A volta de George Orwell e a guerra do Grande Irmão contra Palestina, Ucrânia e a verdade

Por John Pilger
Traduzido por  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

Outra noite, assisti a 1984, de George Orwell, apresentada num teatro em Londres. O grito de alerta de Orwell, embora em montagem divulgada como ‘adaptação contemporânea’, apareceu-me como peça de época: remota, nada ameaçadora, quase tranquilizadora. Foi como se Edward Snowden nada tivesse revelado; como se o “Grande Irmão” [orig. Big Brother; é o personagem de 1984 que ‘vê tudo’] não fosse hoje um sistema gigante de vigilância digital; foi como se o próprio Orwell nunca tivesse dito que “Para ser corrompido pelo totalitarismo, não é preciso viver em país totalitário.”[1]

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Aclamada pela crítica, a nova produção serve para avaliar nossos tempos culturais e políticos. Quando as luzes foram acesas, as pessoas já estavam de pé, andando para a saída. Não davam qualquer sinal de emoção, já pensando na noitada que continuaria. “Desentendi total”, disse uma moça, ligando o celular.

Com as sociedades avançadas sendo despolitizadas, as mudanças são ao mesmo tempo sutis e espetaculares. No discurso diário, a linguagem política está de pés para cima, como Orwell profetizou em 1984. “Democracia” já não passa de recurso retórico. “Paz” é “guerra perpétua”. “Global” é “imperial”. O conceito de “reforma”, do qual antes tanto se esperava, significa hoje regressão, até mesmo destruição. “Austeridade” significa impor aos pobres o capitalismo mais extremo, e doar o socialismo só aos ricos: sistema super engenhoso, segundo o qual a maioria paga as dívidas da elite.

Nas artes, hostilidade contra quem dia a verdade é artigo de fé para a burguesia.  “A fase vermelha de Picasso” – diz uma manchete de Observer –, e “por que política não dá boa arte.” Imaginem! E, isso, num jornal que promoveu o banho de sangue no Iraque como se fosse cruzada liberal. A oposição de uma vida inteira, de Picasso, contra o fascismo, virou nota de rodapé; como o radicalismo de Orwell, completamente apagado do sucesso que se associou ao seu nome.

Há uns poucos anos, Terry Eagleton, então professor de Literatura Inglesa na Manchester University, observou que “pela primeira vez em duzentos anos, não há nenhum poeta, dramaturgo ou romancista britânico capacitado para fazer chacoalhar os pilares do modo de vida ocidental.” Nenhum Shelley que fale pelos pobres, nenhum Blake que dê voz aos sonhos utópicos, nenhum Byron a detonar a corrupção da classe governante, nenhum Thomas Carlyle e John Ruskin para expor o desastre moral do capitalismo. William Morris, Oscar Wilde, HG Wells, George Bernard Shaw não têm equivalentes contemporâneos. Harold Pinter foi o último a levantar a voz. No coro insistente de consumo-feminismo, nenhuma voz responde à voz de Virginia Woolf, que denunciou “as artes de dominar outras pessoas, de mandar, de matar, de acumular terra e capital.”

No National Theatre, uma nova peça, Great Britain, satiriza o escândalo da escuta clandestina de telefones que levou a julgamento e condenou jornalistas, inclusive um ex-editor do News of the World de Rupert Murdoch. Divulgada como “sátira com caninos afiados, [que] põe toda essa incestuosa cultura [midiática] no banco dos réus e a expõe sem piedade ao ridículo”, a peça toma como alvos os “oficialmente engraçados” [orig. “blessedly funny”(??)] personagens da imprensa britânica de tabloides. Tudo muito bom, tudo muito bem, e mais do mesmo, e só. Mas… e que fim levou a mídia não tabloide que se autoproclama respeitabilíssima e confiabilíssima, embora seja só braço auxiliar ou de governos ou de anunciantes, e que se dedica incansavelmente a promover guerra ilegal?

O inquérito Leveson sobre escutas telefônicas ilegais tocou apenas a superfície desses indizíveis. Mas Tony Blair depunha, reclamando ao juiz que presidia a investigação, que tabloides haviam perseguido a mulher dele, quando foi interrompido por uma voz vinda das galerias. David Lawley-Wakelin, cineasta, exigiu que Blair fosse preso ali mesmo e processado por crimes de guerra. Fez-se um longo silêncio na sala: o choque da simples verdade. Até que Lord Leveson ergueu-se de um salto, ordenou que a voz da verdade fosse expulsa do tribunal e pediu desculpas ao criminoso de guerra. Lawley-Wakelin foi processado. Blair continua em liberdade.

Os cúmplices de Blair que continuam no poder são ainda mais respeitáveis que os escutadores clandestinos de telefones. Quando a apresentadora da BBC Kirsty Wark entrevistou Blair, no 10º aniversário de sua invasão contra o Iraque, ela deu a Blair um momento com o qual nem Blair jamais sonhara; deu-lhe oportunidade para sofrer ao vivo, em cena, lastimando-se do quanto fora “difícil” a decisão sobre o Iraque. Poderia tê-lo acusado da prática daquele crime histórico, mas só o ajudou a ‘explicar-se’. Faz lembrar a procissão de jornalistas da BBC que, em 2003, declararam que Blair podia sentir-se “vingado”; e da série subsequente, dita “seminal”, The Blair Years [os anos Blair], da qual David Aaronovitch foi roteirista, apresentador e entrevistador. Quadro assalariado de Murdoch, que fez campanha a favor dos ataques contra Iraque, Líbia e Síria, Aaronovitch fez de Blair praticamente um herói da paz universal.

Desde a invasão do Iraque – caso exemplar de agressão internacional não provocada, crime que, para Robert Jackson, promotor de justiça no Tribunal de Nuremberg,  define-se como o maior e mais grave de todos os crimes de guerra “porque contém em si o mal de todos os demais crimes de guerra” –, Blair e seu porta-voz e principal cúmplice, Alastair Campbell, ganharam vastos espaços nas páginas do Guardian para reabilitar as respectivas reputações. Descrito como “estrela” do Labour Party, Campbell procurou ganhar a simpatia dos leitores mostrando-se deprimido; falou das próprias preocupações pessoais, mas não falou de já ter sido contratado, com Blair, para trabalharem como conselheiros dos militares egípcios neoditadores.

Com o Iraque sendo devastado, consequência da invasão inventada por Blair/Bush, manchete doGuardian declara: “Derrubar Saddam foi ação acertada. Mas saímos de lá cedo demais”. Lá estava, publicado na página, da edição de 13/6, em que se lia coluna assinada por John McTernan, ex-funcionário do governo Blair, que também serviu ao ditador Iyad Allawi que a CIA instalou no Iraque. Clama por repetir a invasão a um país que seu patrão ajudou a destruir; e nem uma palavra sobre os pelo menos 700 mil mortos, além dos 4 milhões de refugiados e dos tumultos sectários, numa nação que, antes de Blair-Bush-McTernan et allii, orgulhava-se da tolerância que reinava em suas comunidades.

“Blair é corrupção e guerra encarnadas” – escreveu o colunista Seumas Milne em inspirada coluna no Guardian. É o que o comércio da notícia chama de “equilíbrio”. Dia seguinte, o jornal publicou anúncio de página inteira de um bombardeiro Stealth norte-americano. Sob a imagem ameaçadora do bombardeiro, as palavras “The F-35. GREAT For Britain” [O F-35. ÓTIMO para a Grã-Bretanha]. Essa outra encarnação [alada] “da corrupção e da guerra” custará aos contribuintes britânicos £1,3 bilhão, os modelos “F” anteriores massacraram gente em todo o mundo em desenvolvimento.

Numa vila no Afeganistão, habitada pelos mais pobres dos pobres, filmei Orifa, ajoelhada ao lado dos túmulos do marido, Gul Ahmed, tecelão de tapetes, de sete membros de sua família, inclusive seis filhos seus, e duas crianças mortas na casa ao lado. Uma bomba de ‘precisão’ de 500 pounds  caiu diretamente sobre a pequena casa, de paredes de pedra, barro e palha, abrindo uma cratera de quase dois metros de largura. A empresa Lockheed Martin, que fabrica o avião, vangloria-se da precisão dos tiros, no anúncio que o Guardian publicou.

A ex-secretária de Estado e aspirante a presidente dos EUA, Hillary Clinton, estava recentemente no programa “Hora das Mulheres” [Women’s Hour] da BBC, quintessência da respeitabilidade ‘midiática’. A apresentadora, Jenni Murray, apresentou Clinton como farol máximo da mulher realizada. Não cuidou de lembrar às suas ouvintes a profanação, a monstruosidade, que a Clinton enunciou ao mundo: que o Afeganistão foi invadido para “libertar” mulheres como Orifa. A jornalista nada perguntou à Clinton sobre a campanha pró-terrorismo comandada pelo governo dela, que usadrones para matar à distância mulheres, homens e crianças, indiscriminadamente. Nem uma palavra sobre a ameaça de que Clinton, que está em campanha eleitoral para a presidência dos EUA, pode tentar ser também ‘a primeira mulher’ a tentar “eliminar” Iraque e Irã, e justamente ela, e mulher, que defende a vigilância ilegal em massa e prisão para os vazadores!

Mas a jornalista Murray, da BBC, perguntou, sim, a pergunta-farsa, a pergunta espetáculo: se a Clinton perdoara Monica Lewinsky… por ter tido um caso com o marido Clinton dela. “Perdão é escolha” – respondeu la Clinton. – “Para mim, foi absolutamente a escolha certa.” Fez lembrar os anos 1990s, e os anos consumidos no “escândalo Lewinsky” [que a imprensa-empresa JAMAIS chamou de “escândalo Clinton(s)” (NTs)].

Naquele momento, o presidente Bill Clinton estava invadindo o Haiti, bombardeando os Bálcãs, a África e o Iraque. Estava também matando e destruindo vidas de crianças no Iraque. A Unicef noticiou a morte de meio milhão de crianças iraquianas com menos de cinco anos de idade, como resultado do embargo imposto pelos EUA e Grã-Bretanha.

As crianças não contam, para essa imprensa-empresa, assim como tampouco contam as vítimas de Hillary Clinton nas invasões que ela apoiou e promoveu: Afeganistão, Iraque, Iêmen, Somália, só até aqui. Todos são subpovo, ou não povo, para esse jornalismo. Então, a jornalista Murray não falou delas e deles. Quem queira ver, encontra foto da jornalista e da entrevistada, luminosamente sorridentes, na webpage da BBC.

Na política, como no jornalismo e nas artes, parece que o ‘outro lado’, que antigamente ainda era tolerado pela imprensa-empresa dominante, passou agora a ser tratado como pequeno grupo de extremistas pirados sem importância: uma espécie de underground  metafórico.

Quando comecei a trabalhar na Rua Fleet britânica, nos anos 1960s, ainda se aceitavam críticas ao poder ocidental, apresentado como agente de saque e roubo. Leiam as reportagens justamente celebradas de James Cameron, sobre a explosão da bomba de hidrogênio no atol de Bikini; sobre a guerra bárbara dos EUA contra a Coreia; contra o bombardeio dos EUA contra o Vietnã do Norte.

A grande ilusão contemporânea é que viveríamos numa ‘era da informação’, quando, na verdade, vivemos numa ‘era do jornalismo-empresa’, quando já não há fato nem notícia nem informação, mas, só, incessante, propaganda & marketing de empresas e negócios: e o ‘jornalismo’ é só, só, propaganda & marketing insidioso, contagioso, efetivo e liberal.

Em seu ensaio de 1859 “Sobre a Liberdade”,[2] de que tanto falam os liberais modernos, John Stuart Mill escreveu: “O despotismo é modo legítimo de governar se se tem de enfrentar bárbaros, desde que a meta seja fazê-los melhorar, e os meios resultam justificados se essa meta é alcançada.” “Bárbaros” eram vastas porções da humanidade dos quais se exigia “obediência implícita”.

“É mito simpático e conveniente, que os liberais seriam pacificadores e os conservadores seriam fazedores de guerras” – escreveu em 2001 o historiador Hywel Williams, “mas o imperialismo da via liberal pode ser ainda mais perigoso, porque sua natureza não conhece limites: os imperialistas liberais vivem convencidos de que o imperialismo liberal seria uma forma superior de vida.” Williams tinha em mente, então, um discurso de Blair, no qual o então primeiro-ministro prometeu “reorganizar o mundo à nossa volta” e segundo os seus [de Blair] “valores morais”.

Richard Falk, autoridade respeitada em lei internacional e Relator Especial da ONU para a Palestina, falou, certa vez de uma cena “de autoelogio eterno, de mão única, só com imagens positivas de valores ocidentais e de cenas de inocência ameaçada, para validar uma campanha a favor de violência política irrestrita.” E [cena] que é “tão amplamente aceita, que resulta virtualmente incriticável e inatacável”.

Patrocínio, empregos e anúncios recompensam os jornais, jornalistas e ‘jornalismos’. Na Rádio 4 da BBC, Razia Iqbal entrevistou Toni Morrison, a novelista afro-norte-americana e Prêmio Nobel. Morrison mostrou-se surpresa: por que as pessoas “zangam-se” com Barack Obama, presidente “tão ótimo”, e que queria construir uma “economia forte e assistência médica” [orig. “who was “cool” and wished to build a “strong economy and health care”]?. Morrison estava orgulhosíssima por ter falado ao telefone com seu herói, que lera um dos livros dela e convidou-a para a posse.

Nem a novelista premiada nem a jornalista mencionaram as sete guerras de Obama, incluída sua campanha terrorista dos drones, que assassinam famílias inteiras, os que venham socorrer as vítimas e também quem se ajoelhe para chorar os mortos. A única ‘notícia’ era que um negro letrado e excelente orador alcançara os píncaros do poder.

Em Os Condenados da Terra,[3] Frantz Fanon escreveu que a “missão histórica” do colonizado foi servir como “correia de transmissão” a serviço dos que governavam e oprimiam. Na era moderna, usar a diferença étnica nos sistemas de poder de propaganda ocidentais passou a ser visto como essencial. Obama leva isso às alturas, embora o gabinete de George W. Bush – uma vasta claque pró-guerra – tenha sido o mais multirracial de toda a história presidencial dos EUA.

Quando a cidade iraquiana de Mosul foi tomada pelos jihadistas do ISIL, Obama disse: “O povo norte-americano fez investimentos e sacrifícios gigantescos para dar aos iraquianos a oportunidade de abraçar melhor destino.” Que mentira “tão ótima”, não é mesmo?!

E o que haveria de “excelente orador” no Obama que discursou na Academia Militar de West Point naquele 28 de maio? No seu discurso sobre “o estado do mundo”, na cerimônia de formatura daqueles que “assumirão a liderança nos EUA” em todo o planeta…  Obama disse: “Os EUA usarão força militar unilateralmente se necessário, quando nossos interesses centrais o exigirem. A opinião internacional conta, mas os EUA jamais pedirão permissão…”

Obama, aí, repudiou a lei internacional e os direitos das nações independentes. O presidente dos EUA declarou a própria divindade, baseado na força da “nação indispensável”. Essa é uma mensagem velha conhecida da impunidade imperial. Evocando o nascimento do fascismo nos anos 1930s, Obama disse que “Creio no excepcionalismo dos EUA com cada fibra do meu ser”. Como escreveu o historiador Norman Pollack: “Marchadores do passo-de-ganso, com substituição pela aparentemente mais inócua militarização total da cultura. E em lugar do líder bombástico, temos o reformador fracassado, despreocupadamente em ação, planejando e executando assassinatos, e sem parar de sorrir.”

Em fevereiro, os EUA montaram mais um dos seus golpes “coloridos” contra governo eleito na Ucrânia, explorando protestos genuínos contra corrupção em Kiev. A conselheira de Obama para assuntos de Segurança Nacional, Victoria Nuland, escolheu pessoalmente o líder de um “governo de transição”. Trata-o com intimidade, pelo apelido “Yats”. O vice-presidente Joe Biden foi a Kiev, e para lá foi também o diretor da CIA, John Brennan. A tropa de choque do golpe de que todos esses participaram eram fascistas ucranianos.

Pela primeira vez desde 1945, um partido neonazista, declaradamente antissemita, controla áreas chaves do poder do estado numa capital europeia. NENHUM líder político na Europa Ocidental condenou esse renascimento do fascismo, exatamente na fronteira pela qual as tropas nazistas de Hitler invadiram, para roubar milhões de vidas de russos. Os nazistas foram apoiados por um exército de insurgentes ucranianos [UPA] responsável pelo massacre de judeus e de russos (que chamam de “vermes”). Esse  UPA é a fonte de inspiração do atual Partido Svoboda e de seu aliado, o Setor Direita. O líder do Svoboda, Oleh Tyahnybok, exige expurgo de toda a “máfia judaico-moscovita e o resto do lixo”, que inclui gays, feministas e a esquerda política.

Desde o colapso da União Soviética, os EUA cercaram a Rússia com um ‘colar’ de bases militares, aviões e misseis nucleares, como parte de seu Projeto Ampliação da OTAN            [orig. Nato Enlargement Project]. Traindo o compromisso assumido com o presidente soviético Mikhail Gorbachev em 1990, de que a OTAN não seria expandida “nem uma polegada na direção leste”, a OTAN, de fato, ocupou militarmente toda a Europa Oriental. No ex-Cáucaso Soviético, a expansão da OTAN           é o maior acúmulo de força bélica numa só região, desde a 2ª Guerra Mundial.

O prêmio que Washington dará ao governo golpista de Kiev é um plano de ação pró inclusão na OTAN. Em agosto, uma “Operação Tridente Rápido” [orig. Operation Rapid Trident] porá soldados dos EUA e Grã-Bretanha na fronteira entre Ucrânia e Rússia; e uma “Operação Brisa Marinha” [orig. Operation Sea Breeze] enviará navios de guerra dos EUA para pontos dos quais sejam acessíveis portos russos. Imaginem só a resposta, se tais atos de provocação e de intimidação acontecessem contra fronteiras dos EUA!

Ao aceitarem a reintegração da Crimeia à Federação Russa – que Nikita Kruschev destacou ilegalmente da Rússia em 1954 –, os russos defenderam-se, exatamente como fizeram sempre por quase um século. Mais de 90% da população da Crimeia votou a favor de o território ser reintegrado à Rússia. Na Crimeia está ancora da Frota da Rússia no Mar Negro, e manter a Crimeia era questão de vida ou morte para a Marinha Russa; ganhar a Crimeia seria como maná caído do céu para a OTAN. Para grande confusão dos partidos da guerra em Washington e Kiev, Vladimir Putin retirou tropas da fronteira da Ucrânia e conclamou russos étnicos no leste da Ucrânia a abandonar o separatismo.

Em tradução orwelliana, tudo isso foi invertido e transformado em “ameaça russa” no ocidente. Hillary Clinton disse que Putin seria igual a Hitler. Sem ironia: comentariastas de direita alemães disseram exatamente a mesma coisa. Na imprensa-empresa, os neonazistas ucranianos foram desinfetados e apresentados como “nacionalistas” ou “ultranacionalistas”. O que mais temem é que Putin está procurando, muito habilmente, construir solução diplomática, e pode ser bem sucedido.

Dia 27/6, respondendo à mais recente acomodação oferecida por Putin – encaminhou ao Parlamento a rescisão da lei que lhe dava poder para intervir a favor dos russos étnicos – o secretário de Estado dos EUA John Kerry… lançou mais um dos seus ‘ultimatos’! A Rússia teria de “agir imediatamente, dentro de poucas horas literalmente”… para por fim à revolta no leste da Ucrânia.

É fato que Kerry é mundialmente famoso como bufão. O objetivo importante dos tais ‘ultimatos’ é impor à Rússia o status de pária; com isso, a imprensa-empresa passa automaticamente a suprimir todas as notícias da violência da guerra que o regime de Kiev está fazendo contra o próprio povo.

Um terço da população da Ucrânia é falante de russo e bilíngue. Há muito tempo buscam uma federação democrática que reflita a diversidade étnica da Ucrânia e seja autônoma e independente da Rússia. A maioria não são nem ‘separatistas’ nem ‘rebeldes’, mas cidadãos que querem viver em sua própria terra e em segurança. O separatismo é reação aos ataques da Junta em Kiev contra eles, que já causaram onda de mais de 110 mil pessoas (estimativa feita pela ONU), que fogem para o outro lado da fronteira com a Rússia. Tipicamente, são mulheres e crianças traumatizadas.

Como as crianças iraquianas vítimas De sanções e do embargo, e as mulheres e meninas afegãs ‘libertadas’ ao mesmo tempo em que aterrorizadas pelos senhores-da-guerra da CIA, esses grupos étnicos ucranianos são ‘não povo’ para a imprensa-empresa ocidental; os seus padecimentos, as atrocidades que se cometem contra eles são minimizadas ou suprimidas do noticiário; é como se não acontecessem. A imprensa-empresa ocidental absolutamente não informa sobre a escala do ataque, pelo regime em Kiev, contra a população. Não que jamais antes tenha acontecido.

Relendo a obra-prima de Phillip Knightley, The First Casualty: the war correspondent as hero, propagandist and mythmaker [A primeira baixa: correspondente de guerra como herói, propagandista e inventador de mitos], renovei minha admiração por Morgan Philips Price, do [jornal] Manchester Guardian, único repórter ocidental a permanecer na Rússia durante a revolução de 1917 e a reportar a verdade de uma desastrosa invasão pelos aliados ocidentais. Valente e de ideias progressistas, Philips Price foi a única voz a perturbar o que Knightley chama de “escuro silêncio” anti-Rússia em todo o ocidente.

Dia 21 de maio, em Odessa, 41 russos étnicos foram queimados vivos na sede do sindicato; a polícia apenas assistiu ao crime. Há vídeos horrendos, que são prova. O líder do Setor Direita Dmytro Yarosh saudou o massacre como “mais um dia luminoso em nossa história nacional”. A imprensa-empresa norte-americana e britânica noticiou o crime como “trágico incidente” resultante de “confrontos” entre “nacionalistas” (são os neonazistas) e “separatistas” (gente que recolhia assinaturas para um abaixo assinado a favor de um referendo que decida sobre a federalização da Ucrânia).

O New York Times apagou do mundo todo o evento, depois de noticiar informes de propaganda a favor de políticas fascistas e antissemitas dos novos clientes-aliados de Washington. O Wall Street Journal condenou as vítimas, como únicos culpados – “Fogo mortal na Ucrânia provocado pelos rebeldes, informa Kiev”. Obama congratulou-se com a Junta neonazista pela “moderação”.

Dia 28 de junho, o Guardian devotou quase uma página inteira a declarações feitas pelo “presidente” do regime de Kiev, o oligarca Petro Poroshenko. Mais uma vez, prevaleceu a regra orwelliana da inversão da verdade. Não houve golpe; não houve [nem continua a haver] guerra contra minorias na Ucrânia; a culpa de tudo seria, toda, dos russos. “Queremos modernizar meu país” – disse Poroshenko. – “Queremos introduzir liberdade, democracia e valores europeus. Há quem não queira isso. Há quem não nos ame por isso.”

Pelo que se lê no jornal, o jornalista do Guardian, Luke Harding, não contestou esses ‘ditos’. Não falou dos massacres de Odessa. Nada disse sobre os ataques por terra e ar contra bairros residenciais. Nada perguntou sobre sequestro e matança de jornalistas. Não perguntou sobre o ataque a bomba contra um jornal da oposição. Nem uma pergunta, nem quando Poroshenko falou de “livrar a Ucrânia da sujeira e dos parasitas.” O inimigo são “rebeldes”, “militantes”, “insurgentes”, “terroristas” e fantoches do Kremlin.

É como ouvir, do fundo da história, a voz dos fantasmas do Vietnã, do Chile, do Timor Leste, do sul da África, do Iraque: são as mesmas tags.

A Palestina é como um ímã para esse movimento ‘midiático’ de enganação universal que nunca muda. Dia 11 de julho, na sequência do mais recente ataque israelense com armamento norte-americano contra os habitantes de Gaza – no qual morreram 80, incluindo seis crianças de uma mesma família –, o Guardian publicou declarações de um general israelense. A manchete dizia: “Indispensável manifestação de força”.

Nos anos 1970s, entrevistei Leni Riefenstahl e perguntei-lhe sobre os filmes que fez de glorificação dos nazistas. Com técnicas revolucionárias de câmera e iluminação, ela produziu uma forma de cinema, documental, que hipnotizou os alemães. Há quem diga que seu Triumph of the Will [Triunfo da Vontade] foi o que teria inventado o ‘fascínio’ que Hitler exerceu sobre as massas. Perguntei-lhe sobre propaganda em sociedades que se imaginem superiores. Ela respondeu que as “mensagens” em seus filmes nunca dependeram de “ordem superior”; que havia um “vácuo submissivo” na população alemã. “E esse vácuo submissivo incluía a burguesia liberal letrada?” – perguntei. “Incluía todos” – disse ela, – “também a inteligência, é claro.”

Notas

[1] “The Prevention of literature”, 1946, em http://www.resort.com/~prime8/Orwell/preventlit2.html , [NTs].

[2]http://www.almedina.com.br/catalog/product_info.php?products_id=4069

[3] Baixe em http://publicacoes.midiatatica.info/os_condenados_da_terra.pdf

 

FONTE: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=12849

Novo vazamento, agora de e-mails, revela o modus operandi do PMDB no Rio de Janeiro

A Folha de São Paulo traz hoje uma matéria baseada no vazamento dos e-mails e torpedos trocados entre 2008 e 2011 pelo ex-(des) governador Sérgio Cabral e um vizinho de prédio no Leblon e companheiro de casas de veraneio em Mangaratiba, Orlando Diniz, que vem a ser “apenas” o presidente da Federação do Comércio (Fecomercio) do Rio de Janeiro (Aqui!).

A matéria elucida parte dos inúmeros favores pessoais que Cabral fez para Orlando Diniz, muitos dos quais foram atendidos.  Apesar dos assessores de Diniz alegarem que o atendimento desses pedidos não teve nada de ilegal, há que se lembrar que o tráfico de influências que essa situação enseja nunca é grátis. Ou seja, apenas por atender parte dos pedidos de Sérgio Cabral, é óbvio que Diniz teve seu prestígio político aumentado.

O mais curioso é que mais essa revelação das entranhas do funcionamento da máquina estadual na vigência dos mandatos de Sérgio Cabral e Eduardo Paes demonstra que as práticas reveladas por seguidos escândalos (passando pelo caso da Gangue dos Guardanapos, passando pelo affair Vanessa Felipe/Rodrigo Bethlem, e chegando agora nos e-mails e torpedos de Sérgio Cabral para Orlando Diniz) apenas demonstram que não há limite para certos gostos e práticas que só são levados ao conhecimento público por algum tipo de indiscrição pessoal.

Uma prova de que essa amizade não era tão desinteressada por nenhuma das partes, a imagem abaixo que reúne Orlando Diniz, Sérgio Cabral e Carla Pinheiro, presidente da Associação de Joalheiros do Rio de Janeiro, marca a aprovação pelo governo do Rio de Janeiro no final de 2008 da redução do recolhimento de ICMS para o setor de venda de jóias no estado (Aqui!). Assim, fica fácil entender tanta correspondência eletrônica!

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Enquanto agricultores amargam prejuízos, Eike Batista continua recebendo prêmios e voando de jatinhos

Enquanto centenas de famílias de agricultores, pescadores e até proprietários de lotes urbanos amargam sérios prejuízos econômicos, sociais e ambientais com a implantação do megaempreendimento (seria mesmo mega a estas alturas do campeonato?) conhecido como Porto do Açu, o ex-bilionário não se dá por vencido e continua voando dentro do Brasil apenas em jatinhos fretados, como mostra o jornalismo Lauro Jardim em sua blog na Revista Veja (ver abaixo).

Agora, isso nem me espanta, pois a desgraça de Eike Batista foi mais no ego do que na sua condição de vida que, apesar da perda de muitos bilhões de dólares, continua muito bem obrigado. O que me espanta mesmo é que ainda tem entidade dando prêmio para Eike Batista por ter criado os problemas que criou no V Distrito de São João da Barra. 

É por isso que eu digo: com esse tipo de mentalidade não há como mesmo sairmos do atraso em que estamos historicamente metidos e do lado de profunda exploração em que ele nos coloca, apenas para a felicidade de uns poucos oligarcas.

E, contrariando Lauro Jardim, eu digo que há algo não tem limite no Brasil: a cara-de-pau dos que se locupletam com o dinheiro público.

 

Tudo tem limite

Por Lauro Jardim

eike

Eike Batista vendeu todos os jatinhos e helicópteros que possuía – e não eram poucos. Neste ano, já foi visto algumas vezes pegando aviões de carreira para voos internacionais.

Mas tudo tem um limite. Quando faz rotas domésticas, nem discute – aluga um jatinho.

Um voo Rio-São Paulo-Rio, seu trajeto mais frequente, sai entre 12 000 reais e 55 000 reais, dependendo do modelo do avião.

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/diversos/eike-se-desfez-de-frota-de-avioes-e-helicopteros-veja-como-o-ex-bilionario-tem-feito-rotas-domesticas/

 

Alguém poderia apresentar Norman Finkelstein a Demétrio Magnoli

NY

 

O escritor e doutor em ciência política pela Princeton University sendo preso esta semana em Nova York num protesto em frente da Embaixada de Israel contra o massacre em Gaza.

O “intelectual” faz-de-tudo Demétrio Magnoli é o que se chama um “jack-of-all-trades” do pensamento de direita no Brasil já faz algum tempo. Agora, com o massacre/genocídio que está sendo promovido na Faixa de Gaza, Magnoli, que um dia se disse trotskista, agora escreveu um texto que justifica o massacre e joga nas costas dos críticos dessa ação que beira o genocídio a pecha de antissemita (Aqui!). 

Essa estratégia é uma daquelas coisas fáceis do lugar comum em que a direita mundial justifica a existência do estado de Israel, esquecendo apenas de mencionar o lugar estratégico que essa entidade mantém na sustentação da ordem criada após a Segunda Guerra Mundial e que sacode violentamente com o desejo de libertação de vários nacionalidades, a começar pelos palestinos.

Eu sempre reflito sobre essa questão do antissemitismo, pois vários dos principais pensadores que me influenciaram eram judeus e, ao contrário, de Magnoli não renego essa influência, a começar por Leon Trotsky que era apenas o nome de guerra de um judeu chamado Lev Davidovich Bronstein.

Mas outro judeu vem recentemente me chamando a atenção justamente por sua denúncia do estado de Israel e da opressão que sofrem os palestinos, o cientista político e escritor judeu norte-americano Norman Finkelstein. Finkelstein é hoje uma principais vozes da denúncia do massacre que vem sendo cometido em Gaza, mas já faz algum tempo um crítico contumaz de Israel, com uma sequência de obras cujo teor é justamente desmontar a falsa noção de que quem é contra Israel é antissemita.

Para quem quiser saber mais da campanha que Finkelstein vem promovendo em prol da defesa dos palestinos é só acessar sua página na internet (Aqui!). Mas eu recomendo especialmente que também se assista o vídeo onde Norman Finkelstein refuta de forma cabal o uso do holocausto para justificar a opressão e assassinato dos palestinos (Aqui!).

Voltando a Demétrio Magnoli, creio que, na verdade, seria até humilhante apresentá-lo a Finkelstein. É que a estatura moral e intelectual dos dois, em especial na questão de Gaza, é tão profundamente diferente que acabaria levando a mesma bronca que a estudante da Universidade de Waterloo levou no vídeo que está no link acima.  Mas talvez fosse bom para um anão intelectual como Magnoli encontrar um verdadeiro intelectual que vai além das normas acadêmicas para tomar o lado correto da disputa.

Túneis como motivo dos ataques são apenas uma mentira a mais, por Janio de Freitas

Jornal GGN – Para o colunista da Folha de São Paulo Janio de Freitas, os túneis construídos por combatentes palestinos como motivo dos ataques de Israel “são apenas uma mentira a mais”. O jornalista argumenta que o pano de fundo dos bombardeios ocorridos nas últimas semanas é a posse presidencial de Reuven Rivlin, integrante do Likud, mesmo partido de Binyamin Netanyahu. Reuven Rivlin defende a multiplicação de assentamentos israelenses na Cisjordânia e combate a hipótese de um Estado Palestino.

Da Folha

Espaço vital e mortal

 Por Janio de Freitas
Os túneis dos combatentes palestinos como motivo dos ataques de Israel a Gaza são apenas uma mentira a mais
  
Destruir por bombardeio a única usina de energia elétrica em Gaza não é procurar e destruir túneis dos combatentes palestinos. É o modo escolhido de causar o dano mais geral à população civil e às instalações essenciais que são os hospitais e postos de socorro ao que reste de vida nas vítimas das bombas, do canhoneio naval e dos tiros de tanques. Crime de guerra, pela Convenção de Genebra, e crime contra a humanidade, pelos princípios da ONU e pelas leis internacionais.
 
Os túneis como motivo dos ataques são apenas uma mentira a mais. O sistema de informação e vigilância de Israel não seria enganado, enquanto o Hamas construiria rede subterrânea tão extensa e sofisticada quanto diz o governo israelense. Mentira como a velha alegação de que os hospitais, escolas, mesquitas e moradias destruídos serviam de depósitos de armas e munição do Hamas. Se fossem, o ataque a tanto material explosivo teria levado toda Gaza pelos ares há muito tempo. Em vez disso, ruínas e crateras documentadas são compatíveis com o efeito normal dos bombardeios, sem a expansão de paióis explodidos.
 
O objetivo não são os túneis. Nem o foram os lançadores de foguetes do Hamas, como alegado ao início do atual ataque. O objetivo que pode explicar tamanho massacre é outro. Tem nome, já foi assunto de interesse da imprensa na Europa há uns 30 anos, mas veio a ficar cercado por um silêncio raras vezes transposto. O mesmo silêncio útil, e em grande parte pelas mesmas razões, adotado no último dia 24, quinta-feira.
 
Uma posse presidencial não é fato que passe sem se fazer notar. Tanto mais se quem deixa o posto é o último estadista de Israel, que se despede da vida pública aos 90 anos, e Nobel da Paz há exatos 20 anos. Foi diante de poucos convidados, no entanto, que Shimon Peres entregou a Presidência a Reuven Rivlin, que fez carreira como advogado de árabes moradores no território israelense. Sem que a atividade profissional tenha qualquer significado político.
 
O novo presidente de Israel não é apenas de ultradireita, integrante do mesmo Likud do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Ex-oficial de informação do Exército, Reuven Rivlin defende e incentiva a multiplicação de bairros (“assentamentos”) israelenses em terras da Cisjordânia. Combate a hipótese do Estado Palestino previsto no ato de criação de Israel pela ONU. Em último caso, diz, seria admissível conceder aos árabes da Cisjordânia a cidadania de israelenses.
 
Reuven Rivlin é entusiasta e propagador do plano Grande Israel, hoje raramente citado, ao menos de público. Projeto que se origina (ou termina) em ideia semelhante à do “espaço vital” que figurou nas causas da Segunda Guerra Mundial. Nele se vê a explicação para os continuados “assentamentos”, apesar da condenação da ONU e do poder conflituoso que têm, além de serem obstáculo central nos arremedos de diálogo de paz entre Israel e Cisjordânia.
 
Com o cadastro de Reuven Rivlin, o realce à sua posse tenderia a agravar a imagem de Israel propagada por sua ferocidade bélica. Mas a importância da ligação ostensiva do novo presidente com o plano Grande Israel não é só um prenúncio de sua ação futura. É componente lógico de um plano de ação que está muito acima dos túneis. E é levado pelas bombas à terra necessária à grandeza sonhada.
FONTE: http://jornalggn.com.br/noticia/tuneis-como-motivo-dos-ataques-sao-apenas-uma-mentira-a-mais-por-janio-de-freitas

Em meio ao bombardeio das gravações, Rodrigo Bethlem jogou a toalha e desiste de candidatura

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Fulminado com centenas de horas de gravações de conversas indiscretas que manteve com sua ex-esposa Vanessa Felipe, o ex-xerife de Eduardo, o deputado federal Rodrigo Bethlem, jogou a toalha e suspendeu a sua campanha para suposta cuidar de sua defesa.

Pois é, resta apenas saber se Bethlem será a única vítima das gravações de Vanessa Felipe ou mais gente vai afundar junto.

Confira a nota, na íntegra, que foi publicada pelo Jornal O DIA (Aqui!)

‘Diante dos recentes acontecimentos envolvendo o meu nome e pela necessidade de cuidar da minha família e preparar a minha defesa , declaro que vou encaminhar ao partido a retirada da minha candidatura para o pleito de 2014.

Rodrigo Bethlem – Deputado Federal’

A pindaíba da UENF vai aumentar: (des) governo Pezão manda reitoria escolher onde cortar mais R$ 2 milhões do orçamento de 2014

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Acabo de receber a informação de que o (des) governo Pezão mandou a reitoria da UENF decidir de que áreas devem ser cortados R$ 2 milhões do orçamento de 2014. Esse tipo de escolha de Sofia pega a instituição num momento em que os diversos serviços básicos (água, eletricidade, telefone) estão com pagamentos atrasados por vários meses, e as atividades de campo estão ameaçadas porque não há recursos sequer para pagar o combustível!

Como estamos na segunda economia da federação que foi palco da COPA FIFA 2014 e deverá ainda hospedar os Jogos Olímpicos de 2016, eu fico me perguntando onde foi parar o dinheiro que está faltando na UENF!