UFRJ alerta sobre ondas da pandemia de COVID-19 se sobrepondo

O Grupo de Trabalho para Enfrentamento da COVID-19 emitiu Nota Técnica que fala da necessidade de medidas urgentes

mascaraFoto: Artur Moês (CoordCom/UFRJ)

Por Assessoria de Imprensa da Reitoria

O Grupo de Trabalho para Enfrentamento da COVID-19 da UFRJ emitiu nesta segunda-feira, 30/11, nova Nota Técnica alertando para o aumento acelerado de casos da doença sem ter ocorrido o término da primeira onda. Os dados sugerem que há uma nova onda se sobrepondo à primeira, fato que torna o problema ainda mais grave e complexo, principalmente em virtude de aglomerações desnecessárias e declarações públicas de autoridades governamentais afirmando que não retrocederão nas medidas de flexibilização.

A Nota Técnica conclama os entes municipal, estadual e federal para uma ação unificada e a adoção de diversas medidas. Leia a íntegra do documento no arquivo abaixo.

Quem desejar ler a íntegra da Nota Técnica emitida pela UFRJ, basta clicar [Aqui!].

The Guardian: desmatamento na Amazônia atinge o máximo de 12 anos sob Bolsonaro

Uma área sete vezes maior que a Grande Londres foi perdida no que um ativista chamou de destruição ‘humilhante e vergonhosa’

1200Mais de 11.000 quilômetros quadrados de floresta tropical foram destruídos no Brasil entre agosto de 2019 e julho de 2020, mostram os números oficiais. Fotografia: Christian Braga / Greenpeace

Por Tom Phillips no Rio de Janeiro para o “The Guardian”

Uma vasta extensão da floresta tropical amazônica sete vezes maior do que a Grande Londres foi destruída no ano passado quando o desmatamento atingiu seu pico em 12 anos sob o presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro.

Números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram nesta segunda-feira que pelo menos 11.088 km2 de floresta tropical foram arrasados ​​entre agosto de 2019 e julho de 2020 – o maior número desde 2008.

Carlos Rittl, ambientalista brasileiro que trabalha no Instituto de Estudos Avançados de Sustentabilidade da Alemanha, disse que os números foram “humilhantes, vergonhosos e ultrajantes” – e um claro sinal dos danos ao meio ambiente desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019.

“Esta é uma área com um terço do tamanho da Bélgica – áreas gigantescas de floresta que estão sendo perdidas simplesmente porque sob o governo de Bolsonaro aqueles que estão destruindo não sentem medo de serem punidos”, disse Rittl.

“A grande conquista de Bolsonaro no que diz respeito ao meio ambiente foi essa trágica destruição de florestas que tornou o Brasil talvez um dos maiores inimigos do meio ambiente global e também um pária internacional.”

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, tentou dar um toque positivo aos números desanimadores ao visitar a sede do Inpe na cidade de São José dos Campos na segunda-feira. Mourão afirmou que o aumento anual de 9,5% foi menos da metade do valor previsto de cerca de 20%.

“Não estamos aqui para comemorar nada disso, porque não é nada para comemorar. Mas significa que os esforços que estão sendo lançados [contra o desmatamento da Amazônia] estão começando a dar frutos ”, afirmou Mourão.

Ambientalistas, que culpam o enfraquecimento deliberado de Bolsonaro dos esforços de fiscalização pelo aumento, zombaram dessa leitura. “Este número é um ultraje – não nos diz nada de positivo sobre o governo Bolsonaro. Pelo contrário, mostra que, apesar da quarentena  imposta pela COVID-19, o crime ambiental aumentou ”, disse Rittl.

O comentário de Mourão sobre o aumento menor do que o esperado foi “como dizer que esperávamos 300.000 mortes causadas pela COVID-19 e  tivemos ‘apenas’  200.000”, acrescentou Rittl.

Cristiane Mazzetti, porta-voz do Greenpeace para a Amazônia, disse: “Este é um número ainda pior do que 2019 e um reflexo direto das políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro que enfraqueceram os órgãos de monitoramento e usaram estratégias equivocadas de combate ao desmatamento, como o desmatamento as forças armadas ao invés de agentes de proteção ambiental. ”

“Esses números nos mostram que continuamos a caminhar na direção errada do que a necessária para lidar com a emergência climática e a crise da biodiversidade.”

O grupo Observatório do Clima disse que a destruição crescente não foi uma surpresa para aqueles “após o desmantelamento da política ambiental que está em andamento no Brasil desde janeiro de 2019”.

“Os números mostram simplesmente que o plano de Jair Bolsonaro funcionou. Eles são o resultado de um projeto bem-sucedido de aniquilar a capacidade do Estado brasileiro e de seus órgãos de monitoramento de cuidar de nossas florestas e combater o crime na Amazônia ”, afirmou em nota.

Mourão disse que os números, produzidos com informações do sistema de satélite do Prodes, mostram que a maior parte da devastação está ocorrendo em quatro regiões: Estado do Pará, norte do Mato Grosso, sul do Amazonas e Rondônia.

O Pará, um antigo hotspot de desmatamento, foi de longe o estado mais afetado, respondendo por quase 47% do desmatamento total.

“Graças ao trabalho do Inpe, agora temos uma noção perfeita de onde devemos focar nossas ações para evitar a ocorrência de atividades ilegais”, disse Mourão aos jornalistas, elogiando seus “brilhantes cientistas” por seus esforços.

Mas, apesar da crescente campanha de propaganda do governo “verde” – que recentemente viu Mourão levar embaixadores estrangeiros para um passeio pela região amazônica – ambientalistas e investidores estrangeiros estão céticos sobre seus esforços para proteger a maior floresta tropical do mundo.

Durante a excursão de três dias, embaixadores não foram levados a nenhum dos focos de desmatamento detalhados por Mourão na segunda-feira – e os ativistas consideraram a visita uma “farsa”.

Em maio, milhares de soldados brasileiros foram enviados à Amazônia, supostamente para combater crimes ambientais, embora alguns acreditem que eles estão apenas piorando as coisas .

Rittl disse que um raio de luz foi a recente derrota do principal aliado internacional do Bolsonaro, Donald Trump. “Sem o apoio de Trump nos EUA, a pressão internacional [no Bolsonaro sobre o meio ambiente] vai aumentar e vai aumentar muito”, previu.

Bolsonaro é membro de um de um pequeno grupo de líderes mundiais que ainda não reconheceu a vitória de Joe Biden e no domingo afirmou , sem provas, que “fontes” não identificadas o convenceram de que as eleições nos EUA foram infestadas de fraudes.

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

No governo Bolsonaro, números do desmatamento na Amazônia voltam aos níveis de 2008

deforestationMedidas feitas pelo Inpe a partir de imagens de satélite mostram que o desmatamento da floresta tropical atingiu um pico de 11 anos na Amazônia brasileira no primeiro ano do governo Bolsonaro. João Laet / AFP / Getty Images

Dados que acabam de ser divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o primeiro ano de medidas de desmatamento na Amazônia relativos ao governo Bolsonaro mostram que voltamos aos níveis de 2008, pois o total do desmatamento para 2019-2020 chegou a 11.088 km² (para comparação ver tabela abaixo criado pelo site “Direto da Ciência“).

Prodes_1998-2019

O Pará é o estado com a maior área desmatada na estimativa (5.192 km²), depois Mato Grosso (1.767 km²), Amazonas (1.521 km²), Rondônia (1.259 km²), Acre (652 km²), Roraima (300 km²), Maranhão (290 km²), Amapá (81 km²) e Tocantins (26 km²).

Os responsáveis diretos por esse resultado desastroso nos valores de corte raso das florestas amazônicas são o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão, bem como o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles. 

É que cada um deles agiu dentro das capacidades que o seus cargos permitem para desmontar a governança ambiental e os mecanismos de comando e controle que impediam o saque descontrolado das riquezas naturais amazônicas. Com a ação combinada dessas autoridades foi possível a ação desenfreada de garimpeiros, madeireiros e grileiros de terras que se serviram da ausência das agências de fiscalização e proteção para avançar sobre terras públicas, principalmente unidades de conservação e terras indígenas.

Com  toda certeza a partir de hoje assistiremos a uma série de movimentos para obscurecer a devastação que está em curso na Amazônia brasileira neste momento. Provavelmente veremos mais ataques às organizações não-governamentais e aos povos indígenas que serão pintadas como os responsáveis pela destruição acelerada da Amazônia. Também não será nenhuma surpresa se novamente houver questionamentos sobre a validade científica dos dados que estão sendo divulgados pelo Inpe.

Acesso público a dados de desmatamento impossibilita manipulação, diz Inpe  | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 05.07.2019

Chamo ainda a atenção para o fato de que em recente artigo publicado na revista Science, eu e um grupo de colegas demonstramos que para toda ação de desmatamento há também a ocorrência de um processo que corre de forma paralela e/ou combinado que é a degradação florestal.  Em outras palavras, o desmatamento também alimenta a degradação, e a combinação desses dois agentes amplifica os danos causados pela situação de descontrole ambiental que o governo Bolsonaro criou, muitas vezes agindo em combinação com os governadores, na Amazônia.

A minha expectativa é que esses resultados sejam amplamente divulgados e forcem os nossos principais parceiros comerciais, a começar pela União Europeia, a cessarem as ações teatrais para partir para a demanda de ações efetivas para que a destruição da Amazônia seja devidamente combatida pelo Brasil, sob pena de sanções comerciais, que é a única linguagem que parece será entendia pelo governo Bolsonaro.

 

Na Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Campos-Wladimir-Caio-e-Bruno-scaledEm Campos dos Goytacazes pós-eleição, exemplos do bom vencedor, do mau e do bom perdedor

Após um segundo turno mais apertado do que eu mesmo previa, temos na manhã da segunda-feira duas situações opostas. Enquanto, o vencedor do segundo turno, Wladimir Garotinho se manifestou em prol da unidade das forças políticas do município para trabalharem para a construção de saídas para a grave crise em que nos encontramos, o perdedor, Caio Vianna, deu uma de Donald Trump dos trópicos, e não só se recusou o cumprimentar o vencedor, como também acenou seus lenços molhados pelas lágrimas da derrota em direção ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como não sou eleitor nem do vencedor nem do perdedor, posso tecer a consideração de que havendo novas eleições o resultado final será o mesmo. É que Caio Vianna, mesmo tendo usado de todas as táticas possíveis para agitar o espectro do anti-garotismo, acabou derrotado. O que faria ele para mudar seu destino trágico? Passaria a repentinamente a se concentrar em apresentar apenas projetos de governo como forma de convencer os eleitores que não votaram nele nesse segundo turno? Aparentemente não, pois se fosse para fazer isso, já teria feito agora.

Muito melhor fez o médico Bruno Calil que, em vez de pedir outra chance imediata para derrotar Wladimir Garotinho, se manifestou no sentido de desejar ao vencedor um bom governo, além de colocar seus projetos à disposição para os esforços que serão necessários para começar os esforços para nos tirar do buraco em que estamos.

Em síntese, nessas eleições vimos na prática quem se sabe se comportar dignamente como vencedor e como perdedor. De minha parte, espero o TSE chancele o resultado das urnas e nos poupe de mais um ciclo eleitoral, e que tenhamos a devida oportunidade para realizar uma transição que permita ao futuro prefeito começar a tirar seus projetos do papel.  Meus que a primeira coisa a ser feita seja a reabertura do restaurante popular, pois quem tem fome, tem pressa. 

Graças ao governo desastroso de Rafael Diniz, a família Garotinho retoma no voto a prefeitura de Campos dos Goytacazes

De virada, Wladimir Garotinho vence eleição e é o novo prefeito de Campos

Em setembro de 2017 (ou seja com menos um de governo) indiquei que as ações do jovem prefeito Rafael Diniz iriam servir para que o grupo político do ex-governador, tal como um Fênix, pudesse ressurgir das cinzas no cenário municipal. Hoje, pouco mais de 3 anos após aquela postagem, eis que o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD) venceu Caio Vianna (PDT) por uma margem até mais apertada do que esperava (ver abaixo o gráfico com a margem da apuração).

resultado segundo turno

Agora resta esperar o que vai acontecer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto à chancela da candidatura a vice-prefeito de Frederico Paes (MDB) e de que possíveis efeitos isso poderá ter sobre a homologação da vitória de Wladimir Garotinho.

A lição que parece ficar é que a influência de Anthony Garotinho e seu grupo na política municipal ainda vai perdurar por muito tempo, e que não serão derrotas eventuais que vão mudar isso.  A questão é que enquanto perdurarem as profundas desigualdades sociais que existem em Campos dos Goytacazes sempre haverá apelo para aqueles que se disponham a manter, ainda que precariamente, os pobres no orçamento municipal. 

O ex-governador Anthony Garotinho saúda populares que se aglomeram em frente da sua casa para festejar a eleição de seu filho Wladimir para ser o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes

E diga o que se disser de Anthony Garotinho, ele claramente inocolou em pelo menos dois dos seus filhos o gosto pela disputa política. Assim, mesmo que ele esteja alijado das disputas como participante direta, isso não significante que não será influente.

Quanto ao ainda prefeito Rafael Diniz, quem desejar culpá-lo pela volta da família Garotinho à chefia do executivo municipal o fará com toda razão. Afinal, com um governo desastroso como o dele, a volta da família Garotinho à prefeitura de Campos dos Goytacazes se tornou praticamente uma certeza.

COVID-19: as redes sociais são chaves para localizar “super-contaminadores”

Enquanto 10 a 20% dos casos são responsáveis ​​por 80 a 90% das infecções secundárias, as simulações destacam o papel da rede de contatos dos indivíduos na identificação de “superpropagadores” e na quebra das cadeias de contaminação.

superpropagadoresUm mapa mostra a extensão da contaminação no condado de Genebra (Suíça) em 29 de outubro. DENIS BALIBOUSE / REUTERS

Por David Larousserie 

Quando a chegada das vacinas levanta a questão das estratégias ideais a serem seguidas, ou quando a queda no número de casos torna possível o rastreamento de contato eficaz, um conceito-chave na propagação da epidemia de COVID-19 ressurge: os “super-propagadores” ou “super-contaminadores”.

Essa noção se refere à capacidade de alguns indivíduos de infectar outros, muito mais do que a média. De acordo com vários estudos, 10 a 20% dos casos de COVID-19 são responsáveis ​​por 80 a 90% das infecções secundárias. Exemplos em que uma pessoa infectou várias dezenas não são incomuns, enquanto a média é inferior a três, ou mesmo um, em fase de declínio.

“Em isolamento”

O termo “superpropagador” abrange várias descrições, dependendo se essa característica é considerada propriedade da pessoa (carga viral maior) ou relacionada ao contexto (evento que aproxima muitas pessoas). As simulações numéricas, publicadas em 31 de outubro no Journal of Artificial Societies and Social Simulation , fornecem uma terceira forma de descrever essa particularidade. Acima de tudo, eles ilustram estratégias eficazes para combater a pandemia, concentrando-se nesses “superpropagadores”.

Em seu artigo, Gianluca Manzo (CNRS e Sorbonne University) e Arnout van de Rijt (European University Institute of Florence) insistem, depois de outros, na importância da estrutura real da rede de contatos dos indivíduos, ou seja, a rede social. Quantas pessoas vemos todos os dias, em casa, no trabalho? Quantos desses contatos também estão relacionados entre si, ou seja, quais são as densidades dos vários círculos de “amigos”? Essas respostas são extremamente variáveis ​​entre os indivíduos, pois alguns têm muitos contatos, enquanto outros, poucos. Alguns vivem “isolados”, enquanto outros têm vínculos em vários círculos.

No entanto, já se sabe há vinte anos que essas heterogeneidades influenciam a dinâmica e a intensidade da propagação por contato. A dupla de pesquisadores primeiro confirmou isso simulando a epidemia em vários tipos de redes de cerca de 2.000 indivíduos com as mesmas propriedades “médias”. Entre uma rede homogênea (onde todos têm um número aproximadamente equivalente de contatos) e uma mais heterogênea (com um punhado de indivíduos ricos em contatos), o pico da pandemia pode ser deslocado em dez dias para três vezes menos que caso.

Uma das novidades é que uma das redes simuladas é tirada de um estudo de 2012 de contatos reais na França; o mesmo que é usado em modelos de previsão para distinguir interações entre grupos de idade.

O “paradoxo da amizade”

Os pesquisadores então confirmaram que proteger (vacinando ou isolando) os “super-contaminadores” é particularmente eficaz para conter a epidemia, em termos de intensidade e momento. Melhor ainda, eles também testaram uma estratégia para quebrar essas “supertransmissões” sem conhecê-las com antecedência (exceto para monitorar o número de interações sociais de cada uma).

A ideia é baseada em uma propriedade matemática conhecida como “paradoxo da amizade”: em média, nossos amigos têm mais contatos do que nós. Portanto, há mais chance de encontrar “super-propagadores” lá. Na prática, por exemplo para a vacinação, é sorteada uma amostra ao acaso, a partir da qual é solicitada uma lista de alguns contatos, na qual é feito um novo sorteio, que dará as pessoas a serem vacinadas.

Nas simulações, esse método faz a epidemia regredir, muito mais rápido do que o direcionamento aleatório, e um pouco mais lento do que a estratégia onisciente, que reconheceria os “super contaminadores” e os isolaria. Uma limitação dessas simulações é a falta de dados sobre o conhecimento da rede social real subjacente.

“Nossas simulações não competem com os modelos preditivos usados. Mas nenhum desses modelos leva em conta a estrutura da rede social real ou dos “ super-contaminadores ” . Estamos propondo uma mudança de ponto de vista que sugere explorar novas estratégias ” , insiste Gianluca Manzo, que também evoca a possibilidade de se concentrar em profissões que por natureza têm muitos contatos e que também tendem a conectar partes distantes da rede. social global.

fecho

Este artigo foi escrito inicialmente em francês e publicado pelo jornal Le Monde [Aqui!].

Final de campanha é marcado pela judicialização e pelas acusações mútuas. E os projetos de governo?

campos

Os últimos dias do majoritariamente apático segundo turno das eleições municipais ganharam muita emoção com a volta à cena de segmentos da justiça que, para surpresa de poucos, resolveu sair à caça de eventuais crimes cometidos pela chapa liderada por Wladimir Garotinho (PSD), e também pelos resultados espetaculares de institutos de pesquisa não tão espetaculares assim que projetaram uma corrida muito apertada para definir quem será o próximo prefeito de Campos dos Goytacazes.

Algo notável que não aconteceu foi o altamente antecipado julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da situação do candidato a vice-prefeito de Wladimir Garotinho, o empresário Frederico Paes (MDB). Essa não votação da situação em torno de Frederico Paes era uma espécie de aposta daqueles que desejam derrotar no tapetão a chapa que está difícil de derrubar no voto.

Aos eleitores campistas sobrou ainda um final de campanha pouco lustroso para a democracia municipal, pois houve a repetição de táticas que pouco servem para consolidar opções baseadas em projetos de governo, com a insistência de acusações inter-familiares que, convenhamos, irão influenciar muito pouco a opção de voto de cada um.

No meio do caminho ainda houve o esquisito vazamento de um áudio atribuído ao vereador José Carlos (Cidadania) em que se fazia o reconhecimento de algo que até a mais ingênua das corujas buraqueiras que habitam o campus da Uenf já sabem de cór e salteado. É que nesse áudio a voz atribuída a José Carlos admite algo óbvio, qual seja, que membros do governo Rafael Diniz atuaram e continuam atuando em prol da candidatura de Caio Vianna (PDT). Ora bolas, o que as pessoas esperavam? Que o ainda prefeito Rafael Diniz em um gesto de repentina graciosidade tivesse liberado os membros do seu partido para apoiar a candidatura de Wladimir Garotinho? Certamente, ainda que rejeitado publicamente, o apoio de Rafael Diniz deve ter sido bem vindo por Caio Vianna, pois aquele que se alia com o PSL não vai rejeitar qualquer tipo de apoio, diria Carlos Lupi.

A única questão que realmente parece importar é sobre os critérios que farão os eleitores decidirem por este ou aquele candidato. A minha expectativa é que não seja por causa desta ou daquela denúncia requentada, mas por causa dos projetos apresentados por cada um dos que chegaram ao segundo turno. É que, do contrário, não haverá como cobrar o cumprimento das promessas de campanha. Afinal, quem vota medindo a quantidade de lama que colou na parede, acaba abrindo mão do poder de fiscalizar quem foi eleito. 

Observatório dos Agrotóxicos: com mais 41 produtos liberados, governo Bolsonaro marcha para igualar recorde de 2019

agrotox

Em meio às disputas eleitorais do segundo turno e a marcha desenfreada da COVID-19, o governo Bolsonaro continua aproveitando as preocupações gerais para continuar literalmente passando a boiada na liberação de agrotóxicos para atender a demanda insaciável do latifúndio agro-exportador por mais venenos agrícolas no mercado brasileiro.

A última rodada de liberações veio por meio do Ato No. 65 de 23 Novembro que liberou mais 41 agrotóxicos para serem vendidos no Brasil. Com isso, o governo Bolsonaro já liberou mais 442 agrotóxicos em 2020, totalizando 945 agrotóxicos disponibilizados para o voraz mercado brasileiro desde o dia 1 de janeiro de 2019, o que representa um verdadeiro recorde.

O Ato No. 65 repete algumas características de atos anteriores, ainda que 24,3% dos produtos liberados sejam do tipo de controle biológico e fabricados por empresas nacionais. Com isso, o Brasil aparece como segundo maior fornecedor de agrotóxicos no Ato No. 65, logo após a China (ver figura abaixo).

origem agrotoxicos

O caso da China é particularmente interessante, na medida em que seguem as escaramuças entre o chamado “setor ideológico” do governo Bolsonaro que continua com suas provocações com o governo chinês por conta da tecnologia do 5G e da produção da vacina “coronavac”. É que fabricantes chineses respondem diretamente por 54% dos agrotóxicos aprovados em 2020. Além disso, empresas chinesas operando sob as bandeiras de empresas recentemente adquiridas (e.g., Syngenta e Adama) também fornecem agrotóxicos a partir de países como Israel e Suíça, o que indica que a influência chinesa no mercado brasileiro de agrotóxicos é ainda maior. Entretanto, essa questão não parece incomodar aos que de dentro do governo Bolsonaro tentam impedir a entrada da tecnologia chinesa em áreas como a da telefonia e do controle de pandemias. 

Um detalhe que também se repete em relação a atos anteriores é a aprovação de uma quantidade significativa de agrotóxicos que foram banidos pela União Europeia (ver figura abaixo).

classificação eu

No presente ato, o índice de agrotóxicos de base química banidos pela União Europeia (UE) é de 37%, levando-se em conta inclusive produtos compostos por até 3 substâncias diferentes.  Esse alto nível de produtos proibidos deverá ser ainda maior em um futuro imediato, pois várias das substâncias aprovadas pelo Ato No. 65 estão com suas licenças próximas de expirar na UE.  Este fato reforça o fato de que o Brasil está sendo transformado em uma espécie de repositório de agrotóxicos proibidos na Europa, mas que a chamada Comissão Europeia continua permitindo a produção para exportação para mercados com legislações mais frágeis, como passou a ser o caso do Brasil no governo Bolsonaro. 

Este aparente paradoxo entre regulação forte para uso na União Europeia e permissividade para a exportação criam, contudo, um problema óbvio para os legisladores europeus. É que parte significativa dos agrotóxicos que estão sendo usados são utilizados em culturas das quais os europeus são grandes consumidores dos produtos agrícolas brasileiros. Em outras palavras, os consumidores europeus acabam recebendo em suas mesas, os venenos agrícolas que suas multinacionais vendem no Brasil. 

Outro aspecto que deve ser ressaltado é o rebaixamento do risco à saúde humana que foi criado a partir da adoção do chamado “novo marco regulatório para a avaliação de risco de agrotóxicos” que foi adotado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em julho de 2019.  É que observando a classificação dos 41 produtos liberados pelo Ato No. 65 verifica-se que 49% dos produtos liberados foram classificados como sendo pertencentes à Categoria 5 (improvável de causar dano agudo) e nenhum foi enquadrado na Categoria 1 (extremamente tóxico) (ver figura abaixo).

Toxicidade humana

O problema é que verificando-se apenas 1 substância, o Fluroxipir-meptílico é possível notar que a mesma era anteriormente como sendo de Classe I ( extremamente tóxica) para Categoria 4 (Improvável de causar dano agudo). Como a estrutura da molécula do Fluroxipir-meptílico não se rearranjou magicamente, o que fica claro é que a nova de classificação adotada pela Anvisa é mais tolerante com produtos que estão rejeitados em países cuja legislação não é tão, digamos, camarada com os fabricantes de venenos agrícolas. O problema é que o Fluroxipir-meptílico é apenas um dos exemplos de produtos extremamente tóxicos que agora estão sendo vendidos como improváveis de causarem dano agudo aos agricultores que os manejam diariamente em todas as partes do Brasil.

Quem desejar acessar a base de dados contendo os 41 agrotóxicos liberados pelo Ato, basta clicar [Aqui!]. Já que os que desejarem baixar a base de dados contendo os 442 agrotóxicos liberados em 2020, basta clicar [Aqui!].

Governo Bolsonaro não divulga dados de 72% dos agrotóxicos, protegendo multinacionais

Justificativa de sigilo comercial beneficia multinacionais Bayer, Syngenta e Basf. Agrotóxicos sem dados divulgados foram detectados em 28% dos alimentos no país

corporações

Por Hélen Freitas – Repórter Brasil/Agência Pública |

Você gostaria de saber quais agrotóxicos estão na sua comida? Pode esperar sentado. A falta de transparência do setor é tão grande que o governo não divulga nem mesmo o volume vendido da maior parte dos agrotóxicos autorizados no país. Mesmo considerando que estes mesmos químicos estão presentes em 3 de cada 10 alimentos testados pela Anvisa.

O Ibama recebe as informações de vendas em detalhes e poderia divulgar até qual fazenda comprou qual agrotóxico, permitindo que a informação chegasse ao consumidor e às organizações de controle. Mas o órgão prioriza o sigilo comercial das fabricantes, deixando de publicar dados sobre os produtos que pertencem a apenas uma ou duas empresas. 

É alto o número de agrotóxicos cujas informações são mantidas em sigilo: 232, ou 72% do total autorizado no país em 2018. A relevância para o consumidor também é alta, já que agrotóxicos deste grupo foram detectados em 28% dos alimentos vendidos em mercados e feiras de todo o Brasil.

Os dados são exclusivos e foram obtidos pela Repórter Brasil e Agência Pública por meio da Lei de Acesso à Informação. A equipe obteve os nomes dos químicos que não têm informações divulgadas e buscou esses ingredientes na base de dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, da Anvisa, que agrega testes em vegetais e frutas de todo o país entre 2017 e 2018Leia aqui a lista completa com o nome de todos os agrotóxicos que não tiveram informações de venda divulgadas em 2018.

Os produtos que não têm dados divulgados correspondem a 46% de todos os agrotóxicos detectados na comida do brasileiro. Para Rafael Rioja, especialista em alimentação saudável do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), isso demonstra que eles têm relevância no mercado nacional. “Especificamente no Brasil, que faz o uso massivo e crescente de agrotóxicos, o mínimo que deveríamos ter é transparência. É fundamental que a sociedade tenha acesso a informações sobre os agrotóxicos para que possam ser feitas as cobranças para monitoramento e análise”.

Bayer, Syngenta e Basf

São 56 os agrotóxicos cujos dados não são divulgados e que foram encontrados nos alimentos testados pela Anvisa. A reportagem levantou quais são as empresas detentoras dos registros que autorizam a fabricação destes produtos, descobrindo que estão concentrados nas mãos de três multinacionais.

A Bayer foi a campeã de registros, tendo em sua carteira 11 substâncias do grupo. Dividindo o segundo lugar, ficaram a Syngenta e a Basf, sendo que esta é a única titular da Piraclostrobina, agrotóxico desta categoria que mais apareceu nos testes em alimentos. As três multinacionais são donas de 52% dos registros do grupo de 56 agrotóxicos cujas informações não foram publicadas e que estão nos alimentos.

O mercado de agrotóxicos é concentrado como um todo, afirma a advogada da organização Terra de Direitos Naiara Bittencourt. Segundo ela, a aprovação de novos agrotóxicos no Brasil pode envolver, inclusive, disputas judiciais entre as empresas, mas em geral o mercado é concentrado em poucas companhias. “O Estado deveria intervir quando há monopólio ou concorrência desleal, mas é justamente nesse momento que os dados são restringidos”, afirma Bittencourt.

O Ibama argumenta que o volume de agrotóxicos cujos dados não são divulgados representa “apenas 10%” do volume total vendido. Segundo o órgão, a decisão de não divulgar as informações é amparada pelas Leis nº 9.279/96 e 10.603/2002. Essas informações, interpretadas como objeto de segredo industrial e comercial, poderiam ser utilizadas por suas concorrentes para conquistar clientela, ou seja, prejudicando a indústria que forneceu às informações. “Esse foi o motivo principal para utilizarmos a metodologia de divulgação dos ingredientes ativos que tenham no mínimo três empresas registrantes” (leia as respostas do Ibama na íntegra).

A Bayer afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “é uma multinacional com ações negociadas na Bolsa de Frankfurt e, por questões estratégicas, não divulga informações ou dados específicos dos países em que atua” (leia resposta da Bayer na íntegra).

A Syngenta e a Basf não responderam aos questionamentos enviados pela reportagem. Em nome delas, a CropLife (associação que representa a maiores fabricantes de agrotóxicos do mundo) enviou nota em defesa do princípio de sigilo comercial. A associação argumenta que as produtoras de agrotóxicos têm o direito legal de proteger seus sigilos industriais, seus dados e mercados (leia nota da CropLife na íntegra).

As informações sobre volumes de vendas por estado são divulgadas pelo Ibama por meio dos relatórios de comercialização de agrotóxicos, que começaram a ser publicados em 2009. Desde o início, já valia a regra de não divulgar informações sobre agrotóxicos fabricados por uma ou duas empresas. Ou seja, o princípio do sigilo comercial é adotado desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Esses relatórios são produzidos com base em dados sobre produção, importação, exportação e vendas enviados semestralmente pelas fabricantes.

Sigilo comercial versus interesse público

“Não é só porque está baseado em uma lei que não pode ser questionado, inclusive, judicialmente”, afirma a advogada Naiara Bittencourt. Ela defende que há outros princípios legais que podem colocar em xeque os argumentos utilizados pelas empresas e Ibama. “Você tem de um lado o princípio do sigilo comercial e da concorrência desleal e do outro lado o acesso à informação. Cabe ao judiciário decidir. De fato, na nossa ordem constitucional o que deveria prevalecer é o direito à vida, o direito ao meio ambiente, à saúde do consumidor”.

Pesquisas sobre os impactos na saúde estão prejudicadas no Brasil devido à ausência de informações sobre onde esses agrotóxicos são vendidos  Foto: Gabe Raggio/Pixabay)

O acesso à quantidade de agrotóxicos comercializados por estado de forma individualizada ajudaria no monitoramento de retirada de produtos do mercado brasileiro, além de possibilitar que a sociedade saiba quais são as substâncias mais utilizadas e que consequências que esse uso traz à saúde e ao meio ambiente. 

“Não ter isso tem um impacto gravíssimo”, afirma a médica sanitária Telma Nery. “A gente pode estar com casos de problemas de saúde que têm relação [com essas substâncias], e a gente não consegue estimar, porque não se sabe qual é essa quantidade e as culturas que estão utilizando”.

Especulação financeira com aprovações de agrotóxicos

Por fim, a falta de informação sobre vendas também ajuda a criar uma especulação financeira que só beneficia as fabricantes. Segundo Luiz Cláudio Meirelles, ex-gerente geral de toxicologia da Anvisa e pesquisador da Fiocruz, grande parte desses produtos aprovados não são produzidos, mas as empresas usam essa “reserva” para lucrar mesmo assim, pois eles aumentam a sua carteira de registros. 

A suspeita sobre especulação tem ressonância com os dados, considerando que os agrotóxicos em questão correspondem a 72% do total de ingredientes autorizados, mas de fato produzem apenas 10% do volume total comercializado no país.

Meirelles explica que, quanto mais registros para fabricação de um agrotóxico uma empresa detém, mais ela é valorizada no mercado. “Quando ela se colocar à venda, vai valer mais porque o portfólio dela custa muito mais do que a parte de estrutura, instalação, toda a parte patrimonial”, afirma. “A finalidade do [processo de concessão de] registro deveria ser oferecer um produto, não garantir para a empresa que ela tenha um ativo financeiro porque ela quer ter um bom portfólio”.

As informações sobre volumes de vendas de todos os agrotóxicos por estado são ainda uma pequena parte de um conjunto de dados fundamentais para entender o impacto desses produtos na saúde de milhares de brasileiros e no meio ambiente. A falta de transparência aumenta o fosso de desconhecimento sobre a relação dos agrotóxicos e problemas de saúde e ambientais, limitando o trabalho da imprensa, de pesquisadores e de órgãos de controle.

fecho

Esta reportagem foi inicialmente publicada pela Repórter Brasil [Aqui!].

Cientistas da USP identificam mais um mecanismo envolvido na forma mais grave de COVID-19

Estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto mostrou que o grau de ativação dos inflamassomas está associado ao desfecho clínico dos pacientes. Descoberta abre caminhos para novas possibilidades de tratamentos, pois já existem drogas eficazes que inibem os inflamassomas

Pulmonary Tuberculosis ( TB )  :  Chest x-ray show alveolar infi

Um conjunto de moléculas presentes dentro das células e envolvidas na inflamação pode ajudar a prever se o paciente evoluirá para casos mais graves ou mais leves da COVID-19 – Foto: Puwadol J./123RF

Da Redação

A COVID-19 é uma doença inflamatória causada pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2, e a evolução varia bastante entre os pacientes. Algumas pessoas infectadas não apresentam sintomas, enquanto outras evoluem para uma pneumonia grave e até para a síndrome respiratória aguda ou morte.

Só no Brasil já foram quase 170 mil mortes por complicações da COVID-19. Os processos que promovem o agravamento dos casos e levam alguns pacientes a óbito ainda são desconhecidos. 

AUTOPSIA

Também são desconhecidos os mecanismos envolvidos na sua natureza inflamatória e resposta imune contra esses vírus, ou seja, os mecanismos de defesa que o organismo utiliza para combater essa infecção. 

Um importante passo para esse entendimento foi dado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Estudo liderado pelo professor Dario Zamboni, do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da FMRP e do Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (Crid), mostra que um conjunto de moléculas presentes dentro das células e envolvidas na inflamação, o chamado inflamassoma, pode ajudar a prever se o paciente evoluirá para casos mais graves ou mais leves da covid-19.

DARIO

Dario Simões Zamboni – Foto: Divulgação/FMRP USP

O inflamassoma de NLRP3 é composto de um conjunto de moléculas que, quando ativadas, se aglomeram no interior das células de defesa formando estruturas chamadas “puncta”, que indicam que os inflamassomas estão ativos.

 “Se os inflamassomas estão ativos, eles vão levar a um processo inflamatório que pode promover o controle de algumas infecções. Mas se o processo inflamatório for muito forte, descontrolado, ele pode levar a uma resposta exacerbada, causar danos aos tecidos e piorar o quadro clínico em algumas doenças. Esse parece ser o caso de pacientes com quadros moderados e graves de COVID-19, aqueles que procuram atendimento hospitalar”, revela o professor Zamboni.

Essa foi a primeira vez que pesquisadores associaram o inflamassoma de NLRP3 com a evolução da COVID-19 para desfechos menos favoráveis aos pacientes.

Utilizando amostras de 124 doentes com casos graves e moderados, o estudo mostrou que o grau de ativação dos inflamassomas está associado ao desfecho clínico dos pacientes.

INFLAMAÇÃOA imagem é uma autópsia do pulmão de um paciente que faleceu por covid-19. É possível visualizar inflamassomas ativos (marcados como pontos vermelhos) em algumas células. Fibras de colágeno e elásticas estão marcadas em verde, os núcleos das células pulmonares estão marcados em azul e as células epiteliais estão marcadas em rosa – Foto: Cedida pelo pesquisador

Segundo o professor Zamboni, esses achados sugerem que, nos casos graves, a ativação muito forte do inflamassoma está sendo prejudicial aos pacientes.

“Essa descoberta é importante pois abre caminhos para novas possibilidades de tratamentos para a COVID-19, uma vez que já existem drogas eficazes que inibem a ativação dos inflamassomas.”

O estudo, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp),  acaba de ser publicado no Journal of Experimental Medicine, um dos mais importantes jornais médicos científicos do mundo, e conta com outros 43 autores da USP em Ribeirão Preto e do Hospital das Clínicas da FMRP.

AUTOSIA 2

fecho

Este artigo foi originalmente publicado pelo Jornal da  USP [Aqui!].