Aécio diz que escândalo da Petrobras mostra “mensalão 2”. E o “tremsalão” dos tucanos paulistas e a amizade com Sérgio Cabral mostram o que?

O candidato em pleno derretimento, Aécio Neves, foi rápido no gatilho (ou já estaria tudo combinado antes da matéria sair na Veja?) e alcunhou o último escândalo envolvendo petistas e sua governista de “mensalão 2”.  Nada mais natural que um candidato em situação desesperadora até no estado que governou por duas vezes tente aproveitar uma deixa maravilhosa como a fornecida pela revista da família Civitta.

Agora, no melhor estilo do “roto falando do esfarrapado”, Aécio esqueceu do escândalo do metrô paulistano que deixa qualquer escândalo petista rubro de inveja, e dos seus aeroportos particulares espalhados pelas fazendas da família em Minas Gerais, e que foram construídas com o dinheiro do sofrido contribuinte mineiro. 

O que Aécio Neves talvez ainda tenha de explicar é como está apoiando pessoas que podem aparecer nas listas de nomes desse escândalo ligados ao PP,  partido que comanda atualmente o governo mineiro e que indicou o vice na chapa tucana encabeçada por Pimenta da Veiga!

E mais, o site “Pautando Minas” já produziu uma matéria onde informa que  “fontes do Palácio Tiradentes afirmaram, sob a condição do anonimato, que a primeira reação de Aécio, seguindo orientações da irmã Andrea Neves, foi tentar circunscrever as denúncias ao PT. O tucano publicou um vídeo em sua página no Facebook, no qual se diz “perplexo” e acusa o partido de patrocinar um “assalto às nossas empresas públicas”. A decisão, no entanto, teria desagradado o próprio PP e também o PMDB do Rio de Janeiro, partido do ex-governador Sério Cabral, de quem Aécio Neves também é amigo pessoal, e que tentava colocar de pé no estado a chapa Aezão (mistura de Aécio Neves e Pezão, candidato peemedebista ao governo fluminense)” (Aqui!).

 

“Coletivo mulheres uenfianas” lança manifesto sobre adesão ad referundum ao PROEIS e sobre a questão do assédio e violência sexual na UENF

Durante a visita que o professor e História e deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) realizou recentemente ao campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense houve o lançamento público de um manifesto lançado pelo “Coletivo Mulheres Uenfianas” sobre a questão da adesão “ad referendum” que a reitoria fez ao Programa Estadual de Integração da Segurança (PROEIS) e dos problemas sobre assédio e violência sexual que a militarização da segurança do campus visa em tese em combater.

Abaixo o vídeo onde é feita a leitura pública do referido manifesto

Por que será que Pezão é o campeão da arrecadação de campanha no RJ? É só checar a lista de doadores!

Pezão arrecada 65,6% do total da receita de campanhas

Construtoras são as campeãs de doação ao peemedebista

Luciana Nunes Leal, do

Renato Araujo/ABr

 Luiz Fernando Pezão, vice-governador do Rio de Janeiro

Luiz Fernando Pezão: Pezão mais que dobrou a arrecadação em um mês.

Rio – O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) arrecadou R$ 13,034 milhões para a campanha de reeleição, equivalentes a 65,6% de todos os recursos arrecadados até agora pelos candidatos ao governo do Rio de Janeiro, que somam R$ 19,871 milhões. Construtoras são as campeãs de doação ao peemedebista: a Carioca Christiani Nielsen contribuiu para a campanha com R$ 1,670 milhão; a OAS, com R$ 1,225 milhão e a Concremat Engenharia, com R$ 1 milhão.

Outro grande doador foi o Itaú Unibanco, com R$ 500 mil e a Construtora Queiroz Galvão, que doou R$ 255 mil. Os dados estão na base de dados da segunda parcial de arrecadação enviada pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pezão mais que dobrou a arrecadação em um mês.

No início de setembro, as doações ao governador somavam R$ 5,795 milhões. O peemedebista gastou mais do que arrecadou: R$ 13,660 milhões. Pezão está em segundo lugar (23%) na mais recente pesquisa de intenção de voto do Estado, divulgada pelo Datafolha na quarta-feira, 3.

O candidato do PT, Lindbergh Farias, quarto colocado na pesquisa, com 11%, obteve a segunda maior arrecadação: R$ 3,726 milhões. Os gastos da campanha petista ultrapassam em mais de R$ 1 milhão a arrecadação do candidato e somam R$ 4,870 milhões.

Segundo dados do TSE, o ex-governador Anthony Garotinho, candidato do PR e líder das pesquisas eleitorais (28% no Datafolha), arrecadou R$ 2,2987 milhões até agora. A Construtora OAS doou R$ 300 mil para a campanha de Garotinho.

O candidato do PRB, Marcelo Crivella, terceiro colocado na pesquisa Datafolha, com 18%, declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 787 milhões até agora.

O próprio candidato declarou ter doado R$ 50 mil para a própria campanha. O TSE informou também a arrecadação de comitês financeiros e direções partidárias.

O PMDB é mais uma vez o campeão, com arrecadação de R$ 24,578 milhões do comitê.

O principal financiador é o frigorífico JBS, com R$ 6,6 milhões.

A direção do PMDB-RJ declarou arrecadação de R$ 22,339 milhões. A direção estadual do PR tem em caixa R$ 11,585 milhões, sendo R$ 3 milhões oriundos da JBS. o PT-RJ declarou ao TSE receita de R$ 895 mil, sendo R$ 300 mil doados pela Carioca Christiani Nielsen Engenharia. O PRB fluminense tem R$ 550 mil.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/pezao-arrecada-65-6-do-total-da-receita-de-campanhas

Relatório documenta os impactos socioambientais da implantação do mineroduto Minas-Rio e do Porto do Açu sob o ponto de vista dos atingidos

Relatório Minas Rio

Um conjunto de grupos de pesquisas e de organizações sociais se uniu para produzir um importante relatório que documenta os impactos socioambientais causados pela implantação do mineroduto Minas-Rio e do Porto do Açu. Esse relatório é um dos documentos mais amplos já preparados com a participação direta das comunidades e grupos sociais atingidos pelas remoções, desapropriações e alterações ambientais causadas por esses mega-empreendimentos.

O documento intitulado “O Projeto Minas-Rio e seus impactos  socioambientais: olhares desde a perspectiva dos atingidos” traz uma série de dados, mapas e depoimentos que certamente serão úteis aos que se interessarem em conhecer o “outro lado” desses projetos que normalmente só recebem loas da imprensa corporativa.

Quem quiser acessar e baixar este relatório é só clicar (Aqui!)

Campos 24 horas: Candidata do PSTU ao governo RJ faz campanha em Campos

Foto: Filipe Lemos / Campos 24 Horas

dayse nas ruasGEDSC DIGITAL CAMERADayse Oliveira

A candidata do PSTU ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Dayse Oliveira, esteve nesta sexta-feira (5), em Campos. A candidata cumpriu agenda de campanha, distribuindo panfletos na área industrial da Codim, em Guaurs, no Mercado Municipal e visitou o Campus Centro do Instituto Federal Fluminense (IFF) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Com 1% das intenções de votos, ela é a penúltima colocada nas pesquisas. Dayse Oliveira é a única mulher da disputa e está à frente apenas de Ney Nunes(PCB), que não pontuou.

No IFF, Dayse falou Campos 24 Horas sobre seus projetos. Ela ressaltou que dará prioridade a educação.

“Na área da educação pretendo valorizar os professores, aumentando os salários, investir na educação tecnológica e investir em cursos. A educação está abandonada e os profissionais estão desmotivados. Para se ter uma idéia, 500 profissionais pediram demissão  da rede pública e isso afeta todos os municípios”, disse.

Ela ainda informou que se for eleita pretende acabar com as Unidades de Polícia Pacificadora UPP’s, investir 10% do PIB na educação pública e 6% do PIB na saúde pública, aumento geral dos salários, congelar os preços dos alimentos.

Essa foi a segunda vez que a candidata esteve na cidade. A primeira visita aconteceu em julho, quando também caminhou pelas ruas da cidade.

dayse iff

 FONTE: http://campos24horas.com.br/portal/dayse-oliveira-cumpre-agenda-em-campos/#.VAtfkvldVvA

 

 

 

 

 

As denúncias do ex-diretor da Petrobras e a indignação seletiva da Revista Veja

arantes

Mais um escândalo está sendo propalado pela Revista Veja para tentar impedir a manutenção do PT no governo federal. E para isto, a Revista Veja usa supostas denúncias do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para atingir Dilma Rousseff, candidata do PT. Se alguém me perguntar se eu acho possível que um novo caso de corrupção sistêmica tenha acontecido no mesmo período em que altos dirigentes eram enviados para a prisão, a resposta seria um retumbante sim. É que para mim, a corrupção é algo tão sistêmico que a prisão dessa ou daquela figura não vai parar as engrenagens que movem a máquina corruptora no Brasil. E mais, como os corruptores continuam intocados, não há como cair na esparrela de que prisões pontuais vão resolver um problema que começou quando os colonizadores portugueses chegaram por aqui.

E mais, o mensageiros neste caso é para lá de duvidoso. A Revista Veja faz tempo deixou de ser um veículo de imprensa. Tanto isto é verdade que o número de leitores vem caindo após ano, e hoje a Revista Veja é lido apenas por setores que precisam crer em qualquer coisa que signifique uma ameaça às mudanças, estritamente pontuais quero frisar, que o Brasil vem passando com as políticas do social neoliberalismo aplicado por Lula e Dilma Rousseff.

Além da falta de crédito da Revista Veja e da imensa maioria dos órgãos da mídia empresarial, o que me parece mais problemático nessas novas denúncias é que se está ventilando o conteúdo de depoimentos que deveria ser sigilosos. Das duas uma, ou a Polícia Federal está ilegalmente passando informações para a Revista Veja, ou a revista da família Civita está fazendo um juntadão de denúncias para tentar ajudar a desesperada candidatura de Aécio Neves. 

Eu tendo a achar que por mais que a Revista Veja e outros órgãos pró-Aécio tentem, essas denúncias não vão mudar o colapso da candidatura tucana. É que se fosse depender apenas de denúncias sobre casos de corrupção, Geraldo Alckmin não estaria liderando as pesquisas em São Paulo, e nós não teríamos Anthony Garotinho e Luiz Fernando desfrutando da preferência do eleitorado fluminense. É triste dizer, mas as opções dos eleitores nem sempre refletem imediatamente a indignação que eventualmente apareça dentro da população acerca de práticas não-republicanas por parte dos (des) governantes.

Por fim, é preciso dizer que Paulo Roberto Costa vai ter que aparecer com documentos que comprovem suas denúncias nos depoimentos. Do contrário, além de não ganhar as benesses da delação premiada, ele vai acabar ganhando um monte de processos por calúnia e difamação. A ver!

Ambientalista e morador, Sérgio Ricardo traça cenário sombrio sobre da Ilha do Governador

CODIN desistiu de processo de desapropriação contra réu ignorado. De posse de quem está a terra agora?

Em uma das muitas esquisitices que cercam as desapropriações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) no V Distrito de São João da Barra, uma promete ganhar o troféu da mais bizarra. E é justamente uma da qual a CODIN pediu arquivamento.

O processo de Número 0001897-79.2012.8.19.0053 foi iniciado em 26 de Junho de 2012 e o seu objeto era a desapropriação de uma área que supostamente seria usada para a construção do natimorto Distrito Industrial de São João da Barra. Pois bem, no dia 30 de Julho de 2012, a meritíssima juíza Luciano Cesário de Mello Morais determinou em sentença alguns aspectos bem razoáveis, que envolviam  a determinação de que a CODIN emendasse o processo para fazer constar o endereço do imóvel que pretendia desapropriar, visto que na inicial apenas constavam as coordenadas geográficas, e que ainda comprovasse a alegada impossibilidade de identificar o registro do imóvel objeto da presente, por meio de certidão do Registro Geral de Imóveis (RGI) de São João da Barra. Em outras palavras, a CODIN teria que provar que o proprietário da terra a ser desapropriada era ignorado no RGI/SJB.

Tudo o que seria preciso para que a CODIN conseguisse a imissão de posse da propriedade seria responder às determinações da meritíssima juíza, certo? Errado! É que em 24 de setembro de 2012, a CODIN impetrou uma petição abrindo mão de desapropriação, no que foi atendida pela justiça de São João da Barra em 26 de abril de 2013, conforme mostra o despacho do meritíssimo juiz Leonardo Cajueiro que segue logo abaixo.

codin

 

Essa desapropriação é particularmente intrigante porque se a terra em questão está mesmo incluída nos decretos de desapropriação promulgados pelo (des) governador Sérgio Cabral, não faz muito sentido a CODIN abrir mão dessa  desapropriação. Ou faz?

Por último, se o dono da terra era ignorado e o processo de desapropriação foi arquivado, quem detém a posse da mesma neste exato momento? Como a CODIN não informou endereço ou nome do proprietário, o mistério vai continuar. 

MA: índios Ka’apor estão sitiados e ameaçados por madeireiros

Acaçada e aprisionamento de madeireiros ilegais que agiam nas matas da Terra Indígena Alto Turiaçu, próximo ao muncípio Centro do Guilherme, no norte do Maranhão, promovida por índios da etnia Ka’apor, era previsível e expõe a inoperância do governo brasileiro em fiscalizar e defender os povos indígenas no país. O fotógrafo Lunae Parracho, da agência Reuters, documentou (veja) no dia 7 de agosto quando os guerreiros Ka’apor amarraram os criminosos, tiraram a roupa de alguns deles, jogaram gasolina e e atearam fogo nos caminhões usados pelos madeireiros.

As fotos foram divulgadas nesta quinta-feira (4), mas é crescente a tensão na região. O antropólogo José Mendes, de 38 anos, que atua em defesa dos Kaápor, alertou em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia, na manhã desta sexta, que a decisão dos indígenas, de resguardarem e defenderem suas terras por conta própria, resultou em ameaças de morte dos madeireiros contra os índios e suas terras. O antropólogo teme que “as ameaças se transformem em agressões de fato” na próxima semana.

– Após a última operação autônoma, os indígenas foram ameaçados de morte e estão sitiados na aldeia. Cerca de 100 indígenas estão reunidos, em atividades de formação pedagógica e política, que pode culminar em ação defesa de suas terras e em conflitos com os madeireiros a partir de segunda-feira. Estamos preocupados, pois existe 90% de probabilidade de que os índios voltem a fazer vigilância e fiscalização de sua terra, caçando e prendendo os madeireiros invasores que continuam lá. Estamos no município de Zé Doca e só conseguimos sair dois, para buscar apoio e comprar comida e combustível para facilitar nosso deslocamento na aldeia. Não podemos ficar muito tempo aqui porque somos seguidos e os madeireiros, depois de aliciar alguns indígenas, já sabem quem são as lideranças e as pessoas de apoio. Viemos em duas pessoas porque é muito perigoso que as lideranças indígenas deixem a área, pois estão ameaçadas de morte – relatou Mendes.

Leia mais:

No Pará, indígenas apreendem máquinas e expulsam garimpeiros

PA: preso garimpeiro acusado de ameaçar indígenas de morte

Índios Ka’apor promovem caça a madeireiros no Maranhão

Na Terra Indígena Alto Turiaçu, que mede 530 mil hectares, vivem 1,9 mil indígenas e todos ainda são falantes da língua original. A TI dos Ka’apor fazem limite, ao norte, com o rio Gurupi; ao sul, com os afluentes meridionais do rio Turiaçu; a oeste, com o Igarapé do Milho; a leste, com uma linha no sentido noroeste-sudeste quase paralela à rodovia BR-316.

De acordo com o antropólogo, de 24 ramais abertos para exploração ilegal de madeira há um ano, dois ainda continuam ativos.

– Os madeireiros estão aliciando indígenas, entregando cachaça, embebedando-os em algumas áreas para que delatem os nomes de lideranças e de pessoas que organizam e planejam ações em defesa e proteção do território. A situação é tensa porque existe conivência e aparato de prefeitos, pecuaristas e madeiros da região. Todos os donos de serrarias são pecuaristas ou políticos. O medo dos índios é encontrar madeireiros armados. Os madeireiros estão pressionando pela expulsão de indígenas em duas localidades, mas eles estão resistindo e dispostos a qualquer tipo de conflito.

O antropólogo disse que a Funai tem boicotado a ação dos indígenas em defesa de sua terra e que alguns servidores foram afastados por causa do envolvimento no comércio de madeira explorada ilegalmente na área.

– A Funai faz de tudo para boicotar. Não envia recursos, não fiscaliza, e sequer dá retorno dos apelos que as lideranças fazem aos servidores em Imperatriz. Como os índios tomaram a dianteira na defesa da terra e pediram a exoneração de todos os servidores nos últimos dois anos, todos envolvimento na venda ilegal de madeira, existe uma represália. O Distrito Sanitário Especial de Saúde boicota porque existem dois indígenas fazendo a gestão do pólo de saúde. Não são contratados, mas estão na gestão.

A invasão da Terra Indígena Turiaçu de madeireiros e fazendeiros tem resultado em desmatamentos e na ocupação por sem-terras incentivados por grileiros e políticos locais. A região é marcada por tensão e pela escalada da violência. Já foram registrados vário ataques de posseiros e de madeireiros às aldeias indígenas e contra-ataques dos índios aos acampamentos de posseiros e madeireiros dentro de suas terras.  A Terra Indígena foi homologada em 1989, mas desde 1993 aos menos dois indígenas foram mortos.

Alerta do MPF

A situação de conflito na Aldeia Cumaru envolvendo indígenas Ka’apor e madeireiros ilegais no interior da Terra Indígena Alto Turiaçu, e, também, uma possível invasão da Terra Indígena Caru, desde maio preocupa  o Ministério Público Federal no Maranhão, que chegou a encaminhar ofício à Policia Federal (PF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Nacional do Índio (Funai).

Os fatos foram denunciados pela Frente de Proteção Etnoambiental Awá-Guajá, precisamente no dia 19 de maio, que encaminhou documento ao MPF/MA. De acordo com o documento, madeireiros foram surpreendidos por um grupo de indígenas, tendo sido apreendidas duas motos por eles utilizadas, o que motivou represália por parte dos invasores em atitudes intimidatórias, inclusive ameaças, em iminente situação de possível conflito.

O documento ainda relata uma possível invasão da Terra Indígena Caru, segundo denúncia de liderança da Aldeia Maçaranduba, a qual estaria sendo ameaçada por indígenas da própria aldeia que pretendem firmar acordo com madeireiros da região.

Naqueles mês, o procurador da República Alexandre Soares assinalou que as situações envolvendo conflitos entre indígenas e madeireiros em razão da exploração de madeira ilegal no interior de Terras Indígenas e de flagrantes realizados pelos próprios indígenas não constitui episódios isolados, sendo recorrentemente narradas ao MPF.

– Acreditamos que a ausência de respostas rápidas dos órgãos competentes para agir nessas situações, tais como presença fiscalizatória constante e responsabilização dos agentes infratores, estimulam esse tipo de ação – disse o procurador Alexandre Soares.

O MPF pediu que a Funai, Ibama e PF adotassem medidas urgentes visando à proteção dos indígenas e informasse quais medidas foram adotadas. A própria Justiça Federal já reconheceu isso e condenou o Ibama, a Funai e a União a manterem postos de fiscalização para coibir a atividade ilegal de devastação no interior das Terras Indígenas Alto Turiaçu, Awá Guajá e Caru, com estrutura e pessoal necessários.

Funai

Consultada pela reportagem, a assessoria da presidência da Funai em Brasília disse que o órgão “vê de certa forma como inevitável” a ação dos próprios indígenas na defesa de seus territórios.

– Como se trata de uma ação dos indígenas e não da Funai, não vamos nos manifestar em nota. A Funai tem acompanhado e solicitou apoio à Secretaria de Segurança do Maranhão quando os indígenas fizeram caçada de madeireiros.  Fizemos isso para para evitar que ocorra excesso e para que ninguém morra – acrescentou a assessoria.

Na terça-feira (2), um grupo de 20 pessoas invadiu a região norte da Terra Indigena Awá-Guajá, no antigo povoado de Vitória da Conquista, também no Maranhão, alvo de uma recente operação de desintrusão promovida pelo governo federal. A Funai entende que as pessoas que ocuparam a TI são antigos ocupantes que estão aguardando do Incra diálogo e assentamento para que possam saber o destino deles.

A equipe que atua na proteção da  TI Awá-Guajáe se limita a três servidores da Funai e quatro militares do Batalhão da Polícia Ambiental do Maranhão, o que é considerado insuficiente para monitorar e fiscalizar.

A equipe interceptou, no final de julho, uma ação de 16 madeireiros que atuavam com tratores e caminhões. Eles foram apenas informados que estavam numa ação ilegal dentro de terra indígena. Segundo a Funai, os servidores estão em situação de risco e pediu apoio da PF para retirada dos invasores, cientificando que os madeireiros podem voltar.

A Funai informou que encaminhou ao Ministério da Justiça um plano emergencial para atuar em defesa de índios isolados, incluindo a área onde os Ka’apor caçaram os madeireiros. Até agora a Funai não obteve nenhuma resposta do ministério sobre o plano no valor de R$ 5 milhões.

A Funai possui 2,8 mil servidores e reclama que perdeu mais de 400 deles nos últimos quatro anos por motivos variados. Desde 1988 só houve um concurso em âmbito nacional, em 2010, quando foram contratados 543 servidores. A Funai informou que tem um díficit de 2 mil vagas e tem comunicado ao Ministério do Planejamento sobre a sua situação crítica.

FONTE: http://terramagazine.terra.com.br/blogdaamazonia/blog/2014/09/05/ma-indios-kaapor-estao-sitiados-e-ameacados-por-madeireiros/