Aquecimento no Sudeste foi causado em grande parte por gases de efeito estufa, aponta estudo

temperaturaGrupo da USP constatou que aumento de 1,1 ºC na temperatura média da região entre 1955 e 2004 está relacionado principalmente com o crescimento da concentração de gases de efeito estufa resultante da ação humana (foto: Wikimedia Commons)

Por Elton Alisson  para a Agência FAPESP

A temperatura média no Sudeste do Brasil tem aumentado nas últimas décadas, fato que contribui para elevar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como inundações, secas e ondas de calor.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) tem afirmado há anos que, em escala global, o aumento da temperatura média observado nos últimos cem anos está relacionado com o crescimento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera resultante de ações humanas. Já na escala regional, como é o caso da região Sudeste, ainda há muita incerteza em relação às causas. Segundo especialistas, fatores como urbanização e mudanças no uso da terra para agropecuária, por exemplo, também podem ter impactos significativos na temperatura local.

Agora, um grupo de pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e da Universidade de Edimburgo, do Reino Unido, conseguiu obter um indício contundente de que o aumento detectado de 1,1 ºC na temperatura da região entre 1955 e 2004 se deve, principalmente, ao efeito estufa.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Geophysical Research Letters.

O projeto integra o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

As conclusões se baseiam em observações climáticas da superfície e em 34 simulações da temperatura no Sudeste do Brasil nas últimas décadas, obtidas de modelos climáticos do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados, Fase 5 (CMIPC5), usado pelo IPCC.

Esses dados foram submetidos a um método estatístico de detecção e atribuição de impacto de mudanças climáticas, proposto em 2017 por cientistas franceses e canadenses.

“Esse método de atribuição, aplicado no Sudeste, utiliza informações da resposta dos modelos climáticos a variações da temperatura por causas naturais, pelos aerossóis ou pelo efeito estufa separadamente”, disse à Agência FAPESP Humberto Ribeiro da Rocha, professor do IAG-USP e coordenador do projeto.

Uma vez detectada alguma variação de temperatura, é comparada a contribuição das diferentes causas, como as naturais, incluídas as incertezas envolvidas. Entre as causas naturais destacam-se a variabilidade da radiação solar que chega à Terra e os efeitos de atividades vulcânicas.

“Esses fenômenos naturais controlam os climas regionais. Além disso, todo o sistema climático está se reorganizando em razão do aquecimento global. O oceano é um grande exemplo, que eventualmente se aquece muito em episódios sobre determinadas regiões do planeta, o que afeta os climas regionais de forma diferente em um continente extenso como a América do Sul”, explicou Rocha.

O método de atribuição incorpora as incertezas estatísticas amostrais, a variabilidade interna dos modelos e as observações de superfície, para prover margem de confiança ao resultado.

Os resultados indicaram que o aumento das concentrações de gases de efeito estufa contribuíram substancialmente para o aumento de 1,1 ºC na temperatura da região detectada no período de 1955 a 2004.

Os cálculos foram feitos pelo meteorologista Rafael Cesário de Abreu durante seu doutorado no IAG-USP, em andamento, sob orientação de Rocha.

“Essa constatação corrobora a hipótese de que mudanças na temperatura estão em curso e controlando fortemente a escala regional do Sudeste, seguindo uma tendência global”, disse Rocha.

Falta de estudos regionais

De acordo com o pesquisador, outros estudos de detecção de aquecimento de longo prazo foram feitos no Brasil, mas não havia um resultado de atribuição em escala regional, como este do Sudeste, com resultados mais contundentes e que incorporassem incertezas e distinguissem causas diferentes. Além disso, há no mundo poucos estudos regionais de detecção e atribuição de causas de mudanças climáticas induzidas pelo efeito estufa antropogênico.

Os estudos anteriores foram feitos para sub-regiões na China, Canadá e Inglaterra, baseados em métodos estatísticos semelhantes ao utilizado no Sudeste.

Essa região do país é especialmente vulnerável às mudanças climáticas, uma vez que abriga mais de 40% da população brasileira e é responsável por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, com uma ampla gama de atividades econômicas, ressaltam os autores do estudo.

“Em comum, esses estudos mostram que a indicação do IPCC de que a temperatura média global aumentou 0,85 ºC entre 1880 e 2012 não se aplica regionalmente e, principalmente, em estudos locais, como de cidades”, afirmou Rocha.

Em São Paulo, por exemplo, já se notou um aumento de temperatura de, aproximadamente, 3 ºC entre 1940 e 2010, e não se pode afirmar categoricamente se foi causado predominantemente pelo efeito estufa, ressalvou o pesquisador.

“Na área rural, há outros fatores que influenciam. O desmatamento de florestas e cerrados também pode explicar aumento de temperatura, mas confinado em efeitos de escala local, que, por sua vez, não são geralmente diagnosticados pelos modelos do CMIP5/IPCC”, afirmou.

O artigo Attribution of detected temperature trends in Southeast Brazil (DOI: 10.1029/2019GL083003), de R. C. de Abreu, S. F. B. Tett, A. Schurer e H. R. Rocha, pode ser lido na revista Geophysical Research Letters em agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1029/2019GL083003.

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Este texto foi originalmente publicado por  Agência FAPESP de acordo com a  licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original [Aqui!].

ONU e CIDH recebem apelo urgente sobre arbitrariedades cometidas contra Projeto Saúde e Alegria e Brigadas de Incêndios de Alter do Chão

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Brigadas de Incêndios de Alter do Chão ocuparam papel de destaque na luta contra as queimadas, mas acabaram sendo presos pela Polícia Civil do Pará em processo bastante nebuloso

Cinco organizações brasileiras encaminharam nesta quarta-feira (11/12) um apelo urgente aos procedimentos especiais das Nações Unidas (ONU) e às relatorias da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), buscando que sejam tomadas ações imediatas em relação às medidas de criminalização e desmoralização da organização não-governamental “Projeto Saúde e Alegria (PSA)”, bem como às prisões de Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerner, integrantes da Brigadas de Incêndios de Alter do Chão.

ARTIGO 19, Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), Conectas Direitos Humanos, Justiça Global e Terra de Direitos buscam apoio dos mecanismos internacionais para barrar uma escalada autoritária que coloca em risco direitos fundamentais e a própria atuação de organizações da sociedade civil.

De acordo com o documento enviado para ONU e CIDH, “desde as eleições presidenciais de 2018, as organizações da sociedade civil brasileira vêm sofrendo sistemáticos ataques, em um processo de desmoralização e criminalização que coloca em risco os direitos fundamentais de associação, de liberdade de expressão e de presunção de inocência”.

Este cenário rompeu uma barreira alarmante com a prisão infundada dos brigadistas e as medidas de busca e apreensão decretadas para a Brigadas de Incêndios de Alter do Chão e o Projeto Saúde e Alegria. O apelo frisa que diante da ausência de provas ou mesmo indícios que liguem essas entidades aos incêndios, fica “evidente que a investigação configura uma tentativa de criminalização de pessoas e organizações que notadamente atuam na preservação do meio ambiente na Amazônia brasileira”.

A partir do apelo, ONU e CIDH podem traçar recomendações às autoridades brasileiras. As organizações solicitam, entre outras medidas, que as relatorias peçam informações ao Estado Brasileiro e mantenham-se a par do desdobramento das investigações e do processo criminal. Ainda que se manifestem publicamente e recomendem ao Estado brasileiro não realizar declarações estigmatizantes e criminalizadoras que violam o direito das pessoas acusadas à presunção de inocência e à dignidade, até conclusão das investigações e desfecho do processo criminal.

Acesse o documento enviado à ONU e CIDH na íntegra em português e inglês

Mais informações:

ARTIGO 19
comunicacao@artigo19.org
(11) 9 9223 6051
Sugestão de fonte: Camila Marques, advogada e coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19

Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL)
comunicacion@cejil.org
+1 (305) 335-5665
Sugestão de fonte: Alexandra Montgomery, Diretora do programa do CEJIL para o Brasil

Conectas Direitos Humanos
Luiza Buchaul – assessoria de comunicação
luiza.buchaul@conectas.org | (21) 98020-3555
Sugestão de fonte: Camila Asano – coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos

Justiça Global
glaucia@global.org.br
(21) 9 7688 2099
Sugestão de fonte: Antonio Neto, pesquisador da área de Defensores de Direitos Humanos.

Terra de Direitos
Franciele Petry – Assessoria de imprensa
franciele@terradedireitos.org.br | (47) 9 9653-5264
Sugestão de fonte: Darci Frigo, coordenador da Terra de Direitos

ANVISA e sua pílula dourada para ocultar a contaminação da dieta do brasileira por agrotóxicos

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A liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia de ontem do relatório das amostras analisadas pelo “Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos” (PARA) para o período 2017-2018 estava sendo aguardada por mim com algum interesse, pois a última vez que o brasileiro teve acesso às informações sobre contaminação da sua comida fora em 2016 em referência ao triênio 2013-2015.  Restava apenas saber como a Anvisa agiria agora sob “nova administração” em um ano de liberações recordes de agrotóxicos para o mercado nacional.

O relatório, reconheçamos, é extremamente complexo e merece ser estudado com mais cuidado do que fizeram, por exemplo, os comentadores da GloboNews liderados pela jornalista Mônica Waldvogel na noite de ontem. Aliás, no caso dessa apresentação chegou a beirar o lamentável ter que ouvir as análises rasteiras de Waldvogel sendo “comentadas” por Guga Chacra e Gerson Camarotti.  Diante de tamanha desinformação sobre os resultados do PARA, ficou ainda mais evidente o papel que as Organizações Globo ocupam na defesa do modelo de agricultura envenenada que o Brasil pratica neste momento.

Mas voltando ao relatório em si, começo com a ilustração abaixo que foi disponibilizada pela própria ANVISA para, em minha opinião, começar a dourar a pílula envenenada que foi servida para dificultar o entendimento dos resultados de seu próprio estudo.

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O que o gráfico nos mostra é que as amostras analisadas vieram de apenas 77 municípios brasileiros, sem que se saiba a concentração dos mesmos pelos estados que concordaram em ceder amostras. A importante informação de que o estado do Paraná não cedeu uma mísera amostra porque se retirou do PARA em 2016 (justamente um dos estados campeões de uso de agrotóxicos no Brasil, é preciso que se diga). Como o Brasil possui 5.570 municípios, a validade da amostra teria que ser muito bem justificada, pois representa apenas 1,4% do total. Mas esse aspecto sequer mencionado no relatório, que também passa batido pela informação que somente o estado de São Paulo contribuiu com 19,4% do total amostrado.  Há que se lembrar ainda que apenas no Paraná são 399 municípios que foram deixados de fora das análises do PARA.

Mas esqueçamos por um momento a questão da representatividade da amostra para nos concentrarmos nos resultados obtidos e a forma pela qual foram sintetizados no gráfico abaixo.

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Usando seus resultados, os responsáveis pelo relatório nos informam que em 49% das amostras analisadas não foram encontrados resíduos de agrotóxicos, sendo que em 28% delas os resíduos estavam dentro do limite legal.  Entretanto, em 23% dos casos analisados, 23% estavam em “inconformidade” com a legislação.  O problema é que, na prática, em 51% dos casos foram encontrados resíduos, o que é um valor bastante preocupante, mas que passa como se não fosse nada muito importante.

Os “campeões” de uso e a União Europeia

Um detalhe que chamou a atenção nesse relatório foi a completa ausência sobre qualquer informação sobre os limites aceitáveis de resíduos que são praticados no Brasil em relação, por exemplo, à União Europeia. Como já foi demonstrado pela geógrafa Larissa Bombardi em seu Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, os limites brasileiros são muito mais “generosos” para uma série de agrotóxicos que já foram banidos na União Europeia (UE) por estarem associados a uma série de doenças graves, incluindo o câncer.

Aliás, me chamou a atenção em especial o fato que dos 20 agrotóxicos mais detectados, 6 estão banidos na UE (ver tabela abaixo, onde os agrotóxicos proibidos foram marcados com a letra “P”), com destaque para o Carbendazim e para o Acefato que são, respectivamente, o terceiro e o sétimo mais detectados na amostra utilizada pela Anvisa para produzir o relatório.

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Ainda no tocante ao status dos agrotóxicos detectados em relação ao seu status na UE, notei, utilizando o critério de estarem presentes em mais de 10% das amostras, que  dos 8 agrotóxicos “campeões” de contaminação crônica por ingestão de alimentos contaminados no Brasil, 4 estão proibidos na UE (ver figura abaixo). 

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Os destaques neste caso são o Terbufós presente em condições de exposição crônica em 28,8% das amostras e o Fipronil com 21,0%. No caso do Terbufós, o caso é particularmente preocupante porque a substância é comumente utilizada na fabricação de “Chumbinho”, um agrotóxico produzido clandestinamente a partir da mistura ilegal de várias substâncias. Na prática, pode-se dizer que o brasileiro está sendo cronicamente contaminado por “Chumbinho”. Coisa que o relatório da Anvisa parece tratar como irrelevante, e claramente não é.

Também nunca é demais lembrar que o Fipronil também tem sido associado ao extermínio de abelhas em diversos estados brasileiros. O que surpreende aqui é a presença em frequência tão alta nos alimentos que foram analisados pela Anvisa.  Também não custa lembrar que pelo menos cinco produtos contendo Fipronil foram aprovados para comercialização no Brasil em apenas 10 meses em 2019. Em outras palavras, como os resultados analisados são referentes a 2017-2018, quem sabe quanto Fipronil será encontrado no próximo ciclo de avaliação do PARA!

Agrotóxicos e saúde humana e ambiental como elementos inconciliáveis

A análise aqui apresentada não chega nem perto do que será necessário ser feito para entendermos a gravidade da situação que está sendo criada no Brasil com o uso intensivo e indiscriminado de substâncias altamente tóxicas para o ambiente e a saúde humana. Há que se estudar melhor e mais profundamente os diferentes relatórios produzidos ao longo do tempo pela Anvisa, de forma a se construir uma crítica consistente ao que está sendo disponibilizado.

É que mesmo com toda a tentativa de “dourar a pílula” que a Anvisa fez, os resultados são fáceis de serem compreendidos, e o que se vê é muito grave. E não há como as Waldvogel ou os Camarottis e Chacras da vida ocultarem isso, mesmo com todo o tempo de tela da GloboNews nas mãos.

Por outro lado, a minha expectativa é que os parceiros comerciais do Brasil comecem a aplicar suas próprias regras de segurança no tocante aos limites toleráveis de resíduos (LMRs) de agrotóxicos nos alimentos importados do Brasil. O aviso da Rússia sobre a possibilidade de parar de comprar soja brasileira por causa do excesso de glifosato, e o boicote iniciado pelo CEO da rede de mercearias orgânicas Paradiset, Johannes Cullberg, são apenas o “canário da mina” do que pode estar vindo pela frente se o governo brasileiro não mudar sua posição irresponsável frente ao envenenamento de nossa agricultura.

Mas enquanto a ajuda de fora não chega, há que se cobrar que sejam estabelecidas medidas urgentes para rever a contaminação dos alimentos que são servidos aos brasileiros todos os dias. Do contrário, teremos no futuro uma gigantesca epidemia de doenças causadas pela ingestão de comida contaminada por agrotóxicos. Simples assim!

Novo PARA: Roupa bonita para um conteúdo altamente tóxico

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Nota da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida sobre os resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos 2017/18

Neste dia 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou a nova edição do relatório do PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos). Neste sentido, saudamos a iniciativa da Agência, que após 3 anos de silêncio sobre o tema, volta a publicar dados tão importantes para a sociedade brasileira. O consumo de frutas, legumes e verduras é crucial para a saúde da população, e devem portanto estar livres de contaminantes químicos.

No período de 2017 e 2018, o PARA analisou 4616 amostras de 14 alimentos diferentes: abacaxi, alface, alho, arroz, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, pimentão, tomate e uva. Foram pesquisados até 270 agrotóxicos diferentes nas amostras analisadas.

Apesar do aspecto técnico da publicação, o release divulgado no site da Anvisa é extremamente otimista. O título da matéria crava: “Estudo: alimentos vegetais são seguros“. Outras frases como “Os resultados não apontaram um potencial risco crônico para o consumidor“, ou  “As inconformidades não implicam, necessariamente, risco ao consumidor” já dão o tom de uma peça de propaganda política para um relatório que, lido atentamente, traz grandes preocupações para a sociedade.

Listamos algumas delas:

  • Dos 499 ingredientes ativos registrados na Anvisa, foram avaliados no máximo 270 substâncias em cada cultura. Nos perguntamos: como é possível autorizar um agrotóxicos e não monitorá-lo?
  • De acordo com o relatório, 51% do alimentos continham resíduos dos agrotóxicos analisados. Consideramos muito grave o fato de que mais da metade dos alimentos consumidos pela população esteja envenenado.
  • Em relação ao relatório de 2013-2015, houve um aumento de 17% no percentual de amostras irregulares, ou seja, amostras com mais agrotóxicos do que o permitido, ou com agrotóxicos não permitidos. Esse aumento é coerente com o aumento do uso de agrotóxicos no período (4% entre 2015 e 2017, segundo Ibama) e com o aumento no registro de intoxicações (14% entre 2015 e 2017, segundo Ministério da Saúde). Este aumento não é mencionado no relatório, fato que confirma uma interpretação por parte da Anvisa que tende a ocultar os riscos.
  • Segundo o relatório, 0,89% das amostras representa risco agudo. Ainda que o método para este cálculo seja bastante questionável, isto significa que, no mínimo de cada cem alimentos que comemos, 1 deles pode causar intoxicações agudas por conta dos agrotóxicos: dores de cabeça, enjoo, vômito, falta de ar… Este percentual não é baixo, e representa um grave perigo à população.
  • Na maioria destas amostras, foi encontrado o carbofurano, produto já banido no Brasil por se mostrar teratogênico e mutagênico, e por provocar danos ao aparelho reprodutor.
  • Em 0,9% dos casos, foram encontrados agrotóxicos não permitidos no Brasil. Novamente, 1 em cada 100 amostras possui produtos já considerados perigosos demais para a saúde, e seguem sendo usados na agricultura. Isto revela que a política do governo de minimizar a prevenção e apostar na fiscalização é inadequada e pouco responsável.
  • Não foram incluídos nesta edição produtos processados, o que leva à impressão de que os resíduos de agrotóxicos estão presentes apenas em produtos in natura. Além disto representar um equívoco, induz a população a pensar que é mais saudável comer um salgadinho do que uma fruta, o que contribui ainda mais para os baixos índices de ingestão de frutas legumes e verduras observados no Brasil.

Em um contexto de uso crescente de agrotóxicos ano a ano, e também de aumento sistemático das intoxicações por agrotóxicos registradas, é lamentável ver a Agência que deveria garantir a segurança alimentar da população minimizando resultados gravíssimos sobre as condições da comida servida ao povo brasileiro.

Finalmente, repudiamos as recomendações finais do relatório que remetem a um suposto “uso seguro de agrotóxicos”, e recomendam a lavagem de alimentos como forma de aumentar a segurança. Para a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a única forma garantir a segurança dos alimentos é através da agroecologia. A produção de comida sem uso de agrotóxicos – que não é mencionada em sequer uma linha do relatório – é a forma de garantir não só a segurança de quem consome, mas também de quem produz, das comunidades ao redor de plantações e do meio ambiente.

Contato para imprensa: Jakeline Pivato – (41) 9 9676 5239

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Este material informativo foi inicialmente publicado pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida [Aqui!].

Repressão a ativistas marca escalada autoritária no Brasil

No Dia dos Direitos Humanos, ONGs, artistas, cientistas e jornalistas assinam petição em defesa da democracia no país

cop 25Brasil ganha prêmio ‘Fóssil do Dia’ na COP 25 por ‘culpar a sociedade civil pelas queimadas na Amazônia’

Em 26 de novembro, menos de uma semana antes do início da COP25, uma ação policial sem precedentes na cidade de Santarém, na Amazônia brasileira, prendeu quatro bombeiros voluntários e invadiu o escritório de uma das ONGs mais respeitadas do Brasil, sob falsas acusações. Cinco dias depois, outra ação policial causou a morte de nove jovens em um bairro pobre de São Paulo. Hoje, no Dia dos Direitos Humanos, 124 organizações da sociedade civil e mais de 500 ativistas, artistas, cientistas, promotores públicos e jornalistas lançam um alerta na COP25: a democracia no Brasil está em risco e uma escalada autoritária está em andamento.

“Pela primeira vez, em mais de três décadas, vemos demonstrações de retrocesso em algumas liberdades fundamentais duramente conquistadas”, diz a carta que será lançada às 17h15 (horário local) no Centro de Ação Climática do Brasil (Zona Azul) , pavilhão 8). Entre seus signatários estão sete ex-ministros, como Marina Silva e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), artistas como o cineasta Fernando Meirelles (Os Dois Papas, Cegos), e cientistas como o climatologista Carlos Nobre e o biólogo Braulio Dias (ex-secretário executivo da Convenção de Biodiversidade da ONU).

“Integrantes do Governo Federal declaram sua simpatia a instrumentos que restringiram a liberdade e direitos políticos e civis no período ditatorial; o governo envia ao Parlamento um projeto de lei que evita a punição de forças policiais que venham a matar manifestantes; ativistas ambientais são presos e têm suas casas invadidas e organizações da sociedade civil têm seus escritórios vasculhados por policiais com base em acusações e mandatos judiciais desprovidos de fundamentos fáticos”, continua a carta. “Passa da hora de toda a sociedade brasileira dizer claramente: não toleraremos afrontas a nossos princípios democráticos.”

O próprio local do evento de hoje fala muito sobre a relação entre governo e participação pública durante o governo Jair Bolsonaro: o Centro de Ação Climática do Brasil na COP25 foi organizado pela sociedade civil, uma vez que não apenas o Brasil não possui um espaço nacional na COP – pela primeira vez em uma década – mas também tentou manter distante a sociedade civil, negando o credenciamento a ambientalistas, povos indígenas, academia e (à maioria) das empresas.

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Esta nota foi produzida pela Assessoria do WWF-Brasil.

Mariane Crespolini, a doce face do negacionismo climático dentro do governo Bolsonaro

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Mariane Crespolini  em evento promovido pela Scot Consultoria onde proferiu a palestra intitulada “De que adianta adubar, se eu não sei meu custos?”: Fonte CEPEA USP/ Facebook

O fato do governo Bolsonaro estar repleto de figuras que rejeitam o conhecimento científico que atesta de forma inescapável a ocorrência de um processo de mudanças climáticas causadas pela ação humana não chega a ser novidade.  Nesse time nada seleto de negacionistas climáticos estão inclusos o próprio presidente Jair Bolsonaro, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e também o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

Mas foi em uma “live” feita por Jair Bolsonaro que o Brasil pode conhecer, digamos, uma face mais doce do negacionismo climático que grassa no atual governo na figura da diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação na Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação (SDI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a doutoranda da Universidade de São Paulo,  Mariane Crespolini dos Santos (ver vídeo abaixo).

Como se vê nesse trecho,  Mariane Crespolini dá uma espécie de “aulão privé do negacionismo climático” a Jair Bolsonaro, à sua chefe imediata, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e a outros presentes no “evento”.

Dentre os diversos absurdos proferidos por Mariane Crespolini neste curto vídeo é de que “muito pesquisador bom, de credibilidade, que mostra que mudança climática não existe“.  Esse tipo de afirmação poderia até passar batida se quem a proferisse não tivesse sido treinada em duas das melhores universidades do Brasil e da América Latina, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É que apesar dessas instituições certamente possuírem docentes que negam as obviedades em torno da ciência das mudanças climáticas, elas também hospedam pesquisas de peso e de grande influência nos debates em curso em torno dos problemas causados por esse processo, a começar pelo pesquisador e professor do Departamento de Física, Paulo Artaxo, que é membro e importante contribuinte dos documentos científicos produzidos pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC).

Assim, ao reduzir uma discussão que será estratégica até para o setor do qual ela é claramente uma expert, o da pecuária bovina, Mariane Crespolini não apenas presta um desserviço ao governo do qual participa, mas aos interesses dos segmentos mais vinculados ao comércio global, da qual ela é aparentemente membro (ver abaixo vídeo de 2017 onde Crespolini fala sobre preços de bois em confinamento).

É que como mostrou matéria publicada hoje pelo “The Guardian”, a pressão política e econômico sobre os grandes frigoríficos para que se desvinculem de fornecedores vinculados ao desmatamento na Amazônia está aumentando fortemente a partir da União Europeia.  Como já está demonstrada estreita ligação entre desmatamento e emissões de CO2 que aceleram as mudanças climáticas, Mariane Crespolini pode até estar tocando música para os ouvidos de seus chefes no governo Bolsonaro, mas também está aumentando os riscos de que o Brasil e sua produção agropecuária sejam duramente punidos nos próximos anos pelo que está acontecendo na Amazônia em termos de desmatamento e violência contra os povos indígenas.

Por outro lado, o ataque de Mariane Crespolini à ciência das mudanças climáticas faz parte, como eu disse, de um movimento feito por pesquisadores brasileiros de baixa ou nenhuma credibilidade contra um sólido corpo de conhecimento científico.  O problema é que até este momento não tenho visto uma ação firme dos estudiosos das mudanças climáticas para isolar essas vozes, de modo a impedir que tenham qualquer influência na formulação das políticas do Estado brasileiro que afetam a conservação das nossas florestas e, por que não, a estabilidade do comércio de nossas commodities agrícolas. 

A minha expectativa é que a partir dos resultados desastrosos que a participação da delegação brasileira na COP25 e nas restrições que isto trará para a balança comercial brasileira, o governo Bolsonaro a falar com quem entende do assunto e não com quem adota uma postura ideológica que despreza o conhecimento científico, como parece ser o caso de Mariane Crespolini,  para mostrar serviço aos setores mais atrasados e retrógrados do agronegócio exportador.

Amazônia em chamas: estudo mostra que queimadas são três vezes mais comuns em áreas de pecuária

Investigação revela que 70% dos alertas de incêndio da Nasa estavam localizadas nas zonas estimadas de compra de empresas de carne bovina, algumas das quais exportam para o Reino Unido

guardian 1As zonas de compra estimadas de 128 matadouros foram combinadas com a localização de alertas de incêndio florestal. Foto: Bruno Kelly / Reuters

Por Alexandra Heal, Andrew Wasley, Sam Cutler and André Campos para o “The Guardian”

Os incêndios foram três vezes mais comuns nas zonas produtoras de carne do que no restante da Amazônia neste verão, segundo uma nova análise.

As descobertas mais uma vez chamam a atenção para os vínculos entre a poderosa indústria de carne bovina do Brasil e o desmatamento da floresta amazônica, assim como o mundo debate as mudanças climáticas na COP25.

Em resposta ao trabalho do Guardian e do Bureau of Investigative Journalism (BIJ), os eurodeputados pediram à UE que bloqueie a carne bovina que pode estar ligada ao desmatamento. “É absolutamente urgente que a UE imponha um dever legal às empresas européias para garantir que suas cadeias de suprimentos estejam livres de desmatamento”, disse Heidi Hautala, uma eurodeputada finlandesa.

gado fogoNa imagem acima no lado esquerdo aparecem as áreas estimadas como sendo de pontos de compra de animais para abate pelos grandes frigoríficos. Já no lado direito aparecem os focos de incêndio na Amazônia brasileira. Em dois 2/3 dos casos há coincidência entre os dois fatores.

Há dois anos, a ONG brasileira Imazon coletou dados para estimar as zonas de compra de carne bovina em toda a Amazônia. Eles identificaram 128 matadouros e começaram a estabelecer as áreas a partir das quais essas plantas poderiam comprar seu gado para processamento. Por meio de entrevistas por telefone com a equipe dos matadouros, ou fazendo médias com base em métodos em outras frigoríficas, a equipe de pesquisa coletou informações sobre as distâncias máximas das quais cada um provavelmente obteria gado.

Eles modelaram esses dados com base em fatores locais, como estradas, rios navegáveis e padrões climáticos, e estimaram a zona de compra potencial máxima para cada matadouro. As zonas de compras cobrem grandes áreas de centenas de km e há sobreposição significativa entre as zonas de compras para diferentes empresas. Somados, os dados criam uma imagem convincente das áreas da Amazônia onde o gado está sendo criado para a carne bovina.

Usando métodos projetados pelo projeto de sustentabilidade sem fins lucrativos Chain Reaction Research, o Guardian e o BIJ mapearam os alertas de incêndio da Nasa arquivam dados na área legalmente definida da Amazônia e descobriram que dos 554.000 alertas de julho a setembro, quase 376.000 – cerca de 70% – estavam nas zonas de compra estimadas, apesar de essa área cobrir muito menos da metade da Amazônia legal.

Algumas das maiores empresas de carne do mundo operam na região. Mais de um quarto de milhão de alertas de incêndio foram emitidos nas zonas estimadas de compra da JBS, a maior fornecedora de carne do mundo, por exemplo. Sabe-se que suas fábricas exportam para a Europa, inclusive para empresas do Reino Unido.

Havia quase 80.000 alertas de incêndio nas prováveis ​​áreas de compra da Marfrig, o terceiro maior exportador brasileiro de carne bovina, e mais de 66.000 em torno de matadouros pertencentes à Minerva. Esses três frigoríficos dominam a Amazônia brasileira e respondem por quase metade do gado abatido na região, segundo o Imazon.

guardian 2Algumas das maiores empresas de carne do mundo operam na Amazônia. Fotografia: Marco Antonio Rezende / Getty

JBS, Marfrig e Minerva disseram ao Bureau que estavam comprometidos com as cadeias de suprimento de “desmatamento zero” e que todos monitoram seus fornecedores para garantir isso.

“A correlação teórica baseada em estimativas não é causal e é enganosa”, disse um porta-voz da JBS. “A JBS está trabalhando ativamente para reunir outras partes interessadas e empresas importantes para unir forças para preservar a Amazônia.”

A empresa acrescentou: “Se as fazendas são consideradas não compatíveis com nossas políticas de abastecimento sustentável por qualquer motivo, incluindo o desmatamento, elas estão bloqueadas em nossa cadeia de suprimentos … Não estamos envolvidos nem toleramos a destruição da Amazônia”.

A Marfrig também disse que bloqueou todas as fazendas encontradas envolvidas no desmatamento e que começou a monitorar os focos de incêndio em agosto deste ano. “Sempre que qualquer sobreposição de áreas entre as propriedades e os focos de incêndio é identificada, há um alerta para que a compra seja reavaliada”, afirmou a empresa em seu comunicado.

Minerva disse que não havia evidências de que havia comprado animais de fazendas onde ocorreram incêndios e culpou a crise deste ano pelo clima. Ele disse que “não há conexão comprovada com as atividades do agronegócio”.

Em uma investigação separada, também foram encontrados incêndios em pelo menos três fazendas conhecidas por vender gado diretamente aos matadouros da JBS. Trabalhando com a Repórter Brasil, o BIJ descobriu que pelo menos uma dessas plantas exporta carne e couro globalmente.

Enquanto JBS, Marfrig e Minerva dizem estar confiantes de que o gado que compram não provém de áreas ilegalmente desmatadas, eles também aceitam que não sabem a origem de muitos porque o gado é frequentemente movimentado entre os milhares de fazendas de criação, criação e engorda.

A indústria de carne bovina é vista como uma das principais causas do desmatamento na região amazônica. Os criadores de gado são responsáveis ​​por 80% da derrubada de terra em todos os países com cobertura florestal na Amazônia, de acordo com a Escola de Estudos Florestais e Ambientais da Universidade de Yale.

JBS, Minerva e Marfrig admitem que não podem monitorar as fazendas que estão mais abaixo em suas cadeias de suprimentos. “Atualmente, nenhum dos participantes do setor consegue rastrear fornecedores indiretos”, disse Minerva.

guardian 3Havia mais de meio milhão de alertas de incêndio da Nasa na Amazônia de julho a setembro. Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Marfrig disse ao Bureau que mais da metade do gado que abate é originário desses fornecedores indiretos.

Todas as três empresas disseram que estavam trabalhando com o governo ou ONGs para abordar esse ponto cego nos seus processos de monitoramento.

A JBS afirmou: “Estamos trabalhando com autoridades locais, governo e setor em geral para obter acesso aos dados e ferramentas necessárias para resolver esse problema.” A Marfrig disse que solicita informações de compra de gado de seus fornecedores diretos, enquanto Minerva afirma que mais policiais era necessário em todas as etapas da cadeia.

Os incêndios na Amazônia neste verão causaram alarme global. Não há evidências de que esses incêndios tenham sido iniciados em ou por fazendas que fornecem JBS, Marfrig ou Minerva, mas a própria existência de uma colcha de retalhos de fazendas na floresta tropical pode estar ajudando a agravar o efeito geral dos incêndios iniciados em outros lugares. “Todo o clima local é mais seco porque você está obtendo menos evaporação das árvores”, disse Yavinder Malhi, professor de ciência de ecossistemas da Universidade de Oxford.

Especialistas dizem que o aumento dos incêndios foi causado diretamente pelo aumento do desmatamento: a queima intencional de árvores que haviam sido derrubadas meses antes, em vez de incêndios florestais aleatórios. “Depois de limpar a floresta para fazer uma fazenda, você tem muitos materiais mortos espalhados e os agricultores esperam até a estação seca para queimar esse material”, disse Malhi.

O desmatamento tem sido uma questão-chave nas negociações sobre mudanças climáticas em Madri, e importantes empresas do Reino Unido escreveram ao governo brasileiro na semana passada para pedir ações urgentes.

Em resposta às novas descobertas, os deputados Manon Aubry e Heidi Hautala pediram uma ação. “Não pode ser responsabilidade do consumidor garantir que os produtos nas prateleiras dos mercados europeus sejam produzidos de maneira sustentável”, disse Hautala ao Guardian. “O consumidor precisa confiar que apenas os itens produzidos com responsabilidade são vendidos na Europa.” Aubry pediu uma reavaliação do Acordo Comercial UE-Mercosul, que aumentaria as importações para a Europa do Brasil e de outros países da América do Sul.

guardian 4Um número recorde de incêndios florestais no Brasil em 2019 provocou protestos globais. Fotografia: Kenzo Tribouillard / Getty

A UE também tem que questionar o impacto dos acordos de livre comércio que são prejudiciais para o planeta e as pessoas. Um acordo com o Mercosul pioraria a situação e aceleraria o desmatamento na Amazônia. ”

“Nossas descobertas ilustram que incêndios e desmatamento continuam ocorrendo na cadeia de suprimentos da JBS, apesar das políticas e compromissos da empresa”, disse Marco Tulia Garcia, que liderou a pesquisa na Chain Reaction. “É da maior urgência que a JBS resolva esses problemas.”

A JBS recentemente criou um site que permite que os clientes pesquisem códigos de produtos para o nome e as coordenadas da última fazenda para criar o animal antes do abate, em um movimento descrito na imprensa especializada como uma redução da transparência. Os clientes agora são redirecionados para outro site, onde apenas o nome e o município das fazendas são fornecidos.

A empresa afirmou: “Devido a questões legais baseadas no Regulamento Geral de Proteção de Dados do Brasil, a empresa limitou algumas das informações de terceiros publicadas em seu site … A JBS possui uma política de transparência robusta.”

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].