À guisa de comparação: Pecém, Açu e Quissamã

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O Jornal Valor Econômico publicou hoje (07/01) uma matéria tratando do empréstimo de R$ 630,5 milhões que foi concedido pelo BNDES para a ampliação do Complexo Portuário Industrial do Pecém. Um dos itens a serem ampliados é a retroárea do Porto do Pecém que deverá ter um tamanho de 69 hectares. Para quem não sabe, o Complexo do Pecém é quase que uma cópia do projeto do Porto do Açu. A única e significativa diferença é que no caso do Pecém, a maioria dos projetos já saiu do papel, e o que o BNDES está financiando é a ampliação.

Pois bem, diante do tamanho da retroárea do Porto do Pecém que já é um dos principais nós logísticos do Brasil, fica ainda mais evidente a aberração que foi a desapropriação de 7.5000 hectares no V Distrito de São João da Barra (uma área que é mais de 100 vezes maior do que a do Pecém, e onde hoje não há absolutamente nada construído. Essa análise que é possibilitada pela comparação dos números demonstra mais uma vez o absurdo que se cometeu contra centenas de famílias de agricultores familiares e pescadores artesanais do V Distrito.

Mas o tamanho da retroárea do Pecém também desnuda outro absurdo que se está tentando fazer no município de Quissamã a partir do Decreto Municipal 1851/2013 onde está apontada a desapropriação de 5.000 hectares para a construção de um aeródromo! Vejam que a área prevista para desapropriação em Quissamã é 72 vezes maior do que a retroárea do Porto do Pecém!

Como estive recentemente na área do Porto do Pecém em São Gonçalo do Amarante e pude ver o que pode ser construído em 69 hectares, o tamanho das áreas desapropriadas em São João da Barra e Quissamã simplesmente não atende ao critério da razoabilidade social, econômica e ambiental.

Finalmente, não custa nada lembrar que a área que se pretende desapropriar em Quissamã tem porções são limítrofes do Parque Nacional de Jurubatiba, o que deverá aumentar ainda mais o movimento contra esse decreto da Prefeitura de Quissamã.

Para o ex-ambientalista Carlos Minc, a espuma que inferniza veranistas no Rio de Janeiros é “natural”

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As praias fluminenses vem, desde meados de Dezembro de 2013, sendo invadidas por uma espuma malcheirosa que torna o ar quase irrespirável. Agora, o (des) secretário estadual do Ambiente, o ex-ambientalista Carlos Minc, vem a público para proferir uma daquelas máximas que ficariam melhor se não fossem entoadas: a espuma que atormenta os veranistas é “natural” (Aqui!).

O que o ex-ambientalista Minc “esqueceu de dizer” é que o lançamento de esgotos e águas aquecidas de rejeito industrial são duas das prováveis causas prováveis para a magnitude que o evento está tomando. Este tipo de “esquecimento” é uma marca da ecologia de resultados que Minc abraçou faz alguns. O problema é que os resultados dessa ecologia pró-capitalista acaba dando no que dá: espuma malcheirosa.

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Camponeses de Moçambique temem modernização agrícola à brasileira

por AMOS ZACARIAS

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Clipboard013 629x368 Camponeses de Moçambique temem modernização agrícola à brasileira

Nampula, Moçambique, 6/1/2014 – Rodolfo Razão adquiriu, em 2010, o título de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (Duart) de dez hectares, mas só pode explorar sete. Alega que o restante foi ocupado por uma companhia sul-africana que cultiva soja, milho e feijões numa área estimada em dez mil hectares. De nada adiantou queixar-se às autoridades no distrito de Monapo, onde reside, na província de Nampula. Aos 78 anos, pouco pode esperar.

Brígida Mohamad, viúva de 50 anos, sofre por um dos seus sete filhos, cuja terra disse que foi invadida por uma empresa. “Meu filho já não tem onde cultivar, nós não estamos vendendo nossasmachambas” (terreno agrícola), desabafou à IPS em Nacololo, localidade do mesmo distrito de Monapo, onde sempre viveu.

São casos que acentuam o temor com que os camponeses imaginam o Programa de Cooperação Tripartite para o Desenvolvimento Agrícola da Savana Tropical em Moçambique, conhecido como ProSavana e apoiado financeiramente pelas agências de cooperação brasileira (ABC) e japonesa (Jica).

O programa, baseado na tecnologia de agricultura tropical desenvolvida no Brasil, pretende aumentar a produção no corredor de Nacala, uma área de 14,5 milhões de hectares no centro e norte de Moçambique, com potencialidades agronômicas semelhantes às do Cerrado, a savana brasileira. Vivem ali cerca de 4,5 milhões de habitantes, 80% na zona rural, uma alta densidade em comparação com países como o Brasil, que já viveram uma modernização agrícola que promove o êxodo rural.

No entanto, em certos lugares é possível percorrer dois quilômetros sem encontrar uma casa, dada a dispersão e o isolamento das familias dedicadas à agricultura de subsistência em lotes de 1,5 hectares, em média. A mandioca é a principal base alimentar da região. Produzem ainda o milho, abóbora, gergelim, girassol e batata-doce. O algodão, o tabaco e o caju são cultivados para a geração de renda.

A perspectiva de se transformar o corredor em grande celeiro do país, inclusive para a exportação facilitada pelo porto de Nacala, deve intensificar os conflitos pela terra, ao atrair empresas voltadas à produção comercial e ao aumento de produtividade, em extensos estabelecimentos que deslocam populações tradicionais.

A presença dos grandes investidores é uma desgraça, praguejou Brígida Mohamad, ao rejeitar mudanças que não são necessariamente provocadas pelo ProSavana, mas podem acelerar-se por sua influência. Os camponeses não perderão suas terras, o objetivo principal do programa é acolher os agricultores que já estão no terreno e melhorar suas técnicas de produção, garantiu à IPS o coordenador moçambicano do ProSavana, Calisto Bias.

Cotnudo, as comunidades do corredor de Nacala sofrerão uma ruptura na sua forma de viver, porque os grandes investidores trazem novas relações, de empregados e patrões, e as monoculturas põem em xeque o hábito de “produzir um pouco de tudo para sua alimentação”, prevê Sheila Rafi, Oficial de Recursos Naturais da organização não governamental Livaningo.

Gerar emprego por meio de investimentos agrícolas e do estabelecimento de cadeias de valor é de fato uma das “missões” do ProSavana. Outra é modernizar e diversificar a agricultura com vistas a um aumento da produtividade e da produção, informa o site criado pelo Ministério da Agricultura para divulgar o programa (https://www.prosavana.gov.mz/index.php).

Porém, a ameaça mais sentida é a de “usurpação” das terras. Alguns tentam proteger os seus espaços com a obtenção de títulos de Duart, mas não é uma garantia, segundo os depoimentos ouvidos. A lei moçambicana de terras diz que a terra é propriedade do Estado, e não pode ser vendida ou mesmo penhorada. As pessoas, individual ou coletivamente, podem solicitar ao governo o Duart, até um período máximo de 50 anos.

Cerca de 250 camponeses de Nacololo aglomeraram-se, no dia 11 de dezembro, diante da casa do chefe do posto local, exigindo explicações sobre uma alegada usurpação de cerca de 600 hectares pela empresa sul-africana Suni.

O distrito de Malema, a 232 quilômetros da cidade de Nampula, também vive dias turbulentos. No local operam grandes companhias agrícolas como a japonesa Nitori, produtora de algodão, que obteve a concessão de cerca de 20 mil hectares onde vivem algumas famílias a serem reassentadas. Outra é a Agromoz (Agribusiness de Moçambique S.A.), sociedade de capitais brasileiro, moçambicano e português, dedicada ao cultivo de soja em dez mil hectares.

A falta de informações oficiais agrava a incerteza. “Só estamos ouvindo que há um programa chamado ProSavana pelos meios de comunicação e organizações da sociedade civil, o governo ainda não nos falou disto”, afirmou Razão. “Não estamos contra o desenvolvimento, mas queremos políticas que beneficiem o camponês e que nos expliquem o que é isto de ProSavana”, cobrou Costa Estevão, presidente do Núcleo Provincial de Camponeses de Nampula.

O acordo triangular, de aparente complementaridade entre o mercado importador japonês, os conhecimentos brasileiros e as terras de Moçambique, em execução desde 2011, já mostrou seu potencial de controvérsias.

Organizações sociais dos três países se mobilizaram para rejeitar ou reorientar o ProSavana. O Brasil quer “exportar um modelo em conflito”, segundo Fatima Mello, diretora de relações internacionais da organização não governamental brasileira Fase, que participou em agosto da Conferência Triangular dos Povos frente ao ProSavana, em Maputo.

Milhões de camponeses sem terra, êxodo rural, sangrentas disputas de terra, desmatamento e recordes mundiais no uso do agrotóxico são efeitos desse modelo que privilegia o agronegócio, a monocultura para exportãção e as grandes empresas, destacam os ativistas, que defendem a agricultura familiar e a segurança alimentar.

Parte importante na implantação desse modelo foi o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), idealizado em 1974 e executado a partir de 1978, que inspira o ProSavana. Vem do Brasil a tecnologia a ser transferida aos agricultores do Corredor de Nacala. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) capacita técnicos e gestores do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique no primeiro projeto do ProSavana.

Os outros dois componentes, a elaboração do Plano Diretor que avalia as áreas e culturas com potencialidade no Corredor e o Projeto de Extensão e Modelos (PEM), também têm decisiva participação brasileira.

Faltam “um debate público profundo, amplo, transparente e democrático” com a sociedade  e a avaliação de impacto ambiental exigida legalmente, protestaram 23 organizações e movimentos sociais moçambicanos, apoiados por 42 internacionais, em carta aberta aos governantes do Brasil, Japão e Moçambique, assinada em Maputo no dia 23 de maio do ano passado.

Os signatários reivindicam suspensão imediata das ações do ProSavana, abertura de um diálogo oficial com todos os sectores sociais do país, prioridade para a agricultura camponesa e agroecológica e uma política de soberania alimentar. Todos os recursos destinados ao ProSavana devem ser “realocados na definição e elaboração de um Plano Nacional de Apoio à Agricultura Familiar sustentável”, afirma a carta. Envolverde/IPS

+ProSavana (http://www.gov.mz), em português e inglês

+Instituto de Estudos Sociais e Econômicos (http://www.iese.ac.mz), em português

+Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (http://www.embrapa.br), em português, inglês e espanhol

FONTE: http://www.ipsnoticias.net/portuguese/2014/01/ultimas-noticias/camponeses-de-mocambique-temem-modernizacao-agricola-a-brasileira/

Desapropriações no Porto do Açu: esquisitices de um processo podem ser a ponta de um iceberg de violações de direitos

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Este blog existe há cerca de três anos e ao longo desse tempo me detive a falar de problemas sérios na forma com que as desapropriações vinham ocorrendo, especialmente no tocante ao direito de defesa dos agricultores desapropriados. Mas até agora não tinha me deparado com um caso tão singular como o que me foi enviado por uma fonte que acompanha a questão das desapropriações de perto.

O caso em questão é o do agricultor Walter Alves Barreto que teve sua pequena propriedade de 2,36 hectares desapropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro a partir do processo No. 0003136.2012.8.19.0053

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Como em outros múltiplos casos, o Sr. Walter Alves Barreto (um octagenário cego) é citado como “Réu Ignorado” no processo. Entretanto, no caso dele havia uma advogada constituída, a Dra. Ana Ferraz. Mas como se vê abaixo, a advogada Ana Ferraz, apesar de constituída, não estava com tempo disponível para, sequer, estar presente no momento em que o Sr. Walter sofreu o processo de expropriação de seu pequeno pedaço de terra. É que segundo a oficial de justiça que realizou a imissão de posse, tendo sido comunicada, a advogada Ana Ferraz alegou que “estava ciente de tudo, mas que não poderia ali comparecer”.

processo 2A imagem abaixo mostra que, na ausência da advogada do Sr. Walter Pinheiro, a imissão de posse se deu de forma corriqueira, sem que um homem de mais de 80 anos tivesse sequer o direito básico de que fossem elencados de forma observada quais os bens que existiam dentro da propriedade naquele momento.

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Diante desses fatos, eu fico me perguntando em quantos casos de desapropriação realizados pela CODIN em São João da Barra este tipo de situação ocorreu. Aproveito para, desde já, disponibilizar o espaço deste blog para que a advogada Ana Ferraz explique à sociedade fluminense quais foram os motivos (certamente fortes) que a impediram de acompanhar a desapropriação das terras de um cliente idoso, pobre e cego. Além disso, se ela desejar, ela poderia também explicar porque não existe nos autos desse processo uma só petição em favor dos interesses de seu cliente.

Já em relação à Defensoria Pública Estadual e à Ouvidoria Agrária Estadual, eu apenas perguntaria se não há que possa ser feito em prol de um cidadão que dedicou quase toda a sua vida ao cultivo de alimentos.  Simples assim.

BBC: Conheça 10 transgênicos que já estão na cadeia alimentar

Thomas Pappon, Da BBC Brasil em Londres

Foto: PASalmão geneticamente modificado é primeiro animal do tipo a ser liberado para o consumo

No final de dezembro passado, a agência que zela pela segurança alimentar nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou para consumo um tipo de salmão geneticamente modificado, reacendendo o debate sobre a segurança dos transgênicos e suas implicações éticas, econômicas sociais e políticas.

É a primeira vez que um animal geneticamente modificado é aprovado para consumo humano.

Mas muitos consumidores nos Estados Unidos, Europa e Brasil, regiões em que os organismos geneticamente modificados (OGMs) em questão de poucos anos avançaram em velocidade surpreendente dos laboratórios aos supermercados, passando por milhões de hectares de áreas cultiváveis, continuam desconfiados da ideia do homem cumprindo um papel supostamente reservado à natureza ou à evolução – e guardam na memória os efeitos nocivos, descobertos tarde demais, de “maravilhas” tecnológicas como o DDT e a talidomida.

Boa parte do público ainda teme possíveis efeitos negativos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente.

Pesquisas de opinião nos Estados Unidos e na Europa, entretanto, indicam que a resistência aos OGMs tem caído, refletindo, talvez, uma tendência de gradual mudança de posição da percepção pública.

As principais academias de ciências do mundo e instituições como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são unânimes em dizer que os transgênicos são seguros e que a tecnologia de manipulação genética realizada sob o controle dos atuais protocolos de segurança não representa risco maior do que técnicas agrícolas convencionais de cruzamento de plantas.

CliqueLeia mais: Testes ‘são robustos o suficiente’, diz especialista

O salmão transgênico, que pode chegar às mesas de jantar em 2014, será o primeiro animal geneticamente modificado (GM) consumido pelo homem.

Vários produtos GM já estão nos supermercados, um fato que pode ter escapado a muitos consumidores – apesar da (discreta) rotulagem obrigatória, no Brasil e na UE, de produtos com até 1% de componentes transgênicos.

A BBC Brasil preparou uma lista com 10 produtos e derivados que busca revelar como os transgênicos entraram, estão tentando ou mesmo falharam na tentativa de entrar na cadeia alimentar.

MILHO

Protesto de fazendeiros mexicanos contra milho transgênico. |Foto: ReutersDezoito variedade de milho transgênico são aprovadas para consumo no Brasil

Com as variantes transgênicas respondendo por mais de 85% das atuais lavouras do produto no Brasil e nos Estados Unidos, não é de se espantar que a pipoca consumida no cinema, por exemplo, venha de um tipo de milho que recebeu, em laboratório, um gene para torná-lo tolerante a herbicida, ou um gene para deixá-lo resistente a insetos, ou ambos. Dezoito variantes de milho geneticamente modificado foram autorizadas pelo CTNBio, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que aprova os pedidos de comercialização de OGMs.

O mesmo pode ser dito da espiga, dos flocos e do milho em lata que você encontra nos supermercados. Há também os vários subprodutos – amido, glucose – usados em alimentos processados (salgadinhos, bolos, doces, biscoitos, sobremesas) que obrigam o fabricante a rotular o produto.

O milho puro transgênico não é vendido para consumo humano na União Europeia, onde todos os legumes, frutas e verduras transgênicos são proibidos para consumo – exceto um tipo de batata, que recentemente foi autorizado, pela Comissão Europeia, a ser desenvolvido e comercializado. Nos Estados Unidos, ele é liberado e não existe a rotulação obrigatória.

ÓLEOS DE COZINHA

Os óleos extraídos de soja, milho e algodão, os três campeões entre as culturas geneticamente modificadas – e cujas sementes são uma mina de ouro para as cerca de dez multinacionais que controlam o mercado mundial – chegam às prateleiras com a reputação “manchada” mais pela sua origem do que pela presença de DNA ou proteína transgênica. No processo de refino desses óleos, os componentes transgênicos são praticamente eliminados. Mesmo assim, suas embalagens são rotuladas no Brasil e nos países da UE.

SOJA

Foto: ReutersÓleo de soja é o principal subproduto do cultivo transgênico para o consumidor

No mundo todo, o grosso da soja transgênica, a rainha das commodities, vai parar no bucho dos animais de criação – que não ligam muito se ela foi geneticamente modificada ou não. O subproduto mais comum para consumo humano é o óleo (ver acima), mas há ainda o leite de soja, tofu, bebidas de frutas e soja e a pasta misso, todos com proteínas transgênicas (a não ser que tenham vindo de soja não transgênica). No Brasil, onde a soja transgênica ocupa quase um terço de toda a área dedicada à agricultura, a CTNBio liberou cinco variantes da planta, todas tolerantes a herbicidas – uma delas também é resistente a insetos.

CliqueLeia mais: Pela 1ª vez, transgênicos ocupam mais da metade da área plantada no Brasil

MAMÃO PAPAYA

Os Estados Unidos são o maior importador de papaya do mundo – a maior parte vem do México e não é transgênica. Mas muitos americanos apreciam a papaya local, produzida no Havaí, Flórida e Califórnia. Cerca de 85% da papaya do Havaí, que também é exportada para Canadá, Japão e outros países, vem de uma variedade geneticamente modifica para combater um vírus devastador para a planta. Não é vendida no Brasil, nem na Europa.

QUEIJO

Aqui não se trata de um alimento derivado de um OGM, mas de um alimento em que um OGM contribuiu em uma fase de seu processamento. A quimosina, uma enzima importante na coagulação de lacticínios, era tradicionalmente extraída do estômago de cabritos – um procedimento custoso e “cruel”. Biotecnólogos modificaram micro-organismos como bactérias, fungos ou fermento com genes de estômagos de animais, para que estes produzissem quimosina. A enzima é isolada em um processo de fermentação em que esses micro-organismos são mortos. A quimosina resultante deste processo – e que depois é inserida no soro do queijo – é tida como idêntica à que era extraída da forma tradicional. Essa enzima é pioneira entre os produtos gerados por OGMs e está no mercado desde os anos 90. Notem que o queijo, em todo seu processo de produção, só teve contato com a quimosina – que não é um OGM, é um produto de um OGM. Além disso, a quimosina é eliminada do produto final. Por isso, o queijo escapa da rotulação obrigatória.

PÃO, BOLOS e BISCOITOS

Foto: GettyBolos e pães têm componentes derivados de milho e soja transgênicos

Trigo e centeio, os principais cereais usados para fazer pão, continuam sendo plantados de forma convencional e não há variedades geneticamente modificadas em vista. Mas vários ingredientes usados em pão e bolos vêm da soja, como farinha (geralmente, nesse caso, em proporção pequena), óleo e agentes emulsificantes como lecitina. Outros componentes podem derivar de milho transgênico, como glucose e amido. Além disso, há, entre os aditivos mais comuns, alguns que podem originar de micro-organismos modificados, como ácido ascórbico, enzimas e glutamato. Dependendo da proporção destes elementos transgênicos no produto final (acima de 1%), ele terá que ser rotulado.

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Seis variedades de abobrinha resistentes a três tipos de vírus são plantadas e comercializadas nos Estados Unidos e Canada. Ela não é vendida no Brasil ou na Europa.

ARROZ

Uma das maiores fontes de calorias do mundo, mesmo assim, o cultivo comercial de variedades modificadas fica, por enquanto, na promessa. Vários tipos de arroz estão sendo testados, principalmente na China, que busca um cultivo resistente a insetos. Falou-se muito no golden rice, uma variedade enriquecida com beta-caroteno, desenvolvida por cientistas suíços e alemães. O “arroz dourado”, com potencial de reduzir problemas de saúde ligados à deficiência de vitamina A, está sendo testado em países do sudeste asiático e na China, onde foi pivô de um recente escândalo: dois dirigentes do projeto foram demitidos depois de denúncias de que pais de crianças usadas nos testes não teriam sido avisados de que elas consumiriam alimentos geneticamente modificados.

FEIJÃO

A Empresa Brasileira para Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conseguiu em 2011 a aprovação na CTNBio para o cultivo comercial de uma variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, tido como o maior inimigo dessa cultura no país e na América do Sul. As sementes devem ser distribuídas aos produtores brasileiros – livre de royalties – em 2014, o que pode ajudar o país a se tornar autossuficiente no setor. É o primeiro produto geneticamente modificado desenvolvido por uma instituição pública brasileira.

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Foto: APFeijão transgênico deve ser distribuído no Brasil em 2014

Após a aprovação prévia da FDA, o público e instituições americanos têm um prazo de 60 dias (iniciado em 21 de dezembro) para se manifestar sobre o salmão geneticamente modificado para crescer mais rápido. Em seguida, a agência analisará os comentários para decidir se submete o produto a uma nova rodada de análises ou se o aprova de vez. Francisco Aragão, pesquisador responsável pelo laboratório de engenharia genética da Embrapa, disse à BBC Brasil que tem acompanhado o caso do salmão “com interesse”, e que não tem dúvidas sobre sua segurança para consumo humano. “A dúvida é em relação ao impacto no meio ambiente. (Mesmo criado em cativeiro) O salmão poderia aumentar sua população muito rapidamente e eventualmente eliminar populações de peixes nativos. As probabilidades de risco para o meio ambiente são baixas, mas não são zero…na natureza não existe o zero”.

E ESTES NÃO DERAM CERTO…

A primeira fruta aprovada para consumo nos Estados Unidos foi um tomate modificado para aumentar sua vida útil após a colheita, o “Flavr Savr tomato”. Ele começou a ser vendida em 94, mas sua produção foi encerrada em 97, e a empresa que o produziu, a Calgene, acabou sendo comprada pela Monsanto. O tomate, mais caro e de pouco apelo ao consumidor, não emplacou. O mesmo ocorreu com uma batata resistente a pesticidas, lançada em 95 pela Monsanto: a New Leaf Potato. Apesar de boas perspectivas iniciais, ele não se mostrou economicamente rentável o suficiente para entusiasmar fazendeiros e foi tirada do mercado em 2001.

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/02/130207_transgenicos_lista_tp.shtml

Revista “New Yorker” critica excessos em estádios da Copa

Bíblia do jornalismo dos EUA vê Itaquerão como ‘monumento à gentrificação’

Do UOL, em São Paulo

 

A nova edição da revista New Yorker, considerada a Bíblia do jornalismo norte-americano, apresenta um texto de 14 páginas sobre o futebol brasileiro, a preparação do país para a Copa do Mundo e o Corinthians.

Escrita para o público dos Estados Unidos, a reportagem cita o Itaquerão, palco da abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, como um “monumento à gentrificação”, compara Andrés Sanchez ao magnata Donald Trump, Ronaldo a um astro do beisebol, Romário ao boxeador Muhammad Ali e define a CBF como uma entidade “desonrosa”.

Gentrificação é o nome que se dá ao fenômeno social que afeta a população de baixa renda de determinado lugar por meio da valorização imobiliária provocada por um novo empreendimento, como um shopping center ou um estádio de futebol, por exemplo.

Após a construção desse novo equipamento, o preço dos imóveis da vizinhança aumenta, obrigando a população pobre a se mudar – em geral para um bairro mais distante. Os serviços, por consequência, também ficam mais caros, excluindo também pequenos comerciantes.

“O estádio, um monumento à gentrificação, terá o maior telão digital da Terra e uma iluminação duas vezes mais forte do que a utilizada na Allianz Arena, em Munique. Segundo dizem, será visível, em uma noite clara, a 80 km de distância”, diz o texto.

O jornalista Ben McGrath, autor da matéria, compara o luxo do estádio com o que viu em sua visita à Itaquera escrevendo que “o caminho deixou arranha-céus para trás e nos levou direto para a arruinada zona leste, onde grafites e lixo predominam.” Em volta do estádio, “homens trabalhavam para transformar encostas barrentas de uma colina em um cinturão verde”.

O texto, então, faz uma crítica aos estádios construídos para o mundial. McGrath afirma que o Itaquerão, pelo menos, receberá jogos de um grande time quando a Copa do Mundo acabar. “Mas o que será do recentemente reformado Estádio Nacional, com 70 mil lugares, de Brasília, uma cidade cujos maiores times jogam em divisões menores, para plateias que geralmente não passam de algumas centenas?”

A Arena da Amazônia, segundo sugere o autor, também poderá se transformar num elefante branco para Manaus, “uma cidade cercada por 8 mil km² de floresta amazônica”. “Nenhum time do Amazonas competiu em alto nível nos últimos 30 anos”, diz.

REVISTA FALA DE FUTEBOL, CORINTHIANS E COPA DO MUNDO

Comparações com TV e beisebol

Talvez para situar seu público, McGrath opta para comparar figuras do futebol brasileiro com possíveis similares norte-americanos. Para ele, o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, que atualmente é responsável por supervisionar a construção da nova arena corintiana, soa como o empresário Donald Trump, dono de uma vasta rede de hotéis e cassinos e criador do reality show “O Aprendiz”.

“Cada metro quadrado foi projetado [do estádio] em um esquema para dar dinheiro”, escreve McGrath. A impressão do autor foi corroborada pelo próprio Andrés, que disse que declarou a ele que “a ideia era fazer o melhor e maior shopping center do mundo com um campo de futebol no meio.”

Ainda no campo das comparações, a reportagem diz que o ex-jogador Romário é hoje uma das maiores vozes da oposição à Copa do Mundo. “Antes conhecido como um playboy, ele é agora um congressista socialista – um Derek Jeter que se remodelou como Muhammad Ali para aproveitar o momento político”.

Jogador de beisebol, Jeter é o capitão do New York Yankees e já participou 13 vezes do Jogo das Estrelas. O atleta é famoso por seus relacionamentos amorosos com atrizes e modelos. Ronaldo também foi comparado a um jogador de beisebol: David Ortiz, o Big Papi. Com 104 quilos, o rebatedor é ídolo em Boston por suas atuações em momentos decisivos.

Corrupção, violência e Bom Senso

A CBF foi citada como desonrosa e caça-níquel por McGrath. “O problema não é só que poucos atletas da Seleção jogam no Brasil, mas o time nacional fica anos sem jogar em solo brasileiro. Em vez disso, faz turnês pelo mundo, como os Harlem Globetrotters, para levantar dinheiro para a desonrosa CBF.”

A entidade, ainda segundo o autor, serve como um vilão muito conveniente para os jovens que estão protestando contra a corrupção. McGrath lembra, então, que Ricardo Teixeira se envolveu em escândalos de corrupção e José Maria Marín foi flagrado pegando uma medalha na premiação da Copa São Paulo em 2012.

Ao longo da matéria, o autor cita casos recentes de violências nos estádios provocados por torcidas organizadas e aponta que muitas delas recebem dinheiro dos clubes para ir aos jogos.

Boa parte do texto é dedicada à história do Corinthians e à sua principal torcida, a Gaviões da Fiel. O jornalista fala sobre o jejum de 23 anos, a democracia corintiana e entrevista o capitão Paulo André, aproveitando para citar a criação do movimento para pedir mudanças no calendário do futebol Bom Senso F.C. O nome do grupo, segundo McGrath, foi uma criação do publicitário Washington Olivetto.

FONTE: http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/01/06/biblia-do-jornalismo-dos-eua-ve-itaquerao-como-monumento-a-gentrificacao.htm

Quissamã: mais um mega empreendimento, mais expropriações de agricultores familiares

Vem do blog do jornalista Roberto Barbosa a informação de que em mais um município do Norte Fluminense o Estado resolveu assumir o papel de grileiro de terras para favorecer um mega empreendimento privado. Agora foi a vez do prefeito de Quissamã, Octavio Carneiro (PP), se valer da caneta para desapropriar uma área equivalente a 5.000 hectares para favorecer a construção de um aeródromo. Apenas à guisa de comparação, a área desapropriada pelo (des) governo Cabral para a construção de um suposto distrito industrial no V Distrito de São João da Barra foi de 7.500 hectares. Em suma, é muita terra!

Agora é esperar que os proprietários esbulhados resolvam se organizar para defender os seus direitos, como já o fizeram os agricultores liderados pela ASPRIM. Do contrário, vai ter suas terras expropriadas a preço de banana. Ou melhor, a preço de minério de ferro que é mais barato!

Quissamã é terra sem lei: prefeito desapropria metade da cidade para entregar as grandes empresas

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 Trecho do decreto publicado nesta terça-feira, dia 31, pelo prefeito de Quissamã Octávio Caneiro, que destina uma de 50 milhões de metros quadrados para fins de desapropriação

O prefeito de Quissamã, no Norte Fluminense, Octávio Carneiro (PP), é um grande fazendeiro e criador de gado nesta pequena cidade. Tem ódio do Movimento Sem-Terra e qualquer outro grupo que defenda a espoliação de propriedade privada. Não gosta nem de ouvir falar na palavra desapropriação, quando o negócio se refere as suas posses, é claro.

Já as terras do vizinho, ele quer mais é que caíam nos domínios das empresas que almejam grandes negócios no Estaleiro de Barra do Furado. É uma triste constatação! É também uma frustração para todos que acreditaram na palavra deste senhor de 80 anos.

Nesta terça-feira, dia 31, véspera de ano novo, Carneiro acaba de desferir mais uma apunhalada nos proprietários rurais de Quissamã. Ele publicou decreto declarando uma área de 50.000.000 metros quadrados para fins de desapropriação. É uma faixa que vai de São Miguel do Furado à Machado.  O objetivo, segundo o decreto, é a construção de um Aeródromo.

O município, com isso, perde a metade do seu território. Octávio Carneiro praticamente encampou a maior parte das propriedades privadas da cidade. Está tomando as terras dos pequenos produtores para entregar aos grandes empresários.

O decreto é muito mais do que um ato oficial. É a declaração de que Octávio Carneiro é muito pior do que muitos imaginam. Outra pergunta que não quer calar: este município tem Procuradoria-Geral? Como é que advogados permitem uma barbaridade desta?

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Octávio Carneiro: na foto ele reage a manifestação de populares contra o seu governo em setembro deste ano, mas a língua, na verdade, simboliza o desprezo pela opinião pública.

O ato será objeto de Ações Populares. O caso está sendo analisado pelo advogado Antônio Maurício Costa. Os proponentes, entre outras coisas, irão pedir o imediato bloqueio dos bens de todos os responsáveis por esta aberração, principalmente de Octávio Carneiro, que a partir de hoje carimbou o passaporte para deixar a política pela porta dos fundos. Entra para história como um autêntico entreguista.

Fica aqui a lembrança do que Ignácio Barbosa ensinava aos mais jovens: “Respeitem sempre os cabelos brancos, mas tenham cautela, porque os canalhas também envelhecem”.

Ignácio Barbosa foi meu distinto avô, que viveu até os 110 anos, e construiu um patrimônio moral sedimentado sobre sua honradez que orgulha seus herdeiros.

Impacto social

Nesta faixa de 50 milhões de metros quadrados, está situada a propriedade do senhor Homero. Ele é o maior produtor de leite do Estado do Rio. Sua produção abastece a Cooperativa de Macuco, que funciona na Zona Especial de Negócios. Se este senhor deixa de produzi, a cooperativa simplesmente fecha as portas.

A partir da publicação do decreto, o senhor Homero e todos os demais produtores ficam impedidos de vender suas respectivas propriedades. A partir de agora não são mais donos de nada.

E a fazenda de Octávio Carneiro? Está totalmente livre do ato oficial que toma a propriedade dos outros.

FONTE: http://www.viuonline.com.br/blogs/robertobarbosa/quissama-e-terra-sem-lei-prefeito-desapropria-metade-da-cidade-para-entregar-as-grandes-empresas/

Eike Batista: o ano é novo, mas os problemas são velhos

O ano é novo, mas os problemas de Eike Batista são velhos. Ao entregar a ex-OGX para seus credores em troca do perdão de dívidas bilionárias, Eike “só” se esqueceu de combinar o jogo com os acionistas minoritários que agora prometem entrar com mais um processo judicial para defender seus interesses.

O interessante nisso tudo é que apesar de Eike Batista estar demonstrando uma bela capacidade de se livrar dos bilhões de papagaios que acumulou por causa do colapso financeiro do seu Grupo EBX, os acionistas minoritários estão provando ser uma tremenda pulga na cueca, assim por dizer.

E por isso que 2014 está começando com a maior cara de ano velho para Eike.

 

Em disputa 1

Dívida com os credores ou com a empresa?

O grupo de minoritários da OGX que já move uma ação na Justiça contra Eike Batista, seu pai, Eliezer Batista, e a CVM vai entrar, agora, com outro processo, desta vez contra Eike e os credores da petroleira.

Na véspera de Natal, foi anunciado um acordo pelo qual o ex-bilionário entregou a companhia aos credores em troca de novos aportes financeiros e do perdão de uma dívida de 1 bilhão de dólares que tinha com a OGX.

Do outro lado da negociação estavam os fundos americanos Blackrock e Pimco, que também serão alvo da ação dos minoritários. Segundo os minoritários, a dívida de Eike é com a empresa e não com os credores.

Por Lauro Jardim

Gandhi e as nuvens de endosulfan

Desde o final do ano passado, a TV Cultura explicitou o apoio que recebe da Monsanto através de anúncio veiculado na emissora: “TV Cultura, apoio Monsanto: produzir mais, conservar mais e ajudar agricultores”.

Silvio Mieli

O marketing social de empresas como a Monsanto, que vinculam a sua marca a ações de preservação da memória, visa mascarar o impacto nefasto da sua política e dos seus produtos.

Desde o final do ano passado, a TV Cultura explicitou o apoio que recebe da Monsanto através de anúncio veiculado na emissora: “TV Cultura, apoio Monsanto: produzir mais, conservar mais e ajudar agricultores”.

A Monsanto patrocinou a digitalização do acervo de imagens da Fundação Padre Anchieta, além de arquivos da extinta TV Tupi e da TV Record adquiridos pela Cultura. Na mídia impressa, a Monsanto está financiando a organização do arquivo do jornal A Tarde, um dos mais antigos da Bahia. O projeto inclui a capacitação de professores da rede pública e a distribuição de jornais e livros para pesquisa no interior do estado.

Como contraponto a estas ações hipócritas de identificação da marca Monsanto à preservação do patrimônio cultural, sugiro o recente documentário “Nuvens de Veneno” (http://bit.ly/1cdtcvQ), do cineasta e professor da UFRJ Beto Novaes — lançado em Cuiabá em dezembro último. O fi lme destaca o estado de Mato Grosso, que virou um mar de soja, como o campeão nacional em uso de venenos agrícolas.

Alguns dos produtos citados no filme, como o devastador endosulfan, são os mesmos que provocaram a morte, em 1997, da filha de Sofía Gatica, fundadora do movimento das Mães de Ituzaingo (bairro da cidade de Córdoba, na Argentina). Apesar das sucessivas ameaças, o movimento conseguiu o banimento do endosulfan na Argentina e agora luta contra a implantação de uma gigantesca planta da Monsanto nas Malvinas.

Em seu site a Monsanto cita Gandhi: “Devemos ser nós mesmos a mudança que queremos no mundo”. Infelizmente, Gandhi não pode responder à empresa de viva voz, mas Vanda Shiva, uma outra indiana iluminada e boa de briga, deu o troco através de uma mensagem de fim de ano: “…Lançamos este apelo para que identifiquem as leis, em seus países, que estão suprimindo essa liberdade. Da terra, das espécies, dos seres humanos.

Vamos identificá-las. E, então, fazer o mesmo que Gandhi fez com as leis do sal dos britânicos: Não Obedecer! … Vocês podem comprar as Blackwaters do mundo, dispor de inteligência para assediar cada cientista e ativista, mas nós não temos medo. Não permitiremos que a Monsanto mande, por meio de leis feitas pela Monsanto. Para condicionar nossas sementes, nossa agricultura, nossa comida.”

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/26993

Apenas 124 pessoas concentram mais de 12% do PIB do Brasil

Blog Controvérsia

As 124 pessoas mais ricas do Brasil acumulam um patrimônio equivalente a R$ 544 bilhões, cerca de 12,3% do PIB, o que ajuda a entender porque o país é considerado um dos mais desiguais do mundo.

Estas 124 pessoas integram a última lista de multimilionários divulgada nesta segunda-feira pela revista ‘Forbes’, que inclui todos os brasileiros cuja fortuna supera R$ 1 bilhão.

O investidor chefe do fundo 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, que acaba de adquirir a fabricante de ketchup Heinz e é um grande acionista da cervejaria AB InBev e do Burger King, ficou com o primeiro lugar.

A fortuna de Lemann, de 74 anos, chega a R$ 38,24 bilhões, enquanto o segundo da lista, Joseph Safra, empresário de origem libanesa e dono do banco Safra, tem ativos de R$ 33,9 bilhões.

A maioria das fortunas corresponde a membros de famílias que dominam as grandes empresas de setores como mídia, bancos, construção e alimentação.

Entre os 124 multimilionários brasileiros apenas o cofundador de Facebook, Eduardo Saverin, constituiu seu patrimônio por meio da internet.

O empresário Eike Batista, que chegou a ser o sétimo homem mais rico do mundo e perdeu parte de sua fortuna pela vertiginosa queda do valor das ações de sua companhia petrolífera OGX e do resto das empresas de seu conglomerado EBX, ficou em 52º lugar na lista.

A grande fortuna concentrada por estes milionários comprova a veracidade dos indicadores oficiais que classificam o Brasil como um dos países com maiores disparidades entre ricos e pobres.

O índice de Gini do país foi de 0,501 pontos em 2011, em uma escala de zero a um, na qual os valores mais altos mostram uma disparidade mais profunda entre ricos e pobres.

Cerca de 41,5% das rendas trabalhistas se concentram nas mãos de 10% dos mais ricos, segundo dados do censo de 2010, enquanto metade da população vivia, nesse ano, com uma renda per capita mensal de menos de R$ 375.

FONTEhttp://cebes.com.br/2014/01/apenas-124-pessoas-concentram-mais-de-12-do-pib-do-brasil/