Rasgando a fantasia meritocrática de Aécio Neves

Muito além do mito

por Wagner Xavier, Belo Horizonte

Aécio Cunha Neves nasceu em 10 de março de  1960, em Belo Horizonte,  filho de Aécio Ferreira da Cunha (1927 – 2010, Teófilo Otoni), e Inês Maria Neves da Cunha (1939, filha de Tancredo Neves). O Pai de Aécio foi deputado durante os anos de 1954 a 1987. Em 1954, ele foi eleito parlamentar com os votos do Vale do Mucuri, apesar do seu pouco conhecimento da região, mudou-se para lá somente três anos antes da eleição. Filho do também político Tristão da Cunha – deputado estadual (PRM) e Deputado Federal, o avô do senador Aécio e um dos assinantes do Manifesto dos Mineiros.

Em 1972, aos 12 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro – Avenida Vieira Souto – um amplo apartamento, no seio da burguesia carioca. Mesmo morando no Rio, com 17 anos de idade, ocupou o cargo de Secretário de Gabinete Parlamentar em Brasilia até 1981. Em 1982 volta para BH, para ser secretário particular do seu avô Tancredo Neves – PMDB, que em 1983 assume o governo de Minas Gerais. Após a morte do avô, Aécio Neves e eleito deputado federal em 1986, com 236.019 votos, pelo PMDB –  seu pai, Aécio Cunha, era candidato a vice na outra chapa. Em 1990, já no PSDB, é reeleito, com somente 42.412 votos – 17.9% dos votos que teve quatro anos antes.

Sua primeira grande derrota aconteceu em 1992, como candidato a prefeito de BH. Nessa eleição, triunfou Patrus Ananias, e Aécio ficou em terceiro lugar. Em 1994, Aécio se elege Deputado Federal com uma boa votação, passando de 42 mil votos para 105.385. Foi reeleito 4 anos depois com 185.050.

Aécio Cunha Neves unifica duas vertentes da política mineira, no entanto, gosta de falar de uma somente, a do lado materno – mesmo assim reescrevendo-a, ao seu estilo de censor. Nessa bibliografia aparece um Tancredo de Almeida Neves (1910), político de São João Del Rei, que foi Ministro da Justiça (1953) de Getúlio Vargas e foi Diretor do Banco de Credito de Minas Gerais e do Banco do Brasil. Tancredo casa-se com Risoleta Guimarães Tolentino Neves (1917), nascida em Cláudio – Oeste de Minas Gerais. Risoleta morreu em 2003 no Rio de Janeiro. Em 1939 nasceu Inês Maria Tolentino Neves que com 17 anos (1958), casa-se com Aécio Ferreira da Cunha, com quem tem três filhos – Andrea Neves da Cunha (1959); Aécio Neves da Cunha (1960) e Ângela Neves da Cunha (1962). Em 1984, Inês tem o segundo casamento com o Banqueiro Gilberto de Andrade Faria, que foi Presidente do Banco da Lavoura e do Banco Bandeirante.

Os Cunha/Neves tem outro ramo familiar que pouco aparece – Aécio Ferreira da Cunha, 1927, filho de Tristão Ferreira da Cunha. Há quem diga que esse é o lado familiar que Aécio Cunha Neves tenta deletar da sua história. Tristão Cunha, político conservador de família tradicional de Teófilo Otoni, assina em 1937 o Manifesto dos Mineiros – contra Getúlio Vargas. A cronologia política mostra que Tristão foi Secretário da Educação e Saúde (1945) e no ano seguinte foi eleito deputado federal, até 1962. Seu filho Aécio Ferreira da Cunha é eleito deputado Estadual em 1954 e 1958. Tristão Cunha e seu filho “Aécio pai” apoiam o golpe militar. Tristão Cunha ocupa o cargo de presidente do CADE, até falecer. Na eleição de 1962, o pai do senador mineiro e presidenciável tucano, Aécio Cunha, recebe dinheiro do IBAD e ONGs ligadas aos EUA para ajudar a preparar o golpe militar. Aécio Cunha -pai -, é eleito deputado federal de 1962 a 1986, pela ARENA, PDS e PFL, (foi presidente Estadual da ARENA) e em 1986 foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Itamar Franco, que perdeu a eleição para Newton Cardoso e Júnia Marise. O pai de Aécio faleceu em 2010.

Aécio fica até os 22 anos no Rio, morando na Av. Vieira Souto, onde desfruta da boa vida da elite carioca. Nesse período, de costas para os conflitos que aconteciam durante a ditadura, o jovem Aécinho curte a vida de bom surfista e das boas baladas na noite carioca. Em 1982, com a eleição de seu avô materno, Tancredo Neves, Aécio volta para a terra natal (Belo Horizonte), onde conclui seus estudos no curso de economia, na PUC do bairro Dom Cabral. Aqui cabe explicar que nos seus anos estudantis, ele não participa do Movimento Estudantil. No mesmo ano, Aecinho, como é chamado pela família, ocupa o cargo de secretário particular do avô, Tancredo Neves, até a morte em 21 de abril de 1985. Com o falecimento do avô, ele é nomeado por José Sarney para dirigir a Caixa Econômica Federal – (nossa que família que gosta de um cargo num Banco Público).

De diretor do banco estatal, Aécio é eleito deputado federal em 1986 com 236.019 votos, a maior votação de Minas. Especialistas políticos desse período são unanimes em avaliar que nesse pleito, Aécio estava na chapa vitoriosa de Newton Cardoso/Júnia e que o segundo colocado da chapa concorrente estava seu próprio pai, do PFL, como vice de Itamar (PL). Uma super estratégia, já que Aécinho mantinha assim os pés nas duas chapas.

No senado, Aécio Cunha Neves, se especializou em denunciar o “carginhos dos companheiros do PT” mais eleito senador por Minas Gerais, arrumou um cargo de Vice-Presidente da COPASA para o seu Primeiro Suplente – Elmiro Nascimento Democrata(ex-PFL) -fazendeiro e ex-prefeito de Patos de Minas- e ainda para o seu Segundo Suplente – Tilden Santiago – um cargo de Diretor da COPASA.

A família Cunha Neves, adora um cargo público, principalmente se for de um Banco Estatal ou empresas de energia elétrica.

 

Nome Cargo Estatal Período
Tancredo Neves Diretor Banco do Brasil JK
Tancredo Neves Presidente Banco Crédito de MG Clóvis Salgado
Tristão Cunha Presidente CADE Ditadura Militar
Aécio Ferreira Cunha Presidente do Conselho de Administração BNDES Itamar
Aécio Ferreira Cunha Conselheiro Furmas Itamar
Aécio Ferreira Cunha Conselheiro CEMIG Até falecimento.
Aécio Neves Diretor Caixa Econômica Federal Governo Sarney

são anos de aparelhismo.  Aécio tenta criar, com auxilio de muitos, uma imagem positiva de grande estrategista, mais quando não tem a irmã perto, fala coisa que não devia. Como diz o Ciro Gomes, “Aécio não lê e não formula”  mais Aécio já tirou esta frase da globosfera assim como tirou o resultado da sua derrota na eleição na Prefeitura de BH. 

FONTE:  Notícias Brasil de Fato

Mídia corporativa joga todas as moedas em Aécio Neves. O que querem em troca?

O período que se abriu após o final do primeiro turno das eleições presidenciais trouxe o compromisso escancarado de grandes, médios e pequenos grupos da imprensa corporativa em prol da vitória de Aécio Neves. O que temos visto nos jornalões e jornalecos é de deixar qualquer professor de cursos de comunicação social coçando a cabeça tal a parcialidade e torcida escancarada dos proprietários e asseclas da maioria destes veículos.

Aliás, se não fosse pela blogosfera, Aécio Neves já teria entrado na fila de canonização do Vaticano, enquanto Dilma Rousseff já teria sido encaminhada para a fogueira de Tomás de Torquemada.

Mas há alguma surpresa nisso? Como não conheço nenhum órgão da imprensa corporativa que seja propriedade dos trabalhadores não vejo surpresa alguma. Agora, o problema é que os governos do PT alimentaram a maioria dos que hoje jogam pedras na sua vidraça com bilhões de reais dos contribuintes, de norte a sul do Brasil. Tivessem os governos Lula e Dilma parado de injetar dinheiro nesses supostos órgãos de informação, a maioria já teria falido para o bem da liberdade de expressão no Brasil, diga-se de passagem. 

Melhor fez Cristina Kirchner que impôs a chamada “Lei de Medios”  para quebrar o monopólio da informação, acabando com a mamata do Grupo Clarín. No Brasil, quanto antes tivermos algo assim, melhor será para a nossa claudicante democracia. Mas pelo momento, que se corte as verbas publicitárias dessa gente. Vamos ver como eles se virariam.

El País: Grandes proprietários, a causa do desflorestamento na Amazônia

Um estudo demonstra que a destruição da selva, freada durante quase uma década, voltou a aumentar em 2013

Por Miguel Ángel

A Amazônia já perdeu quase 20% de sua extensão original. / ALEXANDER LEES

 Alguns poucos milhares de proprietários, com fazendas de mais de 1.000 hectares, são os principais responsáveis pelo desflorestamento da Amazônia. Um estudo, apoiado em satélites, mostra que o plano do Governo do Brasil para frear a desaparição da selva está se esgotando. Inclusive, em 2013, houve um aumento do corte de árvores.

No começo do século XX, o ritmo do desflorestamento da Amazônia brasileira era tal que, antes do fim do século, a selva teria desaparecido. No entanto, em 2004, um plano de ação do Governo do Brasil, então presidido por Lula da Silva, conseguiu frear o corte e a queima de árvores. O programa, que tem por objetivo diminuir em 80% o desflorestamento amazônico em relação à média do período 1996-2005, incluía a criação de novas reservas, a regularização da propriedade de muitas fazendas pequenas, a promoção de sistemas agrícolas sustentáveis e, em especial, a vigilância do uso das terras, chegando a multar seus proprietários e até embargando as terras.

Evolução do desmatamento

Os frutos não demoraram para aparecer. Até 2004, a Amazônia perdia uns 20.000 km2 anuais em média. Em 2004, um dos piores anos, a cifra chegou aos quase 27.000 km2 (2,7 milhões de hectares). Desde então, o ritmo anual de desflorestamento foi diminuindo até ficar entre os 5.000 e 7.000 km2 anuais. Embora os dados sejam positivos, o único que a Amazônia conseguiu foi ganhar tempo. Não desaparecerá neste século, mas, se continuar assim, pode ser que não chegue ao final do milênio.

Um estudo realizado pelo Instituto do Meio-Ambiente de Estocolmo (SEI, Suécia) mostra quem são os responsáveis pelo desflorestamento sofrido pela Amazônia e quem fez mais pela diminuição deste ritmo. Em relação a pesquisas anteriores, que apontavam a expansão fronteiriça dos camponeses e pequenos pecuaristas, os maiores culpados são os grandes proprietários. Alguns milhares que possuem mais de 800.000 km2 dos cinco milhões que formam a Amazônia brasileira.

“Primeiro estão os grandes pecuaristas (70%) e depois os grandes e médios cultivadores de soja (10%)”, diz o pesquisador do SEI e principal autor do estudo publicado no PNAS, o espanhol Javier Godar. Combinando as estatísticas oficiais sobre o regime de propriedade com dados obtidos por satélite, como o do sistema DETER, o trabalho divide responsabilidades.

Quase a metade da superfície desflorestada entre 2004 e 2011, ao redor de 36.000 km2 aconteceu em áreas dominadas pelas grandes propriedades, aquelas maiores de 500 hectares. Os pequenos e médios proprietários dividem, em partes iguais, outros 20%. O terço restante do desflorestamento aconteceu no que os pesquisadores chamam de áreas remotas, tão distantes que ali não chega nenhuma autoridade para comprovar de quem é a terra e, menos ainda, sancionar seu mau uso.

O desflorestamento de uns e outros também é qualitativamente diferente. As grandes extensões arrancadas da selva pelos maiores proprietários, cujas fazendas têm uma extensão média de 7.000 hectares, não poderão se recuperar de forma natural. No entanto, as pequenas propriedades têm um impacto menor na área circundante e estão menos degradadas.

“Os pequenos proprietários mantêm melhor a terra. Abrem zonas menores onde não há impacto nem efeito de borda, a zona ao redor sofre menos com a seca e se fecha mais rapidamente”, explica Godar. Por outro lado, em uma fazenda de 1.000 hectares, as sementes não conseguem chegar até o centro e a zona está mais exposta à erosão. Além disso, enquanto o pequeno proprietário tende a ficar ali onde abriu uma clareira, “o grande se move por uma renda rápida, planta, esgota e abandona as zonas que vão se degradando para abrir outras novas”, acrescenta o pesquisador do SEI.

Os pecuaristas e cultivadores de soja causam 80% do desflorestamento

Seu trabalho, embora demonstre o sucesso das medidas para frear o desflorestamento, também mostra que elas estão se esgotando. Os melhores anos do plano já passaram. De uma redução do ritmo de desflorestamento de 88% nos primeiros anos, chegou-se a uma redução anual de apenas 60% nos últimos. Inclusive, em 2012, houve um aumento relativo do desflorestamento de 28%, sendo a primeira vez em uma década que aumenta o ritmo do corte.

“É um grande desafio produzir novas reduções do desflorestamento no Amazonas, usando o mesmo enfoque de controle e desincentivos legais, principalmente porque o desmatamento está ocorrendo em mais zonas, em unidades com tamanhos menores e em zonas mais remotas, que são portanto mais difíceis de detectar e com maior custo para controlar por unidade de desflorestamento evitado”, argumenta Godar.

De fato, muitos proprietários estão reduzindo o tamanho das áreas desflorestadas. Antes abriam zonas enormes e agora abrem muitas outras zonas, mas com menos de 25 ha para não serem detectados. Abaixo dessa extensão, o sistema de vigilância das autoridades não consegue detectar mudanças no uso do terreno.

Outro problema é que, embora os grandes proprietários estejam bem fiscalizados, com milhares de fazendas embargadas, controlar o uso pelos pequenos é muito mais complicado. Além da limitação técnica, o custo econômico e político de ir contra eles é maior. Para Godar, se não houver uma mudança para um modelo baseado em incentivos, “o desflorestamento aumentará nos próximos anos”.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/13/ciencia/1413222640_280888.html

Atlas das condições de vida na região metropolitana do Rio de Janeiro: um convite à reflexão

Por: Piê Garcia (pie@observatoriodefavelas.org.br)

O Atlas das condições de vida na Região Metropolitana do Rio de Janeiro é uma contribuição para um maior conhecimento da cidade. A obra do diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC, professor Cesar Romero Jacob, em parceria com Dora Rodrigues Hees, também da PUC, e Philippe Waniez, da Universidade de Bordeaux, foi lançada seis meses antes do aniversário de 450 anos do Rio. O objetivo é que se faça uma reflexão sobre as desigualdades.

O Atlas é um estudo socioeconômico dos municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio, com dados do IBGE, SUS, ISP e TSE. Foram produzidos 112 mapas que abordam temas, como a distribuição da população, renda, estrutura demográfica, migração, domicílios, educação, emprego, religião, saúde, criminalidade e eleições. O e-book está disponível gratuitamente para download no site da Editora PUC-Rio.

Boletim de Notícias & Análises: Houve avanços significativos nas políticas de superação de pobreza nos últimos 12 anos? Caso tenha havido, isso trouxe quais consequências para as desigualdades?

Cesar Romero Jacob: A divulgação recente da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) revelou uma pequena redução das desigualdades. Porém, programas como o Bolsa Família foram fundamentais para avançar na erredicação da miséria e na redução da pobreza.

BNA: De acordo com o estudo, o Bolsa Família tem um predomínio em região em que a renda é mais baixa. Qual a importância do bolsa família na Região Metropolitana?

CRJ: Os mapas nos mostram uma grande diferença nas regiões da Barra, Zona Sul e Tijuca para o restante da cidade, nesses bairros quase não há presença de beneficiários do Bolsa Família, a não ser nas favelas ali presentes. O mapa revela elevada concentração de beneficiários nos municípios da periferia, que correspondem as áreas com menor rendimento da Região Metropolitana. O benefício desempenha um papel muito importante, pois ajuda a diminuir a pobreza. (fig. 9)

BNA: O mapa mostra que os negros e pardos têm renda mais baixa e são maioria nas periferias e minoria nas classes altas. Ao que o senhor atribui essa construção?

CRJ: A figura 14 mostra o predomínio de população branca na Barra, Zona Sul e Tijuca. Existe uma área intermediária na Zona Norte e o predomínio de pardos e negros na periferia. Se compararmos o mapa de cor da pele com o de renda (fig. 8) podemos concluir que negros e pardos são os mais pobres. Eu não estou dizendo que não tenha negros ricos, é apenas uma questão de predomínio.

BNA: Quais as principais desigualdades, do seu ponto de vista? Como o Estado deveria enfrentar tais desigualdades e com qual urgência?

CRJ: Nos últimos 12 anos houve um avanço na eliminação da pobreza, depois do Bolsa Família e da erradicação do trabalho infantil. Para melhorar é necessário investimento na educação. Oferecer um ensino fundamental e médio gratuito e de qualidade é fundamental para eliminar as desigualdades. A cada ano a mais de estudo, maior a renda. Também é preciso investir em salários, para que não haja mais necessidade do Bolsa Família no futuro. Essa é uma questão de médio a longo prazo. A curto prazo, é essencial que tenha uma melhoria na qualidade de vida das pessoas. O investimento em transporte público de qualidade é imprescindível. Não é possível que um trabalhador perca de três a quatro horas para se locomover até o seu local de trabalho.

BNA: Quais são as suas conclusões sobre o estudo?

CRJ: Esse trabalho é contribuição para um maior conhecimento da cidade. Em 2015, o Rio de Janeiro comemora 450 anos, mas nem tudo é festa! É necessário que reflitamos sobre a cidade em que vivemos. Trazemos inúmeros mapas que convidam para a reflexão e que mostram que existem muros invisíveis na cidade. Vivemos nesse clima de camaradagem, onde as diferenças convivem bem no sambódromo e no Maracanã, mas escondem as desigualdades. Essa percepção não é tão forte para os mais ricos, mas determinantes para os mais pobres. É muito importante que todos tenham a consciência de que a superação das desigualdades é boa para todo mundo, não só para os pobres. Hospitais, escolas e segurança pública são bens para todo mundo. Com esses serviços de qualidade, todo mundo sai ganhando: ricos e pobres. E esse é um período importante, quando os eleitores escolhem quem serão os seus representantes. Escolher canditados que estejam comprometidos com a redução das desigualdades é uma maneira de melhorar a cidade. Portanto, esse trabalho é um convite à construção coletiva.

FONTE: http://observatoriodefavelas.org.br/noticias-analises/atlas-das-condicoes-de-vida-na-regiao-metropolitana-do-rio-de-janeiro-um-convite-a-reflexao/

Água: vão evacuar São Paulo?

Por Roberto Malvezzi*

A penúria hídrica nesse momento atinge várias regiões do Brasil. As piores são o São Francisco e a população paulistana, pelo esgotamento do sistema Cantareira.

Os problemas hídricos de hoje, se os levarmos a sério, não apenas do ponto de vista eleitoreiro, são o começo da “vingança da natureza” contra uma civilização predadora. A situação de São Paulo foi construída desde a década de 1950, quando se intensificou o desmatamento em São Paulo e quando a concentração urbana tornou-se um fenômeno alucinante.

A do São Francisco vem desde o século XIX, quando os vapores consumiram toda a madeira que compunha a mata ciliar do Velho Chico.

Quando construíamos o texto base da Campanha da Fraternidade de 2004 – Fraternidade e Água –, já nos chamava a atenção que a região mais escassa de água per capta do Brasil era exatamente a cidade de São Paulo. Naquele ano, cada paulistano dispunha de pouco mais de 200 m3 por pessoa anuais. No Nordeste, a região mais pobre de água era o sertão de Pernambuco, com uma disponibilidade de aproximadamente 1.200 m3 por pessoa por ano. Claro, isso é média, não acesso real à água.

Esse cálculo é relativamente fácil. Basta dividir a capacidade dos reservatórios pelo número de habitantes. Óbvio, eles podem estar cheios ou não. Então, o cálculo é dinâmico.

Acontece que, segundo os padrões da ONU, só têm segurança hídrica aquelas populações que dispõem de, pelo menos, 1.000 m3 por pessoa por ano. É bom ressalvar que é para todos os usos, não somente para o consumo doméstico. O padrão é questionável, mas é o que prevalece.

Ora, São Paulo já vem no fio da navalha há muito tempo. Olhando o passado, a concentração populacional de São Paulo não mediu as consequências da hiper-população sobre os mananciais. Pior, com o processo de desmatamento e impermeabilização dos solos, a água que cai escorre rapidamente para as partes baixas, causando inundações, mas não penetrando no solo. Com isso, perdem forças os aquíferos, que são os melhores depósitos da água de chuva para os períodos nos quais não chove. São eles que depois permitem a tal “vazão de base”, que vai alimentar a vazão de superfície.

Então, aí entra a responsabilidade dos gestores da água. A água do Cantareira é estadual, portanto, responsabilidade direta do governo de São Paulo. Claro que o governador atual não é o responsável pela destruição ambiental das matas e pela impermeabilização da cidade. Mas, como gestor do estado federado, teria que ter previsto a escassez da água, a corda bamba na qual a região conurbada se balança há anos, e ter planejado o uso racional da água na cidade. Não foi feito e agora é uma situação caótica.

Aqui pelo Nordeste, de forma penosa, estamos aprendendo a ter uma ética de cuidado com a água e seu uso. Sabemos que ela é suficiente, mas é pouca. Portanto, se quisermos ter água, precisamos cuidar dela. Por isso nos espanta a apatia do governo federal, do governo de Minas e dos governos do Nordeste com a situação também caótica do São Francisco.

Mas São Paulo é um caso emergencial. Há um plano B para São Paulo caso os volumes mortos do Cantareira se esgotem? Os gestores teriam que fazer cenários para um futuro breve. E teriam que considerar o pior dos cenários: se os reservatórios de São Paulo secarem, qual será a saída para população? Existe a possibilidade de outras fontes ou terão que evacuar 6 ou 7 milhões de pessoas?

Essa é a razão do conflito entre governo estadual, Agência Nacional de Águas e Ministério Público.

A eleição não está permitindo esse debate. A população paulistana, que já está sofrendo com a falta de água, pode pagar caro por uma tragédia socioambiental absolutamente previsível. Ainda é bom lembrar que só estamos no começo das tragédias socioambientais que colheremos em futuro breve.

O crime ambiental do desmatamento, a concentração populacional e a inoperância dos gestores formam uma tempestade perfeita na cidade de São Paulo.

 *Roberto Malvezzi (Gogó) possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=10136

Exame: MMX demite cerca de 120 funcionários, diz sindicato

A companhia enfrenta dificuldades financeiras em meio à retração dos preços do minério de ferro e em função de restrições operacionais

Mariana Sallowicz, do

Divulgação

Obras do Superporto Sudeste, da MMX, em outubro de 2012

MMX: procurada pela reportagem, a empresa ainda não se pronunciou

Rio – A MMX, mineradora de Eike Batista, começou a demitir na última sexta-feira cerca de 120 funcionários de um total de 420 trabalhadores das minas de Serra Azul (MG), de acordo com o presidente do Sindicato Metabase de Brumadinho, Agostinho José de Sales.

A companhia enfrenta dificuldades financeiras em meio à retração dos preços do minério de ferro e em função de restrições operacionais.

“Já enviamos um ofício para a empresa solicitando o cancelamento das demissões e hoje à tarde vamos encaminhar um pedido de intermediação ao Ministério do Trabalho e Emprego. Queremos uma reunião urgente com a MMX”, afirmou Sales.

Segundo o presidente do sindicato, um diretor da companhia o atendeu na sexta-feira e confirmou as demissões em áreas ligadas à produção.

Os funcionários retornaram naquele dia de férias coletivas, que começaram no início de setembro.

Procurada pela reportagem, a empresa ainda não se pronunciou.

Sales foi informado que haverá uma reunião nesta terça-feira com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) para buscar uma solução para o problema.

Também haverá vistoria do Ministério Público do Trabalho, disse ele. Em fevereiro, a secretaria embargou a mina “Tico Tico” por estar localizada em área próxima a cavidades de relevância ambiental.

Segundo o sindicalista, a posição da empresa sobre os demais trabalhadores será anunciada após os encontros, provavelmente na quarta-feira.

As restrições foram impostas até que se definam as áreas de proteção de determinadas cavidades existentes em alguns setores de lavra, informou a empresa em agosto, quando anunciou as férias coletivas.

A empresa anunciou em comunicado, também em agosto, que planeja apresentar novo modelo de negócios junto com a divulgação dos resultados do segundo trimestre, em 15 de outubro.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mmx-demite-cerca-de-120-funcionarios-diz-sindicato

Só para refrescar a memória! Livro “A Privataria Tucana” está disponível em pdf na internet

Não adianta censurar, ‘A Privataria Tucana’ já está na internet em formato PDF

O formato PDF (Portable Document File) permite que se passe para o formato digital um documento, que pode ser lido pelo software Acrobat Reader, de distribuição gratuita.

privataria tucana

Foto: Lucimara Rodrigues

O livro, que levou 12 anos para chegar às livrarias, sintetiza a rapinagem promovida pela administração tucana no governo federal, com base em documentos, todos públicos.

O livro reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país.

De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.

O jornalista Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, que publicou o livro, afirmou que a primeira edição esgotou-se na própria sexta-feira, no seu lançamento. Todos os 30,5 mil exemplares foram vendidos.

Só nesta segunda-feira, vendemos 15,5 mil exemplares”, conta. “A rede Saraiva pediu 6.500 exemplares, a Fnac, 4.000 e a Cultura, 5.000. Em consequência, aumentamos de 15 mil para 30 mil cópias a tiragem da reimpressão”. Ou seja, 30,5 mil exemplares vendidos desde sexta-feira.

O blog Trabalho Sujo disponibilizou o PDF do livro privataria tucana, no seguinte link: PDF PRIVATARIA TUCANA

Quem não tiver paciência para aguentar a espera, pode comprar o e-book na Saraiva Digital e na Gato Sabido.

Fonte: Vermelho

FONTE: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/12/nao-adianta-censurar-privataria-tucana.html

1996: o ano em que FHC cortou a minha bolsa e eu tive que me virar

Vou dizer logo de cara que não votarei em Dilma Rousseff.  É que as diferenças profundas que mantenho com o projeto de governo que ela representa não me permitem cruzar o rabecão e declarar um voto útil em sua continuidade. 

Agora que já deixei claro porque não voto em Dilma, deixe-me dizer uma das razões, que pode parecer pessoal mas não é, pelas quais eu jamais votaria em Aécio Neves e o seu partido lesa-pátria, o PSDB.  Estava eu no início do meu quarto ano de doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University quando recebi a notificação de que minha bolsa de doutorado estava encerrada, apesar do meu desempenho para lá de satisfatório. É que contrariando documentos que eu havia assinado ao obter a minha bolsa de doutorado no exterior pelo CNPq, o governo Fernando Henrique havia decidido não mais dar a extensão de um ano a que eu tinha direito pelo meu desempenho.

Liguei para o CNPq e de lá ouvi uma resposta curta e direta da servidora que ouvia as minhas ponderações sobre o efeito de que aquele cortado injustificado teria na minha vida: se  vira!

Como não iria voltar para o Brasil sem um título de doutor que estava praticamente nas mãos, fiz o que todo estudante duro faz: fiz empréstimos bancários e terminei o meu doutorado com um dívida que girava em torno de US$ 10 mil, já que tive de pagar todas as taxas que o CNPq havia me dito que pagaria, além do aluguel e alimentação. 

Passei quase 10 anos pagando essa dívida, mas não graças ao governo FHC. É que após ser forçado a voltar para o Brasil por exigências contratuais com o CNPq, cheguei num país onde não havia concursos para professores nas universidades federais que viviam comendo o pão que o diabo amassou nas mãos de FHC e do seu ministro da Educação, Paulo Renato.

Se não fosse pela UENF, eu certamente teria arrumado as minhas malas e voltado para o exterior, como muitos colegas fizeram naquela época.

Assim, posso não votar em Dilma, mas Aécio e PSDB, nunca!

Marina Silva declara apoio a Aécio Neves e enterra de vez a sua “nova política”

O apoio declarado por Marina Silva a Aécio Neves neste domingo (12/10) terá pouco efeito prático sobre as eleições, já que ela demorou demais a sair do muro. Assim, qualquer que seja o resultado, não vai a caudalosa declaração de Marina que irá decidir o segundo turno do pleito do dia 26 de outubro.

Agora, um mérito essa declaração teve. Desvelou de vez a carranca conservadora que Marina Silva escondia por detrás do véu de moça contrita e temente a Deus. Só por isso essa eleição já trará um enorme ganho a quem quer efetivamente construir alternativas ao modelo vigente que o PT e o PSDB possuem propostas bastante parecidas para continuar gerenciando a crise do Estado capitalista brasileiro.

E o melhor disso tudo é quem for de esquerda e quiser ajudar a construir alternativas para as mudanças estruturais para a crise que ai está não terá mais que ficar ouvindo a conversa mole da “nova política” de Marina Silva e dos “redistas”. Está mais claro do que nunca qual é o viés que Marina Silva escolheu, e ele é de direita, privatista, anti-Natureza e contra a classe trabalhadora!

Como eu disse antes: com esse apoio, Marina enterrou de vez a “nova política”.  Obrigado, Marina!