
Por Carlos Eduardo de Rezende*
À medida que a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) se aproxima de seu 31º aniversário, ela enfrenta uma série de desafios críticos que ameaçam seu legado e progresso em ajudar o norte e noroeste do estado do Rio de Janeiro a avançar.
Entre os problemas mais evidentes estão a falta de um “Plano de Cargos e Vencimentos” atualizado, a não remuneração de direitos trabalhistas como periculosidade e insalubridade, e a pendência de concursos para servidores técnicos e docentes. Após 30 anos a instituição ainda não conseguiu preencher mais do que 55% de seu quadro de docentes permanentes, um fator que limita severamente a expansão acadêmica na formação de talentos e a criação de novos cursos alinhados com a realidade regional e nacional. Além disso, a UENF enfrenta a inadequação de salas de aula e equipamentos didáticos para atender aos desafios contemporâneos de uma educação moderna, juntamente com instalações precárias, ultrapassadas, e como exemplo, banheiros em obras há meses e salas de aula sem refrigeração.
Recentemente, o vice-reitor exaltou os investimentos de R$ 30 milhões em equipamentos de pesquisa, mas a gestão que ele pertence esqueceu que falta transparência quanto à distribuição de recursos na universidade (Aqui!), pois não basta informar os montantes por centro e sim os critérios de distribuição que nunca foram apresentados ou discutidos no CONSUNI. O vice-reitor também não mencionou os R$14 milhões investidos em uma obra de acessibilidade cuja relevância e aplicação efetiva dos recursos são questionáveis, nem os R$ 7,5 milhões, em reformas nos telhados que afetaram negativamente várias salas de aula, sem uma avaliação dos impactos durante período de intensas chuvas na cidade (ver imagem abaixo).

Outra omissão significativa foi quanto ao recurso substancial deixado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) para a recuperação das instalações do Arquivo Municipal. Todos estes pontos, foram consultados no portal de transparência da instituição e parece não estar devidamente registrado (Aqui!). Cabe ressaltar, que esta é uma gestão de continuidade e, portanto, embora com 5 meses, não pode alegar desconhecer tais demandas da comunidade.
Embora a sintonia da administração superior da UENF com as redes sociais locais beneficie a imagem pública da instituição, essa percepção “positiva” externa corre o risco de nos distrair das demandas internas críticas, frequentemente destacadas pela nossa comunidade acadêmica. É essencial reconhecer que soluções temporárias podem obscurecer os problemas mais profundos relacionados às condições de trabalho e ao ambiente acadêmico interno.
Os atuais padrões de gastos gerenciados pela atual gestão da Reitoria, não só comprometem o presente, mas também colocam em risco o futuro da UENF – A universidade do terceiro milênio. Uma gestão excessivamente focada em projeções “científicas”, mas agem em detrimento de uma administração prática, estratégica e visionária, que pode deteriorar a qualidade acadêmica e operacional da universidade, prejudicando a formação de recursos humanos qualificados, a sustentabilidade financeira e a reputação da instituição a longo prazo.
Os riscos associados a quebra da liturgia interna com as normas e regulamentações são uma preocupação crescente. A falta de transparência nos registros, critérios e distribuição de recursos e a não observância das práticas de governança adequadas podem resultar em sérios problemas assim como a perda de credibilidade da UENF perante o governo estadual e a sociedade campista. Esse descumprimento pode culminar na desconfiança das partes interessadas, isto é, comunidade acadêmica, estado, órgãos de fomento e a comunidade em geral, comprometendo ainda mais a integridade e o desempenho da universidade. A implementação de políticas de conformidade nos processos não é apenas uma necessidade legal, mas a base essencial para garantir a operação contínua e o sucesso futuro da UENF.
É importante que a administração da UENF adote medidas urgentes para reavaliar e fortalecer seus processos de tomada de decisão com base em critérios transparentes para toda a comunidade acadêmica, porque atualmente a UENF parece um navio à deriva, perigosamente próximo a ter dificuldades em águas turbulentas. Por fim, não podemos permitir que a UENF, continue a ser negligenciada a ponto de enfrentar dificuldades irreversíveis. Cabe a nós, membros da comunidade acadêmica e cidadãos comprometidos com esta instituição, erguer nossa voz e cobrar mudanças imediatas. É momento de agir, de reivindicar um futuro melhor e mais seguro para a UENF, pois o futuro da UENF está em nossas mãos, e vamos juntos salvá-la antes que seja tarde demais.
Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) da UENF. Ele também é membro do Conselho Universitário da UENF e bolsista de produtividade em pesquisa 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).