Uma coisa que me causa mais espécie é a tendência de quem quer que esteja na posição de “situação” é de desclassificar movimentos reivindicatórios como sendo compostos por uma maioria de manipulados que seguem ordens externas para denegrir um status quo dourado e reluzente. Essa propensão a negar o óbvio aparece em todas as matizes no atual movimento reivindicatório que profissionais da educação realizam na cidade de Campos e foi bem vocalizado pelo vereador Paulo Hirano para justificar o fechamento da Câmara Municipal para impedir que educadores locais pudessem exercer o direito democrático da pressão política. O interessante é que os educadores que tivessem ido até a Câmara fossem da rede estadual, não só as portas permaneceriam abertas como também teriam estendido um tapete vermelho até o microfone, onde poderiam descer solenemente o sarrafo no (des) governo de Sérgio Cabral.
Mas essa tendência à celebrar a ação de movimentos reivindicatórios apenas se estiverem dirigidos ao inimigo político parece ser mais do que uma prática pontual dos que possuem a maioria no governo municipal de Campos. É que os que aqui se dizem oposição e defendem os educadores municipais são situação no governo estadual e cumprem exatamente o mesmo papel quando a coisa é a situação pavorosa em que se encontram os profissionais que precisam aturar os desmandos da dupla Cabral/Risólia. É a perversão da velha máxima de que “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.
Este tipo de prática de indignação seletiva apenas mostra que a imensa maioria dos partidos que se debatem pelo poder, apenas o fazem para saber quem vai ficar no controle do butim por um determinado tempo, apenas isso. Enquanto isto, os que lutam, por exemplo, pela melhoria dos salários e o estabelecimento de condições dignas para os que precisam dos serviços públicos precisam estar preparados para serem atacados, seja com ação de agentes partidários, milicias ou mesmo pela repressão oficial do Estado.
Por essas e outras é que quando eu ouço a acusação de quem está mobilizado por objetivos coletivos é manipulado por alguém, penso logo que a declaração reflete melhor as práticas objetivas de quem emite o vaticínio.
