O seu encerramento foi uma grande vitória para a comunidade.

Casos similares aconteceram também em El Salvador e Chiapas, entre outros. Em El Salvador, as fábricas de engarrafamento da Coca-Cola esgotaram os recursos hídricos após décadas de extração e contaminaram aquíferos ao desfazer-se da água não tratada procedente das fábricas da empresa. A multinacional sempre se recusou a responsabilizar-se pelo impacto das suas práticas. No México, a Companhia privatizou inúmeros aquíferos, deixando as comunidades locais sem acesso aos mesmos, graças ao apoio incondicional do Governo de Vicente Fox (2000-2006), antigo presidente da Coca-Cola do México.

O impacto da sua fórmula secreta sobre a nossa saúde está também extensamente documentado. As suas altas doses de açúcar não nos beneficiam e convertem-nos em “viciados” da sua poção. E o uso do aspartame, edulcorante não calórico substitutivo do açúcar, colocado na Coca-Cola Zero, está demonstrado que consumido em altas doses pode ser cancerígeno, como assinalou a jornalista Marie Monique Robin no seu documentário “O nosso veneno cotidiano”. Em 2004, a Coca-Cola da Grã-Bretanha viu-se obrigada a retirar, após o seu lançamento, a água engarrafada Desani, depois de se ter descoberto no seu conteúdo níveis ilegais de brometo, substância que aumenta o risco de cancro. A empresa teve que separar meio milhão de garrafas, do que havia anunciado como “uma das águas mais puras do mercado”, apesar de um artigo na revista The Grocer assinalar que a sua fonte era água tratada das torneiras de Londres.

Os tentáculos da Coca-Cola, assim mesmo, são tão grandes que, em 2012, uma das suas diretoras, Àngela López de Sá, chegou à direção da Agência Espanhola de Segurança Alimentar. Que posição vai ter, por exemplo, a Agência face ao uso do aspartame quando a empresa, que até poucos dias lhe pagava o salário como sua atual diretora, o usa sistematicamente? Conflito de interesses? Já o assinalamos antes com o caso de Vicente Fox.

A marca que nos diz vender felicidade, reparte antes pesadelos. A Coca-Cola é assim diz o anúncio. Assim é e assim a descrevemos.”

FONTE: http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-est%C3%A3o-vendendo-nossa-%C3%A1gua-a-verdade-sobre-a-seca-em-s%C3%A3o-paulo#ixzz3QJyQ89pH

A reitoria da UENF e seus estranhos métodos de diálogo

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Hoje o ato “Bom dia, reitor” promovido pelo DCE-UENF parece ter assustado bastante os membros da reitoria da UENF, já que os policiais militares que estão dentro do campus foram chamados para garantir a passagem para o interior do prédio.  O interessante é notar que a porta da entrada da reitoria estava apenas bloqueada por uma mesa onde foi colocado o café da manhã que os estudantes haviam preparado recepcionar os gestores da UENF em sua chegada ao campus.

O fato é que esse uso do  contingente da PM que está trabalhando dentro da UENF para garantir entrada no prédio desmascara os argumentos da reitoria quando da contratação do PROEIS para policiar o campus que supostamente seria para impedir casos de violência pessoal e assaltos. Agora está claro que a intenção da reitoria foi sempre a de coagir atos de manifestação política realizados pela comunidade universitária.

Para não ficar totalmente mal,  membros da reitoria se reuniram com o DCE para oferecer explicações dos atrasos do pagamento de bolsas estudantis. O trágico disso é que durante a reunião, além de não haver qualquer sinalização do reajuste compromissado pelo reitor Silvério Freitas durante a greve ocorria em 2014, ainda foi dito que novos atrasos poderão ocorrer ao longo de 2015.

Essa situação é preocupante para as centenas de estudantes da UENF que precisam dos recursos das bolsas para garantir sua permanência dentro da instituição. Ao sinalizar que novos atrasos poderão ocorrer, a reitoria está efetivamente se isentando de suas responsabilidades de defender os interesses da comunidade que deveria estar representando.

Felizmente para os estudantes, o DCE-UENF está cumprindo o seu papel de defender os interesses dos estudantes. Esse é um exemplo que eu espero contagie os demais sindicatos que representem professores e servidores da UENF.  Do contrário, os ataques aos direitos vão ser aprofundados pelo (des) governo Pezão, sempre com a célere ajuda da reitoria da UENF.

É hora de rever o sistema de pós-graduação brasileiro

Por Lewis Joel Greene

Foto: Steve Goodyear.Foto: Steve Goodyear.

O contraste entre o aumento do número de publicações científicas brasileiras e a aparente estagnação de seu impacto na maioria das disciplinas deveria ser uma fonte de preocupação para os decisores políticos responsáveis pela pós-graduação em universidades e a distribuição de bolsas de estudo e financiamento à pesquisa. Como a maior parte da pesquisa acadêmica no Brasil é realizada por estudantes de pós-graduação, é razoável considerar a modificação do nosso sistema de pós-graduação.

Ao longo dos anos, o investimento brasileiro em ciência e tecnologia tem aumentado significativamente, porém a filosofia básica de pós-graduação aparentemente mudou muito pouco. A ênfase continua a ser no número de diplomas e documentos produzidos, mais que na formação do aluno. Por formação queremos dizer as habilidades necessárias para realizar pesquisas e preparar a próxima geração de cientistas brasileiros. Estas incluem a capacidade de analisar problemas, formular soluções específicas, levar a cabo estas soluções no laboratório, pensar e escrever de forma clara, de modo que seja compreensível aos pares, e, finalmente, conhecer e compreender a história do desenvolvimento de sua área acadêmica. É claro que existem outras habilidades necessárias, mas estas são as mais importantes. Devemos esperar que os nossos alunos continuem a se desenvolver e amadurecer ao longo de suas carreiras acadêmicas. Isso não está acontecendo e, como regra geral, até agora viemos treinando técnicos em sua maior parte, em vez de doutores.

Em meados da década de 1970, houve muitas discussões sobre o fato de que o Brasil precisava produzir milhares de doutores para chegar a níveis de primeiro mundo em número de doutores/100.000 habitantes. Reconhecia-se que a maioria dos primeiros formados teriam uma formação menos que ideal, porém entendia-se e esperava-se que o sistema se tornasse mais rigoroso com o tempo. Infelizmente, isso não ocorreu e, para piorar a situação, os doutores mal treinados estão agora formando a próxima geração de doutores.

Historicamente, desde a institucionalização da pós-graduação no Brasil, nos anos sessenta, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), as universidades voltadas para a pesquisa (quase todas públicas) e as agências de fomento estaduais tiveram, todos eles, algum grau de responsabilidade sobre a estratégia para o desenvolvimento de cursos de pós-graduação no país, com uma contribuição substancial para a ciência brasileira. Eu sugiro que um painel de membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC) seja convocado para analisar o desempenho da pós-graduação desde o seu início, em princípio dos anos 1970, e sugerir novas abordagens que podem ser mais eficazes do que a atual em relação à qualidade dos nossos alunos e do empreendimento científico no Brasil.

Sobre Lewis Joel Greene

Atualmente é professor titular voluntário (colaborador sênior) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, no departamento de Biologia Celular, Molecular e Bioagentes Patogênicos. É supervisor do Centro de Química de Proteínas, na Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, onde desenvolve estudos de caracterização química, funcional e estrutural de proteínas, utilizando abordagens tradicionais em química de proteínas e análise proteômica.

FONTE: http://blog.scielo.org/blog/2015/01/26/e-hora-de-rever-o-sistema-de-pos-graduacao-brasileiro/#.VMt7TWjF9sh

DCE da UENF use redes sociais para convocar ato “Bom dia, Reitor” para exigir cumprimento de compromissos firmados durante a greve

O 2º ato de muitos que ainda estão por vir.

Que tal agraciarmos nosso “magnífico” reitor com um belíssimo café da manhã? Amanhã, sexta-feira (30), à partir das 07:00 da manhã, contamos com sua presença!

Em nota liberada nesta quinta-feira (29), a reitoria disse lamentar “o comportamento de um “pequeno” grupo de estudantes que, na última quarta-feira, dia 28, adentrou a reitoria desordenadamente”, de maneira perturbadora e desordeira.

Pois estão vamos recebê-los como realmente merecem e querem, da mesma forma como o estudante é tratado, com todo carinho.

Relembrando as principais pautas:

- Padronização (regularização) nas datas de depósito das bolsas;
- Cumprimento da promessa de aumento das bolsas (equiparação com a UERJ – R$400,00);
- Criação do auxílio-moradia.

Ponto de encontro: E1 (Prédio da reitoria).

PARA FORTALECER O ATO, CONTAMOS COM A DOAÇÃO DE TODOS QUE PUDEREM. CAFÉ, PÃO, MANTEIGA, BISCOITOS… ALÉM DA PRESENÇA DE CADA ESTUDANTE!

Essa luta é de todos! Participem, Uenfianos! Até amanhã!

FONTE: https://www.facebook.com/events/1038428209507614/

Notícia-crime dos agricultores do V Distrito contra Eike Batista, Sérgio Cabral e Luciano Coutinho está tramitando na 5a. Vara Federal

Para quem não se lembra mais, em Agosto de 2013 um grupo de 29 agricultores do V Distrito de São João entrou com uma notícia-crime contra a trinca formada pelo ex (des) governador Sérgio Cabral, pelo ex-bilionário Eike Batista e por Luciano Coutinho, presidente do BNDES, por supostos crimes cometidos no processo de implantação do Porto do Açu (Aqui!).

Pois bem, hoje fui informado que depois de muitas idas e vindas, este processo agora está tramitando na 5a Vara Federal que está localizada na cidade do Rio de Janeiro, como mostram as imagens abaixo.

processo 1 processo 2Agora vamos ver se a justiça vai começar a fazer justiça em defesa dos direitos das centenas de famílias de agricultores do V Distrito de São João da Barra que tiveram suas vidas destroçadas em nome de um projeto econômico que, convenhamos, pouco saiu do papel.

 

Refugiados ambientais

Por Fernando Safatle

Não sou catastrofista. Todavia não é possível ser tão ingênuo ao ponto de não enxergar as mudanças climáticas que estão ocorrendo e a crise hídrica que esta acontecendo com consequências dramáticas. As mudanças climáticas não são ocorrências que irão acontecer no amanhã. Não. Há que reconhecer: são fenômenos que já estão acontecendo agora. A duração do tempo de estiagem esta aumentando e a duração do período chuvoso esta diminuindo. Isto é fato. Tanto é assim, que o ciclo de plantio da soja no Centro-Oeste esta se modificando.

Ninguém podia imaginar que um dia poderia faltar água na região metropolitana de São Paulo. Durante séculos, a crise hídrica era fenômeno natural exclusivo da região do nordeste. São Paulo era sinônimo de abundancia de água e terras férteis: o Eldorado dos nordestinos. Era para lá que se direcionava o fluxo migratório dos flagelados pela seca. Hoje, em pleno período chuvoso, a represa de Cantareira, responsável por abastecer uma população estimada em 6,5 milhões de pessoas na capital paulista está com um volume de apenas 5,1% de sua capacidade, prestes a sofrer um colapso, ou seja, simplesmente secar.

Em levantamento feito pelo Estadão o sistema Cantareira atinge o pior nível de capacidade no mês de agosto, quando entramos no período critico da estiagem. Nesse mês, a vazão media do sistema historicamente calculado baixa para 21,24%. No ano de 1953, quando foi registrado a pior seca o nível em agosto alcançou 14,19%. Agora, em 2014, o nível caiu para 6,28 e, em janeiro de 2015, 5,1%. Ou seja, nunca o sistema da Cantareira baixou em tamanha proporção seu nível.

A crise hídrica não é exclusividade de São Paulo, atinge o sudeste como um todo, abrangendo Belo Horizonte e o Rio de Janeiro. Das quatro represas que abastecem de água e fornece energia ao Rio de Janeiro, São Paulo e Minas três já estão captando no volume morto: Paraibuna, Santa Marta e Funil.

Para se recompor em níveis que possa garantir o abastecimento de água seria necessário que a estação chuvosa no período de fevereiro-marco  fique acima da media histórica de 60% a 80% a mais. Diante do quadro atual é praticamente impossível disso acontecer.

O que se pergunta nessas circunstancia é o seguinte: o que vai acontecer quando se encerrar o período chuvoso e entrarmos, depois de abril, no inicio da estiagem? Se em pleno período de chuvas as represas não elevam a sua capacidade, ao contrario, diminuindo ao ponto de atingir o volume morto o que se pode esperar no período de estiagem? Certamente, o pior ainda esta por vir.

Diante desse quadro gravíssimo nenhuma autoridade responsável seja do governo estadual seja do governo federal vem a publico explicar para a população o que realmente esta acontecendo, quais são as causas de tudo isso e quais são as medidas que se tem que adotar a curto, médio e longo prazo. O que se vê é um comportamento de desfaçatez e desonesto, que procura tirar qualquer responsabilidade diante do que esta acontecendo, como se a culpa fosse exclusivamente da falta de chuvas. Repete-se aqui, como em todos os outros casos flagrados de corrupção, apesar das impressões digitais e tudo, de procurar se eximirem de qualquer culpa negando ad nauseiam suas responsabilidades. Lamentavelmente, gestou se uma casta política, independente do partido que ocupa o poder, que se pauta pela mediocridade e uma espetacular incompetência na gestão da administração publica. Não conseguem dar a mínima transparência de suas ações e muito menos planejar uma administração que consiga dar respostas concretas aos problemas que elas próprias geraram. A combinação perversa da desonestidade e da incompetência produz a catástrofe. O que esta acontecendo com as mudanças climáticas e com a crise hídrica é a face mais exposta desta combinação explosiva, que pode ter consequências trágicas para a população.

O cientista Antonio Donato Nobre mundialmente conhecido como pesquisador do INPE(Institui to Nacional de Pesquisa Espaciais) deu um depoimento extremamente esclarecedor sobre as causas e consequências do que esta acontecendo com as mudanças climáticas.

Segundo ele, foram desmatados na Amazônia durante os últimos 40 anos, 42 bilhões de arvores, o que equivale a três São Paulo e duas Alemanha. Evidentemente que tudo isso não se fez sem consequências trágicas para o clima do planeta. Apesar de muitos asseclas que circulam nas altas esferas do poder afirmar o contrario (resultado disso foi à atitude da Dilma em não assinar o compromisso de desmatamento zero em 2030 na reunião da ONU) , segundo Nobre, a Amazônia realmente condiciona o clima. O desmatamento muda o clima. A região amazônica funciona como uma verdadeira usina de serviços ambientais. Para corroborar com sua tese ele afirma que cientificamente esta provada que uma arvore da Amazônia com uma copa de 10 metros de raio coloca mais de mil litros de água por dia, via transpiração. Ora, o calculo que faz é de que se considerarmos o território da região amazônico com uma área de cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrado, teríamos, portanto, um volume de 20 bilhões de toneladas de água que a floresta transpira diariamente. O rio Amazonas despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia no oceano. Assim, Nobre chega a estonteante conclusão de que a floresta amazônica gera um fluxo de vapor maior do que o do rio Amazonas. O ar que circula pelo continente adentra vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração da floresta e da evaporação da água do oceano agregando outros fatores precipita as chuvas.

Dessa forma o desmatamento não causa um problema somente em relação ao CO2 como também causa destruição no sistema de condicionamento climático local. A conclusão da tese de Nobre é estarrecedora: o estrago já foi feito é irreversível mesmo se adotasse o desmatamento zero. A única maneira de mitigar a tragédia é partir para um esforço de guerra realizando um programa massivo de reflorestamento, replantando florestas e recompondo ecossistemas.

Alguns anos atrás tive oportunidade de ler uma entrevista do ministro do meio ambiente da China na revista alemã Dier Spiegel onde ele alertava da possibilidade da região nordeste da China produzir um fenômeno inaudito, por conta da exploração intensiva do solo que estava provocando sua desertificação: os refugiados ambientais. Segundo seu alerta esta região poderia provocar um êxodo de mais de 200 milhões de chineses. Fiquei imaginando as consequências catastróficas de fenômeno dessa natureza e não passava nunca pela minha cabeça que um dia pudéssemos aqui no Brasil, especialmente em São Paulo, imaginar que poderíamos estar na eminência de termos um fenômeno semelhante: refugiados ambientais, fugindo da falta d’água, em uma região que outrora foi palco da abundancia de recursos naturais e que agora são vitimas da incompetência generalizada dos governos estadual e federal. Somado a tudo isso ainda tem o apagão energético causado pela falta d’água. Repito, não sou catastrofista, ate quando, não sei.

Fernando Safatle- Economista- Fernando.safatle@gmail.com

Tsipras começa a desmontar a austeridade

Primeiro-ministro diz que “não tem o direito de desiludir os eleitores” e define as prioridades: pôr fim à crise humanitária e abrir as negociações sobre a dívida. Primeiras medidas são o cumprimento das promessas eleitorais.

Primeira reunião do governo grego. Foto Left.gr

Ao abrir a primeira reunião do novo governo na manhã desta quarta-feira, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, começou a demolir a política de austeridade que mergulhou o país numa das maiores crises da sua história. “Vamos prosseguir o nosso plano”, assegurou Tsipras, até porque “não temos o direito de desiludir os nossos eleitores”. A sua intenção, esclareceu, é “fazer uma mudança radical na forma como a política e a administração são conduzidas no país”.

A principal prioridade do governo, definiu, será pôr fim à crise humanitária, mas também abrir as negociações sobre a insustentável dívida. Sobre esta questão, o líder do Syriza afirmou que “não vamos entrar num choque mutuamente destrutivo”, mas assegurou que “não vamos prosseguir uma política de sujeição”.

Fim das privatizações

Antes ainda da reunião do gabinete, os ministros respetivos já tinham anunciado o fim dos planos de privatização da Empresa Pública de Energia (DEH, sigla em grego), do Porto do Pireu e de 14 aeroportos regionais. As 300 mil famílias que tiveram a eletricidade cortada por falta de pagamento, vão recebê-la gratuitamente.

Salário mínimo volta aos 751 euros

Por seu lado, o ministro do Trabalho, Panos Skourletis, anunciou que a subida do salário mínimo para 751 euros será uma das primeiras leis do governo. Era esse o seu valor em fevereiro de 2012, quando, por imposição da troika, foi cortado para 586 euros, com o argumento de “aumentar a competitividade”.

Serão reintegrados todos os funcionários públicos despedidos através de medidas inconstitucionais

O vice-ministro da Reforma Administrativa, Giorgos Katrougalos, disse que serão reintegrados todos os funcionários públicos despedidos através de medidas inconstitucionais, dando como exemplo o famoso caso das mulheres da limpeza do Ministério das Finanças, de professores e de funcionários de escolas.

O ministro da Saúde, Panagiotis Kouroumplis, anunciou que todos os gregos voltarão a ter acesso à saúde pública.

Imigrantes serão legalizados

A vice-ministra da Política de Migração, Tasia Christodoulopoulou, anunciou a aplicação do “jus soli”, afirmando, num programa de rádio, que o Estado dará nacionalidade a todos os filhos dos imigrantes que tenham nascido e crescido no país. “E mesmo àqueles que não nasceram, mas vieram para a Grécia muito novos”.

Yanis Varoufakis sem papas na língua. Foto Left.gr
Yanis Varoufakis sem papas na língua. Foto Left.gr

Ministro das Finanças

Mas o evento mais aguardado do dia era conferência de imprensa de Yanis Varolufakis, o novo ministro das Finanças.

Ao contrário do que fez o primeiro-ministro derrotado Antonis Samaras, que não apareceu para a transmissão da pasta e deixou a sede do governo totalmente vazia – nem a senha do Wi-Fi deixou! – Gikas Hardouvelis veio passar o cargo e desejar felicidades ao seu sucessor.

Segundo o relato da correspondente do Guardian, a cara do já ex-ministro começou a mostrar incredulidade quando Varoufakis, sem papas na língua, demoliu a filosofia da austeridade, que definiu como “um erro altamente tóxico que foi cometido neste mesmo edifício”.

O professor de economia disse que não é preciso ser-se economista para perceber que a lógica da austeridade só podia fracassar.

Varoufakis anunciou que a sua intenção é dar um “reboot” às economias não só da Grécia, como de todo o continente, e que tentará fazer um New Deal pan-europeu. Para pôr a cereja no topo do bolo, disse que ia dispensar assessores e consultores que recebem altos salários e contratar as mulheres da limpeza, em luta há quase um ano.

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/tsipras-comeca-desmontar-austeridade/35602