Erosão avança na Praia do Açu em meio a reuniões para “enxugar gelo”

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Peguei a nota abaixo no blog do advogado Cláudio Andrade que a repercute a partir da assessoria parlamentar do deputado Roberto Henriques.  A nota em si não traria nada de novo em cima da grande enrolação que tem sido a resposta oficial ao processo erosivo que está consumindo a Praia do Açu se não fosse a declaração do Sr. Caio Cunha, especialista em relações institucionais da Prumo Logística, que atualmente é proprietário do Porto do Açu que teria nos brindado com a seguinte declaração:

 Embora tenha ficado comprovado pelo o único estudo científico que existe sobre o caso que não há relação entre o fenômeno de erosão com as obras no porto, nos disponibilizamos a financiar um novo estudo. Para nós, da Prumo, essa parceria entre a empresa, governos e comunidade é muito importante. Também queremos saber o motivo da erosão e que essa situação seja reparada”.

O Sr. Caio Cunha deve estar se referindo ao estudo que a Prumo Logística encomendou ao professor Paulo César Rosman da UFRJ um estudo sobre o problema. È que agora alcunhado “único estudo científico sobre o caso” se resumiu a uma análise qualitativa de imagens, o que dificilmente passaria pelos rigorosos crivos empíricos que o próprio professor Rosman impõe aos seus estudantes. Além disso, na audiência pública realizada pela Câmara Municipal de São João da Barra, quando pressionado pelas evidências apresentadas pelos moradores da Praia do Açu que ali estavam acabou reconhecendo que não tinha como explicar o processo erosivo em curso naquela área que se encontra sob influência direta do Porto do Açu! (Aqui!)

Aliás, como eu disse a um outro representante da Prumo Logística na própria audiência pública da Câmara de São João da Barra, o professor Rosman talvez pudesse ter oferecido uma conclusão cientificamente sólida caso a empresa tivesse oferecido a ele os dados empíricos que diz possuir em função de um monitoramento que estaria realizando na área de influência do Porto do Açu.  Pelo que transpira dessa declaração atribuída ao Sr. Caio Cunha, esses dados não foram transferidos ao professor Rosman até hoje, já que continuam se apoiando em sua análise qualitativa de imagens de satélite.

O mais grave aqui é que, se a declaração atribuída ao Sr. Caio Cunha representa a posição oficial da Prumo Logística, temos aqui uma situação efetiva de auto-isenção de responsabilidades que, inclusive, estão previstas nos diversos relatórios de impactos ambientais (RIMAs) que as diferentes empresas “X” utilizaram para obter as licenças ambientais que garantiram a instalação do Porto do Açu.  Se é assim que a Prumo Logística quer tratar desse problema específico, imaginem o que será feito em relação a outros tantos problemas que estão sendo disparados por conta do empreendimento que ela passou a controlar após o colapso do Grupo EBX!

De toda forma, a população da localidade da Barra do Açu vai ter que ficar mais alerta do que nunca, pois depender do que está transpirando nessas reuniões, as soluções poderão demorar tanto que não precisarão ser executadas, já que a Praia do Açu poderá desaparecer bem antes do que essas reuniões gerem soluções efetivas. A ver!

Recuperação da orla do Açu contará com ajuda privada e do governo do Estado

 
O avanço do mar no distrito sanjoanense de Barra do Açu e a recuperação da orla local ainda são motivo de preocupação das autoridades. Tanto que, na amanhã desta sexta-feira, dia 5, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Francisco Portinho, o prefeito de São João da Barra, José Amaro Martins de Souza, o Neco, o deputado estadual Roberto Henriques, uma equipe técnica do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e Caio Cunha, especialista em relações institucionais da Prumo Logística, responsável pela construção do Porto do Açu, se reuniram para tratar do assunto na sede da Secretaria do Ambiente, no Rio. Durante o encontro, ficou definido que a Prumo financiará um novo estudo sobre o fenômeno, a ser realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), e que a Secretaria de Estado do Ambiente, através do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam),fará uma parceria com a prefeitura para ceder recursos para a realização da obra.
 
Na ocasião, tanto os técnicos do Inea quanto o secretário de Estado do Ambiente aceitaram como válido o resultado de um estudo, realizado a pedido da Prumo, comprovando que o fenômeno do avanço do mar e erosão no Açu não possui ligação com as obras do porto. Uma nova reunião acontecerá na sede do INPH, no Rio, na próxima quarta-feira, dia 17.
 
Um outro estudo sobre a situação do Açu e o projeto de recuperação da orla já foram solicitados ao INPH pela prefeitura, por intermédio do deputado Roberto Henriques. “Precisamos zelar pelas praias da nossa região e pela população que mora nessas localidades. Como parlamentar sempre me disponho a ajudar no que for preciso para o desenvolvimento sustentável do Norte e do Noroeste Fluminense”, frisou o deputado.
 
Para Caio Cunha a reunião foi muito proveitosa. “Embora tenha ficado comprovado pelo o único estudo científico que existe sobre o caso que não há relação entre o fenômeno de erosão com as obras no porto, nos disponibilizamos a financiar um novo estudo. Para nós, da Prumo, essa parceria entre a empresa, governos e comunidade é muito importante. Também queremos saber o motivo da erosão e que essa situação seja reparada”, pontuou.
 
Também participaram da reunião o secretário de governo de São João da Barra, Antônio Neves, e o Secretário de Meio Ambiente do município, Sidney Salgado.
 
Assecom do parlamentar
 
FONTE: http://blogclaudioandrade.blogspot.com.br/2014/12/recuperacao-da-orla-do-acu-contara-com.html

Salinização no entorno do Porto do Açu: evidências teimam em desmentir versões oficiais

A contaminação de sal que foi causada pela construção pelo aterro hidráulico que circunda o Porto do Açu é furiosamente desmentida toda vez que se fala na persistência do problema que teve seu momento agudo em novembro de 2011. De lá para cá, já se ouviu tantos dos donos do Porto do Açu, atualmente a Prumo Logística, como dos técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) que o incidente da salinização foi pontual, tanto temporal como espacialmente.

Como sou geógrafo e conhecido minimamente o funcionamento dos ecossistemas nunca acreditei nessa versão, mesmo porque tenho encontrado evidências de que o problema não foi pontual e que seus efeitos continuam persistindo nas áreas mais afetadas pela intrusão de água salina.

Mas tudo bem, as pessoas podem achar minha opinião suspeita já que sou visto como um crítico do Porto do Açu. Eis que agora um grupo de pesquisadores da UENF está atuando num projeto que os levou a encontrar na região da Barra do Açu famílias que estão reclamando e pedindo ajudando para que se verifique de forma mais apurada os impactos da salinização em suas propriedades já que de 2011 para cá muitas áreas se tornaram impróprias para a prática da agricultura. E como os sintomas que os agricultores estão apontando são similares aos causados por excesso de sal, não é preciso ser nenhum Einstein para formular a hipótese de que passamos da fase aguda do problema para a crônica. A questão é que seja rápida ou lentamente, o prejuízo econômico não cessou e continua se acumulando.

Um dos desafios da ciência é produzir evidências empíricas que resistam às tentativas de descrédito que normalmente ocorrem quando determinados resultados vão de encontro aos interesses das corporações e de seus aliados dentro do aparelho de Estado.  Além disso, o tempo da ciência é sempre mais lento do que os dos afetados por este tipo de evento.  Ai se cria a percepção de que a universidade não está preocupada ou antenada com os problemas da vida real, sendo quando muito uma torre de marfim que pouco retorno à sociedade.

No caso da salinização causada pelo aterro hidráulico do Porto do Açu essa percepção é até correta, pois noto que os esforços acadêmicos de documentar o problema têm ficado aquém das necessidades dos afetados. Mas com  o tipo de evidência empírica que as famílias que continuam resistindo e praticando agricultura no V Distrito de São João da Barra, é bem provável que esta novela da salinização ainda venha a ter novos e emocionantes capítulos. E uma coisa é totalmente certa: a novela ainda não acabou!

População protesta contra mortes de negros pela polícia…. nos EUA!

Enquanto as viúvas da ditadura militar ficam ameaçando ir embora para Miami, ocorre nos EUA um forte movimento de repulsa a diversos casos de assassinatos de homens negros nas mãos de policiais. A repulsa é maior porque a justiça norte-americana vem repetidamente isentando os policiais envolvidos nas mortes de passarem por processos judicais, em que pesem as evidências de violência excessiva contra os mortos que, em comum, eram homens negros e pobres.

A dimensão e a duração desses protestos ainda está sendo avaliadas, mas o certo é que ontem de noite (04/12), Nova York foi tomada por uma gigantesca manifestação que paralisou as principais pontes que ligam a cidade ao continente, numa manifestação que juntou pessoas de origens étnicas distintas e que protestavam contra a persistência de casos de mortes de negros. O principal lema dessas manifestações tem sido “Black lives matter!”, o que significa dizer “Vidas de negros importam”.

Vivendo num país como o Brasil onde a polícia mata muito mais negros pobres do que nos EUA, eu fico imaginando quando é sairemos da posição de autorização tácita que as classes médias brancas dão para o extermínio de jovens negros e pobres nas grandes cidades brasileiras para algo parecido com o que está em ebulição na terra da Disnelândia para onde tantas dessas famílias abastadas gostam de levar seus filhos. Mas confesso que não espero nenhuma mudança significativa durante a minha própria vida. Acho que dadas as estruturas econômicas e sociais que persistem no Brasil, a maioria negra da nossa população continuará sendo tratada e contida por meio da violência e do extermínio.

Por outro lado, há que se notar que as tais ações afirmativas implantadas nos EUA serviram quando muito para criar uma pequena classe média negra, enquanto a maioria dos negros continua vivendo na pobreza extrema e submetida ao extermínio nas mãos do Estado.  Aliás, números recentes mostram que a disparidade de renda entre brancos e negros nos EUA é hoje maior do que aquela que existia na África do Sul durante o regime racista do Apartheid. Em suma, políticas afirmativas, das quais as cotas raciais são o carro chefe, não deram certo no país que as criou. Vão dar certo no Brasil? Dificilmente!

Ex- secretário de meio ambiente vira réu por favorecer MMX… em Minas Gerais

Adriano Magalhães vira réu por prevaricação

 Bruno Porto – Hoje em Dia

Flávio Tavares – 19/9/2012

Adriano Magalhães vira réu por prevaricação
Adriano Magalhães Chaves teria retardado processos contra a MMX, acusa o MP

O juiz da 8ª Vara Criminal de Belo Horizonte acatou denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MP) contra o ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Adriano Magalhães Chaves e outros quatro ex-funcionários da pasta. Todos são suspeitos de prevaricação. Adriano Magalhães foi titular do Meio Ambiente durante a gestão do ex-governador Antonio Anastasia (PSDB).

A denúncia alega que eles “associaram-se para o fim específico de cometer crimes, retardar e deixar de praticar, indevidamente, atos de ofício para satisfazerem interesses pessoais e de terceiros”. Sob o comando do ex-secretário, autos de fiscalização e infração emitidos contra a mineradora MMX, de Eike Batista, teriam sido ocultados, facilitando a emissão das licenças ambientais, afirma o MP. Tais ações também teriam impedido a interrupção das atividades da empresa. Os documentos também não eram lançados no sistema público de informações ambientais.

O processo tramita em segredo de justiça. No site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), consta que o julgamento foi agendado para 27 de fevereiro. A pena prevista para prevaricação é de detenção de três meses a um ano.

O Hoje em Dia teve acesso à denúncia apresentada pelo MP, resultado da “Operação Espeleo”, onde constam trechos de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

As escutas revelaram conversas em que a Subsecretária Estadual de Gestão e Regularização Integrada, Maria Cláudia Pinto, que também é ré no processo, afirma que estava “enrolando” o MP, e que o embargo das obras da MMX nas minas em Serra Azul, solicitado após vistorias, não ocorreu porque Adriano Magalhães teria impedido.

A denúncia alega que pelo menos três autos de infração foram lavrados após vistoria no chamado Sistema Serra Azul da mineradora, onde duas minas operavam em uma área que pertence a três municípios: Igarapé, São Joaquim de Bicas e Brumadinho. Todos solicitavam o embargo das obras pelo potencial de causar danos irreparáveis ao patrimônio cultural e natural. O local é rico em cavernas e material espeleológico.

O primeiro auto de infração solicitando a paralisação das atividades foi lavrado em 27 de julho de 2012 após analistas ambientais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) fiscalizarem o empreendimento. Em 13 de dezembro de 2013, nova fiscalização apontou supressão de quatro grutas e, em outras três, a averiguação foi impossibilitada por se encontrarem em área de grande instabilidade.

Os técnicos concluíram que a degradação se agravou pelo não embargo das atividades, determinado há mais de um ano, e emitiram novo auto de infração. Até o dia 31 de março de 2014, a MMX não havia recebido qualquer notificação ou sofrido embargo das atividades, segundo a denúncia. A Semad sustenta que as atividades foram embargadas em fevereiro de 2014.

Defesa dos acusados alega que os clientes são inocentes

Registrado como um dos sete advogados que fazem a defesa do ex-secretário de Meio Ambiente Adriano Magalhães, Leandro Costa Bandeira, que também defende a subsecretária de Gestão e Regularização Integrada, Maria Cláudia Pinto, disse que tanto o processo judicial quanto as interceptações telefônicas, embora autorizados pela Justiça, são ilegais.

“Vou me limitar a dizer isso (sobre a ilegalidade e falta de fundamento da ação) e discutir e tratar essas questões no processo”, disse. A MMX foi procurada, mas optou por não se manifestar.

Também são réus na ação Anderson Marques Martinez Lara, Luciano Junqueira de Melo e Diego Koiti de Brito Fugiwara. O advogado Jean Gabriel Perboyre Guimarães Starling faz a defesa de Anderson e argumenta que seu cliente apenas cumpriu suas funções. “O Anderson é o que tem o menor grau hierárquico entre os envolvidos. Ele não fez nada além de sua função. Entregou os documentos para seus superiores e aguardou retorno. Se tratava de um caso onde era necessária orientação de cima porque não havia caso semelhante registrado”, disse.

Diego Koiri é representado pelo advogado Leonardo Augusto Marinho Marques, que sustenta a inocência de seu cliente. “Como consta na denúncia, os documentos ficaram apenas 11 dias com o Diego e foram entregues à subsecretária (Maria Cláudia Pinto), que demorou meses para responder ao pedido de orientação. Quem segurou o documento é que tem que explicar os motivos, e não o Diego”, disse.

A defesa de Luciano Junqueira, feita pelo advogado Michel Reiss, preferiu não comentar o caso publicamente.

O Hoje em Dia tentou contato com Adriano Magalhães, que não atendeu aos telefonemas. O ex-secretário assumiu a Semad em janeiro de 2011, onde ficou até 2014. No dia 4 de abril deste, ano foi nomeado chefe da Assessoria de Desenvolvimento Econômico da Governadoria do Estado, cargo ocupado por apenas cinco dias. Em 9 de abril, um dia antes de o MP oferecer a denúncia contra ele à Justiça, o “Minas Gerais”, Diário Oficial do Estado, publicou ato do governador anulando sua nomeação.

Adriano ainda conseguiu uma vaga como suplente no Conselho de Administração da Cemig, cargo que também não ocupa mais.

Atualmente, uma decisão judicial impede que ele e os demais réus assumam cargos públicos. O sucessor de Adriano Magalhães na Secretaria de Meio Ambiente saiu dos quadros do MP. Alceu José Torres Marques era procurador-geral de Justiça de Minas Gerais antes de assumir a Semad.

FONTE: http://www.hojeemdia.com.br/noticias/adriano-magalh-es-vira-reu-por-prevaricac-o-1.286059

Moradores de Conceição de Mato fecham estrada para protestar contra problemas causados pelo mineroduto da Anglo American

Protesto Mineroduto

Os problemas causados pela operação do mineroduto Minas-Rio da Anglo American estão causando um sério conflito sócio-ambiental entre a corporação multinacional e os moradores que tradicionalmente habitam áreas do município de Conceição de Mato Dentro (MG)  por onde o minério de ferro deverá ser transportado em direção ao Porto do Açu em São João da Barra (RJ).

O relato  e as fotos abaixo foram  enviadas  pela Vanessa (moradora da comunidade do TURCO- DISTRITO DE SÃO SEBASTIÃO DO BOM SUCESSO, – CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO ) hoje,  dia 04/12. às 06 horas da manhã.

Hoje 04/12 as 05 da manhã. Se iniciou o segundo dia consecutivo de manifestações da comunidade Turco e Cabeceira do Turco em São Sebastião do Bom Sucesso -Conceição do Mato Dentro – MG. contra a mineradora Anglo American. Moradores interditam as vias da MG 10 km 180  neste momento, que da sentido a mina da empresa pelo segundo dia consecutivo pedindo soluções para os tremores q estão ocorrendo em suas residências com a passagem do minério. Fora a poeira e a falta de água potável. 

 Já que na manifestação realizada ontem nenhum representante da empresa apareceu para conversar com as comunidades os moradores resolveram parar mais uma vez o tráfego que dá sentido a mina” (Aqui!)

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Porto do Açu: qual das maquetes é a que mostra o real?

O Porto do Açu, empreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista e hoje o tem como sócio-minoritário, já teve várias maquetes, as quais mudaram ao sabor das idas e vindas dos potenciais interessados em ocupar sua retroárea.  Que as maquetes do Porto do Açu mudam como a maré que consome a Praia do Açu não é nenhuma novidade. Mas confesso que certas versões ainda me deixam com a perspectiva de que ainda há mais desejo do que realidade no que a atual operadora do empreendimento, a Prumo Logística, mostra em suas apresentações corporativas direcionadas a atrair novos interessados para alugar terras para realizar suas atividades.

Coloco dois exemplos abaixo que mostram um visão bem diferente de a quantas anda o Porto do Açu.  A primeira foi tirada de um apresentação corporativa preparada pela Prumo Logística em julho de 2014 e mostra vários parceiros de peso que estariam atuando ou em vias de atuar dentro do porto.

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A segunda maquete consta de um panfleto voltado a orientar regras de segurança para operários que atuam trabalhando das obras de instalação do Porto do Açu, e já é bem menos abundante em termos de logotipos famosos, o que demonstra que a maquete acima pode estar mais no campo dos desejos do que da realidade objetiva do empreendimento. Uma coisa que eu não entendi na maquete abaixo é a manutenção do logotipo da LLX, já que a empresa teria sido sucedida pela Prumo. Mas como existiam várias “LLX”, há sempre a possibilidade de que uma delas sobreviveu e é parceira da Prumo no Porto do Açu.

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Um detalhe curioso que eu notei na maquete 2 é que dentro do Porto do Açu existe uma área que recebeu a curiosa denominação de “Canteirópolis”, onde estão agrupadas empresas como a Acciona, Carioca Engenharia, Boskalis e a própria Prumo.

Finalmente, é igualmente curioso que panfletos com rotas de fuga estivessem espalhados esta manhã pela Avenida 28 de Março, Eu fico imaginando se os reais alvos dessa campanha educativa acabaram tendo acesso ao material. De todo jeito, quis o destino que eu recolhe pelo menos um para escanear a maquete 2 que serve para tão bem ilustrar esta postagem. 

Brasileiro consome 5,2 litros de agrotóxico por ano

Fernando Frazão/ABr

Ativistas participam de ato no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos

Ativistas participam de ato no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos

Vladimir Platonow, da AGÊNCIA BRASIL

Rio de Janeiro – O Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos, cabendo a cada brasileiro o consumo médio de 5,2 litros de veneno agrícola por ano.

O dado foi divulgado hoje (3) por ambientalistas, quando é celebrado o Dia Internacional da Luta contra os Agrotóxicos. A data lembra a tragédia ocorrida há 30 anos, na cidade de Bhopal, na Índia, quando uma fábrica da Union Carbide, atual Dow Chemical, explodiu, liberando toneladas de veneno no ar, matando nas primeiras horas 2 mil pessoas e vitimando de forma fatal outras milhares nos dias seguintes.

A data foi lembrada em diversas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro foi organizado um protesto, na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores.

O integrante da coordenação nacional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida Alan Tygel criticou o modelo agrícola brasileiro, dirigido à exportação e altamente dependente de agrotóxicos.

“Nós, aqui no Brasil, estamos desde 2008 na liderança como os maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Isso por conta do modelo adotado pelo país, do agronegócio. O Brasil se coloca no cenário mundial como exportador de matérias primas básicas, sem nenhum valor agregado, como é o caso da soja, do milho e da cana. São produtos que ocupam a maior parte da área agricultável brasileira, à medida em que a superfície para alimentos básicos vem diminuindo”, destacou o ativista.

Segundo ele, o país é campeão no uso de agrotóxicos, com consumo per capita de 5,2 litros por habitante ao ano.

“Mas isso não é dividido de forma igual. Se pegarmos municípios do Mato Grosso, por exemplo, como Lucas do Rio Verde, lá se consome 120 litros de agrotóxicos por habitante”, alertou Tygel. Os ambientalistas querem o fim da pulverização aérea – medida já praticamente banida em toda Europa -, o fim da comercialização de princípios ativos proibidos em outros países e o fim da isenção fiscal para os agrotóxicos.

“Uma das nossas bandeiras é o fim da pulverização aérea, pois uma pequena parte do agrotóxico cai na planta, e a grande parte cai no solo, na água e nas comunidades que moram no entorno. Temos populações indígenas pulverizadas por agrotóxicos, que desenvolveram uma série de doenças, desde coceiras e tonteiras até câncer e depressão, levando ao suicídio e à má formação fetal”, enfatizou Tygel.

Além disso, ressaltou que o meio ambiente é fortemente impactado, com extinção em massa de diversas espécies de insetos, como abelhas, repercutindo na baixa polinização das plantas e na produção de mel.

Também as águas são contaminadas com moléculas absorvidas pelos animais e pelo ser humano, levando a uma série de doenças, que muitas vezes são passadas das mães para os filhos. Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas na página www.contraosagrotoxicos.org.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/brasileiro-consome-5-2-litros-de-agrotoxico-por-ano

Lucro de empresas e bancos está à frente da segurança alimentar

Por João Pedro Stedile

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O Brasil consome mais de um bilhão de litros de venenos agrícolas por ano. Isso representa 20% de todos os venenos consumidos no mundo, embora sejamos responsáveis por apenas 3% da produção agrícola mundial.

Despejamos 15 litros de venenos por hectare cultivado. Essa realidade não tem paralelo com nenhuma agricultura do mundo, nem há nenhum manual de agronomia que faça tal recomendação.

Esses venenos de origem química são produzidos por poucas grandes empresas transnacionais. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), somente as dez maiores empresas do setor foram responsáveis por 75% das vendas de agrotóxicos na última safra.

Isso lhes permite a maior taxa de lucro do mundo: US$ 8,5 bilhões de dólares na safra 2010/2011, e ainda desovam por aqui seus estoques de venenos proibidos em outros países.

Os venenos matam. Matam a biodiversidade existente na natureza, já que o agronegócio visa ao monocultivo absoluto, seja de soja, milho, algodão, cana ou pastagem extensiva. Mata os nutrientes, empobrece o solo e contamina o lençol freático fazendo com que muitas cidades com poço artesiano encontrem resíduos inaceitáveis para o consumo humano.

Os venenos também contaminam as chuvas. Quando o veneno secante não é absorvido, sobe para atmosfera e volta democraticamente para todos habitantes com a chuva. Mas, sobretudo, os venenos contaminam nossos alimentos. A Anvisa faz testes por amostragem apenas em algumas cidades a cada seis meses.

Mesmo com os níveis alarmantes, nenhum supermercado cumpre a lei do consumidor, que obriga que o rótulo ou a gôndola dos produtos avisem que aquele alimento é transgênico ou possui veneno.

Resultado: segundo os cientistas do Inca (Instituto Nacional do Câncer), a cada ano, 500 mil brasileiros são acometidos por câncer, grande parte originário dos venenos dos alimentos. Quase metade destes brasileiros irá a óbito.

Em todos os países da Europa a pulverização aérea de veneno é proibida. Aqui no Brasil, porém, é a mais usada, causando todo tipo de consequência à natureza, aos rios e às pessoas. No ano passado, uma escola rural de Goiás foi atingida, causando problemas a centenas de crianças.

Na Holanda, por exemplo, já está proibido o uso do Glifosato, o mais usado no Brasil. Cientistas conseguiram comprovar que os agrotóxicos causam alterações genéticas e aumentam as probabilidades de contrair câncer, sofrer abortos espontâneos e nascimentos com malformações.

O Brasil consome 20% de todos os venenos do mundo, embora sejamos responsáveis por apenas 3% da produção agrícola mundial. João Pedro Stedile, membro da coordenação nacional do MST, sobre o uso de agrotóxicos

O Brasil, no entanto, caminha no sentido contrário da modernidade e da proteção da vida. Porque aqui, o lucro das empresas transnacionais e dos bancos que as financiam vem em primeiro lugar. E, ainda mais, o agronegócio tem hegemonia completa na mídia brasileira, que todo dia faz sua propaganda ideológica.

O Ministério da Agricultura, em vez de ser rigoroso no controle dos venenos, os libera – como é o caso do chamado D-4, proibido na maioria dos países. No Congresso Nacional, o agronegócio também tem hegemonia, com os deputados ruralistas se orgulhando desse modelo. Havia um deputado, líder ruralista, que defendia com entusiasmo o uso de agrotóxicos, alegando progresso e modernidade para agricultura. Deixou de fazê-lo. Há dois anos, Homero Pereira morreu de câncer no estômago.

A Esplanada dos Ministérios, por sua vez, justifica o apoio ao agronegócio pelo valor das exportações agrícolas, como se sustentassem nossa economia. Ledo engano. Nenhum país do mundo se desenvolveu exportando commodities agrícolas e minerais. Enquanto o agronegócio brasileiro representa 3% do comércio mundial agrícola, na Holanda, com seu “enorme” território, essa cifra é o dobro, porque compra nossas matérias-primas, as industrializa e revende a outros países.

Por essa realidade, que organismos internacionais, entidades de saúde pública e os movimentos camponeses de todo mundo declararam o dia 3 de dezembro como o Dia Mundial de Combate ao Uso de Agrotóxico.

Ajude a salvar vidas (inclusive a sua), vegetais, animais. Exija que o supermercado coloque no rótulo se tem ou não agrotóxico. Exija que o governo não permita, ao menos, os venenos já proibidos em outros países. E potencialize a fiscalização da Anvisa.

Cuide de sua saúde, e não se iluda com a cantilena do agronegócio e das empresas fabricantes de venenos, que somente querem o lucro, mesmo que para isso tenham que lhe enviar a um hospital.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/12/03/lucro-de-empresas-e-bancos-esta-a-frente-da-seguranca-alimentar.htm

UENF: ah, se o meu bandejão falasse!

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A obra do restaurante universitário (bandejão) da UENF é provavelmente merecedora de estar no livro de recordes do Guinness, mas as razões não são exatamente gloriosas. É que a construção deste esperado restaurante, que teima em começar a não servir a tão esperada comida, completou seis anos inglórios no último mês de novembro! Isso mesmo! Esta obra teve seu início no cada vez mais distante novembro do também rapidamente longínquo ano de 2008!!

De lá para cá um montante desconhecido de recursos foi consumido para, convenhamos, dar vida a um prédio que não tem nada de especial em termos de beleza, e que contém vários problemas graves que vão tornar sua operação algo complexo para quem quer que seja que se disponha a pô-lo para funcionar.

No meio disso estão as diferentes gestões que ocuparam a reitoria da UENF que vêm dando um show de incompetência (ou teria sido tudo parte de um plano maquiavélico?) já que a obra está passando pelo segundo reitor, sem que se saiba exatamente quando o restaurante vai começar a funcionar, em que pesem os vários milhões que já foram colocados numa obra cujos um dos exemplos de mal uso de recursos é telhado composto pelas anti-ecológicas telhas eternite feitas de amianto.

Aliás, o atual reitor, Silvério Freitas, chegou até a assinar um documento durante a última greve em meio a uma greve de fome de dois estudantes se comprometendo a fazer o bandejão funcionar no reinício das aulas do segundo semestre de 2014. Mas, como sempre, mais esta promessa não foi cumprida, e com o agravante de que explicações plausíveis jamais foram oferecidas à comunidade universitária da UENF.

A minha maior preocupação é que faltando apenas 15 dias para o início do recesso de fim de ano, a abertura do bandejão acabe sendo jogada para 2015. E como o orçamento do próximo ano é uma incógnita, sabe-se lá se haverão recursos para garantir o oferecimento de refeições subsidiadas aos estudantes que, afinal, serão os principais usuários do bandejão.

De toda forma, a impressão que se tem é que se os estudantes não se mobilizarem rapidamente, o bandejão da UENF ainda romperá outros recordes negativos até que alguma refeição seja servida lá dentro e com um mínimo de qualidade. 

Em nota conjunta, Fiocruz, Inca e Abrasco já alertaram em 2013 para o risco do uso de agrotóxicos

Três das mais importantes instituições ligadas à saúde pública no Brasil divulgaram uma nota oficial que alerta sobre o perigo do uso de agrotóxicos. O texto é também um repúdio às declarações do diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, e de Ângelo Trapé, da Unicamp, veiculadas na revista Galileu de setembro de 2013, que atentam contra a qualidade científica das pesquisas desenvolvidas nessas instituições.

Veja a íntegra da nota:

Historicamente, o papel da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) é de produção de conhecimento científico pautado pela ética e pelo compromisso com a sociedade e em defesa da saúde, do ambiente e da vida. Essas instituições tiveram e têm contribuição fundamental na construção e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

Quando pesquisas desenvolvidas nas referidas instituições contrariam interesses de negócios poderosos, incluindo o mercado de agrotóxicos, que movimenta anualmente bilhões de reais, eventualmente elas sofrem ataques ofensivos que, transcendendo o legítimo debate público e científico, visam confundir a opinião pública utilizando subterfúgios e difamações para a defesa e manutenção do uso de substâncias perigosas à saúde e ao meio ambiente.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco não se eximem de seus papéis perante a sociedade e cumprem a missão de zelar pela prevenção da saúde e proteção da população. Por esta razão têm se posicionado claramente no que diz respeito aos perigos que os agrotóxicos e outras substâncias oferecem à saúde e ao meio ambiente. Desde 2008, o Brasil lidera o ranking de uso de agrotóxicos, o que gera um contexto de alto risco e exige ações prementes de controle e de transição para modelos de produção agrícola mais justos, saudáveis e sustentáveis.

As pesquisas sociais, clínicas, epidemiológicas e experimentais desenvolvidas a partir de pressupostos da saúde coletiva, em entendimento à complexa determinação social do processo saúde-doença, envolvem questões éticas relativas às vulnerabilidades sociais e ambientais que necessariamente pertencem ao mundo real no qual as populações do campo e das cidades estão inseridas.

Neste sentido, a Fiocruz, o Inca e a Abrasco estão seguros do cumprimento de seu papel. Portanto, repudiam a acusação de que são guiados por um “viés ideológico” e sem qualidade científica. As referidas instituições defendem os interesses da saúde pública e dos ecossistemas, em consonância com os direitos humanos universais, e firmados pelos princípios constitucionais que regem o Brasil.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco atuam há décadas em parceria com diversas universidades e institutos de pesquisas, como a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em que atua o professor e pesquisador Wanderlei Pignati – citado em reportagem da revista Galileu mencionada abaixo –, e outros que desenvolvem pesquisas sobre os impactos dos agrotóxicos e de micronutrientes na saúde e no ambiente que são idôneas, independentes, críticas, com metodologias consistentes e livres de pressões de mercado. Tais pesquisas vêm revelando a gravidade, para a saúde de trabalhadores e da população em geral, do uso de agrotóxicos, e reforçam a necessidade de medidas mais efetivas de controle e prevenção, incluindo o banimento de substâncias perigosas já proibidas em outros países e o fim da pulverização aérea.

O Dossiê Abrasco – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde registra e difunde a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no Brasil e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos na saúde pública e na segurança alimentar e nutricional da população.

Os agrotóxicos podem causar danos à saúde extremamente graves, como alterações hormonais e reprodutivas, danos hepáticos e renais, disfunções imunológicas, distúrbios cognitivos e neuromotores e cânceres, dentre outros. Muitos desses efeitos podem ocorrer em níveis de dose muito baixos, como os que têm sido encontrados em alimentos, água e ambientes contaminados. Além disso, centenas de estudos demonstram que os agrotóxicos também podem desequilibrar os ecossistemas, diminuindo a população de espécies como pássaros, sapos, peixes e abelhas. Muitos desses animais também desempenham papel importante na produção agrícola, pois atuam como polinizadores, fertilizadores e predadores naturais de outros animais que atingem as lavouras. O Dossiê Abrasco cita dezenas dos milhares de estudos publicados em periódicos científicos nacionais e internacionais de renome que comprovam esses achados.

É direito da população brasileira ter acesso às informações dos impactos dos agrotóxicos. Faz-se necessário avançar na construção de políticas públicas que possam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados negativamente pelos agrotóxicos, assim como fortalecer a regulação do uso dessas substâncias no Brasil, por meio do SUS.

Nesse sentido, a Fiocruz, o Inca e a Abrasco repudiam as declarações do diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, e de Ângelo Trapé, da Unicamp, veiculadas na revista Galileu nº 266, edição de setembro de 2013, e também na entrevista divulgada nosite da publicação, que atentam contra a qualidade científica das pesquisas desenvolvidas nessas instituições e, em especial, contra o Dossiê Abrasco – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde.

As palavras do diretor-executivo da Andef, que tentam desqualificar e macular a credibilidade dessas instituições, são inéditas, dado o prestígio nacional e internacional e a relevância secular que temos na área da pesquisa e formulação de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação em saúde, bem como na formação de profissionais altamente qualificados.

A Andef é uma associação de empresas que produzem e lucram com a comercialização de agrotóxicos no Brasil. Em 2010, o mercado dessas substâncias movimentou cerca de US$ 7,3 bilhões no país, o que corresponde a 19% do mercado global de agrotóxicos. As seis empresas que controlam esse segmento no Brasil são transnacionais (Basf, Bayer, Dupont, Monsanto, Syngenta e Dow) e associadas à Andef. As informações sobre o mercado de agrotóxicos no Brasil, assim como a relação de lucro combinado das empresas na venda de sementes transgênicas e venenos agrícolas, estão disponíveis no referido Dossiê Abrasco – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco não aceitarão pressões de setores interessados na venda de agrotóxicos e convocam a sociedade brasileira a tomar conhecimento e se mobilizar frente à grave situação em que o país se encontra, de vulnerabilidade relacionada ao uso massivo de agrotóxicos.

FONTE: http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/em-nota-conjunta-fiocruz-inca-e-abrasco-alertam-para-o-risco-do-uso-de-agrot%C3%B3xicos