Prefeito Wladimir anuncia reforma de posto de saúde em área urbana, mas unidades rurais continuam fechadas

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O Prefeito Wladimir Garotinho (PSD) efusivamente postou informação em sua página pessoal da rede social Facebook, de que brevemente será feita a reabertura do Posto de Saúde Jamil Ábido, localizado no bairro da Pecuária.  Essa com certeza é uma boa notícia, e espero que por dentro das paredes caiadas e reluzentes estejam profissionais concursados e estoques de remédios que possam servir aos segmentos mais pobre da nossa população.

Por outro lado, alguém precisa informar ao prefeito Wladimir que as unidades de saúde localizadas em áreas rurais estão precisando do mesmo bom tratamento,  sendo que muitas se encontram completamente abandonadas e fechadas. Um exemplo é a localizada no Núcleo IV do Assentamento Zumbi dos Palmares que se encontra fechada desde o governo anterior, e que hoje só tem mesmo mato crescendo no seu entorno.  Cabe lembrar que a referida unidade atendia assentados de todo o assentamento Zumbi dos Palmares, e não apenas das famílias de agricultores que vivem na agrovila do Núcleo V localizada na localidade de Campelo.

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Como já vivenciei tempos em que a unidade de saúde de Campelo estava aberta e bem cuidada, presenciando ali a oferta de um atendimento básico, mas de alta importância para as famílias assentadas, creio que o Prefeito Wladimir poderia estender seus esforços de recuperação para lá. Afinal, quem conhece o Zumbi dos Palmares sabe que ali se produzi muito alimento, e nada mais justo que os agricultores assentados recebem um tratamento de saúde minimamente digno, o que não é a situação atual.

Vamos lá Prefeito Wladimir, recupere a unidade de saúde de Campelo!

Projeto de “grilagem de terras” de Bolsonaro é aprovado na Câmara dos Deputados

gado pastandoGado pastando em um campo fumegante que foi atingido por um incêndio que queima uma área da floresta amazônica ao ser derrubada por fazendeiros, em Rio Pardo, Rondônia, Brasil, 16 de setembro de 2019. REUTERS / Ricardo Moraes

BRASÍLIA, 3 de agosto (Reuters) – A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou na terça-feira um projeto de lei agrário que é apoiado pelo poderoso setor agrícola do país, mas que ambientalistas dizem que contribuirá para o desmatamento na floresta amazônica.

O projeto de lei permite que ocupantes de terras públicas recebam mais facilmente as escrituras de suas propriedades e foi inicialmente proposto pelo presidente de extrema direita Jair Bolsonaro em uma ação para agradar os agricultores, que apoiaram esmagadoramente sua eleição em 2018.

A Câmara dos Deputados aprovou o texto básico do projeto por 296 votos a favor e 136 contra. Ainda precisa ser aprovado no Senado.

Os brasileiros estão colonizando a floresta amazônica há décadas, mas muitos não possuem escrituras oficiais, o que os coloca em uma área legal cinzenta.

Os defensores do projeto de lei dizem que conceder títulos aos colonos os encorajará a cumprir as leis para conter o desmatamento. Mas os críticos dizem que vai recompensar crimes passados ​​de grileiros ilegais, que muitas vezes desmatam terras para aumentar seu valor para a agricultura.

O Greenpeace disse que o projeto, se virar lei, será na prática uma anistia para invasões de terras.

“A mensagem que os legisladores estão enviando aos brasileiros é que vale a pena invadir e desmatar terras públicas”, disse Mariana Mota, do Greenpeace.

“Ninguém é mais feliz hoje do que os grileiros, que têm o governo e o Congresso do seu lado”, disse ela.

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela agência Reuters [Aqui].

Pesquisadoras aproximam ciência e combate ao fogo em MT

Nos três biomas do estado, grupo acompanha brigadas do Corpo de Bombeiros para aprimorar controle de incêndios e queimadas; previsão é de que fogo seja maior este ano

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Quando: de quinta-feira, 5 de agosto, a sábado, 14 de agosto

Onde: Chapada dos Guimarães (Cerrado), Poconé (Pantanal) e Marcelândia (Amazônia)

Um grupo de pesquisadoras do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Woodwell Climate Research Center, dos Estados Unidos, irá integrar, a partir desta quinta-feira, uma expedição para acompanhar o Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso em ações de prevenção e combate ao fogo. A proposta é percorrer os três biomas do estado para colher dados e identificar problemas, a fim de pensar soluções para o controle de incêndios e queimadas, que se agravam com o período da seca no país.

“Vamos investigar quais são os problemas enfrentados pelos bombeiros e que temos potencial de solucionar ao melhorar como utilizamos e combinamos os dados de satélites. Existem quebras na informação, em alguns momentos, entre quem a produz e quem a utiliza, e isso vem prejudicando o planejamento do combate”, explica Manoela Machado, pesquisadora do Woodwell, que coordena a iniciativa. “Pretendemos coletar o máximo possível de informações dessas duas pontas, da ciência e da prática, na intenção de propor um formato automatizado no futuro”.

As brigadas de combate ao fogo ambiental do Corpo de Bombeiros direcionam suas operações a partir de boletins emitidos quase em tempo real por órgãos de pesquisa e monitoramento como o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, em português), agência espacial norte-americana. Com a expedição, a ideia das pesquisadoras é estreitar esse diálogo para promover melhoramentos na identificação e prevenção de focos de incêndio.

Enquanto Bolsonaro distrai, a Câmara de Deputados passa a boiada e aprova a MP da Grilagem

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Uma das medidas mais anti-ambiente e anti-povos indígenas acaba de ser aprovada por expressiva maioria na Cãmara de Deputados (foram 296 votos a favor e 136 contra). Falo aqui do PL 2633, mais conhecido como PL da Grilagem. Essa aprovação representa um prêmio aos grileiros de terras que hoje saqueiam as riquezas amazônicas e causam taxas de desmatamento que causam graves danos ao meio ambiente global.

É interessante notar que a Câmara de Deputados dá esse imenso presente aos grileiros de terras públicas mesmo sob a ameaça de boicote por parte de grandes cadeias de supermercados europeias  empresas europeias, incluindo as redes britânicas de supermercado Tesco e de lojas de departamentos Marks & Spencer, que ameaçaram parar de comprar commodities brasileiras caso o Congresso aprovasse o PL da Grilagem.

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Diversas redes de supermercados, incluindo a britânica Tesco,  ameaçaram boicotar produtos agrícolas brasileiros caso o MP da Grilagem fosse aprovado. Agora que ele foi, veremos se cumprirão a ameaça

Para mim essa aprovação reflete uma velha aposta que as oligarquias agrárias brasileiras (rebatizadas de agronegócio) fazem em relação ao resto do mundo que compra as commodities agrícolas que são produzidas em terras públicas griladas. Essa aposta vai ser testada em futuro próximo, a começar pela tentativa de se ratificar no parlamento europeu o Acordo Comercial com o Mercosul.

De toda forma, um aspecto dessa aprovação absurda sob todos os pontos de vista é que ela revela o erro que é se colocar as pessoas nas ruas para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Essa votação revela que ainda que o governo Bolsonaro seja a fonte de graves problemas, existem outras forças tão ou mais retrógradas quanto o presidente Jair Bolsonaro que operam para destruir a Amazônia e os povos que dependem das suas florestas para se manterem vivas. O fato é que essa aprovação tão fácil do PL da Grilagem só foi possível porque tudo está sendo concentrado na figura de Jair Bolsonaro em vez de se atacar aqueles que efetivamente o mantém no poder e se beneficiam de sua presença no cargo de presidente da república. 

E que todos se preparem para as nuvens de fumaça que brevemente chegarão no centro sul do Brasil por causa dos gigantescos incêndios que ocorrerão em breve nas novas áreas de desmatamento na Amazônia. É que se se preparem para a coisa ficar ainda pior nos próximos anos, pois com a aprovação do PL da Grilagem teremos ainda mais desmatamento e degradação das florestas amazônicas.

ENEM – Educafro entra com ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra MEC e INEP

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A Organização não Governamental (ONG) Educafro entrará, nesta semana, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra o Ministério da Educação (MEC), e contra o Instituto de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (INEP), para reverter a decisão do governo que deixou 3,2 milhões de alunos sem possibilidade de fazer a inscrição para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, de 2021. 

O MEC não acolheu recomendação, da Defensoria Pública da União (DPU), para que relevasse as ausências do ENEM 2020 para os pedidos de isenção por carência financeira. Quem teve declaração de carência aceita e que faltou ao ENEM 2020 só conseguiu isenção agora se apresentou documentos formais para justificar a ausência, como um atestado médico. Frei David, Diretor Executivo da Educafro, ressalta que “desconsiderar os efeitos da pandemia e negar a isenção à taxa de matrícula para o ENEM é de uma insensibilidade atroz, algo que precisa ser reconsiderado urgentemente”. 

O resultado prático foi que entre os alunos que declaram carência para fazer a prova com isenção de taxa, a diminuição de inscritos foi muito superior à dos demais grupos. Em 2020, 3,6 milhões de alunos tiveram declaração de carência aceita. Agora, em 2021, só 820 mil, mais de 80% a menos. Alunos concluintes oriundos de escolas públicas no ENEM 2021 foram menos 400 mil inscrições, 31% menor que no ano anterior. Já o número de alunos pagantes aumentou em quase 40%, passando de 990 mil, em 2020, para quase 1,4 milhão em 2021. E o número de pagantes poderia ter sido bem maior, já que 900 mil pessoas não pagaram os boletos de inscrição e não tiveram suas inscrições confirmadas.

A Educafro é uma ONG que trabalha pelo acesso da população preta e parda, em especial, e da população pobre, em geral, ao ensino superior. A Ação, que está sendo construída por advogados voluntários e ex-alunos da ONG, será ajuizada pela Educafro com a OAB, a UNE partidos políticos. Na Ação, a Educafro demonstra como a decisão do MEC de não ‘anistiar’ os que faltaram ao ENEM 2020, que foi aplicado no contexto da Pandemia do Covid 19, fere o direito à educação da população mais pobre e fere o princípio da eficiência do serviço público (já que, pelo número pequeno de inscrições, muitas das vagas ofertadas no Sistema de Seleção Unificada, o SISU, no Programa Universidade para Todos, o PROUNI, e no Fundo de Financiamento Estudantil, o FIES, ficarão ociosas), preceitos constitucionais. A Educafro também demonstra, na Ação, que o direito ao projeto de vida, reconhecido por tribunais internacionais, sobretudo a da população preta e parda, é negado pelas ações do MEC/INEP.

Suspensão da oferta de gás ao Nordeste pela Petrobrás reforça “privatização aos pedaços” e monopólio privado na região

Para o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar, com gás natural sendo reinjetado pela Petrobrás por falta de mercado, não há razão econômica para empresa não mais abastecer as distribuidoras do Nordeste a partir de 2022.

Federação pretende tomar medidas judiciais contra a decisão da atual gestão da petroleira

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Por Deyvid Bacelar*

“Qual é a lógica comercial de uma empresa que espontaneamente abre mão de seu segundo maior mercado consumidor, o mercado da região Nordeste? Não há resposta econômica ou financeira que justifique isso. E não é falta de gás natural, porque sabemos que a Petrobrás vem reinjetando gás em campos do pré-sal justamente por falta de mercado. O que a gestão da Petrobrás está fazendo, mais uma vez, é dar de mão beijada o mercado da estatal para um monopólio privado. Como fez com a Gaspetro, como está fazendo com as refinarias e com a Petrobras Biocombustível (PBio).

Mais uma vez, o que vemos é uma atitude da gestão da Petrobrás de reduzir uma empresa gigante, controlada pelo Estado, a um tamanho ínfimo, sob uma justificativa infundada de redução de endividamento. Assim, vai se confirmando a teoria da “privatização aos pedaços” da Petrobrás. Estão pegando uma mansão e quebrando suas janelas, suas paredes, tirando tudo o que ela tem dentro. Vão deixar somente um telhado, que não vai ser suficiente para proteger o caixa da empresa.

A verdade é que o governo Bolsonaro está esquartejando a companhia porque não tem força política e nem argumento econômico para propor a venda da maior estatal do país ao Congresso Nacional. E pior: Bolsonaro usa a Petrobrás como instrumento de vingança pessoal contra a região Nordeste, onde perdeu nas eleições de 2018 e tem seus piores índices de popularidade.

Outro fato curioso dessa decisão estapafúrdia é que se deu poucos dias depois de pelo menos duas distribuidoras de gás canalizado do Nordeste – A Bahiagás, da Bahia, e a Sergás, de Sergipe – manifestarem-se contrárias à venda da Gaspetro à Compass Gás e Energia, do grupo Cosan, que ganhou um monopólio de mão beijada.

Bahiagás e Sergás decidiram exercer seu direito de preferência na compra da parte da Gaspetro em seu quadro acionário, para evitar que a Compass exerça qualquer poder sobre as empresas. Curiosamente, no dia seguinte a esse anúncio a gestão da Petrobrás decide cortar o suprimento de gás natural para o Nordeste a partir de 2022 – ou seja, daqui a cinco meses!

Coincidência? Está claro que não, trata-se de um revanchismo míope e personalista, como tudo o que vem deste desgoverno de Bolsonaro.

Por isso, a Federação Única dos Petroleiros já avalia como tomar medidas judiciais contra mais esta decisão arbitrária e injustificável da atual diretoria da Petrobrás.”

*Deivy Bacelar é  Coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros – FUP

A torneira está secando

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A imensidão do mar dá a impressão de que a água é recurso ilimitado; afinal, ela cobre 70% do planeta. Mas a ilustração deste texto, baseada num modelo criado por pesquisadores do Serviço Geológico dos EUA, nos dá a real dimensão de sua finitude. A bolha azul maior representa toda água do mundo, seja doce ou salgada, líquida ou congelada, subterrânea ou à flor da terra. Ela tem um diâmetro nove vezes menor que a parte sólida. A outra bolha corresponde a toda água doce que temos. Seu diâmetro é de 272,8 km, 46 vezes menor que o da Terra. O planeta azul, como se vê, não é tão azul assim na prática.

Há ainda uma terceira bolha, que equivale a toda água disponível na superfície terrestre para o consumo, como rios e lagos. Mas ela é tão pequena diante do tamanho da Terra que precisaríamos de uma lupa para enxergá-la: são apenas 56 quilômetros de diâmetro – 226 vezes menor que o do planeta. Parece pouco, não parece? E é, alertam os pesquisadores. Para piorar, 40% das reservas hídricas da Terra podem desaparecer até 2030, segundo a ONG WaterResources. Repetindo: 2030. Daqui a 9 anos. Adivinhem quem está por trás desse embrulho? Acertou quem pensou nas mudanças climáticas.

O Brasil detém 13% de toda a água doce e 20% das reservas subterrâneas (chamadas aquíferos) do mundo. Ainda assim, o país enfrenta a maior crise hídrica dos últimos 90 anos: o fantasma do racionamento de energia volta a nos assombrar, duas décadas depois do anterior. A maior hidrelétrica brasileira, a Itaipu Binacional, que atende cerca de 10% da população, teve em 2021 a menor geração de energia dos últimos 27 anos e já precisou desligar oito de suas 20 turbinas. Na vizinha Argentina, a seca dos rios Paraguai, Paraná e Iguaçu, a maior em 77 anos, levou o governo a decretar emergência hídrica por 180 dias.

A falta de chuvas – que é a mais grave desde 1931 – levou o Operador Nacional do Sistema (ONS) a divulgar uma nota técnica na semana passada alertando para a dificuldade de atender a demanda de energia do país “com o esgotamento de praticamente todos os recursos no mês de novembro”. Quatro dias depois, o governo federal publicou uma chamada pública para contratar usinas térmicas como uma alternativa para a escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas, que ainda respondem por 63% da geração de energia no Brasil.

A crise hídrica também vem provocando impactos na economia brasileira, com reflexos no aumento da inflação e, sobretudo, perda de produção rural e prejuízos na agricultura, que consome mais de 70% da água doce do Brasil – e desperdiça de 60% a 80% desse total por usar métodos de irrigação inadequados. A safra de milho, por exemplo, apesar de ter aumentado em 7% a área cultivada em 2021, deve cair 6% em relação a 2020, informa a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A mesma tendência deve se confirmar em outras culturas, como o feijão, a laranja, o café e também na pecuária.

E o aumento dos preços dos alimentos e da inflação não são os únicos impactos para o brasileiro, que está sentindo no bolso o preço dessa crise. Em junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou um reajuste de 52% na bandeira tarifária vermelha, para custear o funcionamento de usinas térmicas, mais caras e poluentes. Mesmo assim, especialistas não descartam a possibilidade de um novo aumento em 2022, diante das previsões de chuvas abaixo da média e reservatórios secos. Especialmente em se mantendo os níveis de desperdício na distribuição de água no Brasil, onde 39% do que se produz é perdido em vazamentos e furtos na distribuição, segundo o Instituto Trata Brasil.

Se a geração de eletricidade está comprometida, para muitos brasileiros falta também o básico: água na torneira e saneamento. No Brasil, mais de 16% da população ainda não têm acesso a água tratada e cerca de 46% não contam com os serviços de coleta e tratamento de esgoto – mais de 100 milhões de pessoas. A baixíssima cobertura do saneamento básico, sobretudo em cidades da região Norte, onde apenas 57% da população têm acesso à rede de água e pouco mais de 10% têm o esgoto coletado, se reflete também na incidência de doenças como diarreia e infecções intestinais, que estão entre as principais causas de morte de crianças na região. Uma verdadeira tragédia brasileira. E, segundo a Organização Mundial de Saúde, para cada dólar investido em saneamento básico, deixa-se de gastar quatro com saúde pública.

E isso não é uma exclusividade nossa: em todo o mundo, 1,2 bilhão de pessoas (35% da população) não tem pleno acesso a água tratada e outras 2,1 bilhões não têm água potável em suas casas. O WaterResourcesGroup estima que, anualmente, cerca de 829 mil pessoas morrem de diarreia provocada pelo consumo de água não potável, ausência de saneamento básico e higiene inadequada em todo o mundo, sendo 300 mil delas crianças menores de 5 anos.

Com isso, a responsabilidade do governo brasileiro sobre a gestão de nossos recursos hídricos passa a ter uma relevância ainda maior: afinal, temos condições favoráveis para assumir um papel de liderança no enfrentamento à crise climática global. Só nos falta um líder.

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Este foi originalmente publicado no site “Uma gota no oceano” [Aqui!].

Greenpeace sobrevoa a Amazônia e flagra o avanço do fogo sobre a floresta

Dados divulgados pelo INPE e as imagens registradas na última semana de julho, reforçam a ineficiência do governo federal em combater a destruição

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Monitoramento de Queimadas na Amazônia em Julho de 2021. Coluna de fogo avança sobre floresta degradada em Porto Velho, Rondônia

São Paulo, 02 de agosto de 2021 – De acordo com os dados do Inpe Queimadas, julho registrou 4.977 focos de calor no bioma Amazônia, todos ilegais visto que o Decreto nº 10.735 proibiu o uso do fogo no Brasil desde 28 de junho de 2021, mesma data em que o governo federal autorizou novamente o uso das tropas militares para combater as queimadas. Como principal estratégia do governo federal para conter a destruição, a GLO é comprovadamente ineficiente. A Amazônia segue sob intensa ameaça e a ilegalidade e destruição continuam devastando grandes áreas, conforme mostram as imagens registradas pelo Greenpeace em sobrevoo.

Veja as imagens aqui

“É importante analisar os focos de calor considerando também o desmatamento ocorrido recentemente na Amazônia. Muitas áreas foram derrubadas e degradadas recentemente e devem ser queimadas ilegalmente nos próximos meses, quando a vegetação remanescente fica mais seca e suscetível ao fogo. O pior está por vir, além dos próximos meses serem mais secos na Amazônia, os órgãos ambientais seguem enfraquecidos e o Congresso Nacional tem como uma de suas prioridades aprovar alterações na lei que incentivam ainda mais destruição ambiental e invasão de terras públicas”, comenta Cristiane Mazzetti, gestora ambiental do Greenpeace.

Enquanto nossas florestas seguem sendo destruídas, representantes ruralistas continuam tentando convencer a opinião pública e a comunidade internacional de que o Brasil está cuidando do meio ambiente. Como fizeram no mês passado ao reforçar a representantes diplomáticos a intenção de aprovar projetos como o PL da Grilagem (PL 2633/2020) que, ao contrário do que dizem os ruralistas, visa anistiar grileiros, ao legalizar o ilegal, além de aumentar a violência e conflitos no campo estimula novos ciclos de invasões marcados por desmatamento e queimadas.

O número de focos registrados na Amazônia em maio e junho já havia sido o maior para esses meses desde 2007. Em julho, houve uma redução de 27% quando comparados ao mesmo mês em 2020. Estados como Rondônia e Acre registraram aumento no número de focos (95% e 29% respectivamente) e a situação no Amazonas segue preocupante: o estado tem se destacado no aumento da devastação e o registrado no mês é superior à média histórica. Conforme ilustrado na figura abaixo:

A linha laranja traz em cada ponto o valor médio de hotspots nos últimos 10 dias, e isso permite comparação com valores médios de longo prazo, nos permitindo entender como os registros atuais se relacionam com a média histórica. A linha em amarelo é composta de pontos representando a média dos últimos 20 anos para cada dia. Gráfico extraído de: https://maps.greenpeace.org/fire_dashboard/?lang=pt, fonte dos dados: MODIS hotspots, com atributos de LANCE FIRMS operado pela NASA/GSFC/Sistema de Informação e Dados Científicos da Terra (ESDIS) com financiamento fornecido pela NASA/HQ.
“O impacto acumulado na Amazônia a partir do fogo e do desmatamento só aumenta, estamos empurrando a floresta cada vez para mais perto do seu limite e minando seu papel de aliada no enfrentamento às mudanças climáticas. Além disso, com a destruição crescente deste bioma rico em estoque de carbono, estamos contribuindo para que extremos climáticos como esses vivenciados recentemente ao redor do planeta e no Brasil se tornem mais frequentes e intensos no futuro”, completa Cristiane.

Site investigativo francês mergulha “no reino do agronegócio” brasileiro na Amazônia

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Grande parte do deflorestamento amazônico vem do agronegócio. CARL DE SOUZA / AFP

O site investigativo francês Mediapart publicou na quinta-feira (29), a quinta parte de uma grande reportagem especial na Amazônia brasileira. Depois da “imposição da doutrina paranoica do regime militar brasileiro na Amazônia”, ou “como o mito da Natureza infinita permite a economia da destruição”, “Como a estrada e as obras abrem o caminho para o desmatamento” e “Amazônia: terra, fogo e violência”, dessa vez os jornalistas franceses se debruçaram sobre o “reino do agronegócio”  brasileiro.

 “O onipotente setor do agronegócio está se organizando para se apresentar como imprescindível no Brasil”, afirma a reportagem do site investigativo francês Mediapart. Para a equipe de jornalistas franceses, trata-se “uma batalha de ideias e uma luta política que envolve campanhas publicitárias recorrentes e que tem dramáticas consequências ecológicas e sociais na Amazônia”.

“Ao longo da BR-364 que corta o estado de Rondônia, o agronegócio está espalhando sua força até onde a vista alcança. Milhares de caminhões de transporte de grãos desfilam sem parar diante dos olhos do gado impassível”, relata Mediapart. “A paisagem alterna entre pastagens, campos de cultivo e terras devastadas ou em vias de se tornarem. A entrada de cada pequena cidade é adornada com estátuas de vacas ou seus tratadores, acompanhadas de outdoors em apoio a Jair Bolsonaro, ilustra a reportagem, dando o clima local em Rondônia.

“Desamazonização”

“Com o novo presidente do Congresso [Arthur Lira] eleito no início de 2021, particularmente sensível aos seus temas, os ruralistas consideram o momento ‘extremamente favorável’ para avançar seus muitos projetos”, diz o texto. O pesquisador Ricardo Gilson, da UNIR (Universidade Federal de Rondônia), entrevistado por Mediapart, afirma que “há um processo de ‘desamazonização’, a destruição é considerada um elogio ao progresso”, lamenta.

O site francês contextualiza dizendo que, “além de sua ofensiva política, os ruralistas aumentaram suas campanhas de comunicação. Eles não usam mais o termo ‘negócios’, renomeando-se apenas como ‘agro’, falam em ‘agrocidadãos’ com um discurso nacionalista e recrutando personalidades conhecidas, como o ex-jogador de futebol Pelé. Nessa batalha ideológica, triunfa a cultura do agronegócio, contra a cultura da floresta e de quem vive nela”, afirma Mediapart.

Guerra de dados

Segundo o site francês, para apoiar essa nova doutrina, uma “verdadeira batalha sobre o controle de dados está em andamento”. “Apesar do reconhecimento internacional, os dados dos satélites que monitoram o desmatamento são regularmente questionados pelo atual governo, e os funcionários do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que os administram sofrem pressão do governo Bolsonaro”, publica o site.

Mediapart faz questão de destacar que embora a contribuição do agronegócio para o PIB brasileiro seja inegável, o desenvolvimento prometido na verdade afeta apenas um pequeno número de beneficiários. “Existem mais de 5 milhões de agricultores no Brasil, mas 25 mil são responsáveis ​​por 50% do PIB agrícola”, diz Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa, ao site investigativo.

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Este texto foi originalmente publicado pela RFI [Aqui!].

Por detrás da imagem oficial, as Olimpíadas são um megaevento que esmaga os pobres

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Os prometidos “legados olímpicos” são difíceis de encontrar. Rio. Imagem: Dany13 / Flickr.

As cenas de exaltação dos poucos atletas brasileiros que vencem o descaso oficial estão sendo repetidas à exaustão pela empresa que retransmite a atual edição dos Jogos Olímpicos que ocorre na cidade de Tókio servem para obscurecer algo que deveria ser muito óbvio.  O fato obscurecido é que este megaevento é mais um produto comercial que nos é empurrado para que tantos outros produtos sejam colocados no mercado. Para entender isso, bastaria ver a lista dos patrocinadores oficiais que inclui algumas das principais corporações mundiais, o que implica o investimento de US$ 3,1 bilhões que a edição de Tóquio recebeu.

Mas como na edição anterior realizado no Rio de Janeiro cujo “legado olímpico” é destrinchado no livro “O jogo continua: megaeventos esportivos e cidades” que teve como um dos seus organizadores o precocemente falecido geógrafo Gilmar Mascarenhas,   os jogos em curso em Tóquio também cenas subliminares que explicitam o seu caráter excludente, a começar pelo “desaparecimento” dos moradores de rua das vistas de jornalistas estrangeiros e atletas (ver vídeo abaixo).

A verdade é que, apesar da tendência de nos entusiasmar com as poucas medalhas do Brasil em nome de um país que podia dar certo e não daquele que efetivamente temos, não podemos esquecer com o que estamos defrontados. E esse megaevento denominados de “Jogos Olímpicos” não passa de uma máquina de fazer dinheiro que não possui qualquer compromisso com a melhoria da qualidade de vida, nem do avanço da igualdade em qualquer esfera que seja, inclusive a esportiva.

Assim, ainda que não tenhamos como deixar de vibrar por todos os atletas brasileiras que venceram ou ainda vencerão em Tóquio, apesar do descaso total que cerca o esporte olímpico brasileiro, o fato é que não se pode esquecer a verdadeira natureza desse megaevento, sob pena de nos tornarmos cúmplices dos seus reais objetivos e significados. 

Finalmente, voltando ao meu colega de mestrado Gilmar Mascarenhas que foi brutalmente morto por um ônibus enquanto pedalava pelas ruas do Rio de Janeiro, é lamentável que o tenhamos perdido tão cedo, pois isto acabou nos privando de um pesquisador que, como poucos, se colocou a estudar meticulosamente os impactos dos megaeventos esportivos sobre as populações pobres das cidades que os acolhem.