Pezão e a limonada da transposição do Paraíba do Sul: só ser com água barrenta!

barro

Ao final da reunião que abriu caminho para a realização da transposição do Rio Paraíba do Sul para atender as demandas do governo de São Paulo, o (des) governador Luiz Fernando Pezão teria dito que “desse limão saiu uma grande limonada”, se referindo ao processo eleitoral. “Cada um estava cuidando das campanhas e não deu pra gente sentar e dialogar. Ninguém vai perder. A população dos três Estados vai ganhar com a solidariedade nossa”, teria dito Pezão.

Agora, alguém por favor avise ao Sr. Pezão que para se fazer a diluição do limões há que se ter água.  Mas do jeito que a coisa anda, o que sobrar para diluir os limões vai ser, quando muito, água barrenta.

Será que o Pezão encararia essa limonada cheia de barro? A ver!

Auditória Cidadã da Dívida e as perguntas que a mídia corporativa não quer fazer

Em 2013, R$ 718 bilhões de reais foram destinados aos serviços da dívida ou mais de 40% do Orçamento Geral da União. Mas parece que esse escândalo não chamou a atenção da grande imprensa. Por que será? Seria porque os grandes conglomerados de comunicação – controlados por pouquíssimas famílias – se beneficiam do alto rendimento da Dívida Pública, assim como os acionistas que investem em suas empresas?

O mesmo vale para a sonegação, que prejudica a arrecadação pública, enquanto os mais pobres não tem escolha de não pagar impostos, uma vez que todo o seu salário é gasto no decorrer do mês no consumo, que é altamente taxado.

E sem esquecer a dívida ativa (aquela que tem a União como credora) que chegou este ano ao patamar de R$ 1,2 trilhões.
Quando é que os microfones dos jornalistas e as lentes dos fotógrafos vão se virar ao problema do endividamento público?

FONTE:https://www.facebook.com/auditoriacidada.pagina/photos/a.568059073252337.1073741829.179192175472364/814795391912036/?type=1&theater

Ministério Público Federal emite nota de esclarecimento sobre remoção da Favela da Linha

NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA
 
Em relação ao processo de desocupação da Comunidade da Margem da Linha, de responsabilidade da prefeitura municipal de Campos dos Goytacazes (RJ), o Ministério Público Federal (MPF) em Campos dos Goytacazes (RJ) esclarece que:
 
-  No último dia 18 de novembro, o MPF e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro enviaram à prefeitura de Campos uma recomendação conjunta para que, quando fosse efetuada a desocupação da Comunidade da Margem da Linha, fosse preservada a integridade física e respeitada a dignidade dos moradores. Veja a íntegra da recomendação aqui.
 
- A retirada das famílias do local NÃO decorreu por determinação do Ministério Público Federal.
 
- A desocupação começou a ser discutida pela prefeitura por identificar que aquelas famílias estão em área de risco, devido a alagamentos e à situação de vulnerabilidade social.
 
-  A recomendação do MPF visa garantir que a prefeitura de Campos respeite os direitos fundamentais dos moradores, em especial a dignidade da pessoa, a integridade física e psíquica, o patrimônio de cada família e a existência de pessoas vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais, conforme preveem as orientações da Organização das Nações Unidas (ONU).
 
- O MPF quer garantir que as famílias sejam transferidas para projetos de moradia que atendam a critérios mínimos para a garantia do direito à moradia digna e com equipamentos públicos indispensáveis.
 
- O MPF quer garantir que no processo de desocupação sejam evitados o uso desnecessário da força e embates com eventuais moradores que ofereçam resistência.
FONTE: Assessoria de Comunicação Social, Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro

Transposição do rio Paraíba é uma política pública míope. Entrevista especial com David Zee

“Não é porque São Paulo está precisando de água que tem de se tomar a decisão de tirar água de outro rio”, frisa o oceanólogo.

Foto: visaonacional.com.br

“Minimizar os prejuízos gerados em relação ao desperdício de água” durante a produção e distribuição é uma das alternativas a ser considerada diante da crise hídrica que afeta o estado deSão Paulo, diz David Zee à IHU On-Line, ao comentar a possível transposição do Rio Paraíba do Sul, que banha os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais para o sistemaCantareira. Segundo ele, o desperdício de água no Brasil já alcança uma média de 40%, sendo que somente em São Pauloperde-se 32% da água, e no Rio de Janeiro, 38%.

Contrário à transposição como medida imediata a ser adotada,Zee reitera que “antes de retirar água dos mananciais esgotados, porque os rios já estão sobrecarregados, é preciso reduzir as perdas e aumentar a eficiência. Se conseguirmos melhorar em 50% a eficiência, isso significa 20% de água a mais e talvez seja desnecessária a transposição do Paraíba do Sul”.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone, o oceanólogo explica que a transposição está sendo cogitada pela questão da “facilidade” que o rio Paraíba oferece em termos de localização. Contudo, adverte, “por ser próximo dos centros consumidores, ele também é extremamente exigido pela agricultura, pela produção de energia e outros usos. E, se a transposição for feita, daqui a pouco se corre o risco de faltar água para a produção de energia elétrica. Se isso acontecer, as termoelétricas terão de funcionar e o custo da energia aumentará ainda mais”.

Lembrando o caso da transposição do rio São Francisco, que se estende desde 2007, Zee alerta para o fato de que “muitas vezes se pensa em fazer uma transposição e se faz um canal artificial ligando um lado a outro do rio, mas só a extensão do canal precisa de um volume de água enorme para manter esse canal funcionando. Ocorre que às vezes essa questão não é vista, e se perde muita água por evaporação”. E acrescenta: “Essa questão precisa ser discutida, porque antes de uma decisão política é preciso ter um estudo técnico para mostrar as alternativas, o qual vai contribuir para ajudar a tomar uma decisão”.

Foto: http://www.greenmeeting.org

David Zee é graduado em Engenharia Civil pelaUniversidade Presbiteriana Mackenzie, mestre em Oceanografia pela Universidade da Flórida e doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como avalia a possibilidade de transposição do rio Paraíba do Sul para Cantareira?

David Zee – Avalio essa situação como uma das últimas alternativas. Precisamos encontrar alternativas que são de melhor solução antes de ir diretamente para a transposição. Quais seriam essas alternativas? Primeiro, as empresas de produção/distribuição de água dos estados deveriam fazer a lição de casa, ou seja, minimizar os prejuízos em relação ao desperdício de água — a média no Brasil é de 40% de perda da água produzida.

Em São Paulo, perde-se 32% da água, e no Rio de Janeiro, 38%, seja por meio da distribuição ou dos “gatos”. Então, antes de retirar água dos mananciais esgotados, porque os rios já estão sobrecarregados, é preciso reduzir as perdase aumentar a eficiência. Se conseguirmos melhorar em 50% a eficiência, isso significa 20% de água a mais e talvez seja desnecessária a transposição do Paraíba do Sul. Antes de retirar da natureza, temos de pensar o que é possível fazer.

“A escolha do Paraíba é uma questão de facilidade que o rio fornece em termos de localização”

IHU On-Line – Pode explicar as características da Bacia do rio Paraíba e por quais razões se cogita a transposição dessa bacia?

David Zee – Pela simples localização geográfica, próxima ao centro consumidor, próxima dos equipamentos que eventualmente as empresas produtoras de água têm. Então, a escolha do Paraíba é uma questão de facilidade que o rio fornece em termos de localização. Mas, ao mesmo tempo, por ser próximo dos centros consumidores, ele também é extremamente exigido pela agricultura, pela produção de energia e outros usos. E se a transposição for feita, daqui a pouco se corre o risco faltar água para a produção de energia elétrica. Se isso acontecer, as termoelétricas terão de funcionar e o custo da energia aumentará ainda mais. Então, mais do que nunca percebemos o valor da água não somente em termos de necessidade humana, mas seu valor econômico. Portanto, é preciso que o homem não desperdice a água e a utilize planejadamente.

Foto: http://www.comiteps.sp.gov.br

IHU On-Line – A transposição pode solucionar em parte os problemas de São Paulo, mas gerar problemas de abastecimento em outros estados, como para o Rio de Janeiro posteriormente?

David Zee – Sem dúvida alguma. A questão não está restrita somente à cidade do Rio de Janeiro. O rio Paraíba passa por vários municípios fluminenses e mineiros, e ambos os lados precisam de água para movimentar suas indústrias, suprir as necessidades da agricultura, sem falar na questão da água para as cidades ribeirinhas. Então, mesmo que ocorra a transposição, como São Paulo concentra um número muito grande de pessoas, cada vez vai se pedir mais água. Ou seja, as políticas públicas são feitas de uma maneira míope, somente olham para as necessidades sem lembrar que o rio atravessa três estados e que outras pessoas também precisam de água.

Por isso se faz necessário desenvolver políticas públicas mais integradas e, em segundo plano, ter uma participação maior da sociedade consumidora. Um bom exemplo dessa comunicação integrada entre setores é o Comitê de Bacias. O problema é que o Comitê de Bacias fica a desejar em relação à demora entre a tomada da decisão e a realização do que foi decidido. É preciso mais agilidade nesse aspecto e é preciso pensar algo intermediário em relação à crise hídrica: nada tão pulverizado em termos de opiniões, mas também não tão centralizado. Deve haver um meio termo. A natureza está se esvaindo e um dos fatores que temos de levar em consideração é o tempo para executar o que foi decidido.

IHU On-Line – Que estudos técnicos deveriam ser feitos antes de fazer a transposição?

David Zee – Não somente aqueles ligados aos aspectos climáticos, geográficos e culturais, mas aos aspectos sociais e de política de desenvolvimento, que devem ser pensados porque não haverá recursos suficientes para todas as demandas que estão se colocando. Essas demandas estão se colocando de uma forma independente, sem analisar o conjunto, ou seja, quais seriam as medidas mais benéficas e economicamente viáveis? A resposta está ligada àsustentabilidade. O princípio da sustentabilidade está num tripé, em que se mantém o meio ambiente junto com a questão das demandas das necessidades humanas e a viabilidade econômica, a qual passa por questões de equipamentos, de técnicas, de recursos e de políticas públicas que estão carecendo de uma visão integrada.

IHU On-Line – Quais as implicações ambientais da transposição, tendo em vista o exemplo da transposição do rio São Francisco, que se estende por anos? Diante da crise hídrica, há tempo para realizar uma obra dessa magnitude?

David Zee – Há várias questões a serem consideradas e uma delas é a questão técnica. Muitas vezes se pensa em fazer uma transposição e se faz um canal artificial ligando um lado a outro do rio, mas só a extensão do canal precisa de um volume de água enorme para manter o canal funcionando. Ocorre que às vezes essa questão não é vista, e se perde muita água por evaporação. Além disso, existe uma questão financeira: o Brasil tem muitas ideias e pouco dinheiro para colocá-las em prática. A terceira questão é a do tempo: eventualmente agora há essa necessidade, mas talvez com o tempo se perca essa necessidade.

“A falta de água começa pelo uso antrópico, ou seja, o uso do homem”

Então, são vários problemas que devem ser efetivamente vistos e considerados. Não é porque São Paulo está precisando de água que tem de se tomar a decisão de tirar água de outro rio. Essa questão precisa ser discutida, porque antes de uma decisão política é preciso ter um estudo técnico para mostrar as alternativas.

IHU On-Line – Além dos problemas de gestão e administração que o senhor mencionou, a crise hídrica tem alguma relação com as mudanças climáticas?

David Zee – A falta de água começa pelo uso antrópico, ou seja, o uso do homem. Como a população é muito grande e há uma demanda alta em regiões do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), não tem água para toda a população. Esse é o primeiro problema. O segundo problema é agravado pelas mudanças climáticas, mas elas podem variar ao longo do tempo. Por essa razão, as mudanças climáticas contribuem para a crise hídrica, mas num segundo plano. A demanda e a necessidade fazem com que se tomem decisões intempestivas e nem sempre as mais adequadas.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/537803-transposicao-do-rio-paraiba-e-uma-politica-publica-miope-entrevista-especial-com-david-zee

Preparem suas panelas e canecas: Pezão assinou acordo para permitir transposição do Rio Paraíba do Sul

Tudo ou nada: a verdadeira história de Eike Batista aparece em livro

“Eike Batista e a verdadeira história do grupo X” é lançado no Rio

Jornalista fala sobre trajetória do empresário com documentos e declarações inéditas

A jornalista Malu Gaspar lançou na noite desta terça-feira (25) seu livro “Tudo ou Nada – Eike Batista e a verdadeira história do grupo X”, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Motivada pelo ineditismo e importância de histórias e evidências que se revelaram enquanto acompanhava a trajetória das empresas de Eike, e também pelo personagem este representa, iniciou uma pesquisa minuciosa que gerou a publicação. Documentos inéditos e depoimentos de 106 personagens fundamentais ajudam a contar a história do homem que já foi apontado como o 7° mais rico do mundo, e agora se vê envolvido em processos sobre crime contra o mercado e com empresas em recuperação judicial.

Malu Gaspar é editora da revista Veja no Rio de Janeiro e acompanha a trajetória de Eike Batista e seu grupo desde 2005, quando chegou ao Rio de Janeiro para ser chefe da sucursal carioca de Exame. Em conversa com o Jornal do Brasil, ela destaca o fato da aproximação ter iniciado justamente no período de auge do empresário. Ao seguir os passos do grupo X e ouvir pessoas relacionadas, percebeu que se tratava de um grande personagem. Quando teve início a trajetória de queda, viu que o que acontecia não era retratado e que renderia uma grande história. “Eike representa um período do capitalismo brasileiro”, resume.

Malu reconstitui a trajetória de ascensões e quedas do empresário, com pesquisa sobre ele e sua carreira desde o início dos anos 1980 até o colapso em 2012. Especialista na cobertura econômica, ela pesquisou fontes inéditas, levantou documentos jamais vistos e ouviu amigos, ex-amigos, colaboradores, ex-colaboradores, admiradores e adversários de Eike, que nunca haviam falado a respeito dele e das empresas. Eles revelam tramas que montam um novo quebra-cabeça, que promete ajudar a compreender não só o caminho do grupo mas também a cabeça de seu líder.

“Vi de muito perto o grupo X ascender ao topo do capitalismo brasileiro. Conheci seus executivos, acompanhei os momentos de tensão e glória, o surgimento das primeiras dificuldades. (…) Sempre me impressionou o tamanho da ambição e a grande quantidade de projetos e planos que suas empresas cultivavam, assim como a facilidade que tinha de convencer o mercado e o público sobre sua capacidade de executá-los. Soube, de início, mais por fontes de fora do grupo, que muitos não eram factíveis. Fiquei preocupada quando  vi a bolha X se formando e logo passei a buscar as pistas de que ela estava prestes a estourar”, conta a autora.

A autora ainda buscou mostrar como a personalidade peculiar de Eike Batista influenciava na tomada de importantes decisões. Segundo ela, Eike tem um grande carisma, capacidade de liderança e um talento especial para vender seus projetos, atrair pessoas e mobilizar recursos, mas vive em conflito com executivos, administrava colocando uns contra os outros, subestimava dificuldades e sempre foi incapaz de manter o foco num único projeto, por mais complexo que ele fosse.

Graças aos devaneios que vendeu ao mercado, ele se tornou o sétimo homem mais rico do mundo

“Deixo claro no livro que Eike sabia estar patrocinando uma mentira. O fato de ter ido à falência junto com suas empresas não o absolve, como ele costuma afirmar. Graças aos devaneios que vendeu ao mercado, ele se tornou o sétimo homem mais rico do mundo e passou a integrar a elite global dos negócios. Teve muitos lucros, colheu muitos louros e só quebrou de forma tão fragorosa porque, ao se julgar alguém iluminado e especial, cometeu erros demais. Estamos falando, porém, de um empresário experiente nos meandros do mercado financeiro, que já lidou no passado com mercados até mais regulados e restritos do que o brasileiro e sabe que não poderia ter conduzido os negócios e a relação com o mercado da forma como fez”, conclui Malu Gaspar.

FONTE: http://m.jb.com.br/economia/noticias/2014/11/25/eike-batista-e-a-verdadeira-historia-do-grupo-x-e-lancado-no-rio/#