
Coube à deputada Erika Hilton do PSOL/SP propor uma emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com escalas em que se permite trabalhar por seis dias seguidos para folgar um. A justeza dessa pauta para todos os trabalhadores brasileiros deveria ter vindo muito antes e de algum tipo de movimento organizado de sindicatos e partidos de esquerda, mas não veio.
As razões para essa demora estão localizadas na crescente adaptação de boa parte dos sindicatos e dos partidos de esquerda institucionais à agenda social liberal que vem sendo executada desde 2003 pelos governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Essa adaptação à agenda social liberal explica grandes retrocessos ocorridos nos últimos 20 anos, a começar pela horrorosa reforma da previdência dos servidores públicos que foi realizada no governo Lula I.
Agora que a PEC proposta por Erika Hilton “decolou” e colocou tanto a esquerda como a direita na posição desconfortável de ter que se posicionar sobre uma questão que deveria ser fácil de resolver que é a escala de trabalho dos trabalhadores brasileiros, tem gente querendo disseminar o medo dentre quem vem apoiando a aprovação da PEC de Erika Hilton.
Um dos argumentos é que a pauta da redução do número máximo de dias de trabalho serviria para que surja algo parecido com o que ocorreu em junho de 2013 quando a pauta da redução das tarifas foi capturada pela direita para colocar em xeque o governo de Dilma Rouseff.
Pois bem, como acompanhei aquele processo e participei de debates com jovens que foram mobilizados pela pauta, quero lembrar que foi o alinhamento do PT, especialmente na capital paulista e com os partidos de direita, para sufocar aquele movimento, que deu gás para quem queria sequestrar uma pauta que era justa e que permanece sem ser resolvida até hoje.
Assim, se os sindicatos e partidos da esquerda institucional não querem uma repetição do que aconteceu após as jornadas de junho de 2013, a solução é simples. Basta sair da posição de expectadores da luta de classes para a condição de líderes da luta pela redução da jornada de trabalho no Brasil.