OGX pode ficar oficialmente inadimplente na semana que vem, diz jornal
Do UOL, em São Paulo
Terminou sem acordo mais uma rodada de negociação, nesta quarta-feira (23), entre a OGX (OGXP3), petroleira de Eike Batista, e os detentores de bônus internacionais da empresa, informa o “Valor Econômico”. A data limite para um acordo é 3 de novembro, e não há novos encontros marcados, segundo o jornal. Com isso, a petroleira pode ser declarada oficialmente inadimplente na semana que vem.
Em 1º de outubro, a OGX informou que optou por não pagar US$ 44,5 milhões a credores estrangeiros, no primeiro passo do que pode vir a ser o maior calote da história por uma empresa latino-americana.
Esses US$ 44,5 milhões eram de juros referentes à dívida de US$ 1,1 bilhão em bônus com vencimento em 2022, emitidos no exterior pela OGX Austria, controlada da OGX. No total, apenas em bônus no mercado internacional a OGX tem dívida de US$ 3,6 bilhões.
Na época, em comunicado ao mercado, a OGX disse que, segundo o contrato, tinha 30 dias para continuar negociando com os credores.
Desde então, negociadores da petroleira têm corrido contra o relógio em busca de um acordo com os credores, mas sem avanço até o momento.
Oficialmente, a OGX tem até o fim da semana que vem para conversar com os credores, mas há mais um prazo em jogo, segundo o “Valor”: o término do acordo de confidencialidade entre a empresa e os donos dos bônus. “Eles estão travados para comprar e vender os títulos por terem acesso a informações privilegiadas. Para que possam voltar a negociar os papéis, é preciso que as propostas oficiais trocadas nas negociações se tornem públicas. A data exata não é conhecida, mas está próxima”, informa o jornal.
A OGX passa por um momento de alto endividamento, problemas na produção e escassez de recursos para investimentos. Nesse cenário desfavorável, a única alternativa para a petroleira pode ser um pedido de recuperação judicial (antiga concordata).
Petroleira em crise
A derrocada da OGX, que já foi considerada o ativo mais precioso do grupo de empresas de Eike, ganhou força após sucessivas frustrações com o nível de produção da petroleira.
No início de julho, a companhia decidiu não seguir adiante com o desenvolvimento de algumas áreas na bacia de Campos, antes consideradas promissoras.
Com pouco dinheiro disponível e fracasso em sua campanha exploratória até o momento, em agosto a OGX desistiu de adquirir nove dos 13 blocos que arrematou na última licitação de áreas de petróleo, evitando o pagamento de R$ 280 milhões ao governo por direitos exploratórios.
A OGX espera completar a venda de uma fatia em blocos de petróleo que possui para a malaia Petronas, para conseguir um alívio no caixa.
A Petronas, porém, aguarda a conclusão da reestruturação da dívida da OGX para dar prosseguimento ao negócio de US$ 850 milhões com a petroleira brasileira.