Homenagem deverá ser feita na próxima semana
O Diretório Acadêmico de Ciências Sociais e História da FGV divulgou nota de repúdio à premiação da secretária municipal de educação, Claudia Costin, concedida pela Associação Brasileira de Educação (ABE), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela Folha Dirigida. A nota destaca a estranheza e preocupação com tal prêmio diante da insatisfação dos professores com a postura da secretária diante das reivindicações da categoria. Veja abaixo a íntegra da nota.
1. Nós, alunas e alunos dos cursos de História e Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV), buscamos, por meio desta carta, nos posicionar publicamente a respeito da premiação “Personalidade Educacional 2013”, promovido pela Associação Brasileira de Educação (ABE), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela Folha Dirigida, que, dentre outros e outras profissionais, irá homenagear a atual Secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro, Claudia Costin. Manifestamos nossa estranheza e preocupação diante de tal escolha. A recente greve dos profissionais de educação municipal no Rio de Janeiro é apenas umas das expressões da insatisfação da classe perante as políticas adotadas pela secretária desde o começo de sua gestão, em 2009.
2. Através de uma série de projetos, a homenageada impôs à rede municipal do Rio diversas políticas que, frequentemente, desconsideravam todo o histórico educacional que a rede já havia construído. Com base em estatísticas rasas, busca ranquear as escolas municipais, com critérios únicos para realidades completamente distintas, como podemos perceber analisando as mais de 1.060 escolas do município – que refletem a própria heterogeneidade social da cidade. Ao estabelecer metas de desempenho para as escolas, a Secretária demonstra uma clara preocupação muito maior com resultados e índices do que propriamente com o processo pedagógico através do qual essa educação se dará.
3. Além disso, também nos preocupa o fato de termos cada vez mais em nossas instituições públicas a presença de projetos oriundos da iniciativa privada, dentre os quais da própria Fundação Roberto Marinho, cerceando a liberdade pedagógica de professores e professoras. Diante do exposto e do contexto conturbado que estamos vivenciando, indagamos sobre os critérios que levam à escolha de tal profissional a receber um prêmio que visa “ao reconhecimento público do trabalho desenvolvido por profissionais de diversas vertentes que se dedicam à melhoria do ensino no país*”. O que as ruas e vozes dos docentes que lá se encontram nos mostram é um cenário oposto – que a Secretária Claudia Costin vem prestando um desserviço à educação pública ao vincular uma roupagem meritocrática à ideia de qualidade de ensino.
4. Nós, como alunas e alunos de Ciências Sociais e História, demonstramos nosso apoio aos professores e às professoras da rede municipal – e estadual – de educação, acreditando que é ouvindo quem está cotidianamente dentro de sala de aula que podemos entender melhor o significado das palavras qualidade e democracia.
Diretório Acadêmico de Ciências Sociais e História – CPDOC/FGV
FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/10/18/diretorio-da-fgv-repudia-premiacao-de-claudia-costin/
