Sociólogo formado pela UENF lembra seus tempos de bandejão e pergunta: será que o angu azedou ou foi pedra no feijão?

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Em resposta à minha postagem sobre a situação do bandejão, recebi a reflexão abaixo do sociólogo Alex Souza, que se graduou e fez mestrado na UENF, sobre seus tempos de estudante que utilizou o bandejão que um dia funcionou no andar térreo do prédio que abriga o Centro de Ciências do Homem. Essa reflexão me pareceu importante de ser divulgada, pois as novas gerações de uenfianas e uenfianos (independente do segmento a que pertencem) não tiveram a oportunidade de usar um bandejão para matar a sua fome dentro do campus Leonel Brizola.

O sonho do bandejão não pode virar pesadelo

Por Alex Souza

Dos 20 anos de UENF, acompanhei pelo menos 8 deles, quase não me recordo as vezes que comi no antigo bandejão, que funcionava no térreo do CCH. Lembro que em 1996 o bandejão era subsidiado pela FENORTE, existindo faixas de preços diferenciados. Lembro que comprávamos na xerox do CCH, primeiro pavimento e guichê especial.

Havia fichas de cores diferentes, uma para estudantes com preço de R$ 1 e alguma coisa, outra para funcionários e professores e outra para visitantes, como é comum ver em outras instituições públicas de ensino superior espalhadas pelo Brasil.

Pela comodidade e o bom preço, o bandejão vivia lotado, principalmente pelos alunos, lembro que de início nem cozinhávamos nas repúblicas, porém, a qualidade que já não era lá essas coisas caiu drasticamente. Até pedra no feijão começou a aparecer. Carne era artigo de luxo, isso quando era possível comer, de tão dura e queimada… Enfim, deixei de frequentar, assim como todos que conhecia, as piadas eram as mais variadas para quem continuava comendo lá, até que fechou. Anos depois reabriu no mesmo lugar, e desta vez terceirizada, com comida de certa qualidade, porém preços nada convidativos. Nessa fase, raramente comi no bandejão, e das vezes que ia, via mais professor do que aluno, e dos alunos somente aqueles que faziam Pós e recebiam bolsa maiores que as nossas.

Sai da UENF sem ver o sonho de um bandejão público e de qualidade, reivindicação de todos os alunos e meta primeira das administrações que passaram pelo DCE.

Hoje fico sabendo pelo artigo do Dr. Marcos Pedlowski que a coisa andou muito, e que belo prédio!!! Mas fiquei triste em saber que a coisa não andou tão bem como nos sonhos. E pior, pode virar um tremendo pesadelo!! Um sepulcro belo, caiado e ornamentado, porém recheado de desgovernos, superfaturamentos e falta de planejamento. Será que o angu azedou ou foi pedra no feijão?

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