CONVITE
Palestra do Prof. Dr. Antonio Julio – FAE UFMG
Dia 16/9, 11h, na sala 240 da Faculdade de Educação da UFRJ

Secom/Divulgação
“Na casa do coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira foram apreendidos R$ 287 mil”
RIO – O coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira e o major Carlos Alexandre de Jesus Lucas foram detidos na manhã desta segunda-feira, 15, em operação contra uma quadrilha de policiais acusados de corrupção. Eles eram, respectivamente, comandante e subcomandante do Comando de Operações Especiais (COE), ao qual estão subordinados o Batalhão de Operações Especiais (Bope), o Grupamento Aeromarítimo (GAM), e o Batalhão de Choque (BPChoq).
O coronel Fontenelle era o terceiro na hierarquia da Polícia Militar e foi preso em casa. A quadrilha atuava principalmente no bairro de Bangu, na zona oeste do Rio. Também foram presos os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações), além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço Reservado) – todos lotados no 14º Batalhão (Bangu).
De acordo com as investigações da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Segurança (Seseg), os policiais cobravam propina de comerciantes, empresários, ambulantes, mototaxistas e motoristas de cooperativas de vans e de empresas transportadoras de carga na área do 14º BPM. Eles são acusados de “prejudicar o policiamento ostensivo em Bangu, deixando de servir à população, ignorando o combate a transporte irregular de pessoas por vans ou Kombis em situação irregular, mototaxistas, com motocicletas em situação irregular, sejam elas roubadas, furtadas ou com chassi adulterado”, informou a nota enviada pela Seseg.
Os acusados também agiam em empresas irregulares de transporte de mercadorias e na venda varejista de produtos piratas. O pagamento era divido entre os integrantes da quadrilha. Depois de pagar pelo serviço, a pessoa lesada recebia uma espécie de autorização oficiosa para continuar com suas atividades, sejam elas quais fossem. A propinas cobradas pela quadrilha variavam de R$ 30 a R$ 2.600 e eram cobradas diária, semanal ou mensalmente, “como garantia de não reprimir qualquer ação criminosa, seja a atuação de mototaxistas, motoristas de vans e Kombis não autorizados, o transporte de cargas em situação irregular ou a venda de produtos piratas no comércio popular de Bangu”, afirmou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Segundo o MPRJ, entre 2012 e o segundo semestre de 2013, os seis acusados e outras 80 pessoas, entre os quais policiais do 14° BPM, da 34ª DP (Bangu), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), além de PMs reformados, praticavam diversos crimes de concussão (extorsão cometida por servidor público) na área de atuação do 14° BPM.
A denúncia, baseada em depoimentos de testemunhas, documentos e diálogos telefônicos interceptados com autorização judicial que compõem mais de 20 volumes de inquérito, aponta que “o 14° BPM foi transformado em um verdadeiro ‘balcão de negócios’, numa verdadeira ‘sociedade empresária S/A’, em que os ‘lucros’ eram provenientes de arrecadação de propinas por parte de diversas equipes policiais responsáveis pelo policiamento ostensivo, sendo a principal parte dos ‘lucros’ (propinas) repassada para a denominada ‘Administração’, ou seja, para os oficiais militares integrantes do ‘Estado-Maior’, que detinham o controle do 14º BPM, o controle das estratégias, o controle das equipes subalternas e o poder hierárquico”.
Os acusados responderão na 1ª Vara Criminal de Bangu por associação criminosa armada, que não está prevista no Código Penal Militar. A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os integrantes da quadrilha também serão responsabilizados pelo Ministério Público pelos diversos crimes de concussão, que serão apurados pela Auditoria de Justiça Militar estadual.
Operação. O objetivo da ação, batizada de Operação Compadre II, é cumprir 25 mandados de prisão, sendo 24 contra PMs e um contra policial civil, e 53 de busca e apreensão. Além dos agentes da SSINTE e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio (Gaeco/MPRJ), também participam da ação a Corregedoria da Polícia Militar e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO/IE).
A Operação é um desdobramento da Operação Compadre, deflagrada em abril de 2013, quando 78 mandados de prisão foram expedidos, 53 deles contra policiais militares, para a desarticulação de uma quadrilha que cobrava propina de feirantes e comerciantes com mercadorias ilícitas, em Bangu.
FONTE: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/coronel-e-major-do-coe-s%C3%A3o-presos-em-opera%C3%A7%C3%A3o-no-rio-de-janeiro
Uma reportagem que inicia uma série sobre todas as regiões do estado do Rio de Janeiro abordou hoje o drama vivido centenas de famílias de agricultores no V Distrito de São João da Barra por causa das desapropriações promovidas pelo (des) governo Cabral/Pezão para beneficiar o conglomerado econômico do ex-bilionário Eike Batista .
A reportagem traz um depoimento da senhora Noêmia Magalhães, uma das principais lideranças da ASPRIM, associação que lidera a resistência das famílias desapropriadas. Dona Noêmia falou inclusive das ameaças que ele e seu marido Valmir sofreram por se recusarem a vender o Sítio do Birica.
Quem desejar assistir ao vídeo, basta clicar (Aqui!)

E aí… como vão as coisas? As coisas vão bem, mas a vida, infelizmente, não.
Vivemos uma total inversão de prioridades. Os governantes, ministros, empresários e especialistas passam o tempo todo buscando uma forma de produzir mais coisas, vender mais coisas, obter mais lucros com as coisas produzidas e vendidas; equilibrar finanças, conter custos, evitar gastos. Eles acreditam que, se tudo der certo para as coisas, também vai dar certo para as pessoas. Se a economia vai bem, o país vai bem, as pessoas também vão bem. Não é?
Parece que não. Faz tempo que descobrimos que a saúde da economia não significa que o povo esteja indo bem. Durante o “milagre” econômico propagado pela Ditadura, a economia se desenvolveu com taxas crescentes, mas disso resultou num país profundamente desigual, tanto social quanto regionalmente, com a concentração de riquezas e propriedades nas mãos de poucas pessoas, produzindo um abismo entre ricos e pobres.
Mas qual seria a raiz desse problema? Uns afirmam que precisamos diminuir o peso do Estado e dar mais espaço para a economia de mercado. Outros defendem que é necessário maior presença do Estado para o bom funcionamento da economia de mercado. Esses senhores e senhoras parecem concordar em que não há como superar a economia de mercado. E com menos ou com mais Estado, temos mais capitalismo.
Eles querem nos fazer crer que a disputa é entre a orientação “neoliberal” (ou seja, mais mercado) e a orientação “neodesenvolvimentista” (mais Estado). Será mesmo? Vejamos as coisas mais de perto.
Nenhuma das opções enunciadas é nova (daí este termo “neo” que se coloca na frente de liberal ou de desenvolvimentista) e as duas se alternam em nossa história sempre se apresentando com uma grande alternativa que finalmente vai fazer funcionar a economia capitalista corretamente, corrigir suas distorções e produzir um país desenvolvido, mais igual e justo. Um ciclo com mais Estado é seguido por outro em que a presença muito forte do Estado é criticada e a liberdade do mercado é defendida até ser criticado por outro que vai defender a volta do Estado para nos salvar do descontrole do mercado neoliberal.
Estas falsas opções escondem muita coisa. Primeiro, o capitalismo exige a presença tanto do mercado livre como do Estado e os dois sempre estiveram presentes, às vezes com mais ênfase em um, outras vezes no outro. Em segundo lugar, escondem que isso gera um crescimento que beneficia apenas uma pequena parte de nossa sociedade, exatamente os donos daquelas empresas que lucram no mercado e que, quando vem a crise, correm para serem salvas pelas bondades, isenções, subsídios, renúncia fiscal, contratos públicos e empréstimos generosos promovidos pelo Estado.
O que é certo é que, enquanto eles sempre ganham, os trabalhadores sempre pagam a conta. Trabalhamos muito nos períodos de crescimento para sermos jogados ao desemprego na crise; adoecemos e sofremos acidentes de trabalho para sermos descartados; construímos casas para não termos onde morar; batemos todos os índices de produtividade na produção de carros para nos apertarmos no transporte público (explorado por empresários do setor privado, é lógico).
E então? Não está na hora de mudar de verdade?
Nós produzimos tudo nesse país. Somos metalúrgicos, petroleiros, pedreiros, motoristas, garis, professores, médicos, agricultores e, como não somos de ferro, também fazemos música, poesia e pintamos a vida com cores vivas e fortes em telas e muros. E se nós controlarmos os meios necessários para produzir de forma diferente nossa vida, decidindo juntos o que fazer, como fazer e como distribuir?
Nós chamamos isso de socialismo e é essa nossa proposta para o Brasil. Isso é, de fato, novo, muito novo em nosso país. Nessa eleição deixe prá lá estes “neo” velhos e escolha o novo, escolha o socialismo.
Viva o poder popular!
Eike Batista que era sempre citado pela Bloomberg como um dos ícones do capitalismo brasileiro agora é notícia por motivos que não devem deixar o ex-bilionário muito feliz. Um exemplo vai logo abaixo e o material foi publicado ontem, falando do caso aberto pelo Ministério Público Federal por causa de supostos crimes contra a ordem financeira.
Nesse artigo da Bloomberg aparece um detalhe que eu não vi na mídia brasileira. Segundo diz o advogado de Eike Batista para este caso, Sérgio Bermudes, é que a expectativa é de que este processo será longo. Em outras palavras, Eike Batista vai ficar enrolado com a justiça, e só por este processo, por um bom tempo.
Imaginem se a queixa crime que foi apresentada contra ele por agricultores do V Distrito de São João da Barra também prosperar….

Brazilian federal prosecutors in Rio de Janeiro state accused former billionaire Eike Batista of financial-market crimes and are seeking to freeze his assets.
The charges of insider trading and market manipulation carry jail sentences in Brazil of as much as 13 years, according to a statement posted on the office’s website. The freeze could affect assets valued at as much as 1.5 billion reais ($641 million), and may include homes, cars, boats, airplanes and financial holdings, the statement said.
Sergio Bermudes, a civil lawyer who says he is coordinating Batista’s judicial affairs, said he expects a “long proceeding where you have a defendant who will have a chance to produce all evidence.”
“From what I have read, they are groundless,” Bermudes, referring to the charges, said in a telephone interview from Rio de Janeiro. “I believe that there has been a wrong interpretation of facts.”
Once the world’s eighth-richest person, Batista’s commodities empire collapsed last year, led by flagship Oleo & Gas Participacoes SA, formerly known as OGX. The Rio de Janeiro-based company filed for bankruptcy protection in October after spending more than 10 billion reais since it was founded in 2007. Batista’s shipbuilding company has also entered Brazil’s judicial-recovery process.
Prosecutors accused Batista of using privileged information in the sale of OGX stock. The alleged market manipulation refers to a so-called $1 billion put option the entrepreneur pledged that was never exercised.
Batista, 57, is already accused by the country’s securities regulator of insider trading over his sale of shares in the oil company before its downfall. Batista’s lawyers have said he sold the shares to pay back creditor Mubadala Development Co. and not because he anticipated project failures, according to a document obtained by Bloomberg.
The 1.5 billion reais is approximately equal to the damage to financial markets as a result of the crimes he’s accused of, according to prosecutors.
To contact the reporter on this story: Jonathan Levin in Sao Paulo at jlevin20@bloomberg.net
To contact the editors responsible for this story: Mohammed Hadi at mhadi1@bloomberg.net
POR DANILO DI GIORGI
Desde que a crise da falta d’água não pode mais ser escondida, a publicidade oficial do governo paulista repete que estamos enfrentando “a maior seca dos últimos 84 anos”. Os marqueteiros do Alckmin culpam São Pedro pela crise no abastecimento de água na Grande São Paulo e o mais baixo nível da história do Sistema Cantareira. A maior parte da mídia repete o discurso.
Do outro lado, os adversários do PSDB apontam a incompetência de sucessivos governos tucanos na adoção de medidas que evitassem esta situação crítica: estes políticos teriam ignorado alertas emitidos há vários anos por especialistas em planejamento urbano e abastecimento.
No meio dessa guerra, é quase inacreditável que raras vozes lembrem-se de refletir sobre as razões da falta de chuvas. Seria apenas o mau humor do santo que guarda as portas do céu? A resposta é não.
O estado de São Paulo está na mesma latitude de alguns dos maiores desertos do mundo, como o Atacama (Chile), Namibe (Namíbia), Kalahari (sul da África) e o deserto australiano. O que então nos salva da aridez? Onde, afinal, vive São Pedro?
São Pedro mora longe, mais precisamente lá no meio da floresta. Mais da metade das chuvas que recebemos aqui no Sudeste, nas regiões Centro-Oeste e Sul, e na Bolívia, Paraguai e o norte da Argentina, têm origem na Floresta Amazônica, e chegam até nós pelo fenômeno climático conhecido como “rios voadores”. As “nascentes” destes rios aéreos ficam no Oceano Atlântico: com alta incidência de radiação solar na região da linha do Equador, quantidades monumentais de vapor d’água elevam-se acima do mar e são levadas pelos ventos alísios rumo oeste, para a floresta tropical. Isso explica os altíssimos índices de pluviosidade na região.
A chuva na mata e os imensos rios, somados ao intenso calor na região, geram ainda mais evaporação e evapotranspiração (capacidade de plantas e animais de “perder água” de sua composição biológica e fisiológica), o que chega a dobrar essa massa de partículas de água vindas do Atlântico e suspensas no ar sobre a floresta tropical.
Os números impressionam: são cerca de 600 bilhões de árvores na Amazônia, e as de maior porte são capazes de evapotranspirar até mil litros de água por dia. O volume de partículas de H2O em suspensão é tão grande que estima-se que o volume de água dos rios transportados por via aérea seja equivalente à vazão do Rio Amazonas: cerca de 200 milhões de litros por segundo. A floresta tem ainda o importante papel de reter no solo toda essa água das chuvas torrenciais. Sem as árvores, o líquido seria escoado para os rios e voltaria rápida e diretamente para o mar.
Toda essa umidade segue sendo transportada para o oeste pelas correntes de ar. Parte dela fica na base da Cordilheira dos Andes na forma de neve, parte vai para o norte do continente e parte segue sua jornada para o sul, terminando sua viagem no norte do Paraná, cerca de seis dias depois de sair da Amazônia, irrigando e trazendo vida em seu caminho para milhões de pessoas e um número incalculável de animais e vegetais.
A Amazônia vem perdendo sua cobertura vegetal ao longo dos séculos XX e XXI, e o processo vem se acelerando nas últimas décadas. Calcula-se que o equivalente a 90 milhões de campos de futebol de floresta já foram perdidos para as represas de hidrelétricas, motosserras e queimadas. São milhares a cada dia. Com essa eficiente máquina de destruição funcionando tão bem, o que mais esperar senão problemas de falta de chuvas cada vez mais graves, uma vez que as chuvas dependem da floresta preservada?
Mas não é só o desmatamento da Amazônia que prejudica a manutenção dos reservatórios de água que abastecem as grandes cidades do Brasil. O desmatamento local também é nefasto. Na região do Sistema Cantareira, que serve parte da Grande São Paulo, por exemplo, restam apenas 30% da cobertura vegetal original da Mata Atlântica. Onde não há floresta, a evaporação é maior e a infiltração da água das chuvas no solo é menor, o que diminui a absorção e aumenta a perda de umidade. Num solo de pastagem, por exemplo, a quantidade de água escoada é até 20 vezes maior que em área de vegetação natural.
Enquanto nós brasileiros não repensarmos radicalmente a forma como lidamos com a natureza e os recursos naturais, o agronegócio vai continuar a arrancar pedaços da floresta e novas hidrelétricas como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio serão construídas para gerar mais energia para sustentar o crescimento infinito do consumo e do PIB, essa obsessão de governos de todas as cores.
É uma escolha que fazemos todos os dias enquanto sociedade. Mas não fiquemos surpresos se o resultado dessa escolha for não apenas falta de água para o agronegócio e para girar turbinas de hidroeletricidade, mas também para abastecer nossos lares.
Danilo Di Giorgi é jornalista. Mais sobre ele em seu blog http://ddigiorgi.blogspot.com.br/
Publicado originalmente na revista Glocal – painel de geopolítica, meio-ambiente, cultura e matemática cotidiana. Disponível em: http://www.revistaglocal.org.br
FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10031:submanchete100914&catid=72:imagens-rolantes
DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL – O ESTADO DE S. PAULO

No norte paulista, costuma-se dizer que Sertãozinho produz e Ribeirão Preto leva a fama. Eliminado o exagero, esse polo tecnológico tem sofrido os efeitos da crise do setor do açúcar e álcool tanto quanto a vizinha mais rica. Duas de suas sete usinas fecharam – Albertina e Pignatta. Sem encomendas grandes desde 2009, as fábricas de máquinas e equipamentos demitiram 2 mil trabalhadores neste ano e vivem um delicado momento financeiro. A receita municipal caiu e arrastou a cidade 4º lugar no ranking nacional de qualidade de vida em 2007 para a 56ª posição, em 2011.
Sertãozinho procura agora descolar-se do etanol. Quanto mais investimento em subprodutos da cana, mais tecnologia incorporada e maior a chance de seus produtores darem a volta por cima. Nos últimos anos, têm se salvado os usineiros que investiram na cogeração de energia elétrica e os industriais que fabricaram máquinas para os setores químico e de petróleo. “A nossa saída é a diversificação”, afirmou o prefeito José Alberto Gimenez (PSDB), que calcula uma perda de 10% em repasses estaduais em 2014.
A cidade de 199 mil habitantes vive ainda em ambiente ainda nebuloso. De suas 550 empresas, cerca de 440 são do setor sucroalcooleiro e enfrentam as mesmas mazelas: o subsídio ao preço da gasolina, que tornou menos interessante o consumo de etanol no País, a quebra de safra por causa da seca e a queda da cotação do açúcar no mercado internacional. A ociosidade da indústria local chega a 60%, segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), e são raros os dias em que os sindicatos locais não recebem dezenas de demitidos.
Na última quarta-feira, três homens esperavam a vez para rescindir o contrato de trabalho no Sindicato dos Metalúrgicos – Paulo Silva Gomes, 61 anos, e os filhos Alessandro, de 37, e Saulo, de 29, todos soldadores da HPB Energia até 21 de agosto. Eles constaram da lista de mais de cem demitidos. “Nos disseram que podiam nos recontratar no futuro. Mas estou muito preocupado”, disse Alessandro, pai de um bebê de 1 ano e 9 meses. “Digo aos meus filhos para não se assustarem. Claro que fiquei sentido. Mas já tive empresa e sei como é difícil levar o negócio adiante”, completou Paulo.
O administrador de empresas Paulo Junqueira, de 37 anos, procura emprego há dois anos, desde que foi demitido de uma multinacional. Casado e sem filhos, faz bicos como consultor enquanto sua mulher mantém um salão de beleza. “(A presidente) Dilma Rousseff acabou com a cidade, mas os usineiros também são culpados porque querem tudo de mão beijada do governo.”
Novos negócios
As usinas locais, neste ano de seca, vão antecipar a colheita em 40 dias e dispensar os trabalhadores temporários no fim de outubro. A saída para duas delas, São Francisco e Santo Antônio, ambas do Grupo Balbo, foi traçada na década passada. O grupo investiu na produção de açúcar orgânico, que deu origem à linha de alimentos Native, de levedura (proteína do açúcar) e na geração de energia. Mesmo com quebra de 8% da safra atual, três projetos continuam em curso: a produção de probiótico, de plástico biodegradável e de cera de açúcar.
A indústria de bens de capital da cidade sofre queda de 50% no faturamento em relação à década passada. Segundo Antônio Tonielo, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br), as pequenas quebraram. As grandes estão endividadas porque não há mais reformas de usinas nem novas unidades em construção.
Para Tonielo, a indústria de Sertãozinho paga caro pelo investimento pesado que fez no setor. Em meados da década passada, empregava 15 mil trabalhadores – 5 mil dos quais já foram dispensados. “A economia de Sertãozinho crescia em ritmo chinês de 2006 a 2008, de 10% a 12% ao ano. Era para termos 20 mil empregados hoje.”
Boa parte das indústrias tenta diversificar sua produção. A Caldema chegou a fabricar de oito a dez caldeiras para a geração de energia por ano entre 2006 e 2008, quando tinha 600 empregados. Neste ano, fabricou três unidades e executou algumas reformas. Com 30 demissões recentes, sua folha de pagamentos encolheu para 500.
Para evitar uma “sangria” maior, a Caldema foi atrás de novas tecnologias. Fechou um contrato com a americana Foster Wheeler para produzir caldeiras que podem processar qualquer tipo de biomassa. Neste ano, a Caldema também fechou um contrato para produzir a caldeira para a primeira unidade de geração de energia a partir do lixo, em Barueri (SP).
Comércio
O comércio local não tem para onde correr e espera a recuperação da indústria e das usinas. O faturamento da Loja das Fábricas, fundada há 60 anos, caiu 10%. E a situação não ficou ainda pior porque o comerciante Jayme Moisés, de 87 anos, mantém as vendas “fiado”, com as compras anotadas em cadernetas.
Domingos Carotine, de 70 anos, calcula queda de 70% no faturamento de sua loja de material de construção nos últimos três anos. Em 2011, empregava 30 pessoas – hoje, são 8. Com as vendas em queda, a receita para manter a loja fundada por seu pai nos anos 40, Carotine mantém o estoque para evitar a perda da freguesia. “Acredito que em três anos pode haver melhoria no movimento. Mas isso depende das eleições de novembro.”
FONTE: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,sertaozinho-quer-desapegar-do-etanol,1560052
O ANDES-SN divulgou, nesta sexta-feira (12), nota de indignação e repúdio da Diretoria da entidade à ação de 54 reitores, que declaram apoio à candidatura de Dilma, durante visita solene ao Palácio do Planalto na quinta (11).
Para a diretoria do Sindicato Nacional, os reitores, neste ato “demonstram que abriram mão de representar as instituições que dirigem, função que exige o respeito à autonomia universitária consagrada na Constituição Federal, para serem cabos eleitorais de candidatura à presidência da república. Isto é uma ação anti-republicana e antiética”.
Abaixo a manifestação de repúdio em sua íntegra.
A população da Barra do Açu no V Distrito de São João da Barra teve motivos para aumentar a preocupação já alta em torno do processo erosivo que afeta a Praia do Açu na tarde deste sábado (13/09). É que mar jogou água na rua do DPO perto do Posto de Saúde e na rua da Escola Municipal Chrisanto Henrique de Souza.
Segundo o que me informou um morador do local, o mar nem estava tão agitado hoje, e a preocupação é com a entrada de uma frente fria que poderá agravar ainda mais o fenômeno.
Abaixo algumas imagens do processo que está preocupando os habitantes da Barra do Açu.