Brasil made in China: Neodesenvolvimentismo extrativista

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Por Verena Glass*

“Com tiros de arcabuz, golpes de espada e sopros de peste” – assim os conquistadores espanhóis avançaram sobre o território asteca no início do século XVI. “Como porcos famintos que anseiam pelo ouro”, foi como descreveu, em 1971, o escritor uruguaio Eduardo Galeano o processo que poderia ser considerado, com a devida relativização, o primórdio da sanha megaextrativista na América Latina.

‘As veias abertas da América Latina, obra que fez de Galeano um dos mais admirados autores de esquerda do nosso tempo, buscou retratar, de maneira contundente, os processos de “cinco séculos de pilhagem” do continente americano. Escrito em um período no qual boa parte dos Estados sul-americanos se encontrava sob regimes militares – que, novamente com a devida relativização, guardavam semelhanças com o conquistador Hernán Cortez no que tange metas e métodos na exploração e dominação das populações, dos territórios e seus bens naturais –, o livro foi proscrito em países como Brasil, Chile, Argentina e Uruguai nos anos seguintes à sua publicação; o que, obviamente, só fez crescer a sua influência no arcabouço analítico das esquerdas sobre a região, “especializada em perder”, como a definiu o escritor uruguaio.

Passados mais de 40 anos do lançamento de As veias abertas, é preciso reconhecer que o mundo mudou. Caíram os regimes totalitários, Estados Unidos e Europa passaram por reconfigurações no tocante a métodos e capacidades de mobilidade no tabuleiro geopolítico da região, a América do Sul se reinventou em processos sociopolíticos progressistas que impactaram o mundo e o Sul global deixou de esquentar o banco dos reservas, abandonou o posto de gandula e passou a jogar e apitar seu próprio jogo em seus próprios campos.

É neste contexto que surge o presente livro. Quando, na virada deste século, as forças progressistas foram paulatinamente ganhando espaço na América do Sul – processo acompanhado pela inclusão, no reordenamento das relações multilaterais, de uma nova estratégia de aprofundamento de relações Sul-Sul –, foi se materializando enquanto realidade cada vez mais presente um novo playerdo capitalismo do século XXI em nossa região: uma potência chamada China, que vende quase tudo que você usa e compra uma boa parte do que é produzido nos monocultivos, nas minas e nos poços de petróleo do país.

A bem da verdade, como se verificará na leitura deste livro, as relações dos países latino-americanos – e, em especial, o Brasil – com a China não são tão recentes. Mas, como é pontuado aqui, a percepção de que “o mundo é made in China” tem se imiscuído no cotidiano de um espectro cada vez mais amplo de pessoas, e de forma cada vez mais aguda. Do sojicultor à vendedora de batom, do camelô aos presidentes de grandes empreiteiras, da garotada ávida por tecnologia ao indígena espoliado por projeto barrageiro na Amazônia, todos comungam da presença chinesa em suas vidas, para o bem ou para o mal.

Para o leitor que baliza sua medida de aprovação das políticas de desenvolvimento nos preceitos da economia, a atuação da China na América Latina e no Brasil, detalhada neste livro, certamente merecerá calorosos aplausos. Como principais compradores de commodities e bens naturais da região, os chineses têm adotado, em troca, um crescente protagonismo nos investimentos em infraestrutura e demais facilitadores do processo produtivo (numa relação win-win bastante bem-vista pelo mercado). Com a vantagem adicional de que, diferentemente de Cortez e seus “tiros de arcabuz” (ou dos EUA e seus marines), a China é (por enquanto) declaradamente pacifista e se ocupa dos territórios exclusivamente através de acordos comerciais, mercados ávidos e investimentos vultosos.

Esta mesma sanha consumista de mercadorias primárias da nossa região e o concomitante empenho em fomentar nos territórios latino-americano e brasileiro mecanismos de barateamento dos custos das respectivas cadeias produtivas, porém, assumem contornos bem menos atraentes se vistos pelo prisma dos direitos humanos e da natureza, das populações tradicionais e dos indígenas, das soberanias alimentar e energética, da preservação ambiental e da biodiversidade e, principalmente, das resistências ao aniquilamento das diversidades em nome do que se achou por bem chamar de progresso e crescimento.

O neodesenvolvimentismo, adotado em larga medida pelos governos sul-americanos (dos mais aos menos progressistas), tem embasado, nas últimas décadas, os discursos e as políticas que transitam da singular “aceleração do crescimento” à promoção e sustentação de programas sociais e de combate à pobreza (em boa medida via rentismos). Marcadamente neoextrativo, teve o mérito de, paulatinamente, suprimir do consciente coletivo progressista o paradoxo que é a promoção de “bem-estar” via exploração predatória bens naturais.

Mas o que realmente promete este “progressismo de resultados”? O ideário progressista-desenvolvimentista – que em grande medida logrou a diminuição de desigualdades e da pobreza, mas não foi capaz de operar as transformações estruturais no cerne político, social e econômico do poder – vem abandonando os “envoltórios sociais” de seus projetos de crescimento econômico, e o que tem emergido de forma nua e crua são as estruturas das cadeias produtivas da extração de bens primários (incluindo aí a terra e a água usadas na produção agropecuária extensiva), numa lógica made in Chinade busca por eficiência.

É o que evidencia o debate a partir do capítulo “China na Amazônia” desta publicação. Descrito em minúcias, o projeto de intervenção produtiva do governo brasileiro na Amazônia, em boa parte impulsionado pelas demandas chinesas por maior eficácia nos processos produtivos e de escoamento de grãos, minérios, madeira e petróleo, inclui estradas, hidrovias, hidrelétricas e linhas de transmissão que rasgam e violam sem pruridos alguns dos territórios mais ricos do país em biodiversidade e mais frágeis em proteção às suas populações nativas.

O estilo veni, vidi, vici adotado pelo governo na implantação de projetos como as hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira (RO), Belo Monte, no rio Xingu (PA), São Manuel, no rio Teles Pires (MT) e agora São Luiz do Tapajós, em gestação no rio Tapajós (PA), evidenciam um fator preocupante: estes, como todos os demais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) em andamento na região, já foram alvo de protestos, revoltas ou ocupações. Todos acumulam um sem número de ações judiciais, todos se transformaram em vetores de conflito, e nenhum cumpriu as condicionantes sociais e ambientais obrigatórias dos processos de licenciamento.

Esse desenvolvimentismo “conquistador” vem impregnado de uma ameaça grave ao Estado de Direito, à medida que sua capacidade de avanço depende, cada vez mais, do atropelo das legislações sociais, ambientais e (inclusive) econômicas – ou, mais além, da inobservância intencional de preceitos constitucionais. Cada vez mais autorreferendados, os representantes dos chamados setores produtivos em todas as esferas de poder (inclusive no Judiciário) têm adotado uma ousadia crescente nos ataques ao que consideram entraves e obstáculos à expansão e segurança de seus investimentos, fazendo com que cada vez mais a Constituição seja incapaz de garantir proteção às vítimas desse processo.

O retrocesso ético que tem marcado as políticas desenvolvimentistas de vários governos progressistas vem acompanhado de outro elemento que remete aos tempos – os históricos da narrativa e o cronológico da publicação – de As veias abertas: a violência do Estado contra os “retardatários do progresso”, numa reprodução profundamente colonial da supremacia da “urbanidade moderna” sobre os “territórios serviçais”. Ou seja, a priorização absoluta das necessidades intrínsecas ao urbano – energia, matérias primas, proteína, etc. -, que é também a força motriz e o horizonte do desenvolvimento chinês, que se dá com o sacrifício daqueles que “não cabem mais neste tempo”; porque não se inserem nas cadeias de consumo, não se inserem na matriz produtiva, não servem ao capital e insistem em ocupar territórios riquíssimos com o singular propósito de neles viver.

É importante salientar que, quando se fala em violência de Estado, não é apenas a psicológica, política e jurídica que está sobre a mesa, mas a física, com uso de armas e incursão de forças policiais e militares contra as insurgências sociais. Não à toa, o governo brasileiro criou sua própria força militar – a Força Nacional de Segurança –, que, com a Polícia Federal, tem assumido os processos repressivos contra indígenas, camponeses e trabalhadores descontentes para garantir os interesses público-privados do capital público-privado, sob um discurso não de repressão, mas de proteção e segurança. Mais além, esse mesmo discurso transforma em interesse nacional os investimentos do capital privado, e em ameaças à soberania e à segurança do país quaisquer movimentos de resistência (inclusive os advindos do Ministério Público em forma de ações judiciais que questionam violações legais e/ou constitucionais).

Ora, se é esse o pacote que acompanha a “dimensão incontornável nas reconfigurações civilizatórias em curso, que estão redefinindo em grandes linhas os fluxos de matéria e energia no planeta e o metabolismo do capitalismo no século XXI”, como é descrito neste livro o advento da nova era made in China, não é abusivo questionar até que ponto o jogo no campo Sul-Sul não segue as mesmas regras do modelo hegemônico do Norte. Até que ponto a aposta em uma força contra-hegemônica como os BRICS, por exemplo, não reproduz a mesma relação de subordinação colonizada das populações que historicamente foram vitimadas sob a dominação do capitalismo euro-americano? Para o camponês ou a comunidade indígena, faz alguma diferença se o agrotóxico que os contamina é americano ou chinês? Se a mineradora é canadense ou chinesa? Se a soja que ocupa seus territórios alimentará suínos na Espanha ou chineses na China? Como justificar que “o ‘sonho chinês’ materializa pesadelos desenvolvimentistas em escalas inéditas”, como aponta esta publicação?

Essas são algumas das reflexões que o livro apresenta a seus leitores, a partir da dissecação do papel da China em nosso país e em nossas vidas. Provavelmente haverá momentos em que o leitor pensará consigo mesmo que, dada a voracidade dos mercados internacionais e o mata-mata no ringue global do capitalismo, na falta de para onde correr até que o emaranhamento inexorável de Brasil e China não é assim tão mal. Afinal, trata-se de uma relação de mútuo benefício.

Será mesmo? De fato, o olhar atento captará, inclusive nas linhas que relatam as vantagens econômicas de uma determinada fatia da sociedade brasileira nas relações com a China, que este livro é uma convocação urgente para o questionamento dos rumos que o Brasil vem trilhando. Apenas garantir o ter (como tem buscado o governo com suas políticas de facilitação de acesso ao consumo), sem garantir a liberdade plena de ser, não é o bastante.

Muito já se falou em estabelecer limites ao desenvolvimento. Muito já se lutou pela garantia dos direitos da parcela da população mais frágil de nosso país. Muito já se criou, em termos de alternativas, para provar que a premissa de que “não há outro jeito” é falaciosa. Então como é possível que as lutas por avanços das conquistas sociais e que as bandeiras reivindicatórias pela multiplicação de diversidades venham sendo suplantadas e substituídas pela urgência agônica das resistências contra os retrocessos que ameaçam o que já havia sido garantido? Quanto do esbulho da América Latina relatado em As veias abertas não tem sido reproduzido (de forma repaginada ou ipsis litteris) sob olhares condescendentes e/ou coniventes dos discípulos do neodesenvolvimentismo?

Em sua trajetória no Brasil, no Cone Sul, na América Andina e na América Central, a Fundação Rosa Luxemburgo tem buscado entender, introjetar, apoiar, instrumentalizar e difundir processos emancipatórios que rompam com o modorrento pensamento único imposto por um tradicionalismo colonialista transvestido de urgência da modernidade. Este livro é, assim, mais uma pequena contribuição para o debate sobre o que fomos, o que estamos e o que seremos – ou podemos ser.

* Verena Glass é coordenadora de projetos na Fundação Rosa Luxemburgo. Este texto é o prefácio do livro O Brasil made in China

Foto: Oldair Lamarque, Agência Pública

FONTE: http://rosaluxspba.org/o-brasil-made-in-china-2/

Minhas posses são poucas, mas isso não quer dizer que não sejam valiosas

Ao contrário de muitos que vêem na acumulação de posses um caminho de afirmação, faço questão de não acumular propriedades. É que existem muitas coisas nesse mundo que eu prefiro ver e presenciar, em vez de me preocupar com as contas que imóveis nababescos com que sonha a classe média sempre acarretam. Essa é uma decisão que muitos estranham, mas que me mantem relativamente saudável dos pontos de vistas mental e financeiro.

A única propriedade que eu possuo, e graças a uma herança, é um pedaço de floresta de Mata Atlântica no município paranaense de Ortigueira que nós alcunhamos de “Sítio Esperança”. Lá pretendo viver um dia para passar meus melhores dias com o som da natureza como meu background cotidiano.

E como não sou mesquinho, compartilho abaixo a visão e o som que emerge de um dos vários riachos que cortam a área de 15,0 hectares cuja propriedade divido em condomínio com meus 3 irmãos e minha irmã. E, um conselho aumentem o volume da caixa de som!

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Porto do Açu: ASPRIM continua organizando a resistência dos agricultores desapropriados

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Estive hoje em mais uma das reuniões mensais da Associação dos Produtores Rurais e Imóveis (Asprim), organização social que defende desde 2009 os interesses dos agricultores atingidos pela instalação do Porto do Açu. A resistência desse grupo de agricultores sempre me impressiona, pois apesar de todo o descaso e atitudes repressivas a que têm sido submetidos, a vontade de resistir é uma resolução coletiva. A luta deles contra as escabrosas desapropriações promovidas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) sempre me impressiona, dada a total desproporção de condições financeiras em que o embate se dá.  Mas nada parece enfraquecer o ânimo desse grupo de pessoas que, sob a liderança da Asprim, continua buscando formas de defender as terras onde suas famílias vivem há várias gerações.

A reunião deste domingo serviu para os agricultores dialogarem sobre o chamado “Portolão”, um escândalo que vem sendo repercutido na imprensa regional. A leitura obrigatória deste domingo foi a matéria publicada pela Revista Viu! que trata do escândalo da aquisição da “Pedreira Sapucaia” que segundo as denúncias apresentadas pela Viu! é a ponta do iceberg de um caso mais amplo de usos pouco republicanos de recursos obtidos por meio de empréstimos concedidos pelo Bndes.

Abaixo segue o depoimento do vice-presidente da Asprim, Rodrigo Santos, sobre a disposição da Asprim de continuar lutando em defesa dos direitos dos agricultores atingidos pela construção do Porto do Açu.

Eleições na UENF: chapa 11 promete mudança, mas usa velhíssimos métodos de cooptação eleitoral para ficar na reitoria

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Este blog tratou em diferentes postagens dos métodos que estão sendo utilizados pela chapa 11, que representa claramente o continuísmo do grupo instalado na reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) há quase uma década.  A reação normal dos candidatos e apoiadores da chapa 11 é de que faço denúncias sem provas, e que só procuro enxovalhar a imagem externa da instituição que ajudo a construir desde 1998. Uma afirmação adicional é de que eu não tenho provas, e que faço apenas denúncias vazias. É claro que isto não é verdade, pois minhas postagens neste blog primam pela documentação daquilo que escrevo.

Pois bem, nesta 6a. feira (31/07), às vésperas do início das eleições nos pólos do Cederj onde a Uenf possui cursos e a poucos dias na eleição nos campi de Campos dos Goytacazes e Macaé, um docente do Laboratório de Ciências Matemáticas (Lcmat)  me entregou o documento abaixo, bem como explicou do que efetivamente se tratava. É que lido por pessoas que não sabem o que está acontecendo nas eleições para a reitoria, o fato se trata aparentemente de uma inocente transferência de uma TV Sony de 55 polegadas do Laboratório de Engenharia e Exploração de Petróleo (Lenep) para o Laboratório de Ciências Matemáticas (Lcmat), ambos localizados no Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) do qual o candidato a reitor da chapa 11, Prof. Edmilson Maria, era o diretor até se afastar para concorrer à reitoria da Uenf.

ofício lenepA explicação que eu quero dar começa na data do oficio: 22/07/2015.  Este ofício está datado pouco mais de 48 horas depois de uma reunião entre os candidatos da chapa 11 com os professores do Lcmat onde se reclamou da falta de uma TV para que determinadas atividades pedagógicas fossem cumpridas. Eis que então produziu-se uma “solução”:  o empréstimo por 6 meses de uma TV que estava alocada para uso nas atividades do Lenep que está localizado em Macaé para ser usada no Lcmat, que está localizado em Campos dos Goytacazes. Bem comodo, não?

Entretanto, a comodidade não cessa no empréstimo, mas alcança para quem, segundo o ofício, a TV foi inicialmente encaminhada. Para quem se der o trabalho de ler o ofício do chefe do Lenep, Prof. Viatcheslav Priimenko, notará que o equipamento foi enviado aos cuidados do “Prof. Edmilson” que eu assumo ser o candidato a reitor da chapa 11, já que não existe outro “Professor Edmilson” no CCT.

E mais, no lado direito inferior do ofício tomei o cuidado de desfocar o nome do servidor que autorizou a transferência de Macaé e o que recebeu o equipamento em Campos dos Goytacazes. É que assumo que eles apenas cumpriram ordens superiores, já que mobilização de patrimônio dentro dos diferentes laboratórios da Uenf não é uma coisa que se faça de qualquer jeito.

Há que se lembrar ainda que no dia 22 de julho de 2015, o Prof. Edmilson Maria já ocupava a condição de candidato a reitor pela chapa 11, não havendo, portanto, qualquer razão republicana para que a ele fosse dado o cuidado da TV cedido por empréstimo pelo Lenep ao Lcmat.

Agora, venhamos e convenhamos, diante do que estamos todos nós? Na melhor hipótese, é que estamos defrontados diante de uma estranha forma de resolver problemas acumulados ao longo de quase uma década onde faltam equipamentos básicos para que os docentes da Uenf possam realizar suas atividades cotidianas.   A pior das hipóteses, eu deixo para os leitores do blog estabelecerem um julgamento próprio.

Dois detalhes que podem ajudar aos leitores do blog a alcançarem uma opinião mais balizada. No debate que ocorreu nas dependências do Lenep no dia de ontem (30/07) e no qual apenas a chapa 10 (Passoni e Teresa) compareceu, os membros da comunidade do Lenep apresentaram profundas reclamações sobre a situação crítica em que o laboratório se encontra para executar suas atividades. Já no Lcmat, tenho informações que a TV de 55″ cedida por meio desse empréstimo extemporâneo e com data de validade determinada será devolvida.

Finalmente, uma pergunta: é com esse tipo de método de soluções pouco consistentes que a chapa 11 pretende “mudar a Uenf com qualidade“?  Tudo indica que sim, o que é lamentável.

Por essas e outros é que eu voto 10 para que a Uenf volte a ter respeito e transparência com aqueles que a constroem com base em métodos universalistas de comportamento.

Eleições na UENF: a chapa 11 e a sua incansável fábrica de boatos

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O debate desta quarta-feira passada (29/07) entre as chapas que concorrem à eleição para a reitoria da UENF foi marcada por uma série de momentos agudos, onde o candidato a reitor da chapa 10, Prof. Luís Passoni, acusou os membros da chapa 11 de estarem mentindo e espalhando boatos que estariam contribuindo para a geração de um clima de conflito e antagonismo.

Em qualquer condição semelhante, um candidato que fosse acusado de mentir e espalhar boatos deveria reagir com indignação e pular nas tamancas. Mas não foi o que se observou, pois a resposta a serie de afirmações contundentes do Prof. Passoni, mereceu apenas olhares e faces petrificadas dos dois candidatos da chapa 11.

Num caso como esse, poderia ser suficiente dizer que “quem cala consente”. Mas não, resolvi listar algumas das coisas que são ditas de forma privada apenas para enxovalhar os membros da chapa 10 (Passoni e Teresa) sem que se apresente um indício mínimo de fatos que corroborem a usina de boatos.

Vejamos alguns exemplos:

Boato 1. Luís Passoni é um sindicalista, sem qualquer experiência de gestão 

Fato: O Prof. Luís Passoni foi chefe do Laboratório de Ciências Químicas; coordenador do curso de Licenciatura em Química na modalidade presencial e duas vezes do curso oferecido na modalidade EAD no Cederj. Além disso, Passoni foi membro dos dois principais colegiados da UENF: o Conselho Universitário e o Colegiado Acadêmico. Além disso, o Prof. Passoni tem uma larga experiência na gestão de unidades industriais,  pois trabalhou no “chão da fábrica” na multinacional 3M.

Boato 2: Teresa Peixoto não é bem vista pelos professores do CCH, centro do qual foi diretora no período entre 2007 e 2011.

Fato: A gestão como diretora da Profa. Teresa Peixoto foi marcada por procedimentos democráticos e transparentes, e decorreu de forma tranquila durante os 4 anos de sua duração. No CCH, a chapa 10 deverá ter uma das melhores votações proporcionais entre os professores, e muito em função do desempenho que a Profa. Teresa teve à frente do centro.

Boato 3: Luís Passoni não lutou por qualquer benefício salarial para os servidores da UENF, e pensou apenas nos professores quando foi presidente da ADUENF.

Fato: Os 19% que foram concedidos aos servidores não docentes em 2014 decorreu de gestões feitas pelo Prof. Passoni junto à Comissão de Educação da Alerj, pois ele considerava que seria extremamente injusto que a proposta do governo Pezão de não conceder qualquer reajuste aos servidores prevalecesse. Quem impediu a unidade entre professores e servidores foram os apoiadores da chapa 11 que naquele momento controlavam a delegacia do Sintuperj na UENF.

Boato 4: A Professora Teresa Peixoto passa muito tempo no exterior à custa de recursos da UENF.

Fato: A Professora Teresa Peixoto, cujo título de doutorado foi obtido na França, realizou seu pós-doutorado naquele país entre 2011 e 2012, e tem viajado com recursos próprios ou de projetos em que ela participa para consolidar parcerias de pesquisa com seus colegas franceses. Essas viagens de trabalho foram todas aprovadas nos órgãos colegiados da UENF, e ela nunca se ausentou da UENF sem a devida permissão da reitoria.

Boato 5: O Prof. Passoni participou de projetos em que recursos foram usados sem qualquer transparência ou retorno para a UENF.

Fato: Todos os projetos de pesquisa em que o Prof. Passoni já participou jamais ofereceram benefícios financeiros individuais para ele. Tampouco há qualquer evidência de que ele tenha se apropriado de recursos ou que suas atividades não tenham dado retorno para a UENF. A opção preferencial do Prof. Passoni pela atuação no ensino de graduação lhe custou inclusive o acesso a editais que apenas privilegiam a realização de pesquisas.

Boato 6. Luís Passoni é um esquerdista radical que não tolera qualquer ideia discordante.

Fato: Todos os depoimentos disponíveis na página da campanha da chapa 10 e que conhecem o Professor Passoni desde o ensino médio dão conta que ele é uma pessoa com grande capacidade de ouvir e ponderar, e que ele é um negociador que procura agregar os grupos onde atua. Pessoalmente posso testemunhar que o Prof. Passoni é uma das pessoas mais ponderadas e incansáveis no trato com os que possuem ideias diferentes das suas. De forma básica direta, Passoni é uma pessoa essencialmente democrática e que acredita no diálogo como ferramenta de resolução de problemas.

Boato 7. Se a chapa 10  for eleita, o Pedlowski vai ser Pró-Reitor de Extensão e colocará tudo o que foi feito por água abaixo.

Fato: Já disse pessoalmente que não estou apoiando a chapa 10 em troca de cargos. Além disso, encaro que meu papel será o de continuar construindo a Uenf desde o meu grupo de pesquisa.  Há ainda que se lembrar que o comitê eleitoral da chapa 10 já definiu critérios claros para a possível ocupação de cargos, os quais incluem experiência prévia nos cargos que serão ocupados. Como nunca fui, por exemplo, sequer coordenador de extensão no CCH, o meu nome está automaticamente eliminado da lista de nomes que poderão ocupar esse cargo.

Boato 8.   A chapa 10 aparelhou a ADUENF e o DCE e por isso a chapa 11 não compareceu nos debates organizados pelos sindicatos nos campi de Campos dos Goytacazes e Macaé.

Fato:  Nem o DCE ou ADUENF fizeram qualquer apoio material ou político a qualquer uma das chapas. O que houve é que diretores e ex-diretores das duas entidades declararam apoio à chapa 10. Agora, em contraposição professores que ocupam cargos indicados na gestão de Silvério Freitas estão usando seus cargos para pedirem votos para chapa 11.

Boato 9. Se Passoni for eleito não haverá mais diálogo com o goverrno Pezão porque ele é um radical e incapaz de dialogar 

Fato: Este boato é uma variação do boato 6. Mas é importante que se lembre que na última gestão em que foi presidente da Aduenf, o Prof.  Passoni se reuniu diversas vezes com o presidente da Alerj, com o presidente da Comissão de Educação da Alerj, com os secretários de Planejamento e Gestão, Sèrgio Ruy, e de Ciência e Tecnologia, Gustavo Tutuca, e até com o então vice-governador, Luis Fernando Pezão. Foi com essa cpaacidade de dialogar com os diferentes níveis de governo que o Passoni conseguiu fechar uma negociação que beneficiou professores e servidores, a qual encerrou a greve que ocorria na Uenf. Aliás, quem sempre mostrou forte incapacidade de negociar foi a reitoria da Uenf na qual o vice-reitor da chapa 11, Antonio Amaral, participava.

Boato 10. O Prof. Luís Passoni não possui título de doutorado e entrou na Uenf num concurso “mutretado” (isto é, eivado de irregularidades).

Fato: No primeiro debate, o Prof. Passoni mostrou a todos o seu título de doutor em Ciências obtido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e esse boato morreu no nascedouro da campanha.

Boato 11. O Professor Passoni é contra a correção das “distorções salariais” existentes na Uenf e não se importa com a situação dos servidores com menores salários.

Fato: O Prof. Passoni vem afirmando em reuniões e debates que uma prioridade de sua administração será a correção salarial em todos os níveis, mas principalmente naquelas faixas onde a depreciação salarial é maior, especificamente nos servidores de nível elementar e fundamental. Há que se lembrar que esse boato é uma variação dos boatos 3, 6 e 9. Na verdade, a postura do Passoni tem sido justamente a de lutar pelo direito de todos, mesmo quando presidia a Aduenf.

Eu poderia continuar com a lista interminável de boatos que andam circulando na UENF. Mas a pergunta que deve ser feita a toda pessoa que estiver empenhada em dar força para essa verdadeira máquina de boatos é de por que estão se ocupando em difamar os membros da chapa 10 quando poderiam estar apresentando e debatendo o programa da chapa 11.

A verdade que esse comportamento antiético e antidemocrático dos apoiadores e dos membros da chapa 11 apenas procura esconder um fato básico: a chapa 11 representa o continuísmo de um grupo que está instalado na reitoria da UENF desde 2003. Aliás, no debate de ontem, sob a pressão das respostas bem colocadas pela chapa 10, os candidatos Edmilson e Antônio Amaral finalmente revelaram que são sim representantes da atual reitoria.

Tanto isto é verdade é que ao final do debate, o candidato Edmilson Maria gritou em alto e bom som que “nós vamos ganhar de novo!”. Nada mais continuísta do que isto!

Talvez por isso, a chapa 11 tenha fugido dos dois debates organizados pelos sindicatos da UENF, e tenham optado pela disseminação de boatos e inverdades. E isto é lastimável em qualquer eleição, mas principalmente para uma reitoria de universidade pública, onde o debate deveria ser sobre projetos e ideias.

Mas a verdade é que quem não tem substância, acaba sempre apelando no final.

E aqueles que ainda tiverem dúvidas, sugiro que visitem a página que a chapa 10 possui no Facebook e leiam todos os depoimentos que ali estão. Após isto, tenho certeza que nos dias 01 e 04 de Agosto iremos fechar para sempre a incansável fábrica de boatos que a chapa 11 montou para encobrir suas responsabilidades na pífia gestão que dominou a UENF nos últimos 8 anos.  Para acessar a página da chapa 10 basta clicar (Aqui!)

fabrica de boatos

Eleições na UENF: o adorável mundo novo da chapa 11 e a realidade que ela não mostra

Ainda que não haja qualquer pesquisa científica sendo realizada acerca das intenções de voto nas eleições para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que ocorrerão nos dias 01 e 04 de agosto, a campanha eleitoral da chapa 11 dá indícios que percebe que seus candidatos se encontram em dificuldade. Uma pista disso é a página oficial da chapa 11 no Facebook que vem se esmerando em apresentar um desenho gráfico de excelência para nos prometer uma “UENF com qualidade”.

Vejamos dois exemplos dessa excelência gráfica da campanha da chapa 11:

campo 0Chapa 11 prometendo que “veio para transformar a UENF”, tendo no fundo uma produção visual com o campus Leonel Brizola que transmite um sentido futurístico.

Na segunda imagem que segue abaixo, o que temos é um suposto compromisso com a “a qualidade”.

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Propaganda da chapa 11 que promete “alta qualidade” utilizando uma estudante que não deve sequer ter visitado o Brasil em sua vida, mais parecendo um daqueles posters produzidos por universidades norte-americanas para atrair estudantes.

Esse esforço de imagem procura esconder vários aspectos básicos do envolvimento dos professores que compõe a chapa 11 com as administrações dos reitores Almy Junior e Silvério Freitas que eles agora prometem “transformar”

edmilson silverio -convenio-unifluReunião no gabinete do  reitor Silvério Freitas com a presença dos professores Edmilson Maria (então diretor do CCT) e do Professor Antonio Amaral (então Pró-reitor de Pós-Graduação).

Mas mostrar esse continuísmo entre as reitorias de Almy Junior e Silvério Freitas que a chapa 11 representa é pouco para mostrar aos potenciais eleitores. Assim, mostro imagens que colhi recentemente numa unidade de experimental que a Uenf mantem na cidade de Campos dos Goytacazes, onde colhi depoimentos que mostram o que de fato acontece aos que constroem a nossa universidade todos os dias, e que não aparecem nas propagandas estilosas da chapa Edmilson-Amaral.

campo 1Bezerros que são usados nos experimentos recebem diariamente ração de alta qualidade e possuem até um bebedouro próprio que aparece ao fundo da imagem.

 Mas e a condição que os servidores que cuida com o maior zelo desses animais? Abaixo um pequeno comodo mostrando o único sofá existente na unidade para possível descanso dos servidores

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Se a situação das  condições para descanso já são lamentáveis, vejamos a situação do bebedouro que foi disponibilizado para uso dos servidores dessa área e as condições em que o mesmo se encontra a poucos dias da eleição em que a chapa 11 promete “transformar a UENF”!

campo 3Bebedouro e tanque sem utilização porque a reitoria da UENF nunca realizou a ligação dos mesmos com a rede de abastecimento de água.

E os estudantes de carne e osso que ajudam a construir a Uenf como uma das melhores universidades brasileiras da atualidade? Esses padeceram nos últimos anos, com a presença do candidato a vice-reitor da chapa 11 na gestão da reitoria que ele agora diz querer transformar, de todos os tipos de desrespeito, a começar pelo atraso no pagamento de bolsas acadêmicas. Isto acabou ocasionando ao longo de 2015 uma série de manifestações legítimas do movimento estudantil uenfiano, inclusive com o fechamento das entradas do campus Leonel Brizola em Campos dos Goytacazes.

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Estudantes fecham o campus Leonel Brizola em 2015 para protestar contra o atraso crônico no pagamento de bolsas acadêmicas.

Para completar os problemas dos alunos presenciais também no sistema Cederj existem uma série de problemas que hoje dificultam a vida dos estudantes, a começar pela demora na entrega  material didático impresso, o que contraria toda a estrutura de aprendizagem e, acima de tudo, contraria a própria propaganda oficial. Isto sem falar no fato de que quando algum estudante procura se informar sobre quando o material será entregue, a resposta é “Quanto a distribuição do material didático, impresso, não é de responsabilidade desta Coordenação e Tutoria.

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A propaganda do Cederj diz que os estudantes com material didático. No caso de muitos estudantes de EAD da Uenf, isso é só propaganda mesmo!

O fato é que a distância entre as promessas glamourosas da chapa 11 e a realidade em que a Uenf está colocada neste momento é abissal. Afinal, se não fizeram até agora, vão fazer depois de eleitos por quê? Talvez por isso, apesar dos esforços, a propaganda da chapa 11 só tenha conseguido convencer poucos até o momento. É que não basta propaganda bonita, há que se trabalhar com respeito e transparência para mudar a realidade. Simples assim!

 

 

Pescadores de Atafona articulam manifestação para fechar Porto do Açu

Por Arnaldo Neto

As dificuldades que os pescadores de Atafona têm enfrentado (veja o vídeo) para conseguir passar pela barra — canal de acesso ao mar — ganhou destaque neste mês de julho, com recorrentes cenas de barcos encalhados na foz do Paraíba. Com o rio perdendo força, bancos de areia estão se formando e bloqueiam a passagem dos barcos. A classe pesqueira já se reuniu (aqui) no último dia 9 com representantes das secretarias de Pesca, Maio Ambiente e Obras de São João da Barra, por intermédio da vereadora Sônia Pereira (PT), para debater o assunto e buscar uma solução. Somente na última semana, três barcos ficaram encalhados na foz. Eles alegam que, de imediato, seria necessário a dragagem da área, feita por um navio que executou o serviço de aprofundamento e a abertura de um canal no Porto do Açu.

De acordo com o secretário de Pesca do município, Joel Serra, o secretário de Obras, Marcos Sá, já apresentou um projeto para desobstrução do canal de navegação e uma reunião com o prefeito Neco (PMDB), agendada para esta segunda-feira (27), vai discutir os próximos passos em busca de uma solução para o problema. “Na segunda-feira teremos uma reunião com o prefeito Neco, os secretários de Obras e de Meio Ambiente. Estamos recolhendo assinatura dos pescadores, para anexar um abaixo assinado ao projeto. Uma coisa é certa, do jeito que está não dá para ficar”, relatou Joel.

Em vídeo publicado nas redes sociais (aqui), os pescadores mostram as dificuldades encontradas para passar pelo canal até mesmo com a maré cheia. No áudio, é possível ouvir seus relatos e o aviso que irão organizar uma manifestação em frente à Prefeitura e a ameaça de fechar o Porto do Açu caso uma solução imediata não seja apresentada.

Os pescadores acreditam que a Prumo e outras empresas do Porto devem participar do projeto, como forma de medida compensatória aos impactos do empreendimento na principal atividade econômica de Atafona. Além disso, eles alegam que se o canal fechar, o entreposto pesqueiro — apresentado como plano de compensação da ainda LLX em 2009 —, com obras que se arrastam desde 2012, ficaria inutilizável, se um dia ficar pronto. “Era só a draga que eles usam no Açu vir aqui e abrir o canal de navegação. A gente sabe que isso (a barra fechar) é a força da natureza, mas precisa ser feito alguma coisa para ajudar o pescador”, relatou Carlos Pereira, ex-vereador e proprietário de embarcações.

FONTE:http://fmanha.com.br/blogs/arnaldoneto/2015/07/27/pescadores-de-atafona-articulam-manifestacao-para-fechar-porto-do-acu/