
Faz tempo que me incomoda todo o incenso queimado para celebrar o presidente uruguaio José “Pepe” Mujica. A recente negação do pedido de asilo feito por três ativistas políticos perseguidos pelo (des) governo do Rio de Janeiro é apenas mais uma demonstração de que Mujica, em que pese seus anos de cárcere por causa de sua atuação política, já deixou faz muito tempo uma visão de transformação da sociedade.
Para mim, em que pese medidas populares entre muitos setores da juventude e da militância social, o fato de que sob o governo de Mujica continuaram intactas ações como a instalações de “papeleiras” poluidoras, que hoje estão posicionadas no extremo sul do pais que hoje ameaçam uma hecatombe ambiental no Rio Uruguai, com repercussões graves do lado argentino.
Essa coisa de incensar pessoas pelo passado reflete apenas a falta de alternativas consistentes para a organização da resistência política às políticas neoliberais que continuam avançando no Brasil, ainda que sob o disfarce do “neodesevolvimentismo”.
Assim, pelo uma coisa boa pode decorrer da negativa de asilo aos ativistas do Rio de Janeiro: o fim da aura de aliado com que se recobriu por algum tempo José “Pepe” Mujica.