O oeste bloqueado: os significados da Cúpula do G20 no Brasil

202178Apelo à ação contra as mudanças climáticas: ações de protesto dos povos indígenas antes da cúpula do G20, no sábado, no Rio de Janeiro

Por Jörg Kronauer para o JungeWelt 

Há muito a fazer, especialmente para o G20, a associação dos 20 maiores países industrializados e emergentes do mundo. O Brasil, que atualmente preside o grupo de estados, colocou alguns pontos-chave na agenda: o combate à fome e à pobreza e o combate às mudanças climáticas. No entanto, provavelmente não haverá nenhum progresso tangível na cimeira do G20, que começa na segunda-feira no Rio de Janeiro, devido ao bloqueio dos estados ocidentais ricos.

Um imposto bilionário que retiraria pelo menos míseros dois por cento da riqueza obscena dos super-ricos, a fim de aliviar pelo menos os piores excessos de pobreza? Já havia sido prevenido antecipadamente pelos EUA e pela Alemanha. Ambos também querem impor os pagamentos necessários para combater o aquecimento global, que têm causado em grande parte desde o início da revolução industrial, aos países emergentes, mais do que antes, e os EUA podem retirar-se completamente do acordo climático de Paris depois de Donald Trump tomar posse. Progresso socioecológico, por mais escasso que seja? Não, obrigado, não há interesse – essa foi a mensagem do Ocidente mesmo antes da cimeira do G20.

No entanto, o Ocidente está interessado em outras coisas, nomeadamente coisas que não estão na agenda oficial do Rio de Janeiro, uma vez que o G20 é originalmente um formato econômico e não geoestratégico. O chanceler Olaf Scholz anunciou antecipadamente que discutiria repetidamente a guerra na Ucrânia. Por que? Agora, no terceiro ano de guerra, os países emergentes continuam a recusar-se a adotar a posição do Ocidente sobre o conflito armado. O fato é que os países emergentes estão fugindo ao domínio ocidental em um conflito central.

Do ponto de vista de Berlim, a declaração final da cimeira do G20 de 2023 na Índia foi mais fraca quando se tratou da Ucrânia do que a da cimeira do G20 de 2022 na Indonésia. O projeto do documento da cimeira deste ano, como podemos ouvir, leva ainda menos em conta as posições do Ocidente – para desgosto do governo alemão. Scholz fará o possível para implementar mudanças no texto.

Segundo relatos, a situação é semelhante às passagens do projeto de declaração final dedicada às guerras de Gaza e do Líbano. O governo da Alemanha também não quer deixar as coisas assim: está pressionando para que as posições israelenses sejam incorporadas ao documento. Isto significa que o Ocidente, que constitui metade do G20, está essencialmente contra o resto do mundo. O declínio das potências transatlânticas, que dominaram os assuntos mundiais durante demasiado tempo, também se reflecte em formatos como o G20 e nas suas declarações. Pará-lo, de preferência revertê-lo novamente: é isso que está impulsionando as ações do governo alemão na cúpula do Rio de Janeiro. As lutas contra a fome, a pobreza e as alterações climáticas são, se é que o são, secundárias.


Fonte: JungeWelt

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