Belo Horizonte, Fortaleza e Recife registram diminuição na carga do coronavírus em seus esgotos, mas Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro não

Este é o primeiro boletim da Rede Monitoramento COVID Esgotos com dados das seis capitais acompanhadas

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O Boletim de Acompanhamento nº 05/2021 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, com dados até 21 de agosto, semana epidemiológica 33, identificou uma tendência de redução da carga viral do novo coronavírus em três capitais: Belo Horizonte, Fortaleza e Recife em relação ao último boletim publicado em 9 de agosto. Porém, outras três capitais se mantêm com cargas elevadas: Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro. No caso da capital fluminense, na semana 31 (de 1º a 7 de agosto), foi registrada a maior carga viral já medida desde o início do monitoramento em 2020. Esta é a primeira vez que a Rede publica um boletim com dados das seis capitais. Veja as informações por cidade a seguir.

Belo Horizonte (MG)

Em Belo Horizonte, houve uma redução da carga viral nas semanas epidemiológicas 30 (de 25 a 31 de julho), 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto) respectivamente de 17,9 bilhões de cópias por dia do vírus para cada 10 mil habitantes; 12,4 bilhões; 9,6 bilhões; e 5,4 bilhões. A carga verificada na semana 33 foi a menor registrada em 2021. As baixas cargas nas bacias dos ribeirões Arrudas e Onça se mantiveram estáveis e contribuíram para esse resultado nas últimas quatro semanas de monitoramento.

Evolução da carga viral no esgoto de Belo Horizonte

Também entre as semanas 30 e 33 houve uma tendência de redução nas concentrações virais em todas as sub-bacias hidrográficas monitoradas. Nesse período, todos os seis pontos acompanhados tiveram concentrações virais baixas (de 1 a 4 mil cópias por litro das amostras) ou médias (de 4 mil a 25 mil cópias por litro), indicadas respectivamente em amarelo e laranja nos mapas a seguir.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Belo Horizonte entre as semanas epidemiológicas 26 e 29

Já nos pontos especiais de monitoramento na capital mineira, quatro dos seis pontos apresentaram níveis não detectáveis do novo coronavírus na semana epidemiológica 33. Esses pontos incluem o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, a Rodoviária de Belo Horizonte, shopping localizado em área de alta renda (SHC-01) e shopping localizado em área de baixa renda (SHC-02). Já no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi registrada uma concentração baixa: 9,74 cópias por litro.

Concentração do novo coronavírus no esgoto dos pontos especiais de monitoramento em Belo Horizonte

Brasília (DF)

Com um histórico de medições iniciado no fim de março deste ano, Brasília apresentou respectivamente uma carga de 429, 442, 239 e 377 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes nas semanas epidemiológicas 30 (de 25 a 31 de julho), 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto). Essa carga viral é considerada elevada e corresponde à soma das cargas de oito estações de tratamento de esgotos (ETEs), que, juntas, atendem a cerca de 80% da população do Distrito Federal.

Tanto na semana 30 quanto na 31, as cargas estão subestimadas por não terem sido contabilizadas respectivamente a carga viral da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Brasília Sul e da ETE Riacho Fundo. No período compreendido pelas semanas epidemiológicas 30 e 33, as cargas virais superaram as medidas nas semanas 27 e 29, que variaram entre 181 e 224 bilhões de cópias do vírus por dia para cada 10 mil habitantes, conforme o gráfico a seguir.

Evolução da carga viral no esgoto do Distrito Federal

Entre as semanas epidemiológicas 30 e 33, todos os pontos de monitoramento indicaram concentrações virais médias, entre 4 mil e 25 mil cópias do vírus por litro das amostras (em laranja nos mapas a seguir), ou elevadas, acima de 25 mil cópias por litro (em vermelho). Nesse quesito, dentre as seis capitais acompanhadas pela Rede Monitoramento COVID Esgotos, Brasília foi a única delas somente com pontos com média ou alta concentração nas últimas quatro semanas epidemiológicas.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas no DF entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

Curitiba (PR)

Entre as semanas epidemiológicas 30 (25 a 31 de julho) e 33 (15 a 21 de agosto), Curitiba registrou aumento na carga viral no esgoto em comparação à semana 29, quando foram detectados 45,5 bilhões de cópias por dia para cada 10 mil habitantes. Nas semanas 30, 31, 32 e 33 a carga viral registrada foi respectivamente de 111 bilhões, 73 bilhões, 160 bilhões e 155 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia a cada 10 mil habitantes. No histórico desde março deste ano, a maior carga medida aconteceu na semana 26 (de 27 de junho a 3 de julho): 663 bilhões de cópias.

Evolução da carga viral no esgoto de Curitiba

 Em termos de concentração do novo coronavírus no esgoto de Curitiba, em oito dos nove pontos monitorados foi observada uma concentração média (entre 4 mil e 25 mil cópias por litro das amostras, indicada em laranja no mapa a seguir) ou elevada (acima de 25 mil cópias do vírus por litro, em vermelho) entre as semanas 30 e 33. No período, somente o ponto de monitoramento Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Atuba Sul teve uma concentração baixa (entre 1 e 4 mil cópias por litro) na semana epidemiológica 30, indicada em amarelo.

Na ETE Padilha Sul, que atende a cerca de 290 mil habitantes, a tendência verificada nas semanas 32 e 33 é de aumento considerável da concentração viral. Entre as semanas epidemiológicas 30 e 33, foi observada a tendência de aumento nas concentrações virais no bairro Tarumã e no Boqueirão. Por outro lado, foi identificada a tendência de redução nas concentrações nos pontos CIC-Xisto e na Rodoferroviária.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Curitiba entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

O ponto especial de monitoramento do Aeroporto Internacional Afonso Pena teve concentrações que variaram entre baixa e média durante todo o período de monitoramento. Na semana epidemiológica 33, a última monitorada, houve uma elevação da concentração viral em relação às três últimas semanas anteriores: 14,6 mil cópias por litro das amostras, conforme o gráfico a seguir.

Concentração do novo coronavírus no esgoto do ponto especial de monitoramento em Curitiba

Fortaleza (CE)

Conforme os dados das semanas epidemiológicas 30 a 33 da Rede Monitoramento COVID Esgotos, Fortaleza registrou baixas cargas do novo coronavírus nos pontos monitorados. Nas semanas 30, 31, 32 e 33 as cargas foram respectivamente de 7,74 bilhões de cópias do vírus por dia para cada 10 mil habitantes; 11,6 bilhões; 5,64 bilhões; e 14 bilhões. No histórico da capital cearense desde 8 de junho, na semana epidemiológica 23, de 6 a 12 de junho, foi medida a maior carga viral na cidade: 34 bilhões de cópias por dia para cada 10 mil habitantes, conforme o gráfico a seguir.

Evolução da carga viral no esgoto de Fortaleza

Na Estação de Pré-Condicionamento, ponto que cobre 61% da população de Fortaleza, o novo coronavírus não foi detectado nas amostras coletadas nas semanas 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto). Especialmente na semana epidemiológica 31, o vírus não foi detectado em cinco dos nove pontos monitorados, o que pode ser percebido nas áreas em verde nos mapas a seguir.

Em amarelo estão as regiões onde estão os pontos de monitoramento em que foram detectadas baixas concentrações do novo coronavírus, entre 1 e 4 mil cópias a cada litro das amostras. Já os poucos pontos em laranja indicam regiões monitoradas com concentração média do novo coronavírus: entre 4 mil e 25 mil cópias por litro das amostras.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nos pontos monitorados em Fortaleza entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

Recife (PE)

Pela primeira vez com dados presentes no boletim da Rede Monitoramento COVID Esgotos, Recife registrou baixas concentrações do novo coronavírus em todos os pontos de monitoramento. Na semana epidemiológica 32, de 8 a 14 de agosto, considerando as três estações de tratamento de esgotos (ETEs) monitoradas na capital pernambucana, o vírus foi detectado somente na ETE Mangueiras, que recebe o esgoto de cerca de 22 mil habitantes. Em Recife também são acompanhadas a ETE Peixinhos e a ETE Cabanga, onde chegam os esgotos de respectivamente 286 mil e 336 mil pessoas.

Nos mapas a seguir as áreas em amarelo apresentaram baixa concentração viral, entre 1 e 4 mil cópias do novo coronavírus por litro das amostras, nas semanas epidemiológicas 30 a 32.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nas ETEs monitoradas em Recife entre as semanas epidemiológicas 30 e 32

Em termos de carga viral, na semana 32, foram registradas 0,2 bilhão de cópias do vírus por dia a cada 10 mil habitantes. No histórico de dados de Recife, iniciado na semana epidemiológica 18, de 2 a 8 de maio, a maior carga viral nos esgotos da cidade foi de 11,8 bilhões de cópias por dia a cada 10 mil habitantes. Tal situação aconteceu na semana 22, de 30 de maio a 5 de junho. Conforme o gráfico a seguir, é possível perceber a redução e o baixo patamar da carga viral em Recife desde a semana epidemiológica 23, de 6 a 12 de junho.

Evolução da carga viral no esgoto de Recife

Rio de Janeiro (RJ)

As concentrações e cargas virais do novo coronavírus no esgoto do Rio de Janeiro permaneceram muito elevadas nas semanas epidemiológicas 30 (de 25 a 31 de julho), 31 (1º a 7 de agosto), 32 (8 a 14 de agosto) e 33 (15 a 21 de agosto): respectivamente 594 bilhões; 1,91 trilhão; 450 bilhões; e 146 bilhões de cópias do novo coronavírus por dia para cada 10 mil habitantes. A carga medida na semana 31 foi a maior do histórico iniciado em novembro de 2020, superando 1,82 trilhão de cópias verificadas na semana epidemiológica 26 (de 27 de junho a 3 de julho). Nas semanas seguintes (32 e 33) houve forte aumento no número de leitos ocupados por pacientes com COVID-19.

Evolução da carga viral no esgoto do Rio de Janeiro

Em termos de concentração viral nos 14 pontos de monitoramento no Rio de Janeiro, na semana 30 a maioria deles (oito) apresentou uma concentração considerada elevada: acima de 25 mil cópias do vírus por litro das amostras (indicada em vermelho nos mapas a seguir). Já na semana 33, em 11 pontos as concentrações estavam no patamar médio (de 4 mil a 25 mil cópias por litro, indicada em laranja). Essa mudança pode ser explicada pela tendência de redução das cargas virais no Rio. Já na ETE Ilha do Governador, houve a maior concentração do histórico registrada na semana 31.

Distribuição espacial das concentrações do novo coronavírus nos pontos monitorados no Rio de Janeiro entre as semanas epidemiológicas 30 e 33

Sobre a Rede Monitoramento COVID Esgotos

A Rede Monitoramento COVID Esgotos, lançada em webinar realizado em 16 de abril, acompanhará as cargas virais e concentrações do novo coronavírus no esgoto de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. Esse trabalho, uma das maiores iniciativas brasileiras de monitoramento da COVID-19 no esgoto, busca fornecer subsídios para auxiliar a tomada de decisões para o enfrentamento da pandemia atual.

O último Boletim de Acompanhamento se soma aos boletins já publicados da Rede Monitoramento COVID Esgotos e aos 34 Boletins de Acompanhamento produzidos no contexto do projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos, realizado com base em amostras de esgotos em Belo Horizonte e Contagem (MG). As lições aprendidas com o projeto-piloto são a base para os trabalhos da Rede.

A Rede Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de acompanhar a presença do novo coronavírus nas amostras de esgoto coletadas em diferentes pontos do sistema de esgotamento sanitário de seis capitais e cidades que integram as regiões metropolitanas de: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro. A rede busca ampliar as informações para o enfrentamento da pandemia de COVID-19. Nesse sentido, os resultados gerados sobre a ocorrência do novo coronavírus no esgoto das cidades em questão podem auxiliar na tomada de decisões por parte das autoridades locais de saúde.

Com os estudos, o grupo pretende identificar tendências e alterações na ocorrência do vírus no esgoto das diferentes regiões monitoradas, o que pode ajudar a entender a dinâmica de circulação do vírus. Outra linha de atuação é o mapeamento do esgoto para identificar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos como uma ferramenta de alerta precoce para novos surtos, por exemplo.

A vigilância do novo coronavírus no esgoto também pode auxiliar nas tomadas de decisão relacionadas à manutenção ou flexibilização das medidas de controle para a disseminação da COVID-19. Também pode fornecer alertas precoces dos riscos de aumento de incidência do vírus de forma regionalizada.

A Rede é coordenada pela ANA e INCT ETEs Sustentáveis com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e conta com os seguintes parceiros: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, a Rede conta com a parceria de companhias de saneamento locais e secretarias estaduais de Saúde.

Sobre os parceiros do projeto

ANA

Criada pela Lei nº 9.984/2000, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) é a agência reguladora dedicada a implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos, a Lei das Águas, e coordenar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Com a aprovação do novo marco legal do saneamento básico pela Lei nº 14.026/2020, também cabe ao órgão editar normas de referência para a regulação dos serviços públicos de saneamento básico.

Esse trabalho é feito por meio de ações de regulação, monitoramento, gestão e planejamento de recursos hídricos. Além disso, a ANA emite e fiscaliza o cumprimento de normas, em especial as outorgas em corpos d’água de domínio da União – interestaduais, transfronteiriços e reservatórios federais. Também é a responsável pela fiscalização da segurança de barragens de usos múltiplos das águas outorgadas pela instituição.

INCT ETEs Sustentáveis

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis) estuda questões sobre o esgoto sanitário, notadamente para países em desenvolvimento, de forma a contribuir para a promoção de mudanças estruturais e estruturantes nos serviços de esgotamento sanitário, a partir da capacitação profissional, desenvolvimento de soluções tecnológicas apropriadas às diversas realidades nacionais, construção e transmissão de conhecimento para a sociedade, órgãos governamentais e empresariais.

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