Trens urbanos: o retrato de um governo que descarrilou

Jornal do Brasil

A triste cena que assistimos na manhã desta quarta-feira (22), com milhares de pessoas caminhando pelos trilhos da rede ferroviária urbana do Rio, é o retrato do ocaso de um governo. Reflexo da incapacidade, ou a falta de vontade mesmo, de dar a essas pessoas um transporte com as mínimas condições de conforto, segurança e eficiência. São milhões de trabalhadores maltratados diariamente na via férrea a caminho do trabalho.

O Jornal do Brasil há tempos vem alertando para o problema dos trens urbanos do Rio e em setembro, na matéria “Diário sobre trilhos: 15 anos de problemas e falhas da SuperVia”, listava todos esses problemas. A Agetransp – agência que regula e fiscaliza os transportes públicos no Rio – nesses quinze anos de falta de investimentos, acidentes e transtornos constantes na via férrea, nunca tomou atitude alguma com relação à concessionária e pelo que se viu nos últimos dias de 2013, vai continuar do mesmo jeito.

No final de dezembro, o governador Sérgio Cabral nomeou para a Agetransp o ex-diretor do Metro, Cesar Ferraz Mastrangelo, além do ex-chefe de gabinete da Casa Civil, Arthur Vieira Bastos, os ex-deputados Aparecida Gama e Carlos Correia, e a ex-chefe de gabinete do presidente da Alerj, Lucineide Pereira Cabral Marchi. Com esse time, fica fácil prever os rumos da agência.

Os problemas que os trabalhadores que dependem dos trens urbanos enfrentam constantemente não se restringem apenas às falhas do transporte. O atraso para chegar no trabalho é outro transtorno que ninguém pode resolver. Como explicar ao patrão tantos atrasos por conta do trem? Quem vai arcar com o prejuízo do ponto cortado? Perguntas que certamente ficarão sem respostas.

Os flagrantes dos problemas nos transportes públicos no Rio são diários, para desespero da população carioca que infelizmente não tem para quem reclamar. A apatia e inépcia da Agetransp se estende também ao Metro que não se integra totalmente com outros meios de transporte, não tem investimentos para ampliação da rede e por várias vezes os equipamentos de acesso estão parados, como escadas rolantes e elevadores que deveriam servir a cadeirantes. Esse é o retrato dos transportes públicos do Rio e também a cara de um governo que está no fim.

FONTE: http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2014/01/22/trens-urbanos-o-retrato-de-um-governo-que-descarrilou/

Um “rolezinho” das periferias

 

O fenômeno do “rolezinho” que ocorre, principalmente nos shoppings paulistas, ainda é um enigma a ser decifrado. Há os que veem nas manifestações a continuidade das mobilizações de junho de 2013. Para outros, as manifestações estão restritas às esferas das brincadeiras e não das de um movimento social. E, ao contrário, há também os que já as enquadram no campo das manifestações políticas e bem organizadas.

 

Editorial da edição 569 do Brasil de Fato 

Em suas sempre profundas e lúcidas análises sobre a sociedade brasileira, Florestan Fernandes dizia que a burguesia deste país primava pelo seu caráter antinacional, antissocial e antidemocrático.

O fenômeno do “rolezinho” que ocorre, principalmente nos shoppings paulistas, ainda é um enigma a ser decifrado. Há os que veem nas manifestações a continuidade das mobilizações de junho de 2013. Para outros, as manifestações estão restritas às esferas das brincadeiras e não das de um movimento social. E, ao contrário, há também os que já as enquadram no campo das manifestações políticas e bem organizadas.

Certamente teremos que esperar um tempo maior para constatar se essas manifestações estão sendo um embrião ou não de formas mais organizadas de intervenção nos espaços públicos e, consequentemente, de atuação política em nosso país.

No entanto, um mérito já deve ser reconhecido aos “rolezinhos”: eles expuseram ao país o acerto e atualidade da assertiva do Florestan Fernandes, citada acima, referente ao caráter da burguesia brasileira.

E, como sempre, a primeira engrenagem que a burguesia põe em movimento dessa estrutura antissocial e antidemocrática é exatamente o aparato repressivo. A ação violenta e indiscriminada com que a polícia militar reprimiu as manifestações, apenas atestam cinco séculos da máxima: “a questão social é caso de polícia”.

Diante da repercussão que obteve a brutalidade policial – e, certamente, com os ensinamentos aprendidos com as mobilizações de junho – se buscou no poder judiciário uma justificativa legal para atender aos interesses da irracional política de segregação social.

Os shoppings obtiveram do poder judiciário liminares que proibiam a reunião desses jovens em seu interior e autorização para que empresas de segurança privada fi zessem uma “triagem” de quem poderia ou não entrar no estabelecimento comercial. Os critérios usados para a “triagem” restringiam-se às indumentárias e aos traços físicos das pessoas. Não é difícil identificar jovens da periferia, pretos, mestiços e pobres.

Imaginaram que respaldo judiciário e a costumeira força repressiva eram condição sufi ciente para barrar os jovens pobres, os “bárbaros”, e assegurar a tranquilidade dos brasileiros “europeizados”, nas palavras do sociólogo Jessé Souza, no interior do templo do consumo.

A triagem motivou estudantes, movimentos negros e de Defesa dos Direitos Humanos a organizarem um protesto em frente a um dos shoppings mais luxuosos de São Paulo, o Iguatemi JK, do Grupo  Jereissati. Foi o suficiente para o shopping tomar a decisão de fechar as portas, em pleno sábado, ao meio dia. Os seguranças repetiam, inclusive para funcionários do shopping, que quem estava dentro não sairia e quem estava fora não entraria.

Os “bárbaros” que cercaram o luxuoso templo do consumo não eram mais do que 200 jovens. Foi o suficiente para causar insegurança e medo aos que detém empresas privadas de segurança e facilidades para obter e liminares do poder judiciário.

Por ultimo, não faltou participação da mídia. Não faltaram as análises dos colunistas – os especialistas de coisa nenhuma, nas acertadas palavras do senador Roberto Requião – para tentar promover uma histeria coletiva e pedir uma ação enérgica dos governos. São análises que partem sempre da premissa de que as concentrações de jovens das periferias representam perigo e destinamse, sempre a provocar badernas.

Até que esses mesmos jovens iam aos shoppings, em grupos apenas para olhar as vitrines e lotar as praças de alimentação, eram tolerados. Quando os mesmos grupos encontraram uma forma de serem vistos e ouvidos, causaram medo e insegurança.

Sentimento que se transformou na ação de expulsá-los e não permitir sua entrada naquele templo. Acompanhada do firme propósito de reafirmar uma relação de poder sobre as classes subalternas.

É animador perceber, desde já, que os que detêm o poder de fazer triagem nas portas de um shopping, gastam fortunas com a segurança patrimonial, obtêm facilmente liminares na justiça e contam com o irrestrito apoio de uma mídia oligopolizada – e decadente – tomaram um verdadeiro “rolezinho” dos jovens das periferias.

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/27184

Novo plano de governo visa consagrar prevalência do setor privado no financiamento da educação

POR ROBERTO LEHER

Com apoio ativo do governo Dilma Rousseff, em especial de seu ministro da Educação Aloísio Mercadante, e das lideranças partidárias da base do governo, foi aprovado no Senado o Plano Nacional de Educação (PLC 103/12). A data de aprovação, terça feira, 17 de dezembro de 2013, será lembrada como o dia em que o financiamento da educação pública brasileira teve a sua qualificação “público” apagada em prol das parcerias público-privadas, um anseio vivamente reivindicado pelas corporações “de novo tipo”, que operam no setor de serviços educacionais e, avidamente, pelas coalizões empresariais imbuídas de um projeto de classe difundido como de salvação da educação brasileira.

É possível sustentar que o PNE do governo Dilma expressa uma mudança estrutural na educação brasileira, consolidando um objetivo que não pode mais ser confundido com o dos proprietários tradicionais das escolas privadas ou o da Igreja católica, sujeitos importantes nos embates da LDB de 1961; antes, afirma os anseios do setor financeiro que atualmente se apropria de vastos domínios dos negócios educacionais e, como assinalado, do capital como um todo, engajado na socialização “adequada” de mais de 55 milhões de crianças e jovens, como é possível depreender da ação do Todos pela Educação (Evangelista e Leher, 2012).

A vitória de Lula da Silva (PT), embora cercada de polêmicas, provocou considerável expectativa de que, ao menos, uma agenda socialdemocrata de fortalecimento da educação pública, gratuita, laica e universal poderia ser adensada conflituosamente no Estado brasileiro. Desde o início de seu primeiro mandato, as sinalizações por meio de projetos de lei e, principalmente, das medidas práticas, apontaram para outro rumo, indicando que os interesses do setor privado-mercantil (e, mais amplamente, do capital) seguiriam guiando a educação superior. O governo Lula da Silva ousou uma ruptura com o padrão de apoio do Estado ao setor privado vigente no período Cardoso: pela primeira vez, e contrariando o Artigo 213 da Constituição, possibilitou com o Programa Universidade para Todos (PROUNI) o repasse de recursos públicos também para as instituições com fins lucrativos, já superiores a 80% do total de instituições privadas.

Objetivando ampliar o mercado educacional, estagnado em virtude da concentração de renda, o governo Lula da Silva aumentou os aportes de recursos públicos para o FIES, cuja taxa de juros foi reduzida a perto de 30% da taxa básica de juros (SELIC): a diferença seria coberta pelo Estado. A isenção tributária ao setor mercantil, possível com a criação do PROUNI, abriu caminho para o ingresso dos fundos de investimento (private equity) no setor educacional, possibilitando uma frenética onda de fusões e aquisições, grande parte pelo capital estrangeiro, promovendo inédita concentração e centralização das corporações educacionais.

Plano Nacional de Educação e hegemonia do capital

O governo de Lula da Silva elaborou o PNE (PL 8.035/2010) em conformidade com o mainstreamda agenda educacional do capital, incorporando, na educação básica, as proposições do TPE, os interesses das corporações educativas (liberalização e acesso aos recursos públicos), os anseios do Sistema S (controle da educação profissional) e os grandes delineamentos das agências internacionais, notadamente no que se refere à avaliação centralizada e referenciada nas competências (OCDE/PISA).

Em virtude de limites do presente texto, a análise do PNE focaliza os aspectos políticos, abordando, preliminarmente, a sua tramitação e as forças políticas envolvidas, o financiamento e as redefinições entre o público e o privado.

O projeto original enviado pelo governo Federal (PL 8.035/2010) previa, ao fim de 10 anos, 7% do PIB para educação, sem explicitar que os recursos deveriam ser destinados à educação pública:

Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de sete por cento do produto interno bruto do País (PL 8.035/10).

Com tal formulação, o Projeto de Lei postergaria a efetivação dos 7% do PIB, podendo manter os gastos ao longo do decênio do novo plano nos mesmos patamares atuais (entre 4,5 e 5% do PIB), mas atendia aos anseios privatistas da indiferenciação entre o público e o privado, posição que coincidia com a proposta do TPE.

Com efeito, objetivando uma educação funcional ao capital, o próprio intelectual coletivo das frações burguesas locais dominantes (TPE) indicara uma elevação do percentual do PIB aplicado na educação, recomendando a ampliação dos atuais 4,8% para 7% do PIB em dez anos (percentual que fora aprovado no PNE de 2001, mas que foi vetado por FHC, veto mantido por Lula da Silva), mas condicionando o aumento de verbas à adoção das medidas gerenciais e pedagógicas afins à agenda do TPE.

É fato que desde o início da tramitação do PL 8.035/2010 existiram pressões pelo aumento para 10% do PIB. Esta reivindicação foi apresentada e fundamentada pelo Plano Nacional de Educação: Proposta da Sociedade Brasileira elaborada no II CONED (1997).

Iniciativas como a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, um arco formalmente pluriclassista, mas com uma agenda que, a despeito da atuação meritória na defesa do Custo Aluno Qualidade e do financiamento para as instituições públicas, não difere essencialmente da de seus patrocinadores, como a Fundação Ford, Instituto C&A, Abrinq, Open Society Foundations (criada por George Soros para criar melhores condições de transição dos antigos países comunistas para o livre mercado e a sociedade aberta defendida por Popper (1)) e que, na prática, opera como um lobby no Congresso, sem participação efetiva dos trabalhadores da educação e da classe trabalhadora em geral; as mobilizações da esquerda educacional (ANDES-SN, Esquerda da UNE, ANEL, ABEPSS), em especial pelo Plebiscito Nacional: 10% para Educação Pública, Já!, bem como iniciativas de caráter acadêmico (ANPED, CEDES), não foram capazes de criar uma polarização – que se espraiasse por toda vida política nacional –  que fortalecesse a consigna 10% do PIB para a educação exclusivamente pública.

A despeito da fragilidade da mobilização que não alcançou a criação de uma vontade nacional-popular, a pressão se fez sentir na Câmara dos Deputados. Com efeito, os deputados, operando a pequena política, promoveram mudanças na versão original (o número de emendas ultrapassou 2,5 mil), sem, contudo, alterar o que é axial no PNE. Cinicamente, o PSDB, partido que liderou a elaboração do PNE anterior (2001), destroçando tudo o que poderia fortalecer o público, agora se somou à magra representação parlamentar em defesa da educação pública, situação que, com outras variáveis, possibilitou a aprovação, na Câmara, em junho de 2012, de uma versão com os 10% do PIB para a educação pública, com a indicação de metas de expansão da rede pública de educação tecnológica e superior, bem como a melhor definição da União na garantia do Custo Aluno Qualidade (CAQ).

Uma vez enviado ao Senado, em meados de 2012, o projeto passou por três Comissões: Assuntos Econômicos (CAE), Constituição e Justiça (CCJ) e Educação (CE). Já na CAE, o projeto da Câmara sofreu mudanças regressivas, como a explicitação de que ampliação de vagas deveria se dar por meio de parcerias público-privadas (PROUNI, FIES etc.) e, na CCJ, em setembro de 2013, o relator, Senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), empreendeu, de modo mais sistemático, as mudanças desejadas pelo governo Dilma, em particular, indeterminando o uso das verbas públicas para a educação que, em sua versão, não continha o adjetivo pública, abrindo caminho para a indiferenciação público-privado, retirando qualquer explicitação sobre como os entes federados contribuirão para que os 10% sejam possíveis, afastando a União da responsabilidade pela complementação do custeio do CAQ. Os exemplos a seguir ajudam a melhor compreender o sentido das mudanças desejadas pelo governo Dilma:

No texto da Câmara, a Meta 11 assim ficou redigida:

Meta 11: Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos cinquenta por cento da expansão no segmento público.

Na CAE, e no relatório Vital do Rego (CCJ), a meta foi assim reescrita:

Meta 11: triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos cinquenta por cento de vagas gratuitas na expansão (2).

O segmento público é substituído pelas vagas gratuitas, ofertadas pelo PRONATEC estruturado a partir da base do Sistema S, e com parcerias com as organizações privado-mercantis do setor. A mesma orientação pode ser vista na expansão da educação superior. O público, aqui, igualmente cede lugar ao privado.

Texto aprovado na Câmara: Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e a taxa líquida para trinta e três por cento da população de dezoito a vinte e quatro anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, quarenta por cento das novas matrículas, no segmento público.

O texto da CCJ do Senado assim reescreveu a Meta 12:

Meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para cinquenta por cento e a taxa líquida para trinta e três por cento da população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade da oferta e gratuidade para, pelo menos, quarenta por cento das novas matrículas.

Mas a medida de maior alcance para o futuro da educação pública, e que poderá, a médio prazo, ressignificar a educação pública propriamente dita, foi, como assinalado, a supressão do adjetivo “público” no texto do PNE aprovado pela CCJ do Senado, patrocinada pelo governo Federal.

A versão aprovada pela Câmara foi assim redigida:

Meta 20: Ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de sete por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no quinto ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a dez por cento do PIB ao final do decênio.

O texto do Senador Vital do Rego na CCJ, estabelece:

Meta 20: ampliar o investimento público em educação de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto – PIB do País no quinto ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio, observado o disposto no § 5º do art. 5º desta Lei.

O que motiva o governo Federal patrocinar tal alteração (que, neste aspecto, restabelece o texto original do PL 8.035/10) é que, com a redação da CCJ (e aprovada pelo Senado), os gastos públicos podem ser indistintamente aplicados na educação pública e educação privada. Todas as principais medidas educacionais dos governos Lula da Silva e Dilma funcionam com parcerias: PROUNI, FIES, PRONATEC, Ciência Sem Fronteiras, Lei de Inovação Tecnológica, Creches etc. Com tal redação, um novo capítulo da educação brasileira será escrito e nele a concepção de público estará corroída pelas parcerias público-privadas.

No apagar das luzes de 2013, a bancada governista, majoritária, restabeleceu, por meio da sistematização do líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), os principais pilares do texto da CCJ, mantendo, novamente, a destinação escalonada dos 10% (que na prática pode resultar em um investimento médio no decênio inferior a 8% do PIB) indistintamente para a educação pública e para a educação privada, bem como com os demais retrocessos do texto da CAE/CCJ e da versão original do PL 8.035/10. Em defesa do relatório do Senador Vital do Rego (PMDB-PB) aprovado na CCJ, o Senador Eduardo Braga (PMDB-AM (3)) sintetizou o rocambolesco argumento governamental em prol da supressão do “público” na definição da destinação dos 10% do PIB para a educação: não importa se as vagas são de instituições públicas ou privado-mercantis, vagas gratuitas, ainda que em corporações controladas por bancos e fundos de investimento multinacionais, compradas com verbas públicas, são públicas! Segue o senador: “e todos sabemos que o setor público não poderá atender as demandas futuras por educação.

O exótico argumento foi esgrimido anteriormente por Tarso Genro e praticado na gestão Fernando Haddad. Ambos, desde 2004, vêm insistindo que não cabe mais a oposição entre o público e o privado. A educação, em suas políticas, deve ser pensada como um ‘bem público’, isto é, gratuito para os pobres e, por isso, pouco importa se ofertada por empresas ou pelo Estado.

Corolário implícito: está dado que o setor privado é reconhecidamente mais eficiente no uso das verbas públicas e, por isso, é necessário fortalecer o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), o Programa Universidade para Todos (PROUNI), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) e, mais especificamente, na educação básica, a compra de materiais pedagógicos de corporações como as do Grupo Pearson, maior grupo editorial do mundo e proprietário de meios de comunicação influentes nos setores dominantes mundiais como Financial Times e The Economist, a contratação dos “parceiros” do Todos pela Educação (4) para cuidarem dos assuntos educacionais da rede pública, por meio de iniciativas como Alfa e Beto, Roberto Marinho, Ayrton Senna, entre outras organizações empresariais.

As repercussões da aprovação do texto do PNE defendido pelo governo Dilma ultrapassarão as fronteiras nacionais. Na prática, o Brasil será um dos primeiros países do mundo a aderir ao preceito reivindicado por um seleto grupo de países (5) no âmbito do Acordo Mundial de Comércio de Serviços da Organização Mundial do Comércio de que não cabe mais a distinção entre o público e o privado. Com o apagamento da diferença entre o público e o privado, as corporações poderão ter livre acesso aos recursos públicos, pois operam um negócio que pode ser inserido no rol dos “bens públicos”. Assim, a tendência atual de deslocamento de capital de bancos, fundos de investimentos, fundos de pensão, para atuar no promissor setor dos negócios educacionais, poderá ser muito intensificada, pois o acesso aos recursos públicos, já muito significativo na educação superior com o FIES e o PROUNI, agora poderá ser muito maior, pois o grosso dos recursos, até então vinculados à educação básica pública, agora será disponibilizado também para o setor privado-mercantil.

Perspectivas para 2014

Caso o PNE vá a voto em 2014, apesar do ano eleitoral, sem mobilização massiva, nos moldes das Jornadas de Junho de 2013, a hipótese de que a Câmara irá mudar de posição, aprovando o texto do Senado, pode ser confirmada. É preciso considerar o empenho do governo Dilma e, ainda, a larga base governista e seu histórico vínculo com a educação privada – seja empresarial, seja confessional. O mesmo aconteceu na LDB em 1996: o projeto da Câmara era mais favorável à educação pública (pois os deputados em geral sentem mais a pressão dos movimentos sociais, como o FNDEP), o do Senado, mais sensível às pressões do capital e do executivo federal, era um hostil à educação pública. Na votação final, igualmente perto das festas natalinas, prevaleceu amplamente o projeto do Senado.

Como assinalado ao longo do texto, a questão educacional mudou de escala. A defesa da educação pública não pode mais ser realizada apenas por professores, estudantes e técnicos e administrativos organizados em seus sindicatos ou nas entidades acadêmicas. A avaliação de Florestan Fernandes sobre as lutas educacionais realizada nos anos 1980 é mais atual do que nunca: é preciso um novo ponto de partida para as lutas em prol da educação pública. O novo ponto de partida decorre do fato de que a causa da educação pública não será mais compartilhada por trabalhadores aliados aos setores burgueses ditos progressistas ou modernos. Já na LDB de 1961, Florestan Fernandes constatou que não havia frações burguesas relevantes engajadas na defesa da educação pública, pois a burguesia, como classe, estava associada ao capitalismo monopolista. Nos tempos atuais, essa situação somente se agravou: não há resquícios de frações burguesas envolvidas na construção de um sistema público de cariz republicano.

As condições objetivas para um novo ponto de partida estão sendo forjadas nas lutas que ganharam vida nas greves das Federais de 2012, nos embates do MST em prol da Pedagogia do Movimento, nas greves da educação básica que transtornam o país em 2011, 2012 e nas ásperas jornadas das greves no Rio de Janeiro em 2013 e, mais amplamente, nas multidinárias manifestações de junho de 2013.

Somente com trabalho político deliberado tais condições podem ser realizadas. Não bastam as lutas esparsas. É preciso organização, projeto educacional autônomo frente aos da agenda dominante, formação política consistente e atuação no espaço público. Visitas de convencimento aos parlamentares patenteiam, como alertou Florestan Fernandes nas lutas pela LDB, a estratégia dos fracos. Frente ao que pode ser uma derrota de profundas consequências para a juventude explorada e expropriada, e ao próprio futuro da educação pública, os atos políticos dos movimentos em prol da educação pública podem ser magnificados a ponto de imporem um outro porvir para a educação brasileira. As mobilizações nas ruas, praças, escolas, universidades podem alterar os rumos desejados pelo capital. Essa é a melhor aposta para 2014!

Notas:

1) http://www.opensocietyfoundations.org/about, acesso em 3/01/14.

2) Ver VOTO EM SEPARADO perante a COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA – CCJ, sobre o Projeto de Lei da Câmara nº 103/2012, que dispõe sobre o Plano Nacional de Educação e dá outras providências (Senador Randolfe –PSOL/AP).

3) http://www12.senado.gov.br/noticias/videos/2013/12/veja-como-foi-a-votacao-em-plenario-do-plano-nacional-de-educacao, acesso em 18/12/13.

4) Olinda Evangelista e Roberto  Leher, ver Nota 4.

5) Documento S/CSS/W/23, de 18 de dezembro de 2000, dirigido ao Conselho de Comercio de Serviços da OMC, os Estados Unidos e outros países, apresentaram uma proposta de liberalização dos serviços educativos, abrangendo a formação e a avaliação.

Leia também:

Movimento Todos Pela Educação, Organizações Globo, Cabral, Paes e Costin: ‘amansar’ os professores com cassetetes para avançar contra a escola pública

Roberto Leher é Professor Titular de Políticas Públicas em educação da Faculdade de Educação da UFRJ e de seu Programa de Pós-Graduação, colaborador da ENFF e pesquisador do CNPq.

FONTE:http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9254:manchete220114&catid=34:manchete

Quem tem medo do rolezinho? Aparentemente, o promotor

De tempos em tempos vê-se a manifestação de órgãos que deveriam estar mais preocupados com questões mais importantes, mas que aproveitam o momento para mostrar um certa aura de utilidade. Esse parece ser o caso da ação do Ministério Público do Rio de Janeiro em Campos dos Goytacazes que, em atitude supostamente preventiva convocou a PM para coibir a realização de um “rolezinho” no Shopping Boulevard (Aqui!).

Se o douto promtor de justiça que emanou tal ordem já tivesse ido numa domingueira no mais fabuloso shopping campista já saberia que os rolezinhos ocorrem lá faz tempo. É que desprovidos de espaços públicos de lazer, os jovens campistas (especialmente aqueles que não tem dinheiro para ir para a Disney ou para a Europa) acabam encontrando no espaço privatizado do Boulevard aquele tipo de ambiente de congraçamento que uma cidade bilionária como Campos dos Goytacazes já deveria ter aos montes de forma pública, e não possui sequer um.

Aliás, eu que nem sou muito afeito ao trottoir privatizado que os ambientes de shopping centers oferecem aos cidadãos transformados em consumidores vorazes, penso que esse tipo de proibição acaba sendo gerando um efeito oposto e em potência redobrada. Aliás, a direção do Shopping Boulevard já até entendeu isso ao anunciar que não mudaria sua rotina por causa do anunciado “rolézinho”. Afinal, como educar a juventude nos “predicados” de consumir em ambientes climatizados se não for permitido o acesso? Aparentemente, aqui os agentes de mercado já entenderam que é melhor relaxar para deixar a juventude continuar gastando.

Por outro lado, em minha última passagem pelo Shopping Boulevard pude constar uma imensa multidão de jovens reunida e se manifestando em altos brados, sem que tivesse ocorrido qualquer quebra-quebra ou vandalismo. Nesse mesmo dia pude acompanhar o trabalho calmo e sereno dos próprios seguranças privados, sem que houvesse do lado de fora uma mísera patrulha da PMRJ.

Finalmente, numa região onde as violações dos direitos coletivos e individuais é tão marcante, é impressionante que ainda se perca tempo com manifestações de caráter político.

Manhã de caos no sistema de trens no Rio de Janeiro

A situação caótica do (des)governo de Sérgio Cabral está exposta mais uma vez na manhã desta 5a. feira com o apagão do serviço de trens que é prestado na região metropolitana pela empresa SuperVia. Nunca é demais lembrar que a SuperVia tem em seu quadro de advogados ninguém menos do que a esposa do (des) governador, a advogada Adriana Ancelmo.

Ainda que não seja nova, esta situação explicita os efeitos da privatização dos serviços de transporte público que no (des) governo Cabral foi acompanhada por uma proximidade perigosa entre interesses privados de governantes e empresas. A recente nomeação de pessoas ligadas às concessionárias para a “Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro” (AGETRANSP) foi apenas um capítulo a mais nessa novela de horror que se abate diariamente sobre os trabalhadores fluminenses.

Agora quem deve estar coçando a cabeça em desespero é o vice-governador Luiz Fernando, o Pezão, que vai assumir o (des) governo do Rio de Janeiro em meio às proximidades da Copa do Mundo, onde o total despreparo do sistema privatizado de transportes certamente ficará escancarado.

Problemas judiciais de Eike Batista agora alcançam Pedro Malan

Minoritários da OGX processam ex-ministro Pedro Malan por negligência

RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO

Eles cobram o ressarcimento dos prejuízos que tiveram com a queda das ações da petroleira, que está em recuperação judicial, e também pedem uma indenização por danos morais.

Se a ação for vitoriosa, os valores serão estipulados pela Justiça. As ações da OGX caíram 98,7%, saindo de R$ 23 em outubro de 2010 para menos de R$ 0,30.

Malan -ministro da Fazenda do governo FHC de 1995 a 2002 e um dos economistas mais conceituados do país por colaborar com o grupo que “domou” a inflação- fez, desde 2008, parte do conselho de administração da OGX como membro independente.

Os minoritários acusam o ex-ministro de “omissão e negligência” por “não se informar, fiscalizar, investigar, se opor ou denunciar as irregularidades cometidas pela empresa”, conforme o processo obtido pela Folha.

A OGX informou ao mercado possuir reservas de petróleo muito superiores às que realmente existiam. Os números reais só vieram à tona com as primeiras frustrações de produção. A empresa foi obrigada a abandonar vários campos de petróleo.

“O nome do Malan tem peso e levou muitos acionistas minoritários a comprar ações da OGX. Quem ia imaginar que uma empresa que tinha ele como conselheiro pudesse mentir?”, disse o advogado Márcio Lobo, do escritório Jorge Lobo Advogados, que representa os minoritários e que também perdeu dinheiro com a OGX.

Procurado pela reportagem, o ex-ministro informou por meio de sua assessoria de imprensa que não tinha “nada a declarar”. Ele hoje é presidente do conselho consultivo internacional do Itaú Unibanco, o maior banco privado do país.

Malan deixou o conselho de administração da OGX de forma abrupta em junho de 2013, quando a crise na empresa já era evidente. Também renunciaram a seus cargos no conselho os ex-ministros Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e Ellen Gracie (Supremo Tribunal Federal).

Nenhum deles explicou publicamente seus motivos.

Adriano Vizoni – 29.abr.2013/Folhapress
O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan em evento em São Paulo em abril do ano passado
O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan em evento em São Paulo em abril do ano passado

PROCESSOS EM SÉRIE

Esse é o segundo processo aberto pelos minoritários da OGX com pedido de indenização. O primeiro foi contra Eike, CVM e Eliezer Batista, pai de Eike e também membro do conselho.

Um grupo de cerca de 30 minoritários tem trabalhado em conjunto e pretende abrir uma série de processos contra vários conselheiros, ex-diretores da OGX, a CVM e a BMF&Bovespa.

“São todos responsáveis pelo o que aconteceu. Foram negligentes”, diz o economista Aurélio Valporto, um dos líderes informais do grupo.

Cada processo é capitaneado por acionistas minoritários diferentes. Na primeira ação, foram quatro pessoas. Nesta, outras sete. Pelo menso mais dois processos devem ser abertos em breve.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/01/1401017-acionistas-minoritarios-da-petroleira-ogx-processam-ex-ministro-pedro-malan-por-negligencia.shtml

Países ricos terceirizam emissões de CO2 para emergentes

Rascunho de estudo da ONU obtido pelo The Guardian mostra que a alta das emissões na China tem relação com a produção de eletrônicos e roupas para EUA e Europa

 

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Vanessa Barbosa, de

Getty Images

Poluição do ar na China, no dia 21 de outubro de 2013Desde 2000, as emissões anuais de CO2 da China e outros emergentes mais do que duplicaram

São Paulo – A busca pela redução de custos na produção tem levado a um grave desequilíbrio na balança de responsabilidade pela emissãode dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o gás efeito estufa vilão do aquecimento global. Se a China é, hoje, um grande poluidor, isso não se justifica, apenas, por seus meios de consumo e produção internos.

É o que mostra uma minuta do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, o IPCC, obtida pelo jornal britânico The Guardian. Segundo o estudo, as emissões de gases efeito estufa estão sendo terceirizadas pelos países ricos para os emergentes.

O rascunho explora as consequências ambientais de economias interligadas e mostra como a alta das emissões na China e demais emergentes está relacionada à produção e exportação de dispositivos eletrônicos e roupas baratas para os Estados Unidos e a Europa.

De acordo com estudo obtido pelo jornal, as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa que aquecem o planeta cresceu duas vezes mais rápido na primeira década do século 21, do que nas três décadas anteriores.

Grande parte desse aumento originou-se da queima de carvão, diz o relatório. E muito desse carvão foi usado pelas usinas de energia na China e outras economias emergentes que produzem bens para os consumidores norte-americanos e europeus, o estudo acrescenta.

Desde 2000, as emissões anuais de dióxido de carbono da China e de outras economias emergentes mais do que duplicaram, chegando a cerca de 14 gigatoneladas (Gt) por ano. Mas cerca de 2 Gt deve-se à produção de bens para exportação. O quadro é semelhante para outras economias emergentes que produzem bens para exportação, conclui o relatório.

Na prática, a terceirização de produção não alivia a responsabilidade dos consumidores americanos e de outros países do hemisfério norte dos impactos ambientais de seus hábitos de consumo.

Uma versão editada do resumo da ONU de 29 páginas obtido pelo Guardian deverá ser publicada em abril.

FONTE: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/paises-ricos-terceirizam-emissoes-de-co2-para-emergentes

Pesquisadores ingleses comprovam que uso de piretróides afeta tamanho e período de erupção de mamangavas

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O uso de piretróides (uma classe de agrotóxicos que são obtidos a partir do crisântemo) se tornou amplo em todo o mundo. Agora pesquisadores da Royal Holloway University da Inglaterra conseguiram comprovar que o uso de piretróides está afetando o tamanho e o período de erupção das mamangavas,  um tipo de abelha da espécie Bombus  que ocupa um papel importante no processo de polinização, inclusive de  culturas agrícolas (Aqui!).

Segundo esta pesquisa, o uso intenso de piretróides implica numa perda da capacidade de coleta de polén pelas mamangavás, já que indivíduos menores possuem uma capacidade igualmente menor de carregar este material.

Essa comprovação se soma à outra evidência em relação aos chamados agrotóxicos neonicotinóides que estariam causando altas taxas de mortandade de abelhas em geral, no que ficou conhecido como o fenômeno como a dizimação das colméias. O mais preocupante dessa situação é que o Brasil está usando cada vez mais piretróides e também os neonicotinóides, o que poderá ter um efeito devastador sobre abelhas e mamangavas.

Se nada disso for suficiente para acender a preocupação, os piretróides estão presentes na maioria dos inseiticidas caseiras e nos EUA já se tornaram um dos principais veículos de contaminação do ambiente domiciliar. No caso dos piretróides, o problema está relacionado aos seus efeitos sobre o sistema nervoso.

Mas nada disso parece preocupar os latifundiários e seus aliados dentro do governo Dilma, já que a pressão para acelerar a liberação dessas classes de agrotóxicos está cada vez maior, em que pese o fato de que o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos.

valor informa: Acciona continua assando a batata da OSX

Pela trecho da matéria que vai abaixo, publicada hoje pelo Jornal Valor Econômico, dá para ver que a corporação espanhola Acciona está mesmo querendo receber os R$ 300 milhões que a OS(X) de Eike Batista lhe deve. É que aquele velho cenário da batata sendo assada, no caso em fogo alto.

Grupo espanhol Acciona espera hoje solução para dívida que cobra da OSX

 A espanhola Acciona prevê que a Justiça brasileira dê seu parecer hoje sobre ação movida na semana passada pela empresa contra a OSX – companhia de construção naval de Eike Batista -, na 39ª Vara Cível, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A decisão pode dar fim ao principal problema da Acciona com a empresa de Eike, que é uma dívida de R$ 300 milhões.

FONTEhttp://www.valor.com.br/empresas/3401128/grupo-espanhol-acciona-espera-hoje-solucao-para-divida-que-cobra-da-osx#ixzz2r1fdmQU8

Bloomberg diz que ações da OSX foram embargadas pela Acciona

A Bloomberg acaba de publicar uma matéria dando dados adicionais sobre a decisão da justiça da Holanda de embargar ações da OS(X) para honrar dívidas contraídas com a empresa espanhola Acciona na construção do estaleiro no Porto do Açu. É interessante lembrar que o “embargo” das ações da OSX Leasing só foi capaz porque Eike Batista deixou essa empresa fora do processo de recuperação judicial que abarca outras empresas do seu combalido império de empresas pré-operacionais.

Para quem na época não entendeu porque a Acciona continuou pagando o salário de trabalhadores que sequer sabiam o caminho do Porto do Açu, agora a resposta está dada. Os espanhóis receberam um esperar um pouco e pegaram Eike Batista na curva.

Esse é um perfeito exemplo de como não existem bobos no jogo das grandes corporações. Aliás, o único bobo é aquele que se julga o único esperto. E nesse caso envolvendo a OS(X) e a Acciona, já deve estar claro quem foi o bobo e quem foi o esperto. Olé!

Batista Oil Vessel Unit Stock Embargoed by Acciona

By Juan Pablo Spinetto and Blake Schmidt

Shares in Eike Batista’s oil platform leasing unit are being embargoed at the request of Acciona SA (ANA) as the Spanish power generator seeks to secure payment from the former billionaire’s shipbuilder, Acciona said.

A judge in the Netherlands granted a petition to hold the shares of OSX Brasil SA (OSXB3)’s leasing unit, Madrid-based Acciona said in an e-mailed response to questions after the ruling was reported by Veja columnist Lauro Jardim. OSX, based in Rio de Janeiro, didn’t reply to requests for comment to its press office. Acciona didn’t provide details of the legal case.

Batista’s leasing unit, which was left out of OSX’s bankruptcy protection request, owns the OSX-3 offshore oil-processing vessel built by Tokyo-based Modec Inc. (6269) and used as collateral for $500 million of OSX bonds due 2015. The defaulted bonds jumped 4.3 cents this year to 89.5 cents on the dollar on Jan. 17 partly because of expectation foreclosure of the vessel will allow creditors to get their money back.

“It’s a second bid on the money,” said Rafael Fritsch, chief investment officer at JGP Credito in Rio de Janeiro. Acciona “is hoping for any excess value after bondholders and banks,” he said. “In theory, there should be excess value.”

Shares of OSX, which have plummeted 92 percent in a year, were unchanged at 77 centavos at 1:45 p.m. in Sao Paulo.

The seizure of the company’s leasing unit could further disrupt the company’s business plan, Fritsch said.

OSX defaulted on $11.56 million of interest payments on the bond due Dec. 20.

To contact the reporters on this story: Juan Pablo Spinetto in Rio de Janeiro atjspinetto@bloomberg.net; Blake Schmidt in Sao Paulo at bschmidt16@bloomberg.net

To contact the editor responsible for this story: James Attwood at jattwood3@bloomberg.net

FONTE: http://www.bloomberg.com/news/2014-01-20/batista-oil-vessel-unit-stock-embargoed-by-acciona.html