(Des) governo Cabral coloca universidades estaduais em estado catatônico

incendio

Estive na audiência pública realizadas pela Comissão de Educação da Alerj na última quarta-feira e lá pude constatar a situação desesperada em que o (des) governo de Sérgio Cabral colocou o sistema universitário fluminense. A degradação salarial que aflige todos os servidores que se encontram na tríade formada pela UENF, UERJ e UEZO é apenas a ponta de um enorme iceberg de degradação. A simples análise dos orçamentos dessas universidades que o (des) governo Cabral enviou para a ALERJ aponta para a insuficiência financeira já para o início do segundo semestre, quase que simultaneamente à realização da Copa do Mundo. Depois disso, as reitorias terão de ir de pires na mão até alguma repartição dentro da secretaria estadual de Planejamento e Gestão ou da Fazenda para provar que precisam de mais recursos para simplesmente não fecharem as portas.

Ainda que a parte que me toca mais diretamente seja a UENF, visto que é o meu local de trabalho, a situação é ainda mais dramática na Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO) que continua funcionando sem prédios próprios, sem servidores administrativos e segurando sabe-se lá como os poucos docentes que já foram concursados. A situação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tampouco é melhor, visto que o orçamento proposto pelo (des) governo Cabral também amplia uma crise que se arrasta há vários anos, e que hoje deixa a maior universidade estadual fluminense em uma espécie de animação suspensa.

Na audiência presidida pelo deputado Comte Bittencourt (PPS), o que mais saltou aos olhos foi a condição de fraqueza das reitorias que parecem aceitar um destino trágico tal como a rês que entra no cercado que a encaminhará para o abate. Essa aceitação tácita do destino trágica simboliza a fraqueza política que faz, na UENF por exemplo,  essas reitorias promoverem a degradação da autonomia universitária em prol de uns trocados.

Essa situação faz com que caiba aos sindicatos, como aliás já está acontecendo no ensino básico, a tarefa de defender a qualidade da educação pública fluminense. O problema é que mesmo entre os sindicatos parece predominar uma confusão de como avançar demandas que possam ir além dos salários e da manutenção básica das universidades. Ainda que isto seja compreensível, isto também sinaliza dificuldades para uma ação que ultrapasse os muros internos das universidades e alcance setores mais amplos da sociedade, como conseguiram fazer os educadores ligados ao SEPE.

Mas uma coisa é certa: a situação imposta às universidades fluminenses sintetiza muito bem a disputa mais ampla que ocorre no Rio de Janeiro neste momento. Afinal o que queremos para o Rio de Janeiro? Queremos viver num estado onde os ricos vivem vidas nababescas em seus cercados de luxo e os pobres ficam desprovidos de todas as condições mínimas de dignidade? Se não for isso que queiramos para o futuro, é bom sair do estado catatônico logo, pois daqui a pouco vai ser tarde demais.

Deixe um comentário