Mário Magalhães disseca o riso de Pezão ao ser perguntado sobre está o corpo do pedreiro Amarildo

Na Globo, Tarcísio pergunta a Pezão: ‘Cadê o Amarildo?’ E o governador ri

Por Mário Magalhães

pezao ri

País afora, eleitores se queixaram do nível dos candidatos nos debates da TV Globo que começaram na noite de ontem e entraram pela madrugada de hoje.

Pois no Rio o encontro dos concorrentes ao Palácio Guanabara prestou um enorme serviço aos eleitores. Deixou mais claro, para o bem e para o mal, quem é quem. Os cinco participantes capricharam: pela primeira vez na campanha, poucas vezes estouraram o tempo estabelecido para falar.

Oscilando nas pesquisas com 1% a 2% de intenção dos votos, Tarcísio Motta (PSOL) foi um dos dois protagonistas do debate, ao questionar o outro, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). O professor de história desfiou estatísticas sobre pessoas desaparecidas no Estado e fustigou:

“Eu quero te dar a chance de responder: Pezão, cadê o Amarildo?”

Espantosamente, a primeira reação do postulante à reeleição foi rir.

Isso mesmo: Pezão riu.

E não só ele: parte da plateia presente no estúdio _assessores, correligionários e jornalistas_ quase gargalhou.

Acharam engraçada a indagação sobre o pedreiro morto na tortura por PMs em 14 de julho de 2013 e cujo corpo até hoje não foi devolvido à família.

Pezão esgrimiu números e argumentos, mas não escapou de ouvir a observação de Tarcísio Motta sobre o riso.

Para assistir à cena insultuosa, basta clicar aqui e ver de 1 hora, 0 minuto e 11 segundos a 1 hora, 4 minutos e 30 segundos.

No mais, tudo como dantes: o Datafolha divulgou ontem levantamento em que Pezão aparece com 31%; Anthony Garotinho (PR), com 24%; Marcelo Crivella (PRB), com 17%; e Lindberg Farias (PT), com 11%.

A não ser que ocorra surpresa, Pezão e Garotinho se confrontarão no segundo turno.

Hoje, Pezão venceria por 50% a 33%. A diferença de 17 pontos é ampla, mas caiu 7 pontos desde a semana passada.

FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2014/10/01/na-globo-tarcisio-pergunta-a-pezao-cade-o-amarildo-e-o-governador-ri/

Audiência na Câmara de SJB sobre erosão na Praia do Açu é notícia no O DIÁRIO

Audiência na câmara de SJB debate avanço do mar no Açu

Blog do Pedlowski
Clique na foto para ampliá-la
Risco. Nos dias de maré alta as ondas têm avançado na área residencial do Açu

Danielle Macedo

A Câmara Municipal de São João da Barra (SJB) realiza nesta quarta-feira (1º/10), às 19h, reunião pública para esclarecer questionamentos do vereador Franquis Arêas sobre as obras do Porto do Açu, que estariam contribuindo para a erosão e o avanço do mar na praia do Açu. A empresa Prumo, que já confirmou presença através da assessoria à Câmara, promete prestar esclarecimentos sobre a evolução da linha de costa adjacente aos molhes do Terminal TX2 do Porto do Açu e a necessidade de transposição de sedimentos.

No último dia 23, com uma maré cheia, houve avanço do mar sobre a área costeira na praia do Açu, atingindo um trecho da Avenida Principal, assustando os moradores. O Ministério Público Federal (MPF) em Campos enviou uma equipe técnica um dia após o ocorrido para uma inspeção na área, ouviu a comunidade e fez averiguações onde estão sendo construídos o quebra mar e o canal, que é mantido aberto a todo tempo pela empresa Prumo Logística.

O diagnóstico do MPF ainda não foi concluído pelo procurador Eduardo Oliveira, que ficou de divulgar o mesmo para que as providências fossem tomadas em relação ao problema enfrentado com cada vez mais frequência pela comunidade da praia do Açu, que tem aproximadamente dois mil moradores, representando percentual significativo da população de SJB.

Sobre as possíveis causas do problema, ambientalistas, moradores e Prumo divergem nas opiniões. O ambientalista Aristides Soffiati pesquisou o assunto num estudo do colega Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), segundo o qual o alagamento poderia até ser até considerado normal para a estação do ano, tradicionalmente de marés altas. Mas segundo ele, desde as primeiras audiências públicas em 2011 e 2012, já era prevista a erosão e, de alguma forma, a areia tem que ser reposta na praia. “Açu e Barra do Furado jamais poderiam ter estaleiros. No Furado há o mesmo problema de erosão e começaram a projetar a transposição da areia, mas está tudo parado”, alerta Soffiati.

Sem monitoramento – Segundo Denis Toledo, morador e comerciante da praia do Açu que acompanha o processo de instalação do estaleiro desde o início, nenhum tipo de monitoramento é feito sobre o grande impacto ambiental que vem ocorrendo desde 2012. “Vamos participar dessa reunião na Câmara, porque desde o início do projeto em 2012, ninguém da empresa UCN ex OSX, hoje Prumo Logística, esteve aqui na praia para monitorar nada, e nem nos questionar sobre essa grande erosão na nossa faixa de areia”, afirmou.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/audiencia-na-camara-de-sjb-debate-avanco-do-mar-no-acu-15365.html

Nota Técnica da Abrasco frente à liberação comercial de mosquitos transgênicos pela CTNBio

Associação posiciona-se sobre o uso de mosquitos geneticamente modificados

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva recebeu com grande preocupação a cópia da transcrição da 171ª Reunião Ordinária da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança –  CTNBio – de 03/05/2014 em que autoriza a liberação comercial de mosquitos transgênicos.

As decisão da CTNBio ocorreu no contexto em que uma fábrica de produção de mosquitos transgênicos já estava instalada na  cidade de Campinas – SP. Os mosquitos transgênicos serão usados para pesquisa e combate ao  vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, no país.

A responsável pela produção é empresa inglesa de biotecnologia Oxitec. A instalação da fábrica de mosquito  começou em 2013. A equipe técnica é formada basicamente por especialistas estrangeiros, que na Europa desenvolvem biotecnologias adotadas pela indústria farmacêutica para a malária e febre amarela.

A unidade produtiva (Technopark) da Oxitec, em Campinas produz em laboratório mosquitos machos de Aedes aegypti geneticamente modificados (linhagem OX513A), mediante a utilização de tetraciclina usada para a modificação das larvas selvagens.

Mesmo sem ter a autorização da CTNBio para a produção em escala do mosquito transgênico, a empresa disponibilizou o Aedes aegypti transgênico desde 2011,  para experimentos inicialmente na cidade de Jacobina e posteriormente em Juazeiro, ambas do Estado da Bahia e que contou com o apoio do governo do estado e das prefeituras dos respectivos municípios. As pesquisas foram apoiadas por organização social denominada Moscamed.

Os experimentos foram executados nessas duas cidades, considerados como projetos específicos e isolados.   A proposta é que cada cidade brasileira poderá montar sua fábrica de ovos transgênicos. Após os testes nessas duas cidades, a Oxitec protocolou a solicitação de liberação comercial na CTNBio.

Apesar do uso por  dois anos de mosquito transgênico na  cidade de Jacobina, Bahia, o Decreto Nº 089 de 10 de Fevereiro de 2014,  pela  prefeitura Municipal de Jacobina (D.O. Terça-feira • 18 de Fevereiro de 2014 • Ano IX • Nº 798) prorrogou a situação de emergência para  dengue no Município. Para fundamentar esse decreto o Prefeito da cidade considerou: “que Jacobina é endêmico para a dengue e conta em sua série histórica duas epidemias de dengue registradas nos anos de 2009 e 2012; que no ano de 2012 o Município não realizou os trabalhos de campo de forma adequada, registrando 1708 casos suspeitos e inclusive a ocorrência de dois óbitos; que as ações empreendidas em 2013 com o trabalho de campo, ainda não encerrou a cadeia epidemiológica, devendo a municipalidade em ação continuar a manter o controle antes do período de início de atividade do mosquito Aedes aegypti; que os casos de dengue se concentram principalmente no primeiro semestre do ano, com pico no mês de abril, conforme perfis de sazonalidade do mosquito Aedes aegypti observadas no país, e que para encerrar a cadeia epidemiológica é necessário iniciar as atividades de controle antes desse período de maior atividade do mosquito; que as ações em 2014 são planejadas e realizadas de modo a tentar conter uma nova epidemia, buscando proteger a população, investindo em ações de prevenção, combate”. (http://aspta.org.br/wp-content/uploads/2014/05/Decreto-Jacobina2014.pdf).

Perguntamos, como se aceita fazer experimentos que afetam uma doença de notificação compulsória em um contexto sanitário absolutamente sem controle? Como os resultados de experimentos com mosquito transgênico para controle da dengue  em Jacobina  foram utilizados para validar a decisão da CTNBio que autorizou a liberação de mosquito transgênico para o controle de dengue?

Sabemos que não houve ainda posicionamento e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa – sobre a produção, venda e uso desses mosquitos transgênicos.  Mas,  como fica  a situação da fábrica de mosquitos que está propagandeando esse produto em Prefeituras  Municipais para que comprem milhões de mosquitos  transgênicos a serem liberados  semanalmente em seus territórios?

Essas pesquisas com mosquitos transgênicos foram apoiadas pela Fundação Bill Gates, que abriu edital internacional em 2004, para o qual concorreram diversas universidades. Sobre esse tema o Gt de Saúde e  Ambiente da Abrasco já alertava em Carta ao Editor da Revista Científica Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz- sobre “Os verdadeiros desafios da saúde global” (GOUVEIA; LIEBER; AUGUSTO, 2004).

O controle da endemia e dos surtos epidêmicos de dengue seguem protocolos da Secretaria de Vigilância em Saúde , do Ministério da Saúde – SVS/MS – e orientação internacional da Organização Pan-americana de Saúde – OPAS. A despeito das controvérsias sobre a eficácia dos sucessivos programas de controle vetorial da dengue no Brasil,  até o momento não houve nenhuma norma técnica desses órgãos orientando mudanças no programa de controle vetorial da dengue incluindo a modalidade trangênica. Sobre uma perspectiva crítica do controle vetorialpara dengue é possível ler outro alerta feito por pesquisadores na mesma revista (AUGUSTO et al, 1998) e também,  entre outros, no livro de  Augusto e Colaboradores (2004), onde diversos entomologistas se posicionaram. A questão da dengue é complexa e vai para além de medidas focais. O Brasil, nas últimas duas décadas,  deixou de ser um país epidêmico para dengue, para ser endêmico em todo território nacional.

A doença dengue é uma virose, na qual estão implicados, no Brasil, os quatro sorotipos do virus. Embora, considerada de baixa letalidade, as dificuldades no acesso à assistência médica, a baixa resolutividade dos serviços de saúde, os equívocos de orientação e isuficiências de medidas sanitárias, faz com que nesse contexto, as complicações da infecção pelo virus do dengue se tornam mais frequente, mais grave e a mortalidade da dengue maior no país. A complicação mais preocupante tem sido a Febre Hemorrágica, mas que não é necessariamente letal, quando há atendimento médico correto.

Mais uma vez, a decisão de controlar essa endemia, apenas focando no vetor, é um equívoco. Pois, a determinação da dengue é muito mais social e ambiental do que biológica, embora estejam envolvidas na sua produção três ecologias: do virus, do vetor e do ser humano, todas interdependentes.

Analisando a Ata da 171ª Reunião Ordinária da CTNBio acima referida foram observados diversos elementos com  análise inadequada ou com  questões sem resposta técnica suficiente. Também se observa argumentos pouco consistentes por parte do representante da saúde nessa comissão, de quem se esperaria maior compromisso com os aspectos sanitários envolvidos.

Abaixo apenas alguns destaques para ilustrar como esse  assunto,  de tamanha importância para a saúde pública, foi tratado na CTNBio:

1) Dados Insuficientes: Os dados preliminares dos testes realizados nas cidades de Jacobina e Juazeiro, do estado da Bahia, “são  insuficientes para um posicionamento consistente de qualquer órgão de pesquisa, muito mais, para a CTNBio” (posicionamento de um dos conselheiros, Linha 180).  Um conselheiro indagou: “Que motivos justificariam a aceitação precipitada de resultados preliminares com antecipação da avaliação pela CTNBio” …, “contrariando a prática até então utilizada recomendada por esta própria Comissão?” (Linha 197). Os dados preliminares foram colhidos em três municípios do interior do país. “Foram somente realizados três estudos de caso — liberações em Caiman, Juazeiro e Mandacaru, Bahia”… “anos de 2012 e 2013”.  Esses  municípios possuem sistemas de vigilância epidemiológica incipientes e com “pouca sensibilidade no registro de casos da doença e da análise médica de alguma intercorrência da doença durante e depois da liberação planejada do organismo modificado. Portanto, não é possível aferir uma alta eficácia dessa biotecnologia, nem muito menos extrapolar esses resultados para uma escala planetária, como sugere o relatório da empresa” (Posicionamento de um dos conselheiros, Linha 174 e 177). Destacou-se também outro aspecto: “A ocupação do nicho ecológico preferencial do Aedes Aegypti nas áreas urbanas não mereceu suficiente atenção por parte do dossiê ou dos demais pareceristas” (Posicionamento de um dos conselheiros, Linha 297).

2) Rapidez no processo:  O  “tratamento concedido pela CTNBio a esse caso, se distingue pela excepcionalidade”.  Foi protocolado em três de julho de 2013 e publicado no dia 15 de julho de 2013, recebendo pareceres favoráveis dos relatores nas Subcomissões Humana e Animal, aprovada em fevereiro de 2014 e nas Subcomissões Vegetal e Ambiental.  Um dos conselheiros considera este fato indício de prevaricação, pois “ainda na fase de avaliação do processo, na Subcomissão Humana e Animal, Saúde Humana e Animal, de forma não protocolada e inesperada, registrou-se a intervenção do representante da proponente que realizou exposição do mérito da biotecnologia, confundindo-se com uma espécie de marketing institucional. O impacto dessa concessão, no que diz respeito à isonomia de tratamento com as outras biotecnologia e empresas não deve ser desprezado” (Posicionamento de um dos conselheiros, Linha 163, 186, 204 e 216).

3) Ausência de dispositivo de biossegurança: A liberação planejada é um dispositivo de biossegurança imprescindível. A Resolução Normativa Nº 6, de 6 de novembro de 2008, que dispõe sobre as normas para esse processo no meio ambiente de Organismos Geneticamente Modificados (OGM), somente trata de organismos de origem vegetal e seus derivados.  No entanto, essas normas não são adequadas para avaliação de insetos (posicionamento de um dos conselheiros, Linha 188).  Sabe-se que  liberação planejada deve ser testada em todos os ecossistemas relevantes para a avaliação de risco e até o final.  Por exemplo, no caso do Milho D5, a  Justiça suspendeu a decisão  de sua produção e comercialização, com base no argumento que não foram realizados os estudos nos biomas do Norte e Nordeste, proibindo-se o cultivo naquelas regiões.

4) Falta análise entomológica e epidemiológica: O fato do Aedes aegypti ter sido considerado erradicado no Brasil na década de 70,  e que hoje se faz  presente em todo o território nacional, em que pese a sua capacidade de voo autônomo não ultrapassar os 200 metros, não foi considerado relevante. A liberação em larga escala do OX513A, alterando as condições de reprodução do Aedes Aegypti pode atrair outros vetores, como o A. albopictus, espécie selvagem  existente no Brasil e  com capacidade vetorial  para o vírus da dengue. Pergunta sem resposta feita por um dos conselheiros: nessa situação quais seriam as implicações sobre os mecanismos adaptativos do vírus em termos epidemiológicos? (Linha 254 a 252; 299).

5) Incongruências do relatório –  Classificação do risco: Com base na Resolução Normativa 02, de 27 de novembro de 2006, a subcomissão enquadrou o mosquito GM na classe do risco 1 (baixo risco individual e baixo risco para a coletividade), enquanto que a empresa afirma ser a classe de risco 2 (moderado risco individual e baixo risco para a coletividade).  Assim, a CTNBio foi  menos restrita que a própria empresa interessada.

Diante do Exposto, a Abrasco vem se manifestar contrária a autorização pela Anvisa e pela SVS/MS de utilização de mosquitos transgênicos para o controle vetorial da dengue. Propomos também que sejam criados fórum de debates públicos sobre o controle da dengue realizado por meio do mosquito transgênico. A Associação também se posiciona para abrir um debate nacional sobre a forma como a CTNBio delibera sobre temas de interesse da saúde pública e ambiental.

Em 15 de setembro de 2014

FONTE: http://www.abrasco.org.br/site/2014/09/nota-tecnica-da-abrasco-frente-a-liberacao-comercial-de-mosquitos-transgenicos-pela-ctnbio/

Nota da Articulação da Bacia do Rio Santo Antonio sobre a truculenta aprovação da Licença de Operação do mineroduto Minas-Rio

A UMA SEMANA DAS ELEIÇÕES, ANGLO MANDA E GOVERNO DE MINAS OBEDECE

 “Não precisamos fazer o correto”, disse conselheiro do COPAM durante a reunião da URC- Jequitinhonha que votou ontem, 29 de setembro, a concessão da Licença de Operação (LO) para a mina do projeto Minas-Rio, da mineradora Anglo American, em Conceição de Mato Dentro, Minas Gerais. A reunião, que ocorreu em um ginásio poliesportivo em Diamantina, começou por volta das 13:30 e terminou em torno da meia-noite. Foi marcada pela truculência e a presença de significativo contingente policial.  Fortemente armados, os policiais se posicionaram nas costas dos atingidos, em sua maioria mulheres e homens idosos, lavradores, que desde 2008 lutam por seus direitos, sistematicamente violados em todo o curso desse licenciamento ambiental.

 À violência policial, que culminou com a detenção de dois ambientalistas no final da noite, somou-se a violência dos posicionamentos de conselheiros, que em suas falas chamaram os atingidos, juntamente com ambientalistas e acadêmicos, de oportunistas, ignorantes e pessoas de má fé.

 O Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, Alceu Torres Marques, marcou presença junto aos conselheiros durante toda a reunião, sem contudo conduzir os trabalhos, como seria a praxe, sendo ele presidente do COPAM. Questionado sobre a pressa com que o Governo de Minas pautou a Licença de Operação, em duas reuniões seguidas com intervalo de 10 dias, Alceu reconheceu a ineficiência da SEMAD, mas ainda assim disse, em voz de comando, que era hora de votar a Licença de Operação da Anglo American.

Apesar do pedido feito pelo MPMG, em seu relatório de vistas, para o processo ser baixado em diligência, a licença foi votada e concedida, mesmo com o número significativo de condicionantes não cumpridas nas fases anteriores do licenciamento. O universo dos atingidos continua não caracterizado desde a Licença Prévia, assim como os impactos ambientais, sobretudo a questão da água para os moradores que moram a jusante da barragem de rejeitos, e que dela necessitam para sua sobrevivência. A mortandade de peixes, incidente ocorrido no final de agosto, permanece sem explicação definitiva.

Os técnicos da SUPRAM, sabatinados pelos atingidos e por dois dos conselheiros – os representantes do MPMG e da ONG Caminhos da Serra – não responderam de forma satisfatória às indagações, revelando incompetência técnica e irresponsabilidade. Assim, entre outras falhas, não foi apresentado um plano emergencial, e nem disponibilizados os dados para avaliar os riscos de incidentes oriundos da barragem de rejeitos, o que se faz necessário após a contaminação química do córrego Passa Sete, que resultou na eliminação completa da ictiofauna (peixes), sem sinais de recuperação.

A LO foi concedida sob protestos, em um ato autoritário e irresponsável, uma vez que os próprios técnicos da Supram admitiram não ter responsabilidade para com o cumprimento das condicionantes pela Anglo American. Só quatro conselheiros tiveram a lucidez e dignidade de votarem contra a concessão. A eles nosso reconhecimento: Alex Mendes Santos (ong Caminhos da Serra), José Antônio de Andrade (Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de Minas Gerais – FETAEMG), Dr. Felipe Faria de Oliveira (MPMG) e o representante da Polícia Ambiental.

Os outros se tornaram responsáveis por todos os crimes e violações cometidos contra Conceição de Mato Dentro e região, sua gente e seu presente e futuro. Sobre eles falaremos na próxima nota, com mais detalhes sobre esta reunião.

Este triste episódio escancara a decadência do Sistema Ambiental mineiro, refém de articulações político-eleitoreiras, de currais coronelistas regionais e de interesses econômicos privados.

ARTICULAÇÃO DA BACIA DO RIO SANTO ANTÔNIO

Cenas de esgoto: é para isto que eu pago 50% a mais na minha conta mensal?

Uma das lendas urbanas que temos hoje na cidade de Campos dos Goytacazes é que a concessionária Águas do Paraíba aumentou exponencialmente a coleta e tratamento de esgotos. Pois bem, alguém poderia me informar por que então estou vendo cada vez mais a cena abaixo nas nossas ruas e avenidas? E para onde vai o material coletado nesses caminhões?

Com a palavra, a concessionária Águas do Paraíba e, sim, também a PMCG!

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Especialistas japoneses alertaram em 2005 sobre problemas causados em áreas costeiras pela construção de portos. Parece até que falavam do Porto do Açu!

Durante a XIV Biennal Coastal Zone Conference que foi realizada em 2005 na cidade de Nova Orleans, a pesquisadora japonesa Masumi Serizawa então associada ao Coastal Enginneering Laboratory Co apresentou com outros quatro colegas,  o artigo intitulado “Erosão de praias causados pela dragagem de canais de navegação e desembocaduras de rios”, onde foram relatadas pesquisas realizadas  para avaliar os impactos da construção de 2.927 portos pesqueiros e 1084 portos de outras naturezas sobre a região costeira do Japão.

Pois bem, o mote deste artigo científico foi a ocorrência de processos de erosão e acumulação de sedimentos em função da construção de estruturas portuárias. Pois bem, o que mais me chamou a atenção neste artigo foi a figura abaixo:

figura 1

Agora,  me digam, essa figura não parece descrever muito bem o que anda acontecendo na área do Porto do Açu? Notem inclusive os detalhes da figura onde se mostra a ação das ondas, o transporte horizontal de sedimentos, e as áreas de acumulação e perda de material. Isto sem falar no trabalho interminável de dragar e despejar o material dragado no oceano e em terra.

E como afirmei acima, este artigo sintetiza quase 40 anos de pesquisas sobre o impacto da construção de portos na dinâmica de deposição e erosão de sedimentos! E  o que mais me chama a atenção é a concordância com o que estava previsto no Relatório de Impactos da Unidade de Construção Naval da OSX. Assim, diferente da vida em que se pode atribuir certos fatos ao imponderável, o que se tem é conhecimento acumulado ao longo de grandes períodos de tempo que tornam determinados processos facilmente determináveis, sem que se atribua apenas ao funcionamento da natureza. Aliás, pobre natureza, sempre tão vitimizada e normalmente a primeira a ser culpada

Análise de imagens do Porto do Açu desacreditam tese de efeito natural no processo de erosão na Praia do Açu

No início desta tarde recebi uma série de imagens tratadas por um leitor do blog que está acompanhando com bastante atenção o processo dual (acumulação e erosão) que está afetando a área de influência do Porto do Açu, com especial ênfase para os terminais 1 e 2 (T1 e T2) do Porto do Açu, Canal de Navegação e para a porção central da Praia do Açu.

Antes de mostrar as imagens, vejamos o que diz este leitor:

“Olá professor, segue em anexo algumas fotos do lado da ponte (T1) em direção ao T2 (Estaleiro). Envio imagens também de eventos que estão ocorrendo, tanto entre o T1 e T2 quanto dentro do Canal do T2, onde fizeram quebra mares internos para proteger o T2 contra a erosão provocada pela dragagem e construção dos quebra mares.  Enquanto lá (no Porto, grifo meu) eles sabem que estão com problemas e  fazem o possível para amenizar, aqui eles insistem que é a natureza em evento pontual ou permanente, mas que nada tem haver com o empreendimento.”

Agora vejamos as imagens que estão legendadas para melhorar a compreensão do que o leitor descreveu acima.

1.1
2.2
3.2

3

4 - quebra mar protegendo contra erosão dentro do T2

 

Mais tarde postarei imagens feitas no solo com detalhes interessantes sobre acumulação e perda de areia. De toda forma, essas imagens de satélite já são bastante didáticas, e definitivamente colocam em xeque a hipótese de que o processo ocorrendo na Praia do Açu se deve a algum processo natural indefinido. 

Assim, será interessante assistir amanhã à audiência que deverá ocorrer na Câmara Municipal de São João da Barra com vereadores, moradores da Barra do Açu e representantes da Prumo Logística atual controladora principal do Porto do Açu. A ver!

Eike Batista sofre nova derrota na justiça em ação impetrada pela Acciona

Justiça determina arresto de 2 navios-plataforma de Eike

Decisão ocorreu após pedido da empreiteira Acciona, que tem a receber R$ 300 milhões da OSX Leasing

Mônica Ciarelli, Mariana Sallowicz e Mariana Durão, do

Sergio Moraes/Reuters

Um funcionário anda em frente à FPSO OSX-1, a primeira unidade de produção, armazenagem e escoamento na frota da OSX, ancorada no porto do Rio de Janeiro

Um funcionário anda em frente a uma FPSO da OSX, ancorada no porto do Rio de Janeiro

Rio – Eike Batista sofreu mais um revés na Justiça nesta segunda-feira, 29. O juiz titular da 39ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Luiz Antonio Valiera do Nascimento, determinou o arresto de dois navios-plataforma da OSX Leasing, subsidiária estrangeira da companhia de construção naval do empresário.

A decisão ocorreu após pedido da empreiteira Acciona, que tem a receber R$ 300 milhões do grupo. Procurada, a OS informou que não irá comentar a decisão.

Entre os motivos apontados para a determinação da medida cautelar, estão “indícios de tentativa de dissipação patrimonial”, além da existência de prova da dívida com a Acciona.

A companhia de Eike, em recuperação judicial, está negociando a venda das plataformas para honrar parte de suas dívidas.

A subsidiária OSX Leasing, não incluída na recuperação judicial de outras empresas do grupo, teria demonstrado que pretende alienar as plataformas.

Em sua decisão, o magistrado citou que o plano de recuperação da OSX Brasil e da OSX Construção Naval mencionou que a subsidiária tem “bens de altíssimo valor, cuja alienação gerará recursos líquidos para o grupo OSX, declarando ainda no plano de recuperação que a venda de ativos não dependeria de ordem judicial”.

As empresas do grupo OSX Brasil, OSX Serviços Operacionais e OSX Construção Naval estão em recuperação judicial, mas a companhia de leasing não entrou no processo.

Na decisão, o juiz afirma que o grupo apontou claramente que a venda de ativos servirá para pagar credores na recuperação judicial de empresas do mesmo grupo.

A OSX pretende se desfazer das plataformas para honrar parte de suas dívidas. No entanto, os bancos e “bondholders” (detentores de títulos) estrangeiros que financiaram a construção das embarcações terão preferência para receber os recursos obtidos com a venda.

A dívida do grupo com essas instituições é de cerca de US$ 1,2 bilhão.

Só após descontados esses valores o excedente seria usado para antecipar o pagamento de parte das dívidas com os demais credores, como a Acciona.

A OSX tenta negociar um novo financiamento com parte desses credores e a ideia é dar preferência àqueles que aceitarem investir dinheiro novo na companhia.

Um dos pontos críticos que emperram a negociação é justamente a percepção de credores brasileiros de que o valor que restaria após a venda das plataformas e o pagamento dos “bondholders” seria muito pequeno.

O plano de recuperação apresentado em maio pela OSX propõe a quitação das dívidas em 25 anos.

“Agora, para massacrar os demais credores no Brasil, queriam vender as plataformas no exterior e pagar integralmente os credores estrangeiros e o eventual saldo – diga-se, inexistente – serviria para adimplemento dos credores no Brasil”, diz Leonardo Antonelli, sócio do escritório Antonelli e Associados que defende alguns credores da OSX.

Os navios-plataforma arrestados estão atualmente em uso pela petroleira de Eike, a Óleo e Gás Participações (OGPar, antiga OGX), também em recuperação judicial.

O FPSO OSX-1 faz a exploração do campo de Tubarão Azul, já o FPSO OSX-3 está em Tubarão Martelo, ambos localizados na bacia de Campos. A medida não impede a operação das plataformas.

O juiz determinou o envio de um ofício para a Diretoria de Portos e Costas, em que será informado o arresto. Um oficial de Justiça irá notificar as empresas, que deverão responder no prazo máximo de cinco dias.

A Acciona foi contratada, em meados de 2012, pela OSX Construção Naval (OSX CN) para a execução de obras destinadas à construção de parte da Unidade de Construção Naval do Açu, em São João da Barra, norte fluminense.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/justica-determina-arresto-de-2-navios-plataforma-de-eike

Muita fumaça no ar gera preocupação nas comunidades rurais no entorno do Porto do Açu

Acabo de conversar com um produtor rural do V Distrito de São João da Barra e ele se mostrou muito preocupado com o forte cheiro de fumaça que impregna a atmosfera em toda a área na tarde desta segunda-feira (29/09).  A existência deste forte cheiro de fumaça não me surpreende, pois dada a quantidade de terras que queimou nos últimos dias e a inexistência de chuvas torna essa situação bastante compreensível.

Mas como estive rodando por boa parte do V Distrito na manhã de sábado, também notei que há uma forte possibilidade de que novos incêndios de grandes proporções possam ocorrer, especialmente nas áreas que foram desapropriadas e que se encontram completamente abandonadas.

Ai é que eu pergunto aos nobres colegas da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) e do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) sobre quais medidas de precaução estão sendo adotadas para impedir ou, pelo menos, minimizar a ocorrência de novos incêndios no entorno do Porto do Açu? É que se o problema vier a ocorrer, colocar a culpa em São Pedro não vai isentar ninguém de suas responsabilidades.

Finalmente, quero lembrar que existem várias localidades que abrigam centenas de famílias nas imediações dos 7.500 hectares que a CODIN desapropriou para entregar ao conglomerado de empresas do ex-bilionário Eike Batista.  Quem é que vai se preocupar com a proteção delas? Ninguém?

Depois de militarizar o campus e privatizar o bandejão, reitoria da UENF agora quer SEPLAG processando inquéritos da UENF

Tomás de Torquemada

Depois de militarizar o policiamento sem a devida discussão e fazer o mesmo com o processo de privatização do bandejão, a reitoria da UENF está circulando uma minuta de manual de sindicância que me parece ter sido escrito por alguém, bem ao gosto das últimas discussões desta lista, do inquisidor espanhol Tomás de Torquemada.

 Estou enviando a minuta em anexo, pois acho que todos deveriam lê-la antes que vire lei. É que entre outras pérolas temos os passos da inquisição (quer dizer sindicância), onde não se fala mais em oitiva, mas em “servidor suspeito” e em “interrogatório”! Só falta de citar a instalação de câmaras de tortura!

 Mas o pior está reservado para a fase do inquérito administrativo que não mais ocorrerá dentro da UENF, mas ficará a cargo da SEPLAG!! O interessante é perguntar aqui é quem ficará responsável pelas idas e vindas dos infelizes servidores e estudantes que forem considerados culpados na sindicância/inquisição. Será que eles terão também pagar pelas idas e vindas ao Rio de Janeiro, como terão de pagar pelas cópias do processo?

 E como fica a autonomia universitária que conquistamos depois de uma dura luta contra o governo do Rio de Janeiro? É que depois de entregar o campus à PM, o bandejão à iniciativa privada, agora a reitoria quer entregar a decisão de inquéritos à SEPLAG!

 Nunca é demais dizer que tudo isto está vindo na esteira de uma greve histórica onde a reitoria da UENF se mostrou tão incompetente para tratar da defesa de nossos interesses quanto submissa ao que dizia, surpresa das surpresas?!, a SEPLAG!

 Para mim não há dúvida sobre a intenção dessa minuta: reprimir e aumentar o nível de punições, mas não necessariamente naquelas áreas e sobre aqueles que realmente merecem passar por processos. A ver!

 Abaixo a minuta que está sendo circulada pela reitoria nos conselho de centro da UENF.

Sindicância 1 Sindicância 2 Sindicância 3 Sindicância 4