O pior dos racismos é o da cor da alma

O mundo seguirá sendo violento e despedaçado enquanto pensarmos que nossa alma de privilegiados é mais nobre do que a dos despossuídos

Por JUAN ARIAS 

Existe um racismo da cor da pele e outro da cor da alma: o que admite que nem todos os seres humanos têm o mesmo direito à felicidade. Qual deles é o mais perigoso e atroz?

No fundo, ambos afetam o mesmo sujeito: os que dispõem de menos recursos, sempre os mais pisoteados. Talvez porque, no fim das contas, consideramos que se tratam de humanos inferiores, dos quais o poder tem menos medo, até que um dia se cansam de ser humilhados, despertam e põem tudo de pernas para cima.

Digo isto porque me tocaram algumas declarações de Joseph Blatter, presidente da FIFA, em relação às manifestações de protesto com os esbanjamentos da Copa do Mundo que será disputada no Brasil. “É impossível deixar todos felizes”, disse, e adicionou: “O mundo mudou e sempre existe alguém que não está feliz”.

O que Blatter quis dizer? Que existem os que têm direito de ser felizes e os que não têm? E quais são esses que segundo ele “é impossível fazer felizes”?

Certamente não se referia aos privilegiados que poderão desfrutar ao vivo das partidas com direito a um palco de luxo, como no Rio de Janeiro, que custou mais de cem milhões de reais e que somente eles poderão usar.

Os que, de acordo com o dirigente da FIFA, deveriam abandonar a ideia de fazer manifestações durante a Copa para pedir melhorias de vida, são, claro, os mais despossuídos, os que necessitam lutar para que aumentem seus salários porque a inflação os come. Os que querem ter serviços públicos dignos de seres humanos.

Os senhores da Fifa deveriam ter mais memória histórica quando atacam os protestos

Os senhores da FIFA – alguns dos quais com descaramento chegaram a pedir que a Copa seja uma grande festa pois o que “foi roubado, já está roubado” – deveriam ter mais memória histórica quando atacam as manifestações de protesto e de reivindicações dos cidadãos.

Talvez tenham esquecido que, sem está pressão das ruas, muitas ditaduras e muitos tiranos nunca teriam caído de seu pedestal. Nem teria sido derrotada a escravidão ou o apartheid e ainda teríamos ônibus e banheiros diferentes para negros e brancos.

Sem as manifestações de protesto, as mulheres não teriam conseguido nunca o direito ao trabalho, ao voto e ao estudo. Nem teriam direitos os sexualmente diferentes.

Sem a pressão dos trabalhadores, o mundo do trabalho seguiria sem férias, trabalhando 20 horas e sem amparo legal.

Todas as grandes conquistas das minorias e dos despossuídos foram feitas historicamente com a rebelião contra quem se empenhava em considerá-los seres humanos de segunda classe.

Alguém poderia dizer que tudo isto já foi conquistado e que, como pensa o dirigente da FIFA, ainda assim nem todos podem ser felizes. Ou seja, que devemos aceitar que existem os que devem ser sempre menos dos que os outros.

Li também que o Governo do Brasil se empenhou em taxar alguns produtos para arrecadar mais. Tentem imaginar de quais produtos se tratam: Talvez o luxo dos que têm mais? As grandes fortunas? Bebidas e alimentos importados? Joias preciosas?

Não, decidiram taxar o “luxo dos pobres”, como a cerveja e os refrigerantes, umas das poucas satisfações que ainda podem permitir-se os que ganham por volta de mil reais.

Os milhões de pobres saídos da miséria, aos que agora a FIFA pede para que fiquem tranquilos em casa vendo as partidas, sem fazer ruído nas ruas, tinham até começado a sonhar com alguns produtos geralmente consumidos pelos que estão bem, como o iogurte, filé e até um shampoo. Ou uma garrafa de vinho de 20 reais.

Hoje o furacão da inflação os trouxe de volta à realidade e estão voltando o arroz e feijão, a farinha de mandioca com ovo cozido, e alguma carne de terceira ou embutidos baratos para o típico churrasco entre amigos aonde não podem faltar a cerveja e o refrigerante. E agora?

Se lhes taxam a lata de cerveja e a garrafa de refrigerante, o que vão deixar para eles? A água? Nem isto porque também está na mira dos próximos aumentos.

Os pobres que antes bebiam qualquer água que encontravam para não ter pagar por ela, o que supunha um crescimento de doenças intestinais por muitas vezes estar contaminada, tinham começado a comprar, como um luxo, sobretudo para seus filhos, garrafões de água de 20 litros a quatro reais. Hoje já estão pagando oito reais no mercado e ainda pensam em aumentar o preço o que os faria voltar a beber a que encontram de graça no primeiro poço artesiano que virem, contaminada ou não. Falta água em um país que conta com 20% da água potável do planeta.

É incrível que para os pobres tudo parece muito. Para a FIFA até a felicidade deles é demasiada.

“Para que querem comprar iogurte se nem gostam disso?”, escutei uma madame falar em um mercado ao ver uma faxineira examinando os preços dos iogurtes.

Poderiam dizer a mesma coisa da água: “Não beberam a vida inteira a água do poço?” E até justificam o aumento do luxo da cerveja: “assim ficam menos bêbados”. O porre de uísque escocês é mais nobre

Se taxam a lata de cerveja e a garrafa de refrigerante dos torcedores, o que vão lhes deixar? A água?

As vezes nos parece um luxo para os pobres o que para nós é visto como normal.

Li que outra senhora se escandalizou porque uma de suas empregadas comprou um perfume que ela considerava exagerado para sua categoria. Devia pensar: “para que os pobres se perfumam?”. Talvez seja por isto que entre os produtos a ser taxados estejam também os cosméticos em geral. Assim, os pobres voltam para sua “água com sabão” que é o que pensamos que os pertence. Para que eles querem usar shampoo?

Hoje os governos fazem esforços para oferecer receitas contra a desigualdade para que os pobres possam também entrar na ciranda mágica do consumo. É justo, mas não basta.

O que devemos mudar é o chip de nosso cérebro, porque não existem seres humanos considerados de primeira e de segunda classe; não é certo que os que estudaram menos, por exemplo, apresentem maior inclinação para a violência ou sejam menos sensíveis à beleza ou ao luxo. Ou que tenham menor senso de honra e de dignidade. As piores violências e desonestidades se escondem nos palácios do poder.

Enquanto mantivermos aberta esta brecha de desigualdade vista como algo quase genético entre os da classe de cima e os da de baixo, entre os que têm direito de saborear certos manjares e de apreciar certos luxos e os que “não entendem destas coisas”, seguiremos alimentando o pior dos racismos, que já não é somente o da cor da pele, e sim o da cor da alma. São Tomás chegou a duvidar que as mulheres tivessem alma. Do mesmo modo há quem gostaria de pensar desta forma dos pobres, que na prática, acabam sendo considerados seres humanos inferiores que não podem querer desfrutar e sentir como os que tiveram o privilégio de nascer em berço mais abastado.

E entretanto, como dizia o carnavalesco da Beija Flor, das favelas do Rio, Joãosinho Trinta: “Pobre gosta de luxo. Quem gosta de miséria (alheia) é intelectual”. E provava sua afirmação recordando que as novelas brasileiras mostram sempre um cenário de luxo e riqueza e são seguidas com fervor pelo pobres. E as fantasias de carnaval são uma exibição de dourados e luxo artístico.

Sempre me pareceu doentia esta paixão de alguns europeus ou norte-americanos para visitar, quando chegam no Brasil, uma favela, que, além de tudo, deve ser o mais pobre e violenta possível. É como se fossem visitar feras em um zoológico.

Levamos uma vez alguns espanhóis para visitar uma favela pacificada do Rio, mas lhes pareceu pouco excitante e foram conhecer uma com emoções mais fortes.

Nosso mundo seguirá sendo violento e despedaçado enquanto pensarmos que nossa alma de privilegiados é mais nobre e refinada que a dos despossuídos. Nos dói inclusive quando vemos que são capazes de desfrutar de uma dose maior de felicidade que nós e com menos recursos.

Nunca me esquecerei de uma cena que observei, da rua, por acaso, em um restaurante de luxo de um dos cafés da mítica e fascinante praça de San Marcos, em Veneza. Um casal já de idade, e com todas as características visíveis de quem tem dinheiro de sobra, estavam, do lado da janela, jantando com ar aborrecido e em silêncio, em um dos lugares mais especiais, mais românticos e mais caros do mundo.

Saíram em seguida do restaurante e o garçom retirou os pratos quase intactos de lagosta e caviar e os copos de cristal de Murano ainda cheios de champanhe, enquanto a senhora se embrulhava em um abrigo de pele de visão. Era inverno.

Naquele momento me veio à memória os churrascos barulhentos de meus amigos brasileiros pobres onde no final da festa, com direito a dança, só sobram os ossos de frango. E com os ossos, um clima de festa e amizade.

Parece, entretanto, que até a alegria e a camaradagem, que é o maior luxo dos pobres, acaba por nos irritar. “Do que riam tanto?”, escutei algumas pessoas dizerem comentando uma festa alegre de gente simples, mas feliz, na pequena cidade de pescadores próxima do Rio onde moro.

Talvez ignoremos que riem e se divertem muitas vezes, com o pouco que têm, também para não chorar. Ou também consideramos um luxo as lágrimas dos pobres derramadas no silêncio anônimos de suas vidas?

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/09/opinion/1402336433_239878.html

JB: MP pede bloqueio dos bens de Regis Fichtner

Ex-secretário é suspeito de envolvimento no escândalo das viaturas da PM, denunciado pelo JB

Jornal do Brasil
O Blog do Garotinho informa nesta segunda-feira que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ajuizou duas novas ações de improbidade administrativa pedindo a devolução de R$ 730 milhões aos cofres públicos por conta do escândalo da compra superfaturada de viaturas da Polícia Militar, já denunciado pelo Jornal do Brasil no dia 15 de maio. O MP já tinha entrado com  uma ação contra o secretário de Segurança, José Marino Beltrame, por suspeita de fraudes no contrato de aquisição dos veículos.

Segundo o Blog, desta vez os acusados são o ex-chefe da Casa Civil Regis Fichtner e o seu ex-chefe de gabinete Artur Bastos, que hoje é conselheiro da Agetransp. Outra ação acusa o ex-chefe do Estado Maior da PM Álvaro Garcia de participação no mesmo esquema.

Ministério Público Estadual pede a devolução de R$ 730 milhões aos cofres públicos
Ministério Público Estadual pede a devolução de R$ 730 milhões aos cofres públicos

O Ministério Público afirma que eles assinaram contratos superfaturados com a empresa CS Brasil, pertencente ao grupo Júlio Simões. Segundo o MP, o valor pago pelo estado do Rio de Janeiro é 347% maior que a média do mercado.

As investigações do MP tiveram início após as denúncias feitas pelo coronel da PM Ricardo Paúl, um dos oficiais que o ex-governador Sérgio Cabral mandou prender em Bangu 1 por reivindicar melhores condições de trabalho.

A exemplo do que ocorreu com Beltrame, o MP pediu o sequestro dos bens dos acusados e a perda dos cargos públicos.

Há informações de que o ex-secretário Regis Velasco Fichtner estaria com as malas prontas para morar na Alemanha. 

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/06/09/mp-pede-bloqueio-dos-bens-de-regis-fichtner/

Žižek: A utopia de Piketty

Numa conferência em Londres, o filósofo esloveno comentou o livro de Thomas Piketty, considerando utópica a ideia de que seria possível combinar o capitalismo que existe hoje com uma taxação forte do capital.

Montagem sobre foto de Mariana Costa/Flickr

Le Capital au XXIe siècle, é um livro essencialmente utópico. Porquê? Por causa da sua modéstia. Thomas Piketty percebe a tendência inerente do capitalismo à desigualdade social, de tal forma que a ameaça à democracia parte do interior da própria dinâmica capitalista. Até aí tudo bem, estamos de acordo. Ele vê o único ponto luminoso da história do capitalismo entre as décadas de 30 e de 60, quando essa tendência para a desigualdade era controlada, com um Estado mais forte, Welfare State etc. Mas reconhece ainda que as condições para isso foram – e eis a trágica lição do livro – Holocausto, Segunda Guerra Mundial e crise. É como se estivesse implicitamente a sugerir que a nossa única solução viria com uma nova guerra mundial, ou algo assim!

Ele é quase que uma versão social-democrata do Peter Mandelson, aquele príncipe negro de Tony Blair que disse que na economia somos todos thatcheritas, e que tudo o que podemos fazer é intervir ao nível da distribuição, um pouco mais para a saúde, para a educação e assim por diante.

Sabem porque digo que ele é utópico? De certa forma ele não está errado. A tentativa de superação do capitalismo no século XX de facto não funcionou. O problema é que ele então acaba implicitamente generalizando isso. Piketty aceita, como um bom keynesiano, que o capitalismo é, ao fim e ao cabo, o único jogo na praça; que todas as alternativas a ele acabaram em fiasco, e que portanto temos de preservá-lo. Ele é quase que uma versão social-democrata do Peter Mandelson, aquele príncipe negro de Tony Blair que disse que na economia somos todos thatcheritas, e que tudo o que podemos fazer é intervir ao nível da distribuição, um pouco mais para a saúde, para a educação e assim por diante.

Thomas Piketty é utópico porque ele simplesmente propõe que o modo de produção permaneça o mesmo: vamos só mudar a distribuição implementando – e não há nada de muito original nessa ideia – impostos radicalmente mais altos.

Aqui começam os problemas e entra a sua utopia. Não digo que não devemos fazer isso, só insisto que fazer apenas isso não é possível. Essa é a utopia dele: que basicamente podemos ter o capitalismo de hoje, que como maquinaria permaneceria basicamente inalterado: “opa opa, quando você lucra bilhões, aqui estou eu, imposto, dê-me 80% da sua faturação”. Não acho que isso seja fazível. Imagine um governo fazer isso a nível mundial. E Piketty está ciente que isso deve ser feito globalmente, porque se fizer em um só país, o capital desloca-se para outro lugar e assim por diante. O meu argumento é que se você conseguir imaginar uma organização mundial em que a medida proposta por Piketty possa efetivamente ser realizada, então os problemas já estão resolvidos. Então você já tem uma reorganização política total, um poder global que pode efetivamente controlar o capital. Ou seja: nós já vencemos!

É claro que seria ótimo ter o capitalismo de hoje, com todas as suas dinâmicas, e só mudá-lo ao nível da redistribuição – mas isso é que é utópico.

Então acho que nesse sentido Piketty faz batota: o verdadeiro problema é o de criar as condições para que a sua medida aparentemente modesta seja atualizada. E é por isso que, volto a dizer, não estou contra ele, ótimo, vamos lá cobrar 80% de imposto dos capitalistas. O que digo é que se você fosse fazer isso, logo se daria conta de que isso levaria a mudanças subsequentes. Digo que é uma verdadeira utopia – e isso é o que Hegel queria dizer com pensamento abstrato: imaginar que você pode tomar uma medida apenas e nada mais muda. É claro que seria ótimo ter o capitalismo de hoje, com todas as suas dinâmicas, e só mudá-lo ao nível da redistribuição – mas isso é que é utópico. Não se pode fazer isso pois uma mudança na redistribuição afetaria o modo de produção, e consequentemente a própria economia capitalista. Às vezes a utopia não é anti-pragmática. Às vezes ser falsamente modesto, ser um realista, é a maior utopia.

É como – e perdoem-me o paralelo esdrúxulo – um certo simpatizante nazista que disse basicamente: “Ok, Hitler está certo, a comunidade orgânica e tal, mas porque ele não se livra logo desse asqueroso antissemitismo”. E houve uma forte tendência, inclusive dentre os judeus – e isso é realmente uma história curiosa –, houve uma minoria de judeus conservadores que inclusive se dirigiam a Hitler dessa maneira: “Bolas, nós concordamos consigo, unidade nacional e tal, mas por que você nos odeia tanto, queremos estar com você!” Isso é pensamento utópico. E é aqui que entra o velho conceito marxista de totalidade. Tudo muda se você abordar os fenómenos com a perspectiva da totalidade.


* Extraído da conferência “Towards a Materialist Theory of Subjectivity“, no Birbeck Institute for the Humanities.  A tradução é de Artur Renzo, para o Blog da Boitempo.

FONTE: http://www.esquerda.net/artigo/zizek-utopia-de-piketty/32896

Movimento estudantil da UENF defende reinício das aulas apenas no dia 23 de Junho

IMG_8648

Por considerar que não tem como se iniciar o ano letivo nessa 4a. feira, o movimento estudantil da UENF, tendo a frente o Diretório Central dos Estudantes (DCE/UENF), vai propor hoje na Câmara de Graduação da UENF que a retomada das aulas ocorra apenas no dia 23/06.

Um dos fatos que levaram o movimento estudantil a adotar esta posição é que muitos alunos ingressantes (calouros) estão sem onde morar, pois a sua maioria desfez os seus contratos de aluguel quando souberam da greve.

É importante lembrar que os estudantes estão em greve por uma pauta de demandas que inclui, entre outras questões, o aumento do valor do auxílio-cota dos atuais R$ 300,00 para R$ 400,00, que é o valro praticado na UERJ; abertura do bandejão, e criação de um auxílio-moradia para estudantes que vivam fora da cidade de Campos. É interessante notar que o (des) governo do Rio de Janeiro chamou uma reunião com os estudantes para amanhã no Rio de Janeiro, justamente no dia em que a reitoria quer iniciar as aulas.

E-mails escancaram o despropósito da reitoria da UENF de retomar aulas no dia 11/06

Após a assembléia dos professores suspender a greve iniciada no dia 12/03, os estudantes da UENF receberam  esta tarde dois e-mails da direção da universidade e estão “exaltando” o conteúdo dos mesmos nas redes sociais. É que segundo uma estudante, primeiro ela recebeu um e-mail informando que as aulas retornariam dia 11, e menos de 1h depois recebeu outro informando os dias de pontos facultativos ( dias 12 , 17 , 18 , 19, 20, 23 e 25 de junho de 2014, e durante todo o dia 04 de julho). Seria cômico, se não fosse trágico!
 
Mas amanhã (10/06), a reunião da Câmara de Graduação, que é colegiado que legisla sobre o calendário acadêmico da UENF, vai se reunir e deverá impedir este contra-senso. A ver!

Reitoria da UENF força a barra e convoca alunos para retomar as aulas no dia 11 de Junho

Apesar da assembléia da ADUENF ter remetido uma correspondência ao reitor da UENF, Silvério Freitas, pedindo razoabilidade na reorganização do calendário acadêmico, esse pedido parece ter caído em ouvidos surdos. É que já no início desta tarde, a reitoria da UENF anunciou na página oficial da instituição que os alunos estão sendo reconvocados para retomarem as aulas já na próxima 4a. feira (11/06) (Aqui!), véspera da estréia do Brasil na COPA 2014. E o pior é que esta reconvocação está sendo feita um dia antes da reunião do Colegiado de Graduação que é o órgão responsável pela organização do calendário acadêmico dos cursos de graduação da UENF.
 
Agora, eu pergunto como é que estudantes que estão entrando no primeiro semestre da graduação, e que moram em diferentes pontos do território brasileiro vão poder estar aqui na 4a. feira para iniciar as aulas? Você vai garantir o pagamento de passagens áreas? Além disso, como esse contingente sequer alugou qualquer coisa para morar, onde é que eles vão ficar até arranjarem um local? No prédio P-10? No quiosque ao lado do CCT?
 
E os estudantes que dependem de transporte escolar cedido pelas prefeituras da região e que hoje não dispõe de ônibus para os estudantes da UENF? Quem vai trazê-los até Campos e retorná-los para as mais variadas cidades do Noroeste Fluminense?
 
E o pior é que essa decisão está sendo anunciada antes da reunião da Câmara de Graduação que é quem cuida do calendário acadêmico. Realmente é muitaaaaa sensibilidade! Agora, uma coisa é certa. Esta medida poderá trazer ainda muita dor-de-cabeça para a reitoria.

Reitoria da UENF manda tropa de choque, mas só consegue suspender greve dos professores

IMG_9189

A reitoria da UENF que se mostrou incompetente para resolver os problemas salariais que estão na raiz da greve que os professores iniciaram em 12 de março, hoje enviou sua tropa de choque (inclusive o ex-reitor Almy Junior) para acabar com a greve dos professores, mas o máximo que conseguiu foi a sua suspensão. A assembléia aprovou uma proposta que aponta para  fato de que mobilização vai continuar e duas assembleias já foram marcas para os dias 17 e 24 de junho. O objetivo dessas assembleias será avaliar a situação e conferir se o (des) governador Pezão fez valer (ou não) o voto de confiança que pediu à ADUENF em sua visita ao campus Leonel Brizola na última 6a. feira (06/06).

Mas quem esteve na assembleia pode ver de perto a truculência dos aliados da reitoria (muitos deles ocupando cargos executivos dentro da administração da UENF) e que quiseram, mas não conseguiram, cassar a palavra dos professores, numa ação que é inédita nos 20 anos de história da ADUENF. O interessante é que a simples menção do direito dos estudantes de terem direito a um novo calendário que permita seu retorno correto para o campus foi fortemente contestado pelo grupo ligado à reitoria, sob o argumento de que os estudantes é que devem cuidar dos seus interesses. Felizmente, a maioria dos presentes rejeitou esta postura e foi aprovado o envio de uma carta ao reitor da UENF, Prof. Silvério de Paiva Freitas, para que seja dado um tratamento razoável à formulação de um calendário que permita um retorno organizado e em tempo hábil ao campus, especialmente para os estudantes que vivem em outras regiões do Brasil.

O que ficou patente na assembleia de hoje por parte dos apoiadores da reitoria foi a total inconformidade com o direito da liberdade de expressão e do amplo debate. Este tipo de postura que atenta diretamente contra o espírito universitário explica bem como é que a UENF chegou ao pântano institucional em que se encontra neste momento. 

Felizmente o atual movimento de greve mostrou que a maioria da comunidade universitária da UENF se cansou desse modelo de direção e que, de agora em diante, nada mais vai ser como antes. E no que depender de mim, a UENF apenas começou um novo capítulo de sua história onde os ideais de Darcy Ribeiro não serão mais sufocados. E a luta continua! Simples assim.

Bloomberg informa: Credores liderados pela Pimco estão próximos de controlar a petroleira de Eike Batista

Por Juan Pablo Spinett, com tradução de Marcos Pedlowski

 

A Pacific Investment Management Co. e o Credit Suisse Group AG estão entre um grupo de detentores  de ações que deram um passo importante no sentido de assegurar o controle da companhia de petróleo, que  provocou o colapso financeiro de Eike Vatista

Oitenta e dois por cento dos credores presentes na reunião de ontem no Rio de Janeiro aprovaram um plano de reestruturação para a principal unidade da  Óleo & Gás Participações SA (OGXP3), o Chief Executive Officer Paulo Narcelio disse a repórteres após a reunião. Se for ratificado por um tribunal de falências no Rio e aprovado pelos acionistas, o plano dará a um grupo de 12 credores liderado pela Pimco, que proporcionou à empresa de financiamento de emergência, pelo menos, uma participação de  42%  na  OGPAR

A empresa conhecida anteriormente como OGX que uma vez fez de Batista a oitava pessoa oitavo mais rica do mundo também vai receber US $ 90 milhões em financiamento de credores em 15 a 30 dias para ajudar a cobrir os custos de operação,  desde que o plano seja ratificado pelos tribunal, disse Narcelio.  A Nomura International e o Deutsche Bank AG também fazem parte do grupo que forneceu  novos recursos financeiros em troca de ações.

“A empresa teria sido liquidada sem a aprovação do plano, algo que não era do interesse dos credores”, disse Narcelio. “Nós vimos uma atitude positiva de uma grande maioria dos fornecedores da empresa, tanto do passado e do presente, e  uma maioria bastante significativa dos credores financeiros.”

 Espaço de manobra

Segundo o plano, a OGpar, como a empresa carioca agora é conhecida, irá converter passivos de 5800 milhões dólares em capital, liberando o empreendimento desta dívida e permitindo-lhe concentrar-se na exploração e produção, disse a empresa em um comunicado ontem à tarde.

A decisão dá OGpar ganha tempo para corrigir operações enquanto litígios e reclamações estão congelados, disse Luana Helsinger, analista de petróleo e gás da corretora GBM.

“A empresa agora receberá dois anos para reestruturar-se sob a supervisão de um juiz”, disse ela em uma nota a clientes hoje. “Todos os processos e dívidas ficam suspensos por 180 dias, o que dá à empresa um espaço para respirar.

Em fevereiro, OGpar chegou a um acordo com os credores para um acordo de 215 milhões dólares, em uma transação que obrigaria Batista a abandonar o controle da empresa. A empresa, que pediu concordata em outubro, depois de passar mais de 10 bilhões de reais (4,4 bilhões dólares) desde a sua fundação em 2007, obteve uma primeira parcela de US $ 125 milhões em financiamento fresco dos principais detentores de bônus, em março.

O encolhimento de  Batista

 O grupo de credores também inclui fundos geridos pela Spinnaker Capital Ltd., Redwood Master Fund, Ltd., Emerging Markets Special Opportunities Ltd. e DuPont Pension Trust, de acordo com um 08 de maio de arquivamento pelo regulador antitruste do Brasil Cade publicado no Diário Oficial. BP Brasil Investments LLC 2, Lord Abbett Bond-Debênture Fund Inc., Moneda Deuda Latino Americana Fondo de Inversion e Knighthead Mestre Fund LP, também fazem parte do comitê, disse o documento.

O plano estabelece que os credores serão os dono de 90 % e os acionistas existentes, incluindo Batista, terão o restante, efetivamente terminando o controle da empresa por Eike. A participação direta do ex-bilionário vai encolher para cerca de 5%,  um valor que já foi de 50%.

Um total de 201 credores, incluindo os detentores de bônus e fornecedores que representam cerca de 62%  dívida da OGpar participaram da reunião de ontem no prédio da Bolsa de Valores no centro do Rio, de acordo com o advogado Darwin Correa, que assessora a empresa.

Tubarão-martelo

O valor das ações da OGpar caiu 5%, para 19 centavos no fechamento, em São Paulo hoje. O estoque caiu 86 % últimos 12 meses. A assessoria de imprensa da Pimco não respondeu  a uma procura de comentário via e-mail sobre a aprovação do plano. O Credit Suisse  também não quis comentar.

A companhia espera gerar 1,04 bilhões de reais em receita líquida de seus poços no campo de Tubarão Martelo, a OGpar informou em um comunicado 2 de junho. O projeto está programado para produzir 352 milhões de reais em lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, informou a empresa

A OGpar, que foi listada na BOVESPA por Batista em 2008, cresceu em valor até 75,2 bilhões de reais em 2010, depois de relatar as descobertas em mais de 80% dos poços perfurados, permitindo que o empresário brasileiro pudesse explorar os mercados de dívida para financiar as operações.  Os resultados de produção e reservas abaixo do esperado resultaram na erosão na fortuna de Eike Batista, e desencadeou uma crise de confiança dos investidores, que terminou na maior default corporativo da América Latina depois que a empresa perdeu o praz ode um pagamento de juros 4 em outubro de 2013.  O valor de mercado da empresa caiu então para 647,2 milhões de reais.

Para contatar o repórter nesta história: Juan Pablo Spinetto no Rio de Janeiro em jspinetto@bloomberg.net.  Para contactar os editores responsáveis por essa história: James Attwood em jattwood3@bloomberg.net Robin Saponar

FONTE: http://www.bloomberg.com/news/2014-06-04/pimco-led-creditors-near-control-of-batista-s-oil-unit.html