Conflito agrário no Açu continua repercutindo na mídia

LLX entrega documentos à polícia no caso de supostos atentados no Açu

Cláudia Freitas
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Mais um capítulo na saga dos conflitos de posse entre pequenos agricultores do V Distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, a LLX Logística, do empresário Eike Batista e a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (CODIN). A 145a. DP (São João da Barra) anunciou nesta quarta-feira (23/10) que recebeu da LLX documentos comprovando que a propriedade em que o agricultor Adeilço Viana Toledo afirma terem ocorrido as ameaças de morte e atentado contra ele e sua família, praticado por funcionários da LLX, na verdade já pertence à Codin e a GSA, controlada pelo grupo de Eike.

Atentado: Agricultores acusam funcionários da LLX

Os agricultores que afirmam ter sido vítimas de atentados na semana passada devem prestar depoimentos nos próximos dias. A 145a. DP, responsável pelo caso, enviou uma nota à imprensa esclarecendo  que no dia 17 de outubro, a agricultora Noêmia Magalhães Batista foi até a delegacia e contou ter “ouvido sons semelhantes a disparos de arma de fogo próximo a sua propriedade”. No entanto, a nota da polícia afirma que tanto Noêmia quanto uma outra testemunha “não viram o que ou quem teria produzido esses disparos”.

Segundo a nota da delegacia, Noêmia Magalhães declarou ainda que, embora ela seja representante dos agricultores locais, nunca sofreu nenhum tipo de ameaça de funcionários da empresa LLX. “Embora os fatos narrados pela senhora Noêmia estejam sendo investigados, não existe, em tese, conexão dos sons de disparos de arma com as fotos do veículo 4×4 de cor preta, ostentando placa LPY1800, cedidas por Adeilço Viana Toledo e amplamente divulgadas pela mídia”, diz a nota.

De acordo com Adeilço, no dia 17 de outubro, ele e seus irmãos teriam sofrido ameaças de homens armados que se encontravam em dois veículos, quando eles estavam em um imóvel que ele alega ser de sua propriedade. “Porém, no dia 01 de agosto Adeilço e seus irmãos foram retirados de tal propriedade por força de mandado judicial de imissão na posse, exarada nos autos do processo de nº000.1550-46.2012.8.19.0053, pelo Exmo. Juízo da 2ª Vara de São João da Barra, decisão esta que confere a posse do imóvel à CODIN e a GSA(controlada pela LLX)”, afirma a nota da delegacia.

A agricultora Noêmia Magalhães conversou com o Jornal do Brasil nesta quarta-feira (23) e contou que compareceu novamente na delegacia de São João da Barra para prestar novos esclarecimentos, na tarde de terça-feira (22), após receber uma intimação da polícia. Em depoimento à delegada Madeleine Farias e ao comissário de polícia Luiz Carlos Ambrósio, Noêmia confirmou que está recebendo intimidações de pessoas que ela acredita estarem diretamente ligada à LLX, há muitos meses, pelo fato dela ser representante da comunidade de pequenos agricultores do Açu. Noêmia mantém a versão de que carros estranhos ficam por horas parados em frente à sua residência e, alguns vezes, os seus ocupantes chegam a descer do veículo para fotografar a propriedade. Ela também relata que sempre recebe telefonemas anônimos, como forma de pressão psicológica.

Quanto a denúncia do atentado, Noêmia disse que não conseguiu ver os carros que passaram em frente à sua casa atirando, no dia 17 de outubro, mas que foram vários disparos e assustaram toda a família e as suas visitas. Ela confirmou também que esteve com Adeilço naquele mesmo dia, mas não presenciou as ameaças que ele afirma ter sofrido por parte de funcionários da LLX.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/10/24/llx-entrega-documentos-a-policia-no-caso-de-supostos-atentados-no-acu/

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