A partir da página do “Instituto Cordilheira” na rede social Instagram fiquei sabendo de uma grave risco que paira sobre o antes aprazível e bucólico município de Conceição do Mato Dentro (MG) que teve sua realidade completamente alterada pela presença da mineradora sul africana Anglo American que ali se instalou para implantar o mega empreendimento de minério de ferro conhecido como “Minas Rio”.
Além de todos os problemas sociais criados pela chegada da Anglo American, a região hoje convive com os efeitos da poluição ambiental que é potencializada pela presença de uma barragem gigantesca de rejeitos de mineração que pode estocar até 167 milhões de metros cúbicos de material tóxico. O problema é que agora a Anglo American quer aumentar a capacidade da barragem para inacreditáveis 254 milhões de metros cúbicos. À guisa de comparação, o valor pretendido deixará a barragem mais do que 4 vezes maior do que a barragem da mineradora Samarco que rompeu em Mariana e 11 vezes maior do que a barragem da Vale que rompeu em Brumadinho.
E é preciso notar que a Anglo American pretende essa expansão ao arrepio da lei, visto que em 2019 a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou a Lei Mar de Lama Nunca Mais, como ficou conhecida a Lei Estadual 23.291/2019, que foi uma resposta exatamento ao rompimento das barragens em Mariana e Brumadinho. É importante notar que o texto final aprovado pela ALMG proibiu o alteamento de novas barragens em determinadas situações e deu prazos para a descaracterização de estruturas similares à que se rompeu em Brumadinho.
Mas a despeito do que diz a lei, a Anglo American quer impor, com a ajuda do governo Zema, a ampliação da barragem, o que, se concretizado, irá aumentar ainda mais os riscos de outro tsulama de proporções épicas, ameaçando comunidades do entorno imediato de forma mais direta, mas gerando riscos para regiões mais distantes, visto a capacidade dos rios carregaram rejeitos como foi o caso do Rio Doce que até hoje despeja resíduos da barragem do Fundão no oceano Atlântico.
Nunca é demais dizer que com a ameaça de desregulamentação completa do licenciamento ambiental que se encontra em curso no Senado Federal, a chance de que mais barragens como essa sejam implantadas em Minas Gerais irá crescer exponencialmente.

