Brasil, uma grande zona de sacríficio ambiental: Governo Lula publica novos atos relacionados à aprovação de agrotóxicos

No dia 24 de janeiro de 2026, publiquei aqui neste espaço um texto da professora Sonia Corina Hess onde ela apontava que somando-se os números relativos ao atual mandato do presidente Lula, de 2023 a 2025,  2.135 novos agrotóxicos tinham sido aprovados para uso no Brasil, sendo 346 (16%) produtos biológicos e 302 deles (87%) fabricados no Brasil.  A professora Hess lembrou ainda que dentre os 1.789 agrotóxicos químicos aprovados neste período, 1.511 (84%) tinham pelo menos um ingrediente ativo fabricado na China, enquanto 867 (48%) continham pelo menos um ingrediente ativo sem uso autorizado na União Europeia.

Como sabemos, esse números do terceiro mandato do presidente Lula já empalidecem as aprovações já estratosféricas que ocorreram durante os quatro anos do governo do presidente Jair Bolsonaro.  Mas como o atual mandato só se encerra no dia 31 de dezembro, o esforço parece ser mesmo estabelecer um novo recorde de aprovações de venenos agrícolas no Brasil. Falo isso porque o Diário Oficial da União traz a publicação do Ato Nº 6, de 2 de fevereiro de 2026 que libera mais 44 agrotóxicos, incluindo diferentes formulações do Acefato, um inseticida ligado ao desenvolvimento de câncer  que já foi banido pela União Europeia em 2003!

O fato inescapável é que o Brasil está sendo transformado em uma zona de sacrifício ambiental com a comercialização de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo por causa da sua alta toxicidade ambiental e para a saúde humana. E tudo isso para continuar alimentando os lucros do setor agroquímico e mineral que controla atualmente a economia reprimarizada do Brasil. 

Um aspecto particularmente grave é a contínua liberação dos agrotóxicos banidos em outras partes do mundo. Essas substâncias já possuem uma abundante literatura científica demonstrando quais são as suas repercussões ambientais e sobre a saúde humana, mas continuam sendo liberadas de maneira abundante.  O problema aqui é que está se contribuindo para o aparecimento de uma epidemia com origens químicas, mas em relação à qual a maioria da população continua totalmente desinformada, mas exposta de forma cada vez mais frequente.

Por outro lado, o problema não deve parar de aumentar. É que a edição de hoje do Diário Oficial da União traz outro ato, o Ato No. 5 de 30 de janeiro de 2026 em que são listados mais 96 pedidos de registros de agrotóxicos. Como esses pedidos deverão ser todos aprovados, já se pode imaginar que o ritmo de aprovações poderá até não repetir os anos anteriores (afinal é ano eleitoral e o presidente Luís Inácio irá certamente vestir uma roupagem verde para agradar os ambientalistas), mas, mesmo assim, vem mais liberação por ai.

É preciso apoiar e divulgar os esforços para impedir que essa transformação do Brasil em zona de sacrifício ambiental continue sendo naturalizada e e, pior, ocultada da maioria dos brasileiros. Afinal, os riscos são altos demais para serem ignorados.

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