É preciso evitar a falsa dicotomia entre Marina e Dilma. A verdade é que elas são farinha do mesmo saco neoliberal

A campanha de intimidação e terrorismo ideológico promovida pelos setores que apoiam a reeleição de Dilma Rousseff continua nos empurrando para algo que é efetivamente uma falsa dicotomia. Ao impor à candidatura de Marina o sinal da besta que, se eleita, destruiria todas as “conquistas” trazidos por 12 anos de uma coalizão heterodoxa que reúne de Lula a Sarney, passando Renan Calheiros e Fernando Collor, o que está se omitindo é a informação de que, no frigir dos ovos, as propostas que as duas candidaturas trazem são exatamente as mesmas, ainda que tintas levemente trocadas.

Se olharmos, por exemplo, os dados de financiamento de campanha, veremos que Dilma Rousseff é a atua líder de arrecadação entre grandes doadores que, por sua vez, são liderados por grandes construtoras e por alguns dos “campeões nacionais” que têm sido turbinados pelo BNDES com generosos financiamentos.

Mas o social neoliberalismo adotado como elemento fundante da coalizão liderada pelo PT tem outros aspectos que os Torquemadas de Marina não falam.  Um aspecto que venho acompanhando de perto é a questão da regressão do processo de proteção ambiental cujo ápice é a flexibilização dos processos de licenciamento de megaempreendimentos que estão construídos para exportar commodities agrícolas e minerais.

A par dessa regressão ambiental e do processo de reprimarização da economia nacional que os grandes projetos de mineração representam, temos ainda o congelamento da reforma agrária e de um abraço de afogados com o latifúndio agroexportador.  Assim, enquanto milhares de famílias sem terra continuam amargando em acampamentos de forma indefinida, Kátia Abreu, a líder dos setores mais retrógrados do agronegócio, é vista aos abraços com Dilma Rousseff. De quebra, Kátia Abreu é ainda forte candidata a ministra da Agricultura numa eventual reeleição de Dilma Rousseff.

Mas afora as idiossincrasias e práticas de governo, o que os anos de PT no governo federal têm de pior é a aceitação de que não existe uma fronteira além do modelo de capitalismo predatório que temos estabelecido no Brasil.  É preciso ainda lembrar do fato de que isto tem sido garantido com a cooptação de movimentos sociais e sindicatos. Essa cooptação nos coloca num árido que impede a formulação de políticas estratégicas de transformação da realidade nacional e, pior, assegura a manutenção de um ambiente artificial de que estamos avançando na luta contra as profundas desigualdades sociais existentes no Brasil.

Em função de tudo o que expressei acima, não há a menor chance de que eu vote em Marina contra Dilma ou vice-versa. Para mim o essencial é aproveitar este momento para avançar o debate em torno da necessidade de que seja formada uma ampla aliança entre os setores da esquerda que possa, entre outras, superar o ambiente de fragmentação que vemos expresso em várias candidaturas que pulverizam a militância e impedem um diálogo mais amplo com a classe trabalhadora e com a juventude em torno de um projeto de mudança radical da realidade.  Só assim poderemos vencer o horizonte  pantanoso do possível medíocre em que o PT nos atolou.

Corporações investem pesado no financiamento de campanhas, e Dilma Rousseff lidera o ranking dos beneficiados com a “generosidade” empresarial

Três empresas bancam 39% da campanha

RODRIGO BURGARELLI, DANIEL BRAMATTI, JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO E DIEGO RABATONE – O ESTADO DE S. PAULO   

Construtoras OAS e Andrade Gutierrez estão em primeiro e terceiro lugar na lista de maiores doadores, completada pelo frigorífico JBS

A Construtora OAS, o frigorífico JBS e a Construtora Andrade Gutierrez são os três principais financiadores da campanha até o momento, de acordo com a segunda prestação parcial de contas apresentada pelos candidatos à Justiça Eleitoral. Juntas, as três empresas doaram quase R$ 64 milhões, 39% do total de recursos que entrou na contabilidade oficial dos três principais concorrentes ao Planalto.

As doações das três maiores beneficiaram principalmente a presidente Dilma Rousseff (PT), que disparou no ranking de arrecadação. Depois de sair atrás de Aécio Neves (PSDB) no primeiro mês de campanha, ela se recuperou na segunda parcial da prestação de contas, cujo prazo para entrega se esgotou na terça-feira. No total, a petista já arrecadou R$ 123,6 milhões até agora – cerca de cinco vezes o valor declarado pelas contas da campanha presidencial do PSB, partido de Marina Silva, sua principal adversária.

Dilma arrecadou sozinha mais da metade dos cerca de R$ 200 milhões declarados por todos os presidenciáveis nas duas parciais entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes das eleições. Em segundo lugar vem Aécio, com R$ 44,5 milhões. Marina Silva ainda não tem registros de doações em seu nome, pois sua candidatura ainda precisa ser deferida pelo TSE. O total arrecadado na conta do ex-candidato do PSB Eduardo Campos e em seu comitê chega até agora a R$ 24 milhões.

A OAS é a líder no ranking de doações, com R$ 26,1 milhões repassados nos três primeiros meses de campanha. A principal beneficiária foi Dilma, que recebeu 77% do total. O JBS vem logo a seguir, com R$ 26 milhões (a conta incluiu a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, outra empresa do grupo). A Andrade Gutierrez doou R$ 11,8 milhões.

Os dados foram calculados pelo Estadão Dados em parceria com a Transparência Brasil, com base nos registros contábeis apresentados pelas campanhas à Justiça Eleitoral. Foram levadas em consideração todas as doações nas contas da campanha de cada candidato e do comitê para presidente, além do DINHEIRO que saiu das direções nacionais dos partidos para essas duas contas. 

Segundo o diretor executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, o valor parcial das doações aos candidatos a presidente neste ano já se aproxima do que foi doado ao longo de toda a eleição de 2010, incluindo o segundo turno – quando os valores são corrigidos para eliminar o efeito da inflação. Se as doações continuarem nesse ritmo, 2014 terá uma campanha ainda mais cara do que a anterior. É uma tendência que se repete desde 2002.

Uma parte do aumento das doações pode ser creditada à diminuição do caixa 2 e à maior eficácia dos mecanismos de controle, diz Abramo. Mas outra parte é aumento de custos. 

Balanço 

Estado constatou diversas inconsistências na contabilidade do PSB. Na conta da direção nacional do partido, por exemplo, há registro de repasses para a conta do comitê de Eduardo Campos, mas estes não aparecem como receita na contabilidade do mesmo comitê. Também acontece o contrário: na conta do comitê aparecem repasses vindos do partido, mas estes não estão na contabilidade da legenda. Ainda assim, o Estado conseguiu mapear todas as doações de pessoas físicas e jurídicas.

Além dos recursos que já caíram nas contas de candidatos e comitês, os três partidos ainda têm  dinheiro em caixa, que pode ou não ser repassado para as campanhas presidenciais. O PT tem R$ 2 milhões, diferença entre os R$ 66,5 milhões que recebeu em doações e os R$ 64,5 milhões que distribuiu a diversas campanhas – principalmente aos candidatos a governador do partido. O PSDB está com uma sobra de caixa ainda maior: R$ 4,4 milhões. O PSB, por sua vez, dispõe de R$ 2,6 milhões para distribuir entre seus candidatos.

FONTE: http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,tres-empresas-bancam-39-da-campanha,1555032

Índios atacam madeireiros no Maranhão

Ação de representantes da etnia kaapor na terra indígena do Alto Turiaçu foi registrada por fotógrafo

O fotógrafo Lunae Parracho, da agência Reuters, publicou nesta quinta-feira fotos em seu blog de um embate entre índios da etnia kaapor e madeireiros na terra indígena do Alto Turiaçu, no nordeste do Maranhão, na divisa com o Pará.

O profissional foi convidado a registrar a operação indígena contra os madeireiros ilegais, que, além de terem sido capturados pelos nativos, tiveram ainda cinco caminhões e três tratores queimados, em 7 de agosto. Os madeireiros, segundo Parracho, foram libertados pelos índios após serem amarrados sem roupa. Os que resistiram à captura, conta, foram agredidos. “Estamos fazendo isso porque vocês (madeireiros) são teimosos. Nós já falamos que não era para vocês voltarem, mas vocês voltaram”, diz uma liderança indígena.

Um dos índios contou a Parracho, segundo a postagem, que sua tribo havia pedido ajuda ao Exército Brasileiro, no ano passado, na luta contra a exploração de madeira nas terras onde vivem seus familiares.

Lunae Parracho/Reuters
Fotógrafo registrou ataque de índios a madeireiros no Maranhão no começo de agosto

“Em maio, o Ministério Público Federal relatou uma situação de conflito envolvendo índios kaapor e exploradores ilegais da floresta para a Polícia Federal, o Ibama e a Funai, pedindo a essas agências medidas urgentes em dez dias. Mas nada foi feito. Durante a minha semana de visita à região, eu não vi um único funcionário público ou qualquer infraestrutura no local para proteger a área de madeireiros”, escreve o fotógrafo.

Histórico. Em 1998. índios da mesma etnia, que vivem na reserva no nordeste do Pará, ocuparam a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Belém, para cobrar a retirada de madeireiros, comerciantes e invasores de suas terras, além da conclusão da demarcação da área pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Eles pediam ainda que a Funai liberasse recursos para saúde, educação e saneamento.

Os índios passaram o dia todo com o administrador da Funai no Pará, Frederico Oliveira, reclamando da demora na saída dos invasores e da falta de investimentos da Funai na região. Oliveira disse que o problema da Funai é a escassez de recursos.

Já em 2009, mesma terra foi motivo de disputa entre indígenas e garimpeiros. Cerca de 50 agentes da Funai e da Polícia Federal realizaram uma operação para desalojar um grupo de garimpeiros de Turiaçu.

A presença dos garimpeiros foi denunciada à Funai pelos índios kaapor, moradores da região. Agentes do Ibama também participaram da operação, com a tarefa de avaliar os danos ambientais. 

FONTE: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,indios-atacam-madeireiros-no-maranhao,1555017

UENF: dinheiro para equiparar valor de bolsas não tem, mas para comprar máquinas de costura industriais tem!

A UENF teve negada recentemente a verba necessária para a equiparação do valor de bolsas estudantis ao que é praticado na UERJ. Mas hoje o Diário Oficial trouxe a publicação da homologação de uma licitação de uma aquisição de máquinas de costura industriais para atender as necessidades da UENF
 
SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO
DESPACHOS DO REITOR, DE 03.09.2014
PROCESSO Nº E-26/009/829/2014 – HOMOLOGO a licitação na modalidade Pregão Eletrônico nº 015/2014, referente à aquisição de máquinas  de costura industriais para atender as necessidades da UENF, cujo objeto foi adjudicado pelo valor de R$ 7.000,00 (sete mil reais), à empresa VIP COMÉRCIO DE MÁQUINAS DE COSTURA LTDA. pelo Lote 01.
Vão costurar o que? A fantasia de que está tudo bem e que o (des) governo Pezão tem sido sensacional para a nossa universidade? Só pode!
Enquanto isso, as bolsas estudantis continuam congeladas e o cheiro de comida no bandejão… esse então nem se fale!

Eduardo Serra, candidato a senador pelo PCB, fará debate na UENF no dia 11/09

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e candidato a senador pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), Eduardo Serra, estará na UENF no próximo dia 11 de Setembro para participar de um debate sobre “O papel das universidades na organização das lutas sociais e na própria defesa contra os ataques do governo”.

O debate ocorrerá a partir das 17:00 horas na sede social da Associação de Docentes da UENF, conforme mostra o cartaz abaixo. 

Em tempo: apesar do público-alvo ser a comunidade da UENF, todos os interessados poderão participar desta atividade.

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Nação Ka´apor coloca madeireiros clandestinos para correr de suas terras. Cadê o IBAMA e a PF que não fizeram isso antes?

Cansados da falta de assistência do governo federal comandado por Dilma Rousseff, os indígenas da tribo Ka’apor resolveram fazer justiça com suas próprias mãos. Juntamente com outras quatro tribos, os índios resolveram organizar uma expedição para capturar e expulsar os madeireiros que atuam ilegalmente em seu território, no Alto Turiaçu, nordeste do Maranhão. As fotos são do dia 7 de agosto, mas só foram divulgadas pela agência Reuters nesta quinta-feira.

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Minicurso sobre Euclides da Cunha no Centro de Ciências do Homem da UENF

Um minicurso organizado pelo  antropólogo e professor titular do Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado (LESCE), Arno Vogel, e pela Mestre em Sociologia Política Regiane Ferreira ocorrerá entre os dias 16 e 19 de setembro na sala de Multimídia do Centro de Ciências do Homem para discutir a importância e o conteúdo da obra de Euclides da Cunha. Este minicurso recebeu o título de “Euclides da Cunha: Glória e Tragédia’.

Os interessados em participar desta relevante atividade deverão se inscrever no email minicursoeuclides@gmail.com entre os dias 05 e 15 de setembro.  Como o espaço não comporta um número muito elevado de pessoas, a dica é que as inscrições sejam feitas o mais rápido possível.

Abaixo o cartaz que divulga o minicurso e apresenta o seu conteúdo.

euclides da cunha

E assim segue o futebol brasileiro… rumo ao precipício

Não vou a um estádio de futebol tem mais de uma década. Não que eu não goste do esporte, pois adoro ver um bom jogo. O problema, além de todos os riscos a que o cidadão comum está exposto quando se aventura a ir assistir uma dessas peladas que inundam o futebol brasileiro, existem coisas que me deixam de estomago virado. Vejamos a situação da Copa do Brasil apenas na noite de ontem. O Clube de Regatas do Flamengo conseguiu uma “milagrosa” classificação graças a duas penalidades máximas para lá de esquisitas. Enquanto isso, em Fortaleza, um juiz de quem nunca ouvi falar, resolveu estender a partida até que o Botafogo “Futebol e Regatas” conseguisse virar um jogo que já estava perdido.  Nesse caso, o juiz que havia decidido que o jogo iria até o minuto 49, deixou a bola rolar até o 52, coincidentemente até que o Botafogo conseguisse a virada de que precisava para continuar no campeonato.

Mas o ápice dessa situação foi a exclusão do Grêmio de Porto Alegre por causa de manifestações racistas de 5 torcedores num estádio que acolhia 30 mil torcedores no momento em que os fatos se deram. E como já mostrou a imprensa em celebração, existem evidências de que os dirigentes do Grêmio já sabiam desde antes do julgamento pelo esdrúxulo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de que o clube seria eliminado por causa da conduta de uma minoria absoluta de torcedores.

Agora, o que mais me irrita e me afasta cada vez mais de qualquer tipo de gasto com o futebol profissional no Brasil é a atitude de celebração que vejo hoje nos principais veículos de imprensa ligados ao futebol em relação a todos esses resultados. Nem uma palavra de dúvida ou crítica sobre os dois juízes que “operaram” o Coritiba e o Ceará. E pior mesmo é ver que a decisão contra o Grêmio representa algum tipo de lição contra a prática do racismo no Brasil. 

Com esses dirigentes e com essa imprensa esportiva, uma coisa é certa: o futebol brasileiro vai continuar imerso numa crise em que daqui a pouco tempo nem jogadores serão produzidos para consumo nos mercados internacionais. É simplesmente o fim!

Dayse Oliveira Gomes , candidata do PSTU ao governo do Rio de Janeiro divulga agenda de atividades em Campos dos Goytacazes

dayse

Acabo de receber e distribuo para conhecimento dos interessados a agenda que a candidata do PSTU ao governo do Rio de Janeiro, Dayse Oliveira Gomes, cumprirá na cidade de Campos nesta 6a. feira (05/09). Num momento em que a imprensa corporativa não dá um mínimo de espaço para que se conheça as ideias e programas dos partidos de esquerda, ver e ouvir o que a candidata do PSTU tem a dizer é importante.

 Eis a programação:

 6h – Panfletagem na CODIN.

9h – Visita ao Mercado Municipal.

11h30min – Visita ao campus centro do Instituto Federal Fluminense (IFF).

14h – Apresentação do programa a comunidade do IFF.

15h30min – Coletiva de imprensa

19h – Atividade político cultural com o Movimento Negro – Varanda da Mami – Rua Mário Veloso de Carvalho, 25, próximo a Universo

PROIES e o empresariamento do ensino superior

Em um artigo que acaba de ser lançado pela Revista Linhas Críticas da Universidade Nacional de Brasília (UNB), a professora Renata Maldonado da Silva do Laboratório de Estudos do Ensino e Linguagem (LEEL) da UENF disseca a implementação do Programa de Estímulo à  Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (PROIES) que foi lançado em 2012.

Neste artigo, a professora Maldonado mostra que o PROIES surge articulando à outras ações do Governo Federal, tais como  o Programa Universidade para Todos (PROUNI) e o Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior (FIES) que, desde a década de 1990, visam ampliar o acesso ao ensino superior mas que, simultaneamente, promovem o processo de  ‘empresariamento’ da educação, estabelecendo novas relações entre Estado e iniciativa privada.

Em suma, o que o trabalho demonstra é que PROIES, o PROUNI e o FIES nada mais são expressas efetivas do fortalecimento do ensino empresarial que foi promovido pelos governos do PSDB e do PT.

Para quem quiser saber mais sobre este assunto, é só acessar o artigo da Professora Maldonado (Aqui!).