Faltou humildade à presidente

Antônio Carlos Costa

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Percebe-se no país inteiro a ambivalência de sentimento com relação à Copa. Parte da população consegue abstrair sua paixão pela seleção brasileira dos problemas políticos que envolveram a realização da competição esportiva. Na minha casa, por exemplo, tem quem vai torcer fervorosamente. Impera a liberdade e o respeito. Milhões de brasileiros, contudo, sentem-se indignados com a forma como a organização da Copa foi conduzida, especialmente, pelo uso de verba pública. Entre estes, há aqueles que até mesmo recusam-se a assistir aos jogos.

Em junho do ano passado, vimos o país sair às ruas, clamando por solução política para número infindável de problemas sociais concretos que milhões enfrentam no Brasil.

Somando esses dois fatos, os milhares que protestaram ano passado mais os que sentem-se feridos pelo uso de dinheiro público na Copa, nos deparamos com parcela significativa da população esperando respostas efetivas do poder público brasileiro para demandas justas do povo.

Tudo isso impõe aos que representam o povo a necessidade imperiosa da falar à alma, coração e mente da população. Como? Mediante a apresentação de metas claras, políticas públicas objetivas, trabalho duro e humildade para reconhecer equívocos. Pensemos na possibilidade de que tudo o que vivemos ano passado tenha sido apenas uma onda que será seguida por um tsunami de revolta social. Como declara André Bieler: “Quem deixa agravar-se uma indisposição social é responsável pela agitação revolucionária que venha daí resultar”.

A presidente Dilma, no seu discurso de anteontem em rede nacional, poderia ter levado os fatos supramencionados em consideração e falado aos milhões que não decoraram suas ruas nem penduraram a bandeira do Brasil em suas janelas, bem como aos que irão torcer e, pelo simples fato de serem cidadãos desse país, merecem respostas honestas para perguntas honestas.

Ela devia um pedido de perdão ao povo. Foi dito que a Copa seria realizada com recursos da iniciativa privada, o que não houve. As obras da Copa saíram muito mais caras do que o que havia sido anteriormente declarado, sem mencionar os escândalos de superfaturamento. Há um custo, contudo, bem mais grave do que o dinheiro investido em estádios. A consciência social do povo brasileiro foi ferida. O país se dividiu. Milhões de trabalhadores não conseguem compreender como houve vontade política para a realização da Copa e não se percebe esse mesmo investimento de vida em áreas essenciais de serviço público.

Não houve menção, na fala da presidente, aos oito trabalhadores que morreram na construção dos estádios, para cujas famílias a Copa já acabou há muito tempo. Haverá um minuto de silêncio em memória desses brasileiros que deram sua vida por uma competição esportiva que não poderá ser assistida pelos que vivem com o salário que esses operários ganhavam?

Os números do investimento em educação e saúde apresentados pela presidente não impressionam. Além de ser dever de um Estado para o qual damos o sangue, trabalhando duro para sustentá-lo com nossos impostos, esses bilhões de reais mencionados ontem estão sendo muito mal empregados, porque pacientes continuam morrendo em fila de espera de hospital público, milhões de crianças estudam em escolas públicas desprovidas de quadras esportivas e bibliotecas. Já as arenas esportivas da Copa do Mundo, estão aí. Esplendorosas, perante um povo perplexo, passando imagem falsa de um dos países mais desiguais do planeta.

Quando afirmamos que o dinheiro da Copa foi tirado da educação, saúde e segurança -o que de fato queremos dizer é que com os 30 bilhões investidos na Copa, trataríamos, ainda que parcialmente, de alguns do problemas mais urgentes do Brasil, que parecem não caber no orçamento espetacular apresentando no discurso da presidente, caso contrário, teríamos escolas e hospitais à altura do poder econômico da sétima economia do planeta.

Não era momento de atacar inimigos, escarnecer de quem se mostrou pessimista quanto à capacidade do país da “ponte que liga o nada a lugar nenhum” cumprir as promessas que fez, pessimismo que se confirmou nas mais diferentes áreas de planejamento.

Quanto aos que saíram da miséria, não nos esqueçamos que o brasileiro trabalha em média oito a dez horas por dia, seis vezes por semana, gastando nas grandes cidades quatro horas de sua vida no trânsito, para receber no final do mês R$ 740, 00 e voltar do trabalho para seus barracos em bairros nos quais não há saneamento básico. Essa gente tem tempo para a literatura, a prática de um hobby, o investimento no seu desenvolvimento pessoal, a poesia, o amor? Muitos dos quais endividados e, por problema de consciência, procurando honrar seus compromissos financeiros, porque julgam indigno dever e não pagar, ainda que o credor seja um agiota cuja atividade é legitimada pelo Estado.

Presidente Dilma, a quem devemos todo respeito. Representante legítima do povo brasileiro. O brasileiro ama a humildade. Não há caminho mais eficaz para ganhar a alma da população do que o gesto humilde acompanhado da sincera correção de rumo. No governo do seu partido, políticas públicas livraram milhões da fome e da falta de teto para viver. Contudo, há muito ainda a ser feito. Pobres agonizam nas favelas, nas comunidades ribeirinhas da amazônia e no sertão nordestino. 

Na abertura desta Copa, o povo brasileiro esperava ouvir um pedido de perdão, seguido da apresentação de um sonho. Isso pacificaria os corações daqueles que não desistem nunca, como a senhora muito bem mencionou, e que por isso mesmo não deixarão de voltar às ruas para lutar por si mesmos, pelas suas famílias e pelo seu país.

Antônio Carlos Costa, Rio de Paz -Dando voz aos sem voz e visibilidade aos invisíveis

Argentina desobedece à FIFA e reclama as Malvinas  

Os jogadores da seleção de futebol da Argentina aproveitaram o último jogo antes do Mundial do Brasil para lembrar ao mundo que o conflito pela posse das ilhas Malvinas continua bem vivo.

Apesar da FIFA proibir mensagens políticas, os jogadores argentinos mostraram ao mundo que as Malvinas são argentinas.

“As Malvinas são argentinas”, dizia a faixa que os jogadores mostraram antes do início do jogo com a Eslovénia este sábado. Apesar da proibição que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) determinou sobre quaisquer mensagens políticas em jogos de futebol, a Argentina não quis deixar de aproveitar a oportunidade para recordar que as ilhas, ocupadas pelos britânicos há quase 180 anos, lhes pertencem.

Esta não é a primeira vez que atletas argentinos fazem passar a mesma mensagem em eventos desportivos internacionais. O portal Los Andes recorda que em 2012, a delegação olímpica preparou uma ação semelhante para os Jogos Olímpicos de Londres, mas foi dissuadida pelo Comité Olímpico Internacional, que também proíbe as mensagens políticas. Quem esteve ausente da cerimónia de abertura das Olimpíadas de Londres foi a presidente Cristina Kirchner, que fez regressar o tema das Malvinas à agenda política, ameaçando as empresas petrolíferas com sanções penais caso operem nas Malvinas sem autorização governamental.

Meses antes dos Jogos Olímpicos de Londres, o  governo de Buenos Aires relançou a polémica com um anúncio de televisão com um atleta olímpico argentino a treinar nas Malvinas e a mensagem final: “Para competir em solo inglês, treinamos em solo argentino”.

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/argentina-desobedece-fifa-e-reclama-malvinas/32977

Viomundo: Polícia faz busca e apreensão em casa de jornalista carioca, que diz: “Nunca falei nada do Aécio” nas redes sociais

por Luiz Carlos Azenha

A casa completamente revirada. Apreendidos um computador, dois HDs externos, pen drives, um iphone sem uso, chips de computador, CDs de fotos e um roteador.

A jornalista Rebeca Mafra, do Rio de Janeiro, que trabalha no Canal Brasil, concorda que viveu um dia “bizarro”.

Era por volta do meio dia quando ela recebeu uma ligação do prédio onde mora com a informação de que policiais estavam presentes com um mandado de busca e apreensão e arrombariam a porta.

Como trabalha na Barra da Tijuca e mora no centro, Rebeca pediu a uma amiga que tem a chave que abrisse a porta.

Os policiais reviraram tudo.

Só mais tarde ela soube qual era a acusação: ela teria de alguma forma participado de um grupo organizado para difamar o senador Aécio Neves nas redes sociais.

O problema é que, segunda ela, “nunca falei nada do Aécio” nas redes sociais.

Rebeca não se define como uma internauta muito ativa. Admite que não pretende votar em Aécio, mas diz que o que mais faz é postar fotos no Instagram. Olha o meu Facebook, sugeriu.

De fato, uma rápida navegada pelo perfil da jornalista demonstra que ela em geral reproduz posts de outras pessoas, não relacionados a política.

O mais recente é um vídeo do gato de uma amiga que fica agitado quando tem fome.

No Facebook, segunda ela, o máximo que faz é dar algumas curtidas.

Porém, documentos aos quais o Viomundo teve acesso demonstram que Rebeca e outras quatro pessoas estão sob investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro a pedido do senador Aécio Neves.

Na decisão em que atendeu ao pedido do Ministério Público para expedir os mandados de busca e apreensão, o juiz descreveu uma suposta quadrilha muito sofisticada:

Segundo narra o órgão ministerial, o procedimento investigatório foi iniciado a partir de notitia criminis encaminhada pelo Exmo. Senador Aécio Neves, na qual noticia a prática reiterada de crimes contra a sua honra através da colocação de comentários de leitores em sites de noticia, muitos dos quais não guardam qualquer pertinência com as notícias comentadas. Afirma o Parquet que há indícios de que tais comentários são lançados de forma orquestrada, por pessoas associadas para, mais do que potencialmente  afetar a reputação do senador, associar, em escala estatisticamente relevante, seu nome aos termos constantes dos comentários. Assim agindo, possuem os autores o intento de alterar os resultados dos mecanismos de busca na internet, como o Google, por exemplo, fazendo com que tais páginas — ainda que substancialmente irrelevantes — alcancem destaque nos resultados das pesquisas.

A Folha deu a notícia com grande escândalo.

Porém, para pelo menos uma das pessoas acusadas, a jornalista Rebeca Mafra, é tudo novidade.

“Que maluquice”, comentou Rebeca quando informada de que é acusada de atuar numa espécie de “quadrilha virtual”, já que ela não conhece nenhum dos outros quatro acusados.

“Bizarro”, eu disse à entrevistada por telefone. Ela concordou: “Bizarro”.

Rebeca ainda não deu depoimento à polícia carioca.

[Post alterado para acréscimo de informações]

Leia também:

Mídia Ninja denuncia “prisão preventiva” de ativistas no Rio

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/policia-faz-busca-e-apreensao-em-casa-de-jornalista-carioca-que-diz-nunca-falei-nada-do-aecio-nas-redes-sociais.html

Especulação imobiliária contribui para expulsões ligadas à Copa do Mundo

Obras no Itaquerão, São Paulo, 2012.

Obras no Itaquerão, São Paulo, 2012.

Flickr/Ze Carlos Barretta
Silvano Mendes

A expulsão de milhares de pessoas de suas casas por causa das obras de preparação da Copa do Mundo foi um dos assuntos que mais suscitaram polêmica nos últimos meses. A questão chegou a ser tema de uma campanha da Anistia Internacional no Brasil e esteve no centro de debates em Paris. Mas para especialistas ouvidos pela RFI, as expropriações camuflam uma situação muito mais complexa, na qual a especulação imobiliária tem um papel fundamental.

Dois dias antes do pontapé inicial da Copa do Mundo, as associações francesas Autres Brésils e Ritimo organizaram em Paris a projeção dos filmes Jeux de pouvoir, de Susanna Lira, e A caminho da Copa, de Carolina Caffé e Florence Rodrigues. O evento tinha como objetivo discutir a questão do direito à moradia no Brasil, levando em consideração as denúncias de remoção forçada de milhares de moradores de suas casas nos meses que antecederam o mundial.

A professora brasileira Teresa Peixoto Faria, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), participou de uma mesa-redonda organizada logo após a projeção na capital francesa. Para ela, essas “remoções são práticas que já existiam anteriormente, sobretudo no período militar”. No entanto, a pesquisadora, especialista em estudos urbanos, lembra que com a “desculpa da Copa”, o fenômeno tem se acentuado. Ela chama a atenção para os interesses especulativos camuflados por essas expulsões. “Essas populações já estavam há muito tempo e alguns assentamentos já existiam há mais de 30 anos, mas o grande interesse surge quando esses terrenos estão em áreas que hoje estão sendo valorizadas”.

Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional Brasil e coordenadora da campanha “Basta de remoções forçadas!”, comenta essa valorização ligada aos grandes eventos esportivos. Baseada em um estudo feito pelo arquiteto Lucas Faulhaber, que traçou um mapa das remoções cariocas, ela explica que “no Rio de Janeiro, as pessoas estão sendo removidas do início da zona norte, do centro, da zona sul e da Barra da Tijuca, que são as zonas mais nobres da cidade, para serem reassentadas nas áreas periféricas da zona oeste, que são muito distantes e controladas pelas milícias”.

Segundo ela, os estudos levam a crer que “existe um padrão de relocalização das famílias mais pobres nas regiões mais afastadas da cidade, mesmo se há terrenos públicos em áreas centrais do Rio de Janeiro que poderiam recebê-los”. Para ela, esse é um dos fatores que contribuem para a especulação imobiliária e o aumento dos preços dos imóveis. “Um prédio em Copacabana que está ao lado de uma favela vale menos que um prédio que não está ao lado de uma favela”.

Mas a representante da Anistia ressalta que a bolha imobiliária atinge todos, inclusive aqueles que não oficialmente expulsos de seus lares. Além disso, ela explica que esse fenômeno não é novo e também não é uma exclusividade do Brasil. “Remoção, encarecimento do custo da moradia a o processo e ‘gentrificação’ já foram documentados em outros países. Em cidades como Pequim, por exemplo, isso levou a mobilidade de quase um milhão de pessoas. É como se existisse um padrão do impacto negativo da realização dos megaeventos esportivos. O lamentável é que os governos não estejam atentos para isso e não tomem medidas para prevenir”.

FONTE: http://www.portugues.rfi.fr/geral/20140611-especulacao-imobiliaria-contribui-para-expulsoes-ligadas-copa-do-mundo

Nossa Copa é na Rua: ato no dia 12 de junho protesta contra abusos cometidos em nome da Copa

Nesta quinta-feira, dia 12 de junho, data de abertura dos jogos da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, a sociedade civil carioca promove um ato público no Rio de Janeiro. Com concentração às 10h, na Candelária, os manifestastes seguem, ao meio dia, em direção à Lapa.  Este será o primeiro de quatro atos que serão realizados  durante a Copa do Mundo, na cidade do Rio. Na mesma data também estão previstas manifestações em Brasília, São Paulo e em outras cidades sedes do evento, todos com o objetivo de denunciar as violações de direitos humanos cometidas em prol da realização da Copa do Mundo da Fifa no Brasil. A ideia do ato é descontruir a falsa dicotomia de que ir às ruas durante a Copa significa torcer contra o Brasil.

Veja abaixo as bandeiras de luta do ato “Nossa Copa é na Rua”:

1 – Saúde, Educação e Transporte! Públicos, gratuitos e de qualidade! Os governos gastam bilhões com obras desnecessárias e a gente ainda sofre na fila do hospital.
2 – Segurança se faz com respeito e diálogo com o povo, não com violência e controle militar de comunidades pobres. Exigimos nosso direito de manifestação. Protesto não é crime!
3 – Futebol é o povão! Por um Maracanã público e popular, com ingressos baratos e setores sem cadeira.
4 – Lutamos pela democratização dos meios de comunicação. Queremos apoio à mídia independente e à comunicação popular. Hoje, quem manda são as empresas.
5 – A cidade é nossa! Exigimos moradia, saneamento, mobilidade e acesso à cultura! No campo, grandes empresas expulsam as famílias de suas terras. Reforma Agrária já!
6 – Queremos o fim das remoções forçadas de comunidades pobres em obras que só favorecem as empreiteiras. Pra Copa e pras Olimpíadas, foram milhares de famílias expulsas de suas casas no Rio. Moradia digna é um direito!
7 – Racismo, machismo, homofobia? Não! Chega de intolerância, exploração sexual, violência contra as mulheres, discriminação… Nossos corpos não são mercadoria.
8 – Todo apoio às greves e à luta dos trabalhadores!

Sindicato dos Vigilantes de Campos faz protesto na entrada da UENF por causa do atraso de pagamentos dos funcionários da HOPEVIG

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A UENF é hoje uma universidade onde não faltam conflitos, especialmente os de ordem trabalhista. No início desta terça-feira (10/06), um grupo de militantes ligados ao Sindicato dos Vigilantes de Campos, que são liderados pelo presidente Luiz Carlos Rangel da Rocha, fazem um protesto na entrada principal do campus principal por causa do constante atraso do pagamento dos guardas patrimoniais que prestam serviço na UENF. 

É que, mais uma vez, os salários desses trabalhadores se encontra atrasado, fato que vem se repetindo ao longo de 2014, fruto da política de contingenciamento financeiro imposto pelo (des) governo Cabral/Pezão sobre a UENF.

Diretório Central dos Estudantes da UENF produz informe para acabar com confusão causada pela reitoria

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O estudante de Engenharia Civil, Braullio Fontes, que é o diretor geral do Diretório Central dos Estudantes Apolônio de Carvalho que representa os interesses estudantis acaba de gravar um vídeo para esclarecer os próximos passos das ações que serão tomadas para garantir o atendimento da pauta que move a greve dos estudantes.

Uma das informações importantes deste vídeo é o fato de que a  Câmara de Graduação faz prevalecer o bom senso, com o devido respeito aos alunos, e aulas só serão retomadas na UENF no dia 23/06!

Abaixo o depoimento do diretor-geral do DCE/UENF!