A reinauguração da unidade de experimentação animal da UENF: caso de déjà vu ou simples requentamento de boas novas?

Em meio a essa feriado prolongado me lembrei de uma notícia lançada pela Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual do Nrte Fluminense (UENF) sobre a inauguração de uma unidade de experimentação animal com a presença do Prof. Ruy Garcia Marques, presidente da FAPERJ (Aqui!) no dia 15/04/2014, e comecei a ter uma sensação de déjá vu (que em francês significa “já visto”). Fazendo uma busca no Google, eis que rapidamente achei uma matéria publicada pelo site Ururau onde a notícia é também a inauguração da referida unidade de experimentação animal em 28/06/2011 (Aqui!). 

Como a reitoria da UENF é composta basicamente pelos mesmos membros, o problema aqui não deve ser de esquecimento, mas de uma necessidade total de passar a sensação de que tudo está normal na instituição. Se não fosse pela internet e pelo Google, talvez até conseguissem passar ilesos….

Vejam fotos da inauguração de 2011 e de 2014 apenas para deixar claro que essa situação é mesmo um déjà vu que nada tem de acidental. Afinal, a única coisa que parece ter mudado é que a estrutura que abriga a “Unidade de Experimentação Animal” ganhou um andar extra. Assim, poderia até se falar em reinauguração e nunca de “inauguração”. Mas dai o efeito seria menor, e o presidente da FAPERJ talvez não se sentisse tão lisonjeado.

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Foto da inauguração de 2011

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Foto da “inauguração” de 2014

Mas para quem não se lembra mais, é na “Unidade de Experimentação Animal” que fica localizado o tomógrafo que já mereceu uma matéria bastante controvertida na Revista Somos Assim que mostrou problemas sérios no processo de importação deste equipamento  numa matéria intitulada “Estranha compra de Tomógrafo de empresa de Miami Beach embaça imagem da Uenf” (Aqui!). Aliás, a coincidência maior neste caso é que  tal tomógrafo foi importado com recursos da FAPERJ. Será que nessa visita o presidente da FAPERJ viu o tomógrafo em funcionamentoo ou se ficou apenas nos discursos?

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Por uma mesa sem veneno

“O Veneno está na Mesa 2”, de Sílvio Tendler, foi exibido ontem (16) pela primeira vez no Rio de Janeiro para mais de 600 pessoas. Agora, o filme segue pelo Brasil em exibições organizadas pela Campanha Contra os Agrotóxicos.

por Camila Nobrega e Rogério Daflon



A cada 90 minutos, alguém é envenenado por um agrotóxico no Brasil. O filme “O veneno está na mesa 2” traz à tona uma encruzilhada. Para o diretor do documentário, Silvio Tendler – que tem no currículo trabalhos como “Jango” e “Cidadão do mundo”,  sobre Josué de Castro – está mais do que na hora de o pais fazer uma escolha entre dois caminhos: uma alimentação saudável fruto de uma agricultura familiar ou um modelo com base no agronegócio calcado no trinômio monocultura, baixa empregabilidade e agrotóxicos.

 “Eu comecei a entender o peso da alimentação na vida das pessoas quando soube que tenho diabetes. A partir daí, me dei conta de como o a comida pode levar doenças às pessoas. O  filme “O veneno está na mesa 1″  foi um alerta, mas o de agora traz uma alternativa. Ele te leva a escolher em que mundo você quer viver.  É agora ou nunca mais.” 

Em sessão lotada por mais de 600 pessoas no Teatro Casa Grande, no Rio, nesta quarta-feira (16/4), o documentário de Tendler foi exibido pela primeira vez. A sessão foi dedicada às 5000 vítimas do despejo ocorrido no terreno da empresa Oi, no dia 11 abril, e que até hoje estão sem moradia.

Antes do início do debate pós-filme, o diretor foi aplaudido de pé. O longa suscitou uma ótima discussão inspirada em cenas registradas em diferentes cidades brasileiras, onde a agricultura familiar tem sido pressionada em seu território e seus modos de vida pelo agronegócio. Há situacões tão conflitantes que beiram o absurdo, como aviões de empresas pulverizando suas plantações e, ao mesmo tempo, lançando agrotóxicos em escolas e em culturas de pequenos produtores que não usam nenhum tipo de veneno.

Um dos relatos do documentário é o de uma agricultora que teve um quadro grave de depressão que, ao que tudo indica, foi provocado pelo excesso de exposição a agrotóxicos em longo prazo. O que mais assusta, porém, é exatamente o fato de que não se trata de um caso isolado. Existe um grande problema de subnotificação de contaminações por este tipo de substância, mas, aos poucos, cada vez médicos diagnosticam mais casos de   intoxicações e até câncer entre os trabalhadores do campo.

Luiz Cláudio Meirelles, da Fiocruz, que participou de debate logo após a exibição, lembrou que, recentemente, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária liberou o uso de dois novos insumos químicos já banidos de outros países. No total, as megaplantações brasileiras contam com 14 tipos de agrotóxicos proibidos em outras nações.

A batalha contra os produtos químicos na agricultura, que conta com mais de 80 entidades da sociedade civil na Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, tem adversários de grande peso econômico e político. Por um lado, desde a década de 1960, com a chegada da Revolução Verde ao Brasil e seu pacote tecnológico que aparelhou e endividou pequenos agricultores, a produção de alimentos foi cada vez mais inserida na lógica do capital internacional, calcada também no monopólio.

Para se ter uma ideia, no Brasil, há 130 empresas que comercializam sementes modificadas e agrotóxicos, sendo que seis delas – Monsanto, Dow, Bayer, Basf, Syngenta e Dupont – controlam 68% do mercado. A concentração torna a vida dos agricultores familiares cada vez mais difícil. Além disso, no campo político o direito dos grandes latifundiários também fica assegurado. 120 deputados federais defendem os interesses de grandes fazendeiros – cerca de 40 mil pessoas – no Congresso Nacional. Enquanto isso, aproximadamente 10 parlamentares representam mais de 12 milhões de pessoas que dependem da agricultura familiar e garantem os alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.

Entrevistado no filme, o colombiano Miguel Altieri ressalta que a maior parte da produção agrícola de grandes empresas é para exportação.

“A monocultura produz apenas 30% dos alimentos que comemos. A agricultura camponesa é responsável por 70%. Precisamos dar mais atenção a ela.”

Diferentemente do primeiro volume do “Veneno está na mesa”, nesta nova produção o cineasta aborda não apenas o impacto da agricultura convencional na vida dos brasileiros, mas vai além e mostra alternativas dentro da agricultura familiar que já estão em curso no território brasileiro, como o cultivo orgânico, a agroecologia e os sistemas agroflorestais. No Rio de Janeiro, por exemplo, há um circuito de feiras – orgânicas, agroecológicas e da roça – onde as pessoas podem buscar alimentos mais saudáveis e produzidos de forma mais justa também para os trabalhadores do campo, ampliando os meios de comercialização, aproximando produtor e consumidor e reduzindo os circuitos de distribuição dos alimentos.

Mas a transição no Brasil tem sido difícil. O que está em disputa são modelos econômicos bem distintos. Um caso que ilustra isso é o da Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, onde, segundo dados do filme, 13 mil hectares foram desapropriados por decreto da presidente Dilma Rousseff em prol do agronegócio, em detrimento da produção agroecológica da qual sobrevivem milhares de famílias.

Pela forma como atua no território, em total desrespeito às populações, este modelo de desenvolvimento, cujos tentáculos aparecem não apenas na agricultura, está em xeque. O momento é o do conflito e não se pode deixar de tomar partido nesse caso. Comer também é um ato político.

FONTE: http://www.contraosagrotoxicos.org/index.php/415-por-uma-mesa-sem-veneno

Glenn Greenwald, do caso Snowden, lança site para continuar tratando dos documentos da NSA

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Para quem achava que o jornalista Glenn Greenwald tinha desaparecido de cena após ganhar o prêmio Pulitzer (talvez o maior do jornalismo internacional, se enganou. Além de estar escrevendo um livro para divulgar fatos ainda desconhecidos sobre o escândalo de espionagem envolvendo a National Security Agency (NSA), Greenwald e colaboradores acabam de lançar o site “The Intercept”.

Segundo  que está declarando pelos responsáveis do “The Intercept”,  o site se destina a cumprir dois objetivos básicos, um de curto e outro de longo prazo. O de curto prazo seria oferecer uma plataforma para continuar divulgando documentos vazados por Edward Snowden sobre as atividades ilegais do NSA. O objetivo de longo prazo seria oferecer um tipo de jornalismo independente que tratará de assuntos polêmicos sem se preocupar com quem se revolte ou se sinta alienado.

Para começar os dois objetivos num só artigo, Greenwald já postou um texto sobre o falso Twitter que havia sido criado pela United States Aid Agency (USAID) para fomentar dissidências e promover esforços para subverter o governo cubano.

Quem quiser acessar o “The Intercept” basta clicar (Aqui!).

Leite com formol: Parmalat e Líder anunciam recall

14073688A Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (Seacon) informou nesta sexta (18)  que a empresa LBR – Lácteos Brasil S/A e a Líder Alimentos do Brasil S/A protocolou o recall do leite Parmalat UHT Integral e do leite Líder UHT Integral, fabricados entre os dias 13 e 14 de fevereiro deste ano.

O ministério diz que foi constatada a presença de traços de formaldeído (formol) nos produtos, o que poderá gerar riscos a saúde e à segurança dos consumidores. O cliente deve entrar em contato com o fornecedor para fazer a substituição ou ter o dinheiro devolvido.

Segundo as empresas, a campanha abrange 101.220 produtos Parmalat colocados no mercado de consumo, com numeração de lote, não sequencial, compreendida entre os intervalos L11D00S1 a L11F23S1. Já os produtos Líder abrangem 199.800 caixas colocadas no mercado de consumo, com numeração de lote compreendida entre os intervalos A LOB 11, B LOB 9, C LOB 17, D LOB 04, A LOB 12, B LOB 19, C LOB 18 e D LOB 14. Mais informações podem ser obtidas junto à empresa pelo telefone 0800 011 2222, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, ou pelo e-mail sac@lbr-lacteos.com.br.

O Código de Defesa do Consumidor determina que o fornecedor repare ou troque o produto defeituoso a qualquer momento e de forma gratuita. Se houver dificuldade, a recomendação é procurar um dos órgãos de proteção e defesa do consumidor. Confira aqui as orientações que foram dadas por Patrícia Hassoun, advogada especializada em Defesa do Consumidor, para um caso semelhante (o do leite Elegê).

FONTE: http://omelhordabaixada.com.br/noticias-esportes/leite-com-formol-parmalat-e-lider-anunciam-recall/

JB: Petrobras pede devolução de investimento à Uenf

Por Cláudia Freitas

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Como se não bastasse o clima de protesto na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos, com greve dos estudantes, professores e servidores, a instituição enfrenta agora mais um problema: fontes ligadas instituição revelaram ao Jornal do Brasil  que a Petrobras está demandando o retorno de R$ 700 mil por uma importação feita pela Uenf da Austrália. Segundo essa fonte, o valor é correspondente de uma compra no valor de 500 mil dólares australianos (em torno de R$ 1 milhão) por um equipamento cujo o recibo foi de apenas de 100 mil dólares australianos.

A importação foi feita através de uma empresa de Macaé, também no Norte Fluminense, como informa a fonte. No entanto, a Uenf e a Fundenor, que também está envolvida com a compra, não se entendem sobre quem deveria pagar a diferença para a Petrobras, que destinou os recursos para a universidade.

A fonte contou ainda que uma suposta reunião aconteceu na semana passada entre os representantes das três entidades – Petrobras, Uenf e Fundenor, para discutir a questão e acertar as formas de pagamento, no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES) da UFRJ. A proposta da Uenf seria a devolução da quantia investida pela estatal na forma de prestação de serviços. No entanto, a Petrobras não teria concordado com o acordo e a Uenf ainda não sabe como acertar a dívida. 

Em nota, a Uenf confirmou que há convênio entre a universidade, a Fundenor e a Petrobras, para a montagem de um laboratório de modelagem de poços de águas profundas. Assim, havia a previsão para a importação de um equipamento inovador, adquirido de uma universidade australiana, a Curtin University. “Esta universidade, por não ser uma empresa acostumada a realizar exportações, errou ao emitir a papelada que acompanhou o equipamento. O erro foi indicar um valor inferior ao que constava na invoice previamente contratada”, explica no comunicado o diretor da Agência UENF de Inovação, Ronaldo Paranhos.

A nota informa ainda que a Receita Federal detectou o problema na liberação pela alfândega brasileira – “mas concluiu que não houve a intenção de sub-faturamento, que poderia constituir crime, mas aplicou uma multa no valor de R$ 242.162,05 a título de improbidade, tendo liberado o equipamento”, esclarece o comunicado da universidade. 

A direção da Uenf alega que, juntamente com a Fundenor, contactaram a Curtin University para esclarecer a questão e renegociar a compra do equipamento, já que a instituição teve que efetuar a dívida com a Receita Federal. “Foi solicitado o não pagamento da terceira parcela do equipamento, que representava 20% do total contratado, no valor de AUS$ 88,000 dólares australianos. Este valor não foi pago à Curtin, como forma de ressarcimento aos prejuízos ocorridos”, afirma a Uenf.

De acordo com a Uenf, o valor da multa foi pago com recursos do convênio. “Fato é que desde 2010 o referido equipamento encontra-se instalado e em funcionamento no LENEP-CCT-UENF”, afirma a instituição. A Uenf confirmou também que foi questionada pela Petrobras sobre o pagamento da multa e alertou que ela não deveria ter sido efetuada com os recursos do convênio, assim como está solicitando o retorno do valor referente, de R$ 242.162,05 à Fundenor, que realizou o procedimento de importação. “A Uenf é citada como solidária, como de fato o é”, afirma a direção da entidade educacional.

Confirmou ainda que as três entidades (Uenf, Fundenor e Petrobras) estão conversando sobre o esclarecimento e o acerto da questão. “Houve sim reunião nesta segunda, 15 de abril, no CENPES-PETROBRAS, onde foi dada continuidade para se chegar a uma solução definitiva da questão. Já entre a UENF e a FUNDENOR, diferente do afirmado, não existe qualquer dúvida ou falta de entendimento sobre o tema. A Uenf ressalta a parceria que mantém com a Fundenor desde 1993, quando se instalou em Campos dos Goytacazes, e está solidária na busca da melhor solução para a questão. Dessa forma, também é fato que tem ocorrido reuniões entre o staff técnico e jurídico da Fundenor e da Uenf para o esclarecimento e solução da questão. Por fim, cabe salientar que o assunto não se encontra concluído, ou seja, está em andamento, está sendo conduzido de uma forma técnica entre as três instituições”, diz o comunicado.

Jornal do Brasil entrou em contato com a Petrobras para confirmar as informações, mas até o fechamento dessa matéria não houve nenhum retorno.

A greve

A greve na Uenf e Fundenor dura mais de um mês e atinge os três segmentos das entidades: professores, servidores e estudantes. Cerca de 3.500 alunos, 600 servidores técnicos-administrativos e 300 professores cruzaram os braços para revindicar a reposição de 86,7% de perdas salariais e correção pontual na tabela salarial para favorecer servidores de níveis elementar, fundamental e médio, no caso dos servidores e professores. Já os universitários pedem a abertura imediata do bandejão, aumento do valor das bolsas acadêmicas e concessão de auxílio moradia.

Os grevistas realizaram uma manifestação nesta quarta-feira (16/4) em uma das principais vias expressas de acesso à Campos, a BR-101, fechando um trecho da estrada. Desde a semana passada, estudantes estão acampados em frente ao prédio da reitoria e já realizaram diversos protestos e passeatas pela cidade. Agora, eles ameaçam fechar novamente uma das principais estradas de acesso à Campos, a BR-101. A decisão foi tomada em uma assembleia realizada no início dessa semana, pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/Uenf).

Dois estudantes chegaram a fazer greve de fome. Eles reivindicam o funcionamento do Restaurante Universitário (conhecido como Bandeijão), auxílio-moradia e aumento do valor das bolsas universitárias. Na quinta-feira (10), os estudantes suspenderam a greve de fome após a reitoria da Uenf apresentar um ofício se comprometendo a atender as reivindicações. Segundo o documento, o bandejão será aberto no segundo semestre do ano letivo, assim como será efeutado o reajuste de R$ 100,00 nas bolsas, que passariam para R$ 400,00, valor praticado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e a liberação de recursos para auxílio-moradia. Mas os alunos dissem que a ocupação deve continuar até o cumprimento das promessas. 

O movimento unificado de greve tem a participação da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf), a Associação dos Servidores da Fenorte/Tecnorte (Asfetec) e do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades (Sintuperj). As categorias têm pautas distintas, sendo que a principal reivindicação é reajuste salarial.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/04/20/petrobras-pede-devolucao-de-investimento-a-uenf/

Eike Batista diz que não está preocupado com investigação da PF. Verdade ou apenas outro blefe?

A matéria abaixo foi produzida pelo O ESTADO DE SÃO PAULO e repercutida pela Revista Exame, e nos dá conta que Eike Batista não estaria preocupado com a investigação aberta pela Polícia Federal para apurar possíveis crimes que ele teria cometida contra a ordem financeira.

Segundo consta da matéria, após ser indagado sobre a abertura do processo, Eike Batista teria declarado que “É excelente que tudo seja esclarecido” e que “”Estou muito calmo. Deixemos que eles investiguem”.

Bom, das duas, uma: ou Eike Batista acha isso mesmo, ou este é apenas um daqueles blefes que o colocaram na posição incômoda em que ele se encontra neste momento. A ver!

Eike Batista diz não estar preocupado com investigação

“É excelente que tudo seja esclarecido”, disse Batista em entrevista pelo telefone à Agência Dow Jones

FERNANDO FRAZAO

Eike Batista, presidente da holding EBX

 “É excelente que tudo seja esclarecido”, disse Batista em entrevista pelo telefone à Agência Dow Jones. “Estou muito calmo. Deixemos que eles investiguem”, acrescentou

 

São Paulo – O empresário Eike Batista não está preocupado com a investigação anunciada na quinta-feira pela Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro por crimes financeiros enquanto estava à frente da petroleira OGX, posteriormente rebatizada Óleo e Gás Participações (OGP). “É excelente que tudo seja esclarecido”, disse Batista em entrevista pelo telefone à Agência Dow Jones. “Estou muito calmo. Deixemos que eles investiguem”, acrescentou.

Eike Batista afirmou ainda que não foi procurado pela Polícia Federal e negou que tivesse cometido qualquer crime. Ele reconheceu que vendeu ações da OGX no passado, mas observou que sempre informou as autoridades reguladoras sobre tais transações. “Todas as vendas foram declaradas”, afirmou. “Tudo relacionado as minhas companhias abertas sempre foi revelado ao mercado”.

Sem citar o nome do empresário, a Polícia Federal disse em nota que abriu inquérito no dia 17 de abril para investigar o uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro pelo acionista controlador de uma companhia do setor de petróleo. O pedido à PF foi embasado nas conclusões do relatório elaborado pela CVM e encaminhado ao MPF no dia 19 de março. Eike será julgado na esfera administrativa e tem até 14 de maio para apresentar defesa.

A área técnica da CVM concluiu no mês passado que Eike deve ser responsabilizado por ter negociado ações com uso de informação privilegiada, por manipulação de preços e por prática não equitativa.

Os dois primeiros são crimes contra o mercado de capitais. São crimes que preveem pena de prisão de um até oito anos, além do pagamento de multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

Eike Batista, que chegou a ser o homem mais rico do Brasil, viu sua fortuna desmoronar em mais de US$ 30 bilhões durante o ano de 2012, para menos de US$ 1 bilhão hoje, depois de a petroleira OGX não conseguir atingir as metas de produção e entrar com pedido de recuperação judicial, arrastando outras companhias de seu império.

O OGX entrou com pedido de recuperação judicial em novembro do ano passado e tornou-se o maior colapso financeiro da América Latina. Em fevereiro a OGX, já renomeada OGP, entregou um plano de recuperação, liderado pelos seus maiores credores externos, incluindo a Pacific Management Investment Co., que concordou investir US$ 215 milhões na companhia e trocar cerca de US$ 5,8 bilhões de dívida por ações.

Eike Batista tem mais de 50% de participação na OGP. Se o plano de recuperação for aprovado, sua participação na companhia será reduzida para 5,2%.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/eike-batista-diz-nao-estar-preocupado-com-investigacao

Justiça considera Zara responsável por escravidão e empresa pode entrar na ‘lista suja’

 

Anali Dupré/Repórter Brasil
Em sentença, juiz afirma que houve na terceirização “fraude escancarada” e que subordinação é clara. Empresa diz que irá recorrer e insiste em culpar intermediária

Por Daniel Santini, Da Repórter Brasil

A tentativa da Zara de anular na Justiça os autos de infração da fiscalização que resultou na libertação de 15 trabalhadores em condições análogas às de escravos em 2011 fracassou na primeira instância. O juiz Alvaro Emanuel de Oliveira Simões, da 3ª Vara do Trabalho de São Paulo, negou na última sexta-feira, dia 11, recurso da empresa nesse sentido e cassou a liminar que impedia a inserção no cadastro de empregadores flagrados mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Secretaria de Direitos Humanos, a chamada “lista suja” da escravidão.

Em sua decisão (leia na íntegra), o magistrado afirma que, como defendido pela Advocacia-Geral da União, a empresa tem sim responsabilidade direta pela situação constatada, critica a tentativa da Zara de caracterizar os costureiros resgatados como empregados da empresa intermediária Aha e classifica a maneira como a terceirização dos trabalhadores foi registrada como “fraude escancarada”.

“A decisão é bem fundamentada e certamente configurará um divisor de águas na discussão sobre a responsabilidade jurídica por condições de trabalho em cadeias produtivas”, afirma Renato Bignami, coordenador do programa de Erradicação do Trabalho Escravo da Superintendência Regional do Trabalho, que ressaltou a importância de o relatório de fiscalização reunir documentos e provas detalhando a situação. “O juiz leva em consideração todos os argumentos apontados pelos auditores na sua decisão”, ressalta.

Da Espanha,  Raúl Estradera, porta-voz da Zara, afirmou à Repórter Brasil que a empresa vai recorrer da sentença. “É mais um passo em um processo judicial que vai ser longo. Com todo respeito à decisão, entendemos que não foram considerados nossos argumentos e que não tivemos oportunidade de nos defender de forma adequada”, afirma, insistindo que a responsabilidade é da empresa intermediária. “Foi essa empresa que realmente cometeu as irregularidades, e obteve o lucro com isso. Eles que deveriam estar sendo punidos. Nós temos tomado ações de responsabilidade social, inclusive colaborando com entidades públicas e do terceiro setor em um esforço para melhorar as condições de trabalho não só nas nossas cadeias produtivas, mas no Brasil em geral.”

Subordinação camuflada

Apesar dos argumentos e da tentativa de transferir a culpa para a intermediária, para a Justiça do Trabalho não restam dúvidas de que a responsabilidade é da Zara. A sentença aponta que a Aha foi contratada para minimizar custos e burlar a legislação trabalhista. “A fraude da intermediação é escancarada, pois, na verdade, houve prestação em favor da vindicante com pessoalidade, não eventualidade, remuneração e subordinação econômica”, diz a decisão, que ressalta que ”a subordinação, embora camuflada sob a aparência de terceirização, era direta aos desígnios da comerciante das confecções”.

O texto destaca ainda ”que a fiscalização verificou, outrossim, que as oficinas onde foram encontrados trabalhadores em condição análoga à de escravidão labutavam exclusivamente na fabricação de produtos da Zara, atendendo a critérios e especificações apresentados pela empresa, recebendo seu escasso salário de repasse oriundo, também exclusivamente, ou quase exclusivamente, da Zara”.

O argumento de que a Zara não tinha conhecimento da situação a que os trabalhadores estavam submetidos também é refutado na decisão. “A Aha não tinha porte para servir de grande fornecedora, e disto ela [a Zara] estava  perfeitamente ciente, pois, realizando auditorias sistemáticas, sabia do extenso downsizing realizado, com o número de costureiras da Aha caindo mais de 80%, ao tempo em que a produção destinada à Zara crescia”, diz a sentença. “A Zara Brasil Ltda. é uma das maiores corporações do globo em seu ramo de negócio, custando crer, reitere-se, que tivesse controles tão frouxos da conduta de seus fornecedores, mostrando-se muito mais palatável a versão defendida pela fiscalização, de que, na realidade, controlava-os ao ponto de deter a posição de empregadora.”

Na sentença, o juiz também critica o fato de a empresa alegar, ao tentar negar a responsabilidade por trabalho escravo, que tem contribuído com o poder público e com ações sociais, chamando a atenção para o fato de o Termo de Ajustamento de Conduta firmado junto com o Ministério Público do Trabalho ter sido assinado meses após o resgate. “A celebração de TAC com o Ministério Público do Trabalho, embora louvável, foi posterior à autuação, não implicando, logicamente, nenhuma influência no resultado da lide, por não convalidar situação pretérita”, diz o texto, destacando que o investimento em ações sociais estava diretamente relacionado à preocupação em recuperação da marca. “Chega a ser insólito, de outra banda, o longo discurso derredor de conduta da entidade capitalista, igualmente posterior à lavratura dos Autos e igualmente desinfluente para o deslinde desta contenda, no sentido de prática de ações de certa repercussão social, cujo objetivo primordial foi, sem dúvida, a recuperação da imagem da marca, imensamente desgastada pela repercussão dos resultados da fiscalização na mídia.”

“Lista suja”

Na sentença, o juiz reforça ainda a importância do cadastro de empregadores flagrados, a “lista suja”, e reafirma sua legitimidade. Ele escreve: “Diversos dispositivos legais fornecem o alicerce para a edição da Portaria nº 2, de 12 de maio de 2011 [que rege o cadastro], merecendo destaque a própria Constituição da República, que erige em princípios fundamentais o valor social do trabalho e a dignidade da pessoa humana, e consagra, desde seu preâmbulo, o direito à liberdade, e todos esses princípios estariam sendo vilipendiados se acatada a tese da postulante”.

No recurso que foi rejeitado na sexta-feira, a Zara questionava a própria existência da “lista suja”, posicionamento extremo que levou a empresa a ser suspensa do acordo empresarial contra a escravidão, o Pacto Nacional pela Erradicação do TrabalhoEscravo.

A decisão judicial é relativa ao processo nº 0001662-91.2012.502.0003 e foi proferida em 11 de abril. 

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/28153

Notas sobre o Imposto Territorial Rural

Por Gerson Teixeira

 

Membros da bancada ruralista estão apreensivos com o crescimento que vem sendo observado na arrecadação do ITR – Imposto Territorial Rural. Já convocaram reunião de Audiência Pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para o debate do tema e a definição de estratégias a respeito. Aprovada no dia 26 de março, a reunião contará com as participações da Receita Federal do Brasil – RFB; Confederação Nacional de Municípios – CNM; Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – ABRAPA; e Associação Brasileira dos produtores de Soja – APROSOJA BRASIL.

O ‘sinal de alerta’ foi dado pela arrecadação verificada em 2013 que alcançou o valor de R$ 848 milhões, resultado 225% superior ao valor arrecadado no exercício de 2006 (preços correntes).

É de amplo conhecimento que desde sempre a tributação sobre a propriedade fundiária rural no Brasil foi desprezível, mantendo-se, na última década, em valor máximo anual em torno de R$ 300 milhões.

Ainda que distante de traduzir o seu potencial fiscal, a receita proporcionada pelo ITR em 2013 correspondeu a 0.2% do Valor Bruto da Produção Agropecuária, resultado que de todo o modo equivaleu a um salto de 100% em relação à mesma razão no ano de 2006.  A Tabela a seguir apresenta a evolução da arrecadação do ITR, de 2006 a 2013, em valores correntes.

 

Ano Valor Arrecadado- R$ 1 milhão
2006 261,9
2007 379,2
2008 469,8
2009 474,5
2010 526,4
2011 602,7
2012 677,4
2013 847,8

Fonte: RFB

 O baixo desempenho histórico da arrecadação do ITR tem sido justificado pela sua natureza extrafiscal, vez que, a função tributária propriamente dita do ITR supostamente teria a finalidade de punir o latifúndio improdutivo e os grandes imóveis que, em geral, não cumpram a função social. Em suma, seria um tributo auxiliar aos objetivos do programa de reforma agrária. Contudo, o ITR jamais teve relevância fiscal; tampouco, efeitos virtuosos nos planos ambiental e fundiário.

Na expectativa de fragilizar ainda mais o ITR, os ruralistas, com o apoio da Receita Federal que jamais se interessou pelo tributo, conseguiram a viabilização de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) propondo a transferência aos Municípios, por opção destes, das atividades de fiscalização, lançamento dos créditos tributários, e da cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Como contrapartida os Municípios contariam com a integralidade da receita gerada pelo tributo.

Do processo legislativo correspondente resultou a Emenda Constitucional nº 42, de 2003, transformada no inciso III do § 4º do art. 153 da CF, regulamentado pela Lei nº 11.250, de 2005, e Normas posteriores.

Vale assinalar que, diversamente do processo de municipalização do tributo que perdurou de 1961 a 1964, por força da Emenda Constitucional nª 5, no caso presente foi preservado o caráter federal do ITR, i.e, manteve-se a competência da União na legislação e na administração geral do tributo, neste caso, exceto nas atividades  fiscalização e cobrança remetidas para a esfera municipal por opção das respectivas prefeituras.

O que os ruralistas não previram era que os prefeitos passassem a vislumbrar o ITR como um instrumento para a viabilização de algum espaço fiscal ante um contexto de oposição entre receitas e restrições da LRF, demandas sociais crescentes e necessidade de contrapartidas financeiras dos municípios aos programas federais.

Em decorrência 1.901 celebraram Convênios com a RFB desde 2008 (posição de início de abril de 2014), dos quais, 1.221 no ano de 2009.

Como seria previsível os municípios dos estados do sudeste, sul e depois centro-oeste são os que concentram o maior número de convênios firmados, conforme ilustra a figura abaixo.

 tabela 1

ITR – Número de municípios com convênios firmados com a RFB por UF

 Por fim, cumpre enfatizar que o crescimento da arrecadação do ITR na esfera dos Municípios não justifica a decisão pela ‘desfederalização’ dessas atividades. Com certeza, a RFB poderia produzir resultado fiscal muito superior ao conseguido pelos municípios caso não qualificasse o ITR como um ‘imposto podre’.

Afora esse fato, ao renunciar à centralização plena do ITR a União renunciou a possibilidade do uso simétrico em todo o país de um instrumento potencialmente poderoso de regulação fundiária e ambiental.

Gerson Teixeira é presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária – ABRA.